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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Supremas decisões equivocadas

“Com leis ruins e juízes bons ainda é possível governar. Mas, com juízes ruins as melhores leis não servem pra nada”. Foi dessa emblemática fala de Otto von Bismark (1825-1898) que me lembrei após a decisão do nosso Supremo Tribunal Federal, na última quinta-feira (07.11.19). É numa dessas horas – hoje tão comuns no Brasil – que se joga luzes na tão propalada insegurança jurídica do Brasil. Realmente, fica muito difícil administrar uma nação continental como a nossa, onde as espasmódicas opiniões dos guardiões da Constituição estão sempre tendentes aos interesses conjunturais dos seus padrinhos ou afilhados políticos. Como confiar num Ministro do Supremo que muda de ideia, em pequeno lapso de tempo, justificando sua oscilação como nova forma de interpretar a Constituição e demonstrando tranquilamente em atender interesses de um individuo ou grupo desses e não da coletividade nacional? É dureza viver numa insegurança desta ordem.
Plenário do Supremo Tribunal Federal do Brasil
Bom, viver de interpretações de seres humanos já é, por princípio natural, um desafio. E quando esses humanos são integrantes de uma cultura susceptível de injunções sociopolíticas pouco ortodoxas, nem se fala. Pior ainda se se trata de alguém com poder supremo.
Não precisa ser jurista ou advogado – como no meu caso – para concluir que, infelizmente, vivemos um mundinho sujeito a essas decisões equivocadas, que não refletem a vontade do povo e fragilizam a ordem jurídica discutida, rediscutida e instaurada. Além de desejada por todos.         
Na pratica é sabido que os regimes jurídicos variam de país a país. É verdade e sabemos que as culturas locais ditam os padrões  a serem respeitados. Contudo, na maioria dos casos, são consolidados e imunes de mudanças de regras no meio tempo. Além de desgastante põe em risco a credibilidade do poder judiciário. E é isto que vem ocorrendo no Brasil. Nosso Supremo Tribunal tem oscilado com muita frequência pregando sustos à sociedade e expondo o país às criticas negativas no cenário internacional.
Parece ironia que num “piscar de olhos”, uma suprema decisão, a meu ver equivocada, ponha em risco uma operação legal e criteriosa como vem sendo a Lavajato.  Cumprindo todos os trâmites legais vigentes o País conseguiu, no passado recente, dar uma lição ao mundo de como se desbarata a endêmica corrupção reinante, numa grande operação aplaudida pela Nação e pelo mundo. É desanimador. Urge uma ação legislativa que corrija e torne a nossa Carta Constitucional mais clara e livre de interpretações duvidosas em detrimento às já consagradas.
É de se imaginar, após a última quinta-feira, que nossos supremos magistrados sentem-se também incomodados com o saneamento ministrado pela Operação Lavajato. Não pensaram somente num único réu – como muitos pensam – mas sim num grupo de “colarinhos brancos”, agentes diretos da corrupção ilimitada e que até agora mofavam atrás das grades. Todos julgados em 2ª. Instância. De uma hora pra outra, abrem-se as portas dos presídios e a sociedade entra em polvorosa com tantos criminosos, traficantes, bandidos corruptores e corruptos à solta, oferecendo insegurança às famílias de bem. Como acreditar de que se trata de um grupo de inocentes? Inocente sou eu ... eu que vou me recolher em casa, numa prisão voluntária, livrando-me dos males, amém.
Num país civilizado um réu julgado numa segunda instância está automaticamente sujeito ao cumprimento da sentença. Entende-se que não restam dúvidas para os juízes e desembargadores que se debruçaram sobre o processo e prolataram sentenças a um determinado sujeito.  Há países em que julgados em primeira instância saem direto pra o xadrez. A situação no Brasil é mole e, sobretudo, confortável. Privilegia a impunidade! Responder em liberdade por um crime efetivamente cometido não devia ter perdão. Numa sociedade séria, o simples indiciamento já aponta o caminho da pena a ser cumprida.
Resultado dessa impensada decisão é que agora, por aqui, a ideia de que o crime compensa ronda a cabeça de muitos "inocentes", ganha força e cria uma espúria cultura, numa sociedade carente de progresso e dignidade.
Está escrito e na prática, o sujeito que tiver boa grana e puder sustentar um bom advogado sentir-se-á induzido a praticar suas falcatruas e crimes, abertamente e seguro, sabendo que dispõe de quatro instâncias às quais  pode recorrer e no tempo que desejar. Em resumo, um bandido qualquer pode morrer sem cumprir a pena que lhe seja imposta em juízo.
Pobre Brasil. Tristes brasileiros.

