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terça-feira, 18 de junho de 2019

Somos muito Diferentes

Retornado da Austrália, na semana que findou, já começo a amargar os efeitos do desandar da política brasileira e suas nefastas consequências no dia-a-dia do cidadão brazuca. E vivendo este clima de insatisfação geral, volto a me incomodar com aquele ideia de que "a Austrália é um Brasil que deu certo". Estou com isto encasquetado desde algum tempo. Procuro, sem sucesso, meios de conferir e não encontro. Apenas arrisco a um juízo de valor.
Como falei, num dos últimos post, não é bem como se diz. Ao contrário é uma coisa bem distinta. "Ah! Mas se trata de um povo tão alegre, quanto o brasileiro..." diz alguém. Nem tanto! Até pela descendência britânica. Ou, "tem também a paisagem tropical com praias paradisíacas e muito surf, como no  Rio de Janeiro". Pode até ser. Mas, vamos devagar. São formas muito simplistas de averiguação. E, certamente, não é por ai. Há diferenças enormes quando comparamos in loco.
A coisa começa quando acessamos os indicadores geo-politico-econômicos de cada um. A Austrália é bem grandinha tem, aproximadamente, 1 Milhão de Km² a menos que o Brasil, que tem, arredondamento, 8,5 Milhões. Contudo, enquanto por aqui temos 220 Milhões de habitantes, lá vivem apenas 23,5 milhões de almas. Aliás, registro como uma curiosidade: segundo tomei conhecimento, existem mais cangurus do que gente. 


Existem mais cangurus do que gente, na Austrália
Pense na diferença de administrar populações de quantitativos tão díspares. Sem falar nos aspectos multiculturais dos brasileiros. No que diz respeito ao quadro natural, há também imensas diferenças: a grande maioria do “continente” australiano é de clima quente e seco dos tipos árido e semi-árido. Isto ocasiona inclusive a existência de áreas desérticas, destacando-se os desertos de Gibson e Vitória, embora haja regiões tropicais, tropicais úmidas e subtropical. Nesta última ocorrem verões quentes e invernos frios e chuvosos. É por aí que se encontram Sydney, Camberra (Capital do País) e Melbourne. É relativamente, bem diferente do Brasil.
Bom, encurtando a história, fica evidente que com paisagens tão distintas e populações de tamanhos tão díspares é muito diferente do Brasil. Resta somente as características simplistas acima referenciadas e clichês entre os brazucas.



O que diferencia mesmo, na minha ótica, está nos aspectos político-sociais mais clássicos: educação, saúde e segurança. Considerando os sentidos mais amplos de cada um desses indicadores. Pronto! É neste tripé que sustento minha tese da diferença entre os dois países. Um país educado tem saúde melhor, respeito ao próximo e à propriedade privada, segurança maior e, desse modo, povo feliz e alegre.
Quer ver uma coisa? No último dia 18 de maio ocorreram eleições parlamentares para renovação da casas do Parlamento Federal composto pelo Senado e pela Câmara dos Representantes. Andei por lá observando o movimento e fiquei surpreso com o clima reinante. Não havia o menor sinal visivel de eleições. Salvo nas proximidades das áreas com tendas das sessões eleitorais, principalmente, nos parques públicas, que são muitos. Tudo ocorrendo de modo discreto, eleitores indo às urnas sem manifestar o quer que fosse e cumprindo sua obrigação cidadã. O voto é obrigatório. Nada de propaganda ostensiva, nada de bocas-de-urna ou militantes exaltados, nada de agressões partidárias e nada de mudança nas atividades corriqueiras. Comércio aberto, restaurantes funcionando e povo tranquilo nas ruas, avenidas e parques. Faixas, cartazes ou “santinhos” de candidatos  espalhados pelas artérias públicas? Que nada! Santinhos mesmo, somente nas igrejas. Claro que houve debates anteriores ao pleito. Porém, segundo pude observar em níveis altíssimos. Com uma economia em crescimento constante, inflação controlada, taxa de desemprego ao redor dos 5% e sociedade segura em ambiente de bem-estar, o que restou para ser discutido foram as questões ambientais, o que é muito bom. Já pensou? Isto aqui é incluído de modo apertado, por um partido nanico e sob o patrocínio de Marina Silva, que só aparece, coitada, nas horas de campanha. Os australianos andam muito preocupados com a preservação do planeta. Ah! houve horário eleitoral pelas rádios e TV, pela primeira vez. Agora, imagine o nível.
Bem, é bom lembrar que a Austrália faz parte da Comunidade das Nações Britânicas (Commonwealth of Natios) e por esta razão a Rainha da Inglaterra é a Chefe de Estado, representada por um Governador Geral por ela nomeado, a conselho do Primeiro Ministro eleito. Assim como a dita Rainha, esse governador-geral tem um poder meramente simbólico, embora que muito respeitado pelos membros do Governo e seus ministros.    
Mesmo a distancia acompanhei as aberrações políticas daqui de Pindorama. A sensação que passa é que, ao contrario do que ocorre na Austrália, há uma intenção dos homens de Brasília em trabalhar contra a Nação. Para eles, quanto pior melhor. E, aí está mais um aspecto da imensa diferença entre essas duas sociedades. Possivelmente, a diferença basilar.
Dá desgosto de ver, ao retornar, a cachorrada política, as ruas imundas, os passageiros de ônibus descartando sujeiras e detritos pela janela, cidades sujas e inundadas por chuvas torrenciais, pobres ao relento em noites frias, o país ligado numa aventura sexual de um jogador de futebol irresponsável, o povo nas ruas protestando contra uma reforma previdenciária inevitável, entre outros episódios que dizem bem de uma sociedade desarranjada e despreparada para viver dias de paz e bem-estar social. Somos muito diferentes.

