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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Tudo tem uma razão de ser


A toda hora se ouve dizer que “o PT estaria encaminhando o Brasil para o mesmo destino que a Venezuela tomou” ou “que por pouco nos livramos dessa situação”. Além de outras formas do mesmo sentido. Contudo, o que poucos sabem é que esse modelo de governar, adotado por Lula e Dilma, Chávez e Maduro, Evo Morales, Rafael Correa e seu sucessor, Daniel Ortega, entre outros, rezam pela Cartilha ideológica gerada e fomentada pelo chamado Foro de São Paulo. A história desse tal foro é a base de tudo que vem ocorrendo nos países latino-americanos, nessa década recente. A razão de ser!
O negócio foi assim: em 1990, o PT, comandado por Luís Inácio Lula da Silva, aspirante ao cargo de Presidente do Brasil junto com seu mentor e modelador José Dirceu, promoveu na cidade de São Paulo um grande encontro com lideranças esquerdistas do continente – partidos políticos e organizações de esquerda – contando inclusive com a presença de Fidel Castro, ainda em pleno vigor. A proposta desse encontro teve como objetivo discutir alternativas políticas às então dominantes no continente e por eles chamadas de neoliberais. Ao mesmo tempo, discutir caminhos para a integração latino-americanos nos âmbitos político, econômico e cultural. Naturalmente que em moldes socialistas/populistas, após a queda do Muro de Berlim e da falência da União Soviética. Foi um sucesso, na visão deles, e base para novas rodadas de trabalho e encontros programados. No ano seguinte, ocorreu um segundo evento, nos mesmos moldes, na Cidade do México, ocasião em que passou a se denominar de Foro de São Paulo. Dali em diante, a coisa se repetiu ao longo dos anos seguintes, contando com outros muitos integrantes, inclusive com representantes do grupo terrorista colombiano das FARC. Os locais foram sempre estratégicos: Havana, Montevidéu, Caracas, Buenos Aires e La Paz.
XVIII reunião do Foro de São Paulo/
Na prática, o que hoje se constata é que esse Foro andou ensaiando um controle supranacional da política, agredindo frontalmente a soberania dos países envolvidos. Talvez reeditar na América Latina o fracassado modelo Soviético. Nesse sentido, inclusive, fundaram a chamada UNASUL – União das Nações Sul-americanas, com vistas a articular e administrar esse sonhado domínio esquerdista continental.
Ora, está claro que foi diante desses acordos de “cooperação” e organização desses signatários desse Foro, que os países da região passaram ser governados por socialistas populistas como Lula, aqui no Brasil. Um detalhe importante, até para que entendamos o que vivemos hoje no Brasil, é que nosso país desde logo passou a ser visto no grupo como sendo o mais rico e, por isso mesmo, capaz de prover os governos mais pobres de recursos – sobretudo financeiros – para o alcance desse espúrio programa. Ao pregar o socialismo, o que havia por trás de tudo era a intenção de tomar o poder e nele se sustentar para sempre, a exemplo da Cuba de Fidel Castro. Foi assim que ocorreu na Venezuela, nas mãos do Ditador Maduro,  está em vias finais na Bolívia e no Equador e noutros países das Américas. O processo de domínio populista socialista latino-americano é coisa bem visível por todos que acompanham a vida politica e sofrem do desmando que impera na região.
Bom, sendo o mais rico dos membros, o Brasil, na visão do Grupo, tinha que arcar com o ônus de CUSTEAR a implantação dessa espúria União. E assim aconteceu.
O suado dinheiro da Nação brasileira passou a ser canalizado das formas mais diversas e criminosas para financiar projetos populistas de quase todas as nações do Continente. De ricas campanhas politicas a investimentos em portos, metrôs, autoestradas, hidroelétricas e um sem número de outros equipamentos de capital fixo. Algumas coisas a titulo de empréstimos e outras a fundo perdido! Países mais corruptos como Venezuela e Bolívia cometeram roubos sem tamanho precisos e hoje estamos a “ver navios” graças à megalomania de Luís Inácio da Silva. A Venezuela deve somas incalculáveis ao Brasil. Só de uma vez passou um calote de mais R$ 5 Bilhões com a anuência e beneplácito de Dilma Roussef! A Bolívia desapropriou uma Refinaria da Petrobrás com a passividade e o sorriso nojento de Lula. Foi nosso dinheiro indo pelo ralo e a quebra da Petrobrás.
Ao mesmo tempo, numa atitude típica de populismo, o Governo Socialista do PT usou da indecente estratégia dos imperadores do Antigo Império Romano, proporcionando, às multidões inocentes e analfabetas, pão e circo ao defender o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 e a Olímpiada de 2016. No ambiente festivo que “comprou” para o Brasil, Lula se vangloriava de que esses eventos eram para o povo sul-americano. Afinal, nunca havia ocorrido uma Olimpíada na América do Sul! Isso rendeu muitos comícios do sujeito. O Brasil gastou o que tinha para investir em projetos sociais nesse programa indecente. Popularidade nas alturas, tanto quanto Nero e Hitler.
O propinoduto rolou sem limites neste submundo petista em detrimento do povo brasileiro.
Quantos financiamentos do BNDES para países da UNASUL. Desastre total. O Brasil não merecia viver essa atual conjuntura. Vive mergulhado na maior crise econômica da sua História. Não preciso dizer mais nada. O resto, que é ainda muita coisa, está aí às claras.
São muitos os críticos desse movimento, aqui no Brasil e no Exterior.  Segundo o Ex-Chaceler brasileiro Luís Felipe Lampreia “o que explica a confusão da América Latina é o Foro de São Paulo”.
Eis então, a razão de ser da atual tragédia politica brasileira.  


NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sexta-feira, 2 de março de 2018

Pobre Venezuela

Tenho acompanhado com certo interesse essa situação calamitosa de imigrantes venezuelanos, que fugindo dos horrores impostos pelo ditador Maduro, procuram melhores condições de vida no Brasil, via a fronteira com o estado de Roraima, no Norte do Brasil. Eles chegam, inclusive caminhando, em grandes grupos de idosos, jovens e crianças. Algumas mulheres grávidas e sem muita resistência dão à luz crianças prematuras, desnutridas e abaixo do peso normal, nos hospitais e maternidades brasileiras. Tudo isto num dos estados mais pobres e subdesenvolvidos do país. A pequena cidade de Paracaima, na fronteira dos dois países, é o primeiro ponto de chegada e administra dificuldades para alojá-los, alimentá-los, dar assistência médica e tudo mais que se faça necessário, numa missão humanitária de total solidariedade.
Estive na Venezuela por duas vezes. Na primeira, cumprindo uma missão governamental, com suporte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), dentro do Programa de Boa Vizinhança, na época do Governo Sarney. Isto foi na década de 80. Governava o país, o médico Jaime Lusinchi, segundo percebi, de baixa popularidade. Passei dois meses prestando consultoria à Fundação de Desenvolvimento do Centro-Ocidental da Venezuela (FUDECO), uma entidade localizada na cidade de Barquisimeto, capital do estado Lara. A referida fundação foi formatada nos moldes da SUDENE e meu trabalho foi o de avaliar as ações de planejamento regional local comparando-as com as  experiências da Agencia do Nordeste brasileiro e, por fim, sugerir propostas de aperfeiçoamento às ações daquela Entidade. Além de rica experiência pessoal foi também um bom momento de intercambio entre as duas entidades. Encontrei um país vibrante e com boas perspectivas, embora os desequilíbrios inter-regionais de renda e desenvolvimento. Nenhuma novidade para mim enquanto nordestino brasileiro e funcionário da agencia regional. Por isso mesmo estava por lá.
Minha segunda ida a Venezuela foi no ano 2000, já fora da SUDENE, integrando uma Comitiva empresarial, promovida pela Federação das Indústrias de Pernambuco - FIEPE e atendendo convite do novo presidente venezuelano, o polêmico Hugo Chávez, quando de uma visita oficial a Pernambuco.
Foram dois momentos totalmente distintos, tanto em aspectos políticos, quanto em termos de clima reinante no país como um todo. Algo bem parecido com o que vivenciamos aqui no Brasil, na recente era petista. 
Eis aí uma foto tomada com Hugo Chávez e a Comitiva de empresários pernambucanos no Palácio Miraflores.
Os discursos discordantes que ouvimos de Hugo Chávez, no Palácio de Miraflores, e o de Pedro Carmona Estanga, Presidente da Fedecâmaras (correspondente à Confederação Nacional das Indústrias do Brasil - CNI), deram o tom do clima de intranquilidade reinante no país vizinho. A foto acima, registra a Comitiva pernambucana, num encontro com Hugo Chávez. Entre outros estão: Armando Monteiro Neto (chefe da Missão), Jorge Corte Real, Sandoval Silveira, Mario Conte, Severino Paixão, Paulo Gustavo Cunha. Eu sou o primeiro da esquerda para direita. Hugo Chávez aparece no centro da foto. 
A sensação que tivemos ao encerar nossa missão empresarial foi de que, a qualquer momento, explodiria uma revolta civil. De fato, em 12 de abril de 2002, o próprio Carmona liderou um golpe de estado e assumiu por 24 horas a Presidência da República, sendo escorraçado da cadeira presidencial no dia seguinte, numa rápida ação contragolpe, e o cargo foi devolvido ao Chávez. Daquela missão empresarial o mais significativo que recordo foi o anuncio de Chávez de investir na construção de uma refinaria de petróleo, numa parceria entre a Petrobrás e a estatal venezuelana de Petróleo, PDVSA, em Pernambuco. Valeu aquele discurso do mandatário venezuelano e a refinaria saiu do papel, no governo Lula. Contudo, sem um centavo sequer da petroleira venezuelana. Os problemas de corrupção que abalaram a conclusão da RNEST (Abreu e Lima) podem render outros posts. Depois...
A situação caótica que se verifica hoje na Venezuela, mergulhada numa tremenda crise político-econômica é exatamente, ou mesmo pior, comparada com o quadro que imaginei ao deixar Caracas, nessa minha última passagem por lá. Pior, certamente. De membro da OPEP e com uma folgada e promissora vida econômica, prestigiada no meio do mundo, foi transformada numa república populista de baixíssimo nível, impondo à sua sociedade sacrifícios nunca dantes imaginado. Claro que havia desníveis sociais a serem corrigidos, assim como há em todos os países latino-americanos. Contudo, o modelo de governo populista revelou-se logo cedo como sendo precipitado e inadequado à estrutura político-social original. De social-democracia prometida, não teve nada. Quando o projeto bolivariano de Chávez/Maduro se estruturou e foi posto em prática, nos anos recentes, foram os mais pobres que mais sofreram. São esses pobres coitados que estão pedindo esmolas nas ruas de Roraima e outros milhares que fugiram pela fronteira com a Colômbia. Cada venezuelano amarga, hoje, os malefícios desse governo desastrado. Os pobres cada vez mais pobres e os ricos refugiados nos seus abrigos seguros fora do país. Hoje, mesmo, vi uma noticia na imprensa do Recife que até os animais dos zoológicos estão morrendo de fome. Alguns sacrificam patos, gansos, porcos e similares para alimentar as feras. Que desastre.
Recebo, sempre, notícias desanimadoras de amigos que mantenho por lá. Lamentável. Trata-se de um país rico em recursos minerais e diversidade natural e cultural. Vai custar muito a recuperação que inexoravelmente terá de vir um dia. Não há crise que perdure indefinidamente. Pobre (rica) Venezuela! 

NOTAS: Foto do arquivo pessoal do Blogueiro. 
Este Blogueiro compôs a Comitiva Empresarial da FIEPE como um dos representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Chorando por Ti

Dois assuntos rondam na minha cabeça para formular este post semanal: Brasil de Temer e Venezuela de Maduro. Duas coisas complexas de analisar e motivo de perturbação na America Latina. Contudo, tento   por parte. 
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.  
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
Temer e sua dor de cabeça
Agora, vamos ao caso da Venezuela: não percebo sinais de paz e dignidade para aqueles irmãos mais ao norte. Esse tal de Maduro vai jogar um país rico e de futuro garantidamente próspero no mais profundo precipício socioeconômico. Uma futura recuperação – que inexoravelmente virá –  irá exigir sacrifícios a, pelo menos, três gerações. Nicolás (i)Maturo pratica, também, uma velha e carcomida política antiga e comprovadamente ultrapassada. Esse comunismo à La Cubana é um modelo falido e sem qualquer futuro. Os cubanos mesmo já sabem disto.
Estive por duas vezes na Venezuela: A primeira foi como consultor (cedido pela SUDENE), por dois meses em Barquisimeto (estado de Lara), dando contribuições técnicas à Fundación del Desarollo Económico Del Centrooccidente de Venezuela – FUDECO, em 1986, para implantação de um sistema de indicadores sociais à luz da experiência aqui no Nordeste do Brasil.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Foram duas oportunidades e dois quadros políticos distintos. No primeiro percebi um desgaste muito grande do Governo Central, à época, praticando um modelo político impopular, com governadores estaduais biônicos e uma economia centrada na exploração e venda do petróleo. A indústria enfraquecida e quase todos os bens de consumo duráveis ou não, assim como os serviços, sendo importados.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos.  Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie. 
Criador e criatura
Acometido de um câncer, em 2013, antes de completar 60 anos, Chávez ainda conseguiu deixar como sucessor o Senhor Nicolás Maduro, ferrenho chavista. Nada maduro no oficio de gestor político e que neste momento tenta dar o golpe fatal para se firmar  como Ditador, em pleno século 21 e num país de imensas potencialidades. Pobre Venezuela. Llorando por ti, también, Venezuela.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens  

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...