Mostrando postagens com marcador Sergio Moro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sergio Moro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dando marcha à Ré

As coisas estariam bem mais tranquilas em meio a esta crise pandêmica, no seu capítulo brasileiro, se o ambiente político nacional não sofresse tantos choques convulsivos como vem ocorrendo. Foi o tema central da minha última postagem, na qual e noutras palavras o que tentei passar foi a ideia de que “unidos venceremos”. 
A convulsão de hoje (23/04/2020) abrindo a possibilidade de afastamento do Ministro Sérgio Moro era tudo que não se esperava ou desejava. O homem símbolo da limpeza moral da política nacional e indiscutível sustentáculo do Governo Bolsonaro ameaçando bater retirada da Esplanada dos Ministérios, por discordar da interferência presidencial, que ameaça demitir o Diretor-Geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, é tudo que o país não esperava. Valeixo é sabido ser braço direito do Ministro. Indiscutivelmente, uma lamentável marcha à ré na rota de moralização política do país e principal bandeira de campanha.
Desencontro Indesejado  
Ora, meu Deus, o Ministro Moro é um patrimônio moral consagrado internacionalmente. Honra o país e seguramente é o símbolo maior da reserva moral da República. Lembre-se disso Bolsonaro! Aliás, e a propósito, carta branca é Carta Branca. Esquecê-la, agora, é dar violento marcha à ré. Se apresse e engate uma marcha de força para frente.
Ainda na ressaca do tremor de ontem, quando vi, com imensa surpresa, a aproximação inesperada de Bolsonaro com os chamados partidos do Centrão sob uma alegação visível de garimpar apoio político no Congresso foi danado. Mudou de ideia, Presidente? Vai querer um Governo de Coalizão?

Para completar, e num lance mais ousado, vi o Presidente anunciar a possibilidade de “esquartejamento” do Ministério da Economia, tão bem estruturado neste Governo. Recriar o Ministério do Trabalho e confiá-lo à mesma corja sindicalista que tantos prejuízos causou à nação na era fatídica do PT é, no mínimo, vergonhoso. Nessa esteira de convulsão política  vi, pasmo também, a promessa governamental de lotear cargos menores, diga-se que não menos importantes e, sim, estratégicos, para esses partidos convidados a contribuir. Ibama e Banco do Nordeste, entre esses. É lasca!
Sinceramente, Senhor Presidente, sou seu defensor, mas, não sou cego. Vá com cuidado com essas relações perigosas que estão lhe iludindo. Para agradar a quem? O Brasil inteiro espera que o Senhor cumpra sua palavra. Sobretudo agora com a pandemia correndo solta e livre. Pobre Brasil.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 6 de maio de 2017

