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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Combater a corrupção deve ser o foco

O povo foi outra vez às ruas. Em menor afluência é verdade. Mas, não deixou passar. É a democracia sendo exercitada. Ocorreram, como previsto, manifestações menores. O brasileiro é bem acomodado para essas coisas e gosta mesmo é de novidade sem muito compromisso. Muitos vão por pura gandaia, outros sequer sabem, por certo, o que defender. Há de tudo: protestos e demandas certas, misturadas com as coisas sem sentido.  Pedir o impeachment da presidente e a intervenção militar, por exemplos, é pura sandice. Coisa de quem não sabe focar no certo. Em sendo cometida uma dessas duas opções, ter-se-á um tremendo retrocesso na ordem política e no domínio  econômico do País. O preço a pagar pode ser muito mais alto do que já se paga. É preferível pensar que o povo pedindo mais do que o adequado, ganhe o que lhe seja devido. E que sirva de experiência. Esta, aliás, pode ser uma forma de educar politicamente o povo comum. E com isto, não se defende este governo que está aí. Ao invés disso, manifesta-se o descontentamento com tudo quanto tem provocado todo esse transtorno sócio-poliltico-econômico que vem ocorrendo.
Mas, na tentativa de tirar lições dos clamores das ruas, o que seria bem oportuno é que houvesse uma reflexão nacional sobre o tema da corrupção, já que muitos são os cartazes e as demandas pedindo o fim dessa praga que assola o país. Neste caso o povo tem razão porque, afinal de contas, o Brasil está consagrado mundialmente como sendo “o paraíso dos corruptos”. E não se trata, apenas, desses corruptos agora presos pela Lava a Jato ou pelo Mensalão. Aqui se dá guarida a ladrões e escroques internacionais, entre os quais o mafioso italiano Tomasso Buscetta, o inglês Ronald Biggs e o também italiano, ativista e criminoso, Cesare Batistti, que se refugiaram no Brasil, numa boa e em segurança, fugindo da lei dos seus respectivos países. Ora gente, assim já é demais. A corrupção e a (des)governança, que são “amigas íntimas” neste cenário, grassam de modo descarado no continente brasileiro.
Bom, verdade se diga: tudo isso começa no seio das famílias brasileiras. É uma coisa de berço. Tudo de forma tranquila e  como se nada fosse errado. O brasileiro comum é corrupto, até por esporte: gosta de furar uma fila no banco ou noutro lugar qualquer, suborna um guarda de trânsito para se livrar de uma justa multa aplicada, forja recibos falsos para burlar a Receita Federal na hora do ajuste de contas com o leão, estaciona numa vaga destinada a especiais, rasura documentos pessoais para enganar os tolos, entre outras peripécias.  A meninada cresce nesse clima de blefar e se tornam adultos corruptos de carteirinha.
Essa é a “meninada” que  tempos depois ocupa cargos públicos, muitos dos quais se elegem parlamentares ou executivos de governos, viram magistrados e, com a maior tranquilidade, passam a mão no dinheiro público, mentem descaradamente para os eleitores, “comem bola” para livrar delinquentes da cadeia ou se apropriam de bens apreendidos, produzindo, por fim, uma sociedade de estúpidos ladrões e assassinos cruéis.
Dois casos recentes: quem diria que o Programa de Financiamento Estudantil no Ensino Superior – FIES fosse ser plataforma de sustentação financeira para centenas de escolas mal estruturadas e formadoras de profissionais desqualificados como vem acontecendo em todo país?  E quem diria que o Seguro por Danos Pessoais causados por Veículos Automotores – DPVAT tivesse por trás uma quadrilha de falsificadores, espalhada pelo país, que forja falsos sinistros, atestados médicos mentirosos e registros de ocorrências inexistentes, para receber indenizações, sem que o verdadeiro segurado tome conhecimento?
O que resta, neste clima desolador e diante dos clamores populares, é desejar que um dia – um dia! – surja um Brasil livre de corruptos e ladrões, inclusive estrangeiros, e que o país goze de limpo prestigio internacional. Isto, certamente, não será logo mais. Mas, uma coisa é certa: serão necessárias algumas gerações bem orientadas, com forte esquema de Educação (sempre ela!) com lições e práticas de moral e cidadania, qualidades inexistentes na maioria dos brasileiros comuns dos tempos de hoje. Combater a corrupção (pela base) deve ser o foco.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Depois das Ruas

