sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Imagine na Copa

Todo país sede de um grande evento internacional termina se transformando numa grande vitrine para as atividades do turismo. Hotéis, equipamentos de atração cultural, comércio, restaurantes, meios de transporte, entre outros vários aspectos, fazem a festa de operadoras e guias que, via de regra, se consolidam nos mercados. O Brasil, atualmente, está na  mira de centenas de operadoras deste setor, espalhadas no mundo inteiro ou, pelo menos, nos países interessados nos eventos. Refiro-me, naturalmente, à Copa Mundial de Futebol (2014) e às Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016). O Turismo brasileiro tem pela frente a melhor das suas oportunidades de deslanchar, coisa até hoje pouco observada em face das políticas ineficazes dos que fazem nossos governos. Com tantas atrações naturais, paisagem luxuriante, história atraente,  diversidade cultural, músicas e danças feéricas, folclore extraordinário,  rica gastronomia, entre muitos outros aspectos é de lamentar o pífio resultado econômico do setor. Países bem menores e com leque de atrações bem mais reduzido – vizinhos próximos, até – conseguem faturar relativamente bem mais alto e algumas vezes em termos absolutos.
Numa parada estratégica de quatro dias na África do Sul, quando a caminho da Austrália, dois anos atrás, ouvi de um operador de turismo (ele me conduzia a um Safári fotográfico) uma declaração taxativa a respeito do resultado pós-Mundial de 2010: “foi a melhor coisa que ocorreu para o turismo do nosso país. Depois do Mundial a afluência de turistas estrangeiros ao nosso país chegou a triplicar.” Acredito que esses turistas torcedores tiveram boa receptividade, condições de acomodações adequadas e preços praticados de forma honesta. Eu já havia estado antes naquele país e notei as diferenças que resultaram do evento Copa.
Aqui no Brasil, esta semana estourou na imprensa uma grave denúncia sobre os preços que já estão sendo praticados, para passagens durante a Copa Mundial, pelas companhias aéreas brasileiras e nos trechos domésticos. Um tremendo equívoco! Sobretudo considerando-se que as sedes, por Chaves de Competidores, ainda nem foram definidas. Conheço pessoas, do Recife, que reservaram compras de ingressos para a Final no Maracanã e que diante dos preços das passagens estão desistindo do projeto. Tem empresa, vendendo pela Internet, uma passagem aérea entre Recife e São Paulo (ida e volta) pelo absurdo valor de R$ 3.998,00. Ora, ora, tenha paciência! Assim não dá. Hoje é possível fazer esse mesmo percurso por, no máximo, R$ 750,00, quando se faz uma viagem programada. E neste caso é mais do que programada, na medida em que se pode comprar com oito meses de antecedência. Por esse preço absurdo, um conhecido garante que desistiu da ideia de ir ao Rio e aproveitar esse dinheirão fazendo turismo noutro país e daqueles bem distantes.  
É numa hora dessas que o Brasil decepciona. Aliás, o brasileiro. Quanta incompetência! Será que essa gente que faz negócio com transporte aéreo não percebe que estão cometendo um erro sem chances de correção? Vá lá que prevaleça a Lei do mercado – demanda alta, preços mais altos – mas nessa proporção é de lascar. Ouvi dizer que o Governo pensa em liberar rotas domésticas à empresas estrangeiras. Sou contra em principio, mas seria bem feito.
Isto, minha gente, é apenas o começo de uma grande farra de inflação que deverá ocorrer neste país, durante esses megaeventos. E, danado, danado mesmo, vai ser prestador de serviços adotar de volta os preços originais, no day-after ao final da Copa. Preparemo-nos para notar as mudanças nos cardápios dos restaurantes prediletos. Uma simples caipirinha ou uma cervejinha, na beira-mar, poderá adquirir um valor nunca dantes imaginado. Tenho para mim que vai ser um péssimo negócio para nós, os nativos.
Pior é que aquela imagem desenhada pelo guia sul-africano, dois anos atrás, em Johanesburgo, pode não ser nunca reproduzida pela cabeça de algum brasileiro. Não é uma lástima? Tomara que eu esteja sendo pessimista.
Não me resta outra coisa a não ser repetir o jargão popular: Imagine na Copa!

NOTA: Imagem obtida no Google.

4 comentários:

Regina Dubeux disse...

Compartilhei na minha página do Face e nos meus círculos do Google+, dizendo: Girley Brazileiro, economista, empresário pernambucano, possui uma qualidade imprescindível a um bom comunicador: Clareza e precisão das ideias.
Perfeito, Girley.

Girley Brazileiro disse...

Puxa Regina, emoção de amiga é coisa verdadeira. Haja vistas para seu comentário. Obrigado amiga.
GB

Lucia Medeiros disse...

Um texto inteligente e uma excelente reflexão.
Comumente o comércio brasileiro inflaciona para os turistas ou para participantes de congressos e eventos corporativos.
Aqui, na praia, muitas vezes precisamos dizer que somos recifenses ou brasileiros. Uma vergonha!
Parabéns pelo seu blog, que tenho o prazer de ler frequentemente.

Lúcia Medeiros

Cristina Rescigno disse...

Caro Girley:

Acho até que vc foi otimista.infelizmente o nosso problema é cultural.A mentalidade de tirar vantagem está incrustrada na mente da maioria que pensa pequeno e com Ânsia de retorno imediato. Será necessário muita educação em todos os sentidos ,para que as próximas gerações mudem esse comportamento
retrógrado. Um grande abraço, Cristina Rescigno.