quarta-feira, 27 de abril de 2011

Presença Holandesa

Quando eu era menino, ia sempre a Fazenda Nova – onde moravam meus avós e tios – para temporadas, muitas vezes por longo tempo, ao ponto de me matricularem, temporariamente, nas escolas locais. Nessas ocasiões, eu ficava intrigado com a presença, nas salas de aula, de um grande número de coleguinhas agalegados, isto é, lourinhos e com olhos azuis. Afro descendentes, nenhum que fosse para quebrar a brancura reinante. Mais intrigado ainda quando, com o tempo, ouvi algumas pessoas explicando que eram holandeses. Ôxente, holandês só tem na Holanda, esse povo não sabe o que diz, pensei comigo!
Foi preciso crescer mais e estudar a História do Brasil e de Pernambuco, em particular, para começar a desatar o nó que havia na minha cabeça. Quando virei professor de Economia Brasileira, então, as coisas ficaram claras de vez.
Quem conhece a História do Brasil sabe que, durante 24 anos, Pernambuco foi dominado por holandeses invasores, entre 1630 e 1654. O que estava em jogo era o domínio da comercialização do açúcar produzido na região. Os portugueses produziam, mas eram os holandeses que monopolizavam o comercio do produto no mundo inteiro.
O que foi desastroso para Portugal, terminou sendo benéfico para Pernambuco que tem um saldo dos mais positivos dessa época, principalmente, pelo que restou da administração do Conde João Maurício de Nassau-Siegen (vide foto a seguir), à frente dos negócios holandeses na região. Nassau não mediu esforços nem dinheiro. Investiu nas artes, nas ciências, na medicina e na infra-estru tura do Recife. Até hoje a cidade usufrui desse legado. É tanto que não falta quem sustente a tese de que melhor teria sido que os holandeses houvessem ficado por aqui. Nassau é lembrado e homenageado emprestando seu nome em diversos logradouros (ruas, pontes, bairros ...) e até entidades, nas cidades pernambucanas.
Diante dos gastos exorbitantes, a Holanda afastou o Cara e colocou no seu lugar um conselho de administradores que, ao contrário de Nassau, adotou uma política severa e contrária à vontade do povo, já afeito ao regime holandês. Oprimidos pela nova administração os lusos-brasileiros apressaram-se por organizar um movimento de expulsão dos invasores, na forma de continuas rebeliões. O processo levou ao que se denominou de Insurreição Pernambucana, movimento liderado pelo Senhor de Engenho João Fernandes Vieira, que era português, secundado por André Vidal de Negreiros, pelo negro Henrique Dias e o índio Felipe Camarão (Poti). Os holandeses foram derrotados em batalhas no Monte das Tabocas, em 1645, e nos Montes Guararapes, em 1648 e 1649. Com pouca resistência os invasores foram, aos poucos, abandonando Pernambuco até que, em 1654, deixaram definitivamente o Brasil.
Aconteceu, porém, que somente os mais abastados e poderosos tiveram condições de abandonar o Brasil, deixando para trás os pobres coitados sem grana ou, então, aqueles já radicados e com famílias montadas. É provável que alguns tenham feito a opção de permanecer. Temendo represálias dos vencedores luso-brasileiros fugiram, açodadamente, para o interior da região, onde se estabeleceram, fundaram vilas, constituíram famílias e negócios. Foram eles os responsáveis por gerações e gerações – até hoje – de agalegados e de olhos azuis que povoam os agrestes nordestinos, particularmente, os pernambucanos.
Durante os recentes feriados da Semana Santa andei praquelas bandas e pude recordar meus tempos idos e meus colegas “holandeses”, nas escolas de Fazenda Nova. Eles continuam se reproduzindo, lourinhos e com os zoinhos azuis. Na feira do sábado, no Brejo da Madre de Deus, essa

