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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Dores da Democracia

Se há um assunto que foi muito debatido nesta campanha política brasileira de 2018 é o da Democracia. Isto porque há, indiscutivelmente, um suposto temor geral sobre os riscos que estamos correndo de uma ruptura do sistema, seja vencedor A ou B. Sobretudo nesta fase do segundo turno. O candidato do PT (Fernando Haddad – preposto de Lula, preso em Curitiba) vende a imagem de democrata, embora que alimente concreta simbiose com todos os ditadores sul-americanos e alguns africanos e insista na tese de que o candidato do PSL (ex-Capitão Jair Bolsonaro) seja um admirador da ditadura militar e, como tal, disposto a retroceder aos idos de 1964. 
Dividida, a sociedade entrou em estado de perplexidade embora disposta a “acertar as contas” no voto, dia 28 próximo. Isto, aliás, democraticamente! Claro, porque aqui existe o debate, as trocas de insultos, desafios e, por fim, uma eleição decidida no voto popular. Portanto, é uma real Democracia.     
Historicamente, nunca foi fácil nivelar opiniões divergentes, seja qual for a circunstância. Se existir radicalismo num ou mais grupos litigantes a busca do nivelamento pode produzir conflitos incontornáveis e muitas vezes irreparáveis. Por princípio democrático, prevalece sempre a tese da maioria. Teoricamente é neste regime que se espera haja a possibilidade de se chegar a um desejado nivelamento de opiniões em benefício do grupo social objeto da lide. Contudo, nem sempre há o desejado nivelamento. Isto é aplicado, até mesmo, num ambiente familiar.
Em recente debate pela TV, assisti ao então candidato à presidência da Republica, Ciro Gomes, resumir em poucas palavras sua opinião a propósito do sistema, afirmando que “a Democracia é uma delicia, mas tem certos custos”. É verdade. Concordo com ele. É o que estamos vendo neste momento brasileiro. O custo é muito alto porque provoca dores profundas na sociedade. Com uma Democracia relativamente jovem e com o país mergulhado numa profunda crise moral-político-econômica, a busca por um concerto harmonioso da sociedade tem rendido um amargo processo.
À medida que a corrida eleitoral se aproxima do fim, isto que chamo de dores da Democracia se impõem de modo violento e um estresse coletivo sufoca cidadãos e cidadãs mais ligados, resultando em "fraturas expostas" entre os partidos políticos, sociedades organizadas, grupos sociais e até entre integrantes de famílias, antes tranquilas. A incerteza do futuro, o medo e o ódio tomaram conta dos indivíduos e até aqueles que nunca, ou pouco, se ligam em assuntos de política liberam as feras que habitam suas peles dando vazão à discussões acaloradas, improdutivas e, sobretudo, prejudiciais à união, aos bons hábitos e costumes e, finalmente, à Nação.  Para mim que acredito piamente que nunca haverá Ordem e Progresso, como manda nossa flâmula, se não houver células familiares unidas e integradoras da unidade nacional é uma dor. Claro que parto do princípio que as famílias são elos que fortalecem a Nação.  
No meio dessas discussões encontrei, outro dia, uma afirmação do critico e escritor português Miguel Esteves Cardozo, muito própria para o que venho conferindo entre nós brasileiros, que diz: “os verdadeiros democratas não são aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos não sei que mais. São (ao contrário) os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os desconvencer à força.”  Vejo este comportamento antidemocrático frequentemente entre nós. Mesmo entre membros de famílias, o que é mais doloroso. Ora, as eleições passam e as dores custam a ceder. Não é simples viver numa Democracia, sobretudo para quem se posiciona como dono da verdade.
Diante disso tudo, vem uma pergunta que não cala: será que o brasileiro está preparado para viver numa genuína Democracia? Eis a questão! Segundo o educador Anísio Teixeira, “só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”. Cá pra nós, é um formidável desafio para quem vier a ocupar o Palácio do Planalto. E, claro, para todo brasileiro de são juízo.
Então, coloquemos nossas cabeças em ordem para decidir nosso destino, sabendo que a nossa arma é o voto. No próximo dia 28, vote com consciência, espantando as dores que a Democracia lhe provoque. 
  
NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A Festa vai Continuar


Ao contrário do que muitos esperavam, não foi no primeiro turno que os brasileiros definiram o nome de quem vai presidir o país nos próximos quatro anos. Mais três semanas serão necessárias para que se cristalizem as propostas dos finalistas e, certamente, alinhar as demandas que a Nação emite. Vejo nisto uma excelente prática de democracia. Sobretudo, quando o Brasil precisa ser discutido, pensado e repensado.  Esta é a vantagem de uma eleição em dois turnos. Esta é uma vantagem da Democracia.
Os finalistas:  Bolsonaro e Haddad
Contudo, algumas coisas ficaram muito claras na rodada do primeiro turno. O país viu com mais clareza o que tantas vezes foi lembrado, nas simples rodas de discussões, analises políticas e comentários de especialistas nacionais e estrangeiros, o quanto a sociedade estava desencantada com a classe política e o sistema que a sustenta. A vontade de mudar e de injetar sangue novo na estrutura do poder político nacional foi traduzida por dois importantes aspectos: por um lado, pela alta abstenção de votos, que dessa vez superou a casa dos 20% e, por outro lado, algo que muitos não acreditavam, foi a renovação das casas do Congresso Nacional, numa escala muito maior que a esperada. Os cálculos dão conta de que houve aproximadamente 50% de renovação.  Muitas vezes duvidei que essa renovação viesse ocorrer, o que em conseqüência levava-me a crer que pouco poderia ser feito por quem viesse assumir a cadeira de Presidente. Mas, não. Fica claro que isto pode ser tomado como uma sendo uma vitória da Democracia e, principalmente, um recado expressivo aos que irão ascender aos postos nas casas do Congresso, a partir de janeiro próximo.
Impressiona-me o fato de que partidos tradicionais, como PSDB e MDB, derreteram e estão com representações muito mais reduzidas, ao passo que outros, tidos como partidos do chamado “baixo clero”, elegeram mais representantes do que o esperado. E é outro forte recado colhido das urnas. Velhos caciques detentores do poder nas décadas recentes foram amargamente derrotados, cedendo um inesperado vácuo a ser ocupado por novas lideranças que emergirão dessa onda de renovação que se instalou com os resultados extraídos do primeiro turno das eleições. Dos grandes partidos destaque-se que o PT manteve equilibrada sua representação, embora tenha sofrido baixa. Uma outra prova da intenção de renovação ficou por conta do expressivo crescimento do PSL – partido liderado pelo candidato Bolsonaro – que fez muitos representantes, sobretudo nos estados do Sudeste. O partido, sob o efeito da onda bolsonaro elegeu 52 deputados e 4 senadores. Terá a segunda maior bancada federal, a partir de 2019, superada apenas pela do PT que vem com 56 representantes. Isto será uma grande vantagem para o Capitão, caso se eleja. O PSDB, principal opositor do PT e que formou a terceira bancada em 2014 virá, agora, na 9º. posição. E o MDB foi o partido que sofre a maior baixa. De 66 deputados, terá somente 34 deputados. Estes números são eloquentes demonstrações do desencanto dos eleitores e da renovação que saiu das urnas do dia 7 de outubro de 2018.
Mas, muito bem... Vamos lá. A festa da Democracia vai continuar. Agora é hora da “onça beber água”, como diz o ditado popular. Será que o ódio versus medo que foi a tônica do primeiro turno resistirá nesse próximo turno? Estariam os petistas dispostos a relaxar o radicalismo? E os bolsonaristas estarão com discursos mais brandos e convincentes? Eis as questões que pairam sobre a Nação. Melhor que vença a paz e, sobretudo, a Democracia. A Festa tem que continuar. Vamos mais é comemorar com júbilo o triunfo da Democracia brasileira.    

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.         

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Polarização Nociva

O tempo passa rápido e estamos às vésperas do, já considerado, mais importante pleito eleitoral dos últimos tempos no Brasil. A Nação enfrenta o desafio de escolher um nome para assumir o seu comando maior e, pelo visto, não há mais tempo ou interesse de avaliar currículo politico, proposta que apresente ou, mesmo, o fato de ter uma ficha limpa ou suja. O jogo agora atingiu uma temperatura estressante e o que se vê é uma nociva polarização entre esquerda e direita, representadas pelos candidatos mais bem situados nas pesquisas de opinião promovidas pelos Institutos de plantão. Pelas forças de direita é Jair Bolsonaro e pelos esquerdistas o substituto de Lula, Fernando Haddad. Segundo o especialista Bernhard Leubolt, a polarização politica é fruto de uma campanha eleitoral acirrada e de resultado apertado.

Esta extrema situação não é a desejável para o Brasil de hoje. Na realidade é o que menos desejamos. Depois de tantos tropeços socioeconômicos e tantas imoralidades politicas, dos últimos dez anos, o melhor seria uma união de esforços inteligentes e capazes de tirar o país do “buraco” profundo no qual foi metido. Falta um patrocinador para compor uma coalizão politica pró-Brasil, infelizmente pouco provável no ambiente tão conturbado e tão pleno de comoções coletivas.
A situação preocupante vem sendo analisado por cabeças pensantes e experientes que se apressam em manifestar, publicamente e em grupos republicanos, o risco que vem se desenhando no porvir da vida brasileira.
Nesta semana que se finda, diante das incertezas constatadas, inclui-me num desses grupos, o MOVIMENTO Ético e Democracia, (www.facebook.com/etica.democracia) cujo manifesto magoa em cheio a “ferida” e assevera que “no poder, Bolsonaro seria um desastre anunciado: desorganização econômica, desagregação social e desmantelamento do sistema democrático; caos social que favoreceria a realização de seu sonho de uma sociedade sob jugo militar.
Jair Bolsonaro propaga abertamente o autoritarismo, a volta do regime militar e a violência como forma de fazer politica. Completamente despreparado para ser chefe de Estado de um grande país atolado numa grave crise econômica e social”.
Uma eventual eleição de Fernando Haddad, dócil porta-voz do Lulismo guiado desde uma cela da Policia Federal em Curitiba, “representa o aparelhamento do Estado, a volta da política econômica que levou o País ao desastre (inflação, desemprego e crise fiscal) e a hostilidade às instituições democráticas, com acusações sistemáticas aos juízes e agressão à imprensa e aos adversários políticos. Jogando a culpa da crise econômica em Michel Temer, Haddad distorce os fatos e parece antecipar que, voltando ao poder, o PT repetirá as mesmas irresponsabilidades na gestão macroeconômica e fiscal, com todos os deletérios impactos já dolorosamente experimentados”.
Alguns poderão afirmar que polarização vem sendo comum nos embates pretéritos. E é verdade. Contudo, a polarização desta vez tem contornos mais extremistas, coisa pouco aconselhável para uma democracia imatura e em eterna busca de sustentação.
Bom, mesmo sendo signatário deste Movimento entendo que pouco poderá ser feito, neste momento, salvo registrar um alerta à sociedade.
Porém, concordo que vozes precisam ser ouvidas pelo país afora e que poderão dar suporte a um futuro e oportuno debate. Espero que isto venha a ser possível.

NOTA: Foto colhida no Google Imagens
 

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...