quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Bolonha, um lugar especial

Percorrer a Itália é sempre muito prazeroso e, de algum modo, difere das viagens por outros países europeus, tendo em vista as inúmeras e sequenciadas atrações turísticas e históricas do país. Há, na verdade, uma enorme densidade de atrativos, sempre muito próximos e imperdíveis. Eu nunca me furto a uma oportunidade de voltar à Itália. Da recente viagem, sinto-me provocado a comentar alguns momentos, que julgo atrações imperdíveis, como os três dias em que estive na cidade de Bolonha, na região da Emilia Romagna, Norte do país.
Já andei por Bolonha, ao menos uma meia dúzia de vezes e, sabendo que não se trata de uma cidade comumente incluída no roteiro turístico dos brasileiros viajantes, sempre aconselho uma parada por lá, justificando com a ideia de que se trata de uma Itália autêntica, menos invadida de hordas turísticas costumeiras e que oferece um leque de grandes atrações, tais como: um
patrimônio histórico-cultural invejável – em 510 A.C. era uma cidade Etrusca. No século II A.C. foi colônia romana. Com a queda deste Império passou para o Império Bizantino, instalado em Ravena. Depois disso passou pelo domínio Papal. Entre os séculos 18 e 19 foi ocupada por Napoleão Bonaparte e na 2ª. Grande Guerra foi intensamente bombardeada –  além do que é um importante centro de negócios, superado apenas por Milão, tem um centro universitário secular, sede da primeira universidade do Ocidente, quiçá do mundo, e é sitio de cenários arquitetônicos de rara beleza (atenção para as arcadas dos prédios), foto acima, gastronomia de primeiríssima linha, povo alegre, gentil e hospitaleiro (menos cansado do fluxo turístico dos que os de Roma, Florença ou Veneza) e, por fim, um comércio refinado seja nas casas de pastas artesanais, presuntos, salames e especiarias até às lojas de vestuários e acessórios das melhores grifes do planeta, como aquelas da muito chique Galeria Cavour. É, sem dúvidas, uma das cidades mais ricas da Itália.
Minha sugestão: estando em Bolonha, não troque por nada uma caminhada, sem pressa, pela Via Dell´Indipendenza, a principal da cidade, desde seu inicio, próximo a estação ferroviária Bologna Centrale, observando as lojas, as pessoas e prédios seculares.
Pare na Catedral de San Pietro, foto acima, reze se tiver fé, e depois siga até a Piazza Maggiore, onde se encontram a Fontana Del Nettuno e a Basílica de San Petronio. Durante sua trajetória, pare para espiar as estreitas ruas transversais, como as Vias Marsala, Goito, Del Monte e Altabella, entre outras, cada uma mais bonita do que a anteriormente vista. Fotos abaixo. Pare, um pouco, e tome um autêntico expresso italiano. Não falta onde. Ou entre numa gelateria e deguste um delicioso sorvete feito por quem inventou esse negócio danado de bom e, já na praça, beba da água jorrando no bebedouro da Piazza Maggiore, bem em frente do Nettuno. Dizem que quem bebe dessa água, desejando voltar outras vezes, volta!


Feito isto, mergulhe nas ruas que começam na Piazza e curta intensamente o complexo de lojinhas dos mais variados propósitos. Coisa bem italiana, desde os tempos de Marco Polo. É um deslumbre. Você precisa caminhar mais lentamente ainda. Têm comidas, vinhos, lenços e gravatas, joias e bijouterias, doces e salgados, bolsas e sapatos, bares e restaurantes, casas de pastas artesanais, presuntos e salames. Foram os bolonheses que inventaram o salame. Tem também queijos. Muitos queijos. Experimente o parmesão com uma geleia artesanal ou com um pouco de vinagre balsâmico cremoso. Inesquecível! Tem também as mais belas frutas e verduras. Carnes e peixes.  Fotos a seguir.


Quando faço isto, fico meio perdido em meio a tanta beleza reunida, de forma simples, ordenada, limpa e convidativa. Você ficará, também. Entro num bar mais antigo do que o Brasil e tomo boas taças de vinho, com os tira-gostos de cortesia, que é uma coisa que acontece somente ali. Saio de volta à rua e quando levanto a vista, percebo que estou diante das duas mais importantes torres da histórica Bolonha: Garisenda e Asinelli, que resistiram ao tempo, conflitos sangrentos, bombardeios, e inclusive terremotos. (Foto acima). Tradicionalmente, as famílias locais construíam torres para marcar seus respectivos poderios econômicos. A cidade chegou a ter centenas delas que desapareceram com o tempo, por motivos diversos. Uma coisa incrível. Se tiver fôlego e coragem suba na Torre Asinelli. A vista deve ser linda. Sem coragem, nunca fiz isto. Nas imediações da praça das duas torres observe o Palazzo della Mercancia, uma construção de mais de 800 anos, sustentada por vigas de madeira resistente ao
tempo e aos traumas das disputas a que foram alvo.
De resto, curta muito a rica gastronomia do lugar. Não deixe de provar a autêntica pasta à la bolonhesa.

Se tiver tempo, explore as oportunidades de compras na Via Massimo D´Azeglio, que começa na Piazza Maggiore. Recomendo uma lojinha bem no inicio da rua, especializada em lençaria e gravatas. Gosto de comprar ali. Coisas finas e preços justos.

NOTAS: Fotos da autoria do Blogueiro.

DICA OPORTUNA: Precisando de acompanhamento turístico em Bolonha ou cidades da Lombardia, Toscana, Vêneto e arredores, conte com Simone Amorim, (simone@blogsoulfashion.com), brasileira de Pernambuco, residente em Bolonha e profunda conhecedora da Itália. Entre no Blog dela clicando em: www.blogsoulfashion.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Círio de Nazaré

