Mostrando postagens com marcador Juazeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Juazeiro. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Desordem no Vale do São Francisco

Que a atividade econômica do Vale do São Francisco, baseada na fruticultura irrigada, é um dos negócios mais bem sucedido do Brasil moderno, todo mundo já sabe. Este tema, que já foi assunto deste Blog noutras ocasiões, testemunha meu entusiasmo por tudo que acontece naquela região cortada pelo velho Chico, no trecho de fronteira entre os estados de Pernambuco e da Bahia,  tendo os municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) formando o maior aglomerado urbano. Como não admirar o progresso e o aproveitamento agrícola de uma área fincada no meio do inóspito semiárido nordestino? Como não encher os olhos de alegria ao divisar a verdura dos perímetros irrigados gerando riqueza e sustento para uma população que antes só experimentava agruras e miséria, geradas pelo sol causticante e abrasador? Como não se deliciar com a doçura e a qualidade superior das frutas cultivadas naquela região? São perguntas, entre muitas outras, que recebem sempre respostas positivas.
Posso me considerar um razoável conhecedor da região, tanto pelo interesse pessoal, como em decorrência das minhas atividades profissionais. Perdi a conta das vezes que adentrei naqueles campos de cultivo e em que, particularmente, visitei as adegas produtoras de vinhos tirados das uvas do vale. Ou seja, acompanhei de perto a construção de uma atividade econômica que levou os nomes de Pernambuco e da Bahia, Nordeste enfim, aos quatro cantos do mundo.
Ultimamente, porém, um movimento pouco animador vem despertando a preocupação de todos que conhecem , admiram e defendem aquela região: fazendas produtoras de frutas tropicais e vinhos de qualidade superior estão sendo invadidas pelos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sob duvidosas alegações – dizem que as terras são improdutivas! – e pondo em risco uma economia indiscutivelmente bem sucedida. Primeiro foi a Fazenda Milano que, além de frutas tropicais, produz vinhos finos, com a consagrada marca Botticelli, invadida em 12 de outubro passado. Depois, na semana que passou, foi a vez da vinícola Bianchetti, que existe de 1998. Observadores locais garantem que nenhuma das terras invadidas é improdutiva, dado que se acham a pleno funcionamento, plantando, colhendo, exportando e produzindo vinhos. A briga rola na justiça e autoridades já foram chamadas para atestar a verdade. Processo para reintegração de posse, aliás, já foi emitido a favor da Milano, que aguarda execução sob o lento e magnânimo compasso do comando da policia local.
A Milano, meus amigos e amigas, tem uma invejável trajetória de 43 anos, produzindo em cerca de 300 hectares frutas e uvas para exportação, além de vinhos. É uma empresa pioneira e serve de modelo para essas atividades no Vale. De lá saem regularmente uvas, mangas, goiaba, maracujá, feijão, milho, leite e queijos em escala comercial. Falo de uma empresa cidadã, com mais de trezentas famílias vivendo com qualidade de vida e que, neste momento, estão impedidas de produzir, devido a desordem instalada pelos invasores. Além de invadir quebraram tudo, provocando um imenso prejuízo econômico, afora outro, de natureza emocional, segundo o Administrador da Fazenda, José Gualberto de Almeida, à medida que sequer pode sair de casa, na sede da Fazenda.
No caso da Bianchetti, são 100 invasores que chegaram em carros, vans, motos e, vejam só, protegidos pela policia. Garantem que vão ficar por lá e se preparam para plantar e sobreviver.
Quem conhece aquilo lá, sabe que o governo promoveu assentamentos para famílias de baixa renda da região no entorno desses grandes empreendimentos invadidos, e que por falta de assistência técnica e social essa gente vem abandonando as terras recebidas legalmente, indo atrás daquelas já bem estruturadas e com produtividades garantidas. Francamente! Que país é este? Onde estão nossos governantes?
Contudo, lamentando o que vem sendo registrado e por dever tento um olhar neutro, digo, na ótica dos invasores e imagino que algumas empresas podem, mesmo, estar atravessando dificuldades num ou noutro aspecto legal, coisa mais do que comum, neste Brasil! As invadidas podem ser exemplos. Mas, e daí? Será que isso é motivo para que sejam invadidas? Tudo leva a crer que vem ocorrendo puro oportunismo desse MST.
Infelizmente ser empresário no Brasil vem se transformando num ato de bravura. As dificuldades são imensas. Problemas com impostos escorchantes, custo da mão de obra, luz, água e telecomunicações, logística precária, baixas produtividades, concorrência estrangeira, etc, etc. E bote etc. nisso!
Para as empresas do Vale do São Francisco acredito que a situação é ainda mais séria porque vivem das exportações, atualmente abaladas pela apreciação do Real, combinada com a retração do consumo num mercado mundial em crise.
Precisamos salvar a economia do Vale do São Francisco! Fim urgente à desordem que ali se instalou!