NOTA: Foto colhida no Google Imagens 

domingo, 29 de setembro de 2019

Semana Pesada

Esta semana estive lembrando que quando resolvi criar este Blog do GB, por prudência, decidi que seria sempre de postagens semanais. Por falta de tempo ou por não ser um profissional da comunicação não arrisquei passar por dificuldades em reunir pautas. Mas, como as coisas mudam e a dinâmica do dia-a-dia brasileiro avança velozmente levaram-me a descobrir que muitas vezes sobram temas. Esta semana, por exemplo, reformulei minha “conversa” semanal três vezes. Comecei comentando o discurso de Bolsonaro na ONU, tive que reformular depois da derrubada dos vetos presidenciais à Lei de Abuso de Autoridade, pela Câmara Federal; surpreendi-me com o encaminhamento, incluindo a sanção presidencial, à Lei que reformula a Legislação Eleitoral. Depois disso, quase não dormi na noite em que o STF derrotou, praticamente, a Operação Lavajato, anulando decisões que podem soltar todos os corruptos e criminosos. Vergonha vergonhosa!
Para fechar a semana, ontem estourou a surpreendente confissão do ex-Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, que teve intenção de assassinar, em pleno Tribunal, o Ministro Gilmar Mendes. Haja loucuras... Ah! Sem esquecer os disparates de Carluxo Bolsonaro. Taí uma semana que julgo pesada. Estourou pautas de todos os canais de comunicação. É um país em verdadeiro transe.
Bolsonaro abrindo a Assembleia Geral das Nações Unidas em 2019
O discurso do Capitão, na abertura da ONU, que desagradou meio mundo – opositores, sobretudo – casou surpresa. Cabe sempre ao Brasil, desde 1945, com o Chanceler Oswaldo Aranha, abrir os trabalhos. De lá pra cá vários dos nossos governantes exerceram esta missão, para honra do país. Contudo, creio que nenhum deles despertou tanto interesse quanto o atual, na reunião deste ano. De figuras apáticas e sem grandes prestígios que lá estiveram, décadas recentes, com declarações mornas e sem densidade política, com puro proselitismo diplomático e algumas até mesmo patéticas, o mundo já não dava importância alguma.  Malmente, registrados nas mídias nacionais. Desta vez, porém, a coisa foi diferente: o Brasil, com Bolsonaro, deu ao mundo um recado franco, objetivo e mostrando o país que cobra seu lugar de protagonista e não de coadjuvante no cenário político global. Surpreendeu, claro. Quando menos se esperava, o mandatário brasileiro mudou o tom adotado pelos seus antecessores e enfatizou os motivos que o levou até lá, passando pelas questões ambientais, soberania, liberalismo econômico, progresso social e críticas agudas aos anacrônicos sistemas socialistas e colonialistas. Doeu em muitos, inclusive alguns retrógrados assistentes à sessão. As manifestações críticas, contra e a favor, nos ambientes doméstico e internacional, naturalmente não podiam deixar de ser acaloradas.
Mal choveu criticas ao Capitão orador, vieram verdadeiras derrotas para o Governo. Aliás, para o Governo não! Para o Brasil e os brasileiros. A derrubado dos vetos presidenciais à Lei de Abuso de Autoridade foi verdadeiro absurdo. Daqui pra frente, todo Promotor de Justiça ou todo Juiz se sentirá tolhido de usar das suas naturais atribuições. Ficou complicado. Onde vamos parar?
Depois disso veio a vergonhosa “reforminha” das normas eleitorais. Antes o cidadão brasileiro via a corrupção rolar fácil envolvendo os poderosos da Classe Empresarial comprando candidatos que depois de eleitos se tornavam reféns dos "financiadores" de campanhas vindo sempre cobrar o retorno. O resultado foi a patifaria que a Lavajato descobriu e mostrou ao mundo.
Agora o tal Fundo Eleitoral, com o nosso suado dinheirinho publico, vai cobrir todo tipo de despesa das campanhas sem qualquer tipo de restrição. E a corrupção vai continuar rolando.
Como se fosse pouco, o Brasil assistiu perplexo a decisão, por maioria de votos até então registrados, no plenário do Supremo Tribunal Federal, o golpe que foi aplicado à Legislação Federal vigente e que, na verdade, pretende atingir o que mais caro se conquistou nesta Nação, no passado recentíssimo, que é a Operação Lavajato. Vergonhoso. Neste caso, aliás, o Guardião da Segurança Jurídica do país, o STJ, resolveu, ao invés de preservar e  proteger, legislar! Está tudo errado. Tudo bem consoante com a verdadeira guerra de poderes que ocorre aqui em Pindorama! Cada um querendo ser mais do que o outro e se metendo onde não deve.

Ex-PGR, Rodrigo Janot, com impulsos homicidas.
Encerrando a semana veio a declaração bombástica do ex-Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, à uma revista semanal, de que foi ao plenário do Supremo, certa ocasião e durante sua gestão de Procurador Geral, armado e disposto a matar o Ministro Gilmar Mendes e se suicidar em seguida. Francamente, perdeu a cabeça. E perdeu tanto na ocasião em que foi movido por aquela odiosa disposição, quanto, ao depois de tanto tempo, publicar esse descontrole. Vai publicar um livro agora em Outubro relatando "cobras e lagartos" do mundo judicial. Pôs em risco a credibilidade da Procuradoria Geral da República. Chega! Tomara que a semana que vem seja leve.
Sabe do que mais? O Brasil precisa mesmo é de um divã.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens. 
 

sábado, 7 de setembro de 2019

Sabe com quem está falando?

