sábado, 18 de fevereiro de 2017

Retorno Sofrido

Não é nada fácil o retorno à realidade brasileira, após uma temporada no exterior. Para mim é sempre muito penoso. Por mais que acompanhemos, à distancia e via Internet, os movimentos de Pindorama é sempre muito difícil pegar a embalagem e retomar a “vidinha” local. Esse rami-rami político-econômico que faz a festa dos noticiários locais e internacionais deixa qualquer um em permanente clima de tensão.
É exatamente assim que me sinto esses últimos dias. Assisto ao largo um quadro político aparentemente pior! A insegurança, nem se fala. Destempero geral.
Fico desapontado e mesmo desesperado ao assistir esse desgoverno reinante em vários estados do país, com rebeliões e chacinas nas prisões, assassinatos em série, mães de família violentadas, policiais em greve, mulheres destes postas como escudos nas portas de guarnições militares, governos falidos e em total desespero... e, um sem numero de outras “misérias” que fazem desse país um espaço de calamidade geral.
Fui um ferrenho opositor ao Governo Petista. Senti-me aliviado e comemorei a queda de Dona Dilma. Mas, sinceramente, estou preocupado com esses ignóbeis “arranjos” políticos que estão sendo feitos em Brasília. Naturalmente que não estou arrependido da oposição acima citada, mas, pelo amor de Deus, manobrar para o naufrágio da Lavajato é o mais sujo e espúrio dos jogos políticos que estamos presenciando neste país. É o retrato fiel da imagem que se faz do político brasileiro, isto é, não tem nenhum honesto. Raríssimas são as exceções, é verdade porque nem tudo está perdido.  Nomear Ministros ou manobrar para escolha de nomes em Comissões importantes no Congresso Nacional, ou outro dirigente qualquer, quase sempre citados nos autos do processo que rola no eixo Curitiba-Brasília é um despudor total de um Governante. Fico muito preocupado. Confesso que a esperança alimentada há poucos meses começa a se desvanecer.
Contudo e por outro lado, não posso negar – o que pode ser a salvação da Pátria – que a Política Econômica vem projetando resultados positivos desde agora. O Henrique Meirelles a despeito do carrossel político desvairado vem fazendo um serviço competente. Já se vislumbra uma solução para tirar o país do buraco que o PT meteu. Temer já contabiliza alguns  tentos ao aprovar a PEC 241 (ou 55) e está prestes a ver passar no Congresso algumas reformas – há muito desejadas – que os governos anteriores não conseguiram levar adiante. Algumas polêmicas é verdade. Impopulares até. Mas, necessárias! Será seguramente uma grande jogada político-institucional, se tudo ocorrer como programado. O trunfo do Temer é o fato de que ele jura, de pés juntos, que não pretende concorrer a outro cargo eletivo e, desse modo, sente-se solto para realizar as reformas que o Brasil reclama há tanto tempo. Isso, além de premente poderá restaurar a confiança internacional do país e garantir sua inclusão como bom parceiro político e comercial neste mundinho tão competitivo.
Como nem tudo é perfeito neste mundo observe, caro(a) leitor(a) que estou diante das duas faces da moeda: decepção no campo político e satisfação no campo econômico. Não é fácil separar essas duas coisas em lugar nenhum do mundo. Mas, no Brasil é bem mais difícil. Daí minha perplexidade e estar sentindo um sabor amargo nesta minha volta de temporada na Austrália, onde a vida corre leve, solta e segura. Deus que nos proteja.
  