NOTA: Fotos de ilustrações obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Viajando e aprendendo

Viajar é, indiscutivelmente, a melhor maneira de revisar a forma de oxigenação da mente. De ver o mundo nas suas distintas formas, como foi construído e como se comporta. Paisagens, povos, flora, fauna e organizações sociais. Ricos e pobres. Cultos ou incultos. Um verdadeiro caleidoscópio onde o que se enxerga é sempre algo distinto do ultimo giro. Sou daqueles que não posso reclamar da sorte. Por motivos dos mais diversos, tenho girado meu caleidoscópio com certa frequência e, a cada volta, vou acumulando novos aprendizados sobre modos de viver e conviver, crenças estranhas, línguas exóticas, entre outros aspectos.
Aqui na Austrália, onde me encontro mais uma vez, observo hábitos que chamam minha atenção. Por exemplo, tem coisa mais estranha do que ver uma pessoa bem vestida, mas, descalça no meio de uma rua? Não? Pois aqui é bem comum. Ora, meu Deus, pensando melhor, que mal há em sair sem sapatos? Com ruas tão limpas, ambientes tão asseados, ninguém correndo o risco de se machucar, pisar em bosta ou caco de vidros. Aqui não! Eles fazem isto numa nice e com a maior tranquilidade. Ainda assim, fico preocupado com o cidadão descalço ter de entrar num banheiro público masculino. Duvido que ele encontre algum que esteja livre de respingos de mijo no seus domínios. Mas isto, é problema dos descalços.

Descalços, por que não? Na Austrália é assim.
Outra coisa notável por aqui é o cuidado com a ingestão de água. Sim, água! É incrível como se bebe água, por aqui. A primeira coisa que nos oferece num restaurante é uma garrafa d´água e copo para cada cliente. Faz sentido porque água é vida e precisa ser administrada com precisão. Detalhe: e é, sempre, água da torneira. Puríssima. Acho isto formidável.
Em qualquer restaurante há sempre muita água a disposição do cliente.
Garrafas e copos sempre às ordens.
Transporte público em Sydney. Eis aí outra coisa que admiro. Dá prazer usar a rede de transporte público nesta cidade. Pontualidade, conforto, lotação rigorosamente controlada, respeito e veículos limpos e seguros. Tudo que um cidadão deseja para não precisar de um veículo próprio. Ônibus, trens, metrô ou barcos fazem transporte de milhares de passageiros diariamente sem que haja registros de assaltos, apertos, estupros, acidentes, ou qualquer tipo de ocorrência nefasta. O usuário tem que dispor de um cartão magnético (Opal) recarregável em inúmeros pontos da cidade e válido para todas as modalidades de transporte. Convalida na entrada e na saída, ocasião em que pode conferir o custo do percurso que fez e o saldo disponível. Prático e eficiente. Quando vejo e uso esses meios de transporte daqui, comparo, inevitavelmente, com o que assisto, a bordo do meu próprio, seguro e climatizado automóvel, na minha cidade do Recife: coletivos apinhados de passageiros, espremidos como sardinhas enlatadas, suados e estressados a caminho do trabalho. Um horror. Indigno, até.
Opal: passaporte para deslocar em Sydney
Depois desta observação, prefiro girar meu caleidoscópio e buscar uma boa visão, como as que seguem abaixo mostrando imagens da Ópera de Sydney e de prédio da zona central, em noite de luz e som, no festival ViviD que ocorre, nesta semana por aqui.     


