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segunda-feira, 10 de junho de 2024

Rumos da Educação

Perdi as contas de quantas vezes atribui à falta de Educação de base do povo brasileiro pelos renitentes problemas estruturais da nossa sociedade. No âmbito politico, no trato da saúde pública, no manejo do meio ambiente, na preservação do meio urbano, na insegurança, no desrespeito ao próximo, enfim uma infinidade de aspectos que resultam numa insatisfação coletiva. É verdade que o analfabetismo vem caindo e já há registros de muitas diferenças entre os informes nas décadas recentes. Contudo, é doloroso saber, por exemplo, que a taxa do Nordeste ainda é o dobro da media nacional, muito embora uma melhoria expressiva nos últimos 12 anos, conforme dados do Censo de 2022 do IBGE. Hoje, no Brasil como um todo, apenas 7% da população é de analfabetos. Mas, no Nordeste essa taxa chega aos 14,2%. É na Região Sul onde se encontra a melhor taxa de alfabetizados, 96,5%. É doloroso tomar conhecimento de que 50 municípios brasileiros têm índices de analfabetismo iguais ou superiores a 30%. E que 48 desses estão no Nordeste. Os dois restantes são no estado de Roraima, Norte do País. Os piores registros de analfabetismo foram colhidos em Alagoas (17,7%) e no Piauí (17,2%). São dados, também, do Censo de 2022. Isto posto é duro saber, contudo, que o número de alfabetizados escondem uma realidade desanimadora visto que, nessa população dita alfabetizada, de 15 anos ou mais, o mais comum é encontrar jovens que não sabem ler e escrever a contento, não sabem redigir uma simples mensagem, nem interpretam um texto que lhe seja apresentado. Agregue-se a isto o fato de que são incapazes de dominar as mais simples das operações aritméticas. Geografia e História são coisas que passam distantes das suas imaginações. Ou seja, estamos às voltas com um sistema educacional de base falho e incapaz de preparar o cidadão do futuro de forma adequada e exigido pelo mundo em evolução galopante. Ouço muitas vezes falar em compras de equipamentos atualizados, computadores, tabletes, entre outros, a serem distribuídos com a meninada matriculada nas escolas publicas, mas, além de ficar curioso quanto ao uso devido, tenho dúvidas dos corretos destinos desses equipamentos. Mesmo porque, em última instancia, os agentes operadores dessas distribuições podem ser oriundos dessas levas de cidadãos mal formados e sem escrúpulos. É um desafio... desafiante.
Semana passada tive a oportunidade de assistir a uma conferencia proferida pelo Professor Cristovam Buarque (foto acima), de passagem pelo Recife. Considero se tratar de um dos maiores pensadores a respeito da Educação no Brasil. Idealizador do Programa da Bolsa Escola (depois transformado em Bolsa Familia) terminou fazendo história. Não foi à toa que exerceu o cargo de Ministro da Educação (primeiro governo Lula). Buarque fez, como ninguém, um resumo da situação vexatória do setor no país e, como de se esperar, arriscou algumas propostas a serem discutidas e, quem sabe, adotadas. A primeira assertiva do ex-Ministro, naquela noite, foi alertar de que o Ministério da Educação é o ministério das Universidades. De fato, esse Ministério pouco se liga na formação de base do cidadão, à medida que as responsabilidades institucionais são delegadas aos governos estaduais e municipais. Ora, meu Deus, com tantas precariedades de administração e pobreza financeira desses níveis de governos pouco se tem a se esperar. Num ambiente assim, o analfabetismo pode até ser superado, mesmo no Nordeste, mas a formação de cidadania continuará, por longo tempo, a desejar. Serão formadas levas e mais levas de analfabetos funcionais (¹). Para Cristovam Buarque o melhor caminho para solucionar este grave problema de base é federalizar o ensino básico do país. Sugeriu até mesmo a criação de um Ministério da Educação de Base. O ex-Ministro foi enfático ao cravar uma frase taxativa, e de efeito, ao afirmar que “não adianta fazer planos nacionais de educação enquanto a execução for municipal”. Buarque fechou sua conferencia no Recife detalhando uma proposta de 10 passos para viabilizar a federalização da educação de base, a saber: criar o Ministério da Educação de Base; Definir três pisos nacionais para a Educação (salario do professor/equipamentos e instalações/conteúdo programático; garantir a universalização da educação fundamental; garantir a universalização do ensino médio; ter uma Lei de responsabilidade Educacional; Jornada de 6 horas em todas as escolas do país; Criar um Cartão Escolar de acompanhamento Federal; Promover um ambiente educacional; montar um Sistema Nacional de avaliação, acompanhamento e fiscalização e, finalmente, ampliar as dotações orçamentárias da União para o setor. Não tenho duvidas de que seria uma verdadeira revolução no Setor. Mas, é preciso ser um educacionista (assim que Buarque se intitula) renitente para, nos dias de hoje, num Brasil “doente’ politicamente, pensar num nirvana desse. Vou morrer torcendo pelo sucesso desse projeto de Buarque e, enquanto isso, amargar a vida num ambiente tão dispare da atualidade mundial. (¹) Analfabetos funcionais são pessoas que mesmo sabendo ler e escrever não têm capacidade para interpretar um texto e realizar operações aritméticas. São pessoas com poucas chances de progresso e participação social a contento. NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Equivoco Lamentável

