sexta-feira, 9 de março de 2018

Desafio das Migrações no século 21

Semana passada, comentei sobre a emigração forçada que sofrem os venezuelanos por conta da calamitosa crise sócio-político-econômica no seu país. A fome, a miséria, a falta de paz e saúde expulsam as pessoas das suas origens e criam dramas tanto para estes que são obrigados a fugir da miséria, assim como os que são levados a abrigá-los. Brasil e Colômbia estão às voltas em receber de modo solidário e humanitário esses venezuelanos.
Mas, não somente os venezuelanos buscam a salvação noutros países. Inúmeros outros casos são registrados em vários pontos do planeta. O maior exemplo neste momento são os sírios que fogem da guerra civil que devasta o país nas mãos do ditador Bashar al-Assad. Outros povos vivem os mesmos conflitos na Ásia Central e menos conhecidos aqui no Ocidente.
As maiores vitimas da Guerra na Síria são crianças
A Europa, por exemplo, vem sendo invadida por povos oriundos da África e do Oriente Médio, regiões onde a paz desapareceu há um bom tempo. Muitos se lançam ao mar, em frágeis embarcações, tangidos de casa pelas guerras fratricidas, pela fome e a miséria que assolam aquelas regiões. Deixam tudo que têm para trás, incluindo patrimônio acumulado, vida profissional e familiar, embarcando em aventuras de migração arriscadas. Muitos morrem na travessia do mar Mediterrâneo consternando o mundo. É uma gente que na grande maioria parte em rumo ao desconhecido se tornando refém da vontade dos europeus e sofrendo das mais cruéis humilhações. O resultado de tudo isso é a mendicância vista nas ruas e praças do Velho Mundo. Estima-se que somente a Alemanha já recebeu, nesses últimos anos, mais de 1 Milhão de refugiados, ao tempo em que apela ajuda a outros países nessa missão humanitária. Isto sem falar no problema do terrorismo que, segundo constatado, vem também na esteira migratória.
Frágil embarcação com imigrantes refugiados cruzando o Mediterrâneo buscando a Europa.
Nas Américas a coisa não é diferente. A fronteira do México com os Estados Unidos é famosa por haver se tornado o passo de entrada de imigrantes ilegais na busca do sonho americano. Por ali passam indivíduos das mais diferentes nacionalidades latino-americanas, incluindo brasileiros. O Presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, promete construir um muro ao longo dessa fronteira, embora enfrente reações de todo o mundo. Caso bem complicado.
O Brasil não está imune as essas ondas de imigrantes. São Paulo é a cidade que atrai o maior número desses, por razões óbvias. São os haitianos que lideram essa corrente migratória, sendo seguidos por bolivianos que vivem em comunidades insalubres e muitos deles realizando trabalho com características de escravo para ganhar a vida. Sem qualquer incentivo governamental o Brasil recebeu, entre 2010 e 2015 cerca de 80.000 haitianos, que buscaram meios dignos de vida, após o terremoto que destruiu aquele país em 2010. Destes, 70 mil continuam no país e 45 mil têm emprego formal. Eles são os estrangeiros mais numerosos no mercado formal brasileiro. Grande número foi engajado nas construções das arenas da Copa e na Vila Olímpica, do Rio. Ou seja, aproveitaram o boom da construção civil. É provável que estejam agora amargando os efeitos da crise que se abateu sobre o país.      
Recentemente inteirei-me da atração que o Chile também está exercendo sobre uma imensa massa de imigrantes, em geral latino-americanos. São muitos que aproveitam a flexibilidade das leis migratórias chilenas e a relativa estabilidade econômica do país andino do cone sul. Lá, igualmente, são os haitianos que lideram em volume a entrada de estrangeiros no país. Já são conhecidos como “chilitianos” e chegam a Santiago em levas significativas, por via aérea, saindo em geral pela Republica Dominicana. Vivem basicamente na periferia da capital chilena, sobretudo no subúrbio de Quilicura. São tantos, estima-se que mais de 100 mil, ao ponto da localidade já se chamar de Haiticura.
 O grande problema dessas correntes migratórias é o fato de que junto com elas vêm também uma série de novos problemas para o país receptor. Além de emprego, habitação, educação e assistência médica, itens básicos para construção de uma nova vida, esses imigrantes trazem hábitos culturais diferentes, dificuldades de comunicação por desconhecer os idiomas locais, doenças erradicadas no país acolhedor e concorrência indesejada no mercado de trabalho receptor. O sarampo, moléstia exterminada em países como Brasil e Chile, volta a assolar as populações nativas exigindo a reedição de antigos programas de saúde pública, e demandando investimentos governamentais onde não havia mais necessidade. Ao mesmo tempo, calcula-se que muitas doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, estão proliferando e potencializando a partir dessas comunidades de imigrantes. O grande volume de homens imigrantes, em idade sexual ativa, aponta naturalmente para essa inesperada onda de doenças.
Esses mesmos problemas são registrados na Europa, onde a população marginal de imigrantes está provocando grandes transtornos aos países até então pouco preocupados com esse elemento sócio-político.
Eis aí um assustador desafio para os muitos países que exercem o poder de atração dos imigrantes do século 21.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 

