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domingo, 28 de junho de 2026
Um país Destruido
A notícia do duplo terremoto que atingiu a Venezuela, no último dia 24, de 7,5 na escala Richter, despertou-me um sentimento diferente daquele experimentado pela maioria das pessoas que acompanharam o fato apenas pelos noticiários. Ao ver as imagens das cidades destruidas, não enxerguei apenas edifícios, ruas e praças. Vi lugares que conheci, pessoas com quem convivi e um país que marcou uma etapa importante da minha vida profissional.
Tive o privilégio de trabalhar na Venezuela, em duas oportunidades, a primeira como consultor internacional da OEA e Itamaraty, numa fundação de desenvolvimento regional, em Barquisimeto (estado Lara) e como consultor empresarial. A primeira por dois meses, no ano de 1987. E a segunda no ano 2000, já no Governo de Hugo Chávez, numa comitiva empresarial de Pernambuco liderada pelo Presidente da Federação das Industrias de Pernambuco – Fiepe, à época o Dr.Armando Monteiro Neto. Em 1987 tive tempo suficiente para conhecer um pouco mais da realidade venezuelana, muito além dos roteiros habituais de quem faz uma viagem rápida. Conheci profissionais competentes, trabalhadores dedicados e cidadãos orgulhosos de sua cultura e de sua história. A Fundación de Desarollo de la Región Centro-Occidental de Venezuela – FUDECO, onde ofereci meus conhecimentos profissionais é (ou era) uma entidade moldada ao formato da SUNENE, onde exerci a maior parte da minha vida profissional, razão pela qual fui convocado.
Hoje, não me canso de acompanhar as reportagens do recente duplo-terremoto e concluo que toda tragédia natural possui uma característica singular: ela nos lembra da nossa condição comum de seres humanos. Não distingue fronteiras, ideologias, religiões ou posições políticas. A força da natureza simplesmente nos mostra de forma dura e inequívoca que somos todos vulneráveis.
Recordo que a Venezuela já vinha enfrentando, há muitos anos, enormes desafios econômicos, sociais e políticos. Milhões de pessoas tiveram suas vidas profundamente afetadas por essa realidade. Um terremoto da magnitude do ocorrido representa mais um expressivo obstáculo para uma população que há muito convive com dificuldades.
Chocado com as imagens reportadas, lembro-me de um país de paisagens exuberantes, de gente cordial e de cidades dinâmicas. Guardo na memória, de modo inesquecível, o profissionalismo das pessoas com quem trabalhei, a gentileza no convívio diário e o orgulho que muitos demonstravam ao falar de sua terra. São essas lembranças que me vêm à mente quando vejo as notícias sobre o recente desastre.
Em momentos assim, vale a pena deixar de lado os debates políticos, que certamente têm seu espaço e sua importância. Antes de qualquer julgamento sobre governos ou modelos econômicos, existem famílias traumatizadas com as perdas de entes queridos, pessoas que perderam seus bens e comunidades inteiras mobilizadas para superar mais essa adversidade. Dados recentes dão contas de que 1.430 mortes já foram registradas. Além dessas perdas dolorosas, conta-se com 3.238 feridos, além de milhares desalojados. Como as equipes de resgates não param de trabalhar, esses números podem crescer.
Ao recordar minhas passagens pela Venezuela, percebo que as lembranças mais valiosas não são dos prédios ou das avenidas, mas das pessoas. São elas que dão sentido às cidades e que, mais uma vez, precisarão demonstrar coragem para reconstruir o que a natureza reduziu a pó.
Meu profundo desejo é de que o povo venezuelano encontre forças para superar mais este momento difícil. Que os trabalhos de resgate e reconstrução sejam bem-sucedidos e que prevaleçam a solidariedade, a esperança e a cooperação.
Quando a terra treme, as construções podem ruir. Mas as lembranças, a amizade entre os povos e a esperança de dias melhores permanecem firmes. São elas que sustentam a reconstrução, não apenas das cidades, mas também da confiança no futuro. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
segunda-feira, 9 de março de 2026
Tenebroso Ano Novo
Fui até conferir no dicionário, para ter certeza de que tenebroso seria um titulo adequado para uma postagem. Acredito que sim. Pode significar, entre outras coisas, sombrio, assustador, sinistro, medonho e por aí vai. Se o ano passado causou alguns grandes pânicos, 2026 está mostrando que muita coisa assustadora vai rolar. Pensando bem, já rolam. É desse modo que venho entendendo 2026. Inicialmente, eu havia decidido entrar em recesso e voltar quando o ano começa no Brasil, isto é, depois do carnaval. Coisa de brasileiro, o país do jeitinho. Tem nada mais relaxante do que isso? Brincar, beber, curtir um frevo ou um samba e entrar num novo ano somente em Março. Coisa que só brasileiros entende. Entrementes, lá fora, o ano corre sem parar e muito rápido. Aliás, abrindo um “parêntesis” recordo que, nas minhas priscas eras de estudos da História e da Filosofia, tomei conhecimento que o ano na Roma Antiga começava mesmo em Março e só tinha 304 dias. Foi o Rei Numa Pompílio (segundo Rei de Roma e substituto de Rômulo entre 715 e 673 a. C.) que acrescentou os meses Januarius e Februarius. Depois, o Imperador Júlio César, no Ano 46 a. C., querendo deixar sua marca imperial, fez um retoque e criou o que se chama de Calendário Juliano, conservado até hoje com 365 dias. Sem esquecer que , a Lua e o Sol regeram todas essas coisas. É assunto para outra hora porque meu assunto, hoje, é outro. Já dei entender, não tem sido fácil viver este 2026. Não sei você caro leitor ou leitora... A rigor, pauta não me faltou, desde o principio de “Januarius”. O frevo rolou nos carnavais de Recife e Olinda em “Februarius” e, por aqui, relaxei postando-me como espectador dos acontecimentos alhures. Nos primeiros momentos surpreendi-me com o processo e depois com a operação Trumpista que resultou no assalto e captura de Nicolás Madura e sua esposa, em Caracas, Venezuela. Uma operação rápida e, digamos, aos moldes de Hollywood. Cirúrgica! Fiquei pasmo, porém, ao mesmo tempo, satisfeito com o resultado face aos sofrimentos que o Ditador sanguinário impôs a um povo nobre e varonil como os irmãos venezuelanos que, por sinal, conheço de perto. Estive por motivos profissionais, por duas vezes, na Venezuela. Conheci o país vizinho em dois momentos marcantes. Durante a democracia combatida pelos esquerdistas inocentes que inflaram o líder Hugo Chávez empurrando-o ao posto de presidente da Republica. Depois estive lá, durante o governo do mesmo Chávez. Formei uma opinião in loco do que poderia acontecer. E aconteceu. Acompanhei a nefasta trajetória que terminou levando o país à miséria. Os que reuniam condições financeiras logo se safaram do horror instalado e deram o fora. Os menos afortunados vasaram pelas fronteiras do país e foram parar nas ruas de cidades brasileiras, colombianas e peruanas. Aqui no Recife, temos, até hoje, muitas famílias pedintes venezuelanas mendigando e dormindo maltrapilhos debaixo de marquises ou abrigos improvisados. Estima-se que 8,6 Milhões de venezuelanos deixaram o país. (Vide foto a seguir).
Mas a sede de Trump, Presidente dos Estados Unidos, assumindo o papel de “Xerife Mundial” não parou por aí. Além de capturar Maduro, deu continuidade à série de investidas que abalaram e continuam abalando a paz mundial. Nessa jornada, insistiu na anexação da Groenlândia ao seu país, ameaçou a Colômbia, o México, o Panamá entre outros, além de detonar “delicados recados” à China e Rússia. Sem esquecer o programa de tarifaços impostos a meio-mundo desorganizando as correntes comerciais existentes e ameaçando um caos em incontáveis pontos do Planeta. Falo de uma matéria amplamente conhecida e debatida que me deixa dispensado de desenvolver. Ainda em 2025 detonou ataques a alvos, no Irã, fazendo o mundo estremecer, visto que referidos alvos eram instalações nucleares dos iranianos. Aquilo, meu Deus, não passou de uma pré-estreia do que hoje vem acontecendo – ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã – que tem deixado o mundo estarrecido dada as proporções alcançadas e prometidas. O Trump já vem avisando que a guerra que empreende no Médio Oriente, em conjunto com Israel, não tem prazo programado para terminar. Os atingidos, por seu turno, não recuam, ainda que muitas das suas lideranças hajam sido aniquiladas, incluído o Aiatolá Supremo e revidam bombardeando muitos pontos estratégicos dos americanos e israelenses em toda região. Tudo, por sinal, bem divulgado e visto ao vivo e a cores. Como o Brasil não passa incólume nesse contexto conflagrado, o ano é ou não é um ano tenebroso?. Ocorre que, mesmo antes do carnaval, durante e agora, nossa “máquina moedora” de Brasília anda estraçalhando os juízos dos brasileiros responsáveis e vem produzindo costumeiros escândalos de corrupção que deixam carecas, como no meu caso, de orelhas em pé (se tivessem cabelos seriam estes). Tem nada mais escandaloso do que esses casos expostos pela CPMI do INSS e a “explosão” do Banco Master envolvendo eminentes figuras do primeiríssimo escalão da Republica. Tenha dó.
Esta República de Pindorama parece mais um tecido esgarçado sem condições de remendo. Mas, mas, como este tenebroso ano é ano de eleições fico desejando que o pobre e ingênuo eleitor brasileiro saiba como votar. Vamos esperar que 2026 fique melhorzinho, ao menos nas nossas bandas. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
quarta-feira, 31 de julho de 2024
TRÊS EM UM
A semana passada foi indiscutivelmente movimentada e, como sempre, ditando a pauta do Blog.
CARACAS - A primeira pauta despontou com a tensa expectativa das eleições na Venezuela, no domingo (28/7). O pleito resultou no que meio mundo considera um desastre politico sul-americano, com flagrantes distúrbios sociais no país vizinho em contestação ao resultado proclamado pelo órgão eleitoral superior do país, preso às mãos do Ditador renitente. O povo venezuelano e as pessoas de bom-senso politico mundo afora estão certos de que ocorreu a maior fraude de todos os tempos. Nicolás Maduro tentando, à base de processo fraudulento, permanecer no Poder vive momentos de pressão debaixo de protestos populares nos quatro cantos do País. Lamentável. Conheço a Venezuela, relativamente bem, onde prestei consultoria técnica através de Acordo de Cooperação Internacional entre OEA e Itamaraty, nos anos 80, época em que Hugo Chávez estava trancafiado depois de liderar uma tentativa de golpe de Estado. Livre se elegeu presidente em 1999, investiu pesado em relações comerciais no Brasil e recebeu Comitiva Empresarial de Pernambuco, da qual participei. Pude então avaliar o antes e o depois, com facilidade, e não foi difícil antever o caos que hoje reina praquelas bandas. Não vou tecer considerações a respeito dessa atual situação visto que a imprensa mundial se encarrega de modo taxativo. Resta-nos, tão somente, desejar boa sorte aos irmãos venezolanos na luta pela democratização! Mas, o doloroso memso é ver que o PT de Lula ja recinheceu a vitória do Ditador, antecipando o que o Presidente da Republica ditará em breve. Certamente. Vergonhoso. A palavra foi da Gleisi Hofmman (Foto a seguir) mas quem manda no Partido todo mundo sabe quem é.
