A semana
começou com a notícia da morte do ex-ditador de Cuba, Fidel Castro.
Naturalmente que com repercussão mundial, afinal – bem ou mal – ele foi uma figura
que ocupou espaço no panorama político mundial, no século 20. Andei me
preparando para fazer uma página inteira a respeito desse cidadão odiado por
muitos e aclamado por outros. Um mito é verdade. Teve tudo às mãos para fazer
de Cuba uma democracia autêntica, depois de livrar a ilha caribenha da zona de
jogo e prostituição dos norte-americanos na primeira metade do século passado,
em detrimento da população esmagada por outro cruel ditador, Fulgêncio Batista.
Idealista e perseverante Castro empreendeu uma cruzada de “libertação” do seu
povo e foi aclamado como mandatário, no remoto 1959. Manteve-se no poder até o
recente 2008, passando o comando da ilha ao irmão Raul Castro. Embora
prometendo um mundo de sonhos, se perdeu no meio do caminho (no começo, pensando
bem) ao romper com os Estados Unidos e cair nas mãos de tiranos parceiros
soviéticos, da fracassada União Soviética, e se tornou um cruel e sanguinário
ditador, levando ao paredón e fuzilando
centenas de opositores ao regime esmagador que implantou. Com idéias brilhantes,
justiça se faça, nas áreas sociais, implantadas com sucesso, sujou seu nome e
perdeu ótima oportunidade de ser lembrado como um verdadeiro estadista, devido
sua “mão de ferro” e, ao contrário do que prometeu, fundador de uma sociedade
pouco democrática. A História vai julgá-lo, como ele próprio disse. A Cuba de
hoje não passa de uma nação atrasada economicamente, com um povo pobre e
incapaz de entender o que seja liberdade. Há uma população jovem que nem tem idéia
do que seja ter vontade própria e empreender. É Interessante quando lembro que
Castro ascendeu ao poder, quando eu ainda era um meninote adolescente e, logo depois, quando
universitário, teve em mim um admirador. No ambiente da Academia era, junto com
o Che Guevara, o mentor da transformação histórica sonhada para o mundo. Dois ícones
da minha geração! Tudo isso foi por terra, com o passar dos anos. Hoje perdi
minha admiração por esses tipos e sinto-me aliviado com o fim dessa era retrógrada
e infeliz para muitos. Seus discípulos – Chávez, Maduro, Lula, Dilma, os Kirchner,
Evo Morales e outros insignificantes no Continente –, aos poucos, estão sendo postos
à margem e tendem a desaparecer. A morte de Castro sinceramente não me causou
nenhum lamento. Pelo contrário, senti alívio. Odeio ditadores de esquerda ou de
direita. E, depois, diante do que o Brasil viu no decorrer da semana, esse fato
é coisa para ser esquecida de pronto. Página virada na História da América
Latina. Pobre Latinamérica! Soy loco por
ti (pobre) América.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no futebol do Brasil.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no futebol do Brasil.
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| Este garoto virou ícone da tristeza de um povo sofrendo pela morte dos seus atletas |
Não encontro
um termo exato para classificar minha revolta com um individuo irresponsável dono
e comandante de uma aeronave de uma desconhecida empresa de aviação – aliás, empresa
de um único avião – que levou à morte dezenas de jovens atletas da Associação
Atlética Chapecoense, seus dirigentes e admiradores e jornalistas num acidente aéreo
de grande proporção nas encostas dos Andes colombianos. Um time de futebol em ascensão
no cenário esportivo do país e do continente é criminosamente eliminado num episódio
dantesco que, por fim, expõe de modo claro o tipo de empresas e profissionais
descomprometidos e irresponsáveis aos quais – muitas vezes – somos submetidos.
Acidentes são acidentes e são coisas comuns da vida, é verdade. Mas, acidentes
devidos à falha ou negligencia humana é imperdoável. Inaceitável e revoltante. Esse
tal de Miguel Quiroga, proprietário e piloto da aeronave, tinha consciência quando
levantou vôo com insuficiente combustível para percorrer a distancia entre o
ponto de partida em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colombia).
Ele morreu no acidente. A Chapecoense iria disputar uma final da Copa
Sulamericana contra o Nacional de Medellín, na quarta feira. Este acidente, o
maior envolvendo um time de futebol brasileiro, apanhou o país de surpresa e
perplexidade na manhã da última terça feira (29.11.16). O desenrolar da
história o Brasil e o Mundo já sabe e não preciso relatar. A manifestação de
solidariedade dos colombianos no estádio onde se daria o confronto das duas
equipes e a cerimônia de velório coletivo, em Chapecó (Santa Catarina), neste
sábado demonstraram a dor vivida por um povo solidário e uma nação em luto. Foram
71 mortos. Vidas ceifadas por irresponsabilidade sem limites.
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| Manifestação do povo colombiano em Medellín no estadio onde se daria a partida de futebol. |
Mas a semana
não ficou por aí. A outra surpresa ruim veio de Brasília. Nas caladas da noite
e aproveitando a consternação geral do país, a Câmara Federal fez serão e, numa
jogada traiçoeira, aprovou com indecentes emendas/cortes o chamado Pacote Anti-Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular. Os tais cortes foram, na prática, objetivando anular ações da Operação Lavajato,
que é hoje a maior esperança de moralização e de ordem na estrutura de Governo
deste país. Agora, resta a esperança de que no Senado essa indecência seja derrotada,
embora que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, seja um dos mais proeminentes
réus das ações anti-corrupção. Teme-se que ele se defendendo em causa própria manobre
para aprovação da sujeira. dos deputados. Precisamos voltar às ruas para exigir uma Nação
honrada e livre dos ladrões do poder, como sonhamos.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

