Mostrando postagens com marcador 1964. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1964. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Lição para não Esquecer

Durante a semana passada acompanhei com interesse de quem viveu a historia, as manifestações que relembraram o golpe militar de 1964. Com um abrir e fechar de olhos completa-se 60 anos. Parece até que foi ontem. Eu era muito jovem, pré-universitário, e dava meus primeiros passos de cidadania buscando “tomar pé” no mar revolto no qual me via mergulhado. Recordo bem aquele 31 de março, quando o rumo político do país sofreu uma brusca “virada-de-chave” conduzindo-o para um tempo de incerteza e escuridão. Vivia-se um mundo completamente diferente do que hoje experimentamos. Era um tempo pós-guerra ainda tentando se restabelecer do grande trauma da II GG, mas às voltas em conviver com outro conflito, não necessariamente bélico, que era a chamada Guerra Fria, sendo travada entre os Estados Unidos e a Rússia na disputa acirrada pela hegemonia politica mundial. Um conflito que, na prática, servia de pauta e apontava caminhos para muitas das sociedades em vias de estruturação ou revisão político-social, seja nos padrões socialistas soviéticos ou nos ditames capitalistas ianques. A América Latina era um dos terrenos mais cobiçados pelas duas partes litigantes. À época, por exemplo, os russos comemoravam a reviravolta politica operada em Cuba e a instalação do Governo de Fidel, permeado de ações que assustavam meio-mundo. A dupla Fidel Castro/Che Guevara e o Paredão Cubano eram temas diários no mundo Ocidental. Assustados, os Estados Unidos buscavam, apressadamente, meios de se proteger e de dominar o que eles sempre consideraram de seu próprio quintal. Quem viveu sabe o que aconteceu. Os ianques exerceram pressão político-econômica e o Brasil entrou nesse beco sem saida. Indiscutivelmente, uma História longa e cheia de capítulos eletrizantes, com rebatimentos graves, ainda hoje remoídos, no Brasil e nos vizinhos Argentina e Chile. Mas, não é o tema central desta postagem. O assunto mesmo é o Golpe Militar de 64, chamado pelos mentores e simpatizantes de Revolução. O movimento apanhou o país numa verdadeira encruzilhada politica, com uma sociedade perplexa face às situações desenhadas pelas polarizadas correntes progressistas e conservadoras reinantes.
Pernambuco, estado sempre atuante e líder, muitas vezes, em todo e qualquer movimento politico nacional foi apanhado pelo Golpe abrigando em seu sítio iniciativas vanguardistas e de princípios contrários às novas ordens dos militares no Poder. Daquela época, são sempre lembradas, entre outras, as Ligas Camponesas, orientada por Francisco Julião (Deputado Federal na época) – defensora do projeto de Reforma Agrária universal e benéfica à população carente e sofrida nas mãos dos grandes latifundiários – e o Movimento de Cultura Popular (MCP) de Paulo Freire e Luís Mendonça. Para completar, era Pernambuco local onde se instalava uma das maiores iniciativas de intervenção local do Governo Federal que foi a SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Agencia oficial de caráter regional, encarregada de promover o desenvolvimento socioeconômico regional, idealizada e dirigida por uma das mais brilhantes cabeças do país, que foi o paraibano Celso Furtado. Foram tempos sombrios e aterrorizantes. A ordem dos “poderosos” era aniquilar projetos e pessoas que de algum modo fosse comprometido com referenciais socialistas, de pronto rotuladas de comunistas. Muitas arbitrariedades foram cometidas, muitos inocentes e muitas inteligências foram sacrificadas. Extermínios de muitos e evasão (exilados políticos) passou a fazer parte do dia-a-dia do brasileiro comum. Todo mundo, em principio, estava sujeito às rigorosas ordens dos milicos.
Recém-admitido nos quadros de funcionários da SUDENE lembro bem do pavor que minha mãe alimentou ao ver na revista semanal O Cruzeiro uma matéria de capa que taxava a Agencia Regional de Gaiola Dourada com pássaros vermelhos. A censura à imprensa, a quebra de sigilo pessoal das correspondências e os agentes secretos nas universidades (apareciam de repente e sem prestar vestibular) e repartições públicas foram outras características do período. Ex-bolsista da USAID (United States Agency for Intenational Development) passei a receber pelo Correio, em 1968, publicações de autores norte-americanos, todos eles combatendo o regime comunista soviético e as doutrinas socialistas. Os títulos eram sugestivos para que um agente mal informado e inadequado no posto concluísse se tratar de literatura subversiva. O jumento do censor não percebia que cada livro trazia um carimbo ostensivo informando se tratar de cortesia da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Por conta disso fui tido como um elemento subversivo social e, desse modo, levado de camburão para prestar depoimento na Secretaria da Segurança Publica. Mais do que isto e, para meu desespero tive meu passaporte retido pela Policia, três dias antes da minha primeira viagem à Europa. Inocente, fui salvo pelo Delegado do SNI, na SUDENE, que colocou as coisas no correto lugar. Tive o passaporte liberado e fiz a sonhada viagem à Europa. Recordo, por ouvir falar, do caso de um famoso Professor de Direito, Glaucio Veiga, que ao ter a residencia invadida para uma vistoria viu seu longplay Romanticos de Cuba ser arrolado entre os itens subversivos encontrados! Ah! Não foi fácil viver aquele tempo. Foi uma lição para não esquecer. Fico, hoje, impressionado com o desejo de muitos brasileiros pregando uma tomada do poder pelos militares, a exemplo de 1964, em resposta aos desmandos e corrupções dos muitos que passam pelos gabinetes e corredores de Brasília, sem que façam ideia do risco que correm. Ora, meu Deus, existe soluções muito melhores do que esta. Por outro lado, fico pasmo diante dos afagos e benesses politico-financeiras outorgadas pelo atual Presidente, Luís Inácio Lula da Silva, a sanguinários ditadores latino-americanos principalmente Maduro, da Venezuela e Ortega, da Nicarágua, ao messmmo tempo em que se ocupa em fazer discursos em defesa da a Democracia. Só sendo piada de mau gosto. NOTA: Fotos ilustrações colhidas no Google Imagens.