sexta-feira, 2 de março de 2018

Pobre Venezuela

Tenho acompanhado com certo interesse essa situação calamitosa de imigrantes venezuelanos, que fugindo dos horrores impostos pelo ditador Maduro, procuram melhores condições de vida no Brasil, via a fronteira com o estado de Roraima, no Norte do Brasil. Eles chegam, inclusive caminhando, em grandes grupos de idosos, jovens e crianças. Algumas mulheres grávidas e sem muita resistência dão à luz crianças prematuras, desnutridas e abaixo do peso normal, nos hospitais e maternidades brasileiras. Tudo isto num dos estados mais pobres e subdesenvolvidos do país. A pequena cidade de Paracaima, na fronteira dos dois países, é o primeiro ponto de chegada e administra dificuldades para alojá-los, alimentá-los, dar assistência médica e tudo mais que se faça necessário, numa missão humanitária de total solidariedade.
Estive na Venezuela por duas vezes. Na primeira, cumprindo uma missão governamental, com suporte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), dentro do Programa de Boa Vizinhança, na época do Governo Sarney. Isto foi na década de 80. Governava o país, o médico Jaime Lusinchi, segundo percebi, de baixa popularidade. Passei dois meses prestando consultoria à Fundação de Desenvolvimento do Centro-Ocidental da Venezuela (FUDECO), uma entidade localizada na cidade de Barquisimeto, capital do estado Lara. A referida fundação foi formatada nos moldes da SUDENE e meu trabalho foi o de avaliar as ações de planejamento regional local comparando-as com as  experiências da Agencia do Nordeste brasileiro e, por fim, sugerir propostas de aperfeiçoamento às ações daquela Entidade. Além de rica experiência pessoal foi também um bom momento de intercambio entre as duas entidades. Encontrei um país vibrante e com boas perspectivas, embora os desequilíbrios inter-regionais de renda e desenvolvimento. Nenhuma novidade para mim enquanto nordestino brasileiro e funcionário da agencia regional. Por isso mesmo estava por lá.
Minha segunda ida a Venezuela foi no ano 2000, já fora da SUDENE, integrando uma Comitiva empresarial, promovida pela Federação das Indústrias de Pernambuco - FIEPE e atendendo convite do novo presidente venezuelano, o polêmico Hugo Chávez, quando de uma visita oficial a Pernambuco.
Foram dois momentos totalmente distintos, tanto em aspectos políticos, quanto em termos de clima reinante no país como um todo. Algo bem parecido com o que vivenciamos aqui no Brasil, na recente era petista. 
Eis aí uma foto tomada com Hugo Chávez e a Comitiva de empresários pernambucanos no Palácio Miraflores.
Os discursos discordantes que ouvimos de Hugo Chávez, no Palácio de Miraflores, e o de Pedro Carmona Estanga, Presidente da Fedecâmaras (correspondente à Confederação Nacional das Indústrias do Brasil - CNI), deram o tom do clima de intranquilidade reinante no país vizinho. A foto acima, registra a Comitiva pernambucana, num encontro com Hugo Chávez. Entre outros estão: Armando Monteiro Neto (chefe da Missão), Jorge Corte Real, Sandoval Silveira, Mario Conte, Severino Paixão, Paulo Gustavo Cunha. Eu sou o primeiro da esquerda para direita. Hugo Chávez aparece no centro da foto. 
A sensação que tivemos ao encerar nossa missão empresarial foi de que, a qualquer momento, explodiria uma revolta civil. De fato, em 12 de abril de 2002, o próprio Carmona liderou um golpe de estado e assumiu por 24 horas a Presidência da República, sendo escorraçado da cadeira presidencial no dia seguinte, numa rápida ação contragolpe, e o cargo foi devolvido ao Chávez. Daquela missão empresarial o mais significativo que recordo foi o anuncio de Chávez de investir na construção de uma refinaria de petróleo, numa parceria entre a Petrobrás e a estatal venezuelana de Petróleo, PDVSA, em Pernambuco. Valeu aquele discurso do mandatário venezuelano e a refinaria saiu do papel, no governo Lula. Contudo, sem um centavo sequer da petroleira venezuelana. Os problemas de corrupção que abalaram a conclusão da RNEST (Abreu e Lima) podem render outros posts. Depois...
A situação caótica que se verifica hoje na Venezuela, mergulhada numa tremenda crise político-econômica é exatamente, ou mesmo pior, comparada com o quadro que imaginei ao deixar Caracas, nessa minha última passagem por lá. Pior, certamente. De membro da OPEP e com uma folgada e promissora vida econômica, prestigiada no meio do mundo, foi transformada numa república populista de baixíssimo nível, impondo à sua sociedade sacrifícios nunca dantes imaginado. Claro que havia desníveis sociais a serem corrigidos, assim como há em todos os países latino-americanos. Contudo, o modelo de governo populista revelou-se logo cedo como sendo precipitado e inadequado à estrutura político-social original. De social-democracia prometida, não teve nada. Quando o projeto bolivariano de Chávez/Maduro se estruturou e foi posto em prática, nos anos recentes, foram os mais pobres que mais sofreram. São esses pobres coitados que estão pedindo esmolas nas ruas de Roraima e outros milhares que fugiram pela fronteira com a Colômbia. Cada venezuelano amarga, hoje, os malefícios desse governo desastrado. Os pobres cada vez mais pobres e os ricos refugiados nos seus abrigos seguros fora do país. Hoje, mesmo, vi uma noticia na imprensa do Recife que até os animais dos zoológicos estão morrendo de fome. Alguns sacrificam patos, gansos, porcos e similares para alimentar as feras. Que desastre.
Recebo, sempre, notícias desanimadoras de amigos que mantenho por lá. Lamentável. Trata-se de um país rico em recursos minerais e diversidade natural e cultural. Vai custar muito a recuperação que inexoravelmente terá de vir um dia. Não há crise que perdure indefinidamente. Pobre (rica) Venezuela! 

