sexta-feira, 29 de maio de 2026

Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial tornou-se um dos temas centrais dos últimos tempos. Governos, empresas e universidades disputam a liderança em uma tecnologia que promete transformar profundamente a economia, a política e as relações sociais. Mas uma pergunta fundamental permanece no ar: quem controlará essa nova força? Durante décadas, o poder esteve associado ao domínio de recursos naturais, à capacidade industrial ou ao poder militar. Hoje, os dados e os algoritmos passaram a integrar essa lista. Acredito que as nações que liderarem o desenvolvimento da Inteligência Artificial poderão exercer influência econômica e estratégica sem precedentes. Ao mesmo tempo em que a IA oferece avanços extraordinários, ela também levanta preocupações legítimas. A automação poderá eliminar milhões de postos de trabalho, exigindo uma requalificação profissional em larga escala. A produção automatizada de textos, imagens e vídeos desafia a capacidade da sociedade de distinguir fatos de manipulações. É ai onde mora a maior das preocupações. Nunca foi tão fácil criar conteúdos convincentes; nunca foi tão difícil verificar sua autenticidade. Nestes tempos de eleições, o eleitor tem que estar atento e os candidatos mais ainda. Há ainda uma questão política que merece atenção: a concentração de poder tecnológico. Um pequeno grupo de grandes empresas controla parte significativa da infraestrutura digital, dos modelos de IA e dos dados utilizados para treiná-los. Isso, pode muito apontar e levantar debates sobre soberania nacional, concorrência econômica e transparência. O Brasil acompanha essa transformação em uma posição ambígua. Por um lado, possui universidades, pesquisadores e um mercado digital expressivo. Por outro, ainda enfrenta dificuldades estruturais em educação, inovação e produtividade. Vejo o grande risco do pais se tornar, como em outras situações, apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior, ampliando sua dependência tecnológica. A discussão de hoje não é apenas técnica. Trata-se de uma questão política, econômica e, quem sabe, até filosófica. A tecnologia, por si só, não é boa nem má. O que definirá seu impacto serão as regras, os valores e os interesses que orientarem sua utilização. A grande questão talvez não seja se a Inteligência Artificial mudará o mundo. Isso já está acontecendo. A pergunta é outra: a serviço de quem ocorrerá essa mudança? Mas, este debate está apenas começando. Qual sua opinião prewzdo(a) Leitor(a)?NOTA: A foto ilustração foi obtida no Google Imagens

sábado, 23 de maio de 2026

Povão Patriota

Sou católico. Diria, mesmo, que praticante. Todo dia 22 de maio tenho a devoção de render louvores à Santa Rita de Cássia, da qual sou devoto, numa Igreja localizada no centro de comércio grossista e popular no bairro de São José, no Recife. A região é antiga, de ruas estreitas e históricas, tendo como coração pulsante o Mercado de São José, uma magnifica construção, inaugurado em 1875, sendo o primeiro edifício construído em ferro no Brasil. Suas linhas arquitetônicas foram inspiradas no Mercado de Grenelle, em Paris. É uma beleza arquitetônica formidável. Mas, é assunto para outra ocasião. Como falei no inicio dirigi-me à igreja de Santa Rita, caminhando por ruas estreitas, apinhadas de gente numa animação fora do comum. Ruas cobertas de verde-amarelo, lojas, barracas e ambulantes portando a bandeira nacional em todo tipo de vestimentas, sacolas, bonés, cintos e sandálias, além de adereços dos mais variados. Animação geral. A freguesia já volta pra casa fantasiada de Brasil. Clima de Copa do Mundo. É a explicação. Todo mundo desejando o hexa, colando figurinhas no Álbum da Copa e trocando as duplicatas disponíveis. Chegar à Igreja foi quase um périplo. Não precisa dizer dos cuidados com os donos do alheio. Fui de bermudas, camiseta, boné e óculos escuros. Calçando um tênis velho. Escondido? Não! Cuidando da vida e dos meus pertences.
Não há como negar, além da devoção um grande divertimento. Gosto, por vezes, meter-me no meio do povão para sentir o latejar da Nação. E, no caso de hoje, vi um expressivo Povão Patriota. Até a alma. Aliás, sempre me entusiasmo com o sentimento nacional, que aflora na população, toda ocasião de uma Copa do Mundo. Temos uma história bonita nesse âmbito desde 1958 até o ano do Penta Campeonato em 2002. Claro que há muito oportunismo comercial, mas, não deixa de ser formidável o engajamento da população no bloco da torcida pela Canarinha, nos gramados mundo afora. É de se destacar que hastear a bandeira nacional, em casa ou sair ostentando pelas ruas, não é um hábito do brasileiro. Muito longe da admiração do norte-americano. Em Tio Sam é muito comum avistarmos a bandeira nacional tremulando em edifícios comerciais das grandes avenidas ou em simples casa de bairro. É notável o amor daquela gente ao pavilhão nacional, sempre reverenciado com respeito e muita honra. Não sei até onde vai o amor e respeito do brasileiro ao pendão auriverde da Ordem e Progresso. Duvido muito. Lembro que, outro dia, recebi um vídeo no qual flagraram três garis usando um pavilhão nacional como acumulador de lixo colhido nas ruas do Rio de Janeiro após uma manifestação do dia do Trabalho. Foi motivo de revolta para um transeunte que, apressado, instalou um bate-boca de civilidade. Os garis queriam ter razão afirmando “quem jogou a bandeira no lixo é que deve ser culpado”.
Não voltei ao mercado popular no fim desta sexta-feira mas, desconfio que muito verde/amarelo restou na bagulheira das ruas do bairro de São José. Tudo isso é a falta que faz de um cuidado com a Educação moral e cívica neste país. A meninada deve aprender de novinho a cantar o hino e a respeitar a bandeira. Senão vão terminar varrendo a bandeira na boca do lixo Acorda Brasil. Como não dá para corrigir de repente vamos, pelo menos, torcer e esperar pelo Hexa. Ah! E pedir aa intercessão de Santa Rita de Cassia ao Deus Pai, que é brasileiro, pelo sucesso da nossa seleção. Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Blusinhas ao Léu

