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sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Impossível Calar
Confesso que ando me esquivando de postar algo mais contundente sobre assuntos políticos. Particularmente nesses tempos de campanha eleitoral. Mas, impossível calar, nesta semana. Estou indignado. E talvez seja importante começar dizendo isso sem rodeios: estou indignado como cidadão brasileiro.
Não porque tenha sido revelado mais um episódio da interminável disputa política brasileira. Não porque eu seja contra um ministro ou simpatizante de outro.
Estou indignado porque aquilo que veio a público, esta semana, envolve justamente a instituição que deveria representar, para todos nós, o último refúgio da Justiça.
E quando a confiança na Justiça começa a desaparecer, o problema deixa de ser de um ministro. Passa a ser de todos nós.
O relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça trouxe à luz mensagens e informações que apontam para uma relação muito chegada entre o ministro Alexandre de Moraes e o mafioso, ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Entre os elementos divulgados estão contatos – pouco republicanos – entre os dois e referências a questões relacionadas às investigações que atingiam o banqueiro. Há também informações sobre contratos de elevado valor envolvendo o escritório da esposa e filhos de Moraes. Repugnante.
Eu não preciso — e nem pretendo — afirmar que isso constitui crime. Não me cabe considerar. Mas me cabe perguntar: o que significa tudo isso?
Por que um ministro do Supremo mantinha uma relação dessa natureza com um banqueiro que posteriormente se tornou alvo de uma investigação que resultou no maior escândalo de corrupção que se tem conhecimento, no Brasil? Isso é normal?
Se é, que sejam explicados. Se não é, que se investigue.
O que não considero aceitável é que se espere do cidadão brasileiro que simplesmente feche os olhos e diga: “não aconteceu nada”. No mínimo, aconteceu uma grave crise de confiança. E talvez seja justamente aí que esteja a maior importância da atitude de André Mendonça.
Ao retirar o sigilo do relatório e defender que o assunto seja levado ao plenário do Supremo, Mendonça colocou uma palavra que parece estar se tornando rara na vida pública brasileira: transparência.
Não desejo salvadores da Pátria. Mas, sim, instituições corretas e capazes de sustentar a tão decantada Democracia.
Depois do pipoco inicial, que assustou o Brasil é inacreditável que venha ser travada l uma uta vergonhosa de um ministro contra outro. Que vergonha.
Desejo, sim, o Supremo contra qualquer suspeita que possa atingir a sua própria credibilidade.
Quero que todos sejam tratados com o mesmo rigor até porque ninguém pode estar acima da lei. Nem mesmo quem tem a responsabilidade de interpretá-la.
Bom recordar que, nós brasileiros fomos ensinados a respeitar as instituições nacionais. Precisamos continuar respeitando-as
Mas respeitar uma instituição não significa ser obrigado a aceitar tudo o que seus integrantes fazem. Ministros não são santos. Toga não é imunidade moral. E o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma instituição fundamental da República. Como calar diante de tanta corrupção. Por que deveria ser diferente com um ministro do Supremo? E não me venham dizer que questionar um ministro significa atacar o STF. Pelo contrário, é defender a Nação. Afinal, questionar, investigar e esclarecer aquilo que possa comprometer a imagem de um ministro é uma forma de proteger o Supremo. E que não haja nenhum tipo de vergonhosa solidariedade corporativa destinada a proteger seus próprios integrantes. Seria vergonhoso mais uma vez.
A proposito do desmantelo, o próprio presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu que os indícios exigem encaminhamento institucional e afirmou que a autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades.
É exatamente isso que eu espero. limites
Precisamos lutar por um Supremo respeitado. Não calemos!
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Reféns da Polarizção
Após muitas idas e vindas, dúvidas e desencontros, tensões e rangeres de dentes, as campanhas eleitorais começam, prá valer, neste domingo,16 de agosto. Por tudo quanto assistimos, nesses dias de pré-campanha, emoções muito maiores irão rolar e a luta ferrenha pelo poder mostrará suas garras, seus perrengues e as gravidades que o processo poderá revelar ao longo da jornada. Serão, aproximadamente, sessenta dias nos quais milhões de brasileiros conviverão com um ambiente de estresse e questionamentos, pavimentando seus caminhos às urnas para escolher seus representantes na cúpula alta do Poder.Como qualquer brasileiro responsável, considero que será um momento importante para que a Democracia Nacional se confirme, bem como uma preciosa oportunidade para que a Nação reflita sobre um fenômeno que, há alguns anos, vem contaminando a vida pública nacional: a polarização política. Não sou ingênuo e sei que, naturalmente, a divergência de ideias é saudável. A História revela que, em toda sociedade democrática, existem diferentes visões sobre as dimensões sócio-políticas, sobremaneira as da economia, saúde, educação, segurança publica, política externa. E no Brasil não podia ser diferente. Contudo, no nosso caso, o problema tronou-se extremamente complexo porquanto as divergências deixaram de ser fatores que visem ao aperfeiçoamento das decisões coletivas e benéficas à Nação e passaram a ser uma luta ferrenha pelo Poder. O país está dividido em dois campos que se enxergam com crescentes desconfianças e eivados de princípios ideológicos, nem sempre bem interpretados. O debate de ideias, a rigor, desapareceu, sendo substituído por ataques, inclusive pessoais, produzindo um ambiente perverso, jogando o interesse nacional para um plano inferior e muitas vezes esquecido. Em suma, estamos reféns de uma polarização danosa e irresponsável. É desesperador notar que projetos importantes deixam de avançar simplesmente porque foram propostos pelo “outro lado”. O mérito da proposta torna-se menos importante do que a identidade de quem a apresentou.
Ora, minha gente, nenhuma democracia madura prospera dessa maneira. As grandes nações conseguem avançar justamente porque, apesar das diferenças ideológicas, preservam alguns consensos fundamentais: o respeito às instituições, à Constituição, à alternância de poder e, sobretudo, ao diálogo. Há um bom tempo, nada disso vem ocorrendo por aqui. É evidente que eleições despertam paixões. Sempre foi assim e continuará sendo. O voto envolve convicções profundas, expectativas e sonhos. Contudo, a paixão política não pode eliminar a capacidade de ouvir quem pensa diferente. O politico brasileiro precisa entender isto. A polarização que hoje se verifica no Brasil tem levado ao desperdício de oportunidades preciosas. O país não avança. A sociedade tende a empobrecer cada vez mais, a indústria definha, o dinâmico agronegócio vem perdendo competitividade, a insegurança campeia de norte a sul, a infraestrutura se deprecia e assim por diante. Não vou mostrar dados. Eles estão abertos a toda hora pelos meios de comunicação. Bem observados é fácil constatar que os índices recentes têm revelado níveis nada apreciáveis. O mais lamentável é que o Brasil possui desafios suficientemente grandes para que desperdicemos tempo alimentando antagonismos permanentes. Este país precisa de governos competentes, mas também de uma oposição responsável. Que surjam líderes capazes de convencer, e não apenas de vencer. Precisamos, sobretudo, de cidadãos dispostos a colocar o futuro do país acima das preferências partidárias. Neste início de campanha eleitoral, talvez valha a pena recordar que adversários políticos não são inimigos da Pátria. O eleitor tem o direito — e o dever — de escolher o candidato que considere mais preparado. Mas também tem a responsabilidade de rejeitar o discurso do ódio, da intolerância e da desumanização daqueles que fazem escolhas diferentes. As eleições passam. Os governantes mudam. Os partidos se renovam. A Nação, porém, permanece. E ela somente será mais forte se conseguir recuperar uma virtude que parece cada vez mais rara na vida pública brasileira: a capacidade de discordar sem destruir, debater sem ofender e construir sem dividir. Que esta campanha seja uma oportunidade para elevar o nível da discussão política. NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.
domingo, 2 de agosto de 2026
Tropeços Diplomáticos
Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com os quais o Brasil se relaciona. Foram experiências formidáveis e enriquecedoras na construção da minha carreira como Economista, tanto no serviço publico, como no meio empresarial, onde, por bom tempo, atuei como Consultor. No Serviço Público contribuí, no fim de carreira, como Coordenador de Cooperação Internacional da SUDENE e, após isto, prestando consultorias no setor privado, até bem recente. Certamente que estes antecedentes despertaram-me grande interesse pelos recentes tropeços diplomáticos envolvendo o Brasil com a Argentina e o Paraguai. Apreensivo, conferi que foram situações vexatórias e desafiadoras para os tempos que vivemos. Considerei como deplorável ver o presidente argentino, Javier Milei, sem cerimonia e respeito, desferir tantas “indelicadezas politicas” ao Presidente brasileiro e a um magistrado da Suprema Corte do Brasil. Por mais razões que possam ser narradas, nunca se espera de um mandatário estrangeiro - em visita ao país vizinho e amigo – dar aquele quase histérico de pronunciamento. Por outro lado e como se isto fosse pouco, nosso Presidente também teve seu momento de tropeço ao se referir de modo sem fundamento histórico ao vizinho Paraguai, num dos seus discursos semanais. Ambos os casos apontam para ausência total de um alinhamento politico-diplomático nas assessorias dos dois presidentes. Vá lá que eles não se liguem com acurados cuidados e se confiem nos seus improvisos, mas, a coisa não sai barata. Presidentes de Nações devem ter mínimos conhecimentos históricos do país que comanda e sempre respeitá-los. Aliás, vale refletir que é justamente nesses momentos que estadistas se distinguem de meros administradores de crises geradas por polarizações políticas. Enquanto estes respondem pelo presente, aqueles procuram preservar a Historia e o futuro. Esta tensão diplomática entre Brasil e Paraguai despertou, rapidamente, a atenção da opinião pública dos dois países. As manchetes destacaram declarações, protestos, consultas de embaixadores e manifestações oficiais. Ora, meu Deus, é natural que episódios dessa natureza provoquem inquietação, sobretudo envolvendo dois países vizinhos, ligados por uma extensa fronteira e por históricos interesses político-econômicos comuns. Brasil e Paraguai possuem uma convivência marcada por episódios dramáticos e, ao mesmo tempo, por extraordinários exemplos de cooperação. A Guerra da Tríplice Aliança, travada no século XIX, deixou cicatrizes profundas que jamais desapareceram completamente da memória coletiva dos paraguaios. Seria ingenuidade imaginar que um conflito daquela dimensão pudesse ser apagado pelo simples passar do tempo. A propósito disso, recordo de um episódio que vivi, num Seminário sobre (Sub)Desenvolvimento Regional, em Tóquio (Japão), quando , de certo modo. fui verbalmente agredido pelo representante paraguaio, criticando a presença de um representante do Brasil, país visto por ele como explorador e suficientemente desenvolvido. Ao mesmo tempo, contudo, seria igualmente injusto ignorar que, ao longo das últimas décadas, os dois países construíram uma relação baseada na integração econômica, na cooperação energética, Itaipu é um marco (Foto a seguir) dessa integração, no comércio, no combate aos crimes transnacionais e no fortalecimento do Mercosul.