NOTA: São imagens em movimento e se multiplicam por toda região central de Sydney. Luz e som para encanto dos nativos e muitos visitantes. Duas colhidas no Google Imagens (descalços e Opal) e do Blogueiro

domingo, 26 de maio de 2019

No outro Lado do mundo


Opera de Sydney - Cartão Postal da Austrália
É bem comum escutarmos que a Austrália é um Brasil que deu certo. Para quem observa à distância ou passa em programa de turismo comum pode mesmo parecer verdade. Porém, de perto, como observo com relativa frequência, esta ideia pode ser bem diferente. Não é fácil fazer esta avaliação. Num primeiro instante, a sensação de um mundo luminoso, praias paradisíacas, povo descontraído, vegetação colorida e luxuriante, fauna especial, entre outros atrativos contagiam o visitante, principalmente se brasileiro. Para este, então, parece ser um mundo, digamos que, familiar. Já senti um pouco disto. Por razões particulares sou um visitante frequente deste belo país austral e sempre procuro conferir essa possível semelhança. É o que faço neste momento.
Ando em Sydney, mais uma vez e, portanto, no outro lado do planeta. Enquanto aqui é dia, na outra banda é noite. Visito familiares aqui residentes, razão da relativa frequência que falei acima.


Folha do Outono
É outono no hemisfério Sul. Perambulo pelas ruas da cidade pisando nos tapetes de folhas secas, característica da época, coisa que raramente me ocorre no Brasil. Sydney está à altura do Paralelo 33. As árvores vestem tons laranja-avermelhados dando um tom bem cartão-postal, na visão de um nordestino brasileiro. E isto poderia ser, de cara, uma diferença. Mas, não é por aí que quero chegar, até porque, o Outono é bem definido pelo sul brasileiro.
Observando mais acuradamente, fica fácil de enxergar o porquê deste sucesso australiano e o que o difere do Brasil. Falo de um país jovem, com pouco mais de 250 anos, cuja colonização britânica já chegou com o que havia de moderno à época. Depois disto, as coisas deram tão certas a partir da provável austeridade e seriedade dos governantes, além do extraordinário nível de desenvolvimento educacional do cidadão comum que se formou. Muito diferente do Brasil escravagista e de domínio de minorias que faziam questão de manter a ignorância do povo. Como tantas vezes defendi neste espaço, a Educação sempre confere progresso e desenvolvimento. É notável, por aqui, a forma de convivência desta gente. Os exemplos são vistos a toda hora e em todas as esquinas. No transito, nas prestações de serviços e nas mais simples formas de relacionamento humano. Pode haver exceções, claro. E acontece. Mas, são exceções. O respeito ao próximo e à propriedade privada chega a ser comovente para quem, como eu, vem de uma sociedade corrompida e escrachada, onde impera a desonestidade desde quem governa ao cidadão comum. Aqui, não se ouve falar em corrupção, assaltos, homicídios ou feminicídios como em Pindorama. Os pequenos comerciantes expõem suas mercadorias de modo ostensivo e fora propriamente do estabelecimento, na certeza de que o interessado vai entrar e efetuar o pagamento do produto que pretenda levar. “Desculpe”, “com licença” e “por favor” são as locuções mais comuns do dia-a-dia.
Há costumes que registro como exemplos notáveis: o cliente de supermercado ou loja comum tem sempre que pagar pela mais simples embalagem que precise para levar as mercadorias que compre. O Planeta agradece! Outro exemplo é o de uso do carrinho para coletar os produtos nas gôndolas do supermercado que, para serem usados, tem de ser mediante o depósito de uma moeda de 1 ou 2 Dólares Australianos. Com esses mesmos carrinhos as compras podem ser levadas até a porta de casa, caso o freguês esteja sem seu veículo particular. Como nem sempre o cliente está disposto a devolver o carrinho de compras ao estabelecimento comercial, carrinhos se acumulam estacionados nas ruas. E neles as moedas que foram postas para liberar num espécie de catraca em cada carrinho. Aquele que resolve levar de volta os carrinhos pode fazer uma boa coleta de Dólares Australianos. No Recife, canso de ver pedintes que roubam carrinhos para carregar seus "patrimônios". Há supermercados cujos carrinhos já são barrados de sair do estabelecimento evitando os furtos frequentes.
Carrinhos, na nossa rua, estacionados esperando um voluntário para recolher ao
estabelecimento proprietário. No Brasil cairia nas mãos de um novo "proprietário".
São pequenos detalhes que lembro agora. Com mais tempo posso anotar outros mais e registrar por aqui. 
Há razões, portanto, para o que dizem os que comparam o Brasil com a Austrália. E, ao meu ver, o X da questão está na Educação. Coisa que é sempre posta à margem na Terra de Cabral.  


NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Paraíso no Fim do Mundo

Gaivotas alçando voos na Praia de Dee Why (Sydney-AUS)
Já ouvi, em muitas ocasiões, alguém dizer que a Austrália é um Brasil que deu certo. Curioso é que não são somente os brasileiros que pensam assim. Os sul-africanos dizem o mesmo. Vá ver que outros dirão também. Conhecendo as realidades desses dois países (Brasil e África do Sul) e vivendo, particularmente, temporadas na Austrália, fico buscando avaliar as razões dessa comparação. Levando em conta aspectos econômicos e sociais australianos – modos de vida, usos e costumes, traços culturais, mercado e qualidade de vida em geral – tudo me leva a crer que a explicação lógica reside numa coisa fundamental: Educação!
Aí, minha gente, em se tratando desse assunto, o Brasil é, inegavelmente, muito atrasado. Os muitos problemas com os quais convivemos, tais como analfabetismo, insalubridade, insegurança geral, inseguranças econômica, institucional, política e judiciária, entre muitos outros fatores, são frutos do baixo nível educacional do nosso povo. Certamente que o mesmo deve ocorrer com a África do Sul, muito embora que eu tenha visto, recentemente, sinais de um país mais organizado e ordeiro, longe daquele país do monstruoso apartheid.Estive na África do Sul em dezembro passado.
Hora de Crepúsculo, na praia de Manly (Sydney) 
Quanto à Austrália o que se pode sentir, no conjunto geral, é de se viver no paraíso no fim do mundo. Pelo menos para nós que vivemos cá no outro lado do planeta. É um lugar onde não se sabe ou se fale de crise econômica. Desemprego é quase ficção cientifica e, em conseqüência,  satisfação parece ser o estado geral da Nação. Não é à toa que tantos estrangeiros, sobretudo jovens, correm para lá na busca de melhores  oportunidades de vida. Só do Brasil, há um imenso contingente de jovens trabalhadores. A maioria chega para estudar inglês, se arranja num emprego temporário e, logo depois, encontra uma solução de obter visto de residente. É muito comum ser atendido nos restaurantes e bares australianos por garçons ou garçonetes brasileiros fazendo seus biquinhos iniciais. Muitas vezes, são jovens com formação superior sem oportunidades no Brasil e que se sujeitam a qualquer coisa para viver empregado e melhor. Há casos absurdos do tipo lavador de pratos num grande restaurante ganhar melhor do que se exercesse sua profissão superior no Brasil! É doloroso ver esse quadro. Há também argentinos, italianos, espanhóis, indianos, refugiados do Oriente Médio, entre muitos outros.
Acabo de voltar de uma temporada de 30 dias em Sydney. Oxigenei minha mente e consolidei a idéia de que havendo responsabilidade governamental, educação e consciência cidadã, o Brasil também pode melhorar. No futuro, quem sabe... Claro que não será para nós. Mas, poderá ser para gerações futuras.
Imagine você, caro leitor(a), viver num lugar onde o respeito ao próximo e à propriedade privada é coisa sagrada. Você pode ir a um local público, por exemplo, uma praia, deixar seus pertences na areia, entrar nas águas e saber que tudo estará lá ao retornar. Entrar num transporte público, deixar seus pacotes num compartimento próprio à entrada e ao sair recolher. Isto sendo num coletivo lotado! Estando na Austrália e indo ao supermercado, pode levar suas compras até a porta de casa, no próprio carrinho da loja. Deixe-o lá mesmo na rua que haverá uma coleta posterior, levando de volta à origem. Vide foto a seguir.
Carrinhos do supermercado nos quais moradores trouxeram suas compras até a porta de casa.
Lixo? Coleta seletiva desde cada domicílio. Ninguém mistura as coisas como por aqui. As prefeituras estabelecem uma agenda de coleta geral para cada bairro. Tudo muito ordeiro e cumprido na risca. Vide a foto abaixo.
Compartimento tipico de lixeiras seletivas no térreo de condomínio residencial 
Roupa de grife? Para que? Aqui no Brasil o sujeito ou veste assim ou está por fora... mesmo que tenha sido made in Paraguay ou Santa Cruz do Capibaribe (PE) e comprada na 25 de março (São Paulo) ou na Feira da Sulanca (PE). Na Austrália ninguém está preocupado com esse tipo de supérfluo ou reparando nas indumentárias alheias, porque isso não interessa. Uma churrasqueira pública à beira-mar e à disposição de quem for chegando. Acredite. É só acender a chapa e assar sua carne. É inacreditável. Ninguém danifica. Ao invés disso, preserva-a. Sujou? Limpa ao final, em respeito ao próximo usuário. (Vide foto a seguir).
A churrasqueira da praia de Dee Why em pleno uso na manhã de sábado 
Outra coisa que observei, também, é que o motorista de um ônibus só dá partida quando vê todos os passageiros acomodados. Quando vejo as recentes noticias nos jornais do Recife relatando acidentes com passageiros dos nossos coletivos devido às arrancadas bruscas, velocidade e freios violentos, fico triste e penalizado com nosso povo mais humilde. Outra coisa estranha e engraçada: meu filho solteiro e “baladeiro de carteirinha” relata que não se conforma com o fato de que a função numa danceteria sempre encerre à meia-noite. Sim! Quando o relógio junta os dois ponteiros e é noite, o som para e a ordem é ir para casa dormir, porque a noite foi feita para dormir. E todos obedecem, numa boa. Estão certos, mesmo porque a noitada começa logo após 18 horas. Acho graça...
É um mundo muito diferente, minha gente. Pode parecer insólito para muitos, sobretudo sendo brasileiro, mas, sem dúvidas, é uma vida salutar e do tipo que se pediu a Deus. Questão de princípios. E Cultura, claro.

NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Continente Austral

Skyline da bela Sydney, desde um ferryboat cruzando a baia.
Estou outra vez na Austrália. Por todo este mês de Janeiro. Tenho razões familiares para me encontrar tanto tempo fora de casa: filha, genro e netos. Nesta fase da vida, viver distante tanto tempo já é quase uma aventura. Bom mesmo é que a família inteira veio junto, o que, também, já é uma coisa rara nos tempo de hoje.
A Austrália sempre me impressiona quando a visito. Um país continental, ocupando por inteiro o que é uma das maiores ilhas do mundo. Desponta de forma vibrante no mundo moderno, dadas seus indicadores sócio-econômicos e sua vibrante economia. É o segundo melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), embora seja um país formalmente instituído muito recentemente. Registros históricos dão contas de que, depois de muitas incursões exploratórias, britânicas e holandesas, entre os séculos XVII e XIX, as colônias independentes de então, num admirável esforço universal, planejaram uma organização institucional, através de consultas e votações populares. O resultado dessa mobilização política foi a constituição de uma Federação das Colônias, em 1º de janeiro de 1901. Pouco mais de um século, portanto. Logo a seguir, foi criada a Comunidade da Austrália e devido antecedentes coloniais, tornou-se um domínio do Império Britânico em 1907.  
A Austrália é então uma importante parte da Commonwealth e oficialmente é uma monarquia constitucional parlamentar federal, tendo como soberana a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.   
O que me chama a atenção é o fato de que somente no século XVIII foi que esses ingleses baixaram de vez por aqui e resolveram colonizar esta tão remota parte do mundo, digamos que, a ultima grande fronteira a ser alcançada por colonizadores europeus. Fala-se ainda, embora sem registros oficiais, que os portugueses andaram por aqui por volta dos anos 1475 e 1525, época em que os lusitanos se lançaram aos mares e saíram descobrindo novas paragens. O Brasil data dessa época. Portugal não registra essa sua façanha, mas, canhões portugueses afundados na baía de Broome (noroeste da Austrália) denunciam a passagem dos portugas por essas bandas.
História à parte, o que posso registrar são impressões que colho no meu dia-a-dia desta temporada por aqui. Como já mencionei no inicio, tenho motivos familiares por permanecer tanto tempo. Nessas condições, vou além dos tradicionais circuitos turísticos e adentro pela Sydney pujante e pela Austrália litorânea. São localidades de paisagens deslumbrantes. Vide fotos a seguir. Não ouso adentrar  mais porque o país tem características quase que desértica no seu interior, mais conhecido por Outback. Poucas chuvas e terrenos arenosos, na grande maioria. Nesta época de alto verão as temperaturas passam dos 48 graus! Mesmo aqui no litoral já ando estanhando os 38 graus. Clima seco e aparentemente mais asfixiante. Só dá vontade de me espojar na beira mar. É o que fazem os nativos. 
Vista parcial do Centro da cidade, com a emblemática ponte ao fundo