É de fazer chorar

Conforme falei no post da semana passada, que já não se sabe mais o que pode acontecer, nesse domínio político brasileiro, sinto-me coberto de razão. Quem pode discordar? Só uma mente insana!
A semana que termina foi simplesmente desalentadora para o brasileiro de vergonha. Libertar José Dirceu, um chefão da gang lulista, contumaz ladrão da Nação – embolsou propina até na prisão – foi, indiscutivelmente um afronte à sociedade brasileira. O trio de juízes Gilmar Mendes, Dias Tofolli e Ricardo Lewandowski, da Segunda Turma do STF, perderam a noção de respeito a um povo sofrido e, até então, crente de que existe uma Corte Suprema capaz de salvar a Pátria dessas “aves de rapina” que sobrevoam nossas cabeças. Imaginem o que vem por aí. 
O Trio de Togados acertando os ponteiros (Credito: STF)
Sinceramente, é de fazer chorar. O povo brasileiro, ao meu ver, está órfão de uma instância segura, acima de qualquer suspeita e capaz de julgar de modo imparcial os indecentes e reais culpados pelo atual flagelo nacional. Aí então, cabe procurar saber, a quem recorrer? A que Corte recorrer?
Acredito que políticos e empresários ladrões, amplamente fichados, condenados e trancafiados, devem ter chegado a este fim de semana (6 e 7 de maio de 2017) com grande tranqüilidade, visto que podem confiar naqueles que – a qualquer momento ou, ainda que de última hora –  vão livrá-los do xilindró.
É, minha gente, dá para perceber que, ninguém mais pode garantir que possamos viver num Brasil de vergonha, honesto e democrático. Aliás, observemos mais devagar que, estamos vivendo numa autentica ditadura judicial. Nunca antes na história deste país (ops!) tivemos membros do STF tão populares. Seja pelas suas posições probas ou pelos deslizes indignos resultando em efeitos negativos bem maiores do que um simples mortal brasileiro venha imaginar. Com tantos desencontros e parcialidade dos nossos juízes supremos, nenhum empreendedor brasileiro ou estrangeiro se encoraja investir no país. A insegurança jurídica aniquila a nossa economia já tão fragilizada.  
É doloroso perceber facilmente que nossos magistrados se digladiam publicamente, sem o mínimo respeito ao povo, para o qual estão, lá em cima, para servi-lo e supostamente garantir a ordem e a justiça conforme os ditames legais vigentes.
Como falei na semana passada, fica claro e mesmo evidente que temos em marcha um monstruoso desmonte da Operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro deve estar atento e prevendo o que alguns dos togados estão tramando. Vão trabalhar incessantemente por dar um xeque-mate nos “meninos” de Curitiba.  Aí, sim, teremos um verdadeiro golpe.

Pobre Brasil que começa a perder a esperança da lufada de ares saneadores e capazes de construir uma Nação verdadeira e Pátria Amada idolatrada, Salve, salve! Acordemos! Vamos às ruas denunciar essas tramoias. Sim, é de fazer chorar. 

domingo, 30 de abril de 2017

Como será o amanhã?

Tem sido muito difícil manter um espírito otimista na atual conjuntura político-econômica brasileira. Busco renovar minha confiança nos governantes de plantão – pelos quais torci – mas, as dificuldades são enormes e crescentes. É tudo “farinha do mesmo saco”. Pobre Brasil. Essa série de delações premiadas abala qualquer brasileiro de são juízo. Do jeito que vai não sobrará ninguém na Esplanada de Brasília. E aí, meu Deus, quem vai se apresentar como herói nacional ou salvador da Pátria? Temo que algum aventureiro “lance mão” do poder. Bastam os que foram escorraçados.
A Operação Lava Jato segue em frente e sem dó vem expondo a reinante bandidagem endêmica, para nos mostrar que tipo de gente mandamos, irresponsavelmente, para Brasília. A Operação, Inclusive, vem sofrendo ameaças pelos abutres políticos tradicionais. Eu não queria estar na pele de nenhum desses protagonistas do atual momento histórico do país. Imagine o que tem sido o dia-a-dia de figuras como Lula, Michel Temer, Renan, Dilma entre muitos outros atolados na lama espalhada desde Curitiba. Imagine, também, a vida do Juiz Moro.

É pessoal, parece que nosso imbróglio político não terá fim, tão cedo. O esperado “fundo do poço” ainda está longe de ser atingido. Acho que está abaixo da camada do Pré-sal. Ou seja, profundamente fundo. Quando se imagina que está perto de ser alcançado, nova sonda perfuratriz aparece com força cada vez mais descomunal.  
Esses últimos dias foram estarrecedores. Não sei mais o que pode acontecer. Cada nome que é confirmado ou os que surgem pela primeira vez derrubam por terra chefões cínicos e contumazes, verdadeiros chefes de quadrilhas de assaltantes. Estarrecedor, igualmente, são esses empresários delatores. Ao colocarem os pontos nos is esses caras mostram o impressionante cinismo da corrupção no Brasil. Provoca-me asco assistindo-os nos noticiários da TV.
Vivendo neste estado de perplexidade  coletiva, tenho uma pergunta que não cala: como será o Brasil de amanhã? Esta minha questão deve fazer sentido à medida que busquemos avaliar ex-ante no que resultará todo esse sacrifício pelo qual estamos passando. Para alguns teremos um Brasil melhor, mais honesto e mais democrático, no sentido real. Teremos uma Nação mais moralizada. Assumindo meu espírito otimista, gosto de trabalhar com essa hipótese. Contudo, dou um passo à ré, lembrando-me que muitos interesses – dos velhos e corruptos manda-chuvas políticos – serão contrariados, o que vem provocando os esforços que já desenvolvem numa operação tipo “salvar a própria pele”. E neste caso, esse Brasil sonhado pode vir com deformações indesejadas. O poder desses caras, político ou empresário corrupto, vai bem mais além do que nós, pobres mortais, imaginamos. Na Itália, os resultados da Operação Mãos Limpas (inspiração do trabalho de Sergio Moro) não chegou ao resultado esperado, Fala-se que a corrupção não foi estripada por lá. Temo que o mesmo venha ocorrer aqui no Brasil.  