coisa se revelou mais forte. Por todo lado vi "holandeses". O garoto que, por alguns trocados, carregou minhas compras era um puro holandês. Veja a carinha esperta, dele, na foto acima. Ah! a copeira de nome Neném, na casa do meu irmão, tem um olho azul da cor do céu. (vide foto abaixo). Conversando com as pessoas locais fiquei sabendo de coisas incríveis: existe uma localidade afastada da área urbana do Brejo da Madre de Deus, denominada Bandeira, onde os habitantes vivem em verdadeiro gueto, não se misturam com pessoas de outra raça e todo mundo tem o biótipo holandês. Eles são arredios e têm aversão a visitantes. Mantêm-se isolados da civilização. “Plantam e comem o que plantam. Criam e comem o que criam e só se casam entre eles!”, foi o que me disse uma popular feirante do Brejo. Tentando descobrir mais coisas, fiquei pasmo quando uma prima, que tenho por lá e é dona de uma pousada rural, me disse que na localidade da Barra do Farias (10km. distante de Fazenda Nova) existe uma Sinagoga! Será? Não fui conferir, mas, vou atrás disso logo que puder. É bom lembrar que os holandeses que invadiram Pernambuco eram todos de origem judia. A Sinagoga da rua do Bom Jesus (antiga rua dos Judeus), no Recife, foi fundada pelo invasores holandês e foi a primeira das Américas.
Pelo visto, eles continuam aqui! Aliás, já me disseram, em familia, que somos descendente de holandeses... tenho muitos parentes "holandeses"!
Nota: Fotos do blogueiro. A de Mauricio de Nassau foi obtida no Google Imagens.

19 comentários:

Carlos Candeias disse...

Girley, muito interessante! Não sabia ter sido Nassau afastado, os livros de História do meu tempo não entravam nesse detalhe. A grande surpresa foi saber serem eles judeus.

Josane Mary disse...

Hei, Girley! Goed morgen!

Gostei muito do seu post.
Os holandeses têm sido um povo que gosta de viajar [desde sempre]. E até hoje, o nordeste do Brasil é um dos seus destinos preferidos.

A título de curiosidade informo que eles também gostam muito de fazer negócios [são inegavelmente um dos melhores]. Quando eram os proprietários de Nova Iorque(USA), deslumbraram a possibilidade de ter uma área maior, e assim sendo, trocaram aquela metrópole pelo Suriname.

Tenha uma ótima semana,
Saudações literárias.

Mestre Giobosco disse...

Pois é, os resquícios da presença holandesa nestas bandas nordestinadas do Brasil são mais evidentes do que podemos imaginar, e vão bem além de olhos azuis, ou de um certo tom de verde-azulado, encontrado frequentemente nas cidades ao norte de Pernambuco, como com tanta propriedade define o ínclito Girley.
Na minha infância, a casa era povoada por “católicos-apostólicos-romanos”, mas que, inconscientemente, praticavam muito uma espécie de judaísmo. Tia Cecinha, que àquela época beirava os 80 anos (isso nos anos 60), desfiava as contas do seu rosário com movimentos oscilantes do seu corpo, para frente e para trás, exatamente como fazem os judeus em suas orações; ela desaconselhava que se fizessem mudanças nas tardes das sextas-feiras, como também não tomava banho nesses dias.
Era comum se ouvir dos mais velhos que não deveríamos apontar estrelas, para que não nascessem verrugas nos dedos. Na verdade, no tempo da Santa Inquisição, esse gesto poderia ser tomado como os que fazem as crianças, ao por do sol, a fim de anunciar que, com a aparição da primeira estrela da noite, tem início o Shabat (um novo dia, para os hebreus). Com a presença da Santa Inquisição, isso era motivo de prisão e queima nas fogueiras lisboetas.
Nome de cidades, como Camocim de São Felix, evidencia que a localidade fora habitada e denominada pelos judeus que permaneceram em Pernambuco após e saída dos flamengos da província. Camocim é, em hebraico, o plural de Camus, oculto, escondido. A Igreja acrescentou o nome do santo, como fez também em Belém do São Francisco, cidade essa onde há uma procissão que se encerra com os devotos tocando ramos de plantas nas águas do Velho Chico, remetendo à passagem do Mar Vermelho.
Alguns historiadores chegam mesmo a desacreditar da origem da palavra Olinda, então atribuída à famosa frase do Donatário, quando afirmam ser um burilamento da expressão “olim hadashim”, pronunciada pelos habitantes do Recife quando se dirigiam àquela cidade povoada pelos comerciantes. “Vamos ver o que trouxeram da Europa os... olim hadashim” (recém chegados).
Sempre é bom se entender mais sobre a nossa origem ou as coisas que estão a nossa volta, e o Professor Girley Brazileiro, cheio desses saberes, também é pródigo em dividi-los com os que os buscam.