NOTAS: Foto do arquivo pessoal do Blogueiro. 
Este Blogueiro compôs a Comitiva Empresarial da FIEPE como um dos representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Emoções pouco republicanas



Faz algum tempo que venho comparando o Brasil de hoje a uma corrida num trem fantasma do Playcenter. Um susto a cada dia como um susto a cada curva no tal trem. Estes últimos dias, por exemplo, têm sido pródigos neste clima.
Acompanhei, dias passados, o debate e a luta do Governo para aprovar a necessária reforma da previdência social. Quando a coisa parecia chegar aos finalmente, o Presidente da República decreta, repentinamente, uma intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro, mesmo sabendo que, conforme determina a Constituição Federal, inviabilizaria a continuidade da tramitação do projeto de reforma no Congresso Nacional. Foi oportunismo do Temer? Anteviu a derrota no Congresso? Era mesmo necessária essa medida extrema no Rio? São muitas as controvérsias, o assunto está rolando e, pelo visto, vai durar muito. Como a dita intervenção pode durar até 31 de dezembro, já imagino como será durante a campanha eleitoral. Como era de se esperar, virou-se a página e eclodiu um novo bate-boca no país inteiro. Mas, vejamos por parte.
Somente a oposição ao Governo e seus asseclas são contrários ao projeto da reforma previdenciária, embora que seja um tema que vem sendo “empurrado com a barriga” há muitos anos. Perde-se de vista o ano em que se começou a falar disto. Aliás, o programa das reformas gerais está pairando sobre Brasília há muito tempo. Entra governo, sai governo, independente da coloração partidária e o assunto do déficit previdenciário, das reformas trabalhista, fiscal e eleitoral, do custo Brasil, entre outros correlatos, não saem de pauta. Mas, cadê coragem para enfrentar a “onda”? Mesmo sabendo que sobram razões lógicas, as autoridades de plantão fogem da raia e só se preocupam em defender seus interesses, isto é, faturar votos nas urnas, manter-se com fórum privilegiado, dinheiro fácil no bolso, mordomias dispensáveis e outras cositas más.
No caso de uma reforma previdenciária, o mundo inteiro já percebeu o quanto isto se faz necessário. Países mais avançados já trataram disso, ainda que enfrentado oposições e dificuldade políticas. Ora meu Deus, o mundo mudou, vive-se muito mais, enquanto a atual legislação está anacrônica. Se não for revista, vai remeter a sociedade a um caos iminente. Pensando seriamente, estamos caminhando de modo célere para uma organização social com poucos produzindo para sustentar milhões de aposentados. A “curva fechada” dada pelo nosso trem, nesta semana, provocou um retrocesso significativo no programa das reformas. Estamos perdendo uma valiosa chance de emplacar essa mudança. Infelizmente tornou-se inviável, devido ao atual clima político e dada a ausência de uma coalizão política para viabilizar o projeto. Ficou para o próximo presidente. Dependendo da vontade e da coragem política dele.
E a intervenção no Rio de Janeiro? Eis aí outra questão delicada a ser entendida. Seria mesmo necessária? Mais uma vez a sociedade se divide e discute com curiosidade o significado da coisa. Alguns acreditam que sim devido a difícil situação dos cariocas. Estado quebrado, salários atrasados, políticos presos por corrupção, conselheiros do Tribunal de Contas do estado presos, o crime organizando mandando e desmandando, balas perdidas a toda hora, miséria geral. Nunca se viu tanta insegurança na cidade cartão-postal do país. Até que faz sentido a intervenção, visto por esse prisma, diante da incapacidade do estado fluminense. Mas, estamos falando de intervenção das forças armadas para exercer papel de policia. Que não é papel delas. Corre-se o risco de insucesso e resultar numa desmoralização da instituição ainda respeitada pela sociedade. Será que Temer fez certo? Só Deus sabe! Além disso, uma pergunta não tem resposta imediata: é somente lá? Parece que não. Estados como Rio Grande do Norte, Amazonas, Ceará, até o distante e sempre tranquilo Acre veem-se em situações concretas de insegurança. Caberia intervenção nesses estados? Desafio dos pesados. E pensar que aqui em Pernambuco a coisa não é diferente e a Estado não está dando conta do recado. Somente nesses primeiros dois meses do ano já foram assassinados quase duas centenas de indivíduos.
Em meio a isto tudo, há também lances digamos que cômicos, nesta semana: a nomeada Ministra do Trabalho, Dep. Cristiane Brasil, desistiu de assumir o cargo, depois de ficar mais do que provado sua falta de lisura na condução de questões trabalhistas com seus próprios empregados. E por ultimo, hoje (23.02.18), explode uma bombinha engraçada que foi a denuncia de que o Ministro interino da pasta do Trabalho responde processo por praticar roubo de energia elétrica. Usou de um “macaco” como se diz aqui em Pernambuco ou de um “gato” lá pelo Sul. Parece brincadeira. Mas, será possível, que todo mundo é ladrão? É rir pra não chorar. Haja emoções, para cada dia ou cada curva do trem.
O cidadão brasileiro está refém desse desarranjo social e sem esperança imediata de como se safar. Tudo isto como fruto de governos irresponsáveis que não souberam estabelecer politicas governamentais voltadas para o bem-estar social deixando o povo sem digna assistência à saúde, sem educação, sem emprego, sem habitação, sem nada! O tráfico de drogas rola solto e se revela para muitos – crianças, jovens e adultos – como meios de vida fáceis e rentáveis. Abastecem os viciados das altas rodas, inclusive políticos de renome. Na mesma esteira prosperaram a prostituição, o crime organizado e a corrupção. Também pudera, ao invés de investimentos com vistas à elevação da qualidade de vida do cidadão comum, investiram-se milhões e bilhões de Reais em realizar dois megaeventos mundiais – Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas – coisas mais próprias para países ricos e sem pobreza que nem o Brasil. Quanta irresponsabilidade. Circo para um povo faminto, sustentado pelo Bolsa Família, que não foi aos jogos da Copa e nem às competições olímpicas. E nem lucraram com esses eventos. Assistiram tudo à distancia e não perceberam que os gastos astronômicos aplicados pelos governantes irresponsáveis foram em detrimento do seu bem-estar social. Agora, o que resta é chorar pelo leite derramado.
Tomara que a intervenção no Rio dê certo. Tenho dúvidas. Mas, é preciso para que dê exemplo. O Brasil precisa virar esta página e parar de vez o trem fantasma. Não às emoções pouco republicanas.       