Após grande expectativa o Presidente Bolsonaro sancionou, com vetos, a Lei de Abuso de Autoridade, encaminhada pelo Congresso Nacional. Nada de novo porque todo mundo esperava que ocorressem assim. Volta agora para discussão na Casa Legislativa para analise dos vetos e para palavra final. 
Para inicio de conversa, não sou Advogado e muito menos jurista. Sou Economista  mas, sobretudo, um comum cidadão curioso e interessado no dia-a-dia da vida na Republica. Assuntos como este chamam a atenção de qualquer pessoa com perfil semelhante ao meu.
Lembro que foi uma surpresa quando a Câmara dos Deputados colocou em pauta e aprovou, quase às carreiras e nas caladas de uma noite, de agosto passado, este projeto de Lei que, ao raiar do dia, levado ao conhecimento da Nação instalou um debate preocupante. Mencionei aqui no Blog. Ora, meu Deus, ficou claro que os deputados estavam legislando em causa própria! Aquele representante do povo que defendeu e votou a favor da aprovação visou “livrar a própria pele” e se resguardar de eventuais vexames. E não falta quem tenha esse tipo de precaução, na Praça dos Três Poderes. Ao mesmo tempo, ficou claro que houve uma visível ideia de atingir em cheio a Operação Lavajato, seus procuradores e juízes que atuam. Na verdade, estamos falando de uma Lei que tem por objetivo reduzir os poderes do Judiciário, dos advogados defensores e particularmente as atividades policiais. Quem discordar que me corrija, por favor. Os 19 artigos vetados pelo Presidente foram bem justificados e imagino que vai dar muito que discutir. Aliás, desconfio que pode haver um significativo embate entre os poderes.  
Isto tudo me faz lembrar os profundos traços culturais que norteiam a vida comum do brasileiro. A coisa mais desejada do nosso cidadão e ser investido de alguma forma de autoridade. Uma simples colaboradora doméstica – vejo isto na minha casa – sonha educar o filho ou neto para ser no futuro um poliça, devogado ou juiz porque impõe respeito e manda em tudo. Quando alguém senta praça e se vê fardado sai desfilando autoritarismo pela rua, tira foto com a parentada e posta no Facebook.  
Fora isto, a coisa mais comum e que se tornou jargão popular, país afora, é encontrar alguém que use do famoso expediente : “você sabe com quem está falando?” Já assisti muitas vezes. O cara “toma ar” infla o peito e joga na cara do interlocutor esta pergunta “assustadora”. Tem gente que treme nas bases e começa a falar fino repentinamente. E, muitas vezes, é vitima de um simples soldado de policia, abusando da patente que lhe confiaram. Brasileiro adora ser autoridade e poder ameaçar, prender e praticar outras atrocidades com quem se meta contra ele. Muitos são os casos de policiais processados e banidos das fileiras de suas guarnições militares, por abuso do poder.

Até Papai Noel se acha autoridade!
Sou a favor, sim, de uma Lei que estabeleça limites a esses abusos, do mais simples aos mais altos postos de autoridade na Nação. Para tanto, contudo, vejo ser preciso um tratamento muito mais amplo do que um aparato legislativo de ordenamento social. A coisa tem que começar de casa com o fim do abuso de “autoridade” dos pais, maridos e esposas e filhos mais velhos, combatendo atrocidades de castigos massacrantes, abusos sexuais de menores e inclusive crimes sob o manto diáfano, opaco, da autoridade.
O brasileiro do futuro tem que crescer culturalmente confiante na segurança jurídica do país, nos seus direitos democráticos e sem ambição de ser alguma autoridade. Ser gente. Simples assim.