Com muita curiosidade e olhar critico de cidadão comum acompanho a tramitação, no Congresso Nacional, do Projeto de Lei PL-2.401/19, que concede aos pais ou responsáveis o direito de educar os próprios filhos no ambiente doméstico – também conhecida como homeschooling – sem que sejam obrigados a enviá-los a uma escola formalmente estabelecida. Justificativas são apontadas, mas, nem sempre convincentes. Ao menos para mim. Lembro-me, de imediato, aqueles ligadas às dificuldades econômicas da família, distanciamento constante de uma unidade educacional (famílias embarcadas, por exemplo, como aquela Família Schurmann), complicação logística de transporte domicilio-escola-domicílio ou, mesmo, principio cultural (obtuso, aliás) da família. O PL já foi aprovado, semana passada, na Câmara Federal e encaminhado ao Senado. O texto básico do PL foi aprovado por 264 deputados a favor, 144 contra e duas abstenções. O sistema é experimentado em outros países (comum nos Estados Unidos) e, segundo avaliam, com sucesso. Tenho imensas dúvidas. Minha curiosidade e critica, como referido no principio, é baseada numa trajetória profissional de logos 40 anos, sempre defendendo princípios de um sistema educacional que proporcione a formação de uma sociedade sólida, participativa e republicana. Fosse eu um representante do povo na Câmara Alta votaria contra a proposta por considerá-la uma tremenda involução e prejudicial ao desenvolvimento social do país. Num Brasil, onde são sempre encontradas brechas para praticar a insensatez e o relaxamento dos caminhos para a formação do cidadão do futuro, um projeto de Lei com esse objetivo devia ser mantido nas gavetas do esquecimento parlamentar. Esta proposta ganhou prioridade, segundo analistas da área, durante a pandemia quando milhões de estudantes, dos menores aos maiores, tiveram que se valer da forma remota de estudar. Ora, meu Deus, foi uma situação extraordinária e maléfica ao bem social global. Quando passar, tudo volta ao normal. Sabe-se hoje que muitos, milhões também, dos casos de jovens que burlavam a prática da aula on-line e sequer acompanhavam o que era oferecido pelo professor ou professora por trás da tela. Meios não faltaram para essa burla. Avaliar os conhecimentos e aplicar graus de aproveitamento tornou-se um desafio para os mestres on-line. Isto, sem falar nos casos dos profissionais de ensino que encararam a situação de modo enfadonho, desestimulantes e pouco prático, em face da cultura original.
Por outro lado, ninguém me venha dizer que seja salutar educar seu filho menor dentro de casa e sob sua reponsabilidade. Duvido da sistematização de um programa de educação doméstica capaz de formar de modo adequado uma base segura para garantir uma competência ao cidadão do futuro. Sem falar da falta que fará ao menino ou menina, das possibilidades de sociabilidade e introjeção no mundo externo no qual, em algum momento, terá que interagir. Sendo mais rigoroso e critico, arrisco dizer que a vulnerabilidade das crianças submetidas a esse fatídico regime de ensino domiciliar será propicio à prática de abusos e malefícios às crianças indefesas. Não tenho dúvidas de que se trata de um equívoco lamentável dos nossos representantes. Espero que haja idas e vindas entre Câmara-Senado-Câmara e essa proposta mofe nas gavetas do Congresso. Para encerrar, mas, por oportuno, pergunto: por que gastar tanto tempo, dinheiro e energia na discussão desse equivocado e polêmico PL e não investigar e propor aperfeiçoamento na Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que, por sinal, sofrerão cortes devido a essa impropria proposta em tela? Mais ainda: por que não discutir as possibilidades maciças de investimentos produtivos nas escolas públicas do país, dotando-as de condições eficientes e eficazes, para que tenhamos adiante uma sociedade mais digna e capaz? NOTA: Foto iustração obtida no Google Imagens.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Redes para poucos

