sábado, 28 de maio de 2016

Desafiante Conjuntura

Já tentei fazer esta postagem semanal por três vezes e, desconcertadamente, retrocedi. O ambiente está muito confuso para um blogueiro da minha categoria, que não segue uma periodicidade rigorosa e que faz desse tipo de comunicação, antes de qualquer coisa, um hobby, ao mesmo tempo em que mantém uma forma de se comunicar com uma pequena legião de amigos/leitores. Resulta que termino administrando uma grande dificuldade de formar pauta, nesse ambiente político-econômico tão volátil nos dias de hoje aqui no Brasil.Cai governo, entra governo, ministério novo com cara de velho, ministro corrupto flagrado com a “boca na viola” e derrubado. Delações premiadas pipocantes... Coisa de louco, meu Deus!  Apressei-me neste sábado e aí está. 
Nessas horas recordo minha finada mãe, sempre antenada nos assuntos políticos e diante da televisão acompanhando essa “safadeza geral e endêmica” que assola o país. Se viva fosse e tivesse boa cabeça diria logo “o pau tá comendo lá em Brasília” ou “a volta agora é por dentro! Escreveu, não leu, o pau comeu”. E é isto mesmo. Eu concordaria na hora.
Que o governo de D. Dilma foi, por bom tempo, inviável é uma questão indiscutível. Não havia governabilidade, prestigio internacional ou confiança da sociedade. Tudo isto num cenário caótico de estagnação econômica, inflação acelerada, taxa altíssima de desemprego atingindo mais 11 milhões de brasileiros e o escandaloso buraco cavado pela generalizada corrupção, comandada pelos cardeais do partido da “presidenta”. O final não poderia ser outro.
Ocorre, contudo, que a fila das delatores anda rápida e outros salafrários vêm sendo denunciados, pondo por terra “santos” com os pés de barro. E o barro, pela própria natureza, não resiste aos fortes jatos de um lava-a-jato. 
Sou um grande entusiasta da Operação desse Juiz Sérgio Moro que está reescrevendo a História deste Brasil velho e vilipendiado por inúmeros canalhas que o administram ao longo dos anos, num verdadeiro e continuo flagelo. Quem tem a curiosidade de ler sobre a História da República (leia, por exemplo, Guia politicamente incorreta dos presidentes da República, de Paulo Schmidt, Ed. Leya, São Paulo, 2016) e poderá conferir o que digo. Aliás, o que todo mundo diz.
Os episódios da semana que finda (entre 23 e 27.05.16) expõem os que agora mandam em Brasília termina alimentando – e com razão – a turma petista que tenta fortalecer a tese do golpe.
E é a propósito desta tese que quero falar agora: fico observando alguns defensores da ideia querendo comparar o momento atual com o golpe de 1964. Já tive, inclusive, quem me perguntasse se o que ocorre agora não teria as mesmas características daquele ano. Fui enfático em dar minha opinião afirmando que não tem nada que seja comparável. O mundo era outro e o Brasil também. As forças exógenas que influenciaram a investida militar, à época, foram concretas, com a efetiva influência política norte-americana pontificando na America do Sul, diante do caso de Cuba. Tio Sam tremia com o avanço da União Soviética na parte Latina das Américas. Era o auge da Guerra Fria e o resto da História todo mundo conhece. Hoje, a coisa é diferente! A chamada Cortina de Ferro não existe mais, foi carcomida pela ferrugem e ruiu de podre e total inviabilidade. No nosso atual caso, as razões são essencialmente internas. Um Governo saudoso das ideias sócio-comunistas dos anos 60 e 70, administrativamente incompetente não conseguiu viabilizar seu projeto, se entregou ao banditismo da corrupção, deixando escapar uma bela oportunidade que teve de se tornar um ponto de inflexão na curva da velha condução política do país.
Os tempos de hoje são outros. Os países que passaram pelas experiências populistas já deram a “volta por cima” e atualizaram suas trajetórias. Os que se atrasaram no processo estão pagando caro pelo idealismo anacrônico que alimentam. A Venezuela é o melhor dos exemplos. Já os hermanos argentinos “viraram a mesa” com Macri e no Brasil tenta-se dar uma girada de 180° para colocar o trem de “volta aos trilhos”. Não é nada fácil com tanta instabilidade econômica e política. Na verdade é traumático, até porque falta uma liderança capaz. Melhor que nunca houvéssemos passado por essa conjuntura. O processo de impeachment, no formato que ficou desenhado, bem diferente da unanimidade do de Fernando Collor, ainda vai render muitos desencontros e dissabores à Nação. No meio disso tudo, a Lavajato vai continuar, a presidente fica no “limbo” e  poder central transitório se esforça para soprar sobre o país uma lufada de esperança. Mas, o Brasil continua dividido. É inútil pensar ao contrário. Isto pode perdurar por longo tempo cobrando do povo brasileiro um preço altíssimo.
De todo modo, como já passamos por muitas outras crises às quais sobrevivemos, cabe uma pergunta: por que não sairemos desta desafiante conjuntura? Tomara que seja mesmo conjuntural e que passe logo.  