NOTA: Charge encontrada no Google Imagens

sábado, 16 de junho de 2018

A Ver Navios

Há pouco mais de dez anos, Pernambuco viveu momentos de euforia econômica com grandes investimentos estruturadores sendo implantados e perspectivas de tempos alvissareiros, não apenas local, com rebatimentos regionais de grande monta. Foi quando começaram a se implantar os estaleiros Atlântico Sul e Vard Promar, a Refinaria de Petróleo da Petrobrás (RENEST), a Petroquímica Suape e logo em seguida o Polo Automobilístico da FCA (Fiat /Chrysler), entre outras iniciativas de menores portes.
Tudo esteve na mais perfeita ordem de implantações até que eclodisse a crise político-econômica que se estende até a atualidade, consequência da Operação Lavajato – expondo de modo arrasador os imensos crimes de corrupção na esfera política nacional – interrompendo, dessa forma, o processo virtuoso de desenvolvimento econômico do estado.
Com a Petrobrás posicionada no “olho do furacão” da crise, devido ao grande foco de corrupções ali instalado, os projetos pernambucanos começaram a minguar e até o momento amargam quadros de indefinição e com perspectivas nefastas. A Refinaria em fase de implantação teve suas obras paralisadas e vive à espera de novos bons tempos. A Petroquimica já foi vendida a um grupo multinacional, que promete tocar o projeto, e os estaleiros, embora em funcionamento, vislumbram momentos de dificuldades por motivo de cancelamentos de encomendas ou falta de novas. Trata-se de ameaça, com um duro golpe, ao estado que se destacava no cenário nacional como um polo industrial de grande perspectiva econômica. O único projeto que se apresenta, hoje, a pleno vapor e vislumbrando crescimento é a montadora Fiat/Chrysler (FCA) na Zona da Mata Norte, cuja produção tem tido constante crescimento.
Mas, tratando objetivamente do caso dos estaleiros, é duro perceber que a situação se revela mais complexa e chama maior atenção. A história recente mostra que o Brasil já foi, nas décadas de 70 e 80, o segundo maior construtor naval do mundo. Com o avanço competitivo das produções no Japão e na Coréia do Sul os estaleiros brasileiros (concentrados à época no estado do Rio de Janeiro) foram perdendo competitividade, inclusive no mercado nacional. Tornou-se mais barato comprar embarcações dos asiáticos (com custos de construção muitíssimo mais baixos) do que dos estaleiros nacionais, ocasionando um desmonte do setor, em proporções incomensuráveis.
Entretanto, o espírito nacionalista do ex-Presidente Lula e as descobertas das novas ocorrências de petróleo, inclusive as do pré-sal, apontou para um potencial mercado de embarcações no ambiente doméstico, levando a que o Governo criasse o Programa da Modernização e Expansão da Frota - PROMEF, visando particularmente ampliar de forma mais ampla a frota de petroleiros da Transpetro, braço de logística da Petrobrás com embarcações construídas no Brasil. Soerguia-se, assim, consequência desta decisão politica, a  Indústria Naval nacional tomando forma com implantações de vários estaleiros no país.
Estaleiro Atlântico Sul - EAS, Suape, Pernambuco, Brasil
Numa iniciativa incentivada – pela SUDENE e pelo Governo do Estado – grupo de empresas experientes no mercado da construção civil pesada, instalou em Pernambuco, o maior desses estaleiros, o Atlântico Sul – EAS, no Complexo Industrial Portuário de Suape que se tornou um dos mais demandados pelo Programa, com encomenda imediata de 22 navios. O empreendimento pelas suas dimensões, condições tecnológicas e localização geográfica foi de pronto considerado o mais competitivo e, inclusive, reconhecido como o maior do Hemisfério Sul. Posso garantir de que se trata mesmo de uma fantástica planta, que acompanhei a implantação desde os momentos de decisão da localização. Foi investido um total de R$ 2,2 Bilhões com uma capacidade instalada de processar 100 Mil Toneladas de aço por ano. No pico das contratações o EAS contou com 11.000 empregados diretos, número vem aos poucos caindo e atualmente conta com 3.600. Considerando o efeito pra frente, pelo menos 33.000 pessoas se beneficiaram com o empreendimento. Estimei um multiplicador de 3 para cada ocupado direto.
Ao longo dos últimos dez anos o EAS acumulou experiência e hoje ostenta um desempenho comparável aos observados em plantas da Coreia do Sul, maior construtor mundial. Ganhou competitividade e suas embarcações se destacam pela qualidade da produção no mercado.
Dependente, porém, de um único cliente (Transpetro) e sofrendo das consequências das restrições de investimentos desse cliente, o EAS se encontra diante de um colossal desafio para manter a dinâmica de produção e sua própria sustentabilidade. Das 22 embarcações inicialmente encomendadas 7 foram canceladas (4 Suezmax e 3 Aframax). Nestes dias o EAS está iniciando a construção do último navio a ser entregue à Transpetro, o que deve ocorrer até junho de 2019. Depois disso, ninguém sabe o que poderá acontecer.              
Lideranças politicas e governamentais locais se mobilizam, no momento, para acudir a Empresa que sofre com uma sequencia de prejuízos e, o pior, teme sua inviabilidade, caso não conquiste novas encomendas. Pernambuco corre o risco de sofrer amarga perda na composição do seu atual PIB Industrial que, nos últimos três anos, teve uma contribuição media de R$ 800,0 Milhões. Somente de desempregados serão 3.500.
Esta infausta história leva a crer que, ao invés de construir navios, ao estado restará a triste situação de “a ver navios”.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens   
 

 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Estado Deteriorado

É muito comum ouvir alguém dizer que não tolera falar de política. Hoje mais do que nunca, diante das contínuas convulsões da cena política brasileira. Muitos não querem nem assistir aos noticiários da TV e nem ler jornais porque só se fala em política e políticos corruptos, roubalheira, prisões, Lavajato, assassinatos, assaltos e correlatos. Nesse ambiente, digamos, de “alienados” fico sem entender como se pode viver indiferente a tudo que ocorre no seu entorno. E, pior, sem se dar conta de que tudo influencia diretamente suas vidas, seus hábitos e costumes. Queira ou não, todo cidadão ou toda cidadã está sujeito(a) às regras estabelecidas pela vertente da política. É impossível ser diferente.
Ah! Mas, há sociedades nas quais a política não é motivo de preocupação. É verdade. São países de culturas historicamente amadurecidas e com níveis sociais elevados. Assim mesmo, não se alcança a plenitude. Normas e regras são sempre necessárias e sujeitas às injunções políticas. É o caso do Brasil de hoje, eivado de conjunturas eletrizantes. No contexto atual, vamos ter que esperar muito para que a política seja apenas um detalhe das nossas vidas. Na verdade é quase uma utopia pensar que isso é possível. 
Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.)
Aristóteles (nascido em 384 aC. e que foi discípulo de Platão!), na antiga Grécia, se preocupou em definir a condição humana em face da política, dizendo: “dentre as características da natureza política humana, encontramos o conceito de animal político (Zoon Politikon), um animal racional que fala, pensa e que, além disso, tem necessidade natural de conviver em sociedade”. Na sequência o velho filósofo lembra que “a cidade (a Pólis) tem precedência sobre cada um dos indivíduos, pois, isoladamente o indivíduo não é auto-suficiente”. Por fim, afirmou que “o indivíduo só pode se desenvolver em sua capacidade racional em meio à vida em sociedade”. Ou seja, integrado ao meio no qual inserido. Daí a necessidade premente de conhecer seu ambiente político. 
O Ateneu na Pólis, do filosofo Aristóteles
Bom, para quem vive no Brasil de hoje fica difícil mesmo acompanhar o quadro político nacional. Mas, não tem outra opção porque, seguramente, todos sem exceção sofrem as consequências do estado (e do Estado!) deteriorado reinante.
Desempregos, assaltos, atentados, assassinatos banais, prisões diversas, agressões físicas, destempero emocional, desorganização das empresas, das famílias, das cidades e estados são frutos da desorganização política que vivemos e que não são compreendidas pelos indivíduos. Sobretudo esses que não querem ouvir falar de política e terminam sofrendo, sem noção precisa, mais do que os outros e que acompanham mais atentos a situação. Eu disse sofrendo mais e isto não quer dizer que esses outros não sofram. Na prática o estresse tem sido endêmico.
Um exemplo recente desse destempero social é ver um brutamontes, por um razão banal, agredir fisicamente um adolescente indefeso, numa a fila de lanchonete, aqui no Recife, deixando na maior perplexidade uma sociedade que anda às voltas para escapar da insegurança geral. 
Brutamontes agressor, no Recife
Outro exemplo é o caso do edifício de 24 andares atingido por brutal incêndio e desaba, no maior centro urbano do País, e os responsáveis não são identificados. As vitimas foram invasores indigentes e sem meios dignos de sobreviver. É algo assustador. Fruto de uma sociedade em abandono e sem perspectiva de futuro. 
Incêndio e desabamento em São Paulo.
O Brasil pede socorro. A sociedade está órfã de governantes honestos e verdadeiramente lideres. Esses que aí estão já mostraram suas incapacidades e o quanto são ímprobos.
Com efeito, os brasileiros precisam entender o significado da política na sua essência, não ignorá-la, para saber escolher seus governantes, logo mais.      