A própria usina hidrelétrica de Itaipu simboliza essa realidade. Onde antes houve guerra, ergueu-se uma das maiores demonstrações de que antigos adversários podem substituir conflitos em desenvolvimento compartilhado. A energia produzida por Itaipu ilumina cidades, movimenta indústrias e demonstra que a cooperação costuma produzir resultados muito mais duradouros do que a confrontação. É inegável que Brasil e Paraguai possuem inúmeras razões para manter um relacionamento sólido. O comércio bilateral movimenta bilhões de dólares; milhares de famílias vivem nas regiões de fronteira; empresas, trabalhadores e estudantes transitam diariamente entre os dois países pela famosa Ponte da Amizade.Foto a seguir.
Creio que esses vínculos são mais fortes do que qualquer crise passageira ou tropeço de qualquer Chefe de Estado de plantão. Episódios como o recente devem servir menos para alimentar paixões e mais para recordar o verdadeiro sentido que é sustentado por um bom Corpo Diplomático. A Diplomacia existe justamente para administrar divergências antes que elas se transformem em conflitos maiores. A ela cabe, de modo atento, mostrar que as crises passam, a geografia permanece e a História continua. NOTA: Fotos ilustrativas obtidas no Google Imagens.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Além da bola e dos gramados
Dizer que não sofri com a derrota da seleção seria mentira. Faz parte de um jogo articulado globalmente e, sendo filho de Deus, não consigo desligar. Principalmente vindo de uma geração que viveu tempos áureos do futebol brasileiro. Vi o Brasil ser pentacampeão pelos pés gloriosos de Pelé, Garrincha, Romário, Bebeto, Rivaldo, Sócrates, Zico, Branco, Ronaldo e Ronaldinho, entre outros tão marcantes quanto... Vendo os jogadores de hoje não sinto o mesmo entusiasmo do passado. Triste mas verdadeiro é pensar que na realidade não se trata de atletas que chamo “puro sangue”. Na maioria são atuantes em times europeus e que, na pratica, só pensam no estrelato e no afã de fazer fortunas. Vestir a camisa da canarinha não passa de um acidente de percurso. Não existe espirito de equipe, numa modalidade de esporte em que isto é uma exigência sine qua non. Acontece qeu o brasileiro de agora sonha com um hexacampeonato difícil de ser viabilizado enquanto houver, além da bola e dos gramados, interesses individuais, monetarização das ações e as interferências politicas maléficas. Nada mais prejudicial, por exemplo, do que a “cachorrada” dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esta, ao invés de se ocupar nas ações visando ao sucesso de uma seleção brasileira, às vésperas de uma Copa Mundial, se ocupou numa treta interna, visando ao poder, que terminou judicializada, envolvendo, até, um magistrado da Suprema Corte, que sabidamente hoje é membro atuante no sistema da Confederação, conforme pude colher em informes de redes sociais. Não deu outra e o Brasil está fora da Super- Copa de 2026, para tristeza de uma nação que raramente se une em torno de uma ideia única.
Sofrendo as “dores” do torcedor frustrado e, por cima, tendo que consolar e explicar melhor a situação ao meu netinho, de seis anos, crente que o Brasil seria campeão, pus-me a analisar devagar - além da bola e dos gramados - o que explicava o sofrimento nacional desta segunda-feira, 6 de julho de 2026. Pudera! Não foi difícil fazer algumas inferências básicas: durante um mês, o planeta praticamente sincroniza seus relógios em torno de um único evento. Bilhões de pessoas acompanham os jogos, independentemente de idioma, religião ou ideologia. Acredito que seja o acontecimento de maior poder de mobilização social do mundo. Acho notável como a Copa desperta um sentimento raro de pertencimento coletivo. Pessoas de diferentes classes sociais, profissões e posições políticas vestem a mesma camisa. Ela fortalece identidades nacionais, aproxima famílias e amigos e cria memórias que atravessam gerações. Politicamente falando, os governos sabem que uma Copa é uma vitrine mundial. Sediar o torneio significa demonstrar capacidade de organização, infraestrutura, estabilidade e influência internacional. Não por acaso, muitos países utilizam grandes eventos esportivos para reforçar sua imagem externa. O Brasil não deixou por menos, promovendo uma Copa e Uma Olimpíada. Não foi fácil mas, aconteceu. Pensando na dimensão econômica, logo pensei que é indiscutível o fato de que poucos eventos movimentam tanto dinheiro, haja vistas às fabulosas vendas de ingressos, direitos de transmissão, patrocínios, transporte aéreo, turismo, hotelaria, restaurantes, transporte terrestre, publicidade, venda de produtos licenciados e apostas esportivas que, de modo quase articulado, geram uma cadeia econômica gigantesca, estimada (pela FIFA) em 80,0 Bilhões de Dólares. Outro dado expressivo é quanto à mobilização mundial. Segundo a FIFA, a audiência acumulada da Copa do Mundo alcança bilhões de espectadores ao redor do planeta, tornando-a um dos maiores produtos de entretenimento do mundo. Na Copa de 2022, por exemplo, os números publicados chegou a 5 Bilhões na grande parte do torneio. A partida final entre as seleções da Argentina e da França foi estimada em 1,5 Bilhão de pessoas em todo o mundo. Quase concluindo lembro que países, como o Brasil, ao atuarem como sedes do evento mundial amargam importantes questionamentos tais como os elevados custos nos investimentos públicos para sediar o torneio, a utilização futura dos estádios e o equilíbrio entre custos e benefícios para a população. Finalizando, ouso afirmar que uma Copa do Mundo de Futebol que dura apenas algumas semanas projeta efeitos que se rebatem muito além do apito final. Ela revela como os povos sonham, consomem, competem, cooperam e se enxergam. Não sou sociólogo, mas, vejo que a Copa não é apenas um campeonato de futebol, mas, também, um espelho da própria humanidade. NOTA: Foto ilustrativa colhida no Google Imagens
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Inteligência Artificial
A Inteligência Artificial tornou-se um dos temas centrais dos últimos tempos. Governos, empresas e universidades disputam a liderança em uma tecnologia que promete transformar profundamente a economia, a política e as relações sociais. Mas uma pergunta fundamental permanece no ar: quem controlará essa nova força? Durante décadas, o poder esteve associado ao domínio de recursos naturais, à capacidade industrial ou ao poder militar. Hoje, os dados e os algoritmos passaram a integrar essa lista. Acredito que as nações que liderarem o desenvolvimento da Inteligência Artificial poderão exercer influência econômica e estratégica sem precedentes.
Ao mesmo tempo em que a IA oferece avanços extraordinários, ela também levanta preocupações legítimas. A automação poderá eliminar milhões de postos de trabalho, exigindo uma requalificação profissional em larga escala. A produção automatizada de textos, imagens e vídeos desafia a capacidade da sociedade de distinguir fatos de manipulações. É ai onde mora a maior das preocupações. Nunca foi tão fácil criar conteúdos convincentes; nunca foi tão difícil verificar sua autenticidade. Nestes tempos de eleições, o eleitor tem que estar atento e os candidatos mais ainda.
Há ainda uma questão política que merece atenção: a concentração de poder tecnológico. Um pequeno grupo de grandes empresas controla parte significativa da infraestrutura digital, dos modelos de IA e dos dados utilizados para treiná-los. Isso, pode muito apontar e levantar debates sobre soberania nacional, concorrência econômica e transparência.
O Brasil acompanha essa transformação em uma posição ambígua. Por um lado, possui universidades, pesquisadores e um mercado digital expressivo. Por outro, ainda enfrenta dificuldades estruturais em educação, inovação e produtividade. Vejo o grande risco do pais se tornar, como em outras situações, apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior, ampliando sua dependência tecnológica.
A discussão de hoje não é apenas técnica. Trata-se de uma questão política, econômica e, quem sabe, até filosófica. A tecnologia, por si só, não é boa nem má. O que definirá seu impacto serão as regras, os valores e os interesses que orientarem sua utilização.
A grande questão talvez não seja se a Inteligência Artificial mudará o mundo. Isso já está acontecendo. A pergunta é outra: a serviço de quem ocorrerá essa mudança? Mas, este debate está apenas começando. Qual sua opinião prewzdo(a) Leitor(a)?NOTA: A foto ilustração foi obtida no Google Imagens
sábado, 9 de maio de 2026
Uma ponte para o futuro
Como esperado 2026 vem nos brindando de episódios políticos palpitantes. O Brasil está latejando. Na expectativa de eleições gerais em outubro e, desde o maio corrente,as coisas prometem muitas emoções. O Presidente Lula promete se candidatar, embora com um prestígio bem abalado, enquanto a oposição vem mobilizando forças para, não apenas desbancá-lo, mas, sobretudo derrubar o PT da posição de mando. A situação aponta para uma campanha recheada de lances imprevisíveis. Note-se que, em tempos de Inteligência Artificial (IA) as redes sociais vão dominar as telas e sacudir a sociedade como nunca antes. Quem viver verá. Muito embora episódios palpitantes tenham sido registados nos dias recentes – derrotas politicas do Governo, corrupção expostas pelo Caso Banco Master, encontro de Lula com Trump, entre outros – um fato de relevante importância perdeu espaço de repercussão na mídia deixando o grande publico sem as devidas e atualizadas informações. Refiro-me à ratificação de inserção do Brasil no bojo do Acordo Comercial União Europeia – Mercosul.