Francy disse...

Uma surpresa agradável te encontrar no mundo blogueiro, isto mesmo, recebi de um amigo informação sobre o teu blog.
Como eu e meu marido vivemos na Holanda há vários anos e conhecendo a história da presença holandesa no Nordeste Brasileiro, imaginei que lá na Holanda encontraria muitas referência a grande importância que dão a essa
presença holandesa em Pernambuco. Mas fiquei decepcionada porque nada ou quase nada encontrei, apesar de ter procurado bastante. A Mauritz-Huis em Den Haag ou Haia não há quase referência a isso. casa essa construída com o ouro que ia daqui. O alemão Maurício de Nassau-Siegen que veio contratado pela Cia das Índias para explorar o nordeste brasileiro. Aceitou a missão porque precisava pagar uma dívida para com a coroa holandesa, aqui chegando teve sucesso, mas, depois que "encheu" os bolsos, começaram os problemas e ele foi demitido do cargo e foi forçado a regressar para a Alemanha de onde era oriundo.
Acho superinteressante todo esse afã que todos os pernambucanos tem em dizer que aqui seriamos melhores com os holandeses, pois a esses eu apenas lhes digo para olharem as antigas colónias holandesas pelo mundo e verem o que eles por lá fizeram.
Agora se disserem que se o Mauricio de Nassau na altura tivesse ficado por cá independente do holandeses e continuado a obra que ele se propunha realizar isso seria muito diferente, hoje estariamos talvez em outras águas...

Hugo Caldas disse...

Girley
De arrepiar esse texto dos holandeses. Quando em 1971 me desloquei pra Serrita e filmei A Missa do Vaqueiro também pude encontrar gente muito altiva galêga e de olhos azuis. Esta tudo documentado no filme. Tenho como vosmicê sabe, uma comichão por essas coisas. Sinto que o nobre amigo, também. Que tal conversarmos sobre o assunto com vistas a uma possível viagem aos locais mencionados e documentar tudo? E aquela história do livro, tá valendo?
Abraço. Hugo

Carlos Gutiérrez disse...

Girley
Quem invadiu PE foi o exército mercenário da Companhia das Índias Ocidentais.
Nessa epoca, a Holanda era uma das Provincias Unidas do Norte que declararam a independência do Império Austríaco Húngaro.
A piada é que os habitantes da provincia chamada Holanda não queriam ser chamados de holandeses, mas sim de Batavos que era o antigo reino que naquele
local existia.
Em 1798 os Batavos conseguiram, com a ajuda do exercito francês criar a Republica da Batavia mas, em 1805 Napoleão invadiu a Batavia e criou o Reino da Holanda e seu primeiro rei foi seu irmão Luis Napoleão.
Em 1815, depois de Napoleão derrotado, no Congresso de Viena, as fronteiras da Europa foram reconstruídas e o Reino da Holanda foi dado à família Orange,
de origem alemã e que até hoje ali reina.
Nesse congresso foi mandado a Espanha entregar a Portugal o território conquistado por eles na guerra das laranjas mas, até hoje, Olivença não foi devolvido.
Portanto meu amigo, pode dizer a quem quiser que os Holandeses jamais invadiram Pernambuco.
Carlos Gutiérrez
(Portugal)

Luiz Bezerra de Carvalho Jr. disse...

