terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Continente Austral

Skyline da bela Sydney, desde um ferryboat cruzando a baia.
Estou outra vez na Austrália. Por todo este mês de Janeiro. Tenho razões familiares para me encontrar tanto tempo fora de casa: filha, genro e netos. Nesta fase da vida, viver distante tanto tempo já é quase uma aventura. Bom mesmo é que a família inteira veio junto, o que, também, já é uma coisa rara nos tempo de hoje.
A Austrália sempre me impressiona quando a visito. Um país continental, ocupando por inteiro o que é uma das maiores ilhas do mundo. Desponta de forma vibrante no mundo moderno, dadas seus indicadores sócio-econômicos e sua vibrante economia. É o segundo melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), embora seja um país formalmente instituído muito recentemente. Registros históricos dão contas de que, depois de muitas incursões exploratórias, britânicas e holandesas, entre os séculos XVII e XIX, as colônias independentes de então, num admirável esforço universal, planejaram uma organização institucional, através de consultas e votações populares. O resultado dessa mobilização política foi a constituição de uma Federação das Colônias, em 1º de janeiro de 1901. Pouco mais de um século, portanto. Logo a seguir, foi criada a Comunidade da Austrália e devido antecedentes coloniais, tornou-se um domínio do Império Britânico em 1907.  
A Austrália é então uma importante parte da Commonwealth e oficialmente é uma monarquia constitucional parlamentar federal, tendo como soberana a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.   
O que me chama a atenção é o fato de que somente no século XVIII foi que esses ingleses baixaram de vez por aqui e resolveram colonizar esta tão remota parte do mundo, digamos que, a ultima grande fronteira a ser alcançada por colonizadores europeus. Fala-se ainda, embora sem registros oficiais, que os portugueses andaram por aqui por volta dos anos 1475 e 1525, época em que os lusitanos se lançaram aos mares e saíram descobrindo novas paragens. O Brasil data dessa época. Portugal não registra essa sua façanha, mas, canhões portugueses afundados na baía de Broome (noroeste da Austrália) denunciam a passagem dos portugas por essas bandas.
História à parte, o que posso registrar são impressões que colho no meu dia-a-dia desta temporada por aqui. Como já mencionei no inicio, tenho motivos familiares por permanecer tanto tempo. Nessas condições, vou além dos tradicionais circuitos turísticos e adentro pela Sydney pujante e pela Austrália litorânea. São localidades de paisagens deslumbrantes. Vide fotos a seguir. Não ouso adentrar  mais porque o país tem características quase que desértica no seu interior, mais conhecido por Outback. Poucas chuvas e terrenos arenosos, na grande maioria. Nesta época de alto verão as temperaturas passam dos 48 graus! Mesmo aqui no litoral já ando estanhando os 38 graus. Clima seco e aparentemente mais asfixiante. Só dá vontade de me espojar na beira mar. É o que fazem os nativos. 
Vista parcial do Centro da cidade, com a emblemática ponte ao fundo

A famosa Ópera, cartão postal da cidade. Esplendorosa nas noites de Verão.
Bom, falando de Sydney, o primeiro adjetivo que me ocorre é que se trata de uma cidade extraordinária. Vibrante em todos os sentidos. Povo amistoso e hospitaleiro, que usufrui de extraordinária qualidade de vida. Parece incrível, mas, a verdade é que não se vê pobreza, por aqui. Ando por todos os lados “catando” sinais disto e perco meu tempo. Nada de mendigos, maltrapilhos ou menores de rua. Não sei nas regiões interioranas, onde os aborígenes vivem... Segurança Pública, Educação e Saúde de primeira linha são outros destaques. Infra-estrutura urbana monumental e transporte público irretocável e pontual. Imagine que todo cidadão tem no seu celular um aplicativo indicando os horários das linhas que lhes são interessantes e os locais de paradas. Ninguém perde tempo esperando um transporte ou no trânsito que, nem preciso dizer, é sempre fluido. Além desse meio coletivo, ainda existe uma rede de metrô e transporte marítimo coletivo de dar prazer utilizar.
Poltronas de veludo nos ônibus mais comuns
Para que se tenha uma ideia melhor, qualquer desses modais têm assentos em veludo e super confortáveis. (Foto ao lado) Naturalmente que locais reservados aos necessitados de cuidados especiais e bagageiros para quem entra carregado de pacotes. Os pacotes ficam lá, distante do dono e ninguém toca! A bordo deles fico pensando: pobres de nós brasileiros... Lembro da nossa cruel realidade de trânsitos engarrafados, desconforto e riscos de assaltos nos ônibus, nos outros poucos meios de transporte e até nos veículos particulares.
Outro item a destacar é o da limpeza urbana. Pense numa cidade limpa. O cidadão australiano é orgulhoso dessa qualidade publica. O lixo é recolhido de forma racional e separado, em cada unidade habitacional e coletado, em dias programados, pelas prefeituras. Por conta da limpeza geral, é muito comum cruzarmos nas vias urbanas com pessoas em pés descalços, sobretudo crianças. Estão sempre seguros de que não serão machucados com pedaços de vidro, pregos ou qualquer outro tipo de objeto. Água potável nas torneiras é um privilegio dessa gente. Bebo direto a chamada tap-water (água da torneira). Sem medo das verminoses ou moléstias contagiosas. 
É outro mundo, mesmo, minha gente. Embora discordando, no sentido amplo, da tese de que isto aqui é um Brasil que deu certo, admito isto, devido à alegria da gente, a hospitalidade e pelo colorido geral. Ah! E pelo mar que é um traço comum para os dois países. O australiano é fascinado pelo mar. Vive em função dos oceanos que os banham. São tão alucinados por água, que propositalmente o Dólar Australiano tem cédulas de plástico! Eles podem entrar no mar, banhar-se, mergulhar e surfar com os bolsos recheados de dinheiro. É muito engraçado.
Alonguei-me demais desta vez. Chega. Noutra hora falarei mais sobre esta minha aventura.