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens     

domingo, 17 de dezembro de 2017

Olhando pelo retrovisor e buscando o porvir.

O ano está terminando e já vai tarde. Foi difícil pra caramba. Muita gente se perdeu no meio do caminho, inclusive aqueles que se julgavam imunes à crise e, até agora, buscam a saída. Ricos e poderosos foram parar no xilindró. Pobres, coitados, estão mais pobres por conta do abandono do Estado e muitos por conta do desemprego. O país entrou em seguidas convulsões. Pelo meu retrovisor ainda enxergo muito sujeito metido a dono do mundo sendo atropelado pela Lavajato e caindo nas garras da Policia Federal. E a Nação está mergulhada até o pescoço no mar da decepção e do descrédito.
Numa época em que olhamos pelo retrovisor e, ao mesmo tempo, buscamos caminhos para ingressar num novo ano com mais vigor e esperanças é impossível não se apartar dessas maluqueiras que assistimos e que não param de surpreender. Ainda existe muita coisa sem reposta plausível.
A esta altura de Dezembro, quando os sinos do Natal sugerem um tempo de paz e os augúrios para um Novo Ano são indispensáveis, fico matutando e imaginando a respeito deste 2018 que se aproxima. Como será que vamos transpô-lo? Não quero ser pessimista. Longe de mim. Mas, também, está fora do meu jeito de ser ficar dando uma de alienado.
Sendo assim, ando preocupado com o desenrolar de alguns eventos anunciados, como Copa do Mundo e Eleições gerais. Pense que caldo essas duas coisas vão produzir no novo ano. Haja emoções.
Na Copa, segundo dizem, os Cartolas da famigerada FIFA já se comprometeram de fazer o Brasil Campeão. Ou seja, corrupção explicita. Esses caras são descarados. Que graça vai haver numa coisa dessas? Mas, o brasileiro que está habituado à corrupções continuas vai achar normal e legal. Os políticos vão deitar e deslizar nessa maionese. E o pior, mesmo sabendo dessa tramóia, vou torcer pelos canalhinhos (o corretor de texto está insistindo que eu corrija e escreva canarinhos!) dando uma de tô-nem-aí. Afinal, pelo que dizem, foi sempre assim... Vendemos a Copa de 14 para os alemães e compramos a da Rússia por antecipação. Será que vai ser assim mesmo? Vamos esperar para conferir. 
Quanto às eleições gerais são outros quinhentos. Essa panela, que é de alta pressão, pode até explodir. Estou preocupado. Olhando, outra vez, pelo retrovisor me admiram essas pesquisas que vêm sendo divulgadas nas redes sociais dando vitória liquida e certa para o “Sapo (corruuuuuupto) barbudo” – que Deus nos livre – ou para o Boçalnaro – que Ele nos livre, também – são diagnósticos que arrepiam qualquer sujeito de são juízo. Onde vamos parar? Que dilema se essas duas figuras forem ao segundo turno! Prefiro não acordar desse pesadelo.

Pobre Brasil, triste Nação. Desconjuro, como diziam vovó! Aí, minha gente, na altura dos meus avançados tempos, só vislumbro duas alternativas: chorar ou rir. Chorar por não haver assistido – até agora – a consolidação do meu Brasil com Ordem e Progresso e rir por haver escapado das atrocidades que esses políticos indecentes me submeteram. Tem horas, que prefiro quebrar o retrovisor. Por exemplo, quando lembro do presidente Collorido, caçador de marajás, que com a viúva de Chico Anísio surrupiaram minha poupança (naquela ocasião eu havia aplicado o apurado na venda de um valioso imóvel!) deixando-me com uma mixaria na conta. Nem sei como não enfartei naquela hora.
Apesar disso tudo estamos firmes e fortes. O Brasil é muito maior do que esses salafrários e parece que Deus é mesmo brasileiro. Simbora prá frente! Que venham 2018!     

