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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dando marcha à Ré

As coisas estariam bem mais tranquilas em meio a esta crise pandêmica, no seu capítulo brasileiro, se o ambiente político nacional não sofresse tantos choques convulsivos como vem ocorrendo. Foi o tema central da minha última postagem, na qual e noutras palavras o que tentei passar foi a ideia de que “unidos venceremos”. 
A convulsão de hoje (23/04/2020) abrindo a possibilidade de afastamento do Ministro Sérgio Moro era tudo que não se esperava ou desejava. O homem símbolo da limpeza moral da política nacional e indiscutível sustentáculo do Governo Bolsonaro ameaçando bater retirada da Esplanada dos Ministérios, por discordar da interferência presidencial, que ameaça demitir o Diretor-Geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, é tudo que o país não esperava. Valeixo é sabido ser braço direito do Ministro. Indiscutivelmente, uma lamentável marcha à ré na rota de moralização política do país e principal bandeira de campanha.
Desencontro Indesejado  
Ora, meu Deus, o Ministro Moro é um patrimônio moral consagrado internacionalmente. Honra o país e seguramente é o símbolo maior da reserva moral da República. Lembre-se disso Bolsonaro! Aliás, e a propósito, carta branca é Carta Branca. Esquecê-la, agora, é dar violento marcha à ré. Se apresse e engate uma marcha de força para frente.
Ainda na ressaca do tremor de ontem, quando vi, com imensa surpresa, a aproximação inesperada de Bolsonaro com os chamados partidos do Centrão sob uma alegação visível de garimpar apoio político no Congresso foi danado. Mudou de ideia, Presidente? Vai querer um Governo de Coalizão?

Para completar, e num lance mais ousado, vi o Presidente anunciar a possibilidade de “esquartejamento” do Ministério da Economia, tão bem estruturado neste Governo. Recriar o Ministério do Trabalho e confiá-lo à mesma corja sindicalista que tantos prejuízos causou à nação na era fatídica do PT é, no mínimo, vergonhoso. Nessa esteira de convulsão política  vi, pasmo também, a promessa governamental de lotear cargos menores, diga-se que não menos importantes e, sim, estratégicos, para esses partidos convidados a contribuir. Ibama e Banco do Nordeste, entre esses. É lasca!
Sinceramente, Senhor Presidente, sou seu defensor, mas, não sou cego. Vá com cuidado com essas relações perigosas que estão lhe iludindo. Para agradar a quem? O Brasil inteiro espera que o Senhor cumpra sua palavra. Sobretudo agora com a pandemia correndo solta e livre. Pobre Brasil.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A Insegurança sendo Perseguida