Uma tradição que se repete há mais de dois séculos: o Círio de Nazaré, uma festa secular que movimenta a capital do estado do Pará, no Norte do Brasil, revelando uma arraigada força de fé de um povo católico ao extremo. Todo segundo domingo de Outubro a cidade de Belém para, recebe multidões oriundas de vários cantos do país e do exterior, rendendo louvores e homenagens à Virgem de Nazaré. É, sem dúvida, a maior festa popular do povo paraense e do Norte do Brasil.   
Sempre tive curiosidade de ir ver de perto essa monumental manifestação que leva às ruas, daquela cidade nortista, aproximadamente 2 Milhões de pessoas, ligadas pelo objetivo comum  de cultuar a chamada Rainha da Amazônia, Nossa Senhora de Nazaré. Fiz isto neste ano de 2015 e tive minha esposa e nosso filho mais novo como companheiros. Vide foto acima.
Voltei impressionado com tudo quanto pude assistir. Digo pude porque é impossível, para quem chega de fora, acompanhar tudo que é levado a efeito durante vários dias. A festa dura pelo menos uma quinzena. O ponto alto é o segundo domingo do mês, com a grande procissão do Círio. Mas tem ainda, o Círio Fluvial, foto logo abaixo, do qual participei a bordo de bela embarcação, o Círio das Crianças, o dos caminhoneiros, dos motoqueiros, o da Transladação da Imagem de um canto para outro da cidade e da Região Metropolitana. Tem círios para todos os gostos, idades e hora. Só não vai atrás de um círio quem não quer mesmo.
O evento é de tal magnitude que o paraense, em geral, considera essa festa mais importante do que os festejos natalinos. Aliás, é tal maneira que os paraenses não se cansam de desejar, aos que chegam ou que passam, um cordial Feliz Círio! Tem mais, o domingo do Círio é um sagrado dia de congraçamento familiar com um almoço solene, tal como num almoço de Natal. E, nem precisa lembrar, o cardápio é composto de tacacá, pato no tucupi, pirarucu no molho de camarão no tucupi e a maniçoba. Sem faltar, como adereço especial, as famosas e entorpecentes folhas de jambu.
Esta história remonta do ano 1700, quando um caboclo de nome Plácido José de Souza encontrou perdida no igarapé Murutucu (onde hoje se encontra o grande santuário) uma pequena imagem da Virgem de Nazaré, idêntica a que existe em Portugal que, segundo reza a lenda, foi esculpida por São José, em Nazaré da Judéia. Plácido levou-a para casa, mas, para surpresa de todos, no dia seguinte a imagem havia desaparecido sendo encontrada de volta no citado igarapé. Concluiu-se, de pronto, que se tratava de uma imagem milagrosa. Instalou-se dali em diante a devoção a essa imagem que dura até hoje. É ela a razão dessa festa maior dos paraenses. Foi ela que vi sendo levada de lá para cá e de cá pra lá, em Belém do Pará, nesses dias 10 e 11 de Outubro de 2015. Vide Foto a seguir.
Para falar a verdade e como católico que sou, fiquei impressionado com aquela mobilização descomunal de um povo crente e demonstrando uma fé inabalável. Tudo gira em torno da Santa e, o movimento levado a efeito cada ano, faz girar milhões de Reais na economia local. Os hotéis, restaurantes, comércios formal e ambulante fazem dessas ocasiões um lastro que os beneficia durante grande parte do ano. No final das contas, tudo vira uma festa meio religiosa e meio profana. Na minha visão de pernambucano vi a coisa como sendo um misto de Galo da Madrugada com festa do Morro da Conceição. Houve horas em que fiquei confuso sem saber se assistia uma procissão religiosa ou um desfile carnavalesco, sobretudo quando o público atacava com a dança do carimbó (dança típica paraense).
No meio disso tudo e um capitulo à parte nessa festa é a historia da corda que “arrasta” o andor da procissão, que no Pará recebe a denominação de berlinda. Representando um elo entre a Santa e os fiéis romeiros que cumprem promessas, fazem penitências ou desejam alcançar uma graça, a corda é agarrada, num percurso de 4 quilômetros, e “teoricamente” puxa a berlinda. É de sisal retorcido e oleado, grossa o suficiente para aguentar o repuxo. Pesa em torno de uma tonelada e mede aproximadamente 350 metros. Segundo fui informado é produzida na Paraíba. Mas, a coisa não é muito bem comportada como planejam os organizadores da procissão. Homens e mulheres se perfilam colados uns aos outros segurando a tal corda, produzindo uma imagem estranha e confusa – meio libidinosa aos olhos de muitos – mas, em nome da fé! Curioso, contudo, é que no meio do
caminho aparece sempre alguém que resolve cortar a corda e aí se instala a maior confusão entre os que são a favor da tal amputação e os que desejam a corda inteira até o fim do percurso. Um pedaço de corda vale como relíquia. Ouvi dizer que tem gente faz um chá, com o pedaço que guarda, para curar alguma enfermidade. O calor insuportável, a alta umidade da região e a massa humana agitam os ânimos e, por alguns instantes, a fé e a devoção são aparentemente esquecidas porque o que passa a interessar é ficar com um pedaço da corda. Quer saber mais sobre a corda do Círio de Belém clique em:
https://paesloureiro.wordpress.com/2007/10/19/a-corda-do-cirio/ Vale à pena. No fim do percurso encontrei um cidadão que portava um pedaço que fotografei e de quem recebi um pedaço. Vide foto a seguir. Saí todo contente com meu pedaço de corda.
Termino este post com um conselho: indo ver o Círio de Belém – que é coisa imperdível – procure se organizar de forma bem estruturada. É coisa de gente grande! Reúna forças e coragem. Tente assegurar um bom camarote e um bom barco para o Círio Fluvial, para participar com segurança. Mas, se tiver coragem vá segurando a corda e se entregue a Deus e Nossa Senhora de Nazaré. Mas, não me convide para acompanhá-lo(a). Eu, com meus familiares, escolhemos a primeira opção e contei com apoio de bons anfitriões paraenses.

Notas: 1. As fotos colhidas no Google Imagens, cortesia de Carlos Auad e arquivo pessoal do Blogueiro. 2. Nossos agradecimentos ao amigos Carlos Auad e Gualter Leitão pelas orientações e apoio nessa bela "aventura".

