Mostrando postagens com marcador Austrália. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Austrália. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de junho de 2019

Somos muito Diferentes

Retornado da Austrália, na semana que findou, já começo a amargar os efeitos do desandar da política brasileira e suas nefastas consequências no dia-a-dia do cidadão brazuca. E vivendo este clima de insatisfação geral, volto a me incomodar com aquele ideia de que "a Austrália é um Brasil que deu certo". Estou com isto encasquetado desde algum tempo. Procuro, sem sucesso, meios de conferir e não encontro. Apenas arrisco a um juízo de valor.
Como falei, num dos últimos post, não é bem como se diz. Ao contrário é uma coisa bem distinta. "Ah! Mas se trata de um povo tão alegre, quanto o brasileiro..." diz alguém. Nem tanto! Até pela descendência britânica. Ou, "tem também a paisagem tropical com praias paradisíacas e muito surf, como no  Rio de Janeiro". Pode até ser. Mas, vamos devagar. São formas muito simplistas de averiguação. E, certamente, não é por ai. Há diferenças enormes quando comparamos in loco.
A coisa começa quando acessamos os indicadores geo-politico-econômicos de cada um. A Austrália é bem grandinha tem, aproximadamente, 1 Milhão de Km² a menos que o Brasil, que tem, arredondamento, 8,5 Milhões. Contudo, enquanto por aqui temos 220 Milhões de habitantes, lá vivem apenas 23,5 milhões de almas. Aliás, registro como uma curiosidade: segundo tomei conhecimento, existem mais cangurus do que gente. 


Existem mais cangurus do que gente, na Austrália
Pense na diferença de administrar populações de quantitativos tão díspares. Sem falar nos aspectos multiculturais dos brasileiros. No que diz respeito ao quadro natural, há também imensas diferenças: a grande maioria do “continente” australiano é de clima quente e seco dos tipos árido e semi-árido. Isto ocasiona inclusive a existência de áreas desérticas, destacando-se os desertos de Gibson e Vitória, embora haja regiões tropicais, tropicais úmidas e subtropical. Nesta última ocorrem verões quentes e invernos frios e chuvosos. É por aí que se encontram Sydney, Camberra (Capital do País) e Melbourne. É relativamente, bem diferente do Brasil.
Bom, encurtando a história, fica evidente que com paisagens tão distintas e populações de tamanhos tão díspares é muito diferente do Brasil. Resta somente as características simplistas acima referenciadas e clichês entre os brazucas.



O que diferencia mesmo, na minha ótica, está nos aspectos político-sociais mais clássicos: educação, saúde e segurança. Considerando os sentidos mais amplos de cada um desses indicadores. Pronto! É neste tripé que sustento minha tese da diferença entre os dois países. Um país educado tem saúde melhor, respeito ao próximo e à propriedade privada, segurança maior e, desse modo, povo feliz e alegre.
Quer ver uma coisa? No último dia 18 de maio ocorreram eleições parlamentares para renovação da casas do Parlamento Federal composto pelo Senado e pela Câmara dos Representantes. Andei por lá observando o movimento e fiquei surpreso com o clima reinante. Não havia o menor sinal visivel de eleições. Salvo nas proximidades das áreas com tendas das sessões eleitorais, principalmente, nos parques públicas, que são muitos. Tudo ocorrendo de modo discreto, eleitores indo às urnas sem manifestar o quer que fosse e cumprindo sua obrigação cidadã. O voto é obrigatório. Nada de propaganda ostensiva, nada de bocas-de-urna ou militantes exaltados, nada de agressões partidárias e nada de mudança nas atividades corriqueiras. Comércio aberto, restaurantes funcionando e povo tranquilo nas ruas, avenidas e parques. Faixas, cartazes ou “santinhos” de candidatos  espalhados pelas artérias públicas? Que nada! Santinhos mesmo, somente nas igrejas. Claro que houve debates anteriores ao pleito. Porém, segundo pude observar em níveis altíssimos. Com uma economia em crescimento constante, inflação controlada, taxa de desemprego ao redor dos 5% e sociedade segura em ambiente de bem-estar, o que restou para ser discutido foram as questões ambientais, o que é muito bom. Já pensou? Isto aqui é incluído de modo apertado, por um partido nanico e sob o patrocínio de Marina Silva, que só aparece, coitada, nas horas de campanha. Os australianos andam muito preocupados com a preservação do planeta. Ah! houve horário eleitoral pelas rádios e TV, pela primeira vez. Agora, imagine o nível.
Bem, é bom lembrar que a Austrália faz parte da Comunidade das Nações Britânicas (Commonwealth of Natios) e por esta razão a Rainha da Inglaterra é a Chefe de Estado, representada por um Governador Geral por ela nomeado, a conselho do Primeiro Ministro eleito. Assim como a dita Rainha, esse governador-geral tem um poder meramente simbólico, embora que muito respeitado pelos membros do Governo e seus ministros.    
Mesmo a distancia acompanhei as aberrações políticas daqui de Pindorama. A sensação que passa é que, ao contrario do que ocorre na Austrália, há uma intenção dos homens de Brasília em trabalhar contra a Nação. Para eles, quanto pior melhor. E, aí está mais um aspecto da imensa diferença entre essas duas sociedades. Possivelmente, a diferença basilar.
Dá desgosto de ver, ao retornar, a cachorrada política, as ruas imundas, os passageiros de ônibus descartando sujeiras e detritos pela janela, cidades sujas e inundadas por chuvas torrenciais, pobres ao relento em noites frias, o país ligado numa aventura sexual de um jogador de futebol irresponsável, o povo nas ruas protestando contra uma reforma previdenciária inevitável, entre outros episódios que dizem bem de uma sociedade desarranjada e despreparada para viver dias de paz e bem-estar social. Somos muito diferentes.