Girley:
Gostei muito do seu depoimento “Presença Holandesa”.
Os colegas sulistas me chamavam de holandês por conta da cor azul dos meus lhos. Todavia, não se trata de herança holandesa, mas portuguesa da região do Minho.
Girley, interessante é que se constata, nos meios médicos, que uma doença neurológica chamada Síndrome de Arnold-Chiari ostenta níveis comparativamente elevados na população holandesa e nordestina. Consiste na herniação de parte do cérebro através do buraco do crânio (forame magno). A tese do famoso neurocirurgião Manoel Caetano de Barros defendida em 1959 versou sobre este tema. Os galegos legaram aos nordestinos mais do que os olhos claros. Tenho uma colega que é revoltada com isto afirmando que em vez de loura e bonita os holandeses deixaram esta desgraça nela que se submeteu a uma cirurgia delicada para corrigir este defeito congênito. Luiz Bezerra de Carvalho Junior

Edvaldo Arlego disse...

"Caro Girley. Com a inteligência de sempre, você se faz "testemunha ocular da história" para abordar temas interessantes. Você tem razão quando diz da forte presença judia em Pernambuco no século XVII. Na verdade, não tivemos invasão holandesa. A invasão foi judia. Holandeses tiveram poucos por aqui. Amaioria foram soldados mercenário contratados pela Companhia das Índias Ocidentais (empresa de judeus), que invadiu o Brfasil. Prova disso é que essa história de invadir o Brasil não faz parte da História da Holanda. Durante esse período da
chamada "Invasão Holandesa" os Batavos estavam em guerra, a chamada dos Oitenta Anos, a qual só terminou em 1648 com a Paz de Vestefália e logo em seguida entraram numa nova guerra, a Anglo-holandesa, (1651 a 1654, 1665-1667 (batalha de Chatham) e 1672-1674. Expulsos de Portugal, os judeus tinham razões para se revoltarem contra os lusitanos. Embora a história não afirme que a presença holandesa no agrete pernambucano, os Van der Linden, em Garanhuns, é uma das muitas provas de que você está certo, embora também se saiba que quando grassava a tuberculose em Pernambuco, a recomendação médica era a de procurar ares mais puros e Gravatá foi um dos "exílios" preferidos. Já percebeu que naquela região serrana tem muitos galegos? Edvaldo Arlégo".

Luis Mauricio da Silva disse...

Tenho o mesmo sentimentodo Girley. A pesquesa que tenho feito confirma que a contribuição genética do africano e do índio são muito menores do que eu esperava e do que se propala.
Nas duas últimas segundas feiras o Sr. Leonardo Dantas apresentou duas conferencias sobre os holandeses no Brasil e o nativismo pernambucano e não reforçou a idéia de que os holandeses tenham ficdo em pernambuco. Para ele o que existem muitos portugueses sim, no interior, que cruzavam com qualquer negra e com qualquer índia. É claro que confio nos dados de minha pesquisa mas ela não separa portugueses de holandeses, junta tudo em "europeus". Mas já estou bolando uma maneira de resolver esta charada, pelo menos em parte.
Luis Mauricio da Silva

João Conte disse...

Caro Girley, bom dia,
Gostei MUITO.
João Conte

Angela Barreto disse...

Amigo, parabéns pela interessantíssima abordagem sobre a "Presença Holandesa em Pernambuco", o que gerou diversos comentários SUPERINTELIGENTES, oriundos de amigos e admiradores seus, assim como eu sou sua fã de carteirinha.
Independentemente dos traços "galegos", como sobrenomes, olhos e cor da pele, tenho uma amiga que nasceu numa cidadezinha chamada Coité, no Interior da Paraíba. Ela e os irmãos são loiros e de olhos azuis. Segundo a amiga, a maioria das famílias tem antepassados franceses. Poderia ser portuguesa ou holandesa??
Procurei no Google e não encontrei nenhuma menção sobre os franceses.
Peço que, se possível, pesquise a veracidade dessa afirmação.
Abraços e renovados parabéns!!!
Ângela Barreto

joe disse...