A famosa Ópera, cartão postal da cidade. Esplendorosa nas noites de Verão.
Bom, falando de Sydney, o primeiro adjetivo que me ocorre é que se trata de uma cidade extraordinária. Vibrante em todos os sentidos. Povo amistoso e hospitaleiro, que usufrui de extraordinária qualidade de vida. Parece incrível, mas, a verdade é que não se vê pobreza, por aqui. Ando por todos os lados “catando” sinais disto e perco meu tempo. Nada de mendigos, maltrapilhos ou menores de rua. Não sei nas regiões interioranas, onde os aborígenes vivem... Segurança Pública, Educação e Saúde de primeira linha são outros destaques. Infra-estrutura urbana monumental e transporte público irretocável e pontual. Imagine que todo cidadão tem no seu celular um aplicativo indicando os horários das linhas que lhes são interessantes e os locais de paradas. Ninguém perde tempo esperando um transporte ou no trânsito que, nem preciso dizer, é sempre fluido. Além desse meio coletivo, ainda existe uma rede de metrô e transporte marítimo coletivo de dar prazer utilizar.
Poltronas de veludo nos ônibus mais comuns
Para que se tenha uma ideia melhor, qualquer desses modais têm assentos em veludo e super confortáveis. (Foto ao lado) Naturalmente que locais reservados aos necessitados de cuidados especiais e bagageiros para quem entra carregado de pacotes. Os pacotes ficam lá, distante do dono e ninguém toca! A bordo deles fico pensando: pobres de nós brasileiros... Lembro da nossa cruel realidade de trânsitos engarrafados, desconforto e riscos de assaltos nos ônibus, nos outros poucos meios de transporte e até nos veículos particulares.
Outro item a destacar é o da limpeza urbana. Pense numa cidade limpa. O cidadão australiano é orgulhoso dessa qualidade publica. O lixo é recolhido de forma racional e separado, em cada unidade habitacional e coletado, em dias programados, pelas prefeituras. Por conta da limpeza geral, é muito comum cruzarmos nas vias urbanas com pessoas em pés descalços, sobretudo crianças. Estão sempre seguros de que não serão machucados com pedaços de vidro, pregos ou qualquer outro tipo de objeto. Água potável nas torneiras é um privilegio dessa gente. Bebo direto a chamada tap-water (água da torneira). Sem medo das verminoses ou moléstias contagiosas. 
É outro mundo, mesmo, minha gente. Embora discordando, no sentido amplo, da tese de que isto aqui é um Brasil que deu certo, admito isto, devido à alegria da gente, a hospitalidade e pelo colorido geral. Ah! E pelo mar que é um traço comum para os dois países. O australiano é fascinado pelo mar. Vive em função dos oceanos que os banham. São tão alucinados por água, que propositalmente o Dólar Australiano tem cédulas de plástico! Eles podem entrar no mar, banhar-se, mergulhar e surfar com os bolsos recheados de dinheiro. É muito engraçado.
Alonguei-me demais desta vez. Chega. Noutra hora falarei mais sobre esta minha aventura.

NOTA - Fotos da autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro


Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...