Trata-se, a meu ver, de importante passo político-econômico para os dois blocos e projeta possibilidades de progresso e avanços tecnológicos, sobretudo para os quatro países integrantes do bloco sul-americano. Até aqui foi um longo processo, arrastado por 27 anos de muitas negociações. Recordo, inclusive, que como representante da SUDENE (à época dirigente da área de Cooperação Internacional) e do Ministério da Integração Nacional, cheguei a participar das primeiras reuniões internacionais que tratavam desse Acordo. Os representantes dos dois blocos se encontravam em debates periódicos aqui no Itamaraty, em Brasília, na busca de formatar os alicerces do Acordo. Foram momentos de grande aprendizado e de construção do que hoje se tornou realidade. Após me aposentar da SUDENE acompanhei, ao longe, o desenrolar do processo, e sinto satisfação por ver no que deu. Na prática o processo ainda depende da adesão/ratificação de vários países, a maioria integrantes da União Europeia. Entre esses a França se destaca e vem protelando a ratificação plenamente e desempenha um papel de opositor ao acordo, nos termos atuais, alegando preocupações com a concorrência agrícola dos produtos sul-americanos. Alega regras ambientais; diferenças sanitárias e regulatórias, entre outros aspectos. Contudo, o Acordo foi adiante em face da adoção, pelos europeus, de uma “vigência provisória” contemplando boa parte comercial do Acordo. Com efeito, as transações começam a vigorar, mesmo antes da ratificação completa de todos os países europeus. Como o Brasil já ratificou, desde 1º de Maio se encontra no circuito. Feito isso, cabe uma questão pertinente: afinal, o que isto significará para o Brasil? A resposta é bem clara ao apontar que o acordo, ao mesmo tempo em que poderá trazer ganhos importantes, projeta muitos riscos e desafios adiante para a classe empresarial brasileira. Primeiro haverá um aumento das exportações, sobremodo com produtos do agronegócio (carne, café, açúcar, frutas, suco de laranja, soja etc.), minerais e alguns produtos industriais. Como a União Europeia, formada por 27 países, com alto poder compra e mais de 400 Milhões de consumidores, as perspectivas são das mais promissoras. Por outro lado, os brasileiros podem se beneficiar com a redução de tarifas nas compras de máquinas, medicamentos, carros, modernos aparatos tecnológicos, produtos químicos, dentre uma infinidade de outros itens. Dureza será, por exemplo, para os empresários brasileiros saber enfrentar a concorrência europeia que exigirá investimentos em inovação, aumento da eficiência, melhoria da qualidade dos produtos e investimento em tecnologia. Temo que sem isso o Brasil fique condenado a se tornar, tão somente, o grande abastecedor agrícola dos europeus. De cara, alguns setores menos competitivos, terão que “abrir os olhos” para não perder mercado hoje consolidado. Entres estes arrisco lembrar o do automotivo, maquinas e equipamentos, químico e farmacêutico. Enfim, o Acordo que pode representar uma Ponte para o Futuro, deve ser atravessada com cautela e Inteligência, visto que representará um ponto de inflexão na trajetória econômica brasileira. Vamos esperar NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
sábado, 1 de novembro de 2025
Vai ou Racha
Indiscutivelmente, o assunto da semana, aqui no Brasil, foi a Megaoperação levada a cabo pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para Contenção das ações abertas e descontroladas do Crime Organizado nas regiões dos complexos de favelas dos morros do Alemão e da Penha, Norte da Capital carioca, transformadas em verdadeiras republicas independentes. O resultado foi dos mais avassaladores que se tem noticia e a mídia vem classificando , com razão, haver sido a mais letal de todas as operações do gênero. Mais de 120 mortos é a conta mais divulgada. Vejo, sem discussão, como sendo uma marca realmente assustadora. É número de uma verdadeira guerra. E nem toda guerra! Nos últimos tempos estamos ouvindo falar de 8, 10 ou pouco mais de mortos, resultante de um ataque “corriqueiro” dos russos contra alvos na Ucrânia. São números vistos como absurdos. E, de repente, ouvindo falar de 120 ou pouco mais, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, causa espanto e desespero. Onde vamos parar? Não tenho noticias a respeito de tanta violência e falta de segurança pública, noutro país do mundo, quando comparando ao nível que vivemos no Brasil da atualidade. É seguramente o mais grave dos problemas que esta Nação amarga, nesses últimos tempos. O crime organizado vem crescendo a passos largos e se espalhando pelo país, construindo um poder paralelo sem limites e às vistas (muitas vezes míopes) de governantes incompetentes, irresponsáveis e negligentes, sempre preocupados em se manter no Poder a qualquer custo, inclusive com apoio das asociações desse crime organizado.
Irrelevante dizer que o assunto deu realce a todos os matizes do espúrio jogo politico que se joga neste país de agora. Por um lado os que apoiam a atitude do Governo Carioca face à desbandeirada insegurança reinante na Cidade (antes) Maravilhosa versus a “turma” do Governo esquerdista que vem tapando o sol com uma peneira e embromando com promessas de providências que nunca chegam. Faz vergonha ver atitudes de (ir)responsáveis pelas pastas da Segurança Pública, quando no trato da questão e, digamos, fazendo “corpo mole”. Ao mesmo tempo, uma proposta de Emenda à Constituição, que promete soluções, tramita a “passos de tartaruga”, no Congresso Nacional, tendo, inclusive, o Deputado pernambucano Mendonça Filho como relator. Há uma serie de detalhes nessa PEC que exigem esforços e união para aprová-la. União que perece encontrar toda sorte de dificuldades a começar pelas altas ondas no mar da polarização ideológica e das diferenças do executivo federal versus os governos estaduais que disputam a posição de quem mandará mais. No Rio de Janeiro, o Estado garante que cansou de esperar pela ajuda federal e resolveu “fazer justiça com as próprias armas”. O Brasil se dividiu a favor e contra a atitude.
A meu ver, a situação é tão caótica e urgente que não cabe mais essa porcalhona divisão politico-ideológica reinante. A solução deste caso exige uma união de esforços nacionais sob pena de desaguarmos num mar de sangue e de incontrolável domínio. O crime organizado se espalhou. Combate-lo deve ser um compromisso politico de dimensões ilimitadas. No próximo ano teremos eleições majoritárias e este tema será pauta de prioridade máxima. Ou se acaba com o crime ou o crime acaba conosco. Tem que ser como no Rio de Janeiro: Vai ou racha!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
Drink da Morte
Como se não bastassem todos os perrengues sociopolíticos que se multiplicam no Brasil dos nossos dias, uma onde de insanidade social se espalhou pelo país, nos últimos dias, pondo em risco consumidor mais desavisado e, particularmente, integrantes da camada social que vive nas franjas das grandes cidades. Tem nada mais abominável do que esse crime de “batizar” bebidas de uso corrente, sobretudo as destiladas, com fortes dosagens de Metanol? Engarrafadores clandestinos, com vistas ao faturamento mais fácil e mais alto, misturam Etanol, comprado em postos de combustível, injetando-o, sem medidas e sem escrúpulos, nas bebidas mais populares, como Rum, Uísque, Gin e Vodca. A crise eclodiu nos arredores da Cidade de São Paulo, onde muitos foram prejudicados e óbitos foram registrados. Aqui em Pernambuco, alguns casos foram registrados e dois óbitos ocorreram, no interior do estado.
Até onde chega a perversidade humana? Eis aí uma questão que parece não ter resposta. E, quando o ambiente oferece condições favoráveis o ilimitado se aproveita. É desse modo que assisto ao desenrolar dessa miserável situação que vem abalando o Brasil. Como um sujeito, ou um bando de sujeitos desclassificados, pode injetar um mortífero veneno numa garrafa de bebida comercializada nos bares e restaurantes da vida? Aqui pra nós, é inacreditável. O que passará pela cabeça de um bandido desses? Faz por maldade ou por espúrio interesse comercial? Será ignorância? Ah, será vingança? Contra a sociedade? Contra os carteis de bebidas? Muitos são os questionamentos, como muitos já são os casos de mortes e prejuízos sociais. A verdade é que eclodiu uma onda de insegurança nas praças de laser do país e as autoridades constituídas, além de recomendarem prudência ou abstinência alcoólica, se mobilizam para desvendar o que levou a essa barbaridade. As casas noturnas e os bares da vida já levam um prejuízo significativo. Estima-se que 40 Mil pessoas foram prejudicadas com bebida falsificada. Incluindo os mortos. Conhecido meu e distribuidor de bebidas me falou que essa prática é velha. Que ele luta contra os falsificadores espalhados pelo Brasil afora. Por ser um grande distribuidor os bandidos temem se aproximar para não correr o risco de flagrante. Terminam vendendo seus “venenos” nas praças mais frágeis, sobretudo nos arrabaldes ou bares interioranos. Resumo da ópera: perde o negociante, perde o distribuidor de bebidas, perde a sociedade. Já não se pode tomar o drinque do fim de semana em paz. Pode ser um Drik de Morte! Pobre Brasil. Pobres brasileiros. NOTA: A foto ilustração foi obtida no Google Imagens.
domingo, 16 de fevereiro de 2025
Corrupção Endêmica
Noticia boa para se comentar é, definitivamente, coisa rara no Brasil. Aliás, e melhor pensando, no resto do mundo. Uma lástima. Ao nosso redor são as mancadas governamentais, assaltos, desastres, inflação e por ai vai. No resto do mundo são as disputas de espaços hegemônicos, guerras, desastres naturais, falhas humanas e tantas outros, muitas das quais surpreendentes. Quando chega o fim de semana e procuro assunto a destacar sempre me deparo e me estimulo com notícias negativas. Poucas, muito poucas são as que sobrepujem as decepcionantes. Esta semana, por exemplo, meu destaque vai para os dados publicados dos IPCs - Índice de Percepção da Corrupção, de 180 países, em 2024, publicados pela Transparência Internacional, uma organização anticorrupção no mundo, sem fins lucrativos, com sede em Berlim e com atuação internacional. Seus objetivos estão voltados ao rastrear e combater a corrupção e às atividades criminosas ligadas a atos de corrupção (Fonte: Wikipedia). O IPC é considerado como o principal indicador de corrupção do mundo. Vem sendo produzido desde 1995 e é respeitado internacionalmente. Avalia sempre 180 países, atribuindo notas de 0 a 100. Quanto maior a nota, maior é a percepção de integridade do país pesquisado. É ai onde o “bicho pega”. Nosso Brasil tirou nota 34. Na minha época de ginasial, eu levava uma nota vermelha no Boletim mensal. Dos 180 países pesquisados, o Brasil ficou no 107º. colocado junto com Malauí, Nepal, Níger, Tailândia e Turquia. A nota máxima foi da Dinamarca, com 90, seguida por Finlândia, Cingapura, Nova Zelândia, Luxemburgo, Noruega e Suiça, com notas de 88 a 81, respectivamente. Por curiosidade, vi que o Uruguai, nosso vizinho, tirou nota 76 e aparece em 13º. Lugar. Os Esatdos Unidos teve nota 65 e ocupa a 28ª. colocação.