Nota: Foto obtida no Google Imagens


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Defendendo nossa Cultura

“Quem é de fato um bom pernambucano/espera um ano/e se mete na brincadeira/ esquece tudo/quando cai no frevo/e no melhor de festa/chega a quarta-feira”. Isto é verdade, quando dito e cantado ao som de uma bela orquestra de frevo, pernambucana da gema.  É parte do frevo canção de Luís Bandeira, de saudosa memória. Lembro disto nesses dias que antecedem o carnaval, coisa que mexe com todo bom pernambucano. Já fui um grande folião. Quando os clarins soavam à distância anunciando a chegada de Rei Momo, muitos antes de Zé Pereira, eu já estava a postos para curtir a folia que reinava na minha cidade. Era bem dentro do espírito do “entra na cabeça/depois toma o corpo/ e acaba nos pés”, imortalizados versos de Capiba, no frevo canção “Voltei Recife”. Bons tempos, os dessas canções, que já não voltam mais.
Luis Bandeira e Capiba ladeando Claudionor Germano, o maior interprete das canções dos dois
Desde os anos 60 do século passado  e inicio deste século 21 os festejos carnavalescos do Recife têm passado por fortes transformações suscitando muitas controvérsias dos estudiosos das manifestações culturais locais. Nos anos 60, a tradicional forma de festejo popular, no Recife, foi aos poucos perdendo a forma espontânea e tradicional, com o re-surgimento do entrudo que se instalou – lançamento de água, gomas, talcos, graxas, tintas etc – provocando muita violência e anarquia. Tudo em substituição ao belo e tradicional corso, com batalhas de confete e serpentinas, lança perfume e águas de cheiro. Os foliões fugiram das ruas, os blocos históricos se afastaram daquele mela-mela e o chamado carnaval de rua perdeu em muito sua beleza. Foi aí que os bailes de clubes dominaram até que o entrudo veio a ser proibido. Por longo período rolaram quatro noites de estrondosos bailes em salões fechados.
Contudo, como cultura é coisa enraizada na mente popular, o carnaval de rua voltou com força, em tons civilizados e fiéis à alegria geral. Isto a partir dos anos 80. Foi em Olinda que a coisa ganhou mais espaço. Surgiram blocos carnavalescos bem estruturados e hoje estamos experimentando novos tempos, embora que, muita coisa, ainda, mereça retoques. Tenho sido muito critico, nesses últimos tempos.
Infelizmente, quando o carnaval de rua voltou com força, alguns erros imperdoáveis foram cometidos. O governo municipal petista, por exemplo, na sua conhecida estratégia de faturar “por fora”, resolveu promover um tal de Carnaval Multicultural introduzindo atrações alienígenas – sem qualquer vínculo com a cultura pernambucana – para “animar” os festejos. Cachês altíssimos eram pagos em detrimento dos valores locais, seguramente, muito mais adequados à cultura do nosso povo. Dos ditos cachês altíssimos rolava uma boa grana por “debaixo do pano”, conforme se soube depois. Foi desse modo que empurraram, no ingênuo público, uma salada indigesta de achés, pagodes, boleros, funks e  rock, em pleno carnaval da terra do frevo e do maracatu. Por conta disso criou-se uma geração que abomina o frevo, o maracatu e os cabocolinhos. Um desastre irreparável.
Acompanhando de perto os festejos deste ano – ficarei por aqui – já observo algumas iniciativas louváveis. A Prefeitura do Recife está empenhada em contratar somente valores artísticos locais, a exceção de Elba Ramalho (a paraibana mais pernambucana que se tem noticia). Corretíssimo! 

A "pernambucana" Elba Ramalho.
Nada melhor do que pernambucanos para animar o carnaval de Pernambuco. Será assim nas ruas e foi desse modo no Baile Municipal, realizado na semana passada. Estou aplaudindo e me sentido feliz com essa atitude. De alguma forma e criticando os erros cometidos, dei minha contribuição para essa restauração. Estou encantado com a belíssima iniciativa de promover no espaço do Aeroporto dos Guararapes uma recepção deslumbrante para os que desembarcam nesta semana de carnaval. Clique em:  https://www.facebook.com/girley.brazileiro/videos/1516893591742836/ . Com muito frevo, passistas, trapezistas, orquestra de frevo, sobrinhas coloridas e muita alegria. São provas concretas do compromisso com a cultura local de quem, atualmente, governa o município e o estado.       
Porém (sempre tem um porém!), como nem tudo foi corrigido, não posso deixar de criticar o que ocorre, ainda, em certos pontos, que insistem trazer artistas de fora para alegrar nossas festas. A propósito disto, registro a infeliz atitude, recente, da direção do Clube Internacional do Recife de transformar seu famoso Bal Masquê (a mais antiga e tradicional prévia de gala do Carnaval do Brasil!) num mero show de baixíssima categoria com “artistas” inexpressivos no nosso meio social.