PARIS - O outro assunto dominante desses últimos dias prendeu-se às Olimpíadas de Paris-2024. Os franceses quiseram inovar e transformaram a abertura dos jogos num megaespectáculo out-door. Paris foi “loteada” em diversos polos que serviram de palcos para funções das mais inusitadas quando comparadas a aberturas antecedentes. O que vimos foram imagens bem distintas das costumeiras solenidades até então conhecidas. O rio Sena ganhou destaque ao servir de via fluvial para ver desfilar as delegações representantes dos países participantes e, complementando, seja por via fluvial ou em pontos estratégicos do percurso estabelecido, esquetes teatrais rememorando cenas da História e da vida quotidiana da França. Sinceramente, pouco convincente dado o caráter debochado que predominou em cada cena apresentada. Dois momentos, porém, no Gran finale do espetáculo merecem destaque: o primeiro foi à interpretação do Hino Nacional francês (Marselhesa) a cargo da cantora lírica Axelle Saint-Cirel, postada no teto do Grand Palais e que cumpriu um belo e respeitoso papel e o segundo momento foi a surpreendente reaparição mundial de Celine Dion interpretando Hino ao Amor, de Edith Piaf, no alto da Torre Eiffel. Foto a seguir.
O mundo aclamou e vibrou ao ver a Diva canadense se apresentar firme e forte após longo período de convalescência devido a uma grave enfermidade degenerativa. O “porém” disso tudo veio no day after, quando o mundo, analisando melhor as tais debochadas encenações, concluiu quanto destoante e inteiramente desnecessários foram as teatralizações exibidas sob a justificativa de promover a inclusão social de classes tidas marginalizadas, no caso especifico a LGBT. Em se tratando de algo tão aceito pelo mundo atual não havia um porquê lógico de encenar, por exemplo, uma Santa Ceia (lembrando o famoso quadro de Leonardo da Vinci, 1495), protagonizada por figuras drague-queens e “convidar” a figura de Baco, desempenhada por uma figura, honestamente, asquerosa. Como católico praticante, não posso aprovar tanta violência social e cristã. Francamente. Duvido que ousassem em burlar de outras crenças tão comuns na própria França.
BEZERROS - Meu terceiro destaque de pauta, deste Três em Um, vai para registrar nossa tristeza pelo falecimento de um ícone da arte popular pernambucana que foi o talentoso artista J. Borges (Foto acima), considerado como o mais respeitado xilogravador brasileiro e de renome internacional. Afora o fato no qual se tornou famoso, ainda se destacou como cordelista e poeta, partindo placidamente para a eternidade ao alvorecer da sexta-feira, 26/7, deixando um vazio difícil de ser preenchido. Pela sua formidável obra, a arte de xilogravador ganhou destaque entre as artes populares nacionais. Seus trabalhos se espalharam por inúmeros pontos do mundo e ele próprio os levou a diversos países, entre os quais Estados Unidos, Suíça, Venezuela, França, Alemanha, México e Argentina. Personagens mundiais, como o Papa Francisco, têm exemplares especiais do artista. Vide Foto a seguir.
Mas, certamente, a popularidade da sua obra é o melhor sinal da sua consagração como artista. Hoje mesmo dei de cara com uma sacola de compras num varejista recifense, cuja ilustração é uma xilogravura de Borges. Foto a seguir.
Bem recentemente tive o prazer de visitar seu memorial, em Bezerros (PE), onde o encontrei animado, cheio de vida e assinando exemplares da sua produção. Pilotando uma cadeira de rodas circulava entre os visitantes e posando entusiasmado para fotos. Deus o receba na eternidade! Nosso meio artístico cultural fica mais pobre, mas a escola de J. Borges segue preservando sua arte e sua trajetória vitoriosa. NOTA: FOTOS obtidas no Google Imagens.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Sinal de Alerta no Continente
Acompanhamos, por bom tempo, a lenta decadência da política bolivariana, na Venezuela, e seus
desdobramentos maléficos sobre a nação vizinha e, agora, estamos assistindo inesperados movimentos
populares em vários países da América Latina gerando apreensão e insegurança
no Continente.
Na Colômbia,
as Farc ameaçam voltar à luta armada; no Equador população vai às
ruas por conta de aumento dos preços da gasolina; no Peru o povo exigiu e
o Governo aplicou um revés ao Congresso e destituiu os Ministros do Supremo
Tribunal Nacional, envolvidos em grandes corrupções, inclusive sob os auspícios
da Construtora Odebrecht, do Brasil. E nestes últimos dias, Chile e Bolívia andam
às voltas com movimentos políticos populares, com repercussões de grande monta negativa.