Embora não seja surpreendente, para quem vive o dia-a-dia dessa situação, ficar na 107ª. colocação é indiscutivelmente calamitoso. Essa classificação joga luzes sobre uma Nação onde a honestidade e a dignidade são coisas abstratas na cabeça dos nossos governantes e de uma sociedade habituada a burlar e trapacear nos seus meios mais próximos. É o passar à frente numa fila de espera, o adulterar embalagens no supermercado, aplicar golpes por vias eletrônicas, subornar os fiscais do transito, abusar de menores e idosos, deteriorar o meio-ambiente, entre outras barbaridades. Somos um país de bárbaros. Das corrupções nas esferas governamentais nem é bom falar, haja vistas para os que governam o País, os estados e municípios. Acredito no levantamento da Transparência Internacional e lamento o quanto esse resultado venha prejudicar a Ordem e o Progresso do país. Ficar classificado entre países como Turquia, Tailândia e Nepal se constitui numa posição onde, o quanto se sabe, são países sem controles éticos, com regimes imperiais e onde as populações vive sem esperança democrática e sem futuro digno. Será este, também, nosso quadro político-social? A propósito da nossa deplorável posição entre 180 países pesquisados, o Diretor-Executivo da Transparencia Internacional no Brasil afirmou que “em 2024 o Brasil falhou, mais uma vez, em reverter a trajetória dos últimos anos de desmonte da luta contra a corrupção. Ao contrário, o que se viu foi o avanço do processo de captura do Estado pela corrupção”. Ainda acrescentou que o que se viu foi “a presença cada vez maior e explicita do crime organizado nas instituições estatais, que andam de mãos dadas com a corrupção”. Dói muito, enquanto cidadão honesto, pagador dos seus impostos e procurando respeitar o próximo de forma digna e correta, como me vejo. Curioso mesmo foi a reação do (des)Governo, via Corregedoria Geral da União (CGU) afirmando que “o uso desse IPC para embasar debates públicos pode levar a distorções, alimentando narrativas que minam as instituições democráticas”. Detalhe importante: o índice se baseia em pesquisas com grupos específicos, entre os quais empresários de diversos segmentos. Durma-se com um coisa dessa. É uma moléstia endêmica. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
quarta-feira, 10 de abril de 2024
Lição para não Esquecer
Durante a semana passada acompanhei com interesse de quem viveu a historia, as manifestações que relembraram o golpe militar de 1964. Com um abrir e fechar de olhos completa-se 60 anos. Parece até que foi ontem. Eu era muito jovem, pré-universitário, e dava meus primeiros passos de cidadania buscando “tomar pé” no mar revolto no qual me via mergulhado. Recordo bem aquele 31 de março, quando o rumo político do país sofreu uma brusca “virada-de-chave” conduzindo-o para um tempo de incerteza e escuridão. Vivia-se um mundo completamente diferente do que hoje experimentamos. Era um tempo pós-guerra ainda tentando se restabelecer do grande trauma da II GG, mas às voltas em conviver com outro conflito, não necessariamente bélico, que era a chamada Guerra Fria, sendo travada entre os Estados Unidos e a Rússia na disputa acirrada pela hegemonia politica mundial. Um conflito que, na prática, servia de pauta e apontava caminhos para muitas das sociedades em vias de estruturação ou revisão político-social, seja nos padrões socialistas soviéticos ou nos ditames capitalistas ianques. A América Latina era um dos terrenos mais cobiçados pelas duas partes litigantes. À época, por exemplo, os russos comemoravam a reviravolta politica operada em Cuba e a instalação do Governo de Fidel, permeado de ações que assustavam meio-mundo. A dupla Fidel Castro/Che Guevara e o Paredão Cubano eram temas diários no mundo Ocidental. Assustados, os Estados Unidos buscavam, apressadamente, meios de se proteger e de dominar o que eles sempre consideraram de seu próprio quintal. Quem viveu sabe o que aconteceu. Os ianques exerceram pressão político-econômica e o Brasil entrou nesse beco sem saida. Indiscutivelmente, uma História longa e cheia de capítulos eletrizantes, com rebatimentos graves, ainda hoje remoídos, no Brasil e nos vizinhos Argentina e Chile. Mas, não é o tema central desta postagem. O assunto mesmo é o Golpe Militar de 64, chamado pelos mentores e simpatizantes de Revolução. O movimento apanhou o país numa verdadeira encruzilhada politica, com uma sociedade perplexa face às situações desenhadas pelas polarizadas correntes progressistas e conservadoras reinantes.
Pernambuco, estado sempre atuante e líder, muitas vezes, em todo e qualquer movimento politico nacional foi apanhado pelo Golpe abrigando em seu sítio iniciativas vanguardistas e de princípios contrários às novas ordens dos militares no Poder. Daquela época, são sempre lembradas, entre outras, as Ligas Camponesas, orientada por Francisco Julião (Deputado Federal na época) – defensora do projeto de Reforma Agrária universal e benéfica à população carente e sofrida nas mãos dos grandes latifundiários – e o Movimento de Cultura Popular (MCP) de Paulo Freire e Luís Mendonça. Para completar, era Pernambuco local onde se instalava uma das maiores iniciativas de intervenção local do Governo Federal que foi a SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Agencia oficial de caráter regional, encarregada de promover o desenvolvimento socioeconômico regional, idealizada e dirigida por uma das mais brilhantes cabeças do país, que foi o paraibano Celso Furtado. Foram tempos sombrios e aterrorizantes. A ordem dos “poderosos” era aniquilar projetos e pessoas que de algum modo fosse comprometido com referenciais socialistas, de pronto rotuladas de comunistas. Muitas arbitrariedades foram cometidas, muitos inocentes e muitas inteligências foram sacrificadas. Extermínios de muitos e evasão (exilados políticos) passou a fazer parte do dia-a-dia do brasileiro comum. Todo mundo, em principio, estava sujeito às rigorosas ordens dos milicos.
Recém-admitido nos quadros de funcionários da SUDENE lembro bem do pavor que minha mãe alimentou ao ver na revista semanal O Cruzeiro uma matéria de capa que taxava a Agencia Regional de Gaiola Dourada com pássaros vermelhos. A censura à imprensa, a quebra de sigilo pessoal das correspondências e os agentes secretos nas universidades (apareciam de repente e sem prestar vestibular) e repartições públicas foram outras características do período. Ex-bolsista da USAID (United States Agency for Intenational Development) passei a receber pelo Correio, em 1968, publicações de autores norte-americanos, todos eles combatendo o regime comunista soviético e as doutrinas socialistas. Os títulos eram sugestivos para que um agente mal informado e inadequado no posto concluísse se tratar de literatura subversiva. O jumento do censor não percebia que cada livro trazia um carimbo ostensivo informando se tratar de cortesia da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Por conta disso fui tido como um elemento subversivo social e, desse modo, levado de camburão para prestar depoimento na Secretaria da Segurança Publica. Mais do que isto e, para meu desespero tive meu passaporte retido pela Policia, três dias antes da minha primeira viagem à Europa. Inocente, fui salvo pelo Delegado do SNI, na SUDENE, que colocou as coisas no correto lugar. Tive o passaporte liberado e fiz a sonhada viagem à Europa. Recordo, por ouvir falar, do caso de um famoso Professor de Direito, Glaucio Veiga, que ao ter a residencia invadida para uma vistoria viu seu longplay Romanticos de Cuba ser arrolado entre os itens subversivos encontrados! Ah! Não foi fácil viver aquele tempo. Foi uma lição para não esquecer. Fico, hoje, impressionado com o desejo de muitos brasileiros pregando uma tomada do poder pelos militares, a exemplo de 1964, em resposta aos desmandos e corrupções dos muitos que passam pelos gabinetes e corredores de Brasília, sem que façam ideia do risco que correm. Ora, meu Deus, existe soluções muito melhores do que esta. Por outro lado, fico pasmo diante dos afagos e benesses politico-financeiras outorgadas pelo atual Presidente, Luís Inácio Lula da Silva, a sanguinários ditadores latino-americanos principalmente Maduro, da Venezuela e Ortega, da Nicarágua, ao messmmo tempo em que se ocupa em fazer discursos em defesa da a Democracia. Só sendo piada de mau gosto. NOTA: Fotos ilustrações colhidas no Google Imagens.
terça-feira, 19 de março de 2024
Tiro pela Culatra
Venho acompanhando, como cidadão comum e com certa apreensão, as informações sobre o surto de dengue que ocorre este ano no Brasil. Impressiona a quantidade de casos suspeitos ou verificados de quase 1,9 Milhão, somente nesses quase três meses de 2024. É um número record, desde quando se monitora, em 2000. É doloroso constatar que mais de 550 óbitos já foram confirmados. Vi hoje (19.03.24), na Folha de São Paulo, que a capital paulista supera a marca de 300 casos por 100 Mil habitantes o que se configura numa situação epidêmica, segundo a OMS. É impressionante, e até inacreditável, saber que essas ocorrências revelam um preocupante aumento de quatro vezes maior ao que foi registrado no mesmo período de 2023. O mais curioso, entretanto, foi descobrir que esse aumento exacerbado do aedes-aegypti vem se dando justamente após a prometida revolucionária solução de jogar no espaço brasileiro bilhões de mosquitos modificados geneticamente destinados a exterminar a própria espécie e, por conseguinte, a dengue reinante até então.