NOTA: Fotos de ilustrações obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Viajando e aprendendo

Viajar é, indiscutivelmente, a melhor maneira de revisar a forma de oxigenação da mente. De ver o mundo nas suas distintas formas, como foi construído e como se comporta. Paisagens, povos, flora, fauna e organizações sociais. Ricos e pobres. Cultos ou incultos. Um verdadeiro caleidoscópio onde o que se enxerga é sempre algo distinto do ultimo giro. Sou daqueles que não posso reclamar da sorte. Por motivos dos mais diversos, tenho girado meu caleidoscópio com certa frequência e, a cada volta, vou acumulando novos aprendizados sobre modos de viver e conviver, crenças estranhas, línguas exóticas, entre outros aspectos.
Aqui na Austrália, onde me encontro mais uma vez, observo hábitos que chamam minha atenção. Por exemplo, tem coisa mais estranha do que ver uma pessoa bem vestida, mas, descalça no meio de uma rua? Não? Pois aqui é bem comum. Ora, meu Deus, pensando melhor, que mal há em sair sem sapatos? Com ruas tão limpas, ambientes tão asseados, ninguém correndo o risco de se machucar, pisar em bosta ou caco de vidros. Aqui não! Eles fazem isto numa nice e com a maior tranquilidade. Ainda assim, fico preocupado com o cidadão descalço ter de entrar num banheiro público masculino. Duvido que ele encontre algum que esteja livre de respingos de mijo no seus domínios. Mas isto, é problema dos descalços.

Descalços, por que não? Na Austrália é assim.
Outra coisa notável por aqui é o cuidado com a ingestão de água. Sim, água! É incrível como se bebe água, por aqui. A primeira coisa que nos oferece num restaurante é uma garrafa d´água e copo para cada cliente. Faz sentido porque água é vida e precisa ser administrada com precisão. Detalhe: e é, sempre, água da torneira. Puríssima. Acho isto formidável.
Em qualquer restaurante há sempre muita água a disposição do cliente.
Garrafas e copos sempre às ordens.
Transporte público em Sydney. Eis aí outra coisa que admiro. Dá prazer usar a rede de transporte público nesta cidade. Pontualidade, conforto, lotação rigorosamente controlada, respeito e veículos limpos e seguros. Tudo que um cidadão deseja para não precisar de um veículo próprio. Ônibus, trens, metrô ou barcos fazem transporte de milhares de passageiros diariamente sem que haja registros de assaltos, apertos, estupros, acidentes, ou qualquer tipo de ocorrência nefasta. O usuário tem que dispor de um cartão magnético (Opal) recarregável em inúmeros pontos da cidade e válido para todas as modalidades de transporte. Convalida na entrada e na saída, ocasião em que pode conferir o custo do percurso que fez e o saldo disponível. Prático e eficiente. Quando vejo e uso esses meios de transporte daqui, comparo, inevitavelmente, com o que assisto, a bordo do meu próprio, seguro e climatizado automóvel, na minha cidade do Recife: coletivos apinhados de passageiros, espremidos como sardinhas enlatadas, suados e estressados a caminho do trabalho. Um horror. Indigno, até.
Opal: passaporte para deslocar em Sydney
Depois desta observação, prefiro girar meu caleidoscópio e buscar uma boa visão, como as que seguem abaixo mostrando imagens da Ópera de Sydney e de prédio da zona central, em noite de luz e som, no festival ViviD que ocorre, nesta semana por aqui.     


NOTA: São imagens em movimento e se multiplicam por toda região central de Sydney. Luz e som para encanto dos nativos e muitos visitantes. Duas colhidas no Google Imagens (descalços e Opal) e do Blogueiro

domingo, 26 de maio de 2019

No outro Lado do mundo


Opera de Sydney - Cartão Postal da Austrália
É bem comum escutarmos que a Austrália é um Brasil que deu certo. Para quem observa à distância ou passa em programa de turismo comum pode mesmo parecer verdade. Porém, de perto, como observo com relativa frequência, esta ideia pode ser bem diferente. Não é fácil fazer esta avaliação. Num primeiro instante, a sensação de um mundo luminoso, praias paradisíacas, povo descontraído, vegetação colorida e luxuriante, fauna especial, entre outros atrativos contagiam o visitante, principalmente se brasileiro. Para este, então, parece ser um mundo, digamos que, familiar. Já senti um pouco disto. Por razões particulares sou um visitante frequente deste belo país austral e sempre procuro conferir essa possível semelhança. É o que faço neste momento.
Ando em Sydney, mais uma vez e, portanto, no outro lado do planeta. Enquanto aqui é dia, na outra banda é noite. Visito familiares aqui residentes, razão da relativa frequência que falei acima.


