sábado, 7 de março de 2015

Nova York 2015

Chegar à Nova York é sempre um prazer, ainda que gelada e coberta de neve, num final de fevereiro. Embora muitos não concordem, acho bonito ver o Central Park branco, branco  e o lago congelado. As árvores estão despidas, depois que o Outono passou e levou suas roupagens. A imagem dos troncos escuros e visíveis contrasta com o branco da neve e reflete um cenário de indiscutível beleza. Beleza sóbria em cinzento ou sépia, claro... Mas, o que seria do branco se não houvesse o preto? Acredito que para aqueles que costumam frequentar as pistas de Cooper e os gramados daquele espaço, este período do inverno se constitui numa passagem negativa do ano. By the way, este inverno de N. York tem sua beleza e a neve é responsável por ela. Um detalhe a registrar: é interessante o fato de que, ainda em fevereiro, muitas ruas e avenidas conservam a iluminação normalmente usada no período natalino brasileiro com iluminação popularmente chamada de pisca-pisca aqui em Pindorama. Pensando bem, nada mais adequado para uma época em que o Sol acorda mais tarde e logo cedo se recolhe.  Além do mais, as microlâmpadas parecem substituir folhas, flores e frutos daquelas árvores que falei acima. (Vie fotos a seguir)



Poesias à parte, vamos ao que interessa na prática. Como falei no princípio, chegar à Nova York é sempre um prazer, o que é verdade. A sensação é de que estamos chagando num lugar onde o mundo acontece. E agora, então, que passado o auge da crise econômica que eclodiu em 2008, aquela da bolha imobiliária, os americanos já começam a sentir os efeitos da retomada do crescimento. Taxas de reações positivas dão o tom da situação. A economia já cresce, os empregos idem e o FED (o Banco Central Americano) já se programa para aumentar a taxa de juros que nesses últimos anos beirou o Zero por Cento, como estimulo ao consumo. Os americanos já vão ao mercado e o “império do consumo” volta abertamente ao seu costumeiro apogeu. É incrível observar como as ruas de Nova York estão cheias de pessoas carregando enormes sacolas de compras. Muitos, por enquanto, são brasileiros! E nesse último dia do presidente (16.02), quando os preços são estrategicamente reduzidos, a coisa se revela mais avassaladora. É uma reedição do famoso Black Friday de novembro. Muitas são as lojas que anunciam “pague uma e leve duas”. Até eu, que fui sem qualquer interesse de comprar, terminei capitulando. Paguei por uma calça jeans e levei duas. Isto se repete nos mais variados estabelecimentos comerciais, com os mais distintos tipos de produtos. E olhe que os preços, comparados aos do Brasil, já são vantajosos mesmo para quem paga uma e leva somente uma. Imagine levando duas. Mais incrível ainda, foi que houve lojas, numa das quais minha esposa entrou, escolheu a mercadoria e na hora de pagar a caixa avisou: “ao comprar este artigo, a Senhora pode escolher mais duas peças iguais pelo valor de uma”. Ela não entendeu direito e ficou impressionada. Tive que repetir duas vezes e convencê-la da realidade. Difícil prá ela foi eleger as cores disponíveis: levo azul ou vermelha? Ah! Não, preta eu já escolhi antes... Coisa de “louco”. Posso garantir que foi numa loja de grife bem desejada pelas consumidoras brasileiras. Aqui, no Recife, esses mesmos produtos chegam com preços inimagináveis nas lojas de grife dos Shoppings de luxo.
Pois é, andar esses dias por N. York, para quem está antenado, dá para sentir o cheiro da retomada do crescimento de Tio Sam, das costuras políticas internacionais no “fumacê” da ONU, detectar os burburinhos causados pelo New York Times e, enfim, sentir que é dali donde a locomotiva da economia mundial parte, embora que muitos torçam a cara a este fato. Sabem de nada, inocentes... Isto, mesmo considerando que o presidente Obama não esteja com o balão de todo inflado. Ele enfrenta um Congresso de maioria opositora e tem adotado medidas que não agradam a considerável parcela da população norte-americana.