O caso do
Chile é, certamente, o mais surpreendente: manifestantes foram às ruas, adotando formas
violentas e ameaçadoras da segurança social, incendiando patrimônios privados e
públicos. O motivo original foi detonado após a majoração das tarifas do Transantiago, metrô local da capital chilena. Na esteira desta revolta, outros pleitos terminaram sendo expostos. O governo reagiu e a situação esquentou. É surpreendente o que ocorre neste caso. Lembro que o Chile vem se
destacando, nas últimas décadas, como sendo o país mais tranquilo e
economicamente equilibrado da América Latina. Oferece, aparentemente, as melhores condições de
vida à sua população, com saúde, educação e segurança eficientes. Estive
recentemente em Santiago e observei, in
loco, sinais de pujança e desenvolvimento socioeconômico. Tem um custo de vida alto, é
verdade, mas também adota um salário mínimo que, atualmente, corresponde ao dobro do que se
paga no Brasil. Energia elétrica e abastecimento de água
potável são fornecidos por tarifas civilizadas. A carga fiscal é, também, das mais
civilizadas no Continente. Conversei com profissionais da área (meus ex-colegas de
trabalho) e sai bastante impressionado. Tenho dificuldades para entender o que vem ocorrendo. Desejando saber mais, acesse: http://observatorio.ministeriodesarollosocial.gob.cl/ipc_pob_informe3.php?ano=2019
![]() |
| Manifestação incendiária em Santiago do Chile |
![]() |
| Evo Morales não aceita o provável resultado. Deseja continuar no Poder. |
Já na
Argentina, onde manifestações ocorrem também com frequência, outro sinal de alerta disparou com o resultado das prévias eleitorais
prometendo o retorno do peronismo e, particularmente, da Senhora Kirchner, como vice-presidente. A rodada final será no próximo domingo (27.10.19). Parece ironia, mas, vão
consagrar corruptos no poder. Quem diria que os argentinos errariam outra
vez, depois de tantos insucessos no passado. A culpa é do Macri que não soube domar as manhas da economia dos hermanos. Bom, é de se considerar que na Argentina crise socioeconômica é coisa endêmica. Acompanho o pais vizinho desde a década de setenta - à distancia e in loco - e não lembro de bom tempo de verdade.
Finalmente, e pelo visto, as
coisas tendem a regredir no Continente. A onda neoliberal que acenava com bons ventos sofre seus percalços. Resta acompanhar os acontecimentos e, particularmente, no caso brasileiro,
torcer para que as reformas que estão sendo levadas a efeito surtam
bons resultados e a onda reformista se espalhe na vizinhança.
NOTA: Fotos que ilustram foram colhidas no Google Imagens.
sábado, 16 de fevereiro de 2019
Pobre Venezuela
Tenho
acompanhado atentamente o drama político da Venezuela. Lamento tudo que vem
ocorrendo e temo pelas conseqüências catastróficas tanto no ambiente doméstico, quanto no cenário regional de América Latina
Como é bem
sabido estamos falando de um país rico, membro da OPEP, de um povo generoso e hospitaleiro e
com perspectivas constantes de progresso. Politicamente foi sempre um líder na
região. Simon Bolívar (1783-1830) venezuelano de Caracas foi um comandante
político-militar que chefiou revoluções libertárias que levaram à independência
da própria Venezuela (1811) e, em seguida, da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia até então sob o
domínio espanhol.
Estive três vezes na Venezuela. A primeira foi como simples e jovem turista e
permaneci poucos dias. Pela segunda vez, 1986, demorei um bom tempo (quase dois
meses) porquanto fui como consultor, num programa conjunto MRE (Itamaraty)/OEA,
para prestar trabalho numa entidade regional – Fundación de Desarollo del
Centro-Occidente de Venezuela (FUDECO) – criada aos moldes da SUDENE (onde fiz
minha carreira profissional). Situada na cidade de Barquisimeto, capital do
Estado Lara, a FUDECO trata (ou tratava!) de promover o desenvolvimento da
citada região formada por três outros estados: Falcón, Lara, Portuguesa e
Yaracuy. Foi uma excelente experiência. E, finalmente, estive uma última
ocasião compondo um Comitiva Empresarial de pernambucanos ligados à FIEPE
(Federação das Indústrias de Pernambuco), chefiada pelo presidente da época,
Armando Monteiro Neto e atendendo convite expresso do Presidente Hugo Chávez,
no auge do seu entusiasmo por transformar a Venezuela num parceiro dinâmico
político e comercial do Brasil. Ele tinha uma especial atenção com Pernambuco,
por conta do General Abreu e Lima, parceiro de Bolívar nas lutas pela
independência.
A exceção da
minha primeira ida, panorâmica por excelência, guardei interessantes
memórias das duas seguintes. Foram
momentos que marcaram minha vida profissional.
Como
consultor na FUDECO ajudei na montagem de um sistema de monitoramento das
mudanças sociais da região através da concepção de um sistema de indicadores sociais, como
havia sido implantado no Nordeste da SUDENE.
Mas,
paralelo a este trabalho, pude observar o comportamento político social dos
técnicos daquela Fundação e seus relativos na sociedade. Havia um inconformismo
geral com a classe política do país, achavam que as eleições presidenciais eram
uma farsa e não toleravam, por exemplo, o fato de terem governadores locais nomeados pelo
poder central. Os estados não gozavam praticamente de autonomia. Percebia-se se tratar de um
pseudo-democracia. Fidel Castro era tido como um deus e ir a Cuba se constituíam
num sonho dourado para a grande maioria. A voz do ditador cubano era sintonizada
religiosamente pelas ondas do rádio. Estudar o idioma russo era a moda da
época. Acreditavam na difusão deste idioma num futuro muito próximo da America
Latina. Era o prenuncio do sonhado bolivarianismo
de Chávez. Este, baseado num discurso populista e contrário as manobras
neoliberais e atos de corrupção do Governo de Carlos Andrés Pérez, em 1992,
tentou sem sucesso um golpe de estado. Derrotado, Chávez foi levado a uma
prisão política, embora tenha conquistado popularidade das camadas da população
descontente com o Governo de Pérez. Sem sustentação e desgastado pela
improbidade Andrés Perez sofreu impeachment um ano depois, num movimento
capitaneado pelo ex-presidente Rafael Caldera. E foi de Rafael Caldera que Hugo
Chávez recebeu o Governo em 1999, a partir do que implantou o que denominou de Socialismo
do Século 21, tomando a imagem de Simon Bolívar como patrono. Contrário ao
neoliberalismo e a política norte-americana buscou aliados na América do Sul e
guarida no Fórum de São Paulo criado pelo PT e Lula, em 1990. Nas suas
freqüentes andanças pelo Brasil patrocinou desfiles de escola de samba na Sapucaí, tomou-se de amores pelo estado de Pernambuco,
berço do General Abreu e Lima, parceiro de Bolívar nas lutas pela
independência. Por aqui fez seu proselitismo político junto aos habitantes do
município de Abreu e Lima (Área Metropolitana do Recife), cuidou do tumulo de
Abreu e Lima num cemitério recifense e se aproximou da Classe Empresarial
local. Foi daí que surgiu o convite para a formação de uma missão empresarial
de pernambucanos à Caracas. Participei dessa comitiva na representação dos
empresários do setor Metal-Mecânico. Esta foi
minha terceira ida à Venezuela.