NOTA: As fotos que ilustram o post foram colhidas no Google Imagens 
      


domingo, 29 de julho de 2012

Petrolina, nossa California

... e durante, aproximadamente, sessenta minutos sobrevoamos Pernambuco no sentido Leste-Oeste, rumo à cidade de Petrolina, Sertão do São Francisco. A paisagem, vista do alto, na grande maioria era de seca, devido à estiagem que assola a região. Quando, porém, o comandante da aeronave anunciou a descida, apareceu – como num passe de mágica – um cenário de verde luxuriante, resultante de uma intervenção inteligente do homem, que, aproveitando a abundancia de água do Velho Chico, irrigou a terra, plantou e vem colhendo os mais ricos e doces frutos, nunca dantes imaginado.
À frente de um grupo de amigos – associados do The British Country Club do Recife – visitei, no fim de semana passado, a cidade de Petrolina e sua área de influencia econômica. O objetivo foi de fazer uma visita de cunho cultural. A hipótese referencial  foi a de que vale à pena conhecer de perto o que ocorre naquele Pernambuco do oeste. Observar o progresso que se respira, a forma citadina como vive a gente local, a gastronomia e, enfim, os hábitos gerais dos ribeirinhos do chamado rio da integração nacional.
O desembarque em Petrolina chega a causar alguma surpresa ao mais desavisado, pelas instalações da estação de passageiros e o fato de ser um aeroporto internacional de cargas. Na seqüência, o desavisado tem novas surpresas com a estrutura urbana da cidade, com largas e bem tratadas avenidas, edifícios residenciais de grande porte, conferindo um aspecto de cidade grande. O rio marca, é claro, sua presença de imediato e chama a atenção pela sua cor verde-azulada, margeado por notável urbanização, que garante a humanização da urbe. A Orla de Petrolina é orgulho da gente local, com pistas de Cooper, parques de ginásticas e playground, bares e restaurantes. Inclusive um rent-a-bike, vide fotos acima, como Paris e Rio de Janeiro. Brinque! Beleza esteticamente planejada. E, no outro lado, uma visão do estado da Bahia, a cidade de Juazeiro, com seu feitio mais antigo que a vizinha pernambucana, mas exercendo muita influencia na cultura local. O nosso guia garantiu-me que é baianbucano, o que é fácil de entender. Acontece que nascem muitos baianos em maternidades de Petrolina ou vice-versa. As duas cidades com suas áreas urbanas e rural formam um aglomerado de aproximadamente 500 Mil habitantes.
Mas, certamente, o que mais seduz o visitante, como no nosso caso, é o chamado Enoturismo, isto é, turismo em torno do tema uva-vinho. E foi nesse domínio que mergulhamos. Saímos do aeroporto direto para visitar a Vinícola Miolo, a única situada no estado da Bahia, no município de Casanova. Filial de importante produtora do Rio G. do Sul, planta uvas e produz vinhos da melhor qualidade, em pleno semi-árido nordestino. Atraídos pelas condições climáticas e de solos, não apenas os gaúchos, mas alguns estrangeiros já se instalaram e tiram proveito dessa região do Paralelo 8. Pudera, enquanto no Sul do Brasil e em países de outras latitudes só se consegue uma colheita por ano, no sertão nordestino isso pode ocorrer até três vezes em doze meses. A visita à Miolo é de alto nível. Uma enóloga mostra o processo de produção, partindo da uva colhida e armazenada, seguindo pelas instalações de produção em tonéis de aço inox e envelhecimento em tonéis de carvalho, até o engarrafamento e distribuição. O gran finale da visita se dá com uma degustação, que, na pratica, é uma grande aula de saborear a única bebida que é citada na Bíblia Sagrada.  A aula inclui recomendações de harmonização gastronômica, bem como as formas corretas de portar o cálice e de abrir um espumante, inclusive à la Napoleão, com um sabre. Mise-en-scène especial, aplaudidíssimo pelo público. 
Nossa segunda parada foi numa fazenda produtora de uvas de mesa e mangas. Estas, por sinal, outra grande vedete da produção local. De qualidade diferenciada são exportadas para o mundo inteiro. Isto ocorreu na ensolarada manhã do sábado (21.07.2012). Nosso grupo se deslumbrou com o mar de uvas e mangas. O proprietário da fazenda (*) nos recebeu em grande estilo e eu diria que com “pompas e circunstâncias”. Para inicio de conversa nos deu boné de trabalho, tesoura e bandeja de colheita das uvas. O parreiral escolhido não podia ser melhor: uvas Thompson, ou seja, uvas sem sementes. Nosso pessoal se deslumbrou com tudo que viu e colheu. De fato, é de encantar a qualquer visitante. No final da visita uma degustação de frutas e sucos, fechando com um bom espumante local.
A terceira parada, na tarde do sábado, foi na Vinícola Santa Maria, no município de Lagoa Grande, Pernambuco. Pertence ao Grupo Dão Sul, de Portugal, que produz premiadíssimos vinhos, de alta categoria e gozando de prestigio internacional. Ali foi dada outra extraordinária aula sobre a produção de vinhos finos, além da exibição, em pleno campo, de parreiras das uvas mais conhecidas do público visitante. Vimos e saboreamos uvas Shiraz, Cabernet-Sauvignon, Tempranilho, Carmenère, Moscato Canelli, entre outras. Uma festa para os olhos e para o paladar. Fim da visita com uma degustação ilimitada de vinhos. Não se bebeu mais porque não havia tempo hábil.
O fim do nosso passeio foi navegando nas águas do São Francisco, no domingo. Embarcamos num tour fluvial, em barca especial, ao som das músicas regionais e acepipes sertanejos, como, filé de carne de sol, cabrito assado e baião-de-dois. Tudo regado por um bom espumante regional. E, no meio do passeio, que dura cinco horas, uma estratégica parada para um banho de rio, numa prainha convidativa. (Foto acima)
O que se constata, no final de um passeio desses, é que providências honestas de intervenções governamentais e usando tecnologia específica, nosso semi-árido – sempre fragilizado com as estiagens – pode se transformar num paraíso econômico e solução de vida digna para as populações interioranas do estado. Esperemos pelos 2T: Transposição e Transnordestina.          

(*) Leonardo Renda, dono da Frutirenda, gentilíssimo e sofisticado ao nos receber. Também sócio do Country Club. A ele, nossos especiais agradecimentos. 
Nossos agradecimentos, também, à Marta Santos (Taruman Turismo) pela competência profissional ao organizar a excursão.
Nota: Fotos de autoria do Blogueiro

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...