Não é nada fácil
o retorno à realidade brasileira, após uma temporada no exterior. Para mim é
sempre muito penoso. Por mais que acompanhemos, à distancia e via Internet, os
movimentos de Pindorama é sempre muito difícil pegar a embalagem e retomar a
“vidinha” local. Esse rami-rami político-econômico
que faz a festa dos noticiários locais e internacionais deixa qualquer um em
permanente clima de tensão.
É exatamente
assim que me sinto esses últimos dias. Assisto ao largo um quadro político
aparentemente pior! A insegurança, nem se fala. Destempero geral.
Fico
desapontado e mesmo desesperado ao assistir esse desgoverno reinante em vários
estados do país, com rebeliões e chacinas nas prisões, assassinatos em série, mães
de família violentadas, policiais em greve, mulheres destes postas como escudos
nas portas de guarnições militares, governos falidos e em total desespero... e,
um sem numero de outras “misérias” que fazem desse país um espaço de calamidade
geral.
Fui um
ferrenho opositor ao Governo Petista. Senti-me aliviado e comemorei a queda de
Dona Dilma. Mas, sinceramente, estou preocupado com esses ignóbeis “arranjos”
políticos que estão sendo feitos em Brasília. Naturalmente que não estou
arrependido da oposição acima citada, mas, pelo amor de Deus, manobrar para o
naufrágio da Lavajato é o mais sujo e espúrio dos jogos políticos que estamos
presenciando neste país. É o retrato fiel da imagem que se faz do político
brasileiro, isto é, não tem nenhum honesto. Raríssimas são as exceções, é
verdade porque nem tudo está perdido. Nomear Ministros ou manobrar para escolha de
nomes em Comissões importantes no Congresso Nacional, ou outro dirigente
qualquer, quase sempre citados nos autos do processo que rola no eixo
Curitiba-Brasília é um despudor total de um Governante. Fico muito preocupado. Confesso
que a esperança alimentada há poucos meses começa a se desvanecer.
Contudo e por
outro lado, não posso negar – o que pode ser a salvação da Pátria – que a Política
Econômica vem projetando resultados positivos desde agora. O Henrique Meirelles
a despeito do carrossel político desvairado vem fazendo um serviço competente. Já
se vislumbra uma solução para tirar o país do buraco que o PT meteu. Temer já
contabiliza alguns tentos ao aprovar a
PEC 241 (ou 55) e está prestes a ver passar no Congresso algumas reformas – há muito
desejadas – que os governos anteriores não conseguiram levar adiante. Algumas
polêmicas é verdade. Impopulares até. Mas, necessárias! Será seguramente uma
grande jogada político-institucional, se tudo ocorrer como programado. O trunfo
do Temer é o fato de que ele jura, de pés juntos, que não pretende concorrer a
outro cargo eletivo e, desse modo, sente-se solto para realizar as reformas que
o Brasil reclama há tanto tempo. Isso, além de premente poderá restaurar a
confiança internacional do país e garantir sua inclusão como bom parceiro político
e comercial neste mundinho tão competitivo.
Como nem
tudo é perfeito neste mundo observe, caro(a) leitor(a) que estou diante das
duas faces da moeda: decepção no campo político e satisfação no campo econômico.
Não é fácil separar essas duas coisas em lugar nenhum do mundo. Mas, no Brasil
é bem mais difícil. Daí minha perplexidade e estar sentindo um sabor amargo nesta
minha volta de temporada na Austrália, onde a vida corre leve, solta e segura.
Deus que nos proteja.