Eis aí um bom tema para reflexão dos amigos e amigas que acompanham o Blog do GB. Bom feriado de 1º de Maio. Comemorem o Trabalho! É de trabalho que o Brasil precisa.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sábado, 4 de março de 2017

Boato: Prejuízo Social

O brasileiro é chegado a um boato. E, os pernambucanos são mestres nesse “oficio”. Acredito que existem pessoas que vivem bolando noticias falsas para se divertir com as reações da sociedade. Quem não se lembra do terrível boato do estouro da barragem de Tapacurá, no Grande Recife, após uma enchente devastadora na cidade, em 1975? Quem tem hoje mais ou pouco menos de 50 anos, sabe do que estou falando.  Aquilo foi um verdadeiro crime. Já foi tema de livro e de monografias nas universidades locais.
Boato de Tapacurá: População abandonando a cidade buscando se salvar em 21.07.1975
O ser humano é muito inventivo. Tanto para o bem, quanto para o mal. Os da turma do mal são muitos, geralmente são pessoas infelizes, mal resolvidos na vida e aproveitadores das oportunidades de suas espúrias imaginações. É gente que vibra ao saber que pessoas sofrem, adoecem e até morrem mercê das suas maledicências. São psicopatas que torcem sempre pelo “quanto pior, melhor”. Ou então, numa última instância, são gaiatos que brincam irresponsavelmente com o emocional coletivo.
Em tempos de internet, redes sociais e do útil e popular Whatsapp, essa coisa de boatar (inventei um verbo)  se tornou mais corriqueiro ainda. Os boateiros não estão apenas de plantão, mas, sobretudo, em permanente atividade.  Com muita freqüência espalham a morte de alguém famoso e principalmente artistas populares e famosos. Dias recentes, tenho recebido, repetidas vezes, uma mensagem anunciando uma entrevista do Juiz Sérgio Moro ao  repórter e analista político Gerson Camarotti, às 23:00h, na Globo. Tudo boato! Fui pego por essa “perua”.  Pensando bem, depois da minha ingenuidade, conclui que Moro não passaria por essa coisa. A situação é de tal modo que algumas mortes de verdade são sempre recebidas com dúvidas nos Zaps e exigem confirmações de fontes seguras. Recentemente, a morte de um famoso ator global e em pleno sucesso, por afogamento no rio São Francisco, levou algum tempo para ser considerada real. Até mesmo pela semelhança do que ocorreu no folhetim global.  
Esses dias, que antecederam ao Carnaval 2017, do Recife, não faltou quem espalhasse pelas redes sociais boatos alarmantes sobre a insegurança que reinaria, no Recife e em Olinda. O quadro anunciado era de verdadeiro terror. Ora, meu Deus, conforme as recentes ocorrências no Recife e Região Metropolitana, a coisa podia ser real. Na prática, foi uma dolorosa e prejudicial maldade. Mas, que mereceu cuidados especiais do Governo estadual. Neste caso, porém, é de se destacar que por trás dessa boataria presume-se que havia, também, uma ação política perversa a cargo de opositores, desejosos de ver “o circo pegar fogo” e buscar faturar eleitores para a próxima eleição. Não! Não estou, necessariamente, defendendo o Governo atual, mas sim, a tranqüilidade de um povo manso e amante da folia tranquila, colorida e animada. No final das contas estou pregando a paz que deve ser referencia maior de quem defende ou pretende defender a sociedade ao comandar um executivo.
O resultado dessa “guerrinha de nervos” nascida de boatos alarmantes foi que muita gente deixou de lado o carnaval e se refugiou em casa ou noutros sítios tidos como mais seguros. As estatísticas publicadas dão conta de menos gente nas ruas do Recife e de Olinda. O bom, contudo, foi constatar de que com menos gente a alegria foi mais cômoda, os foliões circularam com segurança e a policia – sem fazer greve como alardeado – deu conta do serviço. Segundo relatos, até o famoso Galo da Madrugado, no sábado do Zé Pereira, que sempre arrasta milhões de pessoas foi em menor contingente e com a mesma alegria de sempre. Muito bem, porque ganhou a cultura local e os boateiros “rasgaram as bocas” como se diz popularmente.
Conselho, para finalizar: nunca vá acreditar em qualquer loucura que se registre nas redes sociais. Espere confirmações por meios confiáveis.


NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quem não chora não mama.

Montar um Ministério após uma eleição tem sido quase sempre um problema delicado para um presidente eleito. Imagine o que seja fazer isto a “queima roupa” de uma emergência, como ocorreu recentemente aqui no Brasil. Creio que o Michel Temer deve ter passado por apuros para formar sua equipe de Governo. Primeiro devia esperar o resultado da votação no Senado para trabalhar com a certeza de que assumiria e, em seguida, administrar as manhas dos políticos e respectivos Partidos que “viabilizaram” sua ascensão, num típico estilo de “quem não chora não mama”. Fora tudo isto, o fato de que, rigorosamente, se trata de um governo transitório e, pior que isto, mergulhado num imenso buraco negro deixado pelo PT, não estimulou alguns potenciais candidatos a ministro ou outro cargo de destaque qualquer. O PSDB, por exemplo, vacilou antes de aderir.
O resultado desse açodamento é que foi montada uma equipe com alguns integrantes pouco recomendáveis. Eu soube que teve ministro convidado meia hora antes de assumir. Imagino esse sujeito dizendo: O que é isto?! Como assim? E quem disse isto? E entrou no Palácio do Planalto esbaforido e perguntando Onde estou? O que sou eu? O que foi que eu fiz? Ou algo parecido. Eita Brasil, zil,zil ! O resultado é que se formou um gabinete de nomes elogiáveis – o lado econômico, sobretudo – misturado e junto com outros, tipo “ficha suja”, citados ou envolvidos nas tramoias que estão sendo lavadas, enxaguadas e passadas na Lavanderia de Sérgio Moro. Dois Ministros já voaram nos paus. E a expectativa agora é saber quem será o próximo.
Mas, por outro lado, ao tempo que aplaudi (aplaudimos) a estratégica redução dos ministérios, assisti lamentando o retrocesso do Temer ao ceder com a recriação do Ministério da Cultura. Acho que ali ele abriu um flanco de fraqueza. Ser presidente não é ditar tudo com rigidez, é verdade. Mas, foi um ato lamentável esse retrocesso. Temer temeu uma repercussão negativa e deu, no meu ver, um “cala-boca”, sobretudo, para uma classe de produtores culturais e artistas engalanados cheios de ares e pretensos “donos” da cultura nacional, que não querem largar as tetas da Lei Rouanet. Vide fotomontagem a seguir e outra que viralizou nas redes sociais.