Cabreiro com essa noticia apressei-me pesquisar a respeito dessa invenção da inteligência humana. Descobri que o tal mosquito-solução, denominado OX5034, foi produto de uma alteração biológica, realizada por cientistas norte-americanos, para produzir filhotes fêmeas que morrem na fase de larva, antes de eclodir e crescer o suficiente para picar os humanos, espalhando a doença. De quebra, descobri, também, que apenas as fêmeas picam para obter sangue humano, necessário para amadurecer seus ovos. Os machos são, digamos, folgados e seletivos porque só se alimentam de néctar e, desse modo, não são transmissores da doença. Explicando um pouco mais, registro que o tal OX5034 vem programado para MATAR apenas as fêmeas. Tomara que as feministas não se revoltem, dessa vez. Restam, então, os machos sobrevivendo por várias gerações, passando os genes modificados para a prole masculina subsequente e levando ao fim essa espécie de mosquitos. Ora, meu Deus, se as nuvens de machos-exterminadores espalhados no Brasil terminou produzindo um efeito paradoxal, não falta quem levante a possibilidade de que, ao invés de machos, foram produzidas mais fêmeas! Erro laboratorial? Pergunta que já não cala! Desse modo, o Tiro saiu pela Culatra! Naturalmente que se trata de algo a ser averiguado. E pode gerar o maior fuxico politico. Da minha parte, garanto que estou vendendo o peixe pelo preço que comprei! Para completar, o mais sintomático ainda é ver esse investimento que se faz na compra da vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório japonês Takeda que já vendo sendo aplicada nos brasileiros. Já se sabe, inclusive, que drogarias se apressam em aproveitar o nicho de mercado e comercializar a solução japonesa pela bagatela de R$ 349,90 uma dose. Eles avisam que a aplicação esta inclusa nesse preço. Ou seja, mais uma vez tem muita gente fazendo negócio com a miséria pública, quando na verdade o que falta é orientação para o público saber lidar com a situação. Dengue se combate eliminando focos do mosquito e não com vacinas. O Aedes Aegipti é um inseto urbano. Pouco se encontra nas regiões interioranas. Eles adoram a sujeira dos habitantes das grandes cidades. E para completar, se refastelam nessa época de verão quando a sujeira urbana se cristaliza. Quando as chuvas invernais começarem a lavar a imundice urbana eles irão d´água abaixo. Enquanto isso tem ministro de Estado dando a desculpa de que essa onda epidêmica do aedes aegypti é por conta do aquecimento global. Desconfio que ainda vamos enfrentar muitos problemas.
NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
segunda-feira, 4 de março de 2024
Insegurança nossa de Cada Dia
Pobreza, fome, analfabetismo, disparidades inter-regionais de renda, saúde publica falha, politica educacional também, governos míopes e somente interessados em se manter no poder, entre muitas outras mazelas fazem do Brasil, indiscutivelmente, um país com problemas endêmicos de difíceis soluções. O mais gritante, porém, é que, na atual conjuntura e, certamente, em decorrência dos percalços acima lembrados, a insegurança pública vem se revelando o nó mais difícil de desatar. Dia e noite, o cidadão comum, cumpridor das suas obrigações coletivas, é agredido por ações deletérias que vão das mais simples e bizarras às classificadas como mais estúpidas e fatais.
A recente fuga – tenho pra mim que consentida pela carceragem igualmente bandida – dos dois prisioneiros confiados ao Presidio de Segurança Máxima de Mossoró, que sumiram do mapa, já se tornou emblemática na historia da insegurança brasileira. Imagino que se no ambiente tido como de segurança máxima ocorrem episódios dessa grandeza, o que dizer dos pequenos golpes perpetrados contra os cidadãos de bem, cumpridor das suas obrigações republicanas?
Ah! Tem nada mais ignóbil e revelador da insegurança deste país do que a troca criminosa de etiquetas em bagagens despachadas no Aeroporto de Guarulhos (SP), com destino a variados pontos do exterior, por bagagens contendo narcóticos e drogas condenáveis internacionalmente, em nome de inocentes passageiros? É incrível, mas já se somam casos alarmantes de viajantes que são apreendidos e condenados ao desembarcar no exterior. São episódios criminosos inacreditáveis e que depõem contra a Nação no cenário internacional. Qual o passageiro que não se apavore em despachar sua bagagem naquele aeroporto? Eis aí um retrato cruel e a cores lúgubres da incompetência dos governantes de plantão.
Como se sentir seguro numa grande metrópole brasileira sabendo que está sujeito às ações de verdadeiros facínoras, comandantes de hordas de desordeiros e assassinos, dispostos a disseminar o pavor e a intranquilidade da sociedade? Quantos casos fatais são levados a efeito diariamente nas ruas de São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, entre outras. Pior é registrar que as coisas se reproduzem em cidades de porte médio e interiores. Um dado curioso foi divulgado no último dia 27/02/24, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Publica e Raio X das Forças de Segurança Publica do Brasil, no qual foi constatada a redução dos efetivos policiais no Brasil, entre 2013 e 2023. Nesse período ocorreu uma diminuição de 6,8% dos policiais militares. Houve ainda uma redução de 2% no numero de policiais civis e peritos. Bom, tenho pra mim que seguir a carreira de policial já não seduz muito mais a turma do procurando posição no mercado de trabalho. As noticias divulgadas na mídia diária são desestimulantes devido à insegurança e o “poder” paralelo imposto pelos milicianos dos grupos de narcotraficantes incrustados nas franjas das metrópoles, que têm entre seus objetivo dar cabo aos esquadrões de policiais de combate aos grupos organizados de traficantes. Pobre Brasil, tristes brasileiros. Mas, tudo isso é o “grosso do mercado da insegurança” porque o “varejo” se multiplica de modo avassalador. É um picadinho de maldades que assusta o individuo ou uma comunidade, independente do local, da situação social ou do veículo de intervenção. São coisas muitas vezes patéticas. Os caras vivem bolando formas de “atuar”. Perdi as contas de quantas vezes recebo, por mês, golpistas se passando por meu filho e pedindo, pelo WhatsApp que eu pague urgente uma conta, vencendo naquela hora, e que ele está sem condições por razões das mais variadas. Claro que não caio nesse golpe. Outro também pelo WhatsApp é de uma suposta Central de Controle do banco, no qual mantenho minhas economias, pedindo autorização para validar uma compra, geralmente de valor vultoso. O Banco já fez circular uma Nota avisando que se trata de uma Falsa Central. Já imagino a confusão que será criada quando a tal da Inteligência Artificial (IA) pegar de verdade. Deus nos acuda.