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Itália Maravilhosa

Nossa recente ida a Europa foi além de Portugal. Na verdade o destino final foi a Itália onde tivemos um compromisso profissional/empresarial, na cidade de Bérgamo, localizada pouco ao norte de Milão, por onde entramos.
Compromisso cumprido e bem sucedido, eis que tivemos a chance de explorar a cidade e a região de entorno. Bérgamo é uma cidade fora do circuito turístico e isto já sabíamos.  Poucos são os brasileiros que andam por lá. Para os italianos é uma cidade industrial, o que nos levou a acreditar que viveríamos uma semana numa cidade cinzenta, pesadona, com um povo fechadão ou coisa assim. Mas, que nada! Uma boa surpresa nos aguardava! Ao invés disso, encontramos uma cidade alegre, arejada, belas avenidas arborizadas, arquitetura imponente e, por fim, um sítio histórico de rara beleza. Daqueles que todo turista antenado e exigente deseja encontrar, principalmente na Itália. Vide foto a seguir. Muitas industrias é verdade. Mas fora do perímetro urbano e, sobretudo, às margens da autoestrada que corta a região da Lombardia. Estou falando de uma região rica e sustentação econômica da Itália.
Em Bérgamo, além de um comércio significativo e uma gente cativante, come-se muito bem, a preços comedidos e uma culinária sofisticada. Na cidade alta e de caráter medieval – em meio às construções e ruínas romanas – tivemos a oportunidade de provar a típica cozinha montanhesa. A região da Lombardia está nas encostas dos Alpes. Os arredores são de encantadoras paisagens de montanhas e lagos, entre os quais o de Como e o de Garda. E na vizinha Suíça (colada à Lombardia) o lago de Lugano, com a bela cidade do mesmo nome, por onde também andamos.
Andar pela Europa, ou por qualquer país daquele continente, conta-se com a vantagem de ter tudo de bom e atrativo muito próximo e de fácil alcance. Cidades fantásticas, transportes fáceis e rápidos, preços justos, autoestradas seguras e impecáveis, resultando num tremendo beneficio ao turista. De onde estávamos na Itália foi fácil chegar a trepidante Milão, à Verona de Romeu e Julieta, às bem comportadas Bolonha e Ferrara e a sempre fascinante Veneza. Isso sem falar nas pequenas cidades intermediárias pelas quais passamos, entre as quais Consândalo (entre Bolonha e Ferrara), onde fomos recebidos por amigos italianos de nobre estirpe e grandes anfitriões. Nesse lugarejo participamos de uma festa popular, em praça pública, tipo quermesse de interior nordestino, com bingo, bandinha local, leilão e comidas típicas. Senti-me em Fazenda Nova de antigamente. No final da noite uma queima de fogos fez chover estrelas brilhantes nos céus do lugarejo levando ao delírio os espectadores, entre os quais dois brasileiros perdidos na roça italiana. Sinceramente, não tem dinheiro que pague uma experiência dessas. Nem com Mastercard!
Verona, por  onde  passeamos, é uma joia preciosa situada na Região do Vêneto. Segundo a história foi fundada pelos Celtas, virou colônia romana com o nome de Augusta (certamente em homenagem ao Imperador Augusto). Também foi sede de ducados durante a existência do Reino da Lombardia. Lá nasceu Paulo Veronese, grande pintor italiano. Sentar num dos restaurantes da Piazza Erbe (foto a seguir) e tomar um bom vinho italiano, paga qualquer viagem.

Com essa rica história Verona conseguiu guardar preciosidades arquitetônicas e, por isso, é patrimônio da humanidade. Duas grandes atrações de Verona são: a primeira é a Arena (Anfiteatro Romano), muito parecida com o Coliseu de Roma, preservada desde os tempos dos romanos e palco permanente de grandes produções de óperas famosas. (Foto a seguir).