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Paraíso no Fim do Mundo

Gaivotas alçando voos na Praia de Dee Why (Sydney-AUS)
Já ouvi, em muitas ocasiões, alguém dizer que a Austrália é um Brasil que deu certo. Curioso é que não são somente os brasileiros que pensam assim. Os sul-africanos dizem o mesmo. Vá ver que outros dirão também. Conhecendo as realidades desses dois países (Brasil e África do Sul) e vivendo, particularmente, temporadas na Austrália, fico buscando avaliar as razões dessa comparação. Levando em conta aspectos econômicos e sociais australianos – modos de vida, usos e costumes, traços culturais, mercado e qualidade de vida em geral – tudo me leva a crer que a explicação lógica reside numa coisa fundamental: Educação!
Aí, minha gente, em se tratando desse assunto, o Brasil é, inegavelmente, muito atrasado. Os muitos problemas com os quais convivemos, tais como analfabetismo, insalubridade, insegurança geral, inseguranças econômica, institucional, política e judiciária, entre muitos outros fatores, são frutos do baixo nível educacional do nosso povo. Certamente que o mesmo deve ocorrer com a África do Sul, muito embora que eu tenha visto, recentemente, sinais de um país mais organizado e ordeiro, longe daquele país do monstruoso apartheid.Estive na África do Sul em dezembro passado.
Hora de Crepúsculo, na praia de Manly (Sydney) 
Quanto à Austrália o que se pode sentir, no conjunto geral, é de se viver no paraíso no fim do mundo. Pelo menos para nós que vivemos cá no outro lado do planeta. É um lugar onde não se sabe ou se fale de crise econômica. Desemprego é quase ficção cientifica e, em conseqüência,  satisfação parece ser o estado geral da Nação. Não é à toa que tantos estrangeiros, sobretudo jovens, correm para lá na busca de melhores  oportunidades de vida. Só do Brasil, há um imenso contingente de jovens trabalhadores. A maioria chega para estudar inglês, se arranja num emprego temporário e, logo depois, encontra uma solução de obter visto de residente. É muito comum ser atendido nos restaurantes e bares australianos por garçons ou garçonetes brasileiros fazendo seus biquinhos iniciais. Muitas vezes, são jovens com formação superior sem oportunidades no Brasil e que se sujeitam a qualquer coisa para viver empregado e melhor. Há casos absurdos do tipo lavador de pratos num grande restaurante ganhar melhor do que se exercesse sua profissão superior no Brasil! É doloroso ver esse quadro. Há também argentinos, italianos, espanhóis, indianos, refugiados do Oriente Médio, entre muitos outros.
Acabo de voltar de uma temporada de 30 dias em Sydney. Oxigenei minha mente e consolidei a idéia de que havendo responsabilidade governamental, educação e consciência cidadã, o Brasil também pode melhorar. No futuro, quem sabe... Claro que não será para nós. Mas, poderá ser para gerações futuras.
Imagine você, caro leitor(a), viver num lugar onde o respeito ao próximo e à propriedade privada é coisa sagrada. Você pode ir a um local público, por exemplo, uma praia, deixar seus pertences na areia, entrar nas águas e saber que tudo estará lá ao retornar. Entrar num transporte público, deixar seus pacotes num compartimento próprio à entrada e ao sair recolher. Isto sendo num coletivo lotado! Estando na Austrália e indo ao supermercado, pode levar suas compras até a porta de casa, no próprio carrinho da loja. Deixe-o lá mesmo na rua que haverá uma coleta posterior, levando de volta à origem. Vide foto a seguir.
Carrinhos do supermercado nos quais moradores trouxeram suas compras até a porta de casa.
Lixo? Coleta seletiva desde cada domicílio. Ninguém mistura as coisas como por aqui. As prefeituras estabelecem uma agenda de coleta geral para cada bairro. Tudo muito ordeiro e cumprido na risca. Vide a foto abaixo.
Compartimento tipico de lixeiras seletivas no térreo de condomínio residencial 
Roupa de grife? Para que? Aqui no Brasil o sujeito ou veste assim ou está por fora... mesmo que tenha sido made in Paraguay ou Santa Cruz do Capibaribe (PE) e comprada na 25 de março (São Paulo) ou na Feira da Sulanca (PE). Na Austrália ninguém está preocupado com esse tipo de supérfluo ou reparando nas indumentárias alheias, porque isso não interessa. Uma churrasqueira pública à beira-mar e à disposição de quem for chegando. Acredite. É só acender a chapa e assar sua carne. É inacreditável. Ninguém danifica. Ao invés disso, preserva-a. Sujou? Limpa ao final, em respeito ao próximo usuário. (Vide foto a seguir).
A churrasqueira da praia de Dee Why em pleno uso na manhã de sábado 
Outra coisa que observei, também, é que o motorista de um ônibus só dá partida quando vê todos os passageiros acomodados. Quando vejo as recentes noticias nos jornais do Recife relatando acidentes com passageiros dos nossos coletivos devido às arrancadas bruscas, velocidade e freios violentos, fico triste e penalizado com nosso povo mais humilde. Outra coisa estranha e engraçada: meu filho solteiro e “baladeiro de carteirinha” relata que não se conforma com o fato de que a função numa danceteria sempre encerre à meia-noite. Sim! Quando o relógio junta os dois ponteiros e é noite, o som para e a ordem é ir para casa dormir, porque a noite foi feita para dormir. E todos obedecem, numa boa. Estão certos, mesmo porque a noitada começa logo após 18 horas. Acho graça...
É um mundo muito diferente, minha gente. Pode parecer insólito para muitos, sobretudo sendo brasileiro, mas, sem dúvidas, é uma vida salutar e do tipo que se pediu a Deus. Questão de princípios. E Cultura, claro.

NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Continente Austral

Skyline da bela Sydney, desde um ferryboat cruzando a baia.
Estou outra vez na Austrália. Por todo este mês de Janeiro. Tenho razões familiares para me encontrar tanto tempo fora de casa: filha, genro e netos. Nesta fase da vida, viver distante tanto tempo já é quase uma aventura. Bom mesmo é que a família inteira veio junto, o que, também, já é uma coisa rara nos tempo de hoje.
A Austrália sempre me impressiona quando a visito. Um país continental, ocupando por inteiro o que é uma das maiores ilhas do mundo. Desponta de forma vibrante no mundo moderno, dadas seus indicadores sócio-econômicos e sua vibrante economia. É o segundo melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), embora seja um país formalmente instituído muito recentemente. Registros históricos dão contas de que, depois de muitas incursões exploratórias, britânicas e holandesas, entre os séculos XVII e XIX, as colônias independentes de então, num admirável esforço universal, planejaram uma organização institucional, através de consultas e votações populares. O resultado dessa mobilização política foi a constituição de uma Federação das Colônias, em 1º de janeiro de 1901. Pouco mais de um século, portanto. Logo a seguir, foi criada a Comunidade da Austrália e devido antecedentes coloniais, tornou-se um domínio do Império Britânico em 1907.  
A Austrália é então uma importante parte da Commonwealth e oficialmente é uma monarquia constitucional parlamentar federal, tendo como soberana a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.   
O que me chama a atenção é o fato de que somente no século XVIII foi que esses ingleses baixaram de vez por aqui e resolveram colonizar esta tão remota parte do mundo, digamos que, a ultima grande fronteira a ser alcançada por colonizadores europeus. Fala-se ainda, embora sem registros oficiais, que os portugueses andaram por aqui por volta dos anos 1475 e 1525, época em que os lusitanos se lançaram aos mares e saíram descobrindo novas paragens. O Brasil data dessa época. Portugal não registra essa sua façanha, mas, canhões portugueses afundados na baía de Broome (noroeste da Austrália) denunciam a passagem dos portugas por essas bandas.
História à parte, o que posso registrar são impressões que colho no meu dia-a-dia desta temporada por aqui. Como já mencionei no inicio, tenho motivos familiares por permanecer tanto tempo. Nessas condições, vou além dos tradicionais circuitos turísticos e adentro pela Sydney pujante e pela Austrália litorânea. São localidades de paisagens deslumbrantes. Vide fotos a seguir. Não ouso adentrar  mais porque o país tem características quase que desértica no seu interior, mais conhecido por Outback. Poucas chuvas e terrenos arenosos, na grande maioria. Nesta época de alto verão as temperaturas passam dos 48 graus! Mesmo aqui no litoral já ando estanhando os 38 graus. Clima seco e aparentemente mais asfixiante. Só dá vontade de me espojar na beira mar. É o que fazem os nativos. 
Vista parcial do Centro da cidade, com a emblemática ponte ao fundo