E, por falar em New York Times, é indiscutível que este respeitado jornal norte-americano tem aberto largo espaço para reportar a atual crise político-econômica brasileira. Nosso país antes – recordo os anos 2012, 13 e 14 – incensado pelos progressos alcançados e pela situação privilegiada no cenário internacional, aparece agora como sendo um fiasco econômico e um blefe sem tamanho. Com razão, porque o que estamos vivendo neste momento de crise política, corrupção endêmica e descrédito geral, não poderia ser relato de outra forma.
Duas coisas vêm deixando “agachados” e sem palavras a nós brasileiros, quando circulando ultimamente em Nova York: uma sem muita gravidade, que é a gozação que fazem quanto ao placar de 7 x 1 que tomamos dos alemães, dentro de casa, na Copa do Mundo. É uma coisa que sai no xixi, embora haja quem se sinta humilhado. A outra, bem mais grave, é quando se diz que Brasil quer dizer Corrupção. Nada me doeu mais do que isto. É impressionante como o caso do Petrolão repercute nos Estados Unidos. Com ações desvalorizadas, na bolsa de Wall Street e classificação rebaixada pelas agencias de risco, a Petrobrás é tida como o maior covil de ladrões do mundo. Ouvi alguém dizer que nunca, na história da civilização moderna, se teve notícia de tamanha roubalheira. Os montantes de devolução de dólares roubados, pelos que confessaram o roubo – aqueles das delações premiadas – escandalizam o mundo. Um taxista que nos conduziu, certa noite, a um restaurante, quando soube da nossa procedência, abriu do verbo de tal maneira que tive vontade de pedir para parar antes do destino final. O cara estava tão bem informado que me deixou mudo e perturbado. Dormi mal, naquela noite. Como quem pretende descontar uma indignação, o sujeito arrasou com a Petrobrás, com a PTrália, com a dupla Lula e Dilma, considerando-os serem dois embustes, e frisou que o Pré-Sal é uma grande mentira. Já pensou que “saia justa”? Lembrou-se dos fundos de pensão norte-americanos que acreditaram na solidez da petroleira brasileira, e terminaram perderam milhões de Dólares, “Estes, aliás, já foram à Justiça porque a coisa não pode ficar como está. Querem o dinheiro de volta” arrematou o motorista com tom irado. Paguei ligeirinho a corrida, antes que ele puxasse um revólver, e fui jantar com a família. Mas, confesso que fui desgostoso com esse meu Brasil petista indecoroso. E, para piorar, ainda mais, suportar o frio congelante que fazia, capaz de produzir a arte que a foto a seguir mostra.
Espero voltar à Nova York noutras condições. Pode demorar, porque o Brasil não vai sair fácil dessa, mas espero voltar lá.

Nota: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

2 comentários:

Edna Claudino disse...

Meu caro e admirável amigo e escritor Girley,

O pior é saber que a máxima impera: quando um faz, todos levam a culpa!!!
Não, que não tenhamos passado por isso, mas voltar a seremos classificados como ladrões dói muito, principalmente, quando nos despontávamos como o país que tinha ido além do óbvio na mineração do Petróleo.
Somos mais de 200 milhões e com certeza, a grande maioria honesta, a pesar de mal educada, e essa ausência de educação, para os desonestos, estratégica, nos faz votar mal e não sermos contundentes nas cobranças do cumprimento dos compromissos inerentes aos respectivos mandatos.
Nos resta manter a esperança e ir ao trabalho!

Abraços.

PS. Já passei sua publicação para minha filha Elissa, que no próximo dia 01/04 embarca para NY, para residir definitivamente lá, para que possa se preparar para situações similares, dentre outras que poderá passar, por ser Brasileira.

Maria Mello disse...

Gostei! Imagino como vocês se sentiram! É muita humilhação para os brasileiros de bem.
Maria Mello