A outra grande atração são as ditas casas de Julieta e Romeu, devidas ao clássico romance de  William Shakespeare. Na verdade, as duas casas são locais que a cidade de Verona criou e idealizou como tendo sido cenário do drama dos dois jovens apaixonados criados pelo escritor inglês, depois que a obra virou um filme, em 1936. Pura fantasia e estratégia de marketing turístico. 
Verdadeiras “enxames”de turistas percorrem as ruas estreitas de Verona – ressalte-se que repletas de belíssimas vitrines de grifes famosas – rumo à casa de Julieta e depois a de Romeu, esta menos popular. A suposta sacada de onde Julieta ouvia os versos e canções apaixonadas de Romeu é o melhor cenário para uma foto à posteridade. Foto acima.
A estátua,  em bronze, de Julieta no jardim interno da suposta casa dos Capuleto (a família de Julieta) tem o desgaste de tantas mãos de turistas afagando os peitos da estátua, quer dizer, de Julieta. Foto ao Lado
Mas, é impossível relatar no pequeno espaço do Blog as nossas recentes experiências na Itália Maravilhosa, numa única postagem. Vou deixar mais um pouco para uma próxima edição.  


NOTAS:
1. Nossos especiais agradecimentos ao casal Simone e Rudy Barbaro (ela é pernambucana) que vivem em Consándalo, pelas atenções e acolhida inesquecível, na Região da Emilia-Romagna e do Vêneto.
2. Fotos obtidas no Google Imagens.
3. O Blogueiro viajou integrando uma Missão Empresarial de empresários pernambucanos ligados ao Setor Metalmecânico e representando o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE.  






terça-feira, 6 de outubro de 2015

Portugal, Uma parada obrigatória

Quando saindo do Recife, em direção à Europa, digo sempre que Portugal é uma parada obrigatória, dados o conforto e a rapidez que nos são oferecidos pela logística aérea. Nem que seja para uma simples conexão.
Para mim, porém, já que parando na “santa terrinha”, por que não se demorar algum tempo?  Não perco as chances de fazer desse modo, como ocorreu recentemente.  Adoro Lisboa. Sempre aprazível e muita tranquila, até porque não se trata de nenhuma metrópole trepidante, quando comparada com outras capitais europeias e porque sempre nos recebe de braços abertos, após sete horas de voo. Desde o desembarque espero respirar a brisa fresca soprada desde o rio Tejo misturada com a do lado de lá do Atlântico. Levado por esses ares, é ganhar o mundo e logo procurar a Avenida da Liberdade – orgulho dos portugueses, por ser a mais larga de Europa – para descer lentamente, da Rotunda do Marques do Pombal até o Largo do Rossio, aproveitando a
sombra das frondosas castanheiras, que nestes fins de setembro já frutificam, numa fantástica explosão da mãe-natureza, espalhando castanhas por todo lado. (foto acima) São aquelas mesmas, que no Natal, compramos, a peso de ouro, para compor nossa mesa natalina. Colhidas pelos populares são vendidas, depois de torradas (o mesmo processo pelo qual torramos nossas castanhas de caju), no centro da cidade, inclusive ao longo da belíssima Rua Augusta, somente para pedestres, cujo calçamento de pedras portuguesas, com certeza,  brilha como se houvesse sido polido com especial cera e gigante enceradeira. Tudo primorosamente limpo. A vontade inicial é de tirar sapatos e meias e pisar com prazer naquela rua, que é visita obrigatória quando estando em Lisboa. Foto a seguir.
Se na Baixa de Lisboa (área central da cidade) campeia a alma lusitana, num cenário de beleza sóbria formado pelos tradicionais sobrados, ao levantarmos a vista nos deparamos com o monumental Castelo de São Jorge, sentinela alerta desde os tempos medievais, no ponto mais alto da cidade. De lá se descortina a melhor visão da capital portuguesa. Isto sem esquecer que para chegar até lá é preciso “pedir passagem” para atravessar os antigos bairros da Alfama e da Mouraria, santuários dos mais belos fados e das mais antigas tascas. Os bondinhos que sobem e descem são transportes ideias para este percurso e uma parada na Catedral e na Igreja de Santo Antonio é grande pedida, sobretudo para os católicos. Vide fotos a seguir.