O problema amazônico já rendeu muito tro-ló-ló na semana que termina. Sou um sujeito crente no melhor e certo que “todo mal traz consigo algum bem”, conforme sabedoria popular. Mesmo com os espasmos verbais do Capitão, esse auê gerado em dimensões mundiais abriu os olhos de muita gente, gerou uma crise e dessa crise podemos esperar ações adequadas de combate ao desmatamento da Amazônia e os prováveis incendiários. São das crises que surgem as grandes soluções que levam ao progresso das nações. Esperemos. 
Mas, o assunto que domina a mídia de hoje, nas suas diferentes modalidades, é o da segurança pública, um problema desafiante no Brasil. Ontem (29.08.19) foi lançado, no Palácio do Planalto,  em Brasília, o Programa Em Frente, Brasil, formulado pelo Ministério da Justiça e Segurança Publica (Sérgio Moro), com o objetivo de desenvolver uma ação radical de combate à criminalidade. Será testado em cinco municípios do País, um de cada região, incluindo Paulista em Pernambuco. São locais onde a criminalidade é registrada em altos índices. Após esta teste, será extendido ao restante do país.
Presidente Bolsonaro e Ministro Sergio Moro
Vejo com bons olhos esta iniciativa e fico na torcida de que resulte em sucesso. O Brasil precisa urgentemente sair das páginas policiais do mundo. Já observo, há anos, que as noticias de insegurança e crimes no Brasil fazem imenso sucesso mundo afora. Divulgar a insegurança do Brasil parece ser tema favorito no exterior. Bom, existem razões concretas para tanto, o que é de se lamentar. Certa vez li num jornal estrangeiro (não lembro qual, no momento) a noticia de uma mulher assassinada pelo marido, por motivo de ciúmes, na cidade de Bezerros, no interior de Pernambuco. Ora, meu Deus, isto pode ocorrer no Brasil, como em muitos outros lugares por aí. Que importância haverá tido essa noticia para o público leitor, daquele veículo? Ciúmes? Assassinatos? Feminicídeo? Tanta coisa ocorrendo no Brasil e só ganham destaques coisa desse tipo. Aliás, uma noticia que pouco impacto causa nos jornais de Pernambuco. É doloroso, mas é verdade.  Enfim...
Imagino que o crime perpetrado por um marginal assaltante na orla de Ipanema, três dias atrás, vitimando mortalmente um cidadão chinês que fazia turismo na Cidade Maravilhosa, pode render manchetes alarmantes nos periódicos chineses e internacionais. Foi, de fato, uma atrocidade. O morto estava no Brasil a serviço de uma empresa chinesa (State Grid) que trata de ampliação da rede de distribuição de energia gerada pela usina de Belo Monte (PA) para o estado do Rio de Janeiro. Ou seja, estava em missão de trabalho sério e não de turismo propriamente dito.  Diante de fatos como este, imaginemos o temor que os investidores estrangeiros podem alimentar ao adotar decisões de mandar seus colaboradores em missão ao Brasil. Eis aí, fator capaz de inibir investimentos importantes de grupos estrangeiros ou multinacionais por aqui.
Outra coisa que vi registrada esta semana foi a operação da Policia Federal para prender integrantes de quadrilhas especializadas a roubos de cargas nas estradas do país. Isto é outra atrocidade a ser combatida. 
Esta placa no Rio Grande do Norte é uma aberração. Inacreditável.
Esses marginais estão abusando da prática de assaltar caminhões, carretas com cargas preciosas e veículos de passageiros. Lembremos do recente assalto ao terminal de cargas de Guarulhos, quando levaram 700 kg. de ouro! As seguradoras estão majorando sem limites os preços cobrados dos seguros de carga, inflacionando, ainda mais o custo do transporte de bens entre as praças do país. Na operação desta semana foram presos elementos das quadrilhas em inúmeros estados, incluindo Pernambuco.
Usar transportes interurbanos ou interestaduais é coisa estressante. 
Os brasileiros precisam alimentar as esperanças de viver num país mais tranquilo e seguro para todos, como falei no inicio. Contribuir com a iniciativa do Governo é uma obrigação de todo cidadão de bom senso. Pena que haja muitos torcendo pelo pior num testemunho expresso de baixíssimo patriotismo. Romper esta bolha espúria é desafio para muitos futuros.       

NOTA: Fotos e ilustração colhidas no Google Imagens.         

sábado, 30 de março de 2019

Pra onde vamos?

