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sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Reféns da Polarizção
Após muitas idas e vindas, dúvidas e desencontros, tensões e rangeres de dentes, as campanhas eleitorais começam, prá valer, neste domingo,16 de agosto. Por tudo quanto assistimos, nesses dias de pré-campanha, emoções muito maiores irão rolar e a luta ferrenha pelo poder mostrará suas garras, seus perrengues e as gravidades que o processo poderá revelar ao longo da jornada. Serão, aproximadamente, sessenta dias nos quais milhões de brasileiros conviverão com um ambiente de estresse e questionamentos, pavimentando seus caminhos às urnas para escolher seus representantes na cúpula alta do Poder.Como qualquer brasileiro responsável, considero que será um momento importante para que a Democracia Nacional se confirme, bem como uma preciosa oportunidade para que a Nação reflita sobre um fenômeno que, há alguns anos, vem contaminando a vida pública nacional: a polarização política. Não sou ingênuo e sei que, naturalmente, a divergência de ideias é saudável. A História revela que, em toda sociedade democrática, existem diferentes visões sobre as dimensões sócio-políticas, sobremaneira as da economia, saúde, educação, segurança publica, política externa. E no Brasil não podia ser diferente. Contudo, no nosso caso, o problema tronou-se extremamente complexo porquanto as divergências deixaram de ser fatores que visem ao aperfeiçoamento das decisões coletivas e benéficas à Nação e passaram a ser uma luta ferrenha pelo Poder. O país está dividido em dois campos que se enxergam com crescentes desconfianças e eivados de princípios ideológicos, nem sempre bem interpretados. O debate de ideias, a rigor, desapareceu, sendo substituído por ataques, inclusive pessoais, produzindo um ambiente perverso, jogando o interesse nacional para um plano inferior e muitas vezes esquecido. Em suma, estamos reféns de uma polarização danosa e irresponsável. É desesperador notar que projetos importantes deixam de avançar simplesmente porque foram propostos pelo “outro lado”. O mérito da proposta torna-se menos importante do que a identidade de quem a apresentou.
Ora, minha gente, nenhuma democracia madura prospera dessa maneira. As grandes nações conseguem avançar justamente porque, apesar das diferenças ideológicas, preservam alguns consensos fundamentais: o respeito às instituições, à Constituição, à alternância de poder e, sobretudo, ao diálogo. Há um bom tempo, nada disso vem ocorrendo por aqui. É evidente que eleições despertam paixões. Sempre foi assim e continuará sendo. O voto envolve convicções profundas, expectativas e sonhos. Contudo, a paixão política não pode eliminar a capacidade de ouvir quem pensa diferente. O politico brasileiro precisa entender isto. A polarização que hoje se verifica no Brasil tem levado ao desperdício de oportunidades preciosas. O país não avança. A sociedade tende a empobrecer cada vez mais, a indústria definha, o dinâmico agronegócio vem perdendo competitividade, a insegurança campeia de norte a sul, a infraestrutura se deprecia e assim por diante. Não vou mostrar dados. Eles estão abertos a toda hora pelos meios de comunicação. Bem observados é fácil constatar que os índices recentes têm revelado níveis nada apreciáveis. O mais lamentável é que o Brasil possui desafios suficientemente grandes para que desperdicemos tempo alimentando antagonismos permanentes. Este país precisa de governos competentes, mas também de uma oposição responsável. Que surjam líderes capazes de convencer, e não apenas de vencer. Precisamos, sobretudo, de cidadãos dispostos a colocar o futuro do país acima das preferências partidárias. Neste início de campanha eleitoral, talvez valha a pena recordar que adversários políticos não são inimigos da Pátria. O eleitor tem o direito — e o dever — de escolher o candidato que considere mais preparado. Mas também tem a responsabilidade de rejeitar o discurso do ódio, da intolerância e da desumanização daqueles que fazem escolhas diferentes. As eleições passam. Os governantes mudam. Os partidos se renovam. A Nação, porém, permanece. E ela somente será mais forte se conseguir recuperar uma virtude que parece cada vez mais rara na vida pública brasileira: a capacidade de discordar sem destruir, debater sem ofender e construir sem dividir. Que esta campanha seja uma oportunidade para elevar o nível da discussão política. NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
PERPLEXIDADE
Busquei muito outro titulo para hoje. Nada feito. Ao contrario do que alguns pensam naturalmente que tenho acompanhado o desenrolar dos lamentáveis episódios políticos brasileiros nas últimas semanas. Por um lado a luta pelo poder caracterizada pela insana polarização partidária transvestidas pelas já batidas retóricas ideológicas. E, por outro, o envolvimento do Brasil, de modo adverso, nessa incrível Guerra Tarifária encetada pelo presidente Donald Trump dos Estados Unidos revelando, objetivamente, uma inédita movimentação comercial que ultrapassa a propalada defesa da economia norte-americana, mas, com fortíssimo teor geopolítico-econômico. Principalmente quando analisando o imbróglio com o caso brasileiro. É desanimador perceber que estamos enroscados num ambiente onde o Poder é o principal projeto de um governo ou de qualquer outro que venha se eleger. Não tenho mais idade para me iludir com promessas e mentiras eleitoreiras. Daí minha perplexidade. Entre outras coisas, procuro identificar um Projeto de Governo para o desenvolvimento socioeconômico nacional e não o encontro em parte alguma. Nem no governo de plantão ou nos discursos daqueles que aspiram ao comando. Vejo sim uma disputa de “unhas e dentes” para se aboletar na cadeira mais alta do Palácio do Planalto. Cansei dos proselitismos políticos onde só usam termos de cunhos ideológicos, muitas vezes sem saber o que dizem, quando de fato é o Poder que interessa. E a Nação está cheia de iludidos, que se contentam com Fundos Partidários e Emendas Parlamentares. Vergonhosos.
Como faz falta um líder verdadeiro, capaz de enxergar as verdadeiras necessidades nacionais. Aliás, nesses que vejo circulando, percebo que mal sabem o significado de Nação e nacionalidade. Pior é perceber claramente que usam a grife da Democracia sem, nem mesmo, saber praticá-la. A propósito disso, tem nada mais vergonhoso do que ver os três poderes da República – bases de uma verdadeira nação democrática – disputando abertamente posições de mando, cada um querendo provar que pode mais. Este não foi o Brasil prometido pelos meus ancestrais. Meu falecido pai, de modo insistente, garantia que a geração dele estava nos preparando um país de futuro feliz e farto. E eu confiava piamente. Hoje vivo em estado de perplexidade. Imagino a baita surpresa que teria meu velho se fosse possível levantar do túmulo para dar uma voltinha entre nós. Seria uma dolorosa decepção.NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.
segunda-feira, 26 de agosto de 2024
Democracia, onde estás que não te vejo?
