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domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma semana pra não ser esquecida

A semana começou com a notícia da morte do ex-ditador de Cuba, Fidel Castro. Naturalmente que com repercussão mundial, afinal – bem ou mal – ele foi uma figura que ocupou espaço no panorama político mundial, no século 20. Andei me preparando para fazer uma página inteira a respeito desse cidadão odiado por muitos e aclamado por outros. Um mito é verdade. Teve tudo às mãos para fazer de Cuba uma democracia autêntica, depois de livrar a ilha caribenha da zona de jogo e prostituição dos norte-americanos na primeira metade do século passado, em detrimento da população esmagada por outro cruel ditador, Fulgêncio Batista. Idealista e perseverante Castro empreendeu uma cruzada de “libertação” do seu povo e foi aclamado como mandatário, no remoto 1959. Manteve-se no poder até o recente 2008, passando o comando da ilha ao irmão Raul Castro. Embora prometendo um mundo de sonhos, se perdeu no meio do caminho (no começo, pensando bem) ao romper com os Estados Unidos e cair nas mãos de tiranos parceiros soviéticos, da fracassada União Soviética, e se tornou um cruel e sanguinário ditador, levando ao paredón e fuzilando centenas de opositores ao regime esmagador que implantou. Com idéias brilhantes, justiça se faça, nas áreas sociais, implantadas com sucesso, sujou seu nome e perdeu ótima oportunidade de ser lembrado como um verdadeiro estadista, devido sua “mão de ferro” e, ao contrário do que prometeu, fundador de uma sociedade pouco democrática. A História vai julgá-lo, como ele próprio disse. A Cuba de hoje não passa de uma nação atrasada economicamente, com um povo pobre e incapaz de entender o que seja liberdade. Há uma população jovem que nem tem idéia do que seja ter vontade própria e empreender. É Interessante quando lembro que Castro ascendeu ao poder, quando eu ainda era um meninote  adolescente e, logo depois, quando universitário, teve em mim um admirador. No ambiente da Academia era, junto com o Che Guevara, o mentor da transformação histórica sonhada para o mundo. Dois ícones da minha geração! Tudo isso foi por terra, com o passar dos anos. Hoje perdi minha admiração por esses tipos e sinto-me aliviado com o fim dessa era retrógrada e infeliz para muitos. Seus discípulos – Chávez, Maduro, Lula, Dilma, os Kirchner, Evo Morales e outros insignificantes no Continente –, aos poucos, estão sendo postos à margem e tendem a desaparecer. A morte de Castro sinceramente não me causou nenhum lamento. Pelo contrário, senti alívio. Odeio ditadores de esquerda ou de direita. E, depois, diante do que o Brasil viu no decorrer da semana, esse fato é coisa para ser esquecida de pronto. Página virada na História da América Latina. Pobre Latinamérica! Soy loco por ti (pobre) América.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no  futebol do Brasil.
Este garoto virou ícone da tristeza de um povo sofrendo pela morte dos seus atletas
Não encontro um termo exato para classificar minha revolta com um individuo irresponsável dono e comandante de uma aeronave de uma desconhecida empresa de aviação – aliás, empresa de um único avião – que levou à morte dezenas de jovens atletas da Associação Atlética Chapecoense, seus dirigentes e admiradores e jornalistas num acidente aéreo de grande proporção nas encostas dos Andes colombianos. Um time de futebol em ascensão no cenário esportivo do país e do continente é criminosamente eliminado num episódio dantesco que, por fim, expõe de modo claro o tipo de empresas e profissionais descomprometidos e irresponsáveis aos quais – muitas vezes – somos submetidos. Acidentes são acidentes e são coisas comuns da vida, é verdade. Mas, acidentes devidos à falha ou negligencia humana é imperdoável. Inaceitável e revoltante. Esse tal de Miguel Quiroga, proprietário e piloto da aeronave, tinha consciência quando levantou vôo com insuficiente combustível para percorrer a distancia entre o ponto de partida em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colombia). Ele morreu no acidente. A Chapecoense iria disputar uma final da Copa Sulamericana contra o Nacional de Medellín, na quarta feira. Este acidente, o maior envolvendo um time de futebol brasileiro, apanhou o país de surpresa e perplexidade na manhã da última terça feira (29.11.16). O desenrolar da história o Brasil e o Mundo já sabe e não preciso relatar. A manifestação de solidariedade dos colombianos no estádio onde se daria o confronto das duas equipes e a cerimônia de velório coletivo, em Chapecó (Santa Catarina), neste sábado demonstraram a dor vivida por um povo solidário e uma nação em luto. Foram 71 mortos. Vidas ceifadas por irresponsabilidade sem limites.
Manifestação do povo colombiano em Medellín no estadio onde se daria a partida de futebol.
Mas a semana não ficou por aí. A outra surpresa ruim veio de Brasília. Nas caladas da noite e aproveitando a consternação geral do país, a Câmara Federal fez serão e, numa jogada traiçoeira, aprovou com indecentes emendas/cortes o chamado Pacote Anti-Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular. Os tais cortes foram, na prática, objetivando anular ações da Operação Lavajato, que é hoje a maior esperança de moralização e de ordem na estrutura de Governo deste país. Agora, resta a esperança de que no Senado essa indecência seja derrotada, embora que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, seja um dos mais proeminentes réus das ações anti-corrupção. Teme-se que ele se defendendo em causa própria manobre para aprovação da sujeira. dos deputados. Precisamos voltar às ruas para exigir uma Nação honrada e livre dos ladrões do poder, como sonhamos.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...