Jojo Toddynho e seus airbags. Cantar que é bom, não sai nada que preste.
Pensar em animar um público, que foi atrás de carnaval, com coisas patéticas e grotescas – Jojo Toddynho, Preta Gil e um outro funkeiro – foi de mau gosto e infeliz. Mesmo tendo incluído outro nome de respeito na programação a coisa desandou. Soube que rolou a maior vaia. Acho é pouco. O motorista de um casal amigo foi com a namorada (secretária domestica do mesmo casal) e achou um despropósito as apresentações e as pornografias declamadas.
Mas, ainda é tempo de salvar nossa cultura. Vamos aguardar com paciência porque o desmonte foi arrasador e exige tempo para resgatar. Tem jeito. Vamos brincar defendendo nossa tradicional cultura.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.    

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O ano já Começou

Mesmo em tempo de recesso, o Blogueiro não deixa de observar as coisas que rolam no entorno, na sociedade, na economia, na política nacional e, claro, no meio do mundo. Dizem sempre que o ano, no Brasil, só começa depois do carnaval. E a moçada leva a sério, o que não deixa de ser um equívoco.  Este ano, porém, não foi bem assim. Já começou e começou pesado. O julgamento do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, num Tribunal de Segunda Instância, em Porto Alegre, mobilizou a Nação de canto a canto, num clima de expectativa sem precedentes. Tanto o julgamento quanto o resultado, com uma condenação acachapante do réu, teve o poder de tirar todo mundo do dolce farniente deste verão.  Ou seja, o ano já começou de verdade em 24 de janeiro, dado a turbulência política reinante levando a que a Nação se ligasse antes do habitual no “rame-rame” costumeiro dos últimos anos. Também, pudera com um caso inédito como foi... Tive muita vontade de interromper o recesso, mas, segurei até hoje.
Essas coisas da atual política brasileira não acontecem por acaso. Na verdade faz parte de um longo processo de aperfeiçoamento das relações políticas desse “continente” que é o Brasil e que remonta desde a instalação da República. Revoluções civis, governantes despreparados, golpes de Estado, ditaduras civil e militar, eleições democráticas, impedimentos de mandatos são as experiências que se acumulam. Na prática, fica claro que não se administra um país tão grande e tão cheio de disparidades socioeconômicas, sem conflitos e dores, avanços e retrocessos. No fundo, no fundo, é benéfico aprendizado. Um dia chegaremos ao equilíbrio. Pode ser logo ou muito depois. Mas, pode.
Conversando, recentemente, com um amigo do tipo que eu chamo de “lido e corrido” (cidadão com muitos quilômetros rodados mundo afora, critico literário, cientista político refinado, apartidário, democrata e republicano) chegamos à conclusão de que todo esse “cataclismo” político que estamos vivenciando terá que resultar – cedo ou tarde – num aperfeiçoamento sociopolítico sonhado. É preciso sofrer para aperfeiçoar... Mesmo que políticos indecentes e cretinos insistam atuar nas altas esferas da República um dia poderão ser neutralizados pelos comprometidos com o povo e a Nação. Temos que alimentar esperanças. Nessa hora, recordamos de uma afirmação atribuída a Ronald Reagan, quando presidente dos Estados Unidos: “A política é supostamente a segunda profissão mais antiga do mundo. Vim a perceber que tem uma semelhança muito grande com a primeira.” Pois bem, quando deixarem de ter essa semelhança o nosso mundo pode mudar. É difícil, sabemos, mas, esperemos que o eleitor sendo educado e cansado de ser explorado venham distingui-los.
O que mais dói, nisso tudo, é como essa situação de instabilidade político-econômica consegue abalar a sociedade e as organizações, haja vista para o que se vive no Brasil de agora. Mergulhado na maior crise da História, o brasileiro assiste perplexo a desarrumação econômica, que se rebate de forma violenta em todas as atividades sociais e econômicas. O estrago foi sem precedentes e justo num momento em que o resto do mundo se comporta em expansão (inflação baixa, juros tendentes a zero, crescimentos a vista entre outras variáveis) ao se recuperar da crise de 2008. O Brasil perdeu esse trem da História. Fomos ludibriados com aquelas história de marolinha... Empresas se derretem, empregos desaparecem, mercado perde a dinâmica e o caos se implanta. Estima-se que vamos levar uma década para alcançar o ultimo vagão do trem que passou. Tudo por conta de uma infeliz escolha de líderes forjados em teorias e sistemas de governo superados, apesar de amplamente testados e abandonados por outras economias mais inteligentes e competitivas. Esse mundo inteligente e experiente avançou e escolheu o inexorável caminho da democracia neoliberal, enquanto alguns países despreparados politicamente, como o Brasil, se postaram em pontos fora da curva virtuosa e hoje amarga o dissabor da derrota social e econômica. Aqui na América Latina foi um clamor!
Curioso ainda é como esse estrago geral abala, até mesmo, núcleos de muitas famílias brasileiras. Não raro, as paixões políticas tomaram o lugar de outras paixões. Do futebol, por exemplo. Essas questões político-partidárias vêm eclodindo da maneira estúpida e com mais furor e rancor, entre membros de um mesmo clã. Mesmo aqueles bem estruturados e educados para viver em harmonia. Sei de histórias dolorosas e até preocupantes. São fraturas desnecessárias que tendem ser levadas para o resto das vidas, por razões sujeitas à mudanças constantes e sem futuro seguro. Magalhães Pinto, velha “raposa” política de Minas Gerais, disse um dia que “a política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. E é mesmo! Já vi coisas inacreditáveis. Para essas pessoas apaixonadas, por essa ou aquela corrente política, o adequado é saber usar da inteligência, para não passar por ignorante e aprender a viver democraticamente, isto é, saber escutar e buscar espaço para defender suas teses, sem paixões ou agressões, em nome da paz e da concórdia. Quebrar  vínculos familiares é burrice extrema, até porque uma nação se constrói com base nas Famílias. As unidas e consolidadas é óbvio. 
Bom, prá terminar esta conversa de ano novo, não custa nada lembrar que viver em Democracia exige bom intelecto, bem como inteligência emocional. Isto anda faltando no Brasil e em muitos brasileiros que se acham bem formados. Conheço alguns e de muito perto.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Natal Cristão


Nada melhor nesta vida do que viver em PAZ e HARMONIA. Nesta época de Natal, como num passo de mágica, é exatamente isto que pregam os homens e as mulheres de boa vontade. Paz e Harmonia que, na verdade, deviam perdurar ao longo dos doze meses de cada ano e que infelizmente se dissipam com o passar dos dias.
Nesses dias do Advento, então, todo mundo se mobiliza para confraternizar e expressar o amor que alimenta e a harmonia que pretende construir, numa forma concreta. Interessante é que a mais  prática é exercitar o tradicional corre-corre às lojas e escolher um presente para alguém querido ou querida ou catar lembrancinhas para outros menos importantes, com tanto que se cumpra o ritual natalino. Tornou-se cultural expressar materialmente o amor e a harmonia, quando um abraço fraterno poderia ter um efeito igual ou maior. Outra preocupação são os cuidados exigidos pela montagem da Ceia Natalina. Peru, Tender, Panetone ou uma mesa de típicas regionais? Não importa. O que vale mesmo é o encontro da família e amigos. Roupas novas, sapatos lustrosos, presentes para crianças, adultos e idosos. Besteirinha para quem chega de repente e traz outra besteirinha. É interessante. Às vezes causam ansiedades. Em alguns países a troca de presentes, lembrancinhas ou besteirinhas se dá na Noite dos Reis Magos (6 de Janeiro) fazendo referencia aos presentes dos Reis do Oriente que levaram ao Jesus Menino ouro, mirra e incenso.  
Curioso é que essa euforia é quase sempre tão grande, ao ponto de fazer com que os convivas deixem passar despercebida a razão maior dessa esperada data: o Nascimento de Cristo Salvador. A bebida rola frouxa e os estômagos se empanturram sem que Ele seja lembrado. Bom seria que a imagem do aniversariante pontificasse em cada sala de festas. Bom seria louvá-lo e agradecê-lo pelo momento de união e pelas graças alcançadas no decorrer do tempo. Cantar, nem que seja, um simplório Parabéns Pra Você! Sim! O popular e mundialmente conhecido. Pode parecer tolo. Mas, cai bem no ambiente festivo. Garanto que todos cantariam.
Caro leitor, estimada leitora, nesta próxima noite de Natal, façamos um momento de oração, unamos nossos corações numa comunhão cristã e com o propósito de semear a PAZ e a HARMONIA que todos precisamos nos tempos por vir. Lembrando, inclusive, que a paz começa em cada um de nós. Católico ou Crente de qualquer outra rama cristã lembre-se Dele com Fé e Esperança. Mais do que nunca precisamos de momentos de reflexão, lembrando sempre que a vida é vivida de momentos. Valorizemos os momentos sublimes.
Outra sugestão, para antes da festa familiar, lembrar que enquanto muitos se fartam com ricas mesas, outros muitos, muitos mesmo, passam a noite sem que, ao menos, se lembre do seu significado e carecendo de algum alimento. Ser Cristão nessa época é ter piedade e espírito solidário levando uma contribuição para que proporcione a alguém um Natal ameno e sem Fome. Procure algum necessitado – sempre existe ao nosso redor – deseje um Feliz Natal, com um abraço ou simples aperto de mão. Ofereça algum alimento. Adoce as bocas dos filhinhos que tenham. Faça isto em nome de Jesus. Cada bolacha ofertada ou presente que for dado, simbolicamente, é dado a Ele na comemoração da sua data natalícia.
Finalizo percebendo que falei com o coração. Preferi não fazer o relato/balanço do Blog que anualmente faço e encerro desejando um Feliz Natal com familiares e amigos e que 2018 nos renda pautas mais amenas e com claros sinais de sucesso econômico e paz política no nosso Brasil.