Tem sido impossível manter o propósito de evitar a pauta de ordem politica no Blog. A dinâmica dos desmandos e as atitudes antidemocráticas que se multiplicam, ao nosso redor, conduzem a uma única saída que é a do protesto. Noutras palavras, quem cala consente! Até quando a Democracia será tratada com tanta vileza e aos olhos e ouvidos dos seus naturais defensores. Mais que isso e tristeza dolorosa é vê-la sendo usada como máscara de regimes autoritários e massacrante aqui, ali e alhures. Sexta-feira passada, amanheci lendo uma das páginas mais bem escritas, em defesa da Democracia (D maiúsculo) assinada pelo ilustre jurista pernambucano, Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, (ex-Ministro da Justiça), no Jornal do Commércio, do Recife, no qual, de modo competente, fundamentado e didático joga luzes sobre as arbitrariedades que vêm sendo cometidas pelo Superior Tribunal Federal - STF do pais, sob o titulo de Sobre os Ritos do STF e a Nossa Voz. Ao final da leitura, que bateu forte na minha consciência de cidadão republicano, decidi repercutir neste post, fugindo assim do tal proposito mencionado. Indiscutivelmente, já passa da hora de usarmos da nossa voz e do nosso poder de cidadão real defensor da Democracia e não dessa coisa do “faz de conta” que se pratica no Brasil de agora e com pretensões claras de se perpetuar. Cavalcanti alertou, com realce e que destaco, para um dos mais absurdos atos que vêm sendo corriqueiramente praticados pelos nossos ministros superiores que é o da decisão monocrática. Segundo o articulista, este é o único tribunal superior do mundo que admite esse tipo de decisão, muito embora o Art.97 da Constituição Federal reze que “somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros... poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei”. Em tom desafiador, Cavalcanti pergunta: “Por que fazem, sabendo que não podem fazer?” engrossando, assim, o coro dos que acompanham e denunciam os desmandos de um Poder que existe para preservar e fazer valer os termos da Constituição Federal. Enfim, tanto Cavalcanti, quanto qualquer cidadão que tenha noção dessas anomalias que se praticam no atual STF, há de registrar o lamentável distanciando que se cristalizam dos verdadeiros referenciais de uma sociedade democrática e com bases republicanas. Pobre Brasil! Democracia, onde está que não te vejo?
Se o “faz de conta democrático” é uma preocupação para muitos brasileiros, o que dizer da situação desesperadora que vive o povo venezuelano? Não obstante, a repercussão internacional negativa do resultado proclamado das eleições de 28 de Julho passado, o Ditador Nicolás Maduro – que garante ser um democrata – dá uma de “tô nem aí” se mantendo firme e forte no comando da nação vizinha, principalmente após a ratificação da sua “vitória” pelo Tribunal Supremo de Justiça – TSJ, ao longo da semana finda. Os protestos populares se repetem, mas, temo que percam a força inicial porquanto a opressão policial sufocante das forças do Ditador se intensifiquem, como se vê noticiada pelo mundo afora. O Brasil (!) e a Colômbia não reconheceram a vitória de Maduro e se mantêm naquela de cobrar as atas emitidas nas sessões eleitorais, a serem submetidas à uma auditoria internacional. Como visto, se trata de uma demanda radicalmente negada pelos órgãos dos poderes venezuelanos – Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) – manobrados pelo Ditador e, consequentemente, sem independência e imparcialidade. Esse rolo ainda promete. Democracia, onde estás que não te vejo?
Subindo, um pouco acima da linha do Equador, mais um Ditador dá as ordens com mão de ferro (e ferro quente!) na pequena Nicarágua. Daniel Ortega, de herói nacional no passado se tornou num dos mais sanguinários ditadores que se tem conhecimento. Ele governou na década de 1980, após uma vitoriosa revolução sandinista e desde 2007 regressou ao poder sempre sendo reeleito por votações nunca reconhecidas pelos Estados Unidos e União Europeia, além de inúmeros organismos internacionais. Em 2018, após protestos contra seu regime ditatorial, Ortega incrementou seu “arsenal” jurídico e massacrou a população resultando em mais de 300 mortos, segundo as Nações Unidas. Agora, na segunda-feira (19) passada, o Ditador, através do seu Ministério do Interior cancelou registros jurídicos de, aproximadamente, 1.500 ONGs e avisou que vai confiscar suas propriedades. Ora, esse regime está apertando e a pressão esquenta ainda mais. Segundo o UOL, foi o maior fechamento em massa de organizações que, somadas com anteriores, já chegam ao total de 5.100! Detalhe importante a destacar é que as organizações fechadas são principalmente religiosas – as mais perseguidas por Ortega – associações de caridade, desportivas, indígenas, ou as ligadas ao regime sandinista. Fiquei pasmo ao tomar conhecimento de que, entre essas cassações foram incluídos os clubes de Rotary nicaraguenses. Francamente. Ai, pergunto: Democracia, onde estás que não te vejo? NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
Foi demais
Prometi interromper meu recesso anual sempre que algo extraordinário ocorresse e provocasse um comentário do Blog. Estou, outra vez, a postos para um breve comentário sobre os últimos acontecimentos políticos no cenário nacional.
Antes, porém, uma ressalva que julgo necessária: quem me conhece de hoje ou dantes pode conferir que sempre fui um democrata por princípios, responsabilidade profissional e cumpridor dos meus deveres de cidadão. São características colecionadas pelo tempo que já vivi e através do qual recebi lições e conhecimentos morais e cívicos. Critiquei quando atentei para possíveis erros e elogiei sempre que pude. Tudo com valor, coragem e destemor. Nessa trajetória de vida e dependendo da conjuntura fui taxado das mais variadas imperfeições: desde comunista a liberal de direita, entremeadas de outras mais ou menos radicais. Por conveniência pessoal e desconfianças do ambiente reinante, nunca me filiei a qualquer partido politico, muito embora alguns insistentes convites. Caso houvesse aceitado, optaria por um com reais princípios social-democráticos. Coisa, aliás, que no Brasil nem sempre é praticado.
Em resumo, pugno sempre pelos referenciais democráticos e considero a Democracia o regime ideal de governo. (O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία (dēmokratía) ou “governo”, que foi criado a partir de δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder") no século V a.C.) Enfim, creio que nada se compara a este sistema.
Na minha ótica o Brasil ainda está longe de se dizer uma democracia consolidada. A Nação não amadureceu o entendimento do regime e, infelizmente, conserva na sua raiz cultural, de muitas camadas, os maléficos sinais de regimes ditatoriais do passado. É preciso que o povo assimile o regime, que tem por principio a componente da divergência. É preciso que entenda que divergir faz parte e é necessário para os ajustes políticos de um Estado. Que respeite a vontade da maioria. É à base salutar de uma democracia. No dia-a-dia, ter propostas à mesa do debate político é fundamental. Não aceitar essa premissa é “abrir portas” para o desentendimento e para desencadear o retrocesso político-social de uma Nação.