Confesso que fiquei aliviado diante do resultado das manifestações populares de domingo passado (15.03.15). Após uma expectativa duvidosa e lembrando-me de algumas objetivas ameaças, anunciadas por organizações pró-governo, vi um belo exercício de democracia. Comparável aos que ocorrem em países político e socialmente desenvolvidos, particularmente nos da Europa. Naturalmente que houve algum excesso, aqui ou acolá, mas isso é natural e fica por conta da heterogeneidade sócio-educativa brasileira. Aquilo que digo sempre: falta Educação neste país. De todo modo, os objetivos foram alcançados e acredito que o Governo ouviu e prestou muita atenção aos reclamos da Nação. Prova disso foi ver os imediatos pronunciamentos de representantes do Gabinete de Crise que Dona Dilma montou no Palácio do Planalto. Gabinete este que foi obrigado a levar em conta os recados dados desde a Sexta-Feira (13/03/15), pelas centrais sindicais, que não pouparam o Governo devido às reformas trabalhistas, e pelas multidões que em massa acorreram às ruas e avenidas das principais cidades brasileiras. Finalmente, milhões de brasileiros acordaram de uma “anestesia geral” e disseram alto das suas insatisfações.  
Já na segunda feira, a própria Presidente concedeu uma entrevista, transmitida para todo o Brasil, no qual reconheceu que erros foram cometidos pelo seu Governo. Indiscutivelmente, um ato de humildade inesperado para quem, por natureza pessoal, é orgulhosa e intransigente em tudo. Só que foi uma reação tardia. Ela não atinou no antes. Perdeu o time e agora vai ter que penar para colocar o “trem nos trilhos” outra vez, o que é claramente uma interrogação dolorosa.
Na verdade, o reconhecimento dos erros cometidos deve remontar aos que já vêm sendo cometidos pelo PT, desde o governo de Luis Inácio. Ao considerar que a crise de 2008, chegaria ao Brasil na forma de uma "marolinha" foi, sem dúvida, o erro inicial desse enorme bolodório no qual o país se meteu. Acho que Lula nunca ouviu dizer que “quando a economia dos Estados Unidos dá um espirro, a do Brasil cai numa tremenda gripe”. Imagine que o que aconteceu com Tio Sam foi mais do que um espirro. Sim, porque aquilo lá, em 2008, – o estouro da bolha imobiliária e suas desastradas consequências – foi uma “pneumonia das brabas” que até hoje os gringos estão tratando. Quanta inocência, meu Deus! Seria uma maravilha que o Brasil tivesse a autonomia econômica que essa gente imaginava.  