Folha do Outono
É outono no hemisfério Sul. Perambulo pelas ruas da cidade pisando nos tapetes de folhas secas, característica da época, coisa que raramente me ocorre no Brasil. Sydney está à altura do Paralelo 33. As árvores vestem tons laranja-avermelhados dando um tom bem cartão-postal, na visão de um nordestino brasileiro. E isto poderia ser, de cara, uma diferença. Mas, não é por aí que quero chegar, até porque, o Outono é bem definido pelo sul brasileiro.
Observando mais acuradamente, fica fácil de enxergar o porquê deste sucesso australiano e o que o difere do Brasil. Falo de um país jovem, com pouco mais de 250 anos, cuja colonização britânica já chegou com o que havia de moderno à época. Depois disto, as coisas deram tão certas a partir da provável austeridade e seriedade dos governantes, além do extraordinário nível de desenvolvimento educacional do cidadão comum que se formou. Muito diferente do Brasil escravagista e de domínio de minorias que faziam questão de manter a ignorância do povo. Como tantas vezes defendi neste espaço, a Educação sempre confere progresso e desenvolvimento. É notável, por aqui, a forma de convivência desta gente. Os exemplos são vistos a toda hora e em todas as esquinas. No transito, nas prestações de serviços e nas mais simples formas de relacionamento humano. Pode haver exceções, claro. E acontece. Mas, são exceções. O respeito ao próximo e à propriedade privada chega a ser comovente para quem, como eu, vem de uma sociedade corrompida e escrachada, onde impera a desonestidade desde quem governa ao cidadão comum. Aqui, não se ouve falar em corrupção, assaltos, homicídios ou feminicídios como em Pindorama. Os pequenos comerciantes expõem suas mercadorias de modo ostensivo e fora propriamente do estabelecimento, na certeza de que o interessado vai entrar e efetuar o pagamento do produto que pretenda levar. “Desculpe”, “com licença” e “por favor” são as locuções mais comuns do dia-a-dia.
Há costumes que registro como exemplos notáveis: o cliente de supermercado ou loja comum tem sempre que pagar pela mais simples embalagem que precise para levar as mercadorias que compre. O Planeta agradece! Outro exemplo é o de uso do carrinho para coletar os produtos nas gôndolas do supermercado que, para serem usados, tem de ser mediante o depósito de uma moeda de 1 ou 2 Dólares Australianos. Com esses mesmos carrinhos as compras podem ser levadas até a porta de casa, caso o freguês esteja sem seu veículo particular. Como nem sempre o cliente está disposto a devolver o carrinho de compras ao estabelecimento comercial, carrinhos se acumulam estacionados nas ruas. E neles as moedas que foram postas para liberar num espécie de catraca em cada carrinho. Aquele que resolve levar de volta os carrinhos pode fazer uma boa coleta de Dólares Australianos. No Recife, canso de ver pedintes que roubam carrinhos para carregar seus "patrimônios". Há supermercados cujos carrinhos já são barrados de sair do estabelecimento evitando os furtos frequentes.
Carrinhos, na nossa rua, estacionados esperando um voluntário para recolher ao
estabelecimento proprietário. No Brasil cairia nas mãos de um novo "proprietário".
São pequenos detalhes que lembro agora. Com mais tempo posso anotar outros mais e registrar por aqui. 
Há razões, portanto, para o que dizem os que comparam o Brasil com a Austrália. E, ao meu ver, o X da questão está na Educação. Coisa que é sempre posta à margem na Terra de Cabral.  


NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

sábado, 18 de agosto de 2018

Êxodo Lamentável

A difícil situação político-econômica que abate o brasileiro de modo geral, fruto da irresponsabilidade governamental do passado recente, se desdobra de maneiras perversas e de perspectivas irreversíveis. O povo brasileiro experimenta da mais dura crise econômica provocando, de imediato, desesperanças quanto ao futuro e claras desconfianças nos seus representantes políticos, enquanto estes, na ganância de se manter no poder, fazem ouvidos de mercador ou tapam o sol com uma peneira. Os preparativos para a próxima eleição geral vêm expondo de modo escancarado esta situação. São candidatos com fichas sujas, esposas e filhos de políticos condenados e presos e até o incrível candidato a presidente condenado e preso como candidato! O risco de cairmos no mesmo ambiente deteriorado é iminente. O Brasil não suporta mais esta situação e não é à toa, pois, que vem ocorrendo um êxodo lamentável dos cidadãos desencantados e com possibilidades de optar por viver longe dessa tragédia nacional.
Eu, aliás, já abordei este tema da imigração, sobretudo das inteligências jovens, noutras postagens. Recordo bem da minha surpresa de encontrar, ano passado na Austrália, um sem número de jovens profissionais brasileiros – engenheiros, advogados, economistas, entre outras especialistas – que se sujeitam a começar do zero, trabalhando em restaurantes (lavando pratos e servindo clientes) ou na construção civil (trabalho duríssimo) em troca de salários melhores, segurança e perspectivas para o futuro. São os que cansaram de vagar por aqui sem oportunidade de emprego. Na maioria, são os que conseguiram fazer um pé-de-meia ou ser custeado pela família, para fugir da crise e da pátria que lhe expulsa. Triste e dolorosa situação para uma Nação que busca o progresso e a paz. Bom, pior são os que ficam por aqui sem “eira nem beira” como se diz na linguagem popular.

Outra forma de fugir da crise e das perspectivas negativas tem sido a saída para Portugal, que parece virou moda. Na recente visita à Santa Terrinha tomei-me de nova surpresa ao observar a presença maciça de brasileiros. É incrível a facilidade que aquele país proporciona para receber brasileiros. Não raro somos abordados por promotores oferecendo oportunidades vantajosas para encarar nova vida ali do outro lado do Atlântico. Recebi esse tipo de abordagem pessoalmente e com frequência recebo via redes sociais. Durante a Copa do Mundo vi multidões de brazucas, em praça pública, acompanhando as partidas da canarinha. Sensação pura de estar numa praça brasileira. Conheço pessoas e famílias inteiras que abandonaram tudo e se mudaram para lá, com malas, cuias, meninos, cara e coragem. Se você, caro(a) leitor(a) tiver curiosidade ou até mesmo vontade de viver na Terra de Camões, confira clicando por exemplo em:  https://www.jafezasmalas.com/morar-em-portugal/   Ah! Não sei se o caro leitor(a) já observou, que tem gente graúda e de prestigio nacional se mudando para a beira do Tejo ou do Douro. Entre esses tem também gente do showbiz que já decidiram e se fixaram por lá.

Bom lembrar que tem o outro lado da medalha: os portugueses já começam a visualizar o lado negativo dessa invasão brazuca. Estão inclusive criando critérios mais seletivos para conceder vistos de permanência e residente. Temem a chegada de pessoas com antecedentes negativos e com reais objetivos espúrios. Casos desse tipo já foram registrados e vêm formando uma estatística preocupante para o Governo local.
Resumo da ópera: o tecido social brasileiro se esgarça continuadamente, o progresso econômico virou quimera, enquanto estamos perdendo inteligências profissionais jovens, investimentos produtivos estão vasando para outros países e o futuro que pinta no horizonte não inspira confiança.
De todo modo, outubro vem aí e precisamos escolher com muita consciência as lideranças que devem enfrentar o desafio da retomada do crescimento socioeconômico. Pense bem nisto! Viu?   

NOTA: Fotos ilustrativas obtidas no Google Imagens 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Ordem é Progresso