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

         

terça-feira, 27 de junho de 2017

Todo mal traz um bem?

Alimentar esperança na atual situação brasileira tem sido esforço insano. A situação fica, cada vez mais, bagunçada. Ninguém se entende em Brasília e a perplexidade que se espalha pela Nação só aumenta. É indiscutivelmente um cenário de desespero geral. Pudera! Presidente definhando e com popularidade tendendo a zero, uma Câmara Federal mais perdida do que cego em tiroteio, o Supremo Tribunal Federal procurando driblar os buracos do meio do caminho, um Procurador Geral da Republica sem pena e sem dó, se despedindo do cargo, insistindo na manutenção da Lavajato, entendendo se tratar do mais competente processo de saneamento moral do país. Cá pra nós, é dose cavalar.
Agora, é engraçado observar a mais nova tese dos insatisfeitos – PTistas, PMDBistas, PSDBistas, Democratas e seus respectivos seguidores – de que a Lavajato está ameaçando a Democracia. Parece brincadeira. Esses caras são cômicos profissionais. E note que o Tiririca não está entre eles. Estão assegurando que Moro está acabando com a Classe Política. Ou seja, está acabando com eles. Pra completar, uma classe empresarial, propulsora do Progresso, engessada e esperando que a Ordem se estabeleça. Ah! Como essa Ordem e esse Progresso tem estado cada dia mais distante. Onde vamos parar?
Muitas vezes já se perguntou se o fim do poço havia sido alcançado. Alguns achavam que sim e “quebraram a cara”. Foi quando, cínicos assumiram o poder e garantiram que o lema do pavilhão nacional seria cumprido. Adotaram inclusive como slogan da administração! Enquanto isso, o “lavajato” de Curitiba jogou muito deles na cadeia. Vários desses, protegendo a própria pele, colocaram a boca no trombone. E dessa forma, tem sido um “Deus nos acuda”.
Como somente vem acontecendo, mais um escândalo se registra e o desta semana ficou por conta do inusitado episódio de um Presidente da Republica sendo denunciado criminalmente ao Supremo Tribunal Federal – STF. O Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, denunciou Michel Temer por corrupção passiva, baseado na delação dos donos da JBS.
Rodrigo Janot, Procurador Geral da República 
Pelo visto, estamos perdidos e sem rumo. O Brasil perdeu a bússola. Vai que essa denuncia é aceita e a ação é tocada. Aí, o homem tem que ser afastado do poder. O quadro se torna mais delicado, o país para novamente e outra briga vai rolar com a disputa pelo posto Máximo da Republica. Mas, tem uma coisa: quando menos esperarmos o ano acaba, entra 2018 e a sucessão presidencial real passa a ferver nesse caldeirão já com altíssima temperatura. Que “Deus nos acuda”, outra vez.
O mais insólito e para surpresa geral é que a sociedade parece até que nem liga mais pra essas futricas. Está anestesiada! Ninguém vai às ruas. As panelas não saem de cima dos fogões. O povo fica assistindo, ao largo, a uma cena inimaginável dantes na qual Lulistas, Temerosos, Aecistas estão juntos e misturados como farinha do mesmo saco.  
Mas, vamos adiante... Confusões à parte, no que será que esse imbróglio vai resultar? A esta altura do campeonato é isto que preocupa qualquer pessoa de são juízo. Fico pacientemente esperando que a máxima atribuída a Ludwig van Beethoven ao dizer “tenho paciência e penso: todo mal traz consigo um bem” dê certo para o caso brasileiro. Que a desejada Ordem e o necessário Progresso sejam lembrados por esses irresponsáveis no Poder.
Cansado de testemunhar tão triste página da História brasileira tento ter a paciência que teve Beethoven e espero viver, proximamente, num país mais honesto e democrático, sem corrupção, sem ladrões no Poder e enchendo seus cidadãos de orgulho. Aí vamos conferir, mesmo, se todo mal traz um bem.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

domingo, 30 de abril de 2017

Como será o amanhã?

Tem sido muito difícil manter um espírito otimista na atual conjuntura político-econômica brasileira. Busco renovar minha confiança nos governantes de plantão – pelos quais torci – mas, as dificuldades são enormes e crescentes. É tudo “farinha do mesmo saco”. Pobre Brasil. Essa série de delações premiadas abala qualquer brasileiro de são juízo. Do jeito que vai não sobrará ninguém na Esplanada de Brasília. E aí, meu Deus, quem vai se apresentar como herói nacional ou salvador da Pátria? Temo que algum aventureiro “lance mão” do poder. Bastam os que foram escorraçados.
A Operação Lava Jato segue em frente e sem dó vem expondo a reinante bandidagem endêmica, para nos mostrar que tipo de gente mandamos, irresponsavelmente, para Brasília. A Operação, Inclusive, vem sofrendo ameaças pelos abutres políticos tradicionais. Eu não queria estar na pele de nenhum desses protagonistas do atual momento histórico do país. Imagine o que tem sido o dia-a-dia de figuras como Lula, Michel Temer, Renan, Dilma entre muitos outros atolados na lama espalhada desde Curitiba. Imagine, também, a vida do Juiz Moro.