Desde que me entendo de gente a Cultura – setor importantíssimo da vida nacional, ressalte-se – esteve sempre conjugada com a Educação. E tem uma lógica explicita nisto porque Cultura tem tudo a ver com Educação! O MEC foi, historicamente, uma das mais importantes siglas da Administração Federal. Por que tanta estranheza e reações contrárias, quando nada impediria que as ações desta área não fossem desenvolvidas por uma Secretaria Ministerial no MEC recriado? Foi sempre assim no passado! Acho inclusive que a classe artística, a grande protestante, “deu um tiro no pé” na medida em que provocou na mídia e nas redes sociais uma avalanche de denuncias sobre as estratosféricas vantagens que recebem ou receberam do Governo, através dos instrumentos de incentivos, administrados pelo ex-Ministério em tela. Poucos foram honestos, como Antonio Fagundes que sem cerimônia fez sua critica: "Sinto-me decepcionado com alguns artistas, que mesmo sabendo das falcatruas deste governo, ainda apoia por puro interesse próprio". Ele nunca recorreu à Lei Rouanet
As cifras que foram divulgadas das concessões aos cantores e artistas globais, aos escritores e produtores teatrais de fama, escandalizaram os brasileiros. Sobretudo pelo fato de que uma imensa legião de cidadãos e cidadãs dedicados(as) às atividades culturais ficaram sem qualquer chance de “fazer parte dessa festa”. Ora, ora! É indiscutível que cantores e atores que arrastam multidões aos seus auditórios não precisam desse apoio governamental! O Fagundes é bom exemplo. Muito mais precisam aqueles que buscam, em vão, um lugar sob as luzes das ribaltas brasileiras para os quais o MinC sempre deu as costas.    
Essa turma de apaniguados de “Mamãe” Dilma e do PT chorou, chorou e ganhou. E Temer, temendo uma onda maior, cedeu. Tolice... Lamentavelmente, neste Brasil, “quem não chora não mama”. Pouco interessa a essa gente a situação de crise do país, a necessidade de reduzir a máquina e os gastos do Governo e, ao invés disso, investir maciçamente na Saúde, na Educação e na Segurança. O que eles querem é mamar.

