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domingo, 13 de outubro de 2013

Triste Porvir

Dias atrás conversando, por telefone, com uma amiga pernambucana que mora na Suíça (casada com um cidadão helvético), mas, que vive sempre muito ligada nas coisas do Brasil, tem casa no Recife, onde passa longas temporadas, fui surpreendido com uma das suas perguntas: “é verdade que esses mensaleiros vão ficar mesmo fora das grades?” Tristemente respondi que, pelo visto, sim. Explicando a “lógica” da situação, trocamos informações, ela comparando a situação com a de países europeus e eu desencantado falando da falência da ética e da honestidade no Brasil. Outra amiga, dessa vez, nos Estados Unidos, brasileira também, me dizia que o nosso povo – como em qualquer país democrático – tinha que ir às ruas e protestar a roubalheira, pedindo reformas necessárias para que o país tivesse uma nação de vergonha e respeito. Pensando bem, posso imaginar o que pode rolar nas cabeças dessas minhas amigas. Faço ideia das dificuldades que sentem em acompanhar de longe a deterioração do tecido social do Brasil, ao mesmo tempo em que vivem em sistemas sócio-político-econômicos bem administrados, seguros e respeitados. Para quem tem oportunidades de visitar países, desse mundo onde vivem minhas amigas, podem sentir, ainda que de passagem, a sensação que elas sentem. Em mim, por exemplo, bate uma tristeza danada, ao retornar de alguma viagem.
Há três meses, o desejo da minha amiga nos States foi de, alguma forma, atendido. O povo foi às ruas, protestou e apontou suas dificuldades, decepções e desejos. Na maioria das cidades brasileiras os protestos se multiplicaram e uma onda de democracia ganhou forma, mostrando que o povo é dócil, mas não é burro. Não sei até quando será dócil! “O gigante acordou” foi o clichê de muitos veículos de notícias, na cobertura dos acontecimentos. Ocorre, porém, que para manter a tradição tupiniquim , oportunistas se infiltraram nas manifestações pacificas e apartidárias, dispostos a bagunçar a onda de democracia, espalhando a desordem, o vandalismo e a insegurança para aqueles que, de peito aberto e muito idealismo, defendia teses que pugnavam por um novo país, digno, democrático, honrado e honesto. Foi tamanha a desordem que implantaram, chegando inclusive a se organizarem em facções deletérias, perturbadoras da ordem e destruidoras dos patrimônios publico e privado. Resultado: aquilo que nasceu no seio da sociedade espontânea, apolítica e ansiosa por um porvir auspicioso, definhou e se recolheu. Quem, de fato, protestava disciplinado, democraticamente e em perfeita ordem desistiu de ir às ruas, em detrimento do atribuir musculatura ao movimento patriótico e exigente de reformas. Brasília agradeceu e voltou ao proselitismo costumeiro. Vide foto dos baderneiros, a seguir.
Hoje, o que mais se questiona nos meios sociais mais esclarecidos é sobre a validade dos movimentos de junho passado. Há quase uma desesperança. Pior, é ver que a verdade nua e crua é que o Governo já navega em águas tranquilas, o temor que pairou sobre o Palácio do Planalto é, visivelmente, página virada e não se fala em outra coisa a não ser eleições 2014. Nunca vi uma campanha começar tão cedo. Dona Dilma “mata e morre” para emplacar mais quatro anos, os opositores se organizam, cada um tratando das suas estratégias dispostos a derrubá-la. E o povo... Bom, o povo continua sendo apenas um detalhe, como dizia um personagem humorístico da década de 80 ou 90. As reformas sociais, política, econômica e tributária reclamadas, nem são lembradas. Vão ser lembradas certamente nas retóricas de campanhas, para embromar a Nação e, em meu ver, sem chances de serem levadas a efeito.

Do meu “observatório” o que vejo, somente e como pretensa resposta aos clamores das ruas, é o programa Mais Médicos (com as polêmicas contratações dos profissionais cubanos, hoje sabido que já eram articuladas com os irmãos Castro há, pelo menos, dois anos); vejo, também, tristes noticias sobre os desvios de Milhões do Bolsa Família; o crescimento vertiginoso dos inacreditáveis problemas de  mobilidade das grandes cidades brasileiras (esta semana quase perdi a hora de embarque de volta ao Recife, porque passei mais de duas horas no trânsito de Salvador. E
ironicamente voei 60 minutos entre as duas cidades) Vide foto acima); os gargalos econômicos devidos à falha infraestrutura brasileira; a inflação nas portas; a queda da produtividade nacional em todos os setores de atividade; o baixo desempenho do ensino superior do país, incluindo a lamentável queda de posição da Universidade de São Paulo (nossa estrela, vide foto abaixo) no ranking mundial. Já não temos nem uma universidade figurando entre as 200 melhores no mundo.  Dá um desencanto...

Sei não, por mais que eu queria, percebo um triste porvir! Durmo preocupado com o futuro dos meus filhos.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...