A famosa Ópera, cartão postal da cidade. Esplendorosa nas noites de Verão.
Bom, falando de Sydney, o primeiro adjetivo que me ocorre é que se trata de uma cidade extraordinária. Vibrante em todos os sentidos. Povo amistoso e hospitaleiro, que usufrui de extraordinária qualidade de vida. Parece incrível, mas, a verdade é que não se vê pobreza, por aqui. Ando por todos os lados “catando” sinais disto e perco meu tempo. Nada de mendigos, maltrapilhos ou menores de rua. Não sei nas regiões interioranas, onde os aborígenes vivem... Segurança Pública, Educação e Saúde de primeira linha são outros destaques. Infra-estrutura urbana monumental e transporte público irretocável e pontual. Imagine que todo cidadão tem no seu celular um aplicativo indicando os horários das linhas que lhes são interessantes e os locais de paradas. Ninguém perde tempo esperando um transporte ou no trânsito que, nem preciso dizer, é sempre fluido. Além desse meio coletivo, ainda existe uma rede de metrô e transporte marítimo coletivo de dar prazer utilizar.
Poltronas de veludo nos ônibus mais comuns
Para que se tenha uma ideia melhor, qualquer desses modais têm assentos em veludo e super confortáveis. (Foto ao lado) Naturalmente que locais reservados aos necessitados de cuidados especiais e bagageiros para quem entra carregado de pacotes. Os pacotes ficam lá, distante do dono e ninguém toca! A bordo deles fico pensando: pobres de nós brasileiros... Lembro da nossa cruel realidade de trânsitos engarrafados, desconforto e riscos de assaltos nos ônibus, nos outros poucos meios de transporte e até nos veículos particulares.
Outro item a destacar é o da limpeza urbana. Pense numa cidade limpa. O cidadão australiano é orgulhoso dessa qualidade publica. O lixo é recolhido de forma racional e separado, em cada unidade habitacional e coletado, em dias programados, pelas prefeituras. Por conta da limpeza geral, é muito comum cruzarmos nas vias urbanas com pessoas em pés descalços, sobretudo crianças. Estão sempre seguros de que não serão machucados com pedaços de vidro, pregos ou qualquer outro tipo de objeto. Água potável nas torneiras é um privilegio dessa gente. Bebo direto a chamada tap-water (água da torneira). Sem medo das verminoses ou moléstias contagiosas. 
É outro mundo, mesmo, minha gente. Embora discordando, no sentido amplo, da tese de que isto aqui é um Brasil que deu certo, admito isto, devido à alegria da gente, a hospitalidade e pelo colorido geral. Ah! E pelo mar que é um traço comum para os dois países. O australiano é fascinado pelo mar. Vive em função dos oceanos que os banham. São tão alucinados por água, que propositalmente o Dólar Australiano tem cédulas de plástico! Eles podem entrar no mar, banhar-se, mergulhar e surfar com os bolsos recheados de dinheiro. É muito engraçado.
Alonguei-me demais desta vez. Chega. Noutra hora falarei mais sobre esta minha aventura.