NOTA: Fotomontagem obtida no Google Imagens


sábado, 28 de maio de 2016

Desafiante Conjuntura

Já tentei fazer esta postagem semanal por três vezes e, desconcertadamente, retrocedi. O ambiente está muito confuso para um blogueiro da minha categoria, que não segue uma periodicidade rigorosa e que faz desse tipo de comunicação, antes de qualquer coisa, um hobby, ao mesmo tempo em que mantém uma forma de se comunicar com uma pequena legião de amigos/leitores. Resulta que termino administrando uma grande dificuldade de formar pauta, nesse ambiente político-econômico tão volátil nos dias de hoje aqui no Brasil.Cai governo, entra governo, ministério novo com cara de velho, ministro corrupto flagrado com a “boca na viola” e derrubado. Delações premiadas pipocantes... Coisa de louco, meu Deus!  Apressei-me neste sábado e aí está. 
Nessas horas recordo minha finada mãe, sempre antenada nos assuntos políticos e diante da televisão acompanhando essa “safadeza geral e endêmica” que assola o país. Se viva fosse e tivesse boa cabeça diria logo “o pau tá comendo lá em Brasília” ou “a volta agora é por dentro! Escreveu, não leu, o pau comeu”. E é isto mesmo. Eu concordaria na hora.
Que o governo de D. Dilma foi, por bom tempo, inviável é uma questão indiscutível. Não havia governabilidade, prestigio internacional ou confiança da sociedade. Tudo isto num cenário caótico de estagnação econômica, inflação acelerada, taxa altíssima de desemprego atingindo mais 11 milhões de brasileiros e o escandaloso buraco cavado pela generalizada corrupção, comandada pelos cardeais do partido da “presidenta”. O final não poderia ser outro.
Ocorre, contudo, que a fila das delatores anda rápida e outros salafrários vêm sendo denunciados, pondo por terra “santos” com os pés de barro. E o barro, pela própria natureza, não resiste aos fortes jatos de um lava-a-jato. 
Sou um grande entusiasta da Operação desse Juiz Sérgio Moro que está reescrevendo a História deste Brasil velho e vilipendiado por inúmeros canalhas que o administram ao longo dos anos, num verdadeiro e continuo flagelo. Quem tem a curiosidade de ler sobre a História da República (leia, por exemplo, Guia politicamente incorreta dos presidentes da República, de Paulo Schmidt, Ed. Leya, São Paulo, 2016) e poderá conferir o que digo. Aliás, o que todo mundo diz.
Os episódios da semana que finda (entre 23 e 27.05.16) expõem os que agora mandam em Brasília termina alimentando – e com razão – a turma petista que tenta fortalecer a tese do golpe.
E é a propósito desta tese que quero falar agora: fico observando alguns defensores da ideia querendo comparar o momento atual com o golpe de 1964. Já tive, inclusive, quem me perguntasse se o que ocorre agora não teria as mesmas características daquele ano. Fui enfático em dar minha opinião afirmando que não tem nada que seja comparável. O mundo era outro e o Brasil também. As forças exógenas que influenciaram a investida militar, à época, foram concretas, com a efetiva influência política norte-americana pontificando na America do Sul, diante do caso de Cuba. Tio Sam tremia com o avanço da União Soviética na parte Latina das Américas. Era o auge da Guerra Fria e o resto da História todo mundo conhece. Hoje, a coisa é diferente! A chamada Cortina de Ferro não existe mais, foi carcomida pela ferrugem e ruiu de podre e total inviabilidade. No nosso atual caso, as razões são essencialmente internas. Um Governo saudoso das ideias sócio-comunistas dos anos 60 e 70, administrativamente incompetente não conseguiu viabilizar seu projeto, se entregou ao banditismo da corrupção, deixando escapar uma bela oportunidade que teve de se tornar um ponto de inflexão na curva da velha condução política do país.
Os tempos de hoje são outros. Os países que passaram pelas experiências populistas já deram a “volta por cima” e atualizaram suas trajetórias. Os que se atrasaram no processo estão pagando caro pelo idealismo anacrônico que alimentam. A Venezuela é o melhor dos exemplos. Já os hermanos argentinos “viraram a mesa” com Macri e no Brasil tenta-se dar uma girada de 180° para colocar o trem de “volta aos trilhos”. Não é nada fácil com tanta instabilidade econômica e política. Na verdade é traumático, até porque falta uma liderança capaz. Melhor que nunca houvéssemos passado por essa conjuntura. O processo de impeachment, no formato que ficou desenhado, bem diferente da unanimidade do de Fernando Collor, ainda vai render muitos desencontros e dissabores à Nação. No meio disso tudo, a Lavajato vai continuar, a presidente fica no “limbo” e  poder central transitório se esforça para soprar sobre o país uma lufada de esperança. Mas, o Brasil continua dividido. É inútil pensar ao contrário. Isto pode perdurar por longo tempo cobrando do povo brasileiro um preço altíssimo.
De todo modo, como já passamos por muitas outras crises às quais sobrevivemos, cabe uma pergunta: por que não sairemos desta desafiante conjuntura? Tomara que seja mesmo conjuntural e que passe logo.  


  