Na esteira da tal "marolinha", Luis Inácio empurrou nos peitos dos brasileiros um programa econômico arriscado, com uma bateria de incentivos fiscais, para ampliar o consumo das famílias e alavancar a produção industrial. Insustentável, simplesmente, por uma razão de ordem técnica. Desde cedo essa estratégia apontava para um momento em que o Governo viria buscar o perdido nos bolsos dos que inocentemente se entregaram ao instinto perdulário. Financiamentos de veículos em 75 meses, redução drástica das alíquotas de IPI desses mesmos veículos, além da linha branca, dos móveis e dos eletrodomésticos e, enfim, para tudo quanto rolava nos sonhos de consumo das camadas de renda C e D. Euforia ilimitada. Ora, minha gente, por que não cair nessa vibe?  Isso, sem falar nos preços represados dos combustíveis, na inadequada manobra eleitoral da redução das tarifas de energia, na sustentação de uma taxa de cambio irreal e, num sem número de outras medidas ousadas e mal estudadas. No dia em que “a casa caiu de vez”, logo após as eleições presidenciais do ano passado, os sinais mais evidentes da crise se ampliaram e o brasileiro mais desavisado acordou, enxergando, por fim, a roubada na qual foi metido. Mentiram desmedidamente, prometeram o impossível, para ganhar nas urnas de outubro passado e agora não sabem responder pela irresponsabilidade.
Resumo da ópera: o Brasil está numa tremenda recessão. A inadimplência das famílias é como nunca antes na história deste país e o que tem de devolução de imóveis, automóveis e artigos do lar não está no gibi. A economia tende a murchar, a indústria está sucateada e sofrendo a concorrência estrangeira, empresas estão fechando as portas, o desemprego está crescendo a taxas assustadoras e o comércio está às moscas. O medo do consumidor é a mais dura realidade de 2015. A inflação vem com toda força – já ultrapassou a meta dos 6,5% – e quem vai pagar caro pelos erros confessados por Dona Dilma é a população, sobretudo aqueles das camadas menos favorecidas. A bolsa do Bolsa Família vai ser insignificante no bolso do beneficiário. É um desalento geral. Bom, nem precisa lembrar que economia em crise provoca crise politica. 
O circo já pegou fogo na 4a. feira, em plena Praça dos Três Poderes, com o despautério e imaturidade política de Cid Gomes, Ministro da Educação.
Resta ver se Dona Dilma – com a popularidade lá em baixo, 13%! – vai conseguir virar esta mesa e restaurar o ânimo da população. Como? Não se sabe! Mas, é a única chance que ela e o PT têm agora. E que seja rápido, porque no dia 12 de Abril tem mais ruas e avenidas para o povo inundar o país de mais protestos.  