Se curtir as belezas e o clima lisboeta é gostoso, o mesmo pode ser dito dos interiores portugueses. Adentrar pelas terras de Cabral é ir ao encontro das origens da nossa gente interiorana, da matutice brasileira e da alma hospitaleira e solidária que prevalece lá e cá. O interior de Portugal é uma capitulo a parte de uma viagem dessas.
Dessa vez, com minha esposa, fizemos um percorrido relativamente tradicional, mas, deveras encantador. Começamos pelos arredores de Lisboa, em direção ao litoral e fomos parar no Estoril e Cascais, os mais famosos balneários portugueses. Mas, como não queríamos praias, logo, tomamos o rumo norte para visitar Sintra, uma vila situada na Região Metropolitana de Lisboa e que guarda importantes relíquias da história portuguesa e da Península Ibérica. Por lá passaram os romanos entre os séculos II AC e V DC. Depois vieram os árabes mulçumanos que andaram por lá durante quatro séculos, por volta do século X DC, e deixaram marcas que se conservam até hoje. História, castelos e palácios fazem a festa para os olhos do visitante. A paisagem é sensacional. Para os amantes da fotografia, como é o caso da minha esposa Sonia, é “pano para as mangas”. Foto abaixo.
Era um sábado e a presença de turistas impressionava. Sintra não comportava tantos. Achar um estacionamento no sitio histórico era como um prêmio de loteria. Encantados com as paisagens e com o patrimônio histórico, seguimos adiante porque aquele sábado foi dedicado a percorrer sítios históricos portugueses. Saindo de Sintra, tomamos a direção norte e fomos desbravando terras e paisagens deslumbrantes, trilhando autoestradas e vias secundárias. Paramos em aldeias remotas, travamos conversas divertidíssimas, sentimos de perto a vibração da alma portuguesa, comemos do bom e do melhor, provamos dos doces, quase sempre com muitas calorias – não existem doces portugueses sem muita gema de ovo – e certamente que, naquele dia, pecamos pela gula!
Depois de um giro no centro histórico de Santarém, chegamos, no fim da tarde, à Vila Medieval de Óbidos, situada no Distrito de Leiria, limites com Caldas da Rainha, Região Centro de Portugal. Ir à Óbidos é tal qual um mergulho na história de Portugal. Na Vila não entra carro. Deixamos o nosso num estacionamento às portas da cidadela, cercada por forte muralha e imponente portal, e empreendemos nosso passeio caminhando. Alí, cada passo dado é um novo quadro do passado. Sem percebermos fomos tomados pelo espírito medieval, reforçados por doses o licor de ginja, típico do local, oferecidos a todo instante. Nesse ambiente mágico o visitante se perde em meio a lojinhas, bares, mercearias, padarias e restaurantes típicos esquecendo-se de voltar ao século 21, tendo que voltar. Foi interessante sair desse cenário e pilotar uma máquina moderna numa autopista igualmente atual. Fotos do local, a seguir.



Retornamos a Lisboa e fomos curtir o resto do dia numa boa mesa, onde nunca falta o bom e bem preparado bacalhau à moda local. Escolhemos o bem estrelado restaurante Gambrinus e fechamos o dia de fausto modo.  É, ou não é, uma parada obrigatória?  

NOTAS: As 6 primeiras fotos foram obtidas no Google Imagens e as 3 últimas são da autoria do Blogueiro.            