O que ocorreu em Brasília no domingo passado (08/01/23) foi um movimento contrário aos referenciais de qualquer regime democrático que, por princípios, comporta manifestações pacíficas e demandas de justas correções. A coisa ia correta até que manifestantes, até então pacíficos, fizessem uso de atos coercitivos, violência desmedida e exacerbados vandalismos às sedes dos três poderes do Estado Brasileiro. Naturalmente que surgem, nessas horas, narrativas díspares e contundentes, comum num ambiente de extrema polarização politica, como é o caso. Contudo, nada justifica porque contra os fatos não há argumentos. Na verdade, a democracia foi confrontada e enxovalhada de modo lastimável. O patrimônio público e particularmente o histórico nacional foi agredido e empurrado ao lixo. Entendo que analisar uma ocorrência dessa magnitude independe da posição e coloração partidária. Ser contra ou a favor do governo constituído é algo acima de qualquer cogitação nesta hora. O que constitui o fulcro da questão é a segurança nacional e a preservação do regime democrático. O que aconteceu foi demais. Para concluir, desejo que episódios dessa natureza não se repitam e que a História julgue de modo correto e honesto esta pagina dolorosa.
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
Passagem Árdua
Passados oito dias das eleições gerais, sobretudo para presidência da republica, volto a ativar meu papel de blogueiro para tecer poucos comentários a respeito da passagem árdua que se travou no passado recente.
Indiscutivelmente, pode ter sido a eleição mais disputada que já se travou no Brasil. Pelo menos no meu simples conhecimento. Verdade se diga que, de modo absoluto, nunca havia sido registrado uma disputa tão acirrada entre as correntes rotuladas de esquerdistas e direitistas e de modo tão intenso. Num clima de democracia reinante e em tempos de sociedade cibernética abriu-se uma intensa disputa eivada de desacatos, insubordinações, depreciações pessoais brutais resultando numa divisão social como nunca antes verificada. Acrescente-se ainda que, além de uma Nação dividida e perplexa, foi flagrante e preocupante a disputa institucional nas bases administrativas da República numa luta desenfreada pelo domínio do Poder. Resumo da ópera: uma intensa guerra de narrativas contraditórias desunindo o que parecia impossível desunir, numa sociedade exaurida e saturada de tanto desandar. Uma coisa, porém, é certa e jamais será negado: foi uma prova de fogo para uma democracia ainda carente de amadurecimento.
Aos que me seguem e me conhecem tenho um argumento que diz bem das minhas posições politicas: não vejo, de fato, uma verdadeira divisão entre esquerdistas e direitistas. Ao invés disso volto a enxergar a indecente e renitente luta pelo poder e por defender interesses pessoais de uma velha oligarquia – desde tempos imperiais – que tratam de garantir a acumulação da riqueza em poucas mãos e que, disfarçadamente, trata de preservar a manutenção de uma sociedade cuja base da pirâmide social é composta de pobres, “pobres de marré, marré”, que inutilmente alimentam, numa eleição como a da semana passada, o sonho de vencer na vida. Vide ilustração a seguir. Naturalmente, que os oligarcas que me refiro sequer se enquadram no alto dessa pirâmide. A esses o Imposto de Renda não aperta e suas riquezas estão bem guardadas nos bancos suiços.
Eventuais defensores dos pobres que assumem ou assumiram o Poder têm sido facilmente contaminados pela ganância da riqueza e esquecem as promessas feitas aos pobres patrícios nas enganadoras campanhas. Corruptos e mercenários se alternam no poder e nunca resolvem as deficiências sociais endêmicas e gritantes espalhados pelo “gigante pela própria natureza”.
Não alimento esperanças para os próximos quatro anos. Com eles já experimento amargas lembranças nos mais distintos níveis. Pobre Brasil!
NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens.
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Democracia é o tema
Defender a Democracia parece ser o fado da sociedade brasileira ao longo da sua História. É inegável que motivos justos não faltam em face das investidas – algumas bem sucedidas – que já levaram o país a viver ondas de intranquilidade e perspectivas incertas. Sou de uma geração pós-guerra provavelmente a mais fustigada por ameaças desse tipo. A Guerra Fria no domínio da politica internacional, as reações regionais e locais terminaram por conduzir a sociedade internacional a severas e dolorosas lições de regimes pouco desejados. Perderam-se vidas e inteligências preciosas. No Brasil foi duro viver no denominado Estado Novo (1937-45), regime ditatorial de Getúlio Vargas, na democracia disfarçada do mesmo, nos anos 50, e no período da Ditadura Militar (1964-85). Passada a fase negra e restaurada a Democracia, a partir de 1985, com a vitória de Tancredo Neves numa eleição realizada num Colégio Eleitoral, o Brasil vem esperneando na busca de equilibrar seu regime democrático a duras penas conquistado. Campanhas e lutas intermináveis se repetem até hoje e registros históricos estão postos à disposição da sociedade por meios analíticos dos mais diversos.
Agora, na perspectiva das eleições gerais (Presidente, governadores estaduais e distrital, senadores, deputados federais e estaduais), no próximo dia 2 de outubro, novamente as forças antagônicas se mobilizam e investem acirradamente, em nome da Democracia, com propostas dirigidas, em larga escala, a um universo de sociedade perplexa e alimentando esperanças de tempos melhores. Nada disso, contudo, vem sendo apontado como possibilidades nas propostas de governo dos candidatos que se cansam de repetir suas já cansadas retóricas de campanhas. Não percebem que o interesse do cidadão comum não é comungar das suas insaciáveis sedes de poder, mas sim vislumbrar possibilidades de ocupar um lugar digno num mundo acima do que habita, onde não haja famintos, desempregados, analfabetos, idosos abandonados, preconceito racial, entre outros desvalidos. Num processo social espúrio, como só ocorre, argumentos ideológicos de Politica se multiplicam com, quase sempre, inúteis e duvidosos formatos, confundindo o menos esclarecido que, lamentavelmente, forma a grande parcela do eleitorado. Para completar o voto vira moeda de troca e é comum ser posto a leilão, nas periferias e cafundós do país, onde os mais poderosos economicamente sempre pagam melhor e sufocam candidaturas promissoras e democráticas de raiz. Pior, grande parte do eleitorado termina sem saber em quem votou porque na hora da sessão eleitoral o que importa é quanto faturou vendendo seu voto. Pesquisas oportunas mostram que uma maioria expressiva já não sabe ou não se lembra do candidato ou candidata a quem deu seu voto no pleito anterior.