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens


sábado, 28 de dezembro de 2013

Espelho Retrovisor

O ano acabou. Não sei se você, caro leitor ou leitora, teve a mesma sensação que eu tive, de que passou muito rápido. Quando menos se esperou, terminou. O pior é que todos acham que 2014 será mais rápido ainda. O carnaval vai ser em Março, depois vem a Copa do Mundo e em seguida o país só vai pensar nas eleições. Fora Páscoa, Festejos Juninos e outros eventos menores. Dois meses de folia, um de futebol e mais outro, pelo menos, de disputa eleitoral. Ou seja, a rigor, vamos ter um ano de oito meses. Paciência.
Mas, neste apagar de luzes de 2013, resolvi olhar um pouco pelo meu espelho retrovisor e enxergo algumas coisas que marcaram nossas vidas e o mundo: logo no inicio tivemos a tragédia de Santa Maria (RS), na qual mais de duzentos jovens perderam a vida no incêndio da boate Kiss. Até hoje o Brasil chora essas perdas. Aquilo foi desolador. Imagino o sofrimento dessas famílias.
Um segundo fato que chamou a atenção do mundo inteiro foi a renúncia de Bento 16 ao Pontificado de pouco menos de oito anos. Eu estava em Nova York, naquela ocasião, e pude avaliar a imensa repercussão no mundo inteiro. Quem já viu um Papa renunciar? Ato contínuo, a ascensão do substituto, o carismático Papa Francisco. Se a retirada de Bento foi surpreendente a chegada de Francisco resultou noutra imensa surpresa por se tratar, inclusive, de um latino-americano.  Desde o primeiro momento o novo Papa se revelou como uma grande novidade em se tratando do que se chama, corriqueiramente, de Santo Padre. Simples em atitudes, chegado ao povo e, sobretudo, muito humano. No mês de julho, quando veio ao Brasil, para o Encontro Mundial da Juventude, ele se espalhou e mostrou o lado humano da figura de Pontífice – coisa nunca vista – e uma Igreja Católica renovada e politicamente bem direcionada. Acho que muitas outras surpresas estão por vir, desse fantástico Francisco.
Quando junho chegou ocorreu, certamente, o fato político mais importante do ano, no Brasil: o povo, sem qualquer vinculação político-partidária, foi às ruas para protestar e reivindicar melhorias na qualidade de vida, na economia e na vida política nacional. Foi a Nação que se levantou, mostrou a cara e abalou Brasília. A ordem social esteve por vezes ameaçada, sobretudo quando vândalos se infiltraram e desvirtuaram as manifestações. O mais importante é que o recado foi dado e burro será o político (são muitos, aliás) que esquecer os episódios de junho e julho passados. Tudo isso simultâneo à realização da Copa das Confederações, o que causou maior rebuliço. Estão prometendo mais para a época da Copa Mundial. É ruim? Vamos ver no que dá.
Mas, ruim mesmo é constatar que 2013 não foi um ano bom para a Economia Brasileira. As coisas não andaram bem. O país encalhou e não reage aos “estímulos” que o Governo Federal diz haver dado e considerados errados na maioria dos analistas especializados. O crescimento pífio de 2012, vai se repetir neste ano que termina e o país segura a lanterna na lista dos avaliados. Os índices econômicos parecem querer ser compatíveis com os sociais, que não conseguem nunca melhorar. Aquela imagem que a respeitada revista econômica britânica The Economist desenhou numa das suas capas, em 2009, com um simbólico Cristo Redentor decolando, foi repetida em 2013 com um Cristo numa patética pirueta sem destino rumo ao fundo da Baia da Guanabara. É dose... O Real se desvaloriza a taxas preocupantes e a inflação se mostra disposta a recrudescer. Resultado mis prático a exemplificar é lembrar que o cupom fiscal, que a dona de casa leva do supermercado, após comprar cada feira semanal, está cada vez maior. É aí onde a dor dói mais. No bolso. Acho que este tema será o principal mote da campanha eleitoral do ano entrante, seja oposição ou situação. Esta ultima tentando “tapar o sol com uma peneira”.
Agora, se tem um fato que brilha intensamente no meu espelho retrovisor, este é o das prisões dos corruptos mensaleiros. Os brasileiros acompanharam e ainda acompanham  atentamente o processo que sucedeu à decisão do Supremo Tribunal Federal – STF e aplaudiu sem cessar as prisões que foram ou vem sendo executadas.  Estava em tempo de acontecer algo deste gênero neste país tão espoliado cinicamente por políticos e mandatários irresponsáveis. O povo brasileiro precisa disso para reacender as esperanças de viver num país sério.
E Mandela se foi para seu repouso eterno, neste Dezembro de 2013. Bravo herói sul-africano e mestre da conciliação e da democracia moderna. Descansa em paz Madiba.
Do meu posto de observador vejo ainda uma infinidade de outros fatos que chamam a atenção, mas, já não comportam no exíguo espaço do Blog.
Feliz 2014!

 
 