NOTA - Fotos da autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro


sábado, 7 de janeiro de 2017

Parada básica na África

A África raramente consta da programação turística do brasileiro. Muitas vezes é destino de quem pretende fazer pesquisas específicas, safáris fotográficos, prestar serviços de assessorias e consultorias, ou algo similar. Por puro turismo, mesmo, ainda são bem poucos os que para lá se destinam. Minha experiência de África se resume a algumas passagens pelo Norte do continente, onde estive no Marrocos e na Argélia, há muitos anos, e na região meridional onde já estive por três vezes na África do Sul, local por onde passei, recentemente, a caminho da Austrália. Mais do que um pitstop, fazendo intervalo do longo percurso até a Oceania, fiz, com a minha família, um programa turístico, de quatro dias, pela província da Cidade do Cabo (Cape Town) que resultou numa proveitosa oportunidade.

Esta é seguramente a cidade ideal para se visitar a turismo naquele país. Johanesburgo é o centro financeiro e administrativo do país, mas, muito austera e com poucos atrativos para quem vai turistar. A capital, Pretória, bonita mas requer apenas uma passagem rápida.
Agora, Cape Town é o tipo de cidade que conquista o visitante num primeiro lance. Diz muito de um país em franca expansão (é o S do grupo dos BRICS) repleta de grandes atrações, recebendo, por isso, meio mundo de viajantes sedentos a conhecer as belezas daquele pedaço do mundo. Chega a impressionar a quantidade de turistas na cidade. Pelo menos nesta época de fim e principio de ano. Gente do mundo inteiro. Detalhe a registrar: os locais estão preparadíssimos para o receptivo. Do taxista ao balconista, da recepção no hotel aos guias de visitas. Tudo impecável. Haja competência! Isto sem falar na afabilidade da gente, sempre com um sorriso nos lábios e dispostos a ajudar. Outra coisa que se destaca é a infra-estrutura do setor. Aliás, na infra da região toda. Acho que do país. Estradas excelentes – verdadeiros tapetes – trânsito fluido, iluminação pública correta, limpeza urbana invejável, entre outros detalhes. O que deixa a desejar ainda é a rede de internet. Nisto eles ainda não avançaram ao desejável. Tivemos alguns problemas de comunicação moderna. Existe. Mas, é lenta.
Por se localizar no extremo sul do continente, Cape Town capitalizou essa vantagem explorando um litoral recortado e de rara beleza, ora no lado Atlântico, ora no Indico. Fez disso uma das suas melhores atrações. Visitar o cabo da Boa Esperança (Good Hope) onde os dois Oceanos se encontram, num cenário deslumbrante, é programa obrigatório. Na cidade, propriamente dita, a Montanha da Mesa que é vista de qualquer ponto, pontifica no cenário e é outra grande atração. Esses são dois pontos onde o visitante termina fissurado com o clima genuinamente sul-africano.
O Cabo da Boa Esperança 
A Montanha da Mesa, cenário de fundo da Cidade do Cabo 