Parece uma ironia termos na nossa Bandeira Nacional a inscrição Ordem e Progresso e, na prática, vivermos numa desordem e progresso capenga. Um país da grandeza e riqueza como o Brasil não merece viver neste endêmico ambiente de dificuldades sócio-político-econômicas. Quando não é uma coisa é outra. Vou morrer e não alcançarei o tal país do futuro. Eita futuro difícil de chegar!
Conversando com uma amiga brasileira e radicada na Suíça, ouvi dela algo muito interessante: “falta ordem e disciplina ao brasileiro”.  Ela tem condições concretas de poder chegar a este diagnóstico visto viver lá e cá. Engraçado é que ela mesma, ao se mudar para Suíça – há quarenta anos – estranhou o excesso de ordem e organização da vida social dos suíços. "Não atravesse a rua fora da faixa, não jogue papel na via pública, use as lixeiras do serviço de limpeza urbana, respeite o pedestre, obedeçam às filas para atendimentos e por aí vai...." dizia-me ela na conversa. Muitas regras de convivência urbana. A coisa é tão cheia de mandamentos que um brasileiro, menos avisado, estranha mesmo. Acha até que é ruim, triste ou impossível viver num país com regime social rígido desse tipo. “Lembrava uma ditadura!”, arrematava ela. Com o passar dos anos, porém, entre idas e vindas ao Brasil, começou a perceber e dar importância às regras sociais impostas, quando as comparando com os hábitos e costumes dos brasileiros. Ordem é progresso, minha gente.
Por coincidência, meu filho mais jovem, passando uma temporada na Austrália, reclama muito do excesso de ordem e disciplina reinante naquele país. Colonização britânica! Habituado a viver nessa vidinha "bagunçada" e onde tudo é permitido, de Pindorama, vive estranhando os hábitos, costumes e  rigor disciplinar impostos ao dia-a-dia dos australianos. Balada tem hora pra acabar e não passa da meia-noite. Sem apelação, os organizadores dos eventos param o som, acendem as luzes e manda a turma de baladeiros pra casa. Acostumado a chegar à balada brasileira em torno da meia-noite, tem que estranhar mesmo.
Mais engraçado ainda é que neste momento ele (meu jovem filho) anda por Singapura e Tailândia, e vem constatando que, por lá, a coisa é mais rigorosa, ainda. Em Singapura, chiclete não se vende e é proibido mascar. Pode parecer engraçado, mas, é verdade. O Governo aboliu radicalmente a venda e o uso das gomas de mascar no país. Motivo? Ah! No passado a população mascava os populares chicles e, passado o sabor refrescante e com a mandíbula cansada, jogava o rejeito na via pública, que grudava no calçamento da limpíssima cidade. Provocava um péssimo aspecto de sujeira. Aconteceu que o pequeno país asiático, para ser aquela ilha de desenvolvimento de hoje, impôs aos seus cidadãos um severo programa de educação de convivência urbana. E lá as coisas não são de brincadeira. Atravessar a rua fora da faixa de pedestre é multa pesada. Fala-se em coisa de mil Dólares. É muita ordem. Jogar ponta de cigarro na via pública, parece que dá prisão. Trânsito ordeiro. Povo disciplinado, em fila indiana e ordeira até para acesso à composição, nas estações de metrô. (vide foto a seguir). Meu filho conta que resolveu comprar um toddynho (pode ser outra denominação) e ensaiou sair saboreando-o rua afora. Foi logo avisado pela vendedora: “cuidado, tome o seu toddynho aqui dentro e descarte a embalagem ali”, apontando o lixeiro existente dentro da lojinha. Comida no metrô? Jamais. Tomei conhecimento, esses dias, que nosso metrô (o do Recife e região metropolitana) é o melhor mercado ambulante da cidade. Picolé, pipoca, tapioca e pamonha, água mineral, barbeadores, CDs piratas, óculos chineses, e o escambau são vendidos nos vagões sob o olhar benevolente dos fiscais de segurança das composições. Cada fim de viagem os trens parecem mais caminhões de lixo. Sinal que o desemprego é grande e a rapaziada tem que sobreviver. Ou então vão assaltar. Os fiscais fazem vistas grossas, em solidariedade.
Tailandeses obedecem filas para adentrar às composições.
Aqui o acesso é de bolo. Salve-se quem puder!
Bom, relato tudo isso para chegar a uma verdadeira constatação: Ordem é Progresso. Nesses países a disciplina urbana vem sendo imposta, os bons costumes são preservados, a educação é tratada com seriedade e as punições aos infratores são severas. São países que experimentam o Progresso e a qualidade de vida em alto nível. Lugares onde o cidadão respeita o próximo, onde o lixo é jogado no lixo, as regras sociais são cumpridas, goza-se de um padrão de vida digno e de saúde publica garantida. Então, gente, no Brasil o que falta de verdade é a Ordem que a bandeira nacional prega. E onde não existe Ordem, não há Progresso.  
Este meu artigo semanal já estava concluído quando eclodiu a greve nacional dos  caminhoneiros, reclamando os altos preços dos combustíveis. Não deixei passar, embora correndo o risco de me estender muito.
Principais rodovias do país estão assim desde 21 de maio.
População pagando caro por irresponsabilidades dos governos.
Duas coisas a considerar: acho justo que haja uma manifestação contra o abuso desses preços. A política adotada pela Petrobrás penaliza o cidadão que depende do transporte privado, coletivo ou de cargas. A reivindicação é justa. É preciso que a sociedade se pronuncie e é o que eles estão fazendo. Vai ser duro para a sociedade? Vai, sim. Mas, é preciso lutar por uma boa causa para vencer. A culpa está no governo passado, embora os petistas não admitam. Eles seguraram os preços e com isso quebraram a petroleira nacional. A conta está sendo cobrada agora.

Agora, tem uma coisa: a falta de Ordem e Civilidade se manifestou na hora do movimento grevista, quando muitos proprietários de postos de gasolina se aproveitaram da situação e majoraram os preços dos combustíveis ao belprazer. Houve um posto na zona sul do Recife que cobrou R$ 8,99 por um litro de gasolina e outro da Shell em algum local do país que abusou do consumidor, cobrando R$ 9,899. (Foto ao lado). 
É indecente! Por isso que este país não tem Progresso. Falta Ordem! 
Parece que roubar é parte predominante no DNA do brasileiro. 




NOTA: Fotos foram colhidas no Google Imagens, com exceção da foto de fila no Metrô de Bangkok, da autoria de Tico Brazileiro  


   