Todo mundo sabe que quando a economia vai bem, qualquer governo vai junto. Medidas político-econômicas bem traçadas e devidamente aplicadas levam a que o país cresça e, nessa esteira, a população, as famílias, sintam-se seguras e em bem-estar. E, na prática, disso depende a sustentabilidade de um Governo. É fácil? Sim, dependendo do país. Não, não é fácil quando se trata de um país estruturalmente desigual e cheio de problemas endêmicos, como é o caso do Brasil. Dilma caiu, sobretudo, pelo desandar da economia. Fora as relações de corrupção que compactuou, é claro.  Na história recente os erros foram inomináveis: medidas mal desenhadas e mal negociadas, como manda uma democracia de verdade, ideologias equivocadas e administradores incapazes e corruptos levaram o país ao caos em que ainda nos encontramos. 
A recente eleição presidencial levou ao poder uma força diametralmente oposta ao que prevaleceu nos treze anos anteriores e, mais uma vez, mostra que a alternância do poder é importante e salutar para sustentação de uma Democracia. Mas, estarão os atuais dirigentes preparados para operar a mudança que prometeram e que já é devida à Nação? Eis aí, uma formidável e dolorosa interrogação. 
A maioria votou no Bolsonaro alimentando as esperanças de detonar o socialismo obsoleto – chamado de Socialismo do século 21 – banir os políticos corruptos e ladrões das cadeiras de comando do Planalto e, obviamente, ingressar num período de bonança e desenvolvimento econômico. A melhor tradução da esperança dos brasileiros, quando foram às urnas em 28 de outubro passado, pode ter sido a de conseguir um emprego. O irresponsável governo passado cometeu a façanha de deixar 13 milhões de cidadãos e cidadãs na rua da amargura. Trata-se de uma marca de desemprego inédita, num país de tantas potencialidades e de tantas promessas. E agora, pra onde vamos? Este é o X da questão que Bolsonaro e sua equipe terá que descobrir. Mesmo sabendo que o desmantelo deixado - a herança maldita - é incomensurável. Mas isto não interessa ao eleitor. Este espera solução urgente.
Bom, as medidas econômicas, propriamente ditas, propostas pelo Governo Bolsonaro, além de óbvias, não são necessariamente as anunciadas no seu palanque de campanha e as suas favoritas. A prioridade dele sempre foi, e tem sido, acabar com a corrução estruturada cinicamente na politica e o combate ao risco de implantação de uma ditadura totalitarista, como vem ocorrendo na Venezuela. Reforma da Previdência não era! É sim, agora. E Paulo Guedes (Ministro da Economia) é que assumiu o papel de patrono do projeto, sabedor que é do buraco que tem adiante. Bom lembrar que esta demanda é coisa velha e desde os anos 80 já se falava da falência do atual sistema. Foi "empurrada com a barriga"  pelos antecessores por ser uma medida impopular e politicamente inconveniente para os objetivos que perseguiam. Mas, agora, chegamos ao limite. Sem ela o país vai quebrar. Lembremos do caso da Grécia e de alguns estados brasileiros. FHC, Lula, Dilma e Temer estavam cientes, mas nunca tiveram coragem ou responsabilidade de encarar a situação. Ou seja, ossos do oficio que eles por conveniências políticas preferiram não roer. Mas, chega uma hora que não dá mais para segurar. E quando o responsável maior é obrigado a enfrentar a situação, vai ter que roer.  É isto que ocorre atualmente. Bolsonaro, com suas "feras", vai ter que roer direitinho e sem se entalar. É o  sucesso do seu governo que está em jogo. Exige muita negociação. Exige competência politica. Exige, por fim, espirito democrático.

A outra bandeira do Governo, que é a do Pacote Anticrime, vai ter que ser, igualmente,  bem negociado. O que não falta é político maquinando formas de boicotar o projeto do Ministro Moro. Todos têm "rabo preso", minha gente! Está na hora de provar, mais uma vez, sua competência, Caro Ministro. Boa sorte! Estamos torcendo. 
Enquanto isto, o povo continua desempregado, a economia se segura numa gangorra e os investidores esperam resultados positivos que não pintam no horizonte. Pra onde vamos?  