NOTA - Fotos da autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro


25 comentários:

Ana Aragão disse...

Intrépido Girley Brazileiro ao redor do mundo.
Ana Aragão

Jussara Monteiro disse...

Boa Viagem!
Jussara Monteiro

JR Produções disse...

Parabéns pela postagem, me deixou com água na boca.

Vanja Nunes disse...

Boa tarde
Gosto muito de lê seus textos e esse estava tão bom que quero parte de dois rsrsrs
Aproveite as férias !!!

Sonia Canavarro disse...

Seu post sobre a Austrália está ótimo . Fiquei curiosa em conhecer .👏
Sonia Canavarro

Monica Cavalcanti disse...

Muito bom seu blog.
Monica Cavalcanti

Wirson Santana disse...

Muito boa amigo sua reflexão sobre a Austrália.
Wirson Santana

Romero Marques disse...

Parabéns, espero q esteja desfrutando desse merecido descanso renovando suas forças e nos presenteando com uma cultura milenar de gerações onde tb cometeram seus erros lembro de um rei na Inglaterra tão grande foi sua nobreza e justo que escreveu ricos e pobres os mesmos direitos e numa escavação em obras no metrô na Inglaterra foi encontrado as ossadas dele e sua família na vala dos pobres. Fico muito feliz por vc compartilhar comigo esses momentos de alegria e fico aqui torcendo por vcs é familia q Deus e nossa senhora sejam abençoados leve e tragam em segurança todos vcs amem e não esqueça de nós? Com muita gratidão abraço Romero e familia
Romero Marques

Maria do Carmo Didier disse...

Que maravilha!!! Abraços e aproveite!
Maria do Carmo Didier

Savinho do Acordeon disse...

Enjoy this wonderful place!
Savinho do Acordeon

Ina Melo disse...

Vamos viajar amigo!.
Ina

Ataliba Gonçalves disse...

Sei como é, meu neto mora ai em Sydnei. Divirta=se!
Ataliba Gonçalves

Marcelo Araujo disse...

Li seu blogue, muito interessante sua visão da Austrália. Parabéns. Só tenho que discordar do ponto de trânsito fluido 😉. Sydney tem um dos piores trânsitos do mundo, algumas vias tem a média de 30km por hora em horário de pico, onde a regulamentação é de 100km. Vou lhe levar um sábado pela manhã, as 10h, a Narrabeen, a praia seguinte da nossa e vc vai ver qto tempo levamos pra fazer pouco mais de 10 km. 👍
Marcelo Araújo

Girley Brazileiro disse...

Desculpe MARCELO, você está por fora do que tem sido transitar nas grandes cidades brasileiras. Dirigir no Recife é um castigo. Em São Paulo é pior. Eu não vi nada que se possa classificar de engarrafamento destranquei. De todo modo, vamos a Narrabeen no próximo sábado. GB

Marco Percowich disse...

Girley. Sei como sente. Eu sou você amanhã. Minha filha está embarcando com o marido em dia 24 para estudar na Austrália por dois anos; mas poderão ficar...
Marcos Petcowich

Girley Brazileiro disse...

Não voltarão mais. Aqui está cheio de brasileiros buscando vida melhor. GB

Cristina Carvalho disse...

Fiquei com muita vontade de conhecer Sydney amigo Girley. Que descrição coloquial maravilhosa. Um dia chego aí. 🌻😘👏👏👏👏
Cristina Carvalho

Silvio Leimig disse...

Muito bom texto, Girley. Deu uma vontade grande de estar aí. Boa viagem !!!
Silvio Leimig

Girley Brazileiro disse...

Li o seu blog e me transportei até aí, confesso que fiquei maravilhado. Quando conseguiremos situação ao menos parecida?
Mauro Ribeiro

Regina Pinto Ferreira disse...

Que maravilha, Girley! Bjs
Regina Pinto Ferreira

Riolanda Castelo disse...

Obrigada Girley pelas informações e comentários desse país que muitos brasileiros estão a descobrir.
Riolanda Castelo

Anônimo disse...

Caro primo Girley,

Perceber o mundo 🌎 através da sua visão é um aprendizado
histórico e cultural.
Parabéns por nos motivar em busca do conhecinento nos
brundando com mais um esclarecedor e belo artigo.
Abraços

Dulce Nadruz disse...

Girley amigo, mais uma vez desfrutei de um passeio na Austrália , através de seu esclarecedor e agradável comentário . Que tudo transcorra bem e aproveite bastante ao lado de sua querida família . Grande abraço .
Dulce Nadruz

Mauro Ribeiro disse...

Li o seu blog e me transportei até aí, confesso que fiquei maravilhado. Quando conseguiremos situação ao menos parecida?
Mauro Ribeiro

Raynette Castelo Branco disse...

Vc no forno e eu na geladeira
Adoramos !
Raynete Castelo Branco