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Inteligências Perdidas


São muitos os prejuízos decorrentes da atual crise na qual o Brasil está mergulhado. Inútil enumerá-los porque são bem sabidos e vivenciados por todos. Todos, mesmo. Um desses prejuízos, contudo, tem sido relativamente pouco visualizado. Refiro-me à desilusão que atinge os jovens integrantes da força de trabalho que chega ao mercado, a cada ano. O crescimento vegetativo da população vem crescendo, segundo o IBGE, a uma media anual de 1,24%. É uma taxa significativa e, obviamente, o crescimento da população entre 18 e 30 anos não para aumentar. Enquanto isto, as oportunidades de engajamento no mercado de trabalho estão escassas ou quase nulas, em certos segmentos. Um desespero para quem investiu duramente numa formação profissional e cai nesse ambiente hostil, no qual se fala mais de desligamentos do que de admissões.
Resultado disso tudo é que os que fazem parte dessa parcela da sociedade estão sendo empurrados para um limbo (entendo que se trata de um lugar marginal, sem luz e sem futuro certo), no dizer do cientista Ricardo Henriques (Economista do Instituto Unibanco) em entrevista ao jornal Valor Econômico de 16.08.17. Nesse limbo perambulam tateando em busca de uma solução de sobrevivência e organização do futuro. É, portanto, uma geração prejudicada cuja perspectiva é de um tempo de dificuldades ilimitadas.
Sem soluções econômicas imediatas, esses jovens em desespero, se lançam quando bem “sucedidos” em atividades informais,  geralmente muito diferente da formação acadêmica  que tiveram e sem as garantias que a formalidade lhe assegura. Alguns vencem. Outros se perdem no meio do caminho. Serão brasileiros frustrados nos seus projetos de vida e integrantes do já grande contingente de cidadãos revoltados com a instabilidade do país. 
Ela estudou muito, mas, caiu no mercado informal.
Há também os que fogem para outros países, onde esperam iniciar uma vida mais digna e produtiva. Naturalmente que essas fugas não são nada fáceis haja vistas para aqueles que escolhem, por exemplo, os Estados Unidos – que exerce um poder de atração fantástico – e se lançam em aventuras arriscadas, inclusive a da entrada clandestina, via México, pelas mãos dos chamados coyotes. Muitos perdem a vida na travessia.
Outra parcela desses jovens, aqueles com melhores condições econômicas, se aventuram de forma honesta, dão adeus ao Brasil e se organizam noutros países onde passam a viver com mais tranqüilidade, segurança e dignidade, ainda que na maioria dos casos sem exercer a profissão para a qual se preparou. São jovens inteligentes, com capacidade de por mãos à obra e que poderiam empreender no país de origem, mas, não encontram ambiente propício. As políticas de promoção do empreendedorismo na sua grande maioria não passam de retórica. E quando dão sinais de viabilidade, esbarram nas dificuldades do famigerado Custo Brasil. Faltam financiamentos, subsídios, juros civilizados, carga fiscal digna e bem aplicada, capacitações  específicas, segurança jurídica, infra-estrutura, entre outros itens. Falta quase tudo! Nem a vontade resta! Isso sem esquecer que a cultura da corrupção reinante se constitui num pano de fundo desta onda de desilusão.
Tenho tido oportunidade de ver muitos jovens arrumando as malas e se despedindo para sempre. Jovens com formações superiores e revoltadas por ter que partir para construir uma nova vida, abandonando família, amigos e a boa vida de Pindorama.
Dois países se destacam como destinos mais procurados: Austrália e Canadá. Este faz com alguma freqüência promoção de boa vida e empregos abundantes, aqui no Brasil. Aqui no Recife, inclusive. São levas de brasileiros por lá. Conheço alguns.
Já na Austrália, por onde ando vez por outra, encontro muitos jovens brasileiros trabalhando em bares, restaurantes, parques, entre outros locais, felizes por estarem distantes desses imbróglios político-sociais brasileiros, da insegurança, dos baixos salários, do desrespeito ao trabalhador e das inúmeras outras desvantagens corriqueiras no dia-a-dia por aqui. Jovens advogados, administradores e engenheiros brasileiros preferem servir em restaurantes e bares australianos, sendo bem pagos por hora, do que receber salários miseráveis no mercado brasileiro. 

Esta semana, por exemplo, fiquei pasmo com a definição, pela OAB, do piso salarial de um advogado aqui no Brasil, que é de R$ 2,0 mil. É quanto se paga a um desses jovens, quando empregado numa banca bem estruturada. Isto se quiser! Caso contrário, vá bater noutra porta ou mude de ofício. Ou então vai ser garçom em Sydney, Melbourne ou Perth.
A grande maioria vai e não deseja voltar. Vão ficando, se radicando e pronto! Quanta inteligência perdida. Quanta insensatez desses nossos governantes.

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens.
  