É sabido que do seio das grandes crises surgem novos inventos, avanços tecnológicos e soluções para grandes problemas, que terminam transformando, de forma radical muitas vezes, o dia-a-dia da humanidade. Os exemplos estão registrados largamente e, na grande maioria, são saudados com entusiasmo. Excluindo, naturalmente, aqueles inventos que instrumentaram ou instrumentam confrontos bélicos pondo em risco a segurança global.
Também é sabido e vem sendo esperado amplamente que a crise sanitária provocada pela pandemia da Covid-19 vem desenrolando uma esteira de imensas mudanças na maneira de viver das sociedades. Nivelados, por baixo, continentes e países voltarão às ruas com novas roupagens e desenvolvendo novos hábitos.
Se não nas ruas, homens e mulheres, de agora para frente, vão se abrigar no recôndito dos seus lares, mais do que nunca, apoiados pela grande invenção do século 20 que é a Internet. Não é bem uma coisa nova. Mas, que colocou de vez suas estruturas à vista, isto foi novo. É dela que estamos nos valendo nesses dias de quarentena. Sem chances de deslocamentos habituais, as famílias estão descobrindo com mais clareza a importância e praticidade dessa verdadeira arma de sobrevivência inventada na década de 60 do século passado. E nasceu no seio da grande crise provocada pela Guerra Fria, travada entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, na busca da hegemonia mundial. Era um instrumento de segurança dos ianques, que tinham como objetivo guardar em extremo segredo seus arquivos estratégicos em varias instâncias e por meio eletrônico. Guardar tudo de precioso no Pentágono (Centro da Inteligência Norte-americana) seria um risco sem tamanho. Descentralizar era necessário e foi iniciado com o primeiro e-mail emitido no mundo, em 1971, direcionado aos “ramais” da Agência Central de segurança norte-americana. Passado algum tempo e em face das possibilidades do fim da Guerra Fria, que se consolidou com o colapso da União Soviética, derrubada do muro de Berlim e outros episódios adjacentes, no final daquela década, o que era “instrumental secreto” foi socializado e revolucionou as comunicações no mundo. Institutos de pesquisas norte-americanos receberam concessões de uso e os resultados práticos são hoje traduzidos pelos tantos dispositivos e aplicativos que tornam a vida global mais fácil e melhor informada.
Num artigo assinado pelo Professor J. P. Allain Teixeira (UFPE) e publicado no Diário de Pernambuco (12.5.20) encontrei uma citação que traduz com exatidão o mundo em que vivemos: “tarefas cotidianas cada vez mais são realizadas através de computadores, tablets, e smartphones em um processo de intensa redefinição das formas de experiência no tempo e no espaço”. Pura realidade. Foi a crise do Coronavírus que consolidou essa “preciosa” arma tecnológica que Teixeira chama de “quintessência do capitalismo global”. Na vigência das quarentenas, as atividades de home-office, encomendas via aplicativos (alimentos e remédios), comemorações natalícias, bodas e similares (aplicativo Zoom), homebank  e, até, divórcios e outros registros oficiais, entre inúmeras outras facilidades são executadas com um simples enter.
A fantástica Rede Mundial
Mas, como nem tudo são flores, é doloroso perceber que este instrumental de vanguarda é privilegio de poucos, mundo afora e, principalmente, em países como o Brasil, onde a pobreza tende a se alastrar devido, também e ironicamente, à mesma crise que traz esses avanços tecnológicos.
Um dos exemplos mais degradantes, no caso brasileiro, vêm sendo registrados na operação de pagamento da ajuda financeira governamental às pessoas sem emprego ou autônomos sem condições de trabalho, através da Caixa Econômica Federal. Observe, caro leitor ou leitora, que o que poderia ser resolvido com um enter, num dispositivo eletrônico qualquer, e livrar o “penitente” de uma fila desorganizada e escorchante, sem falar do risco de contribuir para a propagação do vírus, se revela impossível diante da indisponibilidade individual de um instrumental adequado ou de simplesmente não saber ler! Ocorre que muitos têm celular com o aplicativo de WhatsApp mas utiliza, tão somente, o dispositivo de voz. Pode até ser uma vantagem, mas não é suficiente. São situações como esta que expõem a cara de um país onde a educação nunca foi prioridade de fato.
O novo mundo que se aproxima
vai escancarar ainda mais essa pobreza estrutural e, no caso brasileiro, aprofundar o fosso que marca o ambiente social. Sem educação nada vai mudar. Nem a saúde, inclusive. E com esses governantes aí...
Redes sociais existem. Mas, para poucos. Que Deus acuda os que não têm onde se “balançar”.
E não duvide porque lembrando Lulu Santos: “Nada do que foi será / De novo do jeito que já foi um dia / Tudo passa, tudo sempre passará / A vida vem em ondas / Como um mar / Num indo e vindo infinito ...” 

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

 

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Plúmbeas Nuvens

Eu era bem menino quando, num certo dia de inverno, vi meu pai dizer que teríamos um dia plúmbeo. Curioso, pedi a explicação do que se tratava. Pacientemente meu pai me explicou e guardei aquilo para o resto da vida. Nuvens pesadas e cor de chumbo cobriam nosso mundo. Hoje, na minha madureza e, vez por outra, lembro-me do falecido.
Neste momento de quarentena, pandemia e crise político-social, valho-me da imagem desenhada pelo meu pai, quando percebo as dificuldades que pairam sobre o mundo e sobre o Brasil particularmente. Costumo ser sempre otimista, mas, não sou alienado. Nuvens plúmbeas, sim, pairam sobre a humanidade. É certo que mudaremos muita coisa no modus-vivendi e isto já foi tema de outros posts. Difícil é acertar nesses modos. Principalmente nas nações menos desenvolvidas e em níveis educacionais tênues. A Educação como base, sempre.
Indiscutivelmente é preocupante, o caso brasileiro, onde os sinais cinzentos projetam tempos de dificuldades sem distinguir pobres dos ricos, resultante das dificuldades das administrações locais da pandemia. Num pais de dimensões continentais como o nosso, isso não seria de estranhar.
Mercê das frágeis estruturas sociais, os brasileiros enxergam – com uma cínica surpresa – a miséria agora realçada pelas intensas luzes emitidas pela crise sanitária.  As coisas se tornaram bem mais nítidas e sem quaisquer cortinas de fumaça. Eis aí o desafio daqui pra frente. A verdade é que, historicamente, pandemias se repetem e a nação não pode esperar sentada.
Investimentos em infraestrutura social – moradias dignas, saneamento básico, assistência universal de saúde eficiente, educação de base, lições de civilidade e respeito ao próximo, emprego para a população economicamente ativa e justas remunerações, entre outras variáveis – produção dinâmica e muita vergonha e patriotismo na condução politica do país.
Nada de novo! Tudo muito batido e discutido. Principalmente nas campanhas eleitorais, embora esquecido no day after dos pleitos. Tanto pelos vencedores, quanto pelos derrotados.  
Tive uma vida profissional dedicada à promoção do desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro, na velha SUDENE, e tendo como referencial a necessidade de uma integração e equilíbrio de renda entre as regiões brasileiras. Valeu o esforço. Fiz parte de uma equipe, da qual me orgulho, composta de profissionais patriotas e incansáveis batalhadores pela sua gente. Contudo, não foi o suficiente. Ainda é forte, nas cabeças que nos governam, a ideia e que o Brasil é um “arquipélago” e que cada ilha que se vire para sobreviver ainda persiste. Exemplo do abandono no qual vivemos, são as imagens de miséria que observamos a olho nu e nas áreas mais nobres das nossas metrópoles. No Recife, uma legião de pobres fazem das calçadas suas camas e amanhecem sempre sem condições dignas de sobreviver. Para esses, principalmente, as nuvens são sempre plúmbeas.  
Família inteira dorme sempre ao relento, na Avenida Santos Dumont, Recife
 NOTA: Foto da autoria do Blogueiro.