Resultado é que fica difícil e bem remoto pensar numa verdadeira Democracia devido à forma como o processo ocorre historicamente. Segura mais essa Brasil!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Posso falar?
E a nossa jovem democracia não escapa uma de passar por contínuas provas de fogo, muitas das quais pondo em risco a estabilidade institucional. E nessas horas recrudesce a dúvida: posso falar? Meu direito de expressão é garantido pelos princípios democráticos? Não é todo país que essa coisa se processa tranquilamente. Por aqui no Brasil não tem sido fácil.
O episódio da semana que passou foi um bom exemplo dessas duvidas. Até onde vai o direito de livre expressão garantido constitucionalmente? Tem limites claros? Quais são? A prisão de um Deputado Federal, Daniel Silveira (PSL/RJ), por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), após divulgar vídeo no qual defendeu o AI-5 (Ato Institucional Numero 5) que foi, de fato, o mais violento da ditadura militar instaurada em 1964, além de atacar ofensivamente e ameaçar ministros do Supremo Tribunal foi a razão do bafafá politico da semana. A prisão, como reza a Constituição Federal no seu Art. 5º, e § 2º, foi submetida à apreciação da Câmara Federal, isto é, pelos próprios companheiros de Parlamento, que chancelaram o ato. O estresse politico beirou os limites da tolerância nacional. Por ser Deputado Federal, senhor de suas imunidades parlamentares, teria direito de dizer e acontecer? Ué! Um representante do povo, eleito democraticamente, ser preso embora sua condição politica? E pode? A relatora do caso, deputada Magda Moffato (PSL/GO), em seu parecer foi taxativa ao afirmar “meu voto é pela preservação da eficácia proferida pelo Ministro Alexandre e confirmada pelo plenário da Corte”. Acredita a relatora que “o acusado usa o mandato como plataforma de propagação do discurso do ódio”.
Como de se esperar, muitas vozes se levantaram país afora criticando o Supremo e defendendo a liberdade de expressão e, sobretudo, a imunidade parlamentar do acusado. A Carta Magna foi compulsada e revista de norte a sul e leste a oeste. Moffato reforçou seu parecer com um solene petardo defendendo a punição, afirmando que “temos entre nós um deputado que vive a atacar a democracia e a as instituições”.
Pensando bem, do mesmo modo que “cada povo tem o governo que merece”, certamente que cada sociedade tem os representantes que merece. Parece ser o caso desse Deputado Silveira. É mais um produto das infelizes escolhas do povo carioca. O estado e a cidade do Rio de Janeiro estão pagando caro por essas insanidades. É sabido que escolhas equivocadas acontecem com muita facilidade nestas terras de Cabral. Um povo mal educado e despreparado para viver socialmente deixa-se levar facilmente por aventureiros e indivíduos de baixíssimo caráter.
Por curiosidade de Blogueiro, fui apurar as informações curriculares do Deputado Silveira e surpreendi-me com uma interminável série de atos criminosos, infalsos e, sobretudo, muito pouco republicanos e democráticos. Confessou agressões brutais a indefesos e mortes, segundo ele escudado pela Lei, enquanto policial de uma carreira, aliás, interrompida por insubordinações e desrespeito à hierarquia militar. Em outras palavras: um despreparo para exercer um mandato de representante de um povo na Câmara Federal. Como parlamentar confundiu liberdade de expressão com libertinagem de expressão.
Bom, é preciso registrar que muitos são os parlamentares que cometem esse mesmo erro. Silveira pode ter sido mais audacioso, e foi mesmo, ao não ter o cuidado na forma de se expressar e terminou “vomitando” suas ideias antidemocráticas sem um devido arredondamento como exigido pelos bons princípios sociais e democráticos. O elemento não deve ser “flor-que-se-cheire” mesmo, afinal foi também condenado pelos próprios pares e tudo leva a crer que será defenestrado do Partido.
Entrementes, uma séria dúvida paira sobre a sociedade: afinal, posso falar o que me parecer correto ou me der na telha? Será que não serei punido? Estou numa democracia ou sob uma ditadura judicial? Eis aí um duro desafio para que exerce um poder no Legislativo. A verdade é que se abriu um precedente perigoso. Que a Democracia seja sempre defendida.
domingo, 21 de junho de 2020
Dores da Democracia?
O
Coronavírus não deixa o país em paz e a politicagem corre em paralelo para
perturbar a vida da Nação que, sem um rumo desejado, se desdobra em administrar
os perrengues que se multiplicam a cada dia. Para os analistas políticos (que
não é o meu caso) não existe tédio porque a máquina de moer episódios
inusitados não para. Já aos que perdem entes queridos resta a revolta e para
os que se resguardam o crescente medo de ser contaminado. Triste quadro.
Lembro da época, não muito distante, na qual comparei o quadro político
nacional com um Trem Fantasma, com um susto a cada curva fechada. Conversando,
dias recentes, com um ilustre e politizado amigo paulista, ouvi-o defender a
tese de que o caminho para uma Democracia estável leva, normalmente, uma nação
a percorrer vias de curvas fechadas, aclives e declives abruptos. A História nos mostra bem. Para ele,
minha ideia de trem fantasma deveria ser trocada pela de Montanha Russa. Concordei, tanto para variar quanto achar que é assim mesmo. Encerramos nossa conversa com um questionamento: seria
esse atual processo político nacional, com sustos e sopapos diários,
comparáveis a um parto para o nascimento de uma real Democracia? Sem uma resposta imediata, resta-nos esperar.
A História
política brasileira vem, ao longo dos tempos, se arrastando de modo capenga
tentando chegar a um ponto de equilíbrio. Ora para direita, alternando para esquerda,
buscando o centro e assim vai levando. Foram ditaduras cruéis, democracias
disfarçadas e outras formas mal definidas. Tudo bem, que a alternância do poder
é salutar, mas carece de um embasamento emanado do povo que nem sempre ocorre. Atrelado ao jogo
político internacional, fatores exógenos exerceram influencias das mais
diversas.
Olhando por um retrovisor enxergo que desde a esquisita proclamação da
Republica até o presente, muitas curvas fechadas, subidas e descidas bruscas
foram registradas.
Sem explorar
muito as imagens que refletem lembro que desde o Estado Novo de Vargas
(1937-1945) até hoje muitas foram as emoções vividas pela República verde e
amarela. Nossa montanha russa já deu muitos sustos e a nação anda saturada de
idas (para não dizer avanços) e retrocessos frustrantes. Governos perdulários, corrupção cínica,
desprezo e desrespeito ao povo, soluções impopulares, confiscos inexplicáveis,
golpes a regimes vigentes, impedimentos de governantes, pobreza endêmica, desequilíbrios
regionais de renda, pobreza infraestrutural, entre outras inúmeras características,
formataram a História de uma nação que ironicamente é rica pela própria natureza e oferece potenciais
elásticos como candidata a lugares de destaque na sociedade
planetária.O país do futuro. Futuro que nunca chega!
