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terça-feira, 10 de maio de 2016

Quem disso cuida, disso usa.

Quando afirmo que vivemos um estado de perplexidade política não é sem reflexão ou tino. O episódio de ontem, com um irresponsável presidindo interinamente a Câmara Federal, um tal de Waldir Maranhão, sinto-me coberto de razão. Aquilo ali foi a expressão do caos e da máxima profundidade do poço da irrespo nsabilidade política que agride a Nação brasileira. Um verdadeiro escárnio. Esse sujeito zombou das nossas qualidades de país sério e assinou uma certidão de que vivemos numa legitima republiqueta de bananas. Expôs de forma mais negativa possível nosso país diante da comunidade internacional. Eu, que sou um pobre coitado cidadão que ousa em formar opinião, recebi de imediato ligações de leitores estrangeiros questionando o episódio e, naturalmente, criticando a insegurança institucional brasileira. Foi um verdadeiro assombro. Seguramente, a maior das vergonhas que passamos. Minha “desculpa” foi de que se tratava de um inepto e inexpressivo deputado federal buscando capitalizar seu momento fortuito de celebridade. Prova disto é que foi logo em seguida desmoralizado e bom seria que jamais voltasse ao cenário político. Vide, a seguir, foto da figura com D. Dilma.
A lição que tiro dessa palhaçada – tipo circo mambembe – é de que o povo brasileiro não sabe escolher seus representantes no parlamento nacional. Aliás, em nenhuma das nossas casas legislativas dos três níveis de administração.
Falta consciência política na nossa gente. O povão ignorante vota por trinta moedas, por um saco de cimento ou uma dentadura para corrigir a boca banguela. Ou, naturalmente, para retribuir ao Bolsa Família! Doloroso é saber que essa coisa está longe de ser corrigida. Falta educação para o povo aprender o que seja cidadania, responsabilidade eleitoral e visão critica da realidade que vive. Mas, como essa é a estratégia dos políticos – manter a ignorância para facilitar a tomada do poder – já sei que não terei tempo para viver o possível Brasil dos meus sonhos.
Esse cara que ontem tentou burlar a Democracia é o produto dessa ignorância nacional. Ele próprio revelou ser um ignorante como a grande maioria dos brasileiros e, sobretudo, dos eleitores que o elegeram. Tão ignorante que caiu na cilada da PTrálea que está se agarrando ao poder como quem está tentando se salvar de um naufrágio. Brincou de “manda-chuva” influenciado pelo também inepto Advogado Geral da União. 
Há um velho ditado popular que diz “quem disso cuida, disso usa”. O PT, Lula e D. Dilma não param de bradar que o atual legítimo processo de impeachment se constitui num golpe. Ora, golpe foi o que tentaram aplicar ontem. Mas, a Constituição Nacional foi respeitada, o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal, idem e o Senado ignorou a burrice do presidente interino da Câmara. Sinto certo alívio sabendo que amanhã (11.05.16) teremos o epílogo dessa doideira que vivemos no Brasil.
Pela minha família, pela Pátria deseducada, pela inocência dos eleitores ignorantes e pelo Brasil digo SIM à Democracia Brasileira. 

Nota: Foto obtida no Google Imagens 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rescaldo Eleitoral