 

sábado, 13 de julho de 2019

Evasão de Talentos

Que a atual crise político-econômica brasileira está empurrando muitos brasileiros, sobretudo jovens profissionais sem emprego, para outros países ninguém duvida. É um tema recorrente em rodas de conversa, análise socioeconômica e política. Canadá, Estados Unidos, Portugal, Austrália e Nova Zelândia são alguns dos países que estão atraindo nossos jovens talentos para exercer, na grande maioria, funções de qualificação inferior as que se prepararam aqui no Brasil. É uma triste situação que parece não ter fim.
Nem mesmo o futebol está livre dessa avalanche. Esta semana vi um comentário de analista esportivo dando conta de que clubes europeus mantêm “olheiros” pelo Brasil catando talentos nas categorias de base dos principais clubes do país e que terminam levando jovens promissores na modalidade. Estes, muitas vezes, se mudam de “mala e cuia” para algum país e chegam a mudar de cidadania, dando adeus ao Brasil. Conheci, recentemente, o caso de um garoto pernambucano, de 12 anos, que está fazendo o maior sucesso na base de clube paulista e promete ser um furor em campo. Já foi com o clube disputar torneios no exterior e é sucesso garantido. O pai já se desligou da indústria multinacional que trabalhava por longos anos e se mudou para a capital paulista com vistas a administrar a carreira do garoto. Detalhe: esse menino aos doze anos já fatura mensalmente a bagatela de R$ 32 Mil, que significa 4,5 vezes o que o pai ganhava no emprego aqui. Não preciso comentar mais nada.  
Minha reflexão, agora, gira em torno da ilimitada evasão dos jovens talentos brasileiros. Engenheiros, Advogados, Especialistas em tecnologia da informação (TI), especialistas na área da Saúde, entre outros, largam tudo e se mandam alimentando o sonho do sucesso. Seja lá de que modo. Tenho exemplos na família. Como, na maioria dos casos, são impedidos de exercer a profissão para a qual se prepararam por aqui e terminam exercendo funções de segunda categoria nos mercados locais do exterior. Aliás, vejo nisto uma forte mudança de cultura dos brasileiros. Ao contrário do que se observava no passado, a turminha de hoje visa, acima de tudo, o dinheiro no bolso. Ter renda é o que importa. E seguramente acontece. No exterior, ficam livres dos rigores culturais que obrigam a pessoa seguir rigidamente o ritual de ser profissional qualificado e conforme sua formação. Livres dessas amarras os jovens profissionais brasileiros que fogem da crise tupiniquim estão sendo balconistas de lojas ou lanchonetes, garçons ou garçonetes, Ubers, pedreiros, jardineiros, faxineiros, babás, entre outras atividades. Terminam ganhando muito mais do que se estivessem por aqui. Faturam em dólar e por hora trabalhada. Alguns conseguem sustentar familiares que deixaram por aqui. A autoestima do brasileiro está sendo corroída, o amor à Pátria se desintegra cada vez mais e os governantes não percebem. Ao invés disso só pensam em se manter no poder a qualquer custo, inclusive roubando cinicamente. 
Cabe, então, a dura pergunta: e o futuro do Brasil?  Como preparar uma força de trabalho qualificada e adequada aos tempos que virão? É doloroso ver os baixos investimentos do Governo em atividades geradoras de empregos e nas atividades básicas como a Educação, a Segurança e a Saúde.  Aliás, é a falta de sustentação deste fundamental tripé social que os evadidos justificam, também, suas fugas. Há uma imensa insatisfação, na verdade medo dos brasileiros jovens que vivem no exterior. Na Austrália, onde tenho dois filhos, ouvi isto com constância. A insegurança do Brasil apavora os que vivem em ambiente seguro e livre de assaltos, balas perdidas, crimes de toda espécie e instabilidade política e jurídica.
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html)
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html)
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html
Resumo da ópera: o País do futuro, que me prometeram no passado, perdeu o bonde da história devido às irresponsabilidades dos governantes. O futuro virou pretérito. 

NOTE: A ilustração foi obtida no Google Imagens

domingo, 26 de maio de 2019

No outro Lado do mundo


Opera de Sydney - Cartão Postal da Austrália
É bem comum escutarmos que a Austrália é um Brasil que deu certo. Para quem observa à distância ou passa em programa de turismo comum pode mesmo parecer verdade. Porém, de perto, como observo com relativa frequência, esta ideia pode ser bem diferente. Não é fácil fazer esta avaliação. Num primeiro instante, a sensação de um mundo luminoso, praias paradisíacas, povo descontraído, vegetação colorida e luxuriante, fauna especial, entre outros atrativos contagiam o visitante, principalmente se brasileiro. Para este, então, parece ser um mundo, digamos que, familiar. Já senti um pouco disto. Por razões particulares sou um visitante frequente deste belo país austral e sempre procuro conferir essa possível semelhança. É o que faço neste momento.
Ando em Sydney, mais uma vez e, portanto, no outro lado do planeta. Enquanto aqui é dia, na outra banda é noite. Visito familiares aqui residentes, razão da relativa frequência que falei acima.