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Paraíso no Fim do Mundo

Gaivotas alçando voos na Praia de Dee Why (Sydney-AUS)
Já ouvi, em muitas ocasiões, alguém dizer que a Austrália é um Brasil que deu certo. Curioso é que não são somente os brasileiros que pensam assim. Os sul-africanos dizem o mesmo. Vá ver que outros dirão também. Conhecendo as realidades desses dois países (Brasil e África do Sul) e vivendo, particularmente, temporadas na Austrália, fico buscando avaliar as razões dessa comparação. Levando em conta aspectos econômicos e sociais australianos – modos de vida, usos e costumes, traços culturais, mercado e qualidade de vida em geral – tudo me leva a crer que a explicação lógica reside numa coisa fundamental: Educação!
Aí, minha gente, em se tratando desse assunto, o Brasil é, inegavelmente, muito atrasado. Os muitos problemas com os quais convivemos, tais como analfabetismo, insalubridade, insegurança geral, inseguranças econômica, institucional, política e judiciária, entre muitos outros fatores, são frutos do baixo nível educacional do nosso povo. Certamente que o mesmo deve ocorrer com a África do Sul, muito embora que eu tenha visto, recentemente, sinais de um país mais organizado e ordeiro, longe daquele país do monstruoso apartheid.Estive na África do Sul em dezembro passado.
Hora de Crepúsculo, na praia de Manly (Sydney) 
Quanto à Austrália o que se pode sentir, no conjunto geral, é de se viver no paraíso no fim do mundo. Pelo menos para nós que vivemos cá no outro lado do planeta. É um lugar onde não se sabe ou se fale de crise econômica. Desemprego é quase ficção cientifica e, em conseqüência,  satisfação parece ser o estado geral da Nação. Não é à toa que tantos estrangeiros, sobretudo jovens, correm para lá na busca de melhores  oportunidades de vida. Só do Brasil, há um imenso contingente de jovens trabalhadores. A maioria chega para estudar inglês, se arranja num emprego temporário e, logo depois, encontra uma solução de obter visto de residente. É muito comum ser atendido nos restaurantes e bares australianos por garçons ou garçonetes brasileiros fazendo seus biquinhos iniciais. Muitas vezes, são jovens com formação superior sem oportunidades no Brasil e que se sujeitam a qualquer coisa para viver empregado e melhor. Há casos absurdos do tipo lavador de pratos num grande restaurante ganhar melhor do que se exercesse sua profissão superior no Brasil! É doloroso ver esse quadro. Há também argentinos, italianos, espanhóis, indianos, refugiados do Oriente Médio, entre muitos outros.
Acabo de voltar de uma temporada de 30 dias em Sydney. Oxigenei minha mente e consolidei a idéia de que havendo responsabilidade governamental, educação e consciência cidadã, o Brasil também pode melhorar. No futuro, quem sabe... Claro que não será para nós. Mas, poderá ser para gerações futuras.
Imagine você, caro leitor(a), viver num lugar onde o respeito ao próximo e à propriedade privada é coisa sagrada. Você pode ir a um local público, por exemplo, uma praia, deixar seus pertences na areia, entrar nas águas e saber que tudo estará lá ao retornar. Entrar num transporte público, deixar seus pacotes num compartimento próprio à entrada e ao sair recolher. Isto sendo num coletivo lotado! Estando na Austrália e indo ao supermercado, pode levar suas compras até a porta de casa, no próprio carrinho da loja. Deixe-o lá mesmo na rua que haverá uma coleta posterior, levando de volta à origem. Vide foto a seguir.
Carrinhos do supermercado nos quais moradores trouxeram suas compras até a porta de casa.
Lixo? Coleta seletiva desde cada domicílio. Ninguém mistura as coisas como por aqui. As prefeituras estabelecem uma agenda de coleta geral para cada bairro. Tudo muito ordeiro e cumprido na risca. Vide a foto abaixo.
Compartimento tipico de lixeiras seletivas no térreo de condomínio residencial 
Roupa de grife? Para que? Aqui no Brasil o sujeito ou veste assim ou está por fora... mesmo que tenha sido made in Paraguay ou Santa Cruz do Capibaribe (PE) e comprada na 25 de março (São Paulo) ou na Feira da Sulanca (PE). Na Austrália ninguém está preocupado com esse tipo de supérfluo ou reparando nas indumentárias alheias, porque isso não interessa. Uma churrasqueira pública à beira-mar e à disposição de quem for chegando. Acredite. É só acender a chapa e assar sua carne. É inacreditável. Ninguém danifica. Ao invés disso, preserva-a. Sujou? Limpa ao final, em respeito ao próximo usuário. (Vide foto a seguir).
A churrasqueira da praia de Dee Why em pleno uso na manhã de sábado 
Outra coisa que observei, também, é que o motorista de um ônibus só dá partida quando vê todos os passageiros acomodados. Quando vejo as recentes noticias nos jornais do Recife relatando acidentes com passageiros dos nossos coletivos devido às arrancadas bruscas, velocidade e freios violentos, fico triste e penalizado com nosso povo mais humilde. Outra coisa estranha e engraçada: meu filho solteiro e “baladeiro de carteirinha” relata que não se conforma com o fato de que a função numa danceteria sempre encerre à meia-noite. Sim! Quando o relógio junta os dois ponteiros e é noite, o som para e a ordem é ir para casa dormir, porque a noite foi feita para dormir. E todos obedecem, numa boa. Estão certos, mesmo porque a noitada começa logo após 18 horas. Acho graça...
É um mundo muito diferente, minha gente. Pode parecer insólito para muitos, sobretudo sendo brasileiro, mas, sem dúvidas, é uma vida salutar e do tipo que se pediu a Deus. Questão de princípios. E Cultura, claro.

NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Continente Austral

Skyline da bela Sydney, desde um ferryboat cruzando a baia.
Estou outra vez na Austrália. Por todo este mês de Janeiro. Tenho razões familiares para me encontrar tanto tempo fora de casa: filha, genro e netos. Nesta fase da vida, viver distante tanto tempo já é quase uma aventura. Bom mesmo é que a família inteira veio junto, o que, também, já é uma coisa rara nos tempo de hoje.
A Austrália sempre me impressiona quando a visito. Um país continental, ocupando por inteiro o que é uma das maiores ilhas do mundo. Desponta de forma vibrante no mundo moderno, dadas seus indicadores sócio-econômicos e sua vibrante economia. É o segundo melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), embora seja um país formalmente instituído muito recentemente. Registros históricos dão contas de que, depois de muitas incursões exploratórias, britânicas e holandesas, entre os séculos XVII e XIX, as colônias independentes de então, num admirável esforço universal, planejaram uma organização institucional, através de consultas e votações populares. O resultado dessa mobilização política foi a constituição de uma Federação das Colônias, em 1º de janeiro de 1901. Pouco mais de um século, portanto. Logo a seguir, foi criada a Comunidade da Austrália e devido antecedentes coloniais, tornou-se um domínio do Império Britânico em 1907.  
A Austrália é então uma importante parte da Commonwealth e oficialmente é uma monarquia constitucional parlamentar federal, tendo como soberana a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.   
O que me chama a atenção é o fato de que somente no século XVIII foi que esses ingleses baixaram de vez por aqui e resolveram colonizar esta tão remota parte do mundo, digamos que, a ultima grande fronteira a ser alcançada por colonizadores europeus. Fala-se ainda, embora sem registros oficiais, que os portugueses andaram por aqui por volta dos anos 1475 e 1525, época em que os lusitanos se lançaram aos mares e saíram descobrindo novas paragens. O Brasil data dessa época. Portugal não registra essa sua façanha, mas, canhões portugueses afundados na baía de Broome (noroeste da Austrália) denunciam a passagem dos portugas por essas bandas.
História à parte, o que posso registrar são impressões que colho no meu dia-a-dia desta temporada por aqui. Como já mencionei no inicio, tenho motivos familiares por permanecer tanto tempo. Nessas condições, vou além dos tradicionais circuitos turísticos e adentro pela Sydney pujante e pela Austrália litorânea. São localidades de paisagens deslumbrantes. Vide fotos a seguir. Não ouso adentrar  mais porque o país tem características quase que desértica no seu interior, mais conhecido por Outback. Poucas chuvas e terrenos arenosos, na grande maioria. Nesta época de alto verão as temperaturas passam dos 48 graus! Mesmo aqui no litoral já ando estanhando os 38 graus. Clima seco e aparentemente mais asfixiante. Só dá vontade de me espojar na beira mar. É o que fazem os nativos. 
Vista parcial do Centro da cidade, com a emblemática ponte ao fundo

A famosa Ópera, cartão postal da cidade. Esplendorosa nas noites de Verão.
Bom, falando de Sydney, o primeiro adjetivo que me ocorre é que se trata de uma cidade extraordinária. Vibrante em todos os sentidos. Povo amistoso e hospitaleiro, que usufrui de extraordinária qualidade de vida. Parece incrível, mas, a verdade é que não se vê pobreza, por aqui. Ando por todos os lados “catando” sinais disto e perco meu tempo. Nada de mendigos, maltrapilhos ou menores de rua. Não sei nas regiões interioranas, onde os aborígenes vivem... Segurança Pública, Educação e Saúde de primeira linha são outros destaques. Infra-estrutura urbana monumental e transporte público irretocável e pontual. Imagine que todo cidadão tem no seu celular um aplicativo indicando os horários das linhas que lhes são interessantes e os locais de paradas. Ninguém perde tempo esperando um transporte ou no trânsito que, nem preciso dizer, é sempre fluido. Além desse meio coletivo, ainda existe uma rede de metrô e transporte marítimo coletivo de dar prazer utilizar.
Poltronas de veludo nos ônibus mais comuns
Para que se tenha uma ideia melhor, qualquer desses modais têm assentos em veludo e super confortáveis. (Foto ao lado) Naturalmente que locais reservados aos necessitados de cuidados especiais e bagageiros para quem entra carregado de pacotes. Os pacotes ficam lá, distante do dono e ninguém toca! A bordo deles fico pensando: pobres de nós brasileiros... Lembro da nossa cruel realidade de trânsitos engarrafados, desconforto e riscos de assaltos nos ônibus, nos outros poucos meios de transporte e até nos veículos particulares.
Outro item a destacar é o da limpeza urbana. Pense numa cidade limpa. O cidadão australiano é orgulhoso dessa qualidade publica. O lixo é recolhido de forma racional e separado, em cada unidade habitacional e coletado, em dias programados, pelas prefeituras. Por conta da limpeza geral, é muito comum cruzarmos nas vias urbanas com pessoas em pés descalços, sobretudo crianças. Estão sempre seguros de que não serão machucados com pedaços de vidro, pregos ou qualquer outro tipo de objeto. Água potável nas torneiras é um privilegio dessa gente. Bebo direto a chamada tap-water (água da torneira). Sem medo das verminoses ou moléstias contagiosas. 
É outro mundo, mesmo, minha gente. Embora discordando, no sentido amplo, da tese de que isto aqui é um Brasil que deu certo, admito isto, devido à alegria da gente, a hospitalidade e pelo colorido geral. Ah! E pelo mar que é um traço comum para os dois países. O australiano é fascinado pelo mar. Vive em função dos oceanos que os banham. São tão alucinados por água, que propositalmente o Dólar Australiano tem cédulas de plástico! Eles podem entrar no mar, banhar-se, mergulhar e surfar com os bolsos recheados de dinheiro. É muito engraçado.
Alonguei-me demais desta vez. Chega. Noutra hora falarei mais sobre esta minha aventura.

NOTA - Fotos da autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro


Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...