É pessoal, parece que nosso imbróglio político não terá fim, tão cedo. O esperado “fundo do poço” ainda está longe de ser atingido. Acho que está abaixo da camada do Pré-sal. Ou seja, profundamente fundo. Quando se imagina que está perto de ser alcançado, nova sonda perfuratriz aparece com força cada vez mais descomunal.  
Esses últimos dias foram estarrecedores. Não sei mais o que pode acontecer. Cada nome que é confirmado ou os que surgem pela primeira vez derrubam por terra chefões cínicos e contumazes, verdadeiros chefes de quadrilhas de assaltantes. Estarrecedor, igualmente, são esses empresários delatores. Ao colocarem os pontos nos is esses caras mostram o impressionante cinismo da corrupção no Brasil. Provoca-me asco assistindo-os nos noticiários da TV.
Vivendo neste estado de perplexidade  coletiva, tenho uma pergunta que não cala: como será o Brasil de amanhã? Esta minha questão deve fazer sentido à medida que busquemos avaliar ex-ante no que resultará todo esse sacrifício pelo qual estamos passando. Para alguns teremos um Brasil melhor, mais honesto e mais democrático, no sentido real. Teremos uma Nação mais moralizada. Assumindo meu espírito otimista, gosto de trabalhar com essa hipótese. Contudo, dou um passo à ré, lembrando-me que muitos interesses – dos velhos e corruptos manda-chuvas políticos – serão contrariados, o que vem provocando os esforços que já desenvolvem numa operação tipo “salvar a própria pele”. E neste caso, esse Brasil sonhado pode vir com deformações indesejadas. O poder desses caras, político ou empresário corrupto, vai bem mais além do que nós, pobres mortais, imaginamos. Na Itália, os resultados da Operação Mãos Limpas (inspiração do trabalho de Sergio Moro) não chegou ao resultado esperado, Fala-se que a corrupção não foi estripada por lá. Temo que o mesmo venha ocorrer aqui no Brasil.  

Eis aí um bom tema para reflexão dos amigos e amigas que acompanham o Blog do GB. Bom feriado de 1º de Maio. Comemorem o Trabalho! É de trabalho que o Brasil precisa.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sábado, 8 de abril de 2017

O que será de nós?

Confesso minhas dificuldades recentes para cumprir uma agenda sistemática para postar matérias neste meu Blog. Tentei algumas matérias nestas últimas semanas, mas, nada me convenceu. Preciso me convencer para postar qualquer coisa. Bem vistas ou não – o que pode acontecer normalmente – preciso gostar do que escrevo.
A primeira tentativa foi sobre a Operação Carne Fraca (uma ironia essa denominação da Operação). Em meio às démarches políticas que sucederam o desbaratamento das fraudes, fui vendo o tamanho do escândalo: primeiro o estardalhaço das diligências e da divulgação do problema pela Polícia Federal. Depois as repercussões domésticas e internacionais do caso. Tenho um leitor chileno que cobrou opinião. Foi um momento assustador da vida nacional, considerando que, da maneira que o caso foi exposto, a conclusão mais óbvia era de que a corrupção baixava nas nossas mesas e estômagos. 
Um desatino. Por outro lado, o colossal prejuízo que o Brasil passava a tomar em ver o bloqueio das compras da carne bovina brasileira nos pontos mais importantes do mercado mundial. Ora, meu Deus, numa tarde de sexta-feira de março, e numa manobra policial mal divulgada/administrada, o Brasil perdeu mais de dez anos de trabalho para conquistar um mercado exigente e rentável. Considerando que o Brasil conquistou, com muito suor e massa cinzenta, o primeiro lugar no mercado mundial de carnes, foi um baque sem precedentes. Contudo, ao que parece, a verdade aos poucos foi posta, houve um corre-corre do Governo e as coisas tendem voltar ao normal. Os corruptos foram identificados e punidos, enquanto a opinião publica internacional vem assimilando a verdade. Produtos foram examinados na sanidade e na qualidade, em vários países, incluindo os mercados mais importantes como China, Hong Kong e Europa. Coisas de um Brasil em permanente convulsão.
Outro post tentado foi comentando as delações que rolam em Curitiba, no âmbito da Lavajato, afundando, ainda mais, Lula e D. Dilma e, paralelamente, a prisão coletiva dos conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, bem como o Presidente da Assembléia Legislativa do mesmo estado. Incrível, porém verdade. Fico, perplexo, me perguntando: tem quem durma com uma zoada dessas? Quando a gente pensa que a temporada de escândalos atingiu seu fim, surgem outros de onde menos se espera. Tenha dó! Como pode um Tribunal de Contas Estadual ser corrupto e levado em massa para cadeia? O jeito é instituir outro para julgar os julgamentos do primeiro. Parece piada.
Os dias passam e outros bombásticos episódios se sucedem, inclusive no exterior. Na Venezuela, o Maduro tenta um golpe de estado, transferindo para o Supremo Tribunal de Justiça local as prerrogativas de legislar. Detalhe: os Ministros são todos mancomunados com ele. O povo foi às ruas e muito sangue vem correndo.
No plano internacional, ainda, o exótico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou num dia e no seguinte bombardeou bases militares da Síria cutucando o Ditador Bashar al-Assad e a sua aliada, a Rússia.
Base bombardeada pelos americanos na última quarta feira
Tempos difíceis. Sei não, mas, é preciso paciência porque estamos longe do fim. E então pergunto: o que será de nós, proximamente?