Pois bem,
acredito que assim como as criaturas (humanas ou não) trazem para sua vida em
curso o traço indelével da história desenhada pelos seus antecedentes, as
nações carregam um DNA que determina sua trajetória. O Brasil que estamos
vivendo é, sem duvidas, fruto de uma construção tumultuada pela qual passamos. Naturalmente
que muitos "construtores" prometeram ou tiveram boas intenções, mas nem todos seguiram as regras de ética e
civilidade. Questão de traço cultural e dificuldade de administrar um país
continental. Contudo, por que tantas dores para fazer esse parto da Democracia?
Estariam os
brasileiros mais dispostos a viver num regime centralizado ao invés de uma
democracia? Os recentes clamores de um novo AI-5 revelam essa distorção. Saberiam
de fato o significado dessa demanda? Saberiam entender o que seja democracia? O
que falta nessa base social? Herança maldita de um passado inglório? Falha da educação
e ausência de ética e civismo coletivo? Falta de um líder de fato?
Sendo verdade o
sentido figurado do meu amigo paulista, espero que nossa tão desejada Democracia
venha, enfim, num parto natural e sem dores.
NOTA: A ilustração foi colhida no Google Imagens
domingo, 15 de setembro de 2019
Ajuste de Máquina
Ando cansado de comentar e me preocupar com o atual estado
politico do Brasil. Uma Nação dividida e com rumo sempre a definir é desanimador.
Este “ajuste de máquina” tem sido penoso. Avanços e retrocessos têm sido o mais
comum nestes dias que vivemos. Penso que sociólogos e cientistas politicas terão
chances ilimitadas para suas teses e monografias por muito tempo.
A cada semana, novos e palpitantes episódios se sucedem numa
forma interminável e tal como uma viagem num trem fantasma. Assustadores.
A semana que findou “brindou-nos” com casos bem típicos de máquina desajustadas. Primeiro Carluxo (Carlos Bolsonaro) teve o desplante de dizer que por vias democráticas o país não avançará. Algo desse tom. Por mais que queira desfazer as interpretações feitas pela sociedade e autoridades de plantão não vai ser fácil engolir a twitada do Número 2. Quem tem bom senso e quem, sobretudo, estiver na oposição não facilitará a vida do rapaz que, aliás, é parlamentar no município do Rio de Janeiro. Ele não nega a cultura autoritária familiar. Fiquemos alertas.
Por outro lado, um deputado capixaba teve o desplante de prometer gratificar com R$ 10.000,00 ao cidadão que matasse o assassino de certa senhora no município de Cariacica, interior do estado do Espirito Santo. É surpreendente para quem se trata. Um parlamentar, salvo engano do PSL. Maneira pouco apropriada de fazer justiça. Forma bem acintosa de negar a existência do poder judiciário constituído, por pior ou ineficiente que seja. Infelizmente é... Pensando bem, esse é um daqueles parlamentares que podemos classificar de “paralamentar”.
Para completar o desmantelo da semana, recebi um incrível vídeo tomado de pronunciamento da Ministra Damares, na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara Federal, no qual denuncia abusos sexuais com bebês, crianças e adolescentes, pelo país afora e notadamente na Região Norte, de deixar qualquer ser humano enojado e revoltado. Bebês de poucos dias ou meses são postos a venda para satisfazer aos instintos sexuais malignos de monstros em forma de humanos. Parecem inverossímeis. Mas, vai ver, devem acontecer. Clique em www.camara.leg.br e confira. Mas, prepare seu coração e seu estomago.
É desanimador viver estas coisas. Que Deus nos ajude no ajuste desta máquina.
Boa semana a todos e todas. A semana que findou “brindou-nos” com casos bem típicos de máquina desajustadas. Primeiro Carluxo (Carlos Bolsonaro) teve o desplante de dizer que por vias democráticas o país não avançará. Algo desse tom. Por mais que queira desfazer as interpretações feitas pela sociedade e autoridades de plantão não vai ser fácil engolir a twitada do Número 2. Quem tem bom senso e quem, sobretudo, estiver na oposição não facilitará a vida do rapaz que, aliás, é parlamentar no município do Rio de Janeiro. Ele não nega a cultura autoritária familiar. Fiquemos alertas.
Por outro lado, um deputado capixaba teve o desplante de prometer gratificar com R$ 10.000,00 ao cidadão que matasse o assassino de certa senhora no município de Cariacica, interior do estado do Espirito Santo. É surpreendente para quem se trata. Um parlamentar, salvo engano do PSL. Maneira pouco apropriada de fazer justiça. Forma bem acintosa de negar a existência do poder judiciário constituído, por pior ou ineficiente que seja. Infelizmente é... Pensando bem, esse é um daqueles parlamentares que podemos classificar de “paralamentar”.
Para completar o desmantelo da semana, recebi um incrível vídeo tomado de pronunciamento da Ministra Damares, na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara Federal, no qual denuncia abusos sexuais com bebês, crianças e adolescentes, pelo país afora e notadamente na Região Norte, de deixar qualquer ser humano enojado e revoltado. Bebês de poucos dias ou meses são postos a venda para satisfazer aos instintos sexuais malignos de monstros em forma de humanos. Parecem inverossímeis. Mas, vai ver, devem acontecer. Clique em www.camara.leg.br e confira. Mas, prepare seu coração e seu estomago.
É desanimador viver estas coisas. Que Deus nos ajude no ajuste desta máquina.
domingo, 28 de outubro de 2018
E agora, Capitão?
Presidente Jair Bolsonaro, agora que o Senhor está eleito chegou a “hora
da onça beber água”, como se diz aqui no Nordeste. Os brasileiros acabam de lhe
conferir o poder de governar o país pelos próximos quatro anos. Não se trata de
uma missão fácil, sobretudo pelas condições adversas que o Senhor está
recebendo o Governo. Sua vitória, não esqueça, foi resultante de um momento de
muita incerteza política e diante de um quadro desvanecedor. Pensando bem, o
Senhor – com sua bandeira de moralidade, ordem e progresso – é resultante
legitimo do estado de desgoverno que tivemos no passado recente. Muitos, muitos
mesmo, nunca antes imaginaram sufragar um voto a seu favor. Eu, inclusive. Porém...
(há sempre um porém!) a situação resultante das crises de vergonha, política, econômica e social não apontaram outro caminho, a não ser conferir-lhe a vantagem e
a preferência de uma Nação que fugia do quadro desesperador, devido a
políticos corruptos e irresponsáveis que traíram a vontade do povo. Observe, com
cuidado, todo este processo recente e, particularmente, o recado que as urnas
do primeiro turno lhe mandaram, abrindo grande margem para ampliação da bancada do seu
partido. Haja responsabilidade.