Tem também a loucura dos ladrões de fios de cobre das redes elétricas ou de telefonia que deixam bairros e artérias sem energia ou comunicação. Outro dia, cheguei à academia de ginástica e fui informado que não haveria condições de trabalho porque a rede elétrica havia sido roubada durante a madrugada. Ri para não chorar! Como pode um negócio desses? Aliás, nessa mesma ocasião, o roubo entrou pelos fios da rede de eletrificação abastecedora da filial do Minuto Pão de Açúcar, da mesma rua e que resultou na deterioração de todo estoque de gelados e congelados causando um prejuízo incalculável à empresa. Parece mentira, mas, foi-não-foi, fico sem sinal de Internet, por conta de roubos da fiação da Provedora. Sistema subterrâneo, inclusive. Descobri que os cabos de cobre são vendidos a receptores canalhas que pagam a preço de ouro e alimentam essas cambadas de ladrões. Cansa. E, por falar em cansaço, vou ficando por aqui. Depois dessas “reflexões” tenho até medo de sair nas ruas.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
O planeta pede socorro
Não é de agora que são ouvidos clamores sobre a deterioração do planeta e demandas de ações que venham, ao menos mitigar, a destruição da natureza que Deus nos deu e aconselhou preservar. Acompanhei atento o desenrolar da grande Conferencia das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-28) que vem se realizando em Dubai, nos Emirados Árabes. Na verdade, a meu ver, um grande convescote de lideres mundiais e seus asseclas deitando discursos eivados de promessas e propósitos que nem sempre são cumpridos ao final dessas cimeiras. Curioso, ainda, foi o local escolhido para essa conferencia, à beira do deserto que vem sendo invadido por monumentais construções, a base das fortunas geradas pelos petrodólares e que não deixa de ser uma forma exploratória descabida do quadro natural da região. Mas, tudo bem... Um verdadeiro enxame de delegados acorreu ao local da Conferencia, chegando a dar clima de animação para espectadores, como eu, de que a coisa agora vai. Somente do Brasil baixaram em Dubai 1.336 inscritos. Estima-se que se trata da maior comitiva entre os participantes. É ou não é animador? Dá pra formar uma bela torcida a favor da salvação do planeta. Contudo, calculo que a formidável bagatela que custeou essa megacomitiva seria bem mais útil se aplicada em projetos pontuais em áreas criticas espalhadas pelo país. Não, que o país estivesse ausente dos debates levados a efeito no conclave. Mas, para que tanta gente? Desconfio que mais da metade foi fazer turismo. Muito mais... De todo modos não podemos negar que os discursos do nosso Presidente, da Ministra do Meio Ambiente e de outros brasileiros como o Presidente do IBAMA devem ter marcado pontos positivos de aplausos, até mesmo pela importância e o papel de destaque que o Brasil desempenha nesse grave quadro da problemática das mudanças climáticas. Indiscutivelmente, a situação concreta do desgaste do nosso diversificado meio ambiente é o suficiente para exigir destaque ao papel brasileiro. Semana passada, em artigo assinado por Flavio Tavares, um professor aposentado da Universidade de Brasília, no Estadão, afirmava que “a crise do clima pode se transformar numa antecipação do apocalipse bíblico. No caso específico do Brasil, as evidências são estarrecedoras”. Concordo com o articulista e, logo de cara e sem delongas, lembro-me da situação apocalíptica que é o afundamento de grande parte da cidade de Maceió, capital do estado de Alagoas, decorrente de uma exploração predatória e mal estruturada do sal-gema pela gigante Brasken. Ora, vamos e venhamos, o caso brasileiro é histórico e esteve sempre em evidência devido às longas estiagens no semiárido do Nordeste provocando a expulsão das populações atingidas, em verdadeiras hordas de retirantes famintos à procura de onde se fixar com segurança alimentar e saúde. Capricho da natureza é verdade, mas, de expressiva gravidade e de difícil solução. Fora esse fato, que se arrasta desde o século 19, novos fenômenos danosos provocados pelas mudanças climáticas associadas aos incontáveis casos de irresponsabilidade civil no uso da terra e no aproveitamento das riquezas minerais, o Brasil vem dando lições das mais imperfeitas e aterradoras formas ao restante do planeta. A descontrolada devastação da floresta amazônica e os frequentes incêndios no pantanal e no cerrado brasileiros dão testemunhos da falta de cidadania e de noção de respeito ao presente divino doado pelo Criador. Nas Conferencias da como a atual COP-28 há mobilização das nações mais ricas para ajudar as mais pobres em ações de correção e sustentabilidade do meio-ambiente mundial. Bilhões de dólares são prometidos, embora que nem sempre cumpridos no seu todo. O chamado financiamento climático discutido na COP-15 (Copenhague 2009), por exemplo, estabeleceu que países desenvolvidos a chegariam 2020 destinando US$ 100 Bilhões, por ano, às nações mais vulneráveis com vistas à se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas. Porém, em 2020 e 2021 os valores desembolsados ficaram em US$ 83,3 Bilhões e 89,6 Bilhões, respectivamente. Pensando bem foram anos de Pandemia e as prioridades certamente sofreram alterações. Ao Brasil particularmente foram prometidos mundos e fundos para projetos de controle e fiscalização do meio-ambiente na busca de amenizar o efeito estufa. Se cumpridas as promessas serão recursos que aportarão em boa hora e, ajudarão a mitigar situações caóticas como as chuvas de poeira e fumaça que caem frequentemente em Manaus e Belém, originadas nas queimadas da floresta contigua. Aquela que é tida como pulmão do mundo. Servirá também para corrigir situações de seca na mesma região amazônica que vêm provocando rios secos tal qual no Nordeste semiárido e que vêm causando imensa preocupação. Tenho cá minhas razões para concentrar minhas observações ao caso brasileiro, mas, muitos são os locais e países que abusam da emissão de gás carbônico que, obviamente, contribuem para a deterioração desse planeta que pede socorro cada vez mais exaurido. Que o Criador, com seu poder Supremo, oriente os humanos a preservar o presente que Dele receberam.Ah! Ja ia esuecendo de lembrar que a proxima COP será no Brasil. Em Belém! se os memsos 1.336 comparaecerem vai faltar local de hospedagem. A cidade não está preparada para receber tanta gente.
Foto obtida no Google Imagens.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2023
O Mito Pelé
A ideia inicial era de ficar um mês de recesso como anunciado na postagem passada. Salvo um motivo especial. E este motivo se revelou ao receber a noticia do falecimento de Pelé, coisa que naturalmente o Blog não deixaria escapar e fazer um registro, prestando a devida homenagem a quem, reconhecidamente, foi o maior nome do futebol mundial e indiscutível motivo de orgulho nacional para o Brasil. O Atleta do Século 20.
Eu ainda era um rapazote e pouco ligado no futebol, salvo torcer pelo Sport Clube do Recife, quando ouvi falar pela primeira vez no nome de Pelé. Recordo da vibração do meu pai ao final da Copa de 1958 e seu entusiasmo ao falar do sucesso daquele jovem mineiro de 17 anos que entrou em campo, integrando a seleção canarinha, na Suécia, e deslumbrou o mundo do esporte com suas jogadas fantásticas ajudando de modo decisivo o faturando do primeiro titulo mundial de futebol para o Brasil. Dali em diante o garoto ainda franzino e saído das fileiras de base do Santos Futebol Clube, de Santos (SP), ganhou fama se notabilizou nos estádios no mundo inteiro e fez bonito projetando o nome do Brasil e de um novo e revolucionário modo de atuar com uma bola nos pés nos gramados da vida.
Outro lance que lembro bem me ocorreu ao chegar à minha primeira visita a Londres, no Reino Unido, quando o oficial de recepção do Hotel Bloomsbury, recebeu-me cheio de salamaleques por ser brasileiro e conterrâneo de Pelé. Recordo que frisou entusiasmado que eles tinham uma Rainha e nós brasileiros tínhamos um Rei, com o particular privilégio de ser sem sucessor. Falou maravilhas e encantos com o jogador e prometeu que torceria pelo Brasil sempre que Pelé entrasse em campo. Era um descendente de indiano. Lembrei-me dele no ano seguinte, durante a Copa do México de 1970, quando Pelé deu um show de bola especial e se tornou o único jogador tricampeão mundial de futebol do mundo, até hoje.
O homem Edson Arantes do Nascimento encantou-se no dia 29 de dezembro passado, aos 82 anos, mas o Mito Pelé ficará para sempre nas próximas gerações. Na verdade, toda ocasião que se fale de algo especial ou competitivo o nome de Pelé será, com frequência, juntado como um legitimo adjetivo. Por exemplo, Ayrton Senna foi o Pelé do automobilismo.
Resta-nos hoje agradecer ao Rei Pelé, que proporcionou ao mundo da bola as maiores glorias e seu moderno desenvolvimento. Seu nome e sua fama ultrapassaram de modo avassalador as quatro linhas de um estádio de futebol. Foi uma figura admirada e querida em todas as camadas e atividades sociais dentro e fora do Brasil. Foi um nome que brilhou internacionalmente dada sua competência nos gramados ou fora destes. E não foi por outra razão que recebeu titulo de Atleta do Século, sem duvidas o mais cabível.
Sua trajetória começou ainda criança quando perambulou pelas ruas de Bauru (interior paulista) como engraxate. Em paralelo e seguindo os passos do pai, Dondinho, começou batendo bola de modo descomprometido nos campinhos interioranos. Logo cedo, chamou a atenção, se revelando bom para o negócio. Sendo observado por um olheiro esperto, foi identificado como promessa de um grande craque e sendo indicado para as bases do Santos. Ali nasceu o craque. Aos 16 anos chegou às fileiras profissionais e a atuar na Seleção defendendo a camisa Verde e Amarela.
Pelé foi certamente a primeira grande estrela do futebol brasileiro no cenário esportivo mundial, com a grande virtude de nunca forjar cenas e exibições tão comuns e extravagantes como as exibidas pelos craques de hoje. Seu brilho era natural e responsável, como responsáveis e profissionais foram sempre suas atuações. Elegante em atitudes, seguro no falar e nas ações sociais que resultam num legado irretocável.
O Brasil perde um dos mais importantes ícones da sua História. A ele nossos agradecimentos e todas as homenagens. Saiu da vida terrena, mas, entrou com honras e glorias para a História. Em bom tempo, a presidência da FIFA (Federação Internacional de Futebol Amador) recomendou durante as exéquias do jogador, ontem em São Paulo, que cada país colocasse o nome do Rei Pelé num estádio de futebol.
O Rei do Futebol encheu-nos de alegrias inesquecíveis ao chutar de placa muito mais de 1.200 gols nas redes do mundo afora, imortalizando a Camisa 10, ao tempo em que era constantemente procurado de perto por outras majestades (Vide foto acima com a rainha Elizabeth II) e “manda-chuvas” do seu tempo. Obrigado Pelé. O mundo não te esquecerá jamais.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
domingo, 11 de dezembro de 2022
O Sonho Acabou
O que mais tenho ouvido e visto as redes sociais, nesses dias de ressaca da derrota do futebol brasileira, pela seleção da Croácia, na Copa do Catar/2022 é que “o sonho acabou”. Sonho da conquista do hexacampeonato mundial. Acho, inclusive, curioso como a coisa toma corpo e contagia negativamente a população, sobretudo a nova geração. Vi jovens garotos chorando revoltados, após as cobranças dos pênaltis fatais. Aliás, o mundo assistiu aos próprios jogadores canarinhos vertendo copiosas lágrimas ainda em campo. (Foto a seguir) Chega a ser inacreditável. Não entender que no esporte um dia se ganha e noutro se perde, parece ser coisa impossível para um brasileiro. Faz parte do jogo, meu Deus. Alguém tem que perder, para que outro ganhe.