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens



   

sábado, 28 de maio de 2016

Desafiante Conjuntura

Já tentei fazer esta postagem semanal por três vezes e, desconcertadamente, retrocedi. O ambiente está muito confuso para um blogueiro da minha categoria, que não segue uma periodicidade rigorosa e que faz desse tipo de comunicação, antes de qualquer coisa, um hobby, ao mesmo tempo em que mantém uma forma de se comunicar com uma pequena legião de amigos/leitores. Resulta que termino administrando uma grande dificuldade de formar pauta, nesse ambiente político-econômico tão volátil nos dias de hoje aqui no Brasil.Cai governo, entra governo, ministério novo com cara de velho, ministro corrupto flagrado com a “boca na viola” e derrubado. Delações premiadas pipocantes... Coisa de louco, meu Deus!  Apressei-me neste sábado e aí está. 
Nessas horas recordo minha finada mãe, sempre antenada nos assuntos políticos e diante da televisão acompanhando essa “safadeza geral e endêmica” que assola o país. Se viva fosse e tivesse boa cabeça diria logo “o pau tá comendo lá em Brasília” ou “a volta agora é por dentro! Escreveu, não leu, o pau comeu”. E é isto mesmo. Eu concordaria na hora.
Que o governo de D. Dilma foi, por bom tempo, inviável é uma questão indiscutível. Não havia governabilidade, prestigio internacional ou confiança da sociedade. Tudo isto num cenário caótico de estagnação econômica, inflação acelerada, taxa altíssima de desemprego atingindo mais 11 milhões de brasileiros e o escandaloso buraco cavado pela generalizada corrupção, comandada pelos cardeais do partido da “presidenta”. O final não poderia ser outro.
Ocorre, contudo, que a fila das delatores anda rápida e outros salafrários vêm sendo denunciados, pondo por terra “santos” com os pés de barro. E o barro, pela própria natureza, não resiste aos fortes jatos de um lava-a-jato. 
Sou um grande entusiasta da Operação desse Juiz Sérgio Moro que está reescrevendo a História deste Brasil velho e vilipendiado por inúmeros canalhas que o administram ao longo dos anos, num verdadeiro e continuo flagelo. Quem tem a curiosidade de ler sobre a História da República (leia, por exemplo, Guia politicamente incorreta dos presidentes da República, de Paulo Schmidt, Ed. Leya, São Paulo, 2016) e poderá conferir o que digo. Aliás, o que todo mundo diz.
Os episódios da semana que finda (entre 23 e 27.05.16) expõem os que agora mandam em Brasília termina alimentando – e com razão – a turma petista que tenta fortalecer a tese do golpe.
E é a propósito desta tese que quero falar agora: fico observando alguns defensores da ideia querendo comparar o momento atual com o golpe de 1964. Já tive, inclusive, quem me perguntasse se o que ocorre agora não teria as mesmas características daquele ano. Fui enfático em dar minha opinião afirmando que não tem nada que seja comparável. O mundo era outro e o Brasil também. As forças exógenas que influenciaram a investida militar, à época, foram concretas, com a efetiva influência política norte-americana pontificando na America do Sul, diante do caso de Cuba. Tio Sam tremia com o avanço da União Soviética na parte Latina das Américas. Era o auge da Guerra Fria e o resto da História todo mundo conhece. Hoje, a coisa é diferente! A chamada Cortina de Ferro não existe mais, foi carcomida pela ferrugem e ruiu de podre e total inviabilidade. No nosso atual caso, as razões são essencialmente internas. Um Governo saudoso das ideias sócio-comunistas dos anos 60 e 70, administrativamente incompetente não conseguiu viabilizar seu projeto, se entregou ao banditismo da corrupção, deixando escapar uma bela oportunidade que teve de se tornar um ponto de inflexão na curva da velha condução política do país.
Os tempos de hoje são outros. Os países que passaram pelas experiências populistas já deram a “volta por cima” e atualizaram suas trajetórias. Os que se atrasaram no processo estão pagando caro pelo idealismo anacrônico que alimentam. A Venezuela é o melhor dos exemplos. Já os hermanos argentinos “viraram a mesa” com Macri e no Brasil tenta-se dar uma girada de 180° para colocar o trem de “volta aos trilhos”. Não é nada fácil com tanta instabilidade econômica e política. Na verdade é traumático, até porque falta uma liderança capaz. Melhor que nunca houvéssemos passado por essa conjuntura. O processo de impeachment, no formato que ficou desenhado, bem diferente da unanimidade do de Fernando Collor, ainda vai render muitos desencontros e dissabores à Nação. No meio disso tudo, a Lavajato vai continuar, a presidente fica no “limbo” e  poder central transitório se esforça para soprar sobre o país uma lufada de esperança. Mas, o Brasil continua dividido. É inútil pensar ao contrário. Isto pode perdurar por longo tempo cobrando do povo brasileiro um preço altíssimo.
De todo modo, como já passamos por muitas outras crises às quais sobrevivemos, cabe uma pergunta: por que não sairemos desta desafiante conjuntura? Tomara que seja mesmo conjuntural e que passe logo.  


  

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...