Em Caracas,
num grupo formado por aproximadamente 30 membros, comandada pelo presidente da
Federação das Indústrias do Estado (Armando Monteiro Neto) cumprimos uma
programação sugerida pela Embaixada do Brasil contemplando, claro, encontro com
o Presidente Chávez e setores de governo e da iniciativa privada. Objetivo foi a
prospecção de negócios entre os dois países e em particular Pernambuco, estado
queridinho de Chávez.
Dessa oportunidade tirei outras boas informações sobre a rica Venezuela. Por um lado e obviamente tivemos com Chávez uma audiência de, pelo menos, duas horas, no Palácio de Miraflores, cheia de pabulismo e fanfarras. Ele caprichava na retórica revolucionária. Fez de imediato inúmeras citas, para os empresários, com ministros e presidentes de estatais. Quase todos generais do exército, que faziam questão de aparecer fardados, estrelas nos ombros e medalhas nos peitos.
Acontece que a Embaixada brasileira, em boa hora, agendou encontros com a classe empresarial e fomos levados para situações bem expressivas. De todos, recordo, como mais emblemático, o realizado durante um longo almoço na Fedecâmaras (a CNI da Venezuela), presidida pelo industrial Pedro Francisco Carmona Estanga que não poupou ácidas criticas ao Hugo Chávez, devido ao programa de estatização e populismo que o presidente pretendia implementar. A sensação que passou ao grupo de visitantes, à luz do discurso de Carmona, foi a de que Chávez teria pouco tempo de poder. Dito e feito. Em 12 de abril 2002, o próprio Carmona promoveu um golpe de estado e derrubou Chávez. Malogrado, o governo golpista/provisório só durou 24 horas. Chávez contou com as forças do Estado Maior do exercito que lhe garantiu liberdade e retorno ao Palácio de Miraflores.
Bom, diante das potenciais ameaças que sofria, Hugo Chávez tratou de adotar medidas ditatoriais para se perpetuar no poder, o que de fato ocorreu até morrer em 05 de março de 2013. Assumiu o seu lugar Nicolás Maduro que transformou a Venezuela no inferno que estamos sabendo. Incompetente e tirano jogou o país numa situação sócio-politica-econômica insustentável reconhecida por meio mundo.
Lamento que, neste momento, com o jovem e destemido autoproclamado presidente interino Juan Guaidó e o Maduro sem ceder, a Venezuela caia numa conflagração civil sem precedentes em pleno século 21 da América latina. Pobre Venezuela.
NOTA: Foto de arquivo pessoal e a segunda do Google Imagens
Dessa oportunidade tirei outras boas informações sobre a rica Venezuela. Por um lado e obviamente tivemos com Chávez uma audiência de, pelo menos, duas horas, no Palácio de Miraflores, cheia de pabulismo e fanfarras. Ele caprichava na retórica revolucionária. Fez de imediato inúmeras citas, para os empresários, com ministros e presidentes de estatais. Quase todos generais do exército, que faziam questão de aparecer fardados, estrelas nos ombros e medalhas nos peitos.
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| Comitiva de Pernambucanos com Hugo Chávez 13.11.2000 (sou primeiro a esquerda) |
Bom, diante das potenciais ameaças que sofria, Hugo Chávez tratou de adotar medidas ditatoriais para se perpetuar no poder, o que de fato ocorreu até morrer em 05 de março de 2013. Assumiu o seu lugar Nicolás Maduro que transformou a Venezuela no inferno que estamos sabendo. Incompetente e tirano jogou o país numa situação sócio-politica-econômica insustentável reconhecida por meio mundo.
Lamento que, neste momento, com o jovem e destemido autoproclamado presidente interino Juan Guaidó e o Maduro sem ceder, a Venezuela caia numa conflagração civil sem precedentes em pleno século 21 da América latina. Pobre Venezuela.
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| Guiadó e Maduro: queda de braços das duras. |
NOTA: Foto de arquivo pessoal e a segunda do Google Imagens
terça-feira, 20 de novembro de 2018
Tomando Formato
Tenho
acompanhado atentamente a montagem da Equipe do Governo Bolsonaro que, aos
poucos, vem tomando forma. Claro. O Brasil inteiro está atento, depois que
desmontados os palanques de campanha, embora haja quem pense num terceiro
turno.
À medida que
são anunciados os nomes dos futuros ministros e respectivos auxiliares dá para
perceber a que vem este novo Governo. Já era tempo porque, afinal, durante a Campanha
só vimos e ouvimos discussões acirradas e agressões profundas e necas de
propostas concretas de Governo. A ideia de
reduzir o número de Ministérios vem sendo aplaudida e, particularmente, reputo
como sendo uma medida mais que necessária. Atualmente existem muitos completamente inexpressivos e, sobretudo, inúteis. Cabide de empregos e, na prática, serviram apenas
para alavancar o projeto de aparelhamento partidário do Estado conduzido pelo
PT, durante treze anos no poder. A criação de um Ministério da Economia,
englobando pastas que tratam de assuntos superpostos é uma das mais aplaudidas iniciativas.