Gostosa história. Os judeus tb foram para o interior da Paraíba e por lá ficou um dito que paraibano tem cotoco que não para em canto nenhum por que é judeu errante.
Tambem podem ter ascendência judaíca as familias que tem sobrenomes de plantas, animais e profissões. Eu brincava com Ronaldo Tavares,que era de Patos, que êle era duas vezes cristão novo,por conta dos sobrenomes [Medeiros = moedeiros e Ferreira = ferreiro] e pelo tipo físico. Parte dos judeus ricos que sairam daqui foram para Nova Armsterdam, hoje Nova York.
Um abraço Joe

Danyelle Monteiro disse...

Professor,

Me deu uma vontade de ir lá conferir... tenho uma veia aventureira e adoro história...uma sinagoga no meio do nada... um povoado arredio de loiros... nem minha ativa imaginação chegou a tanto... fotografe tudo por favor... agora já ouvi falar que lá pras bandas de Serra Talhada chegaram até mouros, tanto é assim que algumas pessoas de lá, descendentes, tem um nariz diferente, uma carinha de árabe... aliás, me contaram que muitos portugueses e espanhóis são desecendentes de mouros arábes.... já pensou, se eu pesquisar mais um pouquinho talvez me surpreenda... tenho uma avó loira de olhos bem azuis claros, cor do céu... sabe-se lá sua oriegem, ela não sabe dizer, mas seu pai também era bem loiro de olhos azuis, tinham sítios, moravam em sítios, fazendas... minha bisavó quando perdeu o marido vendeu tudo e foi para a cidade. Dizem que muitos judeus tinham nomes ligados à algo da natureza, como Coelho, ou do Vale (suposições)... meu sobrenome é Monteiro, mas nunca pesquisei sua origem, até porque já misturou tanto... será que somos todos descendentes holandeses??? Será??? kkkkkkkkkkkkk
Grande beijo conde Girley

Luiz Carlos Menezes disse...

Prezado Girley: Achei muito interessantes os seus comentários
evocativos e investigativos, sobre os coleguinhas galegos que na
infância você teve pras bandas de Fazenda Nova. Pelo que tenho sabido,
aquela parcela dos nossos conterrâneos, são o testemunho vivo da luta
pela sobrevivencia, num momento muito tumultuado e perigoso para os
originais " loirinhos de olhos azuis" que ali na região encontraram
condições de equilibrio e se estabeleceram.No tempo que eu era
engenheiro,trabalhando pelo sertão de Sergipe encontrei, em Porto da
Folha, população rica de galeguinhos e, evidentemente, pelos mesmos
motivos... Abraços, Luiz Carlos Menezes

Mario Chaves da Cunha disse...

É verdade, Girley! Meu bisavô era holandês e tinha o apelido de vovô Vermelhinho, os tios de meu pai viviam no Recife e como o sobrenome era complicado para os brasileiros resolveram adotar o sobrenome de Holanda Brasiliense i.é. Brasileiros de Holanda.
Nosso carinhoso abraço
Mario Chaves da Cunha.(Fortaleza-CE)

Anônimo disse...

Prezado Dr.Girley,
A história da dominação holandesa no Nordeste brasileiro é ainda bas-
tante desconhecida por uma certa
parte dos brasileiros.O Governador
Conde João Maurício de Nassau-Siegen foi um grande estadista,bom
administrador,construiu a cidade de
Mauritzstad(Maurícia),com urbaniza-
ção e saneamento,construiu sobrados
com até três pavimentos,pontes,pa-
lácios,casas para o povo,parques,
fortes etc.Assim como trouxe pin-
tores,engenheiros,botânicos e cien-
tistas para a terra brasilis.
Tentou apaziguar a vida na Nova Ho-
landa,ou seja,mantendo a paz entre
brasileiros,holandeses e portugue-ses,católicos,protestantes e judeus.A cidade Maurícia foi cons-
truída na ilha de Antônio Vaz(Santo
Antônio),enquanto o Pôrto do Recife
era reduto armazéns e prédios para
alojamentos de chefes militares,au-
toridades administrativas e demais
militares de menores níveis.A cida-
de Maurícia foi construída sobre o
mangue e entre pontes,ou seja,à mo-
da holandesa.Por outro lado,a cida-
de de Olinda se manteve à moda por-
tuguesa,pois foi construída pelo
primeiro Donatário Duarte Coelho.
A cidade Maurícia foi a primeira
cidade cosmopolita do Novo Mundo,
isto é,existiam naquela cidade pes-
soas de diversas nacionalidades,co-
mo exemplo:holandeses,alemães,fran-
ceses huguenotes,poloneses, inglê-
ses,irlandeses,escoceses, dinamar-
queses,suecos,norugueses,judeus se-
faradins e ashkenazins.Foi cons-
truída na ilha do Recife a primei-
ra Sinagoga oficial da América do Sul,pois a sinagoga dos judeus Dio-
go Fernandes e Branca Dias era
clandestino.Maurício de Nassau resolveu reconstruir a cidade de
Olinda e intalar uma Câmara de Es-
cabinos,por sua vez,composta de lu-
so-brasileiros e holandeses.
Após a restauraçao,destaca-se que
os vencedores concederam o direito
aos holandeses casados ou amanceba-
dos com mulheres portuguesas ou nativas e com propriedades permane-
cerem,bem como alistando-os no
exército vencedor.



Manoel Gino Tavares disse...

Bom dia à todos fiquei muito feliz em ter encontrado esse Blog.Sou Manoel Gino Tavares nascido em Olinda,Meu pai Henrique Gino Tavares,somos de uma família sefarditas/judeus,tenho 12 irmãos,atualmente vivo no Rio de Janeiro há 15 anos e sou da Sinagoga Beit Tzadik.Onde o sábado é o dia mais feliz,alegre e prazeroso.SHABAT SHALOM.

Marcio Manzione disse...

Boa Tarde Professor! Muito interessante o sua narrativa...tenho pesquisado sobre as origens do meu avô materno nascido em Pilar no interior da Paraíba, que era filho de pai moreno (Souza) e mãe loira de olhos muito azuis (Gomes). Minha avó me dizia que ele era descendente de índios por parte de pai e de holandeses por parte de mãe e seus irmãos eram todos morenos de olhos claros. Poderia haver então sentido na história que contava minha avó? Minha bisavó nasceu em 1876 e me pergunto se essa característica "galega" teria perdurado por tantos séculos! Estive em Pilar esses dias pela primeira vez e a responsável pelo cartório dessa cidade me disse que na região de São Miguel de Taipu todos os Gomes são loiros de olhos azuis! Se o Sr. tiver mais informações a respeito, por favor entre em contato através do e-mail : manzione71@gmail.com. Muito obrigado, José Marcio de Souza da Cruz Alves

Anônimo disse...

Estive duas vezes em Pernambuco, sendo que a última foi na passagem do ano de 2012 para 2013. Nesta ocasião, fui na cidade de Caruaru, no interior do estado e me chamou a atenção a grande parcela da população desta cidade que é branca, sem características, pelo menos visíveis, de mestiçagem. Perguntei ao guia turístico sobre a origem destas pessoas e me foi informado que seriam descendentes de holandeses que permaneceram no Brasil, após a expulsão. Por outro lado, também já li que seriam pessoas, na verdade, de origem portuguesa. Acho o Nordeste brasileiro muito bonito. As capitais são cidades modernas e arrojadas.