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 




terça-feira, 20 de novembro de 2018

Tomando Formato


Tenho acompanhado atentamente a montagem da Equipe do Governo Bolsonaro que, aos poucos, vem tomando forma. Claro. O Brasil inteiro está atento, depois que desmontados os palanques de campanha, embora haja quem pense num terceiro turno.
À medida que são anunciados os nomes dos futuros ministros e respectivos auxiliares dá para perceber a que vem este novo Governo. Já era tempo porque, afinal, durante a Campanha só vimos e ouvimos discussões acirradas e agressões profundas e necas de propostas concretas de Governo. A ideia de reduzir o número de Ministérios vem sendo aplaudida e, particularmente, reputo como sendo uma medida mais que necessária. Atualmente existem muitos completamente inexpressivos e, sobretudo, inúteis. Cabide de empregos e, na prática, serviram apenas para alavancar o projeto de aparelhamento partidário do Estado conduzido pelo PT, durante treze anos no poder. A criação de um Ministério da Economia, englobando pastas que tratam de assuntos superpostos é uma das mais aplaudidas iniciativas. O titular escolhido para assumir a Pasta é, o que pode se dizer, mentor político-econômico do Presidente eleito e por isso vem sendo chamado de Super Ministro. Quem pode, pode. Os demais indicados parecem ser pessoas com perfis adequados ao projeto Bolsonaro. Principalmente o Juiz Sergio Moro, que pelas atribuições que vai assumir – um conglomerado de funções – pode ser tido como outro Super. Da Justiça. 
Desse jeito, as coisas tomam formatos como esperado e prometido, isto é, auxiliares diretos sem a velha e cansada estratégia do loteamento partidário. Coisa boa, sem dúvida. Presidir com o “rabo preso” deve ser complicado, para quem pretende "botar ordem" na Casa. 
Não obstante tudo isso, fico muito preocupado com o modo pelo qual está sendo tratada a questão da política externa do novo Governo. Temo que um excessivo viés ideológico, conservador e liberal, leve o país a uma senda pouco recomendável para esta área. É preciso ter em conta o fato de que se nos domínios domésticos há espaço para aplicar medidas (parcimoniosas, de preferencia!) que passem por esse viés político-conservador. Mas, o das Relações Exteriores vem se prometendo ser um expressivo desafio. Lidar com parceiros políticos e comerciais internacionais exige flexibilidade político-diplomática que não consigo enxergar, até agora. O indicado como Chanceler, diplomata de origem, vem sendo avaliado com restrições pelos críticos internos e externos. Fui procurar ver de quem se falava e não fiquei tranquilo. Mostra-se admirador extremo do presidente norte-americano, Donald Trump, que não é, nem de longe, bom modelo a ser seguido. Mas, como esse Chanceler vai ter que seguir a cartilha do que chamo Grupo de Choque, fico pensando como será por em prática idéias expressas por discursos que foram “cometidos” por membros do referido Grupo a respeito do assunto. Convém ser lembrado que o Brasil não pode ser uma autarquia no mundo atual, a exemplo do que o Trump vem tentando nos Estados Unidos. Mesmo porque não temos cacife pra tanto e limitar as relações internacionais a poucos parceiros será um equivoco irremediável. Por exemplo, dizer que o Mercosul não é prioridade, é um tremendo equivoco. Causou-me muita estranheza o modo pelo qual isto foi  anunciado. Será de difícil remendo esta potencial quebra do Tratado do Cone Sul. A ideia que o Bloco tem a Venezuela incluída não invalida este acordo. Mesmo que ainda tenha essa participação, que parece ser o óbice principal, não se justifica. O Mercosul é muito maior do que isto. Nossas relações comerciais e políticas com a Argentina, original integrante do Bloco, são de extrema importância em vários segmentos politico-cultural. Fora isto, os hermanos são importantes parceiros comerciais. E parceiros comerciais importantes merecem distinção no trato. Quanto à questão da Venezuela vejo como sendo uma coisa facilmente resolvível. Basta que a flagrante situação político-institucional adversa do nosso vizinho ao norte seja discutida no Conselho do Bloco, que poderá expulsá-lo evocando um dos principais pilares do Acordo que é a garantia de estabilidade política dos seus signatários. Ora, a Venezuela, indiscutivelmente, vive uma duríssima ditadura. Isto seria o bastante. Detalhe: A Venezuela foi incluída como membro por imposição política dos governos bolivarianos brasileiro (Lula/Dilma) e argentino (Cristina Kirchner).
Há também outro imbróglio complicado que é a dos médicos cubanos no Mais Médicos. Isto promete muitas emoções. Aguardemos.
Ouvi falar, também, de uma revisão à recente Lei de Migração que tramitou por cinco anos no Congresso Nacional e foi sancionada no ano passado. É a lei 13.455/2017. Não é ruim e segue parâmetros internacionais. Começar tudo de novo e negar compromissos firmados pode dar prejuízo. Quer saber mais? Clique em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/05/25/nova-lei-de-migracao-e-sancionada-com-vetos
Bom, o formato deste novo Governo interessa a todos nós porque vai mudar muita coisa na vida do brasileiro(a). Dei ênfase a uma área que me interessa em particular, mas, “muitas águas vão rolar sob a ponte”.
  