Outras grandes atrações ficam por conta dos safáris oferecidos nas redondezas da cidade, e do circuito nas vinícolas da região. De safáris já não sinto tanta atração, por haver experimentado noutras ocasiões, mas, visitar vinícolas curto muito e aconselho sempre a quem se habilita fazer uma viagem dessas. São de beleza indescritível. Passamos um dia nessa rota, degustamos dos bons vinhos e, nem precisa dizer, saímos com sensações parestésicas. Bom demais.
Vinhedo de Rust en Vedre

Degustando os Vinhos Sul-africanos 
Muitos turistas estrangeiros nas vinhas

Encerrando este post e deixado para o final de propósito, teço especiais comentários sobre o grande complexo turístico urbano de Cape Town que é o water-front, localizado nas antigas instalações portuárias da cidade. É um lugar sensacional, onde baixamos todos os dias. Bares, restaurantes, nightclubs, hotéis, muitas lojas, shopping centers, playcenter, passeios de barcos, animadores públicos – como os irmãos Mandela –, parque e jardins e um sem número de atrações outras. 
Waterfront a noite
Não tenho duvidas de classificar como sendo o mais belo water-front do mundo. Bate Puerto Madero, o píer de Miami, Pier 17 de Nova York, o de Chicago, Docas de Belém, Novo Rio, entre outros. Recife Antigo? Bom, desse ainda é cedo para se falar. Promete, mas falta muito. Bote muito nisso...
Sempre digo que o lugar é atrativo turisticamente quando se sai com vontade de voltar. Senti isso ao partir de lá, com destino à Austrália.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro
  


sábado, 17 de dezembro de 2016

Mensagem de Fim de Ano - 2016


E lá se foi 2016... Foram dias de apreensão, entremeados de alguns prazerosos, mas, difícil mesmo é dizer que foi um grande ano. Num país em convulsão político-econômica, só mesmo sendo um alienado é que passaria batido. Dias prazerosos, por exemplo, lembro os dias de Olimpíadas, da Rio-2016.  É verdade que, em termos pessoais não tenho, a rigor, do que reclamar. Saúde recuperada, após susto dado pelo coração, sucesso profissional, família em ordem e o resto... Bom, o resto a gente corre atrás.
Este ano foi, muitas vezes, desafiador para um Blogueiro que pretende manter uma vanguarda. Com tantas confusões geradas em Brasília, Curitiba e outros grandes centros, repercutindo no restante do país, poderiam sair muitos outros posts e a cada dia, o que está fora dos propósitos de um amador, como é o meu caso. Por outro lado, as escapadas que dei durante o ano, passando pelas Oropas e Cone Sul, foram momentos de relaxamentos, sempre bem-vindos, que renderam algumas postagens bem ao gosto de muitos leitores. Viajei e levei junto comigo vários leitores.
Como sempre faço a cada fim de ano, preciso fazer alguns agradecimentos: em primeiro lugar, a Deus pela condição que Ele me confere de pensar e enxergar o quotidiano, observar pessoas e paisagens e, por fim, emitir opiniões neste espaço semanal. Sei que nem sempre são do agrado de todos que visitam o Blog, mas sei, também, que tenho aqueles que me seguem com prazer, entendem meus argumentos, criticas e descrições, interagindo assiduamente. Até os que se contrapõem, dando dinâmica e vida ao trabalho que me proponho publicar.  No GB há espaço democrático para todos. Agradeço à minha família que sempre me apóia e incentiva neste exercício semanal. De modo especial agradeço a interação que se estabelece com muitos leitores no exterior, o que sinceramente infla minha vaidade. Claro! E vaidade, é bom frisar, faz parte da natureza de qualquer ser humano. Não sinto culpa se isto for visto como defeito ou pecado. Como não me sentir feliz e orgulhoso de saber ser lido em distantes plagas do planeta? Não sei por qual razão tenho freqüentes leitores na Rússia ou na China. E na Índia, Iêmen ou Vietnam? Os leitores brasileiros são bem menos dos que os norte-americanos. Com efeito, tenho que agradecer, cheio de jubilo, a todos. Principalmente àqueles que comentam as publicações.
Ao mesmo tempo, acho interessante porque continuo recebendo comentários de anônimos – os quais, por principio, nem publico – com críticas ofensivas das quais busco extrair aquilo que julgo relevante e que podem sugerir reparos na minha forma ou conteúdo. Creio que nada pode parecer tão bom que não mereça retoques. A esses leitores, meus sinceros agradecimentos e apelo para que continuem nessa forma de relacionamento. Eles cumprem algum papel no meu projeto.          
No limiar de 2017 e aproveitando o tempo do Advento, declaro meu entusiasmo pela renovação das esperanças de um renascer com dias melhores, tanto em termos pessoais, como coletivamente. Entendo sempre que a PAZ começa em cada um de nós. A soma das nossas esperanças e o empenho pacificador de um coletivo social instaura forças inabaláveis para mudar o mundo. É um mundo de paz e esperança que todos desejamos. E é dessa forma que devemos caminhar para um novo ano.
Aproveito para lembrar que, como sempre acontece, o Blog entra em recesso neste período de festas e durante o mês janeiro. Salvo numa possível edição extraordinária, Este é o último post do ano. Aos amigos e amigas leitores(as) e seus familiares, meus melhores desejos de


Feliz Natal e Venturoso 2017

Encerrando nossas atividades, neste ano, brindo a todos e todas com uma mensagem tocante e oportuna da autoria de um estimado amigo e colega na SUDENE, Jorge Fernando de Santana, filósofo iluminado e inteligente nato:

Natal é convite a sublimar a vida. Ensejo de renascer em espírito, retraçar caminhos, refazer atitudes, retocar hábitos, refinar comportamentos.
É tempo de promover a Paz, conquistar amigos, abraçar irmãos, salvar o Planeta e, pois, deixar-se aninhar no colo de Deus.
Urge despertar a boa vontade, condição elementar de instauração da convivência harmoniosa entre os seres humanos.
Eis o de que mais carecemos hoje... e o mais desejável neste Natal: a Paz, para cada um de nós... a Paz, para todos nós.

  NOTAS: 1. Obrigado amigo Jorge Santana. 2. A ilustração foi colhida no Google Imagens

 


sábado, 10 de dezembro de 2016

Uma questão de confiança

Os jornais do Recife, e provavelmente do restante do Nordeste, trazem no dia de hoje (sábado, 10.12.16) manchetes e longas matérias ilustradas sobre a visita do Presidente Michel Temer a Pernambuco e ao Ceará. A primeira dele enquanto presidente à Região. Veio ver de perto a seca regional. O homem ficou impressionado com o estado calamitoso provocado pela atual estiagem que assola grande parte dos estados da área. Já são vários anos sem chuva e a população está em estado de desespero. Num grande aparato de segurança e sendo resguardado contra manifestações opositoras, Temer circulou por alguns locais distante do povo e de muitos dos seus representantes. Visitou barragens totalmente secas, pontos da construção da transposição do São Francisco e redondezas. Por fim, num espasmo político comemorado pelos seus assessores, autorizou a liberação de verbas paliativas para atender as demandas mais urgentes. Uma migalha, na verdade, em face das reais necessidades da Região. Isto sem falar de outras necessidades diferentes das hídricas.
Este episódio é o que eu chamo de dejà vu. Na verdade, cansei de ver. Desde D. Pedro II que esta história se reproduz. O Imperador chorou diante da calamidade, ameaçou vender as jóias da coroa, inaugurou a Política da Solução Hidráulica, construiu o açude do Cedro no Ceará e criou o que hoje é o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. O erro inicial foi trabalhar CONTRA o fenômeno. A solução correta é CONVIVER com a seca.
Temer vendo a seca, de perto, em Pernambuco 
Ainda nesta semana estive lembrando – modestamente – que este país nunca teve um governo capaz de entender a sua dimensão continental. Pode até fazer um discurso bonito com este argumento, mas, entender de verdade, está pra nascer. Quando é um paulista só enxerga de São Paulo prá baixo, e olhe lá... – Acho que Temer, mesmo, nunca havia pisado num solo esturricado pela seca nordestina – quando é nordestino, tenta com imensas dificuldades direcionar ações para seu povo. Se for gaúcho, que em geral nunca andou pela Amazônia ou pelo Nordeste, tem uma dificuldade danada de assimilar as dimensões geográficas e culturais. Quando mineiro fica embananado sem saber como atender os vizinhos cariocas e paulistas e esquece o resto. Ressalvo somente Juscelino, mineiro que criou a SUDENE, embora que tratasse com “cuidado” de fazer incluir o Norte do seu estado no chamado polígono das secas e, conseqüentemente, na área da Agencia que criou. Já viu, né? De todo modo, é de se considerar que não deve ser uma missão fácil governar este Continente verde-amarelo. O problema é que o país é muito grande, muito diversificado, paisagens regionais bem distintas, culturas arraigadas e problemas dispares. São muitos Brasis enroscados num só Brasil.
O resultado prático da sociedade que se formou nesse imenso e diversificado território é de assustadores desníveis. O homem da imensa Amazônia jamais pensa da mesma maneira de um gaúcho pampeiro. Um caba-da-peste nordestino nem faz ideia do que passa pela cabeça de um caipira mineiro. O prepotente empresário paulistano, por principio, formação e até preconceito, nem se preocupa por entender os pensamentos dos paus-de-arara ou baianos como eles se referem aos nordestinos. É difícil... Termina que legalmente são dados tratamentos iguais e injustos para realidades diferentes. Baseado nisso tudo é que defendo políticas sociais diferenciadas para realidades distintas. As políticas de educação ou de saúde, por exemplo, não podem ser niveladas nacionalmente. Ao invés disso devem ser ajustadas às necessidades e traços culturais locais.
Agora, cadê vontade política? E cadê credito nos políticos?
O cenário governamental do Brasil de hoje é de total perplexidade. A sociedade já se sente órfão, há muito tempo. Tudo passa pela falta de confiança geral nos nossos mandatários. Como acreditar no Parlamento tão indigno, que só legisla em causa própria, salvando AA próprias peles? Como acreditar numa Suprema Corte que comete o absurdo que cometeu esta semana? Os argumentos podem até encontrar guarida nas altas esferas políticas, mas, mas, na prática o Supremo saiu muito arranhado. Os juízes do STF são os guardiões da Democracia! Como absolver o réu Renan para continuar na Presidência do Senado e vedá-lo da linha sucessória. É uma coisa inverossímil. Pesos e mediadas diferenciadas para “salvar a Pátria?” Neste caso, entendo que daqui prá frente cabe tudo e qualquer coisa.
Quando uma Suprema Corte se curva diante de um Legislativo a “vaca vai pro brejo” de vez. Aliás, nossa vaquinha precisa sair do brejo urgentemente. A bichinha já está atolada até o pescoço. Se demorar mais... Bom, se demorar mais, saia de baixo!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

 


domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma semana pra não ser esquecida

A semana começou com a notícia da morte do ex-ditador de Cuba, Fidel Castro. Naturalmente que com repercussão mundial, afinal – bem ou mal – ele foi uma figura que ocupou espaço no panorama político mundial, no século 20. Andei me preparando para fazer uma página inteira a respeito desse cidadão odiado por muitos e aclamado por outros. Um mito é verdade. Teve tudo às mãos para fazer de Cuba uma democracia autêntica, depois de livrar a ilha caribenha da zona de jogo e prostituição dos norte-americanos na primeira metade do século passado, em detrimento da população esmagada por outro cruel ditador, Fulgêncio Batista. Idealista e perseverante Castro empreendeu uma cruzada de “libertação” do seu povo e foi aclamado como mandatário, no remoto 1959. Manteve-se no poder até o recente 2008, passando o comando da ilha ao irmão Raul Castro. Embora prometendo um mundo de sonhos, se perdeu no meio do caminho (no começo, pensando bem) ao romper com os Estados Unidos e cair nas mãos de tiranos parceiros soviéticos, da fracassada União Soviética, e se tornou um cruel e sanguinário ditador, levando ao paredón e fuzilando centenas de opositores ao regime esmagador que implantou. Com idéias brilhantes, justiça se faça, nas áreas sociais, implantadas com sucesso, sujou seu nome e perdeu ótima oportunidade de ser lembrado como um verdadeiro estadista, devido sua “mão de ferro” e, ao contrário do que prometeu, fundador de uma sociedade pouco democrática. A História vai julgá-lo, como ele próprio disse. A Cuba de hoje não passa de uma nação atrasada economicamente, com um povo pobre e incapaz de entender o que seja liberdade. Há uma população jovem que nem tem idéia do que seja ter vontade própria e empreender. É Interessante quando lembro que Castro ascendeu ao poder, quando eu ainda era um meninote  adolescente e, logo depois, quando universitário, teve em mim um admirador. No ambiente da Academia era, junto com o Che Guevara, o mentor da transformação histórica sonhada para o mundo. Dois ícones da minha geração! Tudo isso foi por terra, com o passar dos anos. Hoje perdi minha admiração por esses tipos e sinto-me aliviado com o fim dessa era retrógrada e infeliz para muitos. Seus discípulos – Chávez, Maduro, Lula, Dilma, os Kirchner, Evo Morales e outros insignificantes no Continente –, aos poucos, estão sendo postos à margem e tendem a desaparecer. A morte de Castro sinceramente não me causou nenhum lamento. Pelo contrário, senti alívio. Odeio ditadores de esquerda ou de direita. E, depois, diante do que o Brasil viu no decorrer da semana, esse fato é coisa para ser esquecida de pronto. Página virada na História da América Latina. Pobre Latinamérica! Soy loco por ti (pobre) América.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no  futebol do Brasil.
Este garoto virou ícone da tristeza de um povo sofrendo pela morte dos seus atletas
Não encontro um termo exato para classificar minha revolta com um individuo irresponsável dono e comandante de uma aeronave de uma desconhecida empresa de aviação – aliás, empresa de um único avião – que levou à morte dezenas de jovens atletas da Associação Atlética Chapecoense, seus dirigentes e admiradores e jornalistas num acidente aéreo de grande proporção nas encostas dos Andes colombianos. Um time de futebol em ascensão no cenário esportivo do país e do continente é criminosamente eliminado num episódio dantesco que, por fim, expõe de modo claro o tipo de empresas e profissionais descomprometidos e irresponsáveis aos quais – muitas vezes – somos submetidos. Acidentes são acidentes e são coisas comuns da vida, é verdade. Mas, acidentes devidos à falha ou negligencia humana é imperdoável. Inaceitável e revoltante. Esse tal de Miguel Quiroga, proprietário e piloto da aeronave, tinha consciência quando levantou vôo com insuficiente combustível para percorrer a distancia entre o ponto de partida em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colombia). Ele morreu no acidente. A Chapecoense iria disputar uma final da Copa Sulamericana contra o Nacional de Medellín, na quarta feira. Este acidente, o maior envolvendo um time de futebol brasileiro, apanhou o país de surpresa e perplexidade na manhã da última terça feira (29.11.16). O desenrolar da história o Brasil e o Mundo já sabe e não preciso relatar. A manifestação de solidariedade dos colombianos no estádio onde se daria o confronto das duas equipes e a cerimônia de velório coletivo, em Chapecó (Santa Catarina), neste sábado demonstraram a dor vivida por um povo solidário e uma nação em luto. Foram 71 mortos. Vidas ceifadas por irresponsabilidade sem limites.
Manifestação do povo colombiano em Medellín no estadio onde se daria a partida de futebol.
Mas a semana não ficou por aí. A outra surpresa ruim veio de Brasília. Nas caladas da noite e aproveitando a consternação geral do país, a Câmara Federal fez serão e, numa jogada traiçoeira, aprovou com indecentes emendas/cortes o chamado Pacote Anti-Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular. Os tais cortes foram, na prática, objetivando anular ações da Operação Lavajato, que é hoje a maior esperança de moralização e de ordem na estrutura de Governo deste país. Agora, resta a esperança de que no Senado essa indecência seja derrotada, embora que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, seja um dos mais proeminentes réus das ações anti-corrupção. Teme-se que ele se defendendo em causa própria manobre para aprovação da sujeira. dos deputados. Precisamos voltar às ruas para exigir uma Nação honrada e livre dos ladrões do poder, como sonhamos.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...