Folha do Outono
É outono no hemisfério Sul. Perambulo pelas ruas da cidade pisando nos tapetes de folhas secas, característica da época, coisa que raramente me ocorre no Brasil. Sydney está à altura do Paralelo 33. As árvores vestem tons laranja-avermelhados dando um tom bem cartão-postal, na visão de um nordestino brasileiro. E isto poderia ser, de cara, uma diferença. Mas, não é por aí que quero chegar, até porque, o Outono é bem definido pelo sul brasileiro.
Observando mais acuradamente, fica fácil de enxergar o porquê deste sucesso australiano e o que o difere do Brasil. Falo de um país jovem, com pouco mais de 250 anos, cuja colonização britânica já chegou com o que havia de moderno à época. Depois disto, as coisas deram tão certas a partir da provável austeridade e seriedade dos governantes, além do extraordinário nível de desenvolvimento educacional do cidadão comum que se formou. Muito diferente do Brasil escravagista e de domínio de minorias que faziam questão de manter a ignorância do povo. Como tantas vezes defendi neste espaço, a Educação sempre confere progresso e desenvolvimento. É notável, por aqui, a forma de convivência desta gente. Os exemplos são vistos a toda hora e em todas as esquinas. No transito, nas prestações de serviços e nas mais simples formas de relacionamento humano. Pode haver exceções, claro. E acontece. Mas, são exceções. O respeito ao próximo e à propriedade privada chega a ser comovente para quem, como eu, vem de uma sociedade corrompida e escrachada, onde impera a desonestidade desde quem governa ao cidadão comum. Aqui, não se ouve falar em corrupção, assaltos, homicídios ou feminicídios como em Pindorama. Os pequenos comerciantes expõem suas mercadorias de modo ostensivo e fora propriamente do estabelecimento, na certeza de que o interessado vai entrar e efetuar o pagamento do produto que pretenda levar. “Desculpe”, “com licença” e “por favor” são as locuções mais comuns do dia-a-dia.
Há costumes que registro como exemplos notáveis: o cliente de supermercado ou loja comum tem sempre que pagar pela mais simples embalagem que precise para levar as mercadorias que compre. O Planeta agradece! Outro exemplo é o de uso do carrinho para coletar os produtos nas gôndolas do supermercado que, para serem usados, tem de ser mediante o depósito de uma moeda de 1 ou 2 Dólares Australianos. Com esses mesmos carrinhos as compras podem ser levadas até a porta de casa, caso o freguês esteja sem seu veículo particular. Como nem sempre o cliente está disposto a devolver o carrinho de compras ao estabelecimento comercial, carrinhos se acumulam estacionados nas ruas. E neles as moedas que foram postas para liberar num espécie de catraca em cada carrinho. Aquele que resolve levar de volta os carrinhos pode fazer uma boa coleta de Dólares Australianos. No Recife, canso de ver pedintes que roubam carrinhos para carregar seus "patrimônios". Há supermercados cujos carrinhos já são barrados de sair do estabelecimento evitando os furtos frequentes.
Carrinhos, na nossa rua, estacionados esperando um voluntário para recolher ao
estabelecimento proprietário. No Brasil cairia nas mãos de um novo "proprietário".
São pequenos detalhes que lembro agora. Com mais tempo posso anotar outros mais e registrar por aqui. 
Há razões, portanto, para o que dizem os que comparam o Brasil com a Austrália. E, ao meu ver, o X da questão está na Educação. Coisa que é sempre posta à margem na Terra de Cabral.  


NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Lições de uma Campanha

Indiscutivelmente a recente campanha eleitoral no Brasil, embora muito tumultuada pela polarização exacerbada que a caracterizou, proporcionou uma série de boas lições de como se vivenciar uma Democracia. Choros e rangeres de dentes, ofensas e desafios, brigas, agressões  mortais e tudo que se pode imaginar foi posto em prática pelos contendores. No final, o eleitor, através do voto popular “bateu o martelo” e fechou a questão. Bom, são coisas somente possíveis num regime democrático. Posso deparar-me com quem discorde, mas, aos fatos ninguém pode se opor.
A campanha, além de pouco propositiva, foi provocativa e, de certo modo, traumática para boa parcela da sociedade. Um efervescente caldo de acirrados debates entornou sobre as famílias brasileiras, devido aos inúmeros fatores estruturais negativos e como ocorre em qualquer república séria. Lembro de imediato o profundo descrédito da classe política, a corrupção desenfreada, a falta de humildade e vergonha dos recentes governantes em reconhecer seus erros e os consequentes e nocivos rebatimentos sobre a população, obrigada a amargar uma recessão econômica sem precedentes, um altíssimo nível de desemprego, uma crescimento acelerado da camada marginal da sociedade, a insegurança e a falta de devidos cuidados com as áreas básicas de Saúde e Educação. São fatores mais do que relevantes. O país “pegou fogo” em meio a um debate insano e descontrolado. Acho que o rescaldo desse incêndio, por certo, vai exigir tempo e muita habilidade política dos futuros governantes. 
Afora estes aspectos já descritos, ganhou força, em meio aos debates, a verdadeira guerra cultural travada entre as forças mais conservadoras versus as que se denominam de progressistas, quanto aos costumes morais e novas formas de vida social. Debateu-se e seguramente continuará sendo debatido aquilo que projeta ser um verdadeiro ponto de inflexão nas formas e arranjos familiares, considerado por muitos como sendo inexoráveis. Querendo ser imparcial, confesso ser favorável à livre escolha dos cidadãos e cidadãs pelos seus modos de vida privada. Mas, por favor, sejam respeitadores para serem respeitados, dignos e conscientes das suas escolhas. Sim, porque há os que não têm essa necessária segurança e, por isso, não se portam dignamente.
Mas, tem uma coisa: fica difícil aderir às mudanças abruptas pregadas por indevidas cartilhas, de referencias supostamente socialistas, editadas no Brasil recente, impondo às crianças e adolescentes, em idade escolar e nas próprias escolas, uma tal de ideologia de gênero. Sinceramente, é inadmissível tamanha agressão às nossas crianças e jovens adolescentes. Conheço e já estive e convivi em países socialdemocratas, socialistas e, inclusive, alguns de regime comunista, sem perceber sinais desse tipo de agressão às crianças e jovens. Pelo contrário, observei foi muito respeito social ao próximo, escolas de cidadania e mentoras de respeito aos valores de famílias. Posso estar enganado, é claro. Mas, estou certo de que não pode ser tão estúpido quanto impuseram, recentemente, por aqui.
No meio disso tudo, algumas perguntas são inevitáveis: quem quer ser homossexual precisa de escola? Quem quer se prostituir precisa de ter orientações na idade escolar? Existem escolas de corruptos? Quem não tem respeito à família foi orientado para isto?
Nada disso! A vida leva o individuo a um desses rumos sem que precise de cartilhas ou ensinamentos específicos. Aliás, para o bem ou para o mal, não há melhor escola do que a escola da vida. Agora, Educação é fundamental para tudo. A pessoa precisa ter uma boa formação escolar e de cidadania para enfrentar os desafios impostos pela convivência social. Gay, prostituta ou qualquer outra forma de vida é preciso saber ser.
E, por falar em Educação, lembro também da interpretação equivocada dos recentes governantes ao querer adotar a proposta de Escola Politizada de Paulo Freire. Ora, meu Deus,  mestre Freire defendeu sua ideia, mas, não à base de politização partidária como passou a ser empregada por aqui. A proposta original, e correta, parte do principio de que sendo o Homem um ser politico – na sua essência de ser racional – nada mais lógico do que orientá-lo, desde a escola primária, com lições de cidadania, urbanidade e sociabilização. E isto é politizar! Freire criticava os padrões tradicionais de ensino consistindo num currículo padrão, na falta de diálogo e com o professor sendo sempre, e somente ele, o dono da verdade. Mas, a coisa foi interpretada de modo inadequado e equivocada, como falei acima. Ao invés de seguir as lições do Mestre houve, sim, uma intensa formação de militância partidária e impositiva prejudicando o progresso da Democracia brasileira. Na verdade, houve um aparelhamento das escolas e universidades para um grupo que visava tão somente à manutenção do poder a todo custo, em detrimento do futuro da Nação. É uma pena que no Brasil a Educação seja tão deturpada e negligenciada.
Bom, tudo isto contribuiu para formatar inesquecíveis lições de uma Campanha Politica carregada de desencontros e fortemente polarizada. Como dizem popularmente que Deus é brasileiro, vamos aguardar o que Ele nos reservou.


NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Verdadeiro Plebiscito

O caráter plebiscitário que a eleição da próxima semana assumiu é, além de lamentável, preocupante quanto ao destino que o país vai tomar. Minha impressão é de que qualquer um dos dois representantes finais, no segundo turno, que vença enfrentará o gigantesco desafio de governar e manter a governabilidade. Prevejo um período de extremas dificuldades para o país. Isto porque as ideologias que sustentam cada um das candidaturas finalistas serão exploradas e defendidas ao extremo, levando a quem conquiste a vitória se concentrar mais na defesa dessas referências partidárias do que pensar num Brasil carente de ações objetivas nos inúmeros setores, hoje abandonados pela inépcia dos governos recentes. O país além de dividido sociopoliticamente - entre esquerda e direita - estancou numa encruzilhada transtornante, sem que visualize um destino seguro e capaz de proporcionar dias de paz e prosperidade como a Nação aspira.
As propostas de governo, esboçadas até agora, são na verdade retóricas mal arranjadas pelos candidatos e, na prática, desprovidas de argumentos convincentes e compatíveis com o quadro caótico amplamente diagnosticado. Algumas refletem claros sinais de ignorância da verdadeira situação. Pensando bem, são discursos de muita "pirotecnia" jogados ao léu tentando iludir o eleitorado cada vez mais  perplexo e saturado com tantas imoralidades, antes cometidas principalmente  pelos próprios postulantes aos cargos eletivos.
Impressiona-me o fato de não enxergar, com clareza e explicitamente projetadas, propostas que tratem de temas fundamentais como a  segurança jurídica para o cidadão comum e para o investidor privado; melhoria e modernização da máquina do estado; propostas de investimentos maciços, objetivos e seguros para a educação, saúde e segurança públicas; geração de empregos; referenciais para regulamentação honesta, racional e segura de exploração dos  recursos naturais e proteção ao meio ambiente; tributação justa e de padrões mundiais; melhorias substanciais da obsoleta infraestrutura nos diferentes modais e, por fim, incentivos e financiamentos corretos para o investidor privado, principalmente os micro e pequenos. São os exemplos que me ocorrem no momento e que considero coisas do tipo "primeiros socorros". E, naturalmente, as urgentes reformas previdenciária, política e tributária, sem as quais nada será viabilizado. Observe-se que, em debates nos meios de comunicação, ao invés de abordarem assuntos emergentes, como acima apontados, rolam somente insultos, acusações e trocas de desaforos. Ora, meu Deus, isto tem sido puros desestímulos aos eleitores que já estão fartos, saturados, de tanta bandidagem explicita.
Temo que os temas de verdadeira importância e as necessidades da sociedade sejam esquecidos e as inexoráveis futricas políticas terminem levando pelo ralo a oportunidade de ouro que temos logo mais de retomar o ritmo de crescimento e devolver à sociedade um país mais tranquilo e digno da sua gente, suas riquezas e suas potencialidades.   


NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Paraíso no Fim do Mundo

Gaivotas alçando voos na Praia de Dee Why (Sydney-AUS)
Já ouvi, em muitas ocasiões, alguém dizer que a Austrália é um Brasil que deu certo. Curioso é que não são somente os brasileiros que pensam assim. Os sul-africanos dizem o mesmo. Vá ver que outros dirão também. Conhecendo as realidades desses dois países (Brasil e África do Sul) e vivendo, particularmente, temporadas na Austrália, fico buscando avaliar as razões dessa comparação. Levando em conta aspectos econômicos e sociais australianos – modos de vida, usos e costumes, traços culturais, mercado e qualidade de vida em geral – tudo me leva a crer que a explicação lógica reside numa coisa fundamental: Educação!
Aí, minha gente, em se tratando desse assunto, o Brasil é, inegavelmente, muito atrasado. Os muitos problemas com os quais convivemos, tais como analfabetismo, insalubridade, insegurança geral, inseguranças econômica, institucional, política e judiciária, entre muitos outros fatores, são frutos do baixo nível educacional do nosso povo. Certamente que o mesmo deve ocorrer com a África do Sul, muito embora que eu tenha visto, recentemente, sinais de um país mais organizado e ordeiro, longe daquele país do monstruoso apartheid.Estive na África do Sul em dezembro passado.
Hora de Crepúsculo, na praia de Manly (Sydney) 
Quanto à Austrália o que se pode sentir, no conjunto geral, é de se viver no paraíso no fim do mundo. Pelo menos para nós que vivemos cá no outro lado do planeta. É um lugar onde não se sabe ou se fale de crise econômica. Desemprego é quase ficção cientifica e, em conseqüência,  satisfação parece ser o estado geral da Nação. Não é à toa que tantos estrangeiros, sobretudo jovens, correm para lá na busca de melhores  oportunidades de vida. Só do Brasil, há um imenso contingente de jovens trabalhadores. A maioria chega para estudar inglês, se arranja num emprego temporário e, logo depois, encontra uma solução de obter visto de residente. É muito comum ser atendido nos restaurantes e bares australianos por garçons ou garçonetes brasileiros fazendo seus biquinhos iniciais. Muitas vezes, são jovens com formação superior sem oportunidades no Brasil e que se sujeitam a qualquer coisa para viver empregado e melhor. Há casos absurdos do tipo lavador de pratos num grande restaurante ganhar melhor do que se exercesse sua profissão superior no Brasil! É doloroso ver esse quadro. Há também argentinos, italianos, espanhóis, indianos, refugiados do Oriente Médio, entre muitos outros.
Acabo de voltar de uma temporada de 30 dias em Sydney. Oxigenei minha mente e consolidei a idéia de que havendo responsabilidade governamental, educação e consciência cidadã, o Brasil também pode melhorar. No futuro, quem sabe... Claro que não será para nós. Mas, poderá ser para gerações futuras.
Imagine você, caro leitor(a), viver num lugar onde o respeito ao próximo e à propriedade privada é coisa sagrada. Você pode ir a um local público, por exemplo, uma praia, deixar seus pertences na areia, entrar nas águas e saber que tudo estará lá ao retornar. Entrar num transporte público, deixar seus pacotes num compartimento próprio à entrada e ao sair recolher. Isto sendo num coletivo lotado! Estando na Austrália e indo ao supermercado, pode levar suas compras até a porta de casa, no próprio carrinho da loja. Deixe-o lá mesmo na rua que haverá uma coleta posterior, levando de volta à origem. Vide foto a seguir.
Carrinhos do supermercado nos quais moradores trouxeram suas compras até a porta de casa.
Lixo? Coleta seletiva desde cada domicílio. Ninguém mistura as coisas como por aqui. As prefeituras estabelecem uma agenda de coleta geral para cada bairro. Tudo muito ordeiro e cumprido na risca. Vide a foto abaixo.
Compartimento tipico de lixeiras seletivas no térreo de condomínio residencial 
Roupa de grife? Para que? Aqui no Brasil o sujeito ou veste assim ou está por fora... mesmo que tenha sido made in Paraguay ou Santa Cruz do Capibaribe (PE) e comprada na 25 de março (São Paulo) ou na Feira da Sulanca (PE). Na Austrália ninguém está preocupado com esse tipo de supérfluo ou reparando nas indumentárias alheias, porque isso não interessa. Uma churrasqueira pública à beira-mar e à disposição de quem for chegando. Acredite. É só acender a chapa e assar sua carne. É inacreditável. Ninguém danifica. Ao invés disso, preserva-a. Sujou? Limpa ao final, em respeito ao próximo usuário. (Vide foto a seguir).
A churrasqueira da praia de Dee Why em pleno uso na manhã de sábado 
Outra coisa que observei, também, é que o motorista de um ônibus só dá partida quando vê todos os passageiros acomodados. Quando vejo as recentes noticias nos jornais do Recife relatando acidentes com passageiros dos nossos coletivos devido às arrancadas bruscas, velocidade e freios violentos, fico triste e penalizado com nosso povo mais humilde. Outra coisa estranha e engraçada: meu filho solteiro e “baladeiro de carteirinha” relata que não se conforma com o fato de que a função numa danceteria sempre encerre à meia-noite. Sim! Quando o relógio junta os dois ponteiros e é noite, o som para e a ordem é ir para casa dormir, porque a noite foi feita para dormir. E todos obedecem, numa boa. Estão certos, mesmo porque a noitada começa logo após 18 horas. Acho graça...
É um mundo muito diferente, minha gente. Pode parecer insólito para muitos, sobretudo sendo brasileiro, mas, sem dúvidas, é uma vida salutar e do tipo que se pediu a Deus. Questão de princípios. E Cultura, claro.

NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.



quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quem não chora não mama.

Montar um Ministério após uma eleição tem sido quase sempre um problema delicado para um presidente eleito. Imagine o que seja fazer isto a “queima roupa” de uma emergência, como ocorreu recentemente aqui no Brasil. Creio que o Michel Temer deve ter passado por apuros para formar sua equipe de Governo. Primeiro devia esperar o resultado da votação no Senado para trabalhar com a certeza de que assumiria e, em seguida, administrar as manhas dos políticos e respectivos Partidos que “viabilizaram” sua ascensão, num típico estilo de “quem não chora não mama”. Fora tudo isto, o fato de que, rigorosamente, se trata de um governo transitório e, pior que isto, mergulhado num imenso buraco negro deixado pelo PT, não estimulou alguns potenciais candidatos a ministro ou outro cargo de destaque qualquer. O PSDB, por exemplo, vacilou antes de aderir.
O resultado desse açodamento é que foi montada uma equipe com alguns integrantes pouco recomendáveis. Eu soube que teve ministro convidado meia hora antes de assumir. Imagino esse sujeito dizendo: O que é isto?! Como assim? E quem disse isto? E entrou no Palácio do Planalto esbaforido e perguntando Onde estou? O que sou eu? O que foi que eu fiz? Ou algo parecido. Eita Brasil, zil,zil ! O resultado é que se formou um gabinete de nomes elogiáveis – o lado econômico, sobretudo – misturado e junto com outros, tipo “ficha suja”, citados ou envolvidos nas tramoias que estão sendo lavadas, enxaguadas e passadas na Lavanderia de Sérgio Moro. Dois Ministros já voaram nos paus. E a expectativa agora é saber quem será o próximo.
Mas, por outro lado, ao tempo que aplaudi (aplaudimos) a estratégica redução dos ministérios, assisti lamentando o retrocesso do Temer ao ceder com a recriação do Ministério da Cultura. Acho que ali ele abriu um flanco de fraqueza. Ser presidente não é ditar tudo com rigidez, é verdade. Mas, foi um ato lamentável esse retrocesso. Temer temeu uma repercussão negativa e deu, no meu ver, um “cala-boca”, sobretudo, para uma classe de produtores culturais e artistas engalanados cheios de ares e pretensos “donos” da cultura nacional, que não querem largar as tetas da Lei Rouanet. Vide fotomontagem a seguir e outra que viralizou nas redes sociais.


Desde que me entendo de gente a Cultura – setor importantíssimo da vida nacional, ressalte-se – esteve sempre conjugada com a Educação. E tem uma lógica explicita nisto porque Cultura tem tudo a ver com Educação! O MEC foi, historicamente, uma das mais importantes siglas da Administração Federal. Por que tanta estranheza e reações contrárias, quando nada impediria que as ações desta área não fossem desenvolvidas por uma Secretaria Ministerial no MEC recriado? Foi sempre assim no passado! Acho inclusive que a classe artística, a grande protestante, “deu um tiro no pé” na medida em que provocou na mídia e nas redes sociais uma avalanche de denuncias sobre as estratosféricas vantagens que recebem ou receberam do Governo, através dos instrumentos de incentivos, administrados pelo ex-Ministério em tela. Poucos foram honestos, como Antonio Fagundes que sem cerimônia fez sua critica: "Sinto-me decepcionado com alguns artistas, que mesmo sabendo das falcatruas deste governo, ainda apoia por puro interesse próprio". Ele nunca recorreu à Lei Rouanet
As cifras que foram divulgadas das concessões aos cantores e artistas globais, aos escritores e produtores teatrais de fama, escandalizaram os brasileiros. Sobretudo pelo fato de que uma imensa legião de cidadãos e cidadãs dedicados(as) às atividades culturais ficaram sem qualquer chance de “fazer parte dessa festa”. Ora, ora! É indiscutível que cantores e atores que arrastam multidões aos seus auditórios não precisam desse apoio governamental! O Fagundes é bom exemplo. Muito mais precisam aqueles que buscam, em vão, um lugar sob as luzes das ribaltas brasileiras para os quais o MinC sempre deu as costas.    
Essa turma de apaniguados de “Mamãe” Dilma e do PT chorou, chorou e ganhou. E Temer, temendo uma onda maior, cedeu. Tolice... Lamentavelmente, neste Brasil, “quem não chora não mama”. Pouco interessa a essa gente a situação de crise do país, a necessidade de reduzir a máquina e os gastos do Governo e, ao invés disso, investir maciçamente na Saúde, na Educação e na Segurança. O que eles querem é mamar.

NOTA: Fotomontagem obtida no Google Imagens


Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...