sexta-feira, 18 de março de 2016

Nação Perplexa



Esta postagem foi reformulada por três vezes. Cada vez que o fiz estive influenciado por novos episódios do turbulento cenário político-econômico nacional. Quase desisti porque a cada hora um novo escândalo é noticiado. De todo modo, resolvi dar minha opinião neste humilde espaço.
Os últimos fatos, sobretudo as ocorrências registradas da última quarta feira para cá (16.03.16), são de estarrecer qualquer cidadão de são juízo. Essas gravações de conversas liberadas pelo Juiz Moro são arrepiantes.  Definitivamente a situação do quadro político brasileiro chegou a um ponto de total insustentabilidade. O Estado afundou no mar de lamas da corrupção e a Nação está em deplorável orfandade. Os políticos de plantão não enxergam mais que um palmo além dos respectivos umbigos. Apenas o suficiente para proteger suas peles e se sustentar nesse “balança mas não cai” no que se transformou a república petista.
Nunca na historia deste país ouviu-se falar de tanta bandalheira, roubos e cinismo político. A repercussão dentro e fora das nossas fronteiras é das mais desastrosas e vai se projetar ao longo das próximas décadas, dado ao fato de que sair desse buraco vai custar um alto preço para os brasileiros de todas as classes e matizes políticas. Caro, particularmente, para quem governará.
No domingo passado (13.03.16), o povo foi às ruas, em volume nunca antes registrado, e clamou pela ordem e o progresso, como manda o pavilhão nacional. Já na quarta feira, após a nomeação/habeas corpus de Lula, alçado a Ministro de Estado por D. Dilma, o povo voltou de modo espontâneo para protestar e exigir a renúncia da presidente e a prisão do Lula, investigado por inúmeras improbidades. Estão nas ruas até a publicação deste post! 
Percebe-se que dificilmente Dona Dilma sairá incólume desse imbróglio no qual se meteu. E se meteu, pelo visto, conscientemente. As chances de concluir este seu segundo mandato são mínimas. As propostas de solução política que são esboçadas – Parlamentarismo, entre outras – são puros delírios de um Estado carcomido e em desespero. O processo de impeachment foi retomado com mais força e o “salvador da pátria” o ex-presidente Lula, um falso-mito mentor de toda essa barafunda, perdeu completamente a compostura e hoje está transformado num estorvo para, até mesmo, muitos dos seus antigos correligionários. É um prejuízo sem tamanho preciso. Resumindo a ópera é fácil concluir que esta aventura PTista jogou o País num tremendo desmantelo político-econômico, justo numa oportunidade em que mais se aproximou do estágio em que o elevava ao patamar das nações mais desenvolvidos. O esforço que se fez nas décadas anteriores foi por terra nesses últimos 12 anos.
Sempre ando cascavilhando notícias nacionais e internacionais.  Na semana que passou, por exemplo, deparei-me com um importante e abalizado pronunciamento que me deixa em estado de tristeza: o Brasil deverá registrar nova década perdida, avaliou Albert Fishlow, professor de relações internacionais da Universidade de Columbia (USA). “Falando do futuro, temos que lembrar que o PIB per capita do Brasil será, em 2020, igual à de 2010. Então, independentemente do que acontecer, será uma década perdida”. Isto é uma das infinitas repercussões da atual crise brasileira, no cenário internacional.
A situação se mostra mais preocupante ao enfrentarmos uma questão que não cala: Quem vai suceder este governo e dar jeito nessa bagunça? Acredito que, seja quem vier porque terá que haver alguém, vai enfrentar um colossal desafio. Para “arrumar a casa” terá que forçosamente enveredar por um caminho pouco agradável e provavelmente impopular que poderá deixá-lo, em pouco tempo, em péssimas condições políticas. Este será o alto preço que os brasileiros pagarão por não saberem escolher criteriosamente seus governantes. Haja perplexidade.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Nem todo mal traz um bem