NOTA: O Blogueiro vai entrar de férias e retorna somente em meados de Janeiro

domingo, 13 de outubro de 2013

Triste Porvir

Dias atrás conversando, por telefone, com uma amiga pernambucana que mora na Suíça (casada com um cidadão helvético), mas, que vive sempre muito ligada nas coisas do Brasil, tem casa no Recife, onde passa longas temporadas, fui surpreendido com uma das suas perguntas: “é verdade que esses mensaleiros vão ficar mesmo fora das grades?” Tristemente respondi que, pelo visto, sim. Explicando a “lógica” da situação, trocamos informações, ela comparando a situação com a de países europeus e eu desencantado falando da falência da ética e da honestidade no Brasil. Outra amiga, dessa vez, nos Estados Unidos, brasileira também, me dizia que o nosso povo – como em qualquer país democrático – tinha que ir às ruas e protestar a roubalheira, pedindo reformas necessárias para que o país tivesse uma nação de vergonha e respeito. Pensando bem, posso imaginar o que pode rolar nas cabeças dessas minhas amigas. Faço ideia das dificuldades que sentem em acompanhar de longe a deterioração do tecido social do Brasil, ao mesmo tempo em que vivem em sistemas sócio-político-econômicos bem administrados, seguros e respeitados. Para quem tem oportunidades de visitar países, desse mundo onde vivem minhas amigas, podem sentir, ainda que de passagem, a sensação que elas sentem. Em mim, por exemplo, bate uma tristeza danada, ao retornar de alguma viagem.
Há três meses, o desejo da minha amiga nos States foi de, alguma forma, atendido. O povo foi às ruas, protestou e apontou suas dificuldades, decepções e desejos. Na maioria das cidades brasileiras os protestos se multiplicaram e uma onda de democracia ganhou forma, mostrando que o povo é dócil, mas não é burro. Não sei até quando será dócil! “O gigante acordou” foi o clichê de muitos veículos de notícias, na cobertura dos acontecimentos. Ocorre, porém, que para manter a tradição tupiniquim , oportunistas se infiltraram nas manifestações pacificas e apartidárias, dispostos a bagunçar a onda de democracia, espalhando a desordem, o vandalismo e a insegurança para aqueles que, de peito aberto e muito idealismo, defendia teses que pugnavam por um novo país, digno, democrático, honrado e honesto. Foi tamanha a desordem que implantaram, chegando inclusive a se organizarem em facções deletérias, perturbadoras da ordem e destruidoras dos patrimônios publico e privado. Resultado: aquilo que nasceu no seio da sociedade espontânea, apolítica e ansiosa por um porvir auspicioso, definhou e se recolheu. Quem, de fato, protestava disciplinado, democraticamente e em perfeita ordem desistiu de ir às ruas, em detrimento do atribuir musculatura ao movimento patriótico e exigente de reformas. Brasília agradeceu e voltou ao proselitismo costumeiro. Vide foto dos baderneiros, a seguir.
Hoje, o que mais se questiona nos meios sociais mais esclarecidos é sobre a validade dos movimentos de junho passado. Há quase uma desesperança. Pior, é ver que a verdade nua e crua é que o Governo já navega em águas tranquilas, o temor que pairou sobre o Palácio do Planalto é, visivelmente, página virada e não se fala em outra coisa a não ser eleições 2014. Nunca vi uma campanha começar tão cedo. Dona Dilma “mata e morre” para emplacar mais quatro anos, os opositores se organizam, cada um tratando das suas estratégias dispostos a derrubá-la. E o povo... Bom, o povo continua sendo apenas um detalhe, como dizia um personagem humorístico da década de 80 ou 90. As reformas sociais, política, econômica e tributária reclamadas, nem são lembradas. Vão ser lembradas certamente nas retóricas de campanhas, para embromar a Nação e, em meu ver, sem chances de serem levadas a efeito.

Do meu “observatório” o que vejo, somente e como pretensa resposta aos clamores das ruas, é o programa Mais Médicos (com as polêmicas contratações dos profissionais cubanos, hoje sabido que já eram articuladas com os irmãos Castro há, pelo menos, dois anos); vejo, também, tristes noticias sobre os desvios de Milhões do Bolsa Família; o crescimento vertiginoso dos inacreditáveis problemas de  mobilidade das grandes cidades brasileiras (esta semana quase perdi a hora de embarque de volta ao Recife, porque passei mais de duas horas no trânsito de Salvador. E
ironicamente voei 60 minutos entre as duas cidades) Vide foto acima); os gargalos econômicos devidos à falha infraestrutura brasileira; a inflação nas portas; a queda da produtividade nacional em todos os setores de atividade; o baixo desempenho do ensino superior do país, incluindo a lamentável queda de posição da Universidade de São Paulo (nossa estrela, vide foto abaixo) no ranking mundial. Já não temos nem uma universidade figurando entre as 200 melhores no mundo.  Dá um desencanto...

Sei não, por mais que eu queria, percebo um triste porvir! Durmo preocupado com o futuro dos meus filhos.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens.

sábado, 29 de junho de 2013

A Expectativa do Porvir

Ao concluir a postagem da semana passada, afirmei que o Brasil havia mudado e não era o mesmo da semana anterior. De fato, a Nação assumiu seu direito de, em alto e bom tom, ditar o que desejava para o futuro. Claro que abominei a ação dos perturbadores da ordem, que se infiltraram na sociedade apartidária manifestante e bem intencionada. Esses, porém, estão tendo o devido tratamento.
Em meio ao inesperado clima instalado, entramos na semana que finda assistindo a uma sucessão de mensagens e ideias governamentais desencontradas e, em boa parte, equivocadas revelando não haver a necessária sincronia entre os próprios membros do executivo, do PT e da base aliada. Com a oposição, que seria necessária e prudente, nem se fala. O legislativo em total estresse. Propostas apressadas e sem respaldo legal foram anunciadas, todas praticamente empurradas de “cima para baixo” por D. Dilma, exacerbando ainda mais o clima de instabilidade. E o povo saindo às ruas, exigindo respostas às demandas apontadas. Nem o futebol – tido como o ópio do povão – conseguiu atrair as atenções. Pelo contrário, instigou os manifestantes. Copa das Confederações? Que nada! Também com os preços de ingressos cobrados pela FIFA, quem pode?
Mas, uma coisa chamou a atenção dos brasileiros, ao longo dessa semana: nunca se trabalhou tanto no Congresso Nacional. Num clima de “ou vai ou racha” a turma de deputados e senadores se apressou em mostrar serviço e desengavetar projetos que adormeciam há tempos. Fiquei surpreso com tanta agilidade. Conseguiram, até, responder aos clamores populares. Só a esmagadora derrubada da PEC 37 – Proposta de Emenda Constitucional, indecente, que tiraria o poder do Ministério Público de investigar as ladroeiras generalizadas –  e a decisão do Senado de tratar a corrupção com um crime hediondo, já foram duas vitórias memoráveis que a Nação agradece. São apenas dois exemplos. Teve mais. Nossos deputados e senadores trabalharam por conta do empurrão que levaram.  Tomara que eles tenham aprendido a lição e de uma vez por todas saibam que são empregados públicos a serviço do povo e por ele pago.
Agora, estressante mesmo está sendo a discussão de um tal Plebiscito, com vistas à realização de uma reforma política. A Presidente quer, porque quer, realizar esta consulta, jogando nas costas da população a responsabilidade que, de direito e de fato, é dos seus representantes, isto é, deputados e senadores. Ela vai enviar mensagem à Câmara que terá de decidir se essa coisa será ou não realizada. O rolo é grande. A oposição defende um Referendum, que seria a validação – via consulta popular – de uma proposta de reforma antes discutida e amplamente debatida.   E agora? O primeiro encontra um obstáculo de cara: o que vai ser perguntado ao povo? Problemão! Quem vai formular este questionário? E o povão – aquele da bolsa família e os analfabetos – vão saber votar? Sei não, mas acho que vai ser uma lasqueira... Mais preocupante, mesmo, é o inadmissível fato de ser feito antes de Outubro, para que o resultado seja aplicado nas eleições de 2014. Não precisa ser habilidoso(a) para sentir mais uma manobra espúria por trás disso.
Sinceramente, chega a ser revoltante. Temo que esta chance repentina de se fazer a tão almejada reforma termine por produzir uma tremenda frustração.  Pior do que isto: um erro de difícil reparo.  Sempre ouvi dizer que “a pressa é inimiga da perfeição”. Sinto que pode ocorrer algo assim. Reforma política não se faz de uma hora para outra. Requer formulações acuradas, bem e amplamente debatidas, avaliações sensatas, visão política, patriotismo, respeito à Nação, entre outros predicados. Será que vamos ter chances disso tudo?  Nossa Gerentona, além de andar tropeçando, meteu-se numa encruzilhada terrível. Coitada, acho que ninguém quer estar na pele dela. Nem mesmo o Padrinho. Tá doido! Tem oportunistas de olhos bem abertos. 
É preocupante o quadro estabelecido. Já se fala em greve geral, paralisações setoriais e inquietação popular. É um porvir de muitas expectativas.  