O titular escolhido para assumir a Pasta é, o que pode se dizer, mentor
político-econômico do Presidente eleito e por isso vem sendo chamado de Super Ministro. Quem pode, pode. Os demais indicados parecem ser pessoas com perfis adequados ao projeto
Bolsonaro. Principalmente o Juiz Sergio Moro, que pelas atribuições que vai assumir –
um conglomerado de funções – pode ser tido como outro Super. Da Justiça.
Desse jeito, as coisas tomam
formatos como esperado e prometido, isto é, auxiliares diretos sem a velha e cansada
estratégia do loteamento partidário. Coisa boa, sem dúvida. Presidir com o “rabo
preso” deve ser complicado, para quem pretende "botar ordem" na Casa.
Não obstante tudo isso, fico muito preocupado com o modo pelo qual está sendo tratada a questão da política externa do novo Governo. Temo que um excessivo viés ideológico, conservador e liberal, leve o país a uma senda pouco recomendável para esta área. É preciso ter em conta o fato de que se nos domínios domésticos há espaço para aplicar medidas (parcimoniosas, de preferencia!) que passem por esse viés político-conservador. Mas, o das Relações Exteriores vem se prometendo ser um expressivo desafio. Lidar com parceiros políticos e comerciais internacionais exige flexibilidade político-diplomática que não consigo enxergar, até agora. O indicado como Chanceler, diplomata de origem, vem sendo avaliado com restrições pelos críticos internos e externos. Fui procurar ver de quem se falava e não fiquei tranquilo. Mostra-se admirador extremo do presidente norte-americano, Donald Trump, que não é, nem de longe, bom modelo a ser seguido. Mas, como esse Chanceler vai ter que seguir a cartilha do que chamo Grupo de Choque, fico pensando como será por em prática idéias expressas por discursos que foram “cometidos” por membros do referido Grupo a respeito do assunto. Convém ser lembrado que o Brasil não pode ser uma autarquia no mundo atual, a exemplo do que o Trump vem tentando nos Estados Unidos. Mesmo porque não temos cacife pra tanto e limitar as relações internacionais a poucos parceiros será um equivoco irremediável. Por exemplo, dizer que o Mercosul não é prioridade, é um tremendo equivoco. Causou-me muita estranheza o modo pelo qual isto foi anunciado. Será de difícil remendo esta potencial quebra do Tratado do Cone Sul. A ideia que o Bloco tem a Venezuela incluída não invalida este acordo. Mesmo que ainda tenha essa participação, que parece ser o óbice principal, não se justifica. O Mercosul é muito maior do que isto. Nossas relações comerciais e políticas com a Argentina, original integrante do Bloco, são de extrema importância em vários segmentos politico-cultural. Fora isto, os hermanos são importantes parceiros comerciais. E parceiros comerciais importantes merecem distinção no trato. Quanto à questão da Venezuela vejo como sendo uma coisa facilmente resolvível. Basta que a flagrante situação político-institucional adversa do nosso vizinho ao norte seja discutida no Conselho do Bloco, que poderá expulsá-lo evocando um dos principais pilares do Acordo que é a garantia de estabilidade política dos seus signatários. Ora, a Venezuela, indiscutivelmente, vive uma duríssima ditadura. Isto seria o bastante. Detalhe: A Venezuela foi incluída como membro por imposição política dos governos bolivarianos brasileiro (Lula/Dilma) e argentino (Cristina Kirchner).
Não obstante tudo isso, fico muito preocupado com o modo pelo qual está sendo tratada a questão da política externa do novo Governo. Temo que um excessivo viés ideológico, conservador e liberal, leve o país a uma senda pouco recomendável para esta área. É preciso ter em conta o fato de que se nos domínios domésticos há espaço para aplicar medidas (parcimoniosas, de preferencia!) que passem por esse viés político-conservador. Mas, o das Relações Exteriores vem se prometendo ser um expressivo desafio. Lidar com parceiros políticos e comerciais internacionais exige flexibilidade político-diplomática que não consigo enxergar, até agora. O indicado como Chanceler, diplomata de origem, vem sendo avaliado com restrições pelos críticos internos e externos. Fui procurar ver de quem se falava e não fiquei tranquilo. Mostra-se admirador extremo do presidente norte-americano, Donald Trump, que não é, nem de longe, bom modelo a ser seguido. Mas, como esse Chanceler vai ter que seguir a cartilha do que chamo Grupo de Choque, fico pensando como será por em prática idéias expressas por discursos que foram “cometidos” por membros do referido Grupo a respeito do assunto. Convém ser lembrado que o Brasil não pode ser uma autarquia no mundo atual, a exemplo do que o Trump vem tentando nos Estados Unidos. Mesmo porque não temos cacife pra tanto e limitar as relações internacionais a poucos parceiros será um equivoco irremediável. Por exemplo, dizer que o Mercosul não é prioridade, é um tremendo equivoco. Causou-me muita estranheza o modo pelo qual isto foi anunciado. Será de difícil remendo esta potencial quebra do Tratado do Cone Sul. A ideia que o Bloco tem a Venezuela incluída não invalida este acordo. Mesmo que ainda tenha essa participação, que parece ser o óbice principal, não se justifica. O Mercosul é muito maior do que isto. Nossas relações comerciais e políticas com a Argentina, original integrante do Bloco, são de extrema importância em vários segmentos politico-cultural. Fora isto, os hermanos são importantes parceiros comerciais. E parceiros comerciais importantes merecem distinção no trato. Quanto à questão da Venezuela vejo como sendo uma coisa facilmente resolvível. Basta que a flagrante situação político-institucional adversa do nosso vizinho ao norte seja discutida no Conselho do Bloco, que poderá expulsá-lo evocando um dos principais pilares do Acordo que é a garantia de estabilidade política dos seus signatários. Ora, a Venezuela, indiscutivelmente, vive uma duríssima ditadura. Isto seria o bastante. Detalhe: A Venezuela foi incluída como membro por imposição política dos governos bolivarianos brasileiro (Lula/Dilma) e argentino (Cristina Kirchner).
