Os jornais
do Recife, e provavelmente do restante do Nordeste, trazem no dia de hoje (sábado,
10.12.16) manchetes e longas matérias ilustradas sobre a visita do Presidente
Michel Temer a Pernambuco e ao Ceará. A primeira dele enquanto presidente à
Região. Veio ver de perto a seca regional. O homem ficou impressionado com o
estado calamitoso provocado pela atual estiagem que assola grande parte dos
estados da área. Já são vários anos sem chuva e a população está em estado de
desespero. Num grande aparato de segurança e sendo resguardado contra
manifestações opositoras, Temer circulou por alguns locais distante do povo e
de muitos dos seus representantes. Visitou barragens totalmente secas, pontos
da construção da transposição do São Francisco e redondezas. Por fim, num espasmo
político comemorado pelos seus assessores, autorizou a liberação de verbas
paliativas para atender as demandas mais urgentes. Uma migalha, na verdade, em
face das reais necessidades da Região. Isto sem falar de outras necessidades
diferentes das hídricas.
Este episódio
é o que eu chamo de dejà vu. Na verdade,
cansei de ver. Desde D. Pedro II que esta história se reproduz. O Imperador
chorou diante da calamidade, ameaçou vender as jóias da coroa, inaugurou a Política
da Solução Hidráulica, construiu o açude do Cedro no Ceará e criou o que hoje é
o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. O erro inicial foi
trabalhar CONTRA o fenômeno. A solução correta é CONVIVER com a seca.
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| Temer vendo a seca, de perto, em Pernambuco |
Ainda nesta semana
estive lembrando – modestamente – que este país nunca teve um governo capaz de
entender a sua dimensão continental. Pode até fazer um discurso bonito com este
argumento, mas, entender de verdade, está pra nascer. Quando é um paulista só
enxerga de São Paulo prá baixo, e olhe lá... – Acho que Temer, mesmo, nunca
havia pisado num solo esturricado pela seca nordestina – quando é nordestino,
tenta com imensas dificuldades direcionar ações para seu povo. Se for gaúcho,
que em geral nunca andou pela Amazônia ou pelo Nordeste, tem uma dificuldade
danada de assimilar as dimensões geográficas e culturais. Quando mineiro fica embananado
sem saber como atender os vizinhos cariocas e paulistas e esquece o resto. Ressalvo
somente Juscelino, mineiro que criou a SUDENE, embora que tratasse com “cuidado”
de fazer incluir o Norte do seu estado no chamado polígono das secas e, conseqüentemente,
na área da Agencia que criou. Já viu, né? De todo modo, é de se considerar que
não deve ser uma missão fácil governar este Continente verde-amarelo. O
problema é que o país é muito grande, muito diversificado, paisagens regionais
bem distintas, culturas arraigadas e problemas dispares. São muitos Brasis enroscados
num só Brasil.
O resultado
prático da sociedade que se formou nesse imenso e diversificado território é de
assustadores desníveis. O homem da imensa Amazônia jamais pensa da mesma
maneira de um gaúcho pampeiro. Um caba-da-peste
nordestino nem faz ideia do que passa pela cabeça de um caipira mineiro. O
prepotente empresário paulistano, por principio, formação e até preconceito,
nem se preocupa por entender os pensamentos dos paus-de-arara ou baianos como eles se referem aos nordestinos. É difícil... Termina que legalmente
são dados tratamentos iguais e injustos para realidades diferentes. Baseado
nisso tudo é que defendo políticas sociais diferenciadas para realidades
distintas. As políticas de educação ou de saúde, por exemplo, não podem ser
niveladas nacionalmente. Ao invés disso devem ser ajustadas às necessidades e
traços culturais locais.
Agora, cadê
vontade política? E cadê credito nos políticos?
O cenário governamental
do Brasil de hoje é de total perplexidade. A sociedade já se sente órfão, há
muito tempo. Tudo passa pela falta de confiança geral nos nossos mandatários.
Como acreditar no Parlamento tão indigno, que só legisla em causa própria,
salvando AA próprias peles? Como acreditar numa Suprema Corte que comete o
absurdo que cometeu esta semana? Os argumentos podem até encontrar guarida nas
altas esferas políticas, mas, mas, na prática o Supremo saiu muito arranhado.
Os juízes do STF são os guardiões da Democracia! Como absolver o réu Renan para
continuar na Presidência do Senado e vedá-lo da linha sucessória. É uma coisa inverossímil.
Pesos e mediadas diferenciadas para “salvar a Pátria?” Neste caso, entendo que
daqui prá frente cabe tudo e qualquer coisa.
Quando uma Suprema Corte se curva diante de um Legislativo a “vaca vai
pro brejo” de vez. Aliás, nossa vaquinha precisa sair do brejo urgentemente. A
bichinha já está atolada até o pescoço. Se demorar mais... Bom, se demorar
mais, saia de baixo!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens