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.      

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Que país é esse?


Tenho algumas razões para não admirar, muito menos comemorar, essa condenação à prisão  do ex-Presidente Lula, devido ao julgamento do Juiz Sérgio Moro, de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato. Meu lamento é, sobretudo, relacionado à figura que ele representou, ou ainda representa de ex-mandatário da República e não, necessariamente, devido ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. É difícil separar as duas coisas, mas, é preciso!
Como Presidente ele cumpriu um papel de destaque e se projetou internacionalmente defendendo o nome do Brasil, embora muitas das controvérsias que criou. A lástima é que não soube ser correto enquanto cidadão e perdeu a chance de ouro de entrar na História de modo limpo, ao não saber lidar com o decoro que o Poder lhe conferiu e não titubeando ao se entregar às loas e armadilhas  montadas por corruptores contumazes que sempre existiram nesta e em muitas outras frágeis repúblicas, particularmente nas latino-americanas . Perdeu a cabeça e se entregou de corpo e alma à bandidagem, de forma compulsiva. Portanto, entendo que não foi nenhum inocente! Agora, a verdade é que não se trata de uma coisa comum ver um ex- presidente, todo poderoso da Nação e que posou de mensageiro da esperança para um povo sofrido, ser condenado à prisão por tão escusas razões.

Lula versus Moro
Acredita-se e deve ser verdade que muitos dos seus antecessores, ao longo da História da República, se locupletaram desde a cadeira presidencial. Disso ninguém duvida.  Mas, o Brasil mudou! Os tempos são outros e hoje as regras são outras. Os mecanismos disponíveis de controle e julgamento dos representantes do povo são mais eficientes e, sobretudo, transparentes. Uma Republica institucionalmente mais consolidada e na incessante busca do politicamente correto. Recordo que quando o ex-Presidente Collor foi impedido de continuar à frente da Presidência da República tivemos o primeiro grande sinal desses novos tempos. Naquela ocasião, dava-se por certo que, prá frente não teríamos novas decepções. Mas, não. O pior estava por vir. E veio! A História está registrando e não é à toa que temos hoje um ex-presidente condenado à prisão, sua sucessora e cria política sendo acusada de desmandos político-administrativos, enxotada, aliás, do poder e, pior, um terceiro, em pleno exercício do cargo presidencial, denunciado pelo Procurador Geral da República por vários atos ilícitos, tais como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Trata-se de um cenário plúmbeo e extremamente nefasto para um país da dimensão política e econômica do Brasil.
Ora, este não é o país que vislumbrei nos meus projetos de cidadão, na juventude.  Jamais passaria pela minha mente qualquer episódio do tipo que estamos assistindo nessa recente passagem da História da nossa República.
Habituado a viver, com alguma frequência, exposto a sociedades de além fronteiras e recordar a forma respeitosa e entusiasmada com as quais os estrangeiros dispensam ao Brasil, à nossa gente e nossa cultura, vejo-me em profundo pesar e indignação em face das repercussões internacionais negativas geradas por essas autoridades de plantão, no Planalto Central. Constato facilmente que estamos num patamar de total desgoverno e irresponsabilidade generalizada, nivelado a países em estado indefinido politicamente e com profundas diferenças étnicas e sócio-econômicas. No Brasil de agora, cata-se um líder de realce enquanto probo, republicano e consciente das necessidades do brasileiro, para assumir o comando da Nação e é o mesmo que procurar uma agulha num palheiro. Nessas horas faço coro com Renato Russo e pergunto: que país é esse?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens
    
 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Todo mal traz um bem?