A criatividade do brasileiro é inesgotável. O tempo passa, as gerações se renovam, o país muda em todos os setores de atividades, tecnologias modernas dão o toque dessas mudanças, mas, os traços culturais resistem ao tempo e acompanham as modificações socioeconômicas. Falo disso após observar o resultado final das eleições, do domingo passado. O que aconteceu aqui no Nordeste brasileiro, particularmente aqui no estado de Pernambuco, onde a candidata petista “deu um banho” de votos no seu adversário e, praticamente, garantiu sua vitória nas urnas, fez-me lembrar a velha e carcomida política do passado, na qual os velhos coronéis dominavam seus currais eleitorais e sempre saiam vencedores se perpetuando, assim, no poder. O que se observa nos dias atuais é um eleitorado refém ao PT baseado nos programas assistencialistas reunidos no popular Bolsa Família. Os atuais coronéis se tornaram mais competitivos quando explorando e refinando a capacidade criativa, nata do brasileiro, lançando mão dos modernos recursos tecnológicos tão bem representados pelas chamadas redes sociais. Rapidamente essas raposas políticas atingem em cadeia o público alvo, coibindo e até ameaçando. Multidões tremeram nas bases diante da possibilidade de perder os benefícios assistenciais adquiridos. Resultado: o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, por exemplos, foram modernas criatividades que renderam, sim, os votos necessários para manter os modernos coronéis no poder. Como os Norte e Nordeste, incluindo a deprimida região do Norte de Minas Gerais, são as áreas mais beneficiadas pelo programão petista fica fácil entender o resultado do segundo turno.
Esse resultado, contudo, vale refletir, foi o mais apertado de todas as eleições do período pós- redemocratização e da polarização PT x PSDB. Apenas 3,28 pontos percentuais separaram a candidata vitoriosa do seu opositor (Dilma 51,64% e Aecio 48,36%). Vamos e venhamos, foi por muito pouco. O “incêndio” da campanha apontava para isto, aliás.
O recado deixado pelas urnas é claro de que o país está dividido e exige um esforço titânico de D. Dilma, nesse seu segundo mandato, com vistas a conduzir o país num clima de tranquilidade e progresso como se deseja.
No seu discurso de vitória na noite do domingo a reeleita prometeu mundos e fundos e garantiu que vai buscar “construir pontes” para estabelecer a conciliação nacional necessária para que seu governo seja profícuo. Na mesma fala sublinhou a intenção de operar mudanças na gestão do país e adotar perseguição cerrada aos corruptos. Vamos ver. Com toda essa sujeira, a começar com o Petrolão e as denúncias que já surgem no âmbito da Eletrobrás, custa-me crer.
 “Governo novo, novas ideias” foi o lema da campanha vitoriosa. Eleitores ou não da candidata Dilma esperam por essas novas ideias porque, afinal, o estado no qual se encontra o Estado Brasileiro e a Economia do país urge que o prometido flua rapidamente. Para reforçar esse ideário é importante também que a mandatária reeleita não perca de vista as cobranças de mudanças de junho do ano passado: na gestão pública em geral, na tentativa de restaurar a credibilidade na administração pública, ajustes na contabilidade nacional, sem o uso dos artifícios criativos, revisão nas políticas econômica, social e fiscal, atenção especial aos setores industrial e agrícola antes que afundem de vez, mudanças na administração das tarifas dos combustíveis e energia, na política das relações internacionais (fala-se que 28 novos embaixadores esperam há oito meses ser recebidos pela presidente. Que falta de visão política!) e nos demais segmentos que fazem rodar o país.
Naturalmente que, para tudo fluir nos conformes, D. Dilma vai ter que se virar e mudar sua postura política e estabelecer um bom diálogo com o novo Congresso. Quero ver.
Bom, por enquanto é tratar de se livrar do rescaldo eleitoral. Deus nos assista.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Compasso de Espera