Há também outro imbróglio complicado que é a dos médicos cubanos no Mais Médicos. Isto promete muitas emoções. Aguardemos.
Ouvi falar, também, de uma revisão à recente Lei de Migração que tramitou por cinco anos no Congresso Nacional e foi sancionada no ano passado. É a lei 13.455/2017. Não é ruim e segue parâmetros internacionais. Começar tudo de novo e negar compromissos firmados pode dar prejuízo. Quer saber mais? Clique em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/05/25/nova-lei-de-migracao-e-sancionada-com-vetos
Ouvi falar, também, de uma revisão à recente Lei de Migração que tramitou por cinco anos no Congresso Nacional e foi sancionada no ano passado. É a lei 13.455/2017. Não é ruim e segue parâmetros internacionais. Começar tudo de novo e negar compromissos firmados pode dar prejuízo. Quer saber mais? Clique em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/05/25/nova-lei-de-migracao-e-sancionada-com-vetos
Bom, o formato deste novo Governo interessa a todos nós porque vai mudar muita coisa na vida do brasileiro(a). Dei ênfase a uma
área que me interessa em particular, mas, “muitas águas vão rolar sob a ponte”.
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.
sexta-feira, 2 de março de 2018
Pobre Venezuela
Tenho
acompanhado com certo interesse essa situação calamitosa de imigrantes
venezuelanos, que fugindo dos horrores impostos pelo ditador Maduro, procuram
melhores condições de vida no Brasil, via a fronteira com o estado de Roraima,
no Norte do Brasil. Eles chegam, inclusive caminhando, em grandes grupos de idosos, jovens e
crianças. Algumas mulheres grávidas e sem muita resistência dão à luz crianças
prematuras, desnutridas e abaixo do peso normal, nos hospitais e maternidades
brasileiras. Tudo isto num dos estados mais pobres e subdesenvolvidos do país.
A pequena cidade de Paracaima, na fronteira dos dois países, é o primeiro ponto de chegada e administra
dificuldades para alojá-los, alimentá-los, dar assistência médica e tudo mais
que se faça necessário, numa missão humanitária de total solidariedade.
Estive na
Venezuela por duas vezes. Na primeira, cumprindo uma missão governamental, com
suporte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), dentro do
Programa de Boa Vizinhança, na época do Governo Sarney. Isto foi na década de 80.
Governava o país, o médico Jaime Lusinchi, segundo percebi, de baixa popularidade. Passei dois
meses prestando consultoria à Fundação de Desenvolvimento do Centro-Ocidental da Venezuela (FUDECO),
uma entidade localizada na cidade de Barquisimeto, capital do estado Lara. A
referida fundação foi formatada nos moldes da SUDENE e meu trabalho foi o de
avaliar as ações de planejamento regional local comparando-as com as experiências da Agencia do Nordeste brasileiro
e, por fim, sugerir propostas de aperfeiçoamento às ações daquela Entidade. Além de rica experiência
pessoal foi também um bom momento de intercambio entre as duas entidades. Encontrei um país vibrante e com boas perspectivas, embora os desequilíbrios inter-regionais de renda e desenvolvimento. Nenhuma novidade para mim enquanto nordestino brasileiro e funcionário da agencia regional. Por isso mesmo estava por lá.
Minha
segunda ida a Venezuela foi no ano 2000, já fora da SUDENE, integrando uma Comitiva empresarial, promovida
pela Federação das Indústrias de Pernambuco - FIEPE e atendendo convite do novo
presidente venezuelano, o polêmico Hugo Chávez, quando de uma visita oficial a
Pernambuco.
Foram dois
momentos totalmente distintos, tanto em aspectos políticos, quanto em
termos de clima reinante no país como um todo. Algo bem parecido com o que vivenciamos
aqui no Brasil, na recente era petista.
![]() | |
| Eis aí uma foto tomada com Hugo Chávez e a Comitiva de empresários pernambucanos no Palácio Miraflores. |
Os discursos
discordantes que ouvimos de Hugo Chávez, no Palácio de Miraflores, e o de Pedro
Carmona Estanga, Presidente da Fedecâmaras (correspondente à Confederação Nacional das
Indústrias do Brasil - CNI), deram o tom do clima de intranquilidade reinante
no país vizinho. A foto acima, registra a Comitiva pernambucana, num encontro com Hugo Chávez. Entre outros estão: Armando Monteiro Neto (chefe da Missão), Jorge Corte Real, Sandoval
Silveira, Mario Conte, Severino Paixão, Paulo Gustavo Cunha. Eu sou o primeiro da
esquerda para direita. Hugo Chávez aparece no centro da foto.
A sensação que tivemos ao encerar nossa missão empresarial
foi de que, a qualquer momento, explodiria uma revolta civil. De fato, em 12 de
abril de 2002, o próprio Carmona liderou um golpe de estado e assumiu por 24
horas a Presidência da República, sendo escorraçado da cadeira presidencial no
dia seguinte, numa rápida ação contragolpe, e o cargo foi devolvido ao Chávez.
Daquela missão empresarial o mais significativo que recordo foi o anuncio de Chávez de investir na construção de uma refinaria de petróleo, numa
parceria entre a Petrobrás e a estatal venezuelana de Petróleo, PDVSA, em
Pernambuco. Valeu aquele discurso do mandatário venezuelano e a refinaria saiu do papel, no governo Lula. Contudo,
sem um centavo sequer da petroleira venezuelana. Os problemas de corrupção que
abalaram a conclusão da RNEST (Abreu e Lima) podem render outros posts. Depois...
A situação caótica que se verifica hoje na Venezuela, mergulhada numa tremenda crise político-econômica é exatamente, ou mesmo pior, comparada com o quadro que imaginei ao deixar Caracas, nessa minha última passagem por lá. Pior, certamente. De membro da OPEP e com uma folgada e promissora vida econômica, prestigiada no meio do mundo, foi transformada numa república populista de baixíssimo nível, impondo à sua sociedade sacrifícios nunca dantes imaginado. Claro que havia desníveis sociais a serem corrigidos, assim como há em todos os países latino-americanos. Contudo, o modelo de governo populista revelou-se logo cedo como sendo precipitado e inadequado à estrutura político-social original. De social-democracia prometida, não teve nada. Quando o projeto bolivariano de Chávez/Maduro se estruturou e foi posto em prática, nos anos recentes, foram os mais pobres que mais sofreram. São esses pobres coitados que estão pedindo esmolas nas ruas de Roraima e outros milhares que fugiram pela fronteira com a Colômbia. Cada venezuelano amarga, hoje, os malefícios desse governo desastrado. Os pobres cada vez mais pobres e os ricos refugiados nos seus abrigos seguros fora do país. Hoje, mesmo, vi uma noticia na imprensa do Recife que até os animais dos zoológicos estão morrendo de fome. Alguns sacrificam patos, gansos, porcos e similares para alimentar as feras. Que desastre.
Recebo, sempre, notícias desanimadoras de amigos que mantenho por lá. Lamentável. Trata-se de um país rico em recursos minerais e diversidade natural e cultural. Vai custar muito a recuperação que inexoravelmente terá de vir um dia. Não há crise que perdure indefinidamente. Pobre (rica) Venezuela!
A situação caótica que se verifica hoje na Venezuela, mergulhada numa tremenda crise político-econômica é exatamente, ou mesmo pior, comparada com o quadro que imaginei ao deixar Caracas, nessa minha última passagem por lá. Pior, certamente. De membro da OPEP e com uma folgada e promissora vida econômica, prestigiada no meio do mundo, foi transformada numa república populista de baixíssimo nível, impondo à sua sociedade sacrifícios nunca dantes imaginado. Claro que havia desníveis sociais a serem corrigidos, assim como há em todos os países latino-americanos. Contudo, o modelo de governo populista revelou-se logo cedo como sendo precipitado e inadequado à estrutura político-social original. De social-democracia prometida, não teve nada. Quando o projeto bolivariano de Chávez/Maduro se estruturou e foi posto em prática, nos anos recentes, foram os mais pobres que mais sofreram. São esses pobres coitados que estão pedindo esmolas nas ruas de Roraima e outros milhares que fugiram pela fronteira com a Colômbia. Cada venezuelano amarga, hoje, os malefícios desse governo desastrado. Os pobres cada vez mais pobres e os ricos refugiados nos seus abrigos seguros fora do país. Hoje, mesmo, vi uma noticia na imprensa do Recife que até os animais dos zoológicos estão morrendo de fome. Alguns sacrificam patos, gansos, porcos e similares para alimentar as feras. Que desastre.
Recebo, sempre, notícias desanimadoras de amigos que mantenho por lá. Lamentável. Trata-se de um país rico em recursos minerais e diversidade natural e cultural. Vai custar muito a recuperação que inexoravelmente terá de vir um dia. Não há crise que perdure indefinidamente. Pobre (rica) Venezuela!
NOTAS: Foto do arquivo pessoal do Blogueiro.
Este Blogueiro compôs a Comitiva Empresarial da FIEPE como um dos representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE.
Este Blogueiro compôs a Comitiva Empresarial da FIEPE como um dos representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Chorando por Ti
Dois assuntos rondam na minha cabeça para
formular este post semanal: Brasil de
Temer e Venezuela de Maduro. Duas coisas complexas de analisar e motivo de
perturbação na America Latina. Contudo, tento
por parte.
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
![]() |
| Temer e sua dor de cabeça |
Agora, vamos ao caso da Venezuela:
não percebo sinais de paz e dignidade para aqueles irmãos mais ao norte. Esse
tal de Maduro vai jogar um país rico e de futuro garantidamente próspero no
mais profundo precipício socioeconômico. Uma futura recuperação – que inexoravelmente
virá – irá exigir sacrifícios a, pelo
menos, três gerações. Nicolás (i)Maturo pratica, também, uma velha e carcomida
política antiga e comprovadamente ultrapassada. Esse comunismo à La Cubana é um
modelo falido e sem qualquer futuro. Os cubanos mesmo já sabem disto.
Estive por duas vezes na Venezuela: A
primeira foi como consultor (cedido pela SUDENE), por dois meses em
Barquisimeto (estado de Lara), dando contribuições técnicas à Fundación del
Desarollo Económico Del Centrooccidente de Venezuela – FUDECO, em 1986, para
implantação de um sistema de indicadores sociais à luz da experiência aqui no
Nordeste do Brasil.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Foram duas oportunidades e dois
quadros políticos distintos. No primeiro percebi um desgaste muito grande do
Governo Central, à época, praticando um modelo político impopular, com
governadores estaduais biônicos e uma economia centrada na exploração e venda do
petróleo. A indústria enfraquecida e quase todos os bens de consumo duráveis ou
não, assim como os serviços, sendo importados.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos. Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos. Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie.
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| Criador e criatura |
Acometido de um câncer, em 2013, antes
de completar 60 anos, Chávez ainda conseguiu deixar como sucessor o Senhor
Nicolás Maduro, ferrenho chavista. Nada maduro no oficio de gestor político e que neste momento
tenta dar o golpe fatal para se firmar como Ditador, em pleno século 21 e num
país de imensas potencialidades. Pobre Venezuela. Llorando por ti, también, Venezuela.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
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