Alimentar esperança na atual situação brasileira tem sido esforço insano. A situação fica, cada vez mais, bagunçada. Ninguém se entende em Brasília e a perplexidade que se espalha pela Nação só aumenta. É indiscutivelmente um cenário de desespero geral. Pudera! Presidente definhando e com popularidade tendendo a zero, uma Câmara Federal mais perdida do que cego em tiroteio, o Supremo Tribunal Federal procurando driblar os buracos do meio do caminho, um Procurador Geral da Republica sem pena e sem dó, se despedindo do cargo, insistindo na manutenção da Lavajato, entendendo se tratar do mais competente processo de saneamento moral do país. Cá pra nós, é dose cavalar.
Agora, é engraçado observar a mais nova tese dos insatisfeitos – PTistas, PMDBistas, PSDBistas, Democratas e seus respectivos seguidores – de que a Lavajato está ameaçando a Democracia. Parece brincadeira. Esses caras são cômicos profissionais. E note que o Tiririca não está entre eles. Estão assegurando que Moro está acabando com a Classe Política. Ou seja, está acabando com eles. Pra completar, uma classe empresarial, propulsora do Progresso, engessada e esperando que a Ordem se estabeleça. Ah! Como essa Ordem e esse Progresso tem estado cada dia mais distante. Onde vamos parar?
Muitas vezes já se perguntou se o fim do poço havia sido alcançado. Alguns achavam que sim e “quebraram a cara”. Foi quando, cínicos assumiram o poder e garantiram que o lema do pavilhão nacional seria cumprido. Adotaram inclusive como slogan da administração! Enquanto isso, o “lavajato” de Curitiba jogou muito deles na cadeia. Vários desses, protegendo a própria pele, colocaram a boca no trombone. E dessa forma, tem sido um “Deus nos acuda”.
Como somente vem acontecendo, mais um escândalo se registra e o desta semana ficou por conta do inusitado episódio de um Presidente da Republica sendo denunciado criminalmente ao Supremo Tribunal Federal – STF. O Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, denunciou Michel Temer por corrupção passiva, baseado na delação dos donos da JBS.
Rodrigo Janot, Procurador Geral da República 
Pelo visto, estamos perdidos e sem rumo. O Brasil perdeu a bússola. Vai que essa denuncia é aceita e a ação é tocada. Aí, o homem tem que ser afastado do poder. O quadro se torna mais delicado, o país para novamente e outra briga vai rolar com a disputa pelo posto Máximo da Republica. Mas, tem uma coisa: quando menos esperarmos o ano acaba, entra 2018 e a sucessão presidencial real passa a ferver nesse caldeirão já com altíssima temperatura. Que “Deus nos acuda”, outra vez.
O mais insólito e para surpresa geral é que a sociedade parece até que nem liga mais pra essas futricas. Está anestesiada! Ninguém vai às ruas. As panelas não saem de cima dos fogões. O povo fica assistindo, ao largo, a uma cena inimaginável dantes na qual Lulistas, Temerosos, Aecistas estão juntos e misturados como farinha do mesmo saco.  
Mas, vamos adiante... Confusões à parte, no que será que esse imbróglio vai resultar? A esta altura do campeonato é isto que preocupa qualquer pessoa de são juízo. Fico pacientemente esperando que a máxima atribuída a Ludwig van Beethoven ao dizer “tenho paciência e penso: todo mal traz consigo um bem” dê certo para o caso brasileiro. Que a desejada Ordem e o necessário Progresso sejam lembrados por esses irresponsáveis no Poder.
Cansado de testemunhar tão triste página da História brasileira tento ter a paciência que teve Beethoven e espero viver, proximamente, num país mais honesto e democrático, sem corrupção, sem ladrões no Poder e enchendo seus cidadãos de orgulho. Aí vamos conferir, mesmo, se todo mal traz um bem.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Parou de Piorar?

A semana que passou estive circulando por São Paulo, por onde, no meu entender, bate mais forte o “coração” do país. Fui numa missão empresarial do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE. O objetivo foi participar de uma Feira de Negócios da Indústria de Máquinas e Ferramentas – EXPOMAFE, promovida pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). É um evento muito específico do setor industrial, bom para quem entende da coisa e propício (como no meu caso) para aferir como andam a produção e as inovações, nacional e internacional, de máquinas e de ferramentas, bem como as reações dos investidores. É um encontro que acontece a cada dois anos, tempo supostamente adequado para que venham a ocorrer mudanças nos processos de produção, novas aplicações tecnológicas e na disposição de assimilação pelos produtores.  Este é certamente o mote da promoção.