sábado, 28 de maio de 2016

Desafiante Conjuntura

Já tentei fazer esta postagem semanal por três vezes e, desconcertadamente, retrocedi. O ambiente está muito confuso para um blogueiro da minha categoria, que não segue uma periodicidade rigorosa e que faz desse tipo de comunicação, antes de qualquer coisa, um hobby, ao mesmo tempo em que mantém uma forma de se comunicar com uma pequena legião de amigos/leitores. Resulta que termino administrando uma grande dificuldade de formar pauta, nesse ambiente político-econômico tão volátil nos dias de hoje aqui no Brasil.Cai governo, entra governo, ministério novo com cara de velho, ministro corrupto flagrado com a “boca na viola” e derrubado. Delações premiadas pipocantes... Coisa de louco, meu Deus!  Apressei-me neste sábado e aí está. 
Nessas horas recordo minha finada mãe, sempre antenada nos assuntos políticos e diante da televisão acompanhando essa “safadeza geral e endêmica” que assola o país. Se viva fosse e tivesse boa cabeça diria logo “o pau tá comendo lá em Brasília” ou “a volta agora é por dentro! Escreveu, não leu, o pau comeu”. E é isto mesmo. Eu concordaria na hora.
Que o governo de D. Dilma foi, por bom tempo, inviável é uma questão indiscutível. Não havia governabilidade, prestigio internacional ou confiança da sociedade. Tudo isto num cenário caótico de estagnação econômica, inflação acelerada, taxa altíssima de desemprego atingindo mais 11 milhões de brasileiros e o escandaloso buraco cavado pela generalizada corrupção, comandada pelos cardeais do partido da “presidenta”. O final não poderia ser outro.
Ocorre, contudo, que a fila das delatores anda rápida e outros salafrários vêm sendo denunciados, pondo por terra “santos” com os pés de barro. E o barro, pela própria natureza, não resiste aos fortes jatos de um lava-a-jato. 
Sou um grande entusiasta da Operação desse Juiz Sérgio Moro que está reescrevendo a História deste Brasil velho e vilipendiado por inúmeros canalhas que o administram ao longo dos anos, num verdadeiro e continuo flagelo. Quem tem a curiosidade de ler sobre a História da República (leia, por exemplo, Guia politicamente incorreta dos presidentes da República, de Paulo Schmidt, Ed. Leya, São Paulo, 2016) e poderá conferir o que digo. Aliás, o que todo mundo diz.
Os episódios da semana que finda (entre 23 e 27.05.16) expõem os que agora mandam em Brasília termina alimentando – e com razão – a turma petista que tenta fortalecer a tese do golpe.
E é a propósito desta tese que quero falar agora: fico observando alguns defensores da ideia querendo comparar o momento atual com o golpe de 1964. Já tive, inclusive, quem me perguntasse se o que ocorre agora não teria as mesmas características daquele ano. Fui enfático em dar minha opinião afirmando que não tem nada que seja comparável. O mundo era outro e o Brasil também. As forças exógenas que influenciaram a investida militar, à época, foram concretas, com a efetiva influência política norte-americana pontificando na America do Sul, diante do caso de Cuba. Tio Sam tremia com o avanço da União Soviética na parte Latina das Américas. Era o auge da Guerra Fria e o resto da História todo mundo conhece. Hoje, a coisa é diferente! A chamada Cortina de Ferro não existe mais, foi carcomida pela ferrugem e ruiu de podre e total inviabilidade. No nosso atual caso, as razões são essencialmente internas. Um Governo saudoso das ideias sócio-comunistas dos anos 60 e 70, administrativamente incompetente não conseguiu viabilizar seu projeto, se entregou ao banditismo da corrupção, deixando escapar uma bela oportunidade que teve de se tornar um ponto de inflexão na curva da velha condução política do país.
Os tempos de hoje são outros. Os países que passaram pelas experiências populistas já deram a “volta por cima” e atualizaram suas trajetórias. Os que se atrasaram no processo estão pagando caro pelo idealismo anacrônico que alimentam. A Venezuela é o melhor dos exemplos. Já os hermanos argentinos “viraram a mesa” com Macri e no Brasil tenta-se dar uma girada de 180° para colocar o trem de “volta aos trilhos”. Não é nada fácil com tanta instabilidade econômica e política. Na verdade é traumático, até porque falta uma liderança capaz. Melhor que nunca houvéssemos passado por essa conjuntura. O processo de impeachment, no formato que ficou desenhado, bem diferente da unanimidade do de Fernando Collor, ainda vai render muitos desencontros e dissabores à Nação. No meio disso tudo, a Lavajato vai continuar, a presidente fica no “limbo” e  poder central transitório se esforça para soprar sobre o país uma lufada de esperança. Mas, o Brasil continua dividido. É inútil pensar ao contrário. Isto pode perdurar por longo tempo cobrando do povo brasileiro um preço altíssimo.
De todo modo, como já passamos por muitas outras crises às quais sobrevivemos, cabe uma pergunta: por que não sairemos desta desafiante conjuntura? Tomara que seja mesmo conjuntural e que passe logo.  


  

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...