Não sabemos ao certo qual seu plano
de governo, mercê de uma campanha eivada de turbas e desencontros, muitas das
quais, inclusive, com grave risco de vida para
o Senhor. Mas, agora não dá mais para esperar. Está na hora de serem emitidos sinais de governança e muito
trabalho. Antes de tudo buscar unir a Nação, saturada pela anarquia da Era Petrálea. Em seguida, urge que reúna sua equipe e mostre a que veio. Distante, muito distante,
claro, das “ameaças” de prender e matar que serviram de primeiras referencias para seu discurso agressivo. E,
sobretudo, a garantia de respeito à Constituição vigente e à Democracia.
Seu partido que sai da faixa do baixo
clero, graças ao sucesso obtido nas urnas, como falei acima, precisa ter visão critica bem
apurada e poder para enfrentar uma oposição ferrenha dos derrotados e que ainda
são numerosos na Câmara e Senado Federais. Estarão seus pares preparados para
lhe dar o suporte necessário na tramitação das medidas corretivas que apresente,
entre as quais as das reformas necessárias ao Brasil que lhe entregaram?
É, Capitão, sua missão será
necessariamente hercúlea para corrigir tudo de errado que cometeram (e praticamente,
confessaram em campanha!) nesses últimos anos de (des)Governos. Um programa
compreensível e detalhado deve ser anunciado – o mais breve possível – à Nação.
E, que não se concentre em possíveis e tentadoras ações de perseguição às “bruxas”, sob pena de perder
o time da governança.
O Brasil que lhe conferiu o poder de
Chefe de Estado espera, mais do que nunca, por ações práticas, honestas e seguras.
Tudo para recuperar o Brasil e o tempo que nos roubaram. Caso contrário, se
prepare porque o tal do gigante acordou.
Boa sorte Capitão!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens
NOTA: Foto obtida no Google Imagens
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Dores da Democracia
Se
há um assunto que foi muito debatido nesta campanha política brasileira de 2018 é o da Democracia. Isto porque há, indiscutivelmente, um suposto temor geral sobre os
riscos que estamos correndo de uma ruptura do sistema, seja vencedor A ou B. Sobretudo
nesta fase do segundo turno. O candidato do PT (Fernando Haddad –
preposto de Lula, preso em Curitiba) vende a imagem de democrata, embora que alimente concreta simbiose
com todos os ditadores sul-americanos e alguns africanos e insista na tese de que o candidato
do PSL (ex-Capitão Jair Bolsonaro) seja um admirador da ditadura militar e, como tal, disposto a
retroceder aos idos de 1964.
Dividida, a sociedade entrou em estado de perplexidade embora disposta a “acertar as contas” no voto, dia 28 próximo. Isto, aliás, democraticamente! Claro, porque aqui existe o debate, as trocas de insultos, desafios e, por fim, uma eleição decidida no voto popular. Portanto, é uma real Democracia.
Dividida, a sociedade entrou em estado de perplexidade embora disposta a “acertar as contas” no voto, dia 28 próximo. Isto, aliás, democraticamente! Claro, porque aqui existe o debate, as trocas de insultos, desafios e, por fim, uma eleição decidida no voto popular. Portanto, é uma real Democracia.
Historicamente, nunca foi fácil nivelar opiniões divergentes, seja qual for a
circunstância. Se existir radicalismo num ou mais grupos litigantes a busca do
nivelamento pode produzir conflitos incontornáveis e muitas vezes irreparáveis. Por princípio democrático, prevalece sempre a tese da maioria. Teoricamente
é neste regime que se espera haja a possibilidade de se chegar a um
desejado nivelamento de opiniões em benefício do grupo social objeto da lide. Contudo, nem sempre há o desejado nivelamento.
Isto é aplicado, até mesmo, num ambiente familiar.
Em
recente debate pela TV, assisti ao então candidato à presidência da Republica,
Ciro Gomes, resumir em poucas palavras sua opinião a propósito do
sistema, afirmando que “a Democracia é
uma delicia, mas tem certos custos”. É verdade. Concordo com ele. É o que
estamos vendo neste momento brasileiro. O custo é muito alto porque provoca
dores profundas na sociedade. Com uma Democracia relativamente jovem e com o
país mergulhado numa profunda crise moral-político-econômica, a busca por um
concerto harmonioso da sociedade tem rendido um amargo processo.
À
medida que a corrida eleitoral se aproxima do fim, isto que chamo de dores da
Democracia se impõem de modo violento e um estresse coletivo sufoca cidadãos
e cidadãs mais ligados, resultando em "fraturas expostas" entre os partidos
políticos, sociedades organizadas, grupos sociais e até entre integrantes de
famílias, antes tranquilas. A incerteza do futuro, o medo e o ódio tomaram conta dos indivíduos
e até aqueles que nunca, ou pouco, se ligam em assuntos de política liberam as feras que
habitam suas peles dando vazão à discussões acaloradas, improdutivas e, sobretudo,
prejudiciais à união, aos bons hábitos e costumes e, finalmente, à Nação. Para mim que acredito piamente que nunca
haverá Ordem e Progresso, como manda nossa flâmula, se não houver células
familiares unidas e integradoras da unidade nacional é uma dor. Claro que parto do princípio que as famílias são elos que fortalecem a Nação.
No meio dessas discussões encontrei, outro dia, uma afirmação do critico e escritor português Miguel Esteves
Cardozo, muito própria para o que venho conferindo entre nós brasileiros, que
diz: “os verdadeiros democratas não são
aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que
precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos
não sei que mais. São (ao contrário) os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as
opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os
desconvencer à força.” Vejo este comportamento antidemocrático frequentemente entre nós. Mesmo entre membros de famílias, o que é mais doloroso. Ora, as eleições passam e as dores custam a ceder. Não é simples viver numa Democracia, sobretudo para quem se posiciona como dono da
verdade.
Diante disso tudo, vem uma pergunta que não cala: será que o brasileiro está preparado para viver numa genuína Democracia? Eis a
questão! Segundo o educador Anísio Teixeira, “só
existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que
prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”. Cá pra nós, é um formidável desafio para quem vier a ocupar o Palácio do Planalto. E, claro, para todo brasileiro de são juízo.
Então, coloquemos nossas cabeças em ordem para decidir
nosso destino, sabendo que a nossa arma é o voto. No próximo dia 28, vote com consciência, espantando as dores que
a Democracia lhe provoque.
NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
O ano já Começou
Mesmo em
tempo de recesso, o Blogueiro não deixa de observar as coisas que rolam no
entorno, na sociedade, na economia, na política nacional e, claro, no meio
do mundo. Dizem sempre que o ano, no Brasil, só começa depois do carnaval. E a
moçada leva a sério, o que não deixa de ser um equívoco. Este ano, porém, não foi bem assim. Já começou e começou pesado. O
julgamento do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, num Tribunal de Segunda Instância, em Porto Alegre, mobilizou a Nação de canto a
canto, num clima de expectativa sem precedentes. Tanto o julgamento quanto o
resultado, com uma condenação acachapante do réu, teve o poder de tirar todo mundo do dolce farniente deste verão. Ou seja, o ano já começou
de verdade em 24 de janeiro, dado a turbulência política reinante levando a que a
Nação se ligasse antes do habitual no “rame-rame”
costumeiro dos últimos anos. Também, pudera com um caso inédito como foi...
Tive muita vontade de interromper o recesso, mas, segurei até hoje.
Essas coisas
da atual política brasileira não acontecem por acaso. Na verdade faz parte de
um longo processo de aperfeiçoamento das relações políticas desse “continente”
que é o Brasil e que remonta desde a instalação da República. Revoluções civis,
governantes despreparados, golpes de Estado, ditaduras civil e militar, eleições democráticas,
impedimentos de mandatos são as experiências que se acumulam. Na prática, fica
claro que não se administra um país tão grande e tão cheio de disparidades
socioeconômicas, sem conflitos e dores, avanços e retrocessos. No fundo, no
fundo, é benéfico aprendizado. Um dia chegaremos ao equilíbrio. Pode ser logo ou muito
depois. Mas, pode.
Conversando,
recentemente, com um amigo do tipo que eu chamo de “lido e corrido” (cidadão com muitos quilômetros rodados mundo
afora, critico literário, cientista político refinado, apartidário, democrata e
republicano) chegamos à conclusão de que todo esse “cataclismo” político
que estamos vivenciando terá que resultar – cedo ou tarde – num aperfeiçoamento sociopolítico sonhado. É preciso sofrer para aperfeiçoar... Mesmo que
políticos indecentes e cretinos insistam atuar nas altas esferas da República um dia
poderão ser neutralizados pelos comprometidos com o povo e a Nação. Temos que
alimentar esperanças. Nessa hora, recordamos de uma afirmação atribuída a Ronald
Reagan, quando presidente dos Estados Unidos: “A política é supostamente a
segunda profissão mais antiga do mundo. Vim a perceber que tem uma semelhança
muito grande com a primeira.” Pois bem, quando deixarem de ter essa semelhança
o nosso mundo pode mudar. É difícil, sabemos, mas, esperemos que o eleitor
sendo educado e cansado de ser explorado venham distingui-los.
O que mais
dói, nisso tudo, é como essa situação de instabilidade político-econômica
consegue abalar a sociedade e as organizações, haja vista para o que se vive
no Brasil de agora. Mergulhado na maior crise da História, o brasileiro assiste
perplexo a desarrumação econômica, que se rebate de forma violenta em todas as
atividades sociais e econômicas. O estrago foi sem precedentes e justo num momento em que o resto do mundo se comporta em expansão (inflação baixa, juros tendentes a zero, crescimentos a vista entre outras variáveis) ao se recuperar da crise de 2008. O Brasil
perdeu esse trem da História. Fomos ludibriados com aquelas história de marolinha... Empresas se derretem, empregos desaparecem, mercado
perde a dinâmica e o caos se implanta. Estima-se que vamos levar uma década
para alcançar o ultimo vagão do trem que passou. Tudo por conta de uma infeliz
escolha de líderes forjados em teorias e sistemas de governo superados, apesar
de amplamente testados e abandonados por outras economias mais inteligentes e competitivas. Esse mundo
inteligente e experiente avançou e escolheu o inexorável caminho da democracia
neoliberal, enquanto alguns países despreparados politicamente, como o Brasil,
se postaram em pontos fora da curva virtuosa e hoje amarga o dissabor da
derrota social e econômica. Aqui na América Latina foi um clamor!
Curioso
ainda é como esse estrago geral abala, até mesmo, núcleos de muitas famílias
brasileiras. Não raro, as paixões políticas tomaram o lugar de outras paixões. Do futebol, por exemplo. Essas questões político-partidárias vêm eclodindo da maneira estúpida
e com mais furor e rancor, entre membros de um mesmo clã. Mesmo aqueles bem
estruturados e educados para viver em harmonia. Sei de histórias dolorosas e até
preocupantes. São fraturas desnecessárias que tendem ser levadas para o resto
das vidas, por razões sujeitas à mudanças constantes e sem futuro seguro.
Magalhães Pinto, velha “raposa” política de Minas Gerais, disse
um dia que “a política é como nuvem. Você
olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. E é mesmo! Já vi
coisas inacreditáveis. Para essas pessoas apaixonadas, por essa ou aquela
corrente política, o adequado é saber usar da inteligência, para não passar por ignorante e aprender a viver democraticamente, isto é, saber escutar e
buscar espaço para defender suas teses, sem paixões ou agressões, em nome da
paz e da concórdia. Quebrar vínculos familiares é burrice extrema, até porque uma nação se constrói com base nas Famílias. As unidas e consolidadas é óbvio.
Bom, prá terminar esta conversa de ano novo, não custa nada lembrar que viver em Democracia exige bom intelecto, bem como inteligência emocional. Isto anda faltando no Brasil e em muitos brasileiros que se acham bem formados. Conheço alguns e de muito perto.
Bom, prá terminar esta conversa de ano novo, não custa nada lembrar que viver em Democracia exige bom intelecto, bem como inteligência emocional. Isto anda faltando no Brasil e em muitos brasileiros que se acham bem formados. Conheço alguns e de muito perto.
NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens
sábado, 6 de julho de 2013
Pobre Pindorama
Esta semana foi profícua ao gerar assuntos para a pauta do
Blog. O desenrolar da crise política, agravada pelos percalços da economia
gerou uma infinidade de temas. Economia em declínio, Real se desvalorizando
frente ao Dólar, indicadores de queda na produção industrial, comércio
varejista ressentindo-se pela retração. O povo está com medo de consumir,
muitos evitando as ruas, aqui no Recife os ônibus não rodam por conta da greve
dos motoristas e cobradores, no resto do país os caminhoneiros fecham as
principais estradas, num protesto sem precedentes, com cargas retidas, produtos
perecíveis se estragando e o país parando. O governo (g minúsculo mesmo)
certamente vai evitar que se calculem os prejuízos.