sábado, 3 de outubro de 2015

Reciclando a Mente

Uma viagem, de vez em quando, faz um imenso bem à mente humana. Areja as ideias, recarrega as baterias exauridas pelo trepidar do dia-a-dia e, por fim, recicla o sujeito. Mesmo que seja uma viagem de retorno a algum lugar conhecido, há sempre algo novo a ser notado e anotado. Eu, particularmente, não posso reclamar da vida porque a trabalho, passeando ou as duas formas combinadas tenho tido boas chances de reciclar-me. E, em tempos de crise no Brasil, o alivio é ainda maior. Acabo de chegar de uma dessas reciclagens. Passei quatorze dias pela Europa, revendo coisas, pessoas e realindo um pouco de trabalho. Estive, mais precisamente em Portugal, Itália e uma entrada rápida na Suíça. O motivo foi o combinado Trabalho/Lazer.
Já andei várias vezes nessas mesmas bandas. Mas, como disse antes, há sempre algo novo a conferir.
Andando pelo Portugal de hoje é de se observar muitas mudanças. Conheci a “santa terrinha” nos dantes da ditadura de Salazar. Acompanhei a queda do dito cujo e vibrei com a revolução dos cravos. Vi de perto monumentais manifestações na passada década de 70. De um país sombrio e subdesenvolvido nossa Pátria Mãe se transformou num moderno espaço, integrado à União Europeia e com ares de desenvolvimento ascendente. Com minha esposa de banda pilotei um veículo, locado nas portas de Sacavén, em Lisboa, e saímos explorando não somente a aprazível capital lusitana, mas, também as sempre bucólicas paisagens interioranas do país, deslumbrados com a infraestrutura viária que corta os extremos da Península Ibérica, nas mais diversas direções, nos colocando em poucas horas em locais atrativos turisticamente falando ou em pequenas aldeias, nas quais somos recebidos de braços abertos pela hospitalidade nata dos lusitanos. Lembro bem que, numa dessas, fomos recebidos num café de beira de caminho por certo Senhor Antonio Oliveira, que se fez de “amigo de infância” e cumprindo honras de anfitrião da aldeia insistiu e pagou nosso cafezinho, acompanhado de um doce bem português. Buscávamos informações de como sair daquela área remota, nos arredores de Santarém (ao Norte de Lisboa). Pouco se incomodou se buscávamos informações do rumo a tomar e, por certo, achou uma novidade aparecer um casal de brasileiros perdidos naquela remota paragem. Incrível como abraçava-nos tal como se fôssemos velhos amigos. Achou minha esposa belíssima e quando, por fim, resolvemos partir, com forte sotaque português, deu-nos uma lição de vida: “O mundo precisa de amigos. Eu sou um construtor de amizades. Certamente que nunca mais nos encontraremos, mas, é bom saber que temos amigos lá longe, no Brasil. A amizade é a chave da paz”. Ficamos impressionados com aquela alma portuguesa que nos apareceu repentinamente. Quando a emoção nos “sufocou” e olhos marejaram, tomei consciência de que estávamos em Portugal. E aquilo lá é sempre assim... Coisa que não existe entre nós brasileiros. Veja a foto de Seu Antonio comigo e outra com minha esposa, a seguir. 

 
Se em Portugal a gente é, de modo geral, afável e hospitaleira o mesmo não se pode dizer dos italianos. Excetuando-se, naturalmente, os amigos que vivem por lá. A Itália recebe imensos contingentes de turistas do mundo inteiro, todo dia e toda hora. Uma cidade como Veneza que vive do turismo, está sempre dura de gente. Chega ser incômodo para quem a visita. Imagine para quem recebe. É preciso ter muita paciência. Os italianos são objetivos nas explicações e para eles qualquer turista é simplesmente mais um. Não importa a procedência. Agora, tem uma coisa: estão sempre convencidos de que oferecem as mais belas paisagens, os mais belos vestígios da formação histórica do Ocidente, uma gastronomia invejável e uma gente que sabe viver sempre no clima de “dolce vita”. Adoro sentar-me numa praça italiana e ver o ir e vir da italianada. Vide fotos a seguir.



 
Meu objetivo principal de viagem foi participar de uma Missão Empresarial, promoção do Governo de Pernambuco e patrocínio do Governo da região italiana da Lombardia, precisamente em Bérgamo, representando o setor Metal-Mecânico pernambucano. Cumprido este compromisso profissional, estiquei a estada na Itália e revisitei lugares favoritos, como Milão, Bolonha, Verona e Veneza. Tudo relativamente corrido, mas, com tempo suficiente para curtir e conferir as novidades. Sempre reciclando a mente.
Durante a semana vou tentar postar, aqui no Blog, novas impressões de viagens. Atenderei pedidos que já me fazem por antecipação. Acho bom. Pelo menos alivia as preocupações com D. Dilma, com a Lavajato, as roubalheiras, o cambio com o Euro e tudo que com essas coisas se relacionem. Boa semana a todos.  

Notas: 1.Fotos do arquivo pessoal do Blogueiro. 2. O Blogueiro viajou integrando uma Missão Empresarial de pernambucanos ligados ao Setor Metalmecânico e representando o Sindicato das Industrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE.