sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O Novo Recife Antigo

Por várias ocasiões andei criticando, aqui no Blog, o abandono que o governo municipal do PT deu ao centro histórico do Recife Antigo. Foram doze anos de desprezo e marginalização da fundamental área de atração turística da cidade. Nosso cartão de visita mergulhou numa profunda escuridão naquele período!  Na esteira do abandono agregue-se um mal maior que foi a falta de cuidado com o patrimônio arquitetônico e a falência do polo turístico antes ali instalado desde na década de 90 e centrado na Rua do Bom Jesus.
Mas agora as coisas mudaram. A atual administração municipal, com o decisivo apoio do Governo Estadual, desde que assumiu, em 2012, cuidou de recuperar a vida do Bairro histórico e trazer de volta a luz e a alegria devida. Surge um Novo Recife Antigo.
Tenho por aquela área da cidade a minha melhor admiração. Vejo ali o ambiente ideal para mostrar ao visitante, ou ao nativo, as origens da cultura e dos hábitos do recifense. É a história ao vivo, de um dos berços da civilização brasileira. O próprio cenário neoclássico formado pelas bem traçadas avenidas e ruas revelam uma urbe de características históricas bem definidas e que contam muito da grandeza do povo pernambucano. Abandonar aquilo beira as raias da loucura e da ignorância. Parabenizo a atual administração municipal pelo resgate que pode se considerar histórico.
Domingo passado tive a alegria de voltar ao Bairro. Encontrei um ambiente de festa e um povo esbanjando alegria e, o melhor, orgulho da sua cidade. Gosto muito de conversar com as pessoas, e fiz isto por onde passei e de forma aleatória. O ambulante, a tapioqueira, o varredor de rua, um garçom, o engraxate, o guarda municipal e, depois, pessoas que, como eu, curtem o local. A alegria está sempre estampada e o reconhecimento pela melhoria dada pela nova Prefeitura. Todos muito orgulhosos do que fazem, oferecem e como sentem por contribuir com o movimento. O varredor de rua me confessou que fica ansioso por ser destinado para limpar aquela área. “É mais animado, Doutor. O selviço fica mais leve!” Achei essa declaração emblemática. Em minha opinião, um povo tem que, necessariamente, ter orgulho da sua cidade. Há mais vida e mais equilíbrio social quando isto acontece. Sinto que pode estar acontecendo aqui no Recife, embora que ainda haja muito a ser feito, sobretudo nos subúrbios.  
Uma vez no Recife Antigo, fiz questão de circular na recuperada região portuária. Experimentei uma fantástica sensação de bem-estar e, claro, ufania pala minha cidade. Sempre achei que aquela faixa marítima devia ser transformada num dos points mais atrativos da cidade. Vejo que agora as autoridades acertaram no alvo. Restaurantes, bares, cervejarias, cafés e pontos comerciais começam a surgir daquilo que, dois anos atrás, eram pardieiros, antro de drogados, habitantes de rua ou simples escombros legados de um porto inviabilizado e condenados ao abandono, embora que numa área nobre. Os antigos armazéns estão transformados. O padrão é internacional e lembram os píers, molhes ou cais que podem ser vistos em cidades como Miami, Buenos Aires, Belém (PA), Cidade do Cabo, Lisboa, Auckland, Sydney, entre outras.
Essas novas instalações vieram se somar à Central de Artesanato e seu complexo de bar e restaurante, ao Museu Cais do Sertão e ao Paço do Frevo que já fazem sucesso, desde antes da Copa do Mundo. Bom lembrar, ainda, que vão implantar um hotel de luxo e uma marina na mesma área portuária. Como se diz, popularmente, “vai ficar o dez!”
Parei num café e recebendo a brisa do mar, que não para de soprar, admirei ao longe o Parque das Esculturas de Francisco Brennand montado nos arrecifes e o ir e vir dos catamarãs lotados de turistas em busca de um novo olhar sobre a cidade dos rios e das pontes.
Você que ainda não andou por lá, vá correndo porque este Novo é motivo de festa. 

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens

 

sábado, 22 de novembro de 2014

André Rieu, o Rei das Valsas

Ele é querido e aplaudido por multidões ao redor do planeta. É criticado, às vezes severamente, por muitos especialistas e colegas de profissão, sobretudo na Europa. Mas, indiscutivelmente, ele é empolgante. Estou falando do maestro holandês André Rieu. Tive o privilegio de assistir um dos seus concertos realizados recentemente, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo. Peguei a patroa pelo braço e, num dos fins de semana de Outubro, voamos até lá com o propósito único de ver esse entusiasmante animador de multidões. Da vida nada se leva... E essas coisas ajudam a levá-la. O espetáculo proporcionado é daqueles que costumamos classificar como de “lavar a alma”. O clima se instala a partir da entrada do local. Há um frisson coletivo. E falo de um coletivo expressivo porque, afinal de contas, é um público que lota um imenso local, neste caso o Ginásio do Ibirapuera, “templo” de esportes paulistano que pode receber mais de dez mil pessoas.
Precisamente na hora programada o Homem entra em cena, pela porta principal do ginásio, atravessa a plateia, seguido de um “pelotão” de músicos, por volta dos 45, a tocar e levantar o público. É uma entrada apoteótica que vai logo dando o tom do que vem pela frente. Durante mais de duas horas, o que se assiste é um festival de som, luz, imagens, vozes e danças. É contagiante.
Na verdade, mesmo não sendo um critico profissional, aventuro-me dizer que aquela orquestra de afinados músicos e harmonia invejável, sob a batuta de Rieu, domina um repertório que agrada em cheio a “gregos e troianos”. Das mais consagradas valsas vienenses – ele é chamado de Rei das Valsas – aos clássicos dos mitos europeus, enveredando por populares canções do país que visita, o que se assiste é tudo que todo mundo gosta sempre de ouvir. O Cara tem competência e é virtuoso por mesclar o erudito com o popular, além de transformar o popular em erudito, como nunca visto antes. Nesse espetáculo não há lugar para melancolias, tristezas ou desânimo. O clima é de festa do principio ao fim. A chuva de balões de ar coloridos que despenca, teto abaixo, sobre o público, no final do concerto, dá a típica nota final do espetáculo. Tem gente sorrindo, chorando de emoção, abraçando seu par ou vizinho desconhecido sentado ao lado, pulando e instintivamente dançando. Repito, é contagiante. Só mesmo num ginásio de esportes ou em praça pública. 
André Rieu nasceu na medieval cidade de Maastricht, na Holanda, de lá nunca saiu, montou residência e laboratório num belo castelo, de onde parte com sua equipe, a percorrer os cinco continentes. Nasceu de uma família de músicos. Seus pais o conduziram ao mundo da música desde cedo. Começou aos 5 anos de idade aprendendo a tocar piano e violino. Apaixonou-se pela bela professora, de 18 aninhos, e isso o entusiasmou ainda mais para seguir a carreira. O pai desejava formar um profissional mais ortodoxo, mas ele bandeou-se logo cedo para a música popular, entendendo que existem músicas boas e músicas ruins, sejam clássicas ou populares. Ele vai atrás das boas e consagradas pelo publico no passado e no presente, independente do gênero. No palco e sustentado pela sua orquestra, ele “pinta e borda” com seu magnífico violino Stradivarius, avaliado em R$ 6 Milhões, um joia rara, convenhamos. Tem um segurança especialmente  contratado para “segurar” sua joia preciosa, durante as turnês.
Rieu tem voltado ao Brasil, sempre a cada ano, desde que descobriu sua popularidade entre os habitantes de Pindorama, em 2010. Esperamos, faz algum tempo, a inclusão do Recife em uma dessas vindas. Como isso tem se revelado inviável, resolvemos ir a São Paulo. Tomara que o Geraldão seja recuperado, quando então teremos o prazer de recebê-lo nestas bandas. É um show caro devido à logística de transporte, seguros de viagem e de bens materiais, montagem de palco e cenários. Fora isto tem o guarda-roupa suntuoso, a segurança e transporte dos instrumentos, os equipamentos periféricos, hospedagem e alimentação do pessoal e tudo que se possa imaginar ser requerido para uma coisa do gênero.
Ele tem especial carinho e admiração pelo Brasil e no seu currículo consta um estágio que fez de seis meses com o Maestro Jacks Klein, no Rio de Janeiro. Isto foi na década de 70.
No repertório daquela noite em São Paulo, não posso esquecer-me de haver ouvido a execução da popular valsa Danúbio Azul, de Strauss. A plateia explodiu em entusiasmo e pôs-se a dançar. A cena, auxiliada por um recurso de imagem projetada no fundo palco, dava a impressão de que navegávamos no velho rio europeu. Mas, o homem se solta mesmo é quando abre espaço para consagradas canções como Besame Mucho, Êxodos, Granada, Zorba - o Grego e Manhã de Carnaval. Uma beleza sem fim.
Segundo ele próprio, quando percorre o mundo fica de olho em músicos, cantores e canções. A orquestra dele é uma verdadeira organização de Nações Unidas. Tem músicos e interpretes de inúmeras procedências. Do Brasil ele incorporou duas vozes belíssimas e de consagração mundial: Carmem Monarcha e Carla Maffioletti. Essas duas moças fizeram sucesso na Europa e são pouco conhecidas entre nós. Passando pela Argentina arrastou Carlos Buono, um bandeonista sensacional, que hoje integra sua orquestra. Esse portenho nos brindou, em S. Paulo, com duas páginas emblemáticas do moderno tango: Libertango e Adios Nonino, de Astor Piazzola. Ginásio à meia luz e público atento e silencioso, foi de arrepiar. Clique neste Link a seguir e sinta um pouco dessa emoção. https://www.youtube.com/watch?v=2sL3HSnvkUw
No final do concerto uma bandeira brasileira foi desfraldada e Rieu “atacou” de Tico-Tico no Fubá, Aquarela do Brasil e, numa ousadia sem limites, executou o popularíssimo “Ai se eu te pego” de Michel Teló. O Ginásio quase vem abaixo. O Cara sabe agradar. É onde reside seu sucesso.
Assim é André Rieu. Entenda esse Senhor como ele se mostra. Vale à pena assisti-lo.

NOTA: Você pode encontra no Youtube inúmeros filmes de concertos de Andre Rieu. Experimente! Por exemplo: Em São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=CgIQFvdoF9g

Nota: As fotos que ilustram o post foram obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Saidas para a Industria

Reunidos em Brasília, nos últimos dias 5 e 6 deste novembro de 2014, os industriais brasileiros – sob as asas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – deram o grito de alerta para o preocupante quadro do Setor no atual cenário econômico nacional. Aproximadamente 1.800 empresários, em sessões plenárias e específicas, além das sempre bem vindas “troca-de-figurinhas” nos intervalos para um cafezinho levantaram e colocaram em ordem de debates seus problemas e propostas urgentes.
Para inicio de conversa um referencial alarmante: a participação da indústria no PIB é de 25%, o que significa 10 pontos percentuais a menos dos registrados na década de 90. A indústria de transformação não passa dos 13%. São números desanimadores para quem atua no setor.
A Carta da Indústria 2014, publicada no final do evento abre com uma significativa expressão: “A Indústria tem pressa”.  Pressa para solucionar a questão da baixa competitividade. Pressa para voltar ser o dínamo gerador de crescimento. Pressa para contribuir efetivamente para o crescimento econômico, social e político do país. Na mesma Carta o foco sugerido é “na competitividade e governança para enfrentar os problemas”
A propósito do assunto competitividade, destaco uma recente pesquisa do Banco Mundial, “Doing Business 2015” (publicada em 28.10.14), revelando que o ambiente de negócios no Brasil continua ruim, face sua posição no 120º lugar num ranking de 189 países. Na pesquisa anterior a posição brasileira era a 123º. Uma tímida melhora neste ano. O Brasil ficou abaixo da média da América Latina. Países como Chile (41ª colocação) e Colômbia (34ª) estão bem acima. A quem se console com o fato de que o país está mais bem situado do que a Argentina (124º), vivendo uma grande recessão, e a Índia (142º). Os primeiros colocados são: Cingapura, Nova Zelândia, Hong Kong, Dinamarca e Coreia do Sul. Os Estados Unidos ocupam o 7º lugar e a China, para minha surpresa, o 90º. Surpresa porque lembro do regime autoritário reinante no gigante do Oriente.
O destaque entre os pontos negativos do Brasil e que empurra para baixo a média do país, está na demora que o investidor leva para abrir uma empresa. São necessários 83,6 dias para cumprir 11,6 procedimentos legais. É um tempo intolerável, comparado com o tomado noutros países, como o Chile onde o tempo cai para 5,5 dias. No ranking especifico, o Brasil ocupa o 167º lugar, entre os 189 países pesquisados. Haja burocracia!
Outros importantes indicadores que compõem a bateria de avaliação, utilizados nesse estudo do Banco Mundial, são: facilidade de operar no mercado local, registro de propriedade, custos da construção civil, carga tributária, proteção aos pequenos acionistas, resolução de insolvências, encargos sociais, entre os outros que jogam o Brasil lá pra baixo.
Ora, minha gente, uma pesquisa como esta expõe, de maneira desfavorável, as fragilidades competitivas do país no âmbito internacional. Um investidor estrangeiro que esteja a ponto de decidir sobre a localização de um próximo investimento produtivo no mercado internacional, inevitavelmente, sofrerá alguma influencia desses resultados publicados. E, sendo um estudo do Banco Mundial impõe respeito maior e inspira confiança.
Na Carta da Indústria, acima tratada, há um tópico sugerindo os problemas cruciais do sistema político-econômico a serem resolvidos pelo novo Governo de D. Dilma Roussef. Vejamos: a) livrar o sistema tributário das principais ineficiências; b) melhoria das relações de trabalho; c) crescentes investimentos na infraestrutura; d) evolução na política comercial com foco nos mercados estratégicos e melhor inserção internacional; e) melhorias na Educação. Resolvidos estes problemas a Indústria Brasileira pode encontrar saídas da crise que enfrenta.
Isto é sem dúvida uma formidável e objetiva proposta para quem pretende, como D. Dilma, fazer um governo voltado para a recuperação econômica e restaurar a confiança internacional do país. Vamos torcer!                

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagem.

NOTA 2: Estive em Brasília compondo a Comitiva da Federação das Indústrias de Pernambuco – FIEPE e representando o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE, no Encontro Nacional da Indústria de 2014

domingo, 9 de novembro de 2014

Circulando na Corte

Nesta semana que termina estive, por dois dias, circulando pela Corte Brasiliense. Nada de extraordinário, não fosse o período pós-eleitoral, o clima político reinante e o objetivo da minha viagem que foi participar do Encontro Nacional da Indústria (ENAI), promovido pela Confederação Nacional da Indústria – CNI. Já cheguei alimentando grande expectativa de acumular informações atualizadas do mundo político-econômico nacional. Não, necessariamente, para trazer alguma coisa para este espaço de conversa semanal, mas, principalmente por motivos profissionais.
Uma vez em Brasília, logo se nota que não é preciso correr atrás da noticia. Ela vem voando e entra por onde houver espaço, inclusive nas brechas mais exíguas. O clima de disse-me-disse é cultural e institucionalizado.  Verdades e mentiras se cruzam na maior facilidade. Fofocas e boatos são coisas de rotina. Um sujeito incauto pode ser engabelado, num instante. Por isso que, naquele “caldeirão efervescente”, trato sempre de apurar os ouvidos, abrir os olhos e com especial atenção filtrar fatos e relatos. Vamos lá.
Óbvio que o tema central da semana ainda foi sobre a reeleição apertada de D. Dilma e os apuros que ela vem sofrendo diante de uma oposição ainda no palanque, saudando feericamente o retorno do candidato derrotada no pleito, Aécio Neves, ao plenário do Senado (ele tem pela frente um mandato de mais quatro anos). Fora isso, é de se agregar uma série de outros contratempos para a Presidente reeleita, entre os quais lembro: a derrota, imposta ao Governo pela Câmara Federal, do projeto de Lei criando os conselhos comunitários, assim como a perspectiva de derrota no Senado; a contradição do aumento da taxa de juros para “conter a inflação”, uma semana após ser dita em campanha, pela candidata vitoriosa, como controlada e dentro da meta estabelecida  e, fechando a semana, a divulgação dos aumentos dos combustíveis e da conta de energia elétrica. Achei interessante quando ouvi dizer que esse conjunto de aumentos se constitui num “estelionato eleitoral”. Sim, porque de fato eram necessários, há um bom tempo, mas, somente aplicados após a vitória eleitoral. O imediatismo das correções, então, confirma melhor a urgente necessidade. As atenções agora se voltam para as consequências graves que podem advir dessas majorações de preços, porque, afinal, combustível e energia mais caros são determinantes de inflação em alta. Só nos resta rezar, com fé e muita esperança, porque o horizonte está, digamos, cinza chumbo.
Mas, se no lado econômico as coisas vão mal encaminhadas, o domínio político está cada vez mais azedo. O esforço que os petistas estão fazendo para “sustentar a peteca” é técnica, política e humanamente desafiador. Quero ver, agora, a competência dessa turma. A base aliada está rachada e prometendo rebeliões, a disputa por cargos na Esplanada dos Ministérios está acirrada, os compromissos da presidente são incontáveis, fala-se em aumento de cadeiras para ministros como se os atuais, quase quarenta, fosse um número pequeno. Nesse ambiente de disputas se pontua, com grande evidencia nacional e internacional, a difícil situação do atual Ministro da Fazenda, mais desgastado do que nunca, e a presidente não tendo um nome de consenso – entre eles – para acalmar o mau humor do mercado; noutra ponta vem o Poder Judiciário exigindo aumento para seu pessoal que, se concedido, terminará provocando num “efeito dominó” outros tantos e estourando consideravelmente a conta de despesas de pessoal do Governo, que precisa ser contida. Olhe, é um clima de total incerteza quanto ao amanhã.
Como pano de fundo, dessa atual “ópera brasiliense”, está reluzindo o Caso Petrolão. Há um estresse generalizado nas casas do Congresso Nacional, palácios e ministérios da Corte na expectativa da publicação da lista dos denunciados pelo doleiro Alberto Youseff. Várias vezes ouvi dizer que o Mensalão é “fichinha” diante desse novo escândalo. Sem nenhum sentimento de “quanto pior, melhor”, admito ser assustador. O Brasil não merece!
Diante de tantas incertezas temos mesmo que esperar o que os petistas proclamam, a toda hora: a “presidenta” pretende dialogar com todas as forças políticas para preservar a governança e o crescimento do país. “Difícil vai ser estabelecer esse diálogo. Ela é muito arredia e voluntariosa. Impõe distancias aos próprios “cumpanheiros” e os homens têm medo dela!” Ouvi de um correligionário.
Para terminar, um último comentário: é incrível como os petistas menos informados negam o fato de que a diferença de votos entre D. Dilma e Aécio tenha sido pequena. É não ter noção de matemática elementar! Dizem haver sido uma vitória retumbante. Mudaram o conceito de retumbante, assim como criaram um feminino de presidente. Mas, nem ela, a vitoriosa, nega este fato de vitória apertada. Na verdade os que estão na linha de frente sabem muito bem que foi uma verdadeira “vitória de Pirro” e que, assim sendo, vão precisar trabalhar muito e buscar se safar dos escândalos de corrupção.

NOTA: Estive em Brasília compondo a Comitiva da Federação das Indústrias de Pernambuco – FIEPE e representando o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE, no Encontro Nacional da Indústria de 2014.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rescaldo Eleitoral

A criatividade do brasileiro é inesgotável. O tempo passa, as gerações se renovam, o país muda em todos os setores de atividades, tecnologias modernas dão o toque dessas mudanças, mas, os traços culturais resistem ao tempo e acompanham as modificações socioeconômicas. Falo disso após observar o resultado final das eleições, do domingo passado. O que aconteceu aqui no Nordeste brasileiro, particularmente aqui no estado de Pernambuco, onde a candidata petista “deu um banho” de votos no seu adversário e, praticamente, garantiu sua vitória nas urnas, fez-me lembrar a velha e carcomida política do passado, na qual os velhos coronéis dominavam seus currais eleitorais e sempre saiam vencedores se perpetuando, assim, no poder. O que se observa nos dias atuais é um eleitorado refém ao PT baseado nos programas assistencialistas reunidos no popular Bolsa Família. Os atuais coronéis se tornaram mais competitivos quando explorando e refinando a capacidade criativa, nata do brasileiro, lançando mão dos modernos recursos tecnológicos tão bem representados pelas chamadas redes sociais. Rapidamente essas raposas políticas atingem em cadeia o público alvo, coibindo e até ameaçando. Multidões tremeram nas bases diante da possibilidade de perder os benefícios assistenciais adquiridos. Resultado: o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, por exemplos, foram modernas criatividades que renderam, sim, os votos necessários para manter os modernos coronéis no poder. Como os Norte e Nordeste, incluindo a deprimida região do Norte de Minas Gerais, são as áreas mais beneficiadas pelo programão petista fica fácil entender o resultado do segundo turno.
Esse resultado, contudo, vale refletir, foi o mais apertado de todas as eleições do período pós- redemocratização e da polarização PT x PSDB. Apenas 3,28 pontos percentuais separaram a candidata vitoriosa do seu opositor (Dilma 51,64% e Aecio 48,36%). Vamos e venhamos, foi por muito pouco. O “incêndio” da campanha apontava para isto, aliás.
O recado deixado pelas urnas é claro de que o país está dividido e exige um esforço titânico de D. Dilma, nesse seu segundo mandato, com vistas a conduzir o país num clima de tranquilidade e progresso como se deseja.
No seu discurso de vitória na noite do domingo a reeleita prometeu mundos e fundos e garantiu que vai buscar “construir pontes” para estabelecer a conciliação nacional necessária para que seu governo seja profícuo. Na mesma fala sublinhou a intenção de operar mudanças na gestão do país e adotar perseguição cerrada aos corruptos. Vamos ver. Com toda essa sujeira, a começar com o Petrolão e as denúncias que já surgem no âmbito da Eletrobrás, custa-me crer.
 “Governo novo, novas ideias” foi o lema da campanha vitoriosa. Eleitores ou não da candidata Dilma esperam por essas novas ideias porque, afinal, o estado no qual se encontra o Estado Brasileiro e a Economia do país urge que o prometido flua rapidamente. Para reforçar esse ideário é importante também que a mandatária reeleita não perca de vista as cobranças de mudanças de junho do ano passado: na gestão pública em geral, na tentativa de restaurar a credibilidade na administração pública, ajustes na contabilidade nacional, sem o uso dos artifícios criativos, revisão nas políticas econômica, social e fiscal, atenção especial aos setores industrial e agrícola antes que afundem de vez, mudanças na administração das tarifas dos combustíveis e energia, na política das relações internacionais (fala-se que 28 novos embaixadores esperam há oito meses ser recebidos pela presidente. Que falta de visão política!) e nos demais segmentos que fazem rodar o país.
Naturalmente que, para tudo fluir nos conformes, D. Dilma vai ter que se virar e mudar sua postura política e estabelecer um bom diálogo com o novo Congresso. Quero ver.
Bom, por enquanto é tratar de se livrar do rescaldo eleitoral. Deus nos assista.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Desafios dos Novos Governantes

O Brasil indiscutivelmente mudou nesses últimos anos. E, vou logo avisando, não falo dos recentes anos de governos do PT ou do PSDB. Falo dos anos que remontam até mesmo ao período dos governos militares. Já tenho idade suficiente para fazer esta afirmação e, além disto, trabalhei muitos anos numa agencia de desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro (SUDENE) cuja missão maior era justamente promover o desenvolvimento socioeconômico da Região. Tampouco vou rememorar longos dados historicamente deprimentes ou a evolução desses, salvo alguns poucos e de passagem, para lembrar que mortalidade infantil e geral, analfabetismo, desemprego desmedido e êxodo para regiões mais atraentes, entre outros, revelam, nos dias atuais, um quadro completamente diferente do que se dispunha nos anos 60 e 70. A SUDENE cumpriu importante papel ao mudar o Nordeste, enquanto o restante do Brasil não parou de crescer e mudar.
O advento dos programas de assistência direta das décadas recentes, hoje reunidos no Programa do Bolsa Família, se cristalizou e o brasileiro de agora difere, em muito, do de trinta anos passados. As denominadas Classes C e D já representam, agora, um forte contingente de cidadãos incluídos no cenário socioeconômico da Nação e são pessoas que por ser mais bem instruídas, gozarem de melhor saúde e saneamento, de ter um emprego e vida melhor organizada, habilitam-se a viver intensamente o dia-a-dia nacional, produzindo, participando politicamente e exigindo o que de direito.
Pensando desse modo, começo a interpretar ainda melhor o que ocorreu em junho de 2013 e fazer uma leitura mais cuidadosa daquelas reivindicações clamorosas. Não quero recordar dos oportunistas vândalos que optaram  desvirtuar a real iniciativa, saqueando e assaltando os patrimônios públicos e privados, mas, sim dos brasileiros honestos e bem intencionados que foram às ruas sem se preocupar com as matizes do colorido ambiente político-partidário.
Quando o povo organizado ganhou as avenidas das grandes cidades pedindo melhores padrões de saúde, educação, segurança, mobilidade e serviços essenciais, no padrão FIFA, estavam exercendo sua cidadania em toda plenitude.  E, veja bem, a massa humana que foi às ruas requerendo essas melhorias foi, sobretudo, formada pelos homens e mulheres das referidas Classes C e D. São pessoas que provaram do que antes não conheciam e que, agora, precisam ver aperfeiçoados e ampliados. Mais do que isso! São pessoas que já pagam impostos – diretos ou indiretos – conscientes da contribuição que dão e sabedores de que, por principio republicano, sua contribuição deve retornar em seu benefício.
É neste quadro que se instala a pesada carga que paira sobre os novos governantes eleitos, neste outubro de 2014. É nesse ponto que deve se concentrar a atenção de quem vai empunhar a caneta de governante porque, afinal, uma mudança de governo é sempre acompanhada de um rasgo de esperança para os que o escolheram. Para chegar lá, forças contrárias se empenham no debulhar de promessas e supostos compromissos diante de Sua Excelência o Eleitor. Manifestações acaloradas, comemorações, esperanças, choros, ranger de dentes e, até tragédias, são comuns nesses tempos ou foram concretos nesse ultimo embate eleitoral brasileiro.
Ora, quando chega o momento da verdade, digo, de conjugar o verbo governar, nem sempre a coisa se concretiza. Infelizmente, sejamos francos, ao que tudo leva a crer, aqui no Brasil, é que bate uma crise de amnésia no eleito,  que termina se perdendo no turbilhão de decidir, de ostentar o poder e a vaidade do cargo, embalado por diversos salamaleques e, quase sempre, se mete em muitas irresponsabilidades. Exemplos recentes são os Fome Zero e PAC do Governo de D. Dilma. O primeiro ficou no papel e o segundo é um fiasco de incompleto.  
Tomara que o novo(a) presidente do Brasil e os novos governadores estaduais, olhem, ao menos, pelo retrovisor para junho do ano passado e tomem consciência das responsabilidades reservadas aos chefes de Estado, para atender as exigências de quem tem o direito de exigir: o cidadão eleitor. Recursos não lhe faltarão. Havendo vontade política, lisura, ética, menos corrupção e muita  honestidade o sucesso estará garantido.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Tocaram fogo no circo eleitoral