Nossa “presidenta” anda tropeçando e sendo desprestigiada. O Padrinho dela já declarou na imprensa que ela é uma “teimosa”! Que coisa, meu Deus! Queimando a afilhada. Bom, teimosa ou não e com a popularidade em declínio, ela está lá de cima tentando dar as cartas do jogo de modo unilateral. Mas, difícil tem sido jogar. Mandona, acho que – paradoxalmente – sem noção precisa de democracia, ela vem apresentando propostas polêmicas e inexequíveis. Os aliados não são ouvidos, muito discordam e os opositores coitados, nem se fala. Essa história do plebiscito que ela tenta empurrar de goelabaixo no Congresso promete ser outro elemento de paralisação do país. Que vexame. Não vai ser assim que o Brasil terá sua reforma política. Observem que é o mesmo modelo adotado por Hugo Chávez. Pela “mãe do guarda”, o Brasil não merecia cair nessa, também. Esse plebiscito, se houver, não vai dar em nada. Plebiscito se faz com as opções do tipo SIM ou NÃO. Com um questionário extenso, como se sugere, nunca.
Mas, amigas e amigos, as coisas não andam ruins somente aqui. Vejam só o que ocorreu no Egito: derrubaram o governo democrático, eleito pelo povo, após décadas de tirania ditatorial. Vá entender. Aquele esforço da Primavera Árabe, iniciada no próprio Egito, parece que não valeu de nada. Ironicamente, quem assumiu o governo, dizendo ser provisório, foram os militares que estiveram salvaguardando Hosni Mubarak durante seus 30 anos de ditador. A razão do golpe? O Presidente Mohamed Morsi – o tal eleito pelo voto popular – “meteu os pés pelas mãos” e começou a mandar sem ouvir os reclamos da Nação. Ou seja, virou um novo Ditador. Povo escolado pelos anos de regime duro saiu às ruas e provocou a derrubada do sujeito. Houve nova festa na Praça Tahrir. Porém! Porém é um episodio ruim para a história da Democracia. Um golpe, uma deposição é sempre ponto negativo para a História.
É doloroso perceber como essa gente que assume o poder não entende de Democracia. D. Dilma, por exemplo, lutou contra a ditadura militar, virou guerrilheira, sequestrou gente, o escambau, pregando a Democracia e, ironicamente, fica agora, lá de cima, fazendo o povo de besta e querendo mandar sozinha. Não ouve ninguém, segundo um dos seus mais próximos assessores. Chávez em nome da democracia levou a Venezuela a uma ditadura disfarçada com ajuda, inclusive, de um plebiscito. Cristina Kirchner anda por esse caminho, também. Pobre América Latina.
Precisamos urgentemente de uma Escola de Democracia, na qual gestão pública, governança, Sociologia, ciência politica, Direito Constitucional, Antropologia, Economia, cidadania, diálogo, honestidade, patriotismo, ética, entre outras disciplinas correlatas sejam curriculares. Somente os diplomados nessa escola sonhada teriam acesso ao poder executivo. Difícil, imagino, mas precisamos instituir alguma peneira que promova uma revolução moral. Chegou a hora de se passar um rodo e fazer uma limpeza geral. Caso contrário, no cenário brasileiro, vamos continuar vendo governantes mandões, achando que podem tudo, metendo a mão no dinheiro público, corruptos condenados fora das cadeias, outros voando nas asas da FAB carregando mulher, filhos, netos, sogra (até ela!), gato, cachorro e papagaio para curtir paraísos e eventos, inclusive particulares, que ocorrem em Pindorama. Pobre Pindorama.
Nossa “presidenta” anda tropeçando e sendo desprestigiada. O Padrinho dela já declarou na imprensa que ela é uma “teimosa”! Que coisa, meu Deus! Queimando a afilhada. Bom, teimosa ou não e com a popularidade em declínio, ela está lá de cima tentando dar as cartas do jogo de modo unilateral. Mas, difícil tem sido jogar. Mandona, acho que – paradoxalmente – sem noção precisa de democracia, ela vem apresentando propostas polêmicas e inexequíveis. Os aliados não são ouvidos, muito discordam e os opositores coitados, nem se fala. Essa história do plebiscito que ela tenta empurrar de goelabaixo no Congresso promete ser outro elemento de paralisação do país. Que vexame. Não vai ser assim que o Brasil terá sua reforma política. Observem que é o mesmo modelo adotado por Hugo Chávez. Pela “mãe do guarda”, o Brasil não merecia cair nessa, também. Esse plebiscito, se houver, não vai dar em nada. Plebiscito se faz com as opções do tipo SIM ou NÃO. Com um questionário extenso, como se sugere, nunca.
Mas, amigas e amigos, as coisas não andam ruins somente aqui. Vejam só o que ocorreu no Egito: derrubaram o governo democrático, eleito pelo povo, após décadas de tirania ditatorial. Vá entender. Aquele esforço da Primavera Árabe, iniciada no próprio Egito, parece que não valeu de nada. Ironicamente, quem assumiu o governo, dizendo ser provisório, foram os militares que estiveram salvaguardando Hosni Mubarak durante seus 30 anos de ditador. A razão do golpe? O Presidente Mohamed Morsi – o tal eleito pelo voto popular – “meteu os pés pelas mãos” e começou a mandar sem ouvir os reclamos da Nação. Ou seja, virou um novo Ditador. Povo escolado pelos anos de regime duro saiu às ruas e provocou a derrubada do sujeito. Houve nova festa na Praça Tahrir. Porém! Porém é um episodio ruim para a história da Democracia. Um golpe, uma deposição é sempre ponto negativo para a História.
É doloroso perceber como essa gente que assume o poder não entende de Democracia. D. Dilma, por exemplo, lutou contra a ditadura militar, virou guerrilheira, sequestrou gente, o escambau, pregando a Democracia e, ironicamente, fica agora, lá de cima, fazendo o povo de besta e querendo mandar sozinha. Não ouve ninguém, segundo um dos seus mais próximos assessores. Chávez em nome da democracia levou a Venezuela a uma ditadura disfarçada com ajuda, inclusive, de um plebiscito. Cristina Kirchner anda por esse caminho, também. Pobre América Latina.
Precisamos urgentemente de uma Escola de Democracia, na qual gestão pública, governança, Sociologia, ciência politica, Direito Constitucional, Antropologia, Economia, cidadania, diálogo, honestidade, patriotismo, ética, entre outras disciplinas correlatas sejam curriculares. Somente os diplomados nessa escola sonhada teriam acesso ao poder executivo. Difícil, imagino, mas precisamos instituir alguma peneira que promova uma revolução moral. Chegou a hora de se passar um rodo e fazer uma limpeza geral. Caso contrário, no cenário brasileiro, vamos continuar vendo governantes mandões, achando que podem tudo, metendo a mão no dinheiro público, corruptos condenados fora das cadeias, outros voando nas asas da FAB carregando mulher, filhos, netos, sogra (até ela!), gato, cachorro e papagaio para curtir paraísos e eventos, inclusive particulares, que ocorrem em Pindorama. Pobre Pindorama.
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