sábado, 22 de junho de 2013

Nação em Alerta


Uma coisa louvável e, sobretudo, justa é sair às ruas e protestar, apontar erros e reivindicar os direitos conforme a liturgia democrática. A outra coisa, abominável, é sair com espírito baderneiro e depredar o patrimônio publico ou privado. Mas, que jeito se meu Brasil é mesmo um país de contrastes.
Tenho acompanhado atentamente o desenrolar dessa saga fantástica pela qual passa minha Pátria, nessa encruzilhada da vida republicana. Misto de feliz emoção e revolta invade minha alma, diante das imagens da televisão mostrando à Nação e ao mundo como se vive numa democracia. Não fosse a sanha dos estúpidos desordeiros teríamos dado uma brilhante lição de civismo e civilização ao mundo.
Instalado o clima de contestação e revolta, o povo na rua e a perplexidade na maioria e no resto do mundo, cabe uma pergunta: e agora, o que fazer? E o Governo, onde estás que não te vejo? O que tens para nos dizer?
Há muito tempo, neste humilde espaço, venho sublinhando os descalabros que se revelam a toda hora nesta republica petista. Mais de uma vez fechei artigos com a expressão “Acorda Brasil!”. Agora, para minha alegria, vejo que a Nação acordou. E quando falo de Nação estou bem distante da ideia de Estado. São duas coisas bem distintas. O atual Estado Brasileiro está em profunda dívida com a Nação. O Brasil e os brasileiros não mereciam essa calamidade. Falta competência, visão política e respeito à opinião do povo. A ânsia de permanecer indefinidamente no poder tem privilegiado projetos que penalizam os que efetivamente contribuem para o erário publico sem que, no entanto, recebam qualquer melhoria na qualidade da vida. O tão propalado Brasil Grande e Desenvolvido não passa de uma propaganda enganosa. Falta muito para que nos sintamos num desejado Primeiro Mundo.
Como chegar ao Primeiro Mundo se não temos Educação, Saúde, Segurança, Emprego digno, Transporte Público e Moradia compatíveis? Como conviver com tanta corrupção e assaltos aos cofres públicos? Como avançar se assistimos a recidiva da inflação, a desvalorização do Real, a queda das exportações e os renitentes desacertos na política econômica? Como promover tão grandes eventos como Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude, Mundial de Futebol e Olimpíadas se o povo não tem como participar dignamente, por não ser atendido nas suas mais básicas necessidades? Aqui, nem a velha estratégia do Império Romano – pão e circo – funciona porque a FIFA existe hoje e não permite. E, nesse contexto de penúria, ver que o Nordeste continua padecendo de terríveis secas, passíveis de soluções por demais conhecidas, mas adiadas por interesses politiqueiros e antidemocráticos. A transposição das águas do São Francisco se arrastam por anos.
A verdade, meus amigos e amigas,  é que chegamos a um momento crucial. O povo exige e o Governo tem que responder à altura. Que sejam postos de lado os interesses e as pendengas eleitoreiras e que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se mobilizem para garantir o sagrado lema de Ordem e Progresso. Está na hora dos representantes do povo se aproximarem mais dos seus eleitores e escutarem com humildade e inteligência – qualidade  que falta à grande maioria – o que se demanda.
Em suma, o Brasil de hoje não é o mesmo da semana passada. Entramos num novo tempo onde o velho chavão do “Povo Unido Jamais será Vencido” irá prevalecer. Viva o Brasil! Viva a Democracia!

NOTAS: 1. As fotos foram obtidas no Google Imagens. 2. Este post foi escrito antes do pronunciamento da Presidente da República.

 

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...