Será que esse tipo de debate entre os candidatos à Presidência da República agrada aos eleitores?  Será que estão com comportamentos corretos e adequados para quem pretende sentar na cadeira maior da Nação? Tenho conversado com muita gente sobre este assunto, desde o primeiro embate na TV Bandeirante. Depois de ontem, então, diante daquele festival de agressões no SBT o questionamento mais do que nunca ganhou sentido.
Antes do primeiro turno, dia 5 passado, a coisa já se desenhava, no meu ver, de modo inadequado e pouco republicano. O massacre que o PT impôs à candidata Marina Silva, frágil nas suas ideias e no próprio físico, foi de estarrecer qualquer pessoa de são juízo. Ela, a massacrada, numa postura elegante e com ar de vestal, se controlou, não perdeu a linha e decidida a não comprar a briga manteve a linha. Resultado foi que terminou derrotada. Só que o plano dos petistas era de vencer no primeiro turno derrotando marina Silva. A dose foi tão cavalar que esqueceram o outro. A estratégia não vingou e quem ganhou com isso foi o antes tido como derrotado Aécio Neves. E como dizia vovó: “o tiro saiu pela culatra”.  
Agora, o PT agindo com seu costumeiro modo, isto é, desconstruindo a imagem do adversário e seu respectivo partido, com golpes baixos e pouco elegantes para quem pretende dirigir a República encontrou um adversário diferente dos anteriores. Aécio é bem diferente dos seus colegas José Serra e Geraldo Alckmin que não compraram a briga, foram elegantes e comedidos nas respostas aos ataques, intimidados talvez ou com medo de não atingir o populista Lula e a sua discípula Dilma. Resultado foi que perderam as eleições mesmo tendo tido chance de ir para um segundo turno e virar a mesa.       
Nesta eleição de 2014, o PT está encontrando um adversário, digamos, à altura da sua estratégia. Um candidato, que luta com as mesmas armas e vem impondo momentos amargos à candidata Dilma. Aécio tem sido inclemente ao revidar cada ataque, embora se proponha a cada inicio de debate a discutir propostas de Governo. O debate de ontem (16/10/14) na Rede do SBT foi o retrato fiel desse quadro desolador. “Tocaram fogo no circo eleitoral!” Ao vivo e a cores, diante de milhões de espectadores atônitos e incrédulos.
Mas, tentando responder a questão inicial, devo considerar que a grande maioria das pessoas – com as quais converso e troco opiniões para tecer meus comentários semanais – são frontalmente contra essas exibições estúpidas.
Ora, minha gente, o Brasil está atravessando uma conjuntura das mais delicadas. Do domínio social ao econômico, além dos estruturantes relativos à moral, à ética e à política. Uma Nação com tantas fragilidades sociais e morais, como o Brasil de hoje, tem seu futuro ameaçado e a oportunidade de corrigir é quando se elege um novo governante. Sem ética não saberemos discutir progresso social e econômico com lisura e democracia. Aos nossos dois candidatos faltam oportunidades de, nesses necessários debates televisivos, focar nas propostas de governo. Somente assim o eleitor poderá avaliar melhor cada um deles e decidir a quem conferir seu voto. Essa coisa de fuxicar a vida de cada um é coisa de comadres desocupadas, sentadas nas calçadas das cidades do interior mineiro, que deve ser um trem danado de bão prá elas. Mas para candidatos à Presidência da Republica é, no mínimo, indecente.
Propostas candidatos! É isso que estamos esperando porque o país está à beira de um colapso de energia, falta água em muitos lugares, a insegurança é calamitosa, a Educação é um desmantelo, a mobilidade e a logística são o retrato do caos, a Saúde é dramática, o crescimento econômico é pífio e vexatório, a inflação assusta e a falta de vergonha nos políticos envergonha o cidadão brasileiro honesto. Queimem o circo, tem quem curta essa. Mas, não toquem fogo no Brasil!                   


NOTA: A foto que ilustra foi obtida no Google Imagens.

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...