“Ah! Mas perder em cobranças de pênaltis” é uma vergonha, ouvi de alguns após o jogo com a Croácia. São pessoas que esquecem que já fomos campeões depois de uma rodada nervosa de cobranças de penalidades máximas, em 17/07/1994. Depois de empate em zero a zero, no tempo normal e na prorrogação, com a Itália, o Brasil venceu por 3 x 2 e foi Tetracampeão Mundial. Foi um feito histórico no domínio do futebol. A equipe era fantástica sob o comando de Carlos Alberto Parreiras. Os meninos jogaram com corpo e alma. Dessa vez recente não deu. O sonho acabou ali mesmo na monumental cancha do Catar. Parecia mentira, como pareceu mentira o episódio dos 7 x 1 impostos, dentro de casa, pela seleção alemã, em 2014. Bom... o episódio recente se projetou quando, com a vitória faturada na prorrogação com um belo gol de Neymar, a moçada relaxou e deixou a Croácia empatar. Foi ali, que “a casa caiu”. Faltava pouco tempo e as cobranças de pênaltis era iminente. O resultado foi cruel, para quem esperava a grande vitória. Toró de lágrimas de norte a sul e de leste a oeste, em Pindorama. Reconheçamos que é impressionante como a cultura legada pelas gerações passadas criou essa reação, natural para muitos, mas que, no final das contas, enraizou-se no meio social criando uma espécie de síndrome da revolta coletiva do derrotado. Uma revolta que se expressa das mais diversas formas porque, uma coisa é certa, criticar e buscar os culpados é coisa rápida e simples. Fácil, fácil... e, no Brasil, ser oposição é até um bom passa-tempo. Foi o jogador tal, ou foi o treinador? Quem errou e onde errou? As criticas e os memes nas redes sociais não param de crescer e se multiplicar. O jogador Neymar Jr. e o treinador Tite estão sendo crucificados a toda hora. São criticas bem fundadas? Vale à pena avaliar. O brasileiro precisa aprender que em futebol, ou noutro esporte qualquer, saber disputar e ter competência é coisa fundamental. “Foi pra chuva, tem que se molhar”. Viver dos louros do passado pode ser inútil. Cada jogo é um jogo. E cada Copa do Mundo é uma nova oportunidade de provar a competência.
Um coisa, porém, tem que ser ressaltada: vai ser cada vez mais difícil formar uma seleção brasileira como as do passado. Vamos e venhamos, há uma diferença brutal entre nossos jogadores de hoje quando comparados com os nossos craques dos anos 60, 70, 80 e 90. O que vemos atualmente são figuras vaidosas, bilionárias e repletas de interesses pessoais, incapazes de se integrar, de corpo e alma – como exige o futebol – numa equipe formada às pressas e de última hora sem os devidos treinos. O resultado é que sem espirito de equipe e dependente de um figurão, Neymar neste caso, ao qual se atribui a responsabilidade maior, a situação se complica e dá no que dá. Futebol é esporte de equipe!
Como recordar é viver vale lembrar que felizes fomos como campeões, cinco vezes, graças às valorosas pernas de jovens talentos, alheios aos salários milionários que hoje são pagos e habituados a formar equipes maduras e responsáveis. Nenhum ostentava joias caras, penteados e tatuagens de gostos duvidosos, carros possantes e caros, mansões fabulosas, mulheres exuberantes, aviões particulares e nem exigiam mordomias extravagantes dos patrocinadores. Claro que existe exceções da parte de alguns, mas isto não justifica o exibicionismo aviltante de alguns. Vergonhoso. Esses dias de ressaca uma foto, exibida nas redes sociais, é emblemática (vide a seguir) que mostra a simplicidade de uma velha equipe campeã se preparando para uma Copa. Jamais, esses rapazes de hoje, se sujeitariam a isso.
Aí pergunto: como ser campeão com uma formação tão viciada em mordomias extravagantes e vaidades absurdas? Como ser campeão contando com jogadores que sequer vivem no Brasil e que pouco apego manifestam ter pela camisa verde-amarela? Está difícil. Não tem sonho que se realize. Pensando bem, não adianta sonhar. Nota: Fotos obtidas no Google Imagens e na rede social.
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
Passagem Árdua
Passados oito dias das eleições gerais, sobretudo para presidência da republica, volto a ativar meu papel de blogueiro para tecer poucos comentários a respeito da passagem árdua que se travou no passado recente.
Indiscutivelmente, pode ter sido a eleição mais disputada que já se travou no Brasil. Pelo menos no meu simples conhecimento. Verdade se diga que, de modo absoluto, nunca havia sido registrado uma disputa tão acirrada entre as correntes rotuladas de esquerdistas e direitistas e de modo tão intenso. Num clima de democracia reinante e em tempos de sociedade cibernética abriu-se uma intensa disputa eivada de desacatos, insubordinações, depreciações pessoais brutais resultando numa divisão social como nunca antes verificada. Acrescente-se ainda que, além de uma Nação dividida e perplexa, foi flagrante e preocupante a disputa institucional nas bases administrativas da República numa luta desenfreada pelo domínio do Poder. Resumo da ópera: uma intensa guerra de narrativas contraditórias desunindo o que parecia impossível desunir, numa sociedade exaurida e saturada de tanto desandar. Uma coisa, porém, é certa e jamais será negado: foi uma prova de fogo para uma democracia ainda carente de amadurecimento.
Aos que me seguem e me conhecem tenho um argumento que diz bem das minhas posições politicas: não vejo, de fato, uma verdadeira divisão entre esquerdistas e direitistas. Ao invés disso volto a enxergar a indecente e renitente luta pelo poder e por defender interesses pessoais de uma velha oligarquia – desde tempos imperiais – que tratam de garantir a acumulação da riqueza em poucas mãos e que, disfarçadamente, trata de preservar a manutenção de uma sociedade cuja base da pirâmide social é composta de pobres, “pobres de marré, marré”, que inutilmente alimentam, numa eleição como a da semana passada, o sonho de vencer na vida. Vide ilustração a seguir. Naturalmente, que os oligarcas que me refiro sequer se enquadram no alto dessa pirâmide. A esses o Imposto de Renda não aperta e suas riquezas estão bem guardadas nos bancos suiços.
Eventuais defensores dos pobres que assumem ou assumiram o Poder têm sido facilmente contaminados pela ganância da riqueza e esquecem as promessas feitas aos pobres patrícios nas enganadoras campanhas. Corruptos e mercenários se alternam no poder e nunca resolvem as deficiências sociais endêmicas e gritantes espalhados pelo “gigante pela própria natureza”.
Não alimento esperanças para os próximos quatro anos. Com eles já experimento amargas lembranças nos mais distintos níveis. Pobre Brasil!
NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens.
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Democracia é o tema
Defender a Democracia parece ser o fado da sociedade brasileira ao longo da sua História. É inegável que motivos justos não faltam em face das investidas – algumas bem sucedidas – que já levaram o país a viver ondas de intranquilidade e perspectivas incertas. Sou de uma geração pós-guerra provavelmente a mais fustigada por ameaças desse tipo. A Guerra Fria no domínio da politica internacional, as reações regionais e locais terminaram por conduzir a sociedade internacional a severas e dolorosas lições de regimes pouco desejados. Perderam-se vidas e inteligências preciosas. No Brasil foi duro viver no denominado Estado Novo (1937-45), regime ditatorial de Getúlio Vargas, na democracia disfarçada do mesmo, nos anos 50, e no período da Ditadura Militar (1964-85). Passada a fase negra e restaurada a Democracia, a partir de 1985, com a vitória de Tancredo Neves numa eleição realizada num Colégio Eleitoral, o Brasil vem esperneando na busca de equilibrar seu regime democrático a duras penas conquistado. Campanhas e lutas intermináveis se repetem até hoje e registros históricos estão postos à disposição da sociedade por meios analíticos dos mais diversos.
Agora, na perspectiva das eleições gerais (Presidente, governadores estaduais e distrital, senadores, deputados federais e estaduais), no próximo dia 2 de outubro, novamente as forças antagônicas se mobilizam e investem acirradamente, em nome da Democracia, com propostas dirigidas, em larga escala, a um universo de sociedade perplexa e alimentando esperanças de tempos melhores. Nada disso, contudo, vem sendo apontado como possibilidades nas propostas de governo dos candidatos que se cansam de repetir suas já cansadas retóricas de campanhas. Não percebem que o interesse do cidadão comum não é comungar das suas insaciáveis sedes de poder, mas sim vislumbrar possibilidades de ocupar um lugar digno num mundo acima do que habita, onde não haja famintos, desempregados, analfabetos, idosos abandonados, preconceito racial, entre outros desvalidos. Num processo social espúrio, como só ocorre, argumentos ideológicos de Politica se multiplicam com, quase sempre, inúteis e duvidosos formatos, confundindo o menos esclarecido que, lamentavelmente, forma a grande parcela do eleitorado. Para completar o voto vira moeda de troca e é comum ser posto a leilão, nas periferias e cafundós do país, onde os mais poderosos economicamente sempre pagam melhor e sufocam candidaturas promissoras e democráticas de raiz. Pior, grande parte do eleitorado termina sem saber em quem votou porque na hora da sessão eleitoral o que importa é quanto faturou vendendo seu voto. Pesquisas oportunas mostram que uma maioria expressiva já não sabe ou não se lembra do candidato ou candidata a quem deu seu voto no pleito anterior.
Resultado é que fica difícil e bem remoto pensar numa verdadeira Democracia devido à forma como o processo ocorre historicamente. Segura mais essa Brasil!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens
sábado, 13 de agosto de 2022
Seleção de Debochados
Além das futricas politicas rotineiras no nosso quotidiano, uma verdadeira piada de mau gosto ganhou luzes nas redes sociais, desta semana, dando conta de que a Comissão de Esporte da Câmara Federal aprovou um requerimento para criação de um grupo de trabalho destinado a acompanhar a preparação da seleção brasileira para Copa do Mundo de 2022, a se realizar no Catar entre os dias 21 de novembro e 18 de dezembro. Proposta de um certo Deputado baiano que atende pelo nome de José Rocha (União/BA). O parlamentar justificou sua ideia afirmando que “a imagem da seleção está em baixa e, por causa disso, o futebol brasileiro tem se afastado cada vez mais do público. Precisamos então recuperar esse esporte que, além da função social indiscutível que possui, é considerado paixão nacional”. Também pudera, depois do Mineraço de 7 x 1 impostos pela seleção alemã na Copa realizada dentro de casa!
Para dar conta dessa nobre missão o grupo deve contar com o empenho de onze deputados. Um time de futebol! Me engana que eu gosto... Para reforçar sua justificativa o parlamentar arredondou que “a proposta desse Grupo de Trabalho é provocar discussões dentro deste colegiado e junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade máxima do futebol brasileiro, como parte de um conjunto de esforços para resgatar a imagem do Brasil como o país do futebol”. Nem precisava dizer, o texto da proposta foi aprovado por unanimidade.