Aplaudi pouquíssimas coisas do nosso atual Governo. Quase nada. Recordo, porém, de uma medida que olhei com simpatia intitulada, correntemente, de Taxa das Blusinhas (estabelecida para cobrança de 20% de imposto de importação nas compras até US$ 50,00), muito efetuadas através de sites tipo Shopee, Shein e AllExpress. Simpatizei não por ser contra produtos importados. Muito pelo contrário. Sou liberal e entendo que produto importado pode custarmenos face aos preços internos, ter melhor qualidade e ser capaz de induzir o processo de aperfeiçoamento da produção nacional. Além do que gerar receitas fiscais, combinado com a coibição do contrabando. Estas, aliás, foram justificativas de sustentação da Medida. A coisa não somente agradou a uma infinidade de pequenos produtores e parecia ir muito bem, dando provas de eficácia, entre as partes beneficiadas e para o próprio Governo. Prova disto, inclusive, foram os resultados de arrecadação de impostos de importação que chegaram ao montante de RS$ 9,6 Bilhões, desde agosto de 2024, quando a Medida foi adotada, até Abril recente. Terça Feira (12), porém, para surpresa de meio mundo, o Governo resolveu dar uma marcha à ré e, numa Medida Provisória (MP), determinou o fim da Taxa. Assim, “adeus viola”. Blusinhas ao Léu! Ao Congresso resta analisar o caso e, dentro de 120 dias, bater o martelo.
Ora, meu Deus, neste momento está na cara de que se trata de mais uma manobra de caráter populista do Governo petista para agradar o eleitorado freguês dos sites de produtos populares e tentar levantar os índices de popularidade que anda despencando a cada dia. Como já dito, melhor explicando minha posição, considero que a renuncia fiscal em tela pode representar coisa de menor importância, dado que, os “parcos” Bilhões de Reais que deixam de ser arrecadados, serão insignificantes diante dos resultados eleitorais projetados. Resta saber qual a opinião dos varejistas brasileiros que experimentavam mais tranquilidade na comercialização dos seus produtos, enfrentando menor concorrência, por exemplo, de produtos chineses que entram “pra valer” e na grande maioria praticando dumping no processo de comercialização. Sem esquecer que isto vale, também, para grandes redes de lojas que, com razão, montaram suas plataformas de vendas na Internet. Se as grandes podem se ressentir, imagine os pequenos produtores de confecções (blusinhas!), artigos de couro (calçados e similares), entre outros. Aqui em Pernambuco, tenho certeza, que a retirada da Medida vai atingir em cheio os produtores de confecções localizadas no chamado Polo de Confecções do Agreste (Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru) onde a atividade se constitui na base econômica regional. Tenho experiência profissional de lidar com esse ramo industrial, e no citado Polo, desde a época da abertura comercial dos anos 90, quando pude dar assistência técnica (à época dirigente da Sudene) e depois nos anos 2003-2006 (quando atuando no Governo do Estado). Sei bem das dificuldades locais e já imagino o que pensam os produtores locais e em particular as costureiras que se esmeram nos modelitos e nos acabamentos dos vestuários que produzem, querendo concorrer à altura, ou melhor, com as confecções chinesas, vistas por lá como “demodê” e mal acabadas. Desconfio que o Governo deu um “tiro no pé” porquanto, sem calcular melhor, pode estar promovendo uma onda de desemprego e falências de pequenos produtores espalhados pelo país. E desempregados não garantem votos! Não falta quem diga, Brasil afora, que O Governo Lula atuou contra o micro e pequeno empreendedor. Concordo. Vi ontem numa entrevista, prefeito de uma das cidades do Polo afirmando que no seu município (Toritama/PE) conta com 3.287 unidades de produção, muitas das quais instaladas nas próprias residências. São costureiras trabalhando dia e noite. A dinâmica é tal que, durante as noites, o que se escuta são os ruídos das máquinas de costuras e plena atividade. São essas costureiras que vão sentir a insensibilidade governante que temos no posto maior da Nação.
Em Santa Cruz do Capibaribe (Foto acima) se estima que, a cada fim de semana, 150 Mil compradores acorre ao Centro da Moda da cidade. Graças à Taxa das Blusinhas os negócios cresceram a taxa de !9,2%, em 2025, e o Estado de Pernambuco recolheu 18,5 Bilhões de Reais e ICMS. Vamos e venhamos é um valor expressivo gerado por micro e pequenos produtores que, agora, vêm seus negócios atropelados por uma insanidade do Governo Central. O que ainda restará para incrementar essa guerrinha eleitoral? E sem as blusinhas? Nota: Fotos ilustrações obtidas no Google Imagens.