  

11 comentários:

Unknown disse...

É amigo, os tempos estão difíceis. Boa sorte com seu blogo. Mas, não desanime.

J.Artur disse...

Nos anos 60 estava no Rio, trabalhando pelo Banorte. Ia para a agência Copacabana de ônibus da Tijuca, com o calção de baixo do braço. Chegava e via os piquetes na frente... ÔBA,,, Vou pra praia... Isso, nos meus 19 anos. Mas, também vivenciei o poder crítico de um Stanislaw Ponte Preta (cliente do banco), com o seu FEBEAPÁ - Festival de Besteira que Assola o País... Tão atual. Mas, arregacemos as mangas e lutemos por este país da gota serena" !!!!
Parabéns pelas colocações oportunas, ô meu amigo Girley. J. Ar
tur

José M. Falcão disse...

A Lava Jato ao limpar a sujeira da cara dos representantes do povo, no Governo e no Congresso, está revelando muito mais do que a verdadeira face da realidade política do país. De fato, está limpando o espelho para mostrar o reflexo, em todas as cores, do próprio rosto do povo brasileiro, que os elegeu, todos e todas, ao longo de tantos e longos anos. É porisso que está doendo tanto em todos nós, porque ao tirar a sujeira do rosto deles e delas, também arranca dos nossos, toda a ausência, erro, omissão, conforto, contribuição e irresponsabilidade que nos cabem. Arranca tudo, em grandes pedaços.
José M. Falcão

Luciana Toquetão disse...

Adorei Girley os nossos Santos com os Pés de barro, barro q não resiste a operação lava jato.
Luciana Toquetão

FGT disse...

Muito bom Girley. Muito bom mesmo.
FGT

Susana Gonzalez disse...

Desde luego que son otros tiempos, pero son situaciones que se asemejan y la principal, es precisamente que los Estados Unidos no pueden tener un rival económico en América Latina que gire hacia otro camino y además influya a su alrededor, por lo que hay que debilitarlo y se le permitió. Argentina no está mejor, ya reconocido que empieza a crecer en estos pocos meses la pobreza.
Susana Gonzalez

Antonio Carlos Neves disse...

É isso mesmo só que pelo menos o governo Temer substituí de imediato os ministros denunciados nas delações o que não acontecia com a Dilma só falta demitir os petralhas sem concurso do governos inclusive da TV do governo limitando entrevistas como aconteceu no dia 25/05 com um professor chamado Michel Zaidan
Antonio Carlos Neves

Danyelle Monteiro disse...

Após o áudio gravado de Juca ficou provado o que aconteceu, chame de pacto, de acordo, chame como quiser. O fato é que não é "o povo brasileiro" que vai pagar o pato, mas o povo mais pobre, porque mais de 65% dos rendimentos dos mais ricos não são tributáveis. Não sou comunista e nem filiada ao PT ou qualquer partido, mas não acredito num governo golpista que acabou com o Ministério da Cultura, do Desenvolvimento Agrário, da Ciência e Tecnologia e tem um Gilmar Mendes arquivando tudo, defensor de estuprador. 40% do orçamento é para pagar juros da dívida pública e ninguém fala nada, continuam defendendo o corte de programas sociais, um retrocesso. Mas o que esperar de um país que tem um Mendoncinha como Ministro da Educação né? Será que as idéias de Alexandre Frota serão implantadas? Medo do que vem por aí...
Danyelle Monteiro

Pedro Correia disse...

Amigo Girley, no seu blog desafiante-conjuntura. Pergunto: estamos no rumo certo? Qual o tempo necessário para nossa recuperação?
Pedro Correia

Girley Brazileiro disse...

Amigo Pedro Correia, não consigo arriscar. Quebrei minha bola de cristal, no meio dessa confusão. Mas acredito que vamos precisar de, pelo menos, cinco anos. GB

Adierson Azevedo disse...

Além da conjuntura ser desafiante, estamos diante de uma encruzilhada. Ou o Brasil insiste em manter normas arcaicas de relacionamento econômico com um governo gigantesco e constitucionalmente ineficiente, ou o país para de satanizar o mercado porque, em última análise, é onde vivemos.

Filósofos de vida ganha, ficam inoculando nossos filhos com uma doutrina totalmente inútil na prática. O Marxismo que embala a esquerda tupiniquim não deu certo em canto algum no mundo. Os 70 anos que ela passou destruindo a União Soviética foi a custo de milhões de vidas e uma patrulha ideológica que não permitia qualquer ranço de individualidade ou de criatividade. Tudo tinha que ser permitido pelo Estado.

Aqui no Brasil, todos nós temos o setor público como um membro preguiçoso da família ou um sócio pesado nas organizações privadas; aquele que nada faz, nada contribui e, ainda enche o saco com ideias erradas, obtusas, e obsoletas.

Adierson Azevedo