Posso imaginar, assim como qualquer brasileiro sério e honesto também, o entusiasmo dessa reunião e a disputa acirrada para a formação do Grupo. É preciso ser muito idiota para não acreditar que o objetivo do Grupo não é nada do que ficou assentado na proposta aprovada. Muito mais fácil, óbvio até, é entender que o objetivo precípuo é o de levar o Grupo ao Catar, para conferir o resulto de tão “grande esforço”, assistir de camarote aos jogos do torneio, com todas as despesas pagas por nós, os babacas contribuintes. Onze “engraçadinhos” formando uma Seleção de Debochados, nas Arábias. Imagino que aqueles que correm risco de derrota nas urnas de Outubro envidarão os maiores esforços para cumprir tão difícil missão e não perder a boquinha.
É lamentável e revoltante viver num país, pobre e lascado, onde tantas corrupções e tramoias parlamentares são cometidas impunemente e acobertadas legalmente, nas barbas do cidadão. Cidadão Eleitor que esquece tudo na hora de exercer seu papel de decisão do próprio futuro e o da Nação, nas urnas eleitorais.
Por oportuno, e não querendo ser injusto nas minhas criticas, fui conferir na Legislação as atribuições da Comissão em tela e catar (desculpe o trocadilho!) uma relação entre estas e o que se desenhou para o Grupo recém-criado. Resultado é que nada me garante que haja relação entre as duas coisas, haja vistas que são atribuições da Comissão do Esporte: debater e votar os temas relativos à i) sistema desportivo nacional e sua organização; politica e plano nacional de educação física e desportiva; e ii) normas gerais sobre desporto; justiça desportiva.
Não consegui identificar a rubrica orçamentária da Comissão do Esporte, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ou no Portal da Transparência (das aparências?), embora, creia que seja exígua como tem sido em casos de outras dotações e de outras comissões ou pasta administrativa. Curioso, entretanto, é ter a certeza de que comunidades situadas nos grotões do Brasil anseiam por incentivos financeiros e apoios governamentais para desenvolver atividades desportivas entre seus membros, muitos dos quais revelando potenciais habilidades e com concretas possibilidades de se tornarem estrelas nas diferentes modalidades esportivas. Infelizmente, ficam apenas no plano da ansiedade. Ao contrario disto, onze debochados parlamentares prestam-se para compor um “faz de conta” e, por fim, viajar em classe executiva, se hospedar em hotéis babilônicos de Doha, comer e beber do melhor, dispor de um carnê de ingressos à livre escolha para os jogos do troneio, fazer programas de “mil e uma noites” e, se brincar, voltar se mostrando exaustos da “farrinha” parlamentar. Haja verba para custear essa estupidez parlamentar. Tenha dó. Quisera poder votar contra todos esses debochados em outubro. Acorda Brasil!
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens / Charge da autoria de Gazo.
terça-feira, 9 de agosto de 2022
Salve o Negro Brasileiro
Sempre me dei muito bem convivendo com pessoas de cor negra. Acredito que tudo começou na minha infância quando meus pais decidiram matricular-me, aos sete anos, numa escola particular, muito comum à época, onde uma família de negras professoras se dedicavam ao ensino primário. Mudaram-me de um colégio de freiras, no qual pouco progredi embora haja aprendido a rezar muito e onde fiz primeira comunhão. As professoras afrodescendentes, do Externato Santos Cosme e Damião, eram enérgicas e competentes no ensino do “be-a-bá” exigido àquela época. Aluno sempre aplicado fui logo cercado de afetos, admiração e afagos por Dona D´Lourdes, minha mestra, por quase quatro anos. Aquela negra, embora sempre circunspecta, me encantava e me fez perceber os mistérios de um mundo, no qual eu vivia, em que ter pele negra transformava o individuo em cidadão de classe inferior. Quanta dignidade havia naquela família de negras professoras comandando classes cheias de alunos predominantemente de raça branca e com condições financeiras para remunerar a escola que mantinham. Belos aprendizados recebi: formal e cívico
Estas reminiscências de hoje são provocadas por lastimáveis episódios que, com frequência, ainda testemunhamos, neste inicio de século 21. Nos dias recentes, aqui no Brasil, dois fatos tomaram conta da mídia e jogaram luzes sobre o renitente preconceito de cor que se vive no chamado estado democrático brasileiro. O primeiro foi o da “mulher da casa abandonada”, numa zona nobre e tradicional da cidade de São Paulo. Virou atração turística. Todo mundo queria saber quem era aquela misteriosa mulher, depois identificada como sendo uma tal de Margarida Bonetti, foragida da justiça norte-americana por manter em regime de escravidão, por 20 anos, uma empegada doméstica. A sujeita não chegou a ser julgada pela justiça americana, não foi presa e, mais do que isso, conseguiu fugir para o Brasil no ano 2000, onde se trancou até hoje no casarão que herdou. Descendente de uma família rica e poderosa da pauliceia exercia a habitual exploração de serviçais negras, tratadas historicamente como um bem de capital. A negra vitima dessa atrocidade vive ainda nos Estados Unidos gozando de cidadania e direitos civis, muito embora as restrições sociais que, como todos sabemos, ainda perduram na Terra de Tio Sam.
O outro caso que ganhou espaço no noticiário e correu o mundo foi o da senhora portuguesa que tratou de modo pejorativo e desprezível os dois filhos, adotivos e negros, dos atores brasileiros Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, num restaurante de uma praia nos arredores de Lisboa, onde passam temporada. O caldo engrossou por lá e a atriz Ewbank, desempenhando seu inesperado papel de mãe vigilante e furiosa, enfrentou a agressora de modo direto e, segundo relatos, desferiu um belo tapa na agressora! A portuguesa preconceituosa foi chamada à responsabilidade e está embalada em maus lençóis.
Bom, foram dois fatos ocorridos lá fora, embora que corriqueiros no Brasil de agora.
Para fechar minha semana, e esta edição do Blog, fui parar no lançamento do terceiro volume da trilogia Escravidão do jornalista escritor Laurentino Gomes. Eis aí uma obra que recomendo ser lida por todos os brasileiros. O autor dedicou-se por anos a uma profunda pesquisa sobre o tema escravidão nas Américas e terminou produzindo três volumes de formidáveis relatos sobre o assombroso regime escravista nas Américas e que arrastou o Brasil ao último país a proclamar o fim da escravidão no chamado Novo Mundo, em 1888, ao contrário de países como México, Chile e Bolívia já o haviam proclamado entre 1818 e 1840. Essa tardia passagem histórica e sua difícil assimilação pela aristocracia escravista prevalecente, à época, num império de “rabo preso” a essas elites resultou na formação de uma sociedade preconceituosa e de tal forma arraigada que, até hoje, em pleno século 21, produz cenas de insanidade, desumanidade e pouco democráticas contra sua imensa população negra.
Estima-se que algo próximo a 5 Milhões de homens, mulheres e crianças foram trazidos da África para o Brasil, como escravos, entre os séculos 16 e 19. Ora meu Deus, impossível pensar que essa população não se reproduzisse e formasse essa multidão, inclusive miscigenada, que provoca tantas controvérsias sociais no atualmente. Laurentino Gomes descreve na sua trilogia uma História apaixonante, dolorosa em certos capítulos, mas, vibrante em termos de registro. Para ele, “a Historia é um instrumento para construção de uma identidade e formação de cidadania”. Concordo. A formação da cidadania brasileira deve aos afrodescendentes suas mais sólidas bases e coloridas nuances. Respeitemos e honremos essa herança. Salve o Negro Brasileiro!
sexta-feira, 29 de julho de 2022
Quebra Cabeça Brasileiro
É curioso como venho encontrando, cada vez mais, pessoas que se manifestam decididas a não acompanhar o noticiário da mídia nacional dizendo-se saturadas com as avalanches de notícias dramáticas, trágicas e assustadoras veiculadas. Pior ainda, já não querem mais, particularmente, tomar conhecimento dos episódios da vida politica nacional, quase sempre conturbada. Falo de pessoas de considerável nível social. Mesmo avaliando que o dia-a-dia do país – mergulhado numa grande crise sócio-politico-econômica – não possa gerar noticias amenas, como desejadas por todos, não deixa de ser curioso e perceber se tratar de um pensamento em dimensões coletivas. Diante dessa constatação, questiono se se trata de uma postura sadia ou prejudicial sob o ponto de vista social. Ora, numa democracia o que se espera é a sustentação social politizada e bem informada. Caso contrário, nunca haverá sucesso.
Na esteira dessa manifestação preocupante, muitas dessas pessoas declaram não suportar Politica. “Não tolero esse mundo politico, não vou votar e, em indo à sessão eleitoral por obrigação, darei um voto nulo ou em branco”. Alguns arredondam a aversão acrescentando que “a Politica só faz atrapalhar a vida do país”. Bom, neste caso é, a meu ver, o extremo da desinformação. Historicamente Politica é parte basilar de uma sociedade. Hoje em dia, no Brasil, o individuo, logo ao nascer e por ocasião do registro civil, já recebe um número de Certificado de Pessoa Física, o popular CPF, que, na prática, já o introduz na vida politica do país. Dali em diante, todos já sabem o que acontece no que tange aos seus direitos e deveres. Não gostar de Politica, ou não acreditar no poder dela é a forma mais rápida de contribuir para a formação de uma sociedade capenga e uma Nação sem estrutura estável. Aliás, porque, ao contrário dessa já imensa parcela social, surgem os que gostam – mesmo sem ter a noção adequada – e terminam praticando a Politica oportunista, arbitrária e maléfica que, quase sempre levam ao caos e à miséria muitas sociedades.
O resultado desse quebra-cabeça, no Brasil de agora, assusta e aponta para um estado confuso e inseguro politicamente, carente, por um lado, de uma rede de comunicações honesta e livre de falsas noticias (fake-news) e, por outro, de políticos cientes e comprometidos com as demandas sociais de uma Nação sofrida e saturada pelas instabilidades socioeconômicas provocadas por irresponsáveis postos no topo do Poder.
Nota: Foto ilustração obtida no Google Imagens
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