domingo, 22 de setembro de 2013

Justiça Injusta

Com imenso pesar começo o bate-papo de hoje, tamanha minha revolta com essa justiça do Brasil. Os brasileiros – falo dos mortais, como sou eu – esperaram com muita expectativa o desfecho da votação sobre os famigerados Embargos Infringentes, na sessão de quarta feira passada no Supremo Tribunal Federal - STF. O desejo da Nação era claro: cadeia imediata e sem apelações para os doze condenados. Claro, que uma quadrilha que se apodera de R$ 173,0 Milhões dos cofres públicos não pode ter outro destino. Mas, ao contrário do que se esperava, o Ministro Celso de Mello – investido do papel de Decano da Corte e com direito a dar o voto de Minerva – consciente de que estava contra a opinião pública, “cheio de dedos” e muito discurso técnico “livrou a cara” do bando. Doloroso. Por mais que tenha sido uma decisão técnica e que, no retorno de julgamentos, os réus ainda corram o risco das confirmações das sentenças, coisa, como é amplamente sabido, difícil de acontecer, paira a  desesperança e frustração na alma do brasileiro. No de são juízo, vale ressaltar. Que tipo de (in)justiça é essa, meu Deus? Como metade do pleno daquela Corte Superior julgou o pleito como improcedente é porque havia condições de mandar essa caterva PTralia para trás das grades, na mesma hora. Pior do que isso, agora, é lembrar que sabendo da lentidão de julgamentos dos processos judiciais nesta eterna Pindorama, corre-se o risco de que esses crimes sejam prescritos, dada a eternidade, segundo o Ministro Joaquim Barbosa, que certamente serão tratados. Prevalece, assim, a ideia popular de que Justiça que tarda é a Justiça que falha. E certamente vai falhar, para gáudio dessa corja de ladrões que domina o Brasil há doze anos.
Francamente, mais do que nunca fica claro que cadeia no Brasil foi coisa feita para pobres, “pés-rapados” e “bundas-sujas”. Foi negro, então, perca as esperanças. Mas sendo rico, teve algum poder, viveu à sombra do poder e pode pagar a peso de ouro uma boa banca de advogados, sustentada por competentes advogados, que saibam interpretar as entrelinhas e as diagonais da legislação vigente, tenha boa verve, se vista bem, use bom perfume e chegue num carrão aos tribunais é absolvição de cara. Que tristeza. Certa feita, ouvi de uma conhecida que fazia parte do corpo de jurados no Tribunal de Justiça de Pernambuco um depoimento que passava por essa imagem que relatei acima. Certo é quando se diz que nunca se deve confiar na cabeça de juiz ou nas de um corpo de jurados. Surpresas são coisas bem comuns.
A respeito ainda do Julgamento de quarta-feira passada, li em algum lugar a opinião do ex-Ministro Saulo Ramos e agora vejo que ele tinha razão. Segundo Ramos: “Decano se comporta como estudante de Direito eminentemente técnico, servindo aos interessas dos Mensaleiros, subjugando o Povo Brasileiro”. Lembrando-me dele tento entender o que tenho ouvido e lido de professores e advogados de renome a respeito do voto de Celso de Mello. Acham –  unanimemente – que ele deu uma brilhante aula de Direito.  Vá entender esse Direito e essa Corte. Haja estômago... Deus me livre! E pobre como sou, mais do nunca, vou querer andar sempre na linha.

No final das contas, como não há outra corte superior a essa que tratamos, vamos ter que engolir esses tais embargos infringentes de goela abaixo, até porque temos que respeitar a decisão para preservar esse poder que precisa ser protegido. Afinal é o Supremo! E supremo é supremo. Guardo a esperança de que um dia ele seja composto de membros independentes dos demais poderes principalmente aquela instalado defronte, lá no Palácio do Planalto. Que venham novos joaquins barbosas para salvar essa Pátria tão espoliada e tão eivada de justiças injustas. 

3 comentários:

Celso Cavalcanti disse...

Sem comentários, vergonha e revolta.

RONAL BEZERRA disse...

Prezado Girley Brazileiro,

Concordo com suas afirmativas em gênero, número e grau. Acrescentaria apenas um simples detalhe a mais nessa intrigante rede de manipuladores do Poder e da cobiça pelo Poder com intenções escusas: Por qual motivo o ex-Presidente Lula e a Presidenta Dilma indicaram 08 (oito) dos atuais integrantes do Supremo Tribunal Federal (dos oito apenas três votaram contra os Embargos? Será que foi apenas devido aos seus "notáveis" e "reconhecidos" méritos e conhecimentos jurídicos? Será que foi, por outro lado, para assegurar os votos favoráveis que faltavam para garantir a aceitação dos "famigerados Embargos Infringentes" e "livrar a cara do bando"? Por que foi escolhido Ministro de STJ o Sr. Dias Toffoli (indicado por Lula, provavelmente a pedido de quem? de Dirceu?) ex-assessor do então chefão e todo-poderoso José Dirceu no Palácio do Planalto? Será que não foi pensando no desfecho do julgamento da corja do mensalão? Façamos nossas elucubrações!

Um abraço.

Recife, 24/09/2013

Ronal Bezerra

Armando Vasconcelos disse...

Prezado Girley,
Estou também indignado com o posicionamneto do STF absolvendo réus já condenados pelo mesmo colegiado.
Os tais embargos infringentes servem aos endigueirados e levam à impunidade. O artigo de Vladimir Safatle da Folha de S.Paulo de 24/09/13 sinaliza esperançosamente para que nós aprendamos a lição com o desfecho que " matou tudo o que o julgamento poderia representar ."
Armando Reis Vasconcelos