sábado, 9 de maio de 2026

Uma ponte para o futuro

Como esperado 2026 vem nos brindando de episódios políticos palpitantes. O Brasil está latejando. Na expectativa de eleições gerais em outubro e, desde o maio corrente,as coisas prometem muitas emoções. O Presidente Lula promete se candidatar, embora com um prestígio bem abalado, enquanto a oposição vem mobilizando forças para, não apenas desbancá-lo, mas, sobretudo derrubar o PT da posição de mando. A situação aponta para uma campanha recheada de lances imprevisíveis. Note-se que, em tempos de Inteligência Artificial (IA) as redes sociais vão dominar as telas e sacudir a sociedade como nunca antes. Quem viver verá. Muito embora episódios palpitantes tenham sido registados nos dias recentes – derrotas politicas do Governo, corrupção expostas pelo Caso Banco Master, encontro de Lula com Trump, entre outros – um fato de relevante importância perdeu espaço de repercussão na mídia deixando o grande publico sem as devidas e atualizadas informações. Refiro-me à ratificação de inserção do Brasil no bojo do Acordo Comercial União Europeia – Mercosul.
Trata-se, a meu ver, de importante passo político-econômico para os dois blocos e projeta possibilidades de progresso e avanços tecnológicos, sobretudo para os quatro países integrantes do bloco sul-americano. Até aqui foi um longo processo, arrastado por 27 anos de muitas negociações. Recordo, inclusive, que como representante da SUDENE (à época dirigente da área de Cooperação Internacional) e do Ministério da Integração Nacional, cheguei a participar das primeiras reuniões internacionais que tratavam desse Acordo. Os representantes dos dois blocos se encontravam em debates periódicos aqui no Itamaraty, em Brasília, na busca de formatar os alicerces do Acordo. Foram momentos de grande aprendizado e de construção do que hoje se tornou realidade. Após me aposentar da SUDENE acompanhei, ao longe, o desenrolar do processo, e sinto satisfação por ver no que deu. Na prática o processo ainda depende da adesão/ratificação de vários países, a maioria integrantes da União Europeia. Entre esses a França se destaca e vem protelando a ratificação plenamente e desempenha um papel de opositor ao acordo, nos termos atuais, alegando preocupações com a concorrência agrícola dos produtos sul-americanos. Alega regras ambientais; diferenças sanitárias e regulatórias, entre outros aspectos. Contudo, o Acordo foi adiante em face da adoção, pelos europeus, de uma “vigência provisória” contemplando boa parte comercial do Acordo. Com efeito, as transações começam a vigorar, mesmo antes da ratificação completa de todos os países europeus. Como o Brasil já ratificou, desde 1º de Maio se encontra no circuito. Feito isso, cabe uma questão pertinente: afinal, o que isto significará para o Brasil? A resposta é bem clara ao apontar que o acordo, ao mesmo tempo em que poderá trazer ganhos importantes, projeta muitos riscos e desafios adiante para a classe empresarial brasileira. Primeiro haverá um aumento das exportações, sobremodo com produtos do agronegócio (carne, café, açúcar, frutas, suco de laranja, soja etc.), minerais e alguns produtos industriais. Como a União Europeia, formada por 27 países, com alto poder compra e mais de 400 Milhões de consumidores, as perspectivas são das mais promissoras. Por outro lado, os brasileiros podem se beneficiar com a redução de tarifas nas compras de máquinas, medicamentos, carros, modernos aparatos tecnológicos, produtos químicos, dentre uma infinidade de outros itens. Dureza será, por exemplo, para os empresários brasileiros saber enfrentar a concorrência europeia que exigirá investimentos em inovação, aumento da eficiência, melhoria da qualidade dos produtos e investimento em tecnologia. Temo que sem isso o Brasil fique condenado a se tornar, tão somente, o grande abastecedor agrícola dos europeus. De cara, alguns setores menos competitivos, terão que “abrir os olhos” para não perder mercado hoje consolidado. Entres estes arrisco lembrar o do automotivo, maquinas e equipamentos, químico e farmacêutico. Enfim, o Acordo que pode representar uma Ponte para o Futuro, deve ser atravessada com cautela e Inteligência, visto que representará um ponto de inflexão na trajetória econômica brasileira. Vamos esperar NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.

Um Gigante Incompetente

Diante da TV, acompanho a Copa Mundial de Futebol que rola nos gramados da América do Norte, o movimento no tabuleiro de xadrez da geopolíti...