Está ficando complicado viver o Brasil destes últimos dias que antecedem as eleições gerais no país, no próximo 5 de Outubro. As coisas estão de tal maneira embolada que só tendo muita fé em Deus para suportar o vai-e-vem da situação. Quem não for crente vai ter que recorrer ao próprio sistema nervoso. E, para isso, haja nervos... Acredito que nunca se disputou um pleito tão cheio de incertezas e surpresas. Tenho andado por aí e em algumas cidades do país e percebo a inquietação, sobretudo na classe empresarial. Não que seja esta a mais preocupada, mas porque é a que primeiro sente e, indiscutivelmente, a que promove de forma direta o progresso. A sociedade, responsável pelo tecnicamente chamado consumo das famílias já percebeu a gravidade da situação ao ver o que acontece a cada vez que vai ao supermercado ou às feiras livres e, por isso mesmo, anda cautelosa. Gastar, só mesmo com o essencial.
Inflação em alta, consumo das famílias em baixa, previsões de PIB cada vez menor, demissões crescentes, indústrias fechando e, como pano de fundo, é claro, ambiente político incerto e a eclosão de uma corrupção escandalosa a cada semana. Este é o quadro geral da situação.
Estes últimos dias andei por Salvador e Fortaleza, onde conversei com empresários que se revelaram pessimistas e preocupados com o momento econômico. Têm medo de investir, na atual conjuntura. Parou tudo e ninguém se atreve a arriscar. “O dinheirin que já vem curtin há algum tempo tem que ser poupado à espera do fim dessas “trovoadas”, que só Deus sabe quando passam”, ouvi de um experiente empresário cearense. Na Bahia a coisa não é diferente. Todo mundo no compasso de espera. “O telefone anda mudo e emails com encomendas desapareceram”, ouvi de alguém.  De um líder empresarial paulista escutei, esta semana, lamúrias ainda maiores. Segundo ele, a indústria de bens de capital do Brasil está sufocada e fadada a desaparecer. Faltam condições de crescer, de investir em novas tecnologias para aumentar a produtividade, de competir num mercado globalizado e viver à mercê do cambio desfavorável com o Real superapreciado. Isso tudo sem falar da logística capenga, dos juros indecorosos e do esquema tributário satânico. Quem produzia máquinas e equipamentos de sucesso, no passado recente, não tem tido outra alternativa a não ser importar máquinas Made in China, aplicar uma etiqueta com a sua marca e vender. Ou seja, virou um mero maquiador de produtos e simples comerciante. Resultado: demitiu seus muitos colaboradores do chão de fábrica, montou um ponto comercial, ao mesmo tempo em que vem sustentando empregos na China. É desse modo que estamos assistindo – passivamente – a chamada desindustrialização do país. Tudo fruto de uma política econômica falha, conduzida por incompetentes de plantão no poder que, mesmo se dizendo preocupados com o social, são totalmente míopes para esta cruel realidade enxergada a “olho nu” por qualquer profissional de bom senso, no Brasil e no exterior. Eles, esses incompetentes, sabem muito bem o que quer dizer Custo Brasil, mas faltam-lhes tempo e conhecimento para estudar uma solução do problema. O tempo e o conhecimento que lhe restam têm sido, aparentemente e tão somente, dedicados ao cultivo da preservação do poder. É uma ironia do destino para um país rico pela própria natureza, com mentes brilhantes, inteligências raras e vontade de crescer se encontrar numa situação tão degradante.
O líder empresarial paulista que antes falei, relatou um dialogo que teve recentemente com um empresário britânico, surpreso com o fato de que o Brasil esteja numa situação de quase pleno emprego. A pergunta do inglês: “como explicar um quase pleno emprego e um PIB tão insignificante?” Com razão, porque crescimento de PIB reflete diretamente o aumento da produção. Levar esse britânico a entender que os altos níveis de emprego se dão à base do crescimento do Setor Serviços turbinado pela entrada no mercado consumidor dos milhões de beneficiários do Bolsa Família foi encontrar o x da equação. Salões de Beleza, comércio varejista, lazer, lanchonetes, bares e restaurantes populares e similares que proliferaram nos quatro cantos do país proporcionaram uma massa surpreendente de empregos, ainda que muitos desses informais. Eu não tenho dúvidas de que o Bolsa Família, originalmente denominado de Bolsa Escola, quando criado pelo Governo Fernando Henrique Cardoso, se revela como sendo um programa vitorioso ao incluir imensos contingentes de brasileiros no contexto social digno. O Brasil se destaca no plano internacional pelos resultados de inclusão alcançados. Isto, contudo, não vai levar o país aos níveis de desenvolvimento desejado e que o coloque em posição de conforto no ranking mundial. O caminho é outro e esse dos prestadores de serviços em massa esgotará em breve. Principalmente com tudo parado com está agora e em compasso de espera.

 

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...