NOTAS: O Blogueiro entra em recesso dando uma pausa nas emissões de posts até final de Janeiro. Salvo num caso muito especial.
A ilustração foi colhida no Google Imagens.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Olhando pelo retrovisor e buscando o porvir.

O ano está terminando e já vai tarde. Foi difícil pra caramba. Muita gente se perdeu no meio do caminho, inclusive aqueles que se julgavam imunes à crise e, até agora, buscam a saída. Ricos e poderosos foram parar no xilindró. Pobres, coitados, estão mais pobres por conta do abandono do Estado e muitos por conta do desemprego. O país entrou em seguidas convulsões. Pelo meu retrovisor ainda enxergo muito sujeito metido a dono do mundo sendo atropelado pela Lavajato e caindo nas garras da Policia Federal. E a Nação está mergulhada até o pescoço no mar da decepção e do descrédito.
Numa época em que olhamos pelo retrovisor e, ao mesmo tempo, buscamos caminhos para ingressar num novo ano com mais vigor e esperanças é impossível não se apartar dessas maluqueiras que assistimos e que não param de surpreender. Ainda existe muita coisa sem reposta plausível.
A esta altura de Dezembro, quando os sinos do Natal sugerem um tempo de paz e os augúrios para um Novo Ano são indispensáveis, fico matutando e imaginando a respeito deste 2018 que se aproxima. Como será que vamos transpô-lo? Não quero ser pessimista. Longe de mim. Mas, também, está fora do meu jeito de ser ficar dando uma de alienado.
Sendo assim, ando preocupado com o desenrolar de alguns eventos anunciados, como Copa do Mundo e Eleições gerais. Pense que caldo essas duas coisas vão produzir no novo ano. Haja emoções.
Na Copa, segundo dizem, os Cartolas da famigerada FIFA já se comprometeram de fazer o Brasil Campeão. Ou seja, corrupção explicita. Esses caras são descarados. Que graça vai haver numa coisa dessas? Mas, o brasileiro que está habituado à corrupções continuas vai achar normal e legal. Os políticos vão deitar e deslizar nessa maionese. E o pior, mesmo sabendo dessa tramóia, vou torcer pelos canalhinhos (o corretor de texto está insistindo que eu corrija e escreva canarinhos!) dando uma de tô-nem-aí. Afinal, pelo que dizem, foi sempre assim... Vendemos a Copa de 14 para os alemães e compramos a da Rússia por antecipação. Será que vai ser assim mesmo? Vamos esperar para conferir. 
Quanto às eleições gerais são outros quinhentos. Essa panela, que é de alta pressão, pode até explodir. Estou preocupado. Olhando, outra vez, pelo retrovisor me admiram essas pesquisas que vêm sendo divulgadas nas redes sociais dando vitória liquida e certa para o “Sapo (corruuuuuupto) barbudo” – que Deus nos livre – ou para o Boçalnaro – que Ele nos livre, também – são diagnósticos que arrepiam qualquer sujeito de são juízo. Onde vamos parar? Que dilema se essas duas figuras forem ao segundo turno! Prefiro não acordar desse pesadelo.

Pobre Brasil, triste Nação. Desconjuro, como diziam vovó! Aí, minha gente, na altura dos meus avançados tempos, só vislumbro duas alternativas: chorar ou rir. Chorar por não haver assistido – até agora – a consolidação do meu Brasil com Ordem e Progresso e rir por haver escapado das atrocidades que esses políticos indecentes me submeteram. Tem horas, que prefiro quebrar o retrovisor. Por exemplo, quando lembro do presidente Collorido, caçador de marajás, que com a viúva de Chico Anísio surrupiaram minha poupança (naquela ocasião eu havia aplicado o apurado na venda de um valioso imóvel!) deixando-me com uma mixaria na conta. Nem sei como não enfartei naquela hora.
Apesar disso tudo estamos firmes e fortes. O Brasil é muito maior do que esses salafrários e parece que Deus é mesmo brasileiro. Simbora prá frente! Que venham 2018!     

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

         

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...