Ocorre, porém, que, no estado atual da economia brasileira, o tema da crise que nos abate terminou sendo uma constante nas rodas de negócios. Para alguns a situação ainda é muito delicada, enquanto que para outros mais otimistas e, sobretudo, os patrocinadores da expo, a coisa aponta para uma saída do balaio de problemas. Estes últimos preferem dizer que a situação “parou de piorar”. Note-se que parar de piorar não é coisa muito distante de considerar que a situação é muito delicada. São, talvez, formas distintas de explicar uma mesma situação.
Na verdade, qualquer que seja o negócio que se trate hoje neste país, é impossível desligar do estado político reinante. Sendo como vem sendo, essa coisa enrolada gera insegurança da maioria capaz de investir em máquinas mais novas, ferramentas mais ágeis e competitivas e, conseguintemente, melhoria da qualidade do seu produto, que são sempre desejos de muitos.
Aquela arguição do ex-presidente, na quarta feira, em Curitiba, foi indiscutivelmente acompanhada por todos, com grande expectativa. O embate entre Lula e Moro monopolizou as atenções de meio mundo. “Prender o Lula ou deixá-lo em liberdade, vai determinar o formato dos negócios que vamos fazer daqui pra frente”, foi o que ouvi de um empresário. Esse mesmo cidadão lembrou que, na atual conjuntura, aqueles que estão habituados a esperar pelo apoio do Governo para retomar sua produção devem “tirar seus corcéis da tempestade”. Ele entende que, com a limitação de gastos e investimentos imposta pelo Governo Federal, nem em 2025 haverá recursos federais para atender demandas até bem pouco corriqueiras. E de lá prá frente, só Deus sabe. O Governo se encolheu em face do aperto que sofre e aponta com uma tendência de deixar que a iniciativa privada se vire e busque alternativas para crescer de forma independente. As privatizações dão uma boa dimensão das intenções. Está evidente que as tetas de Brasília secaram. Daí a pergunta: isto é ruim, ou bom? Há controvérsias. Claro! Romper com um modelo, ainda que superado e carcomido, parece ser uma missão colossal. A salvação é que, ao mesmo tempo, o Governo Temer – que pretende ser o reformista – está trabalhando diuturnamente nesse projeto desafiador. Reformas Trabalhista, Previdenciária, Econômica, Política e Eleitoral, como projetadas, remetem implicitamente a formas de reduzir encargos tributários e sociais que tanto perturbam e atrapalham o empreendedor brasileiro. Se tudo sair nos conformes algo de novo pode mudar no Brasil. O famoso Custo Brasil teria, em boa parte, seus dias contados.
Para os que acreditam que parou de piorar a boa surpresa de hoje mesmo (17.05.17) é que vários comentários de analistas econômicos comemoram o crescimento da Economia no primeiro trimestre em pouco acima de 1%. Esse dado ainda está por ser confirmado. É coisa pequena, mas é motivo de festejar porque a última vez que isso ocorreu foi no já distante 2014. Melhor do que isto é constatar que o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego registrou, em Abril recente, 59,6 mil novas admissões. A maioria no Setor Serviços. É animador! Aí cabe perguntar: Parou de Piorar?
De outra banda do sistema econômico surgem as noticias de que a inflação está caindo, o Dólar vem caindo, também, e o Banco Central sinaliza intenções de baixar as taxas de juros. Nada melhor para quem investe em máquinas e na construção civil. Que venha mesmo. Será que a coisa vai? É outra pergunta cabível.
Resumo da ópera, neste momento: inflação em baixa, juros caindo, Real se valorizando, encargos trabalhistas e tributários prestes a amenizar a vida do investidor, empregos recriados... É, tomara que a coisa tenha parado de piorar, mesmo.

Nota: O Blogueiro esteve em São Paulo a serviço do SIMMEPE – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco.
           


Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...