Tenho ouvido com frequência que a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014,  foi inspirada na famosa Operação Mãos Limpas (Mani Pulite) da Itália, nos idos dos anos ’90 e destinada a apurar um grande esquema de corrupção – semelhante ao constatado no Brasil de hoje – na sequencia de outros escândalos envolvendo o Banco Ambrosiano, este misturado com a Mafia, o Banco do Vaticano e a uma Loja Maçônica, conhecida por P2. Aquilo lá foi um rolo compressor que terminou esmagando a chamada Primeira República Italiana.
Para que se faça ideia melhor, foram 2.993 mandados de prisão, 6.059 pessoas investigadas, inclusive 872 empresários, 1.978 administradores de governos locais e 438 parlamentares, entre os quais quatro ex-primeiros-ministros. Como aqui, a Itália estava metida num propinoduto sem limites, envolvendo negociações de todo e qualquer tipo de contratos do Governo. Detalhe: o início da coisa foi dado a partir de denúncias de um dissidente do Partido Comunista Italiano – PCI que abriu do verbo e revelou que a KGB havia financiado o tal PCI, com pelo menos US$ 4,0 milhões, para sustentá-lo no poder. O Partido Comunista italiano era respeitadíssimo no mundo comunista da época pela sua atuação e liderança. Também pudera, com um caixa altíssimo sustentado por Moscou. Essa denúncia foi inicialmente deixada de lado, para tranquilidade da maioria dos políticos e empresários que se locupletavam do espúrio sistema. Mas foi o próprio Partido Comunista que resolveu reagir, inclusive com respaldo da opinião pública revoltada, passando a cascavilhar o que havia sido empurrado à penumbra.
Faltaram celas nas cadeias italianas para industriais, políticos, advogados e magistrados. Uma dúzia deles cometeu o suicídio. O suicídio mais ruidoso foi o de certo multimilionário, Raul Gardini, (foto a seguir com manchete de jornal da época) empresário “bem sucedido” e muito admirado pelos italianos. Fugas cinematográficas foram registradas. Os empresários pagavam propinas polpudas aos políticos para vencer licitações de construções de ferrovias, autoestradas, edifícios públicos, estádios e na construção civil. Qualquer semelhança (com o Brasil) é pura realidade. Institutos de pesquisas italianos  garantem que o valor médio das obras públicas caiu de modo expressivo, o que seria indício da queda no superfaturamento que se praticava, antes.
Como se pode constatar, o modelo de governar italiano serviu de exemplo para a turma de ladrões brasileiros. Esse juiz Sérgio Moro deve ser um profundo conhecedor do caso italiano e por isso o refere com alguma frequência em seus escritos e declarações. Veja foto a seguir, capa de trabalho publicado em 2004.
Foi Ludwig Von Beethoven que disse uma vez: “tenho paciência e penso: todo mal traz consigo um bem”. Tomo emprestadas as palavras do virtuoso acreditando que o Brasil pode estar sendo passado a limpo com essa devassa que se faz no mundo político-empresarial do país. Estamos atolados numa crise sem precedentes. Porém, alimentemos a esperança de que dias melhores virão, embora nem tudo esteja garantido.
Segundo um amigo italiano, a Mãos Limpas fez um tremendo esforço de limpeza moral na Itália sem, contudo, resolver o problema pela base. O vírus continua bem vivo. A corrupção ainda rola solta na Republica Itálica. Nem a onda severa do Euro deu jeito. O caso mais gritante, no passado recente, tem como personagem central o ex-Primeiro Ministro Silvio Berlusconi, implicado na Operação e que astutamente se conservou, por longos anos, no Poder. “Pintou e bordou” nos vários poderes do país, sempre em beneficio próprio e engordando sua conta bancária. Um cínico.
O italiano, de modo geral, conclui hoje que a justiça do país não funciona e que a corrupção é um dos principais obstáculos para o desenvolvimento sonhado pelos italianos.
No final da Operação Mãos Limpas, os tradicionais partidos políticos sumiram, a classe empresarial sucumbiu, o setor público segue desacreditado e nunca mais o país gozou do prestigio de dantes. Prestigio calcado num lamaçal de fazer vergonha à sua História esplendorosa.
Fico então, com este exemplo, preocupado com o que virá pela frente aqui em Pindorama. Os políticos e seus partidos estão desmoralizados e as megaempresas envolvidas estão com seus lideres na cadeia. Muitas em franco declínio. Alguns em recuperação judicial. Pelo caminhar do Processo as grandes empreiteiras não terão – pelo menos por longo período – oportunidades de participar de concorrências públicas que é, digamos, o filé dos seus negócios.  Temo que novos aventureiros, inclusive estrangeiros, tomem conta da fatia. O Governo tem incontáveis projetos e obras paralisadas.  Já se fala em chineses sobrevoando o Brasil à cata de obras. Que perigo...
A maioria dos partidos políticos, principalmente o PT, o PMDB e o PSDB estão numa berlinda sem fim. E neste caso temo, também, que nos apareça um “Berlusconi” caboclo qualquer. O Brasil merece coisa melhor.  Aí, minha gente, sou forçado a considerar que nem todo mal traz um bem. Vamos torcer pelo melhor.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.


Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...