sábado, 6 de julho de 2013

Pobre Pindorama

Esta semana foi profícua ao gerar assuntos para a pauta do Blog. O desenrolar da crise política, agravada pelos percalços da economia gerou uma infinidade de temas. Economia em declínio, Real se desvalorizando frente ao Dólar, indicadores de queda na produção industrial, comércio varejista ressentindo-se pela retração. O povo está com medo de consumir, muitos evitando as ruas, aqui no Recife os ônibus não rodam por conta da greve dos motoristas e cobradores, no resto do país os caminhoneiros fecham as principais estradas, num protesto sem precedentes, com cargas retidas, produtos perecíveis se estragando e o país parando. O governo (g minúsculo mesmo) certamente vai evitar que se calculem os prejuízos.
Nossa “presidenta” anda tropeçando e sendo desprestigiada. O Padrinho dela já declarou na imprensa que ela é uma “teimosa”! Que coisa, meu Deus! Queimando a afilhada. Bom, teimosa ou não e com a popularidade em declínio, ela está lá de cima tentando dar as cartas do jogo de modo unilateral. Mas, difícil tem sido jogar. Mandona, acho que – paradoxalmente –  sem noção precisa de democracia, ela vem apresentando propostas polêmicas e inexequíveis. Os aliados não são ouvidos, muito discordam e os opositores coitados, nem se fala. Essa história do plebiscito que ela tenta empurrar de goelabaixo no Congresso promete ser outro elemento de paralisação do país. Que vexame. Não vai ser assim que o Brasil terá sua reforma política. Observem que é o mesmo modelo adotado por Hugo Chávez. Pela “mãe do guarda”, o Brasil não merecia cair nessa, também. Esse plebiscito, se houver, não vai dar em nada. Plebiscito se faz com as opções do tipo SIM ou NÃO. Com um questionário extenso, como se sugere, nunca.
Mas, amigas e amigos, as coisas não andam ruins somente aqui. Vejam só o que ocorreu no Egito: derrubaram o governo democrático, eleito pelo povo, após décadas de tirania ditatorial. Vá entender. Aquele esforço da Primavera Árabe, iniciada no próprio Egito, parece que não valeu de nada. Ironicamente, quem assumiu o governo, dizendo ser provisório, foram os militares que estiveram salvaguardando Hosni Mubarak durante seus 30 anos de ditador. A razão do golpe? O Presidente Mohamed Morsi – o tal eleito pelo voto popular – “meteu os pés pelas mãos” e começou a mandar sem ouvir os reclamos da Nação.  Ou seja, virou um novo Ditador. Povo escolado pelos anos de regime duro saiu às ruas e provocou a derrubada do sujeito. Houve nova festa na Praça Tahrir. Porém! Porém é um episodio ruim para a história da Democracia. Um golpe, uma deposição é sempre ponto negativo para a História.  
É doloroso perceber como essa gente que assume o poder não entende de Democracia. D. Dilma, por exemplo, lutou contra a ditadura militar, virou guerrilheira, sequestrou gente, o escambau, pregando a Democracia e, ironicamente, fica agora, lá de cima, fazendo o povo de besta e querendo mandar sozinha. Não ouve ninguém, segundo um dos seus mais próximos  assessores. Chávez em nome da democracia levou a Venezuela a uma ditadura disfarçada com ajuda, inclusive, de um plebiscito. Cristina Kirchner anda por esse caminho, também. Pobre América Latina.
Precisamos urgentemente de uma Escola de Democracia, na qual gestão pública, governança, Sociologia, ciência politica, Direito Constitucional, Antropologia, Economia, cidadania, diálogo, honestidade, patriotismo, ética, entre outras disciplinas correlatas sejam curriculares. Somente os diplomados nessa escola sonhada teriam acesso ao poder executivo. Difícil, imagino, mas precisamos instituir alguma peneira que promova uma revolução moral. Chegou a hora de se passar um rodo e fazer uma limpeza geral. Caso contrário, no cenário brasileiro, vamos continuar vendo governantes mandões, achando que podem tudo, metendo a mão no dinheiro público, corruptos condenados fora das cadeias, outros voando nas asas da FAB carregando mulher, filhos, netos, sogra (até ela!), gato, cachorro e papagaio para curtir paraísos e eventos, inclusive particulares, que ocorrem em Pindorama. Pobre Pindorama.

3 comentários:

Celso Cavalcanti disse...

Caro Girley,

James Madison, um dos signatários da Declaração de Independência dos Estados Unidos e da Primeira Constituição, quarto presidente americano e um dos fundadores do Partido Republicano, afirmou na ocasião que "o primeiro estágio de uma democracia ocorre quando os governados passam a respeitar os governantes. O segundo, quando os governantes começam a respeitar os governados. O terceiro, quando os governados passam a controlar os governantes".
Enquanto nós brasileiros não estivermos dispostos a assumir e exercer este encargo, os Renan´s, Sarney´s, os Alves e outros, menos conhecidos mas não menos nocivos, continuarão a comandar o Brasil em nosso nome.

Sonia Lafayette disse...

Querido Girley,
Você é meu irmão também nas ideias.
Excelente o seu blog e excelente redação – e veja que tenho
experiências com as línguas....
Um grande lamento:
“O Brasil virou o Samba do crioulo doido”
Saudades desde Zurique
Sonia Lafayette Weust

J.Artur disse...

Mestre Girley, por mais esforço não consigo, há muito, tirar da cabeça o livro do Stanislaw Ponte Preta: Festival de Besteiras que Assolam o País / FEBEAPA ... Pena que críticos inteligentes são poucos, hoje em dia, e você levanta essa bandeira há muito. "Vamu qui vamu" !! Abs. Zé Artur