sábado, 5 de outubro de 2013

E a Educação?

Tenho acompanhado essa polêmica contratação dos médicos estrangeiros para atuar no Brasil, particularmente os cubanos. A pendenga entre Governo e os Conselhos de Medicina tem sido pauta, todos os dias, dos grandes jornais de circulação. Polêmico ou não, o fato é que estão aí e já começam a trabalhar. Sei que existe uma legião de brasileiros, pobres coitados e sem instrução devida, morando nos confins do país que estão vibrando por ter a oportunidade  de se ver diante de um médico. Isso é, para muitos, um sonho realizado. Resta saber se haverá estrutura adequada e medicamentos suficientes às necessidades que todos sabem existir. Tomara que sim. Por enquanto, é muito cedo para arriscar avaliações.
Mas, há outro problema tão grande quanto o da Saúde e que tem tudo a ver com essa população sem instrução, sobre a qual me referi acima, que é o problema da Educação.  E para este caso, certamente, não teremos como nos valer do expediente de trazer profissionais do exterior. Os investimentos nessa área têm sido insuficiente para tirar o país de posições vergonhosas em qualquer ranking de escala mundial. Segundo a OCDE, entre 2000 e 2009, parcela do PIB brasileiro investida em educação cresceu 57%. Ora vivas! Mas, tivemos resultados concretos? Em 2000 o percentual do PIB em aplicações na Educação era de 4,7%. Em 2011 esse percentual subiu para 6,1%, Estes números são do MEC. Foi indiscutivelmente um avanço. Mais dinheiro, contudo, não foi suficiente para evitar que o país terminasse o período muito mal colocado no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), avaliação internacional organizada pela própria OCDE, desta vez com 65 nações. Apesar disso e dos recursos aplicados, a maior, o país terminou em 53º lugar em avaliação de qualidade do ensino. Outro ranking de educação realizado, no passado, em 40 países, pela empresa Pearson Education (especializada em materiais e serviços educacionais), com sede nos Estados Unidos, o Brasil aparece no humilhante penúltimo lugar (39º) sendo superado – ainda que de próximo – por países como Argentina, Tailândia, México e Colômbia. Nesse mesmo quadro a Finlândia lidera, ocupando o primeiro posto, seguida pela Coréia do Sul, Hong Kong, Japão e Cingapura. A Suíça, conhecida pelo seu sistema de ensino de primeira linha, ficou com o 9º lugar e os Estados Unidos ocupam o 17º lugar. A Indonésia carrega a lanterna da lista. 
Por outro lado, para desanimo geral, no final de setembro recém findo o IBGE divulgou resultados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e  alertou para um fato surpreendente: “foram identificadas 13,2 milhões de brasileiros que não sabiam ler nem escrever, o equivalente a 8,7% da população total com 15 anos ou mais”. Foi surpresa para os pesquisadores porque esta foi a primeira vez que a taxa cresceu desde 1998. Desde então, vinha registrando quedas razoáveis. Mantendo a marca histórica, a concentração dos analfabetos foi registrada no Nordeste, com 54% dos analfabetos do País. Isto é uma renitência... Na Bahia e em Pernambuco foram encontradas regiões em que essa taxa aumentou entre 2011 e 2012. A Região que apresenta o menor número de analfabetos é a Sul, onde apenas 4,4 % da população com mais de 15 anos não sabe ler ou escrever. Vide o mapa do analfabetismo no país a seguir.
Infelizmente, os investimentos na Educação deste país foram sempre a desejar. Uma população educada, em qualquer lugar do mundo, não apresenta os sérios e recorrentes problemas de saúde como no caso brasileiro. População instruída, sabendo ler e escrever está livre de muitas mazelas de saúde, tem qualidade de vida digna e contribui de forma mais competente para o progresso. Aliás, tem noção melhor das coisas do mundo e, além do mais,  sabem escolher melhor seus governantes. Até quando seremos um país com tantos ignorantes, analfabetos e sem saúde?

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens

4 comentários:

Celso Cavalcanti disse...

Caro Girley,

Povo educado também tem espírito crítico, escolhe políticos com critérios, não troca votos por esmolas, etc, etc. Talvez esteja aí a raiz deste problema crônico. Se estivesse vivo, Paulo Freire continuaria a assombrar e incomodar os politiqueiros de plantão.

Eveline Glória disse...

Estive na Conferência Livre que aconteceu em Petrolina. Tem muita coisa acontecendo que a gente desconhece.Eveline

Girley Brazileiro disse...

E o que está acontecendo, Eveline Glória? Conte para o Blog.

Regina Dubeux disse...

Sempre que ouço a expressão 'o problema da Educação', penso: Deveria se dizer 'o problema da falta de Educação'. Mas no Brasil, parece que o problema é da educação mesmo. Dos dois: Da Educação e da falta de. Conheço "profissionais" de educação que passam o ano todo - todinho - viajando, com passagens pagas e hospedagens em hotéis, participando de reuniões, conclaves, o escambau... e os resultados do Setor são esses apresentados neste Blog. Essas reuniões são para se discutir o tal problema da educação. Haja discussão para escassos resultados.
Caro Girley, penso em divulgar este texto no meu Face. Posso?
Abraço.