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terça-feira, 27 de maio de 2025
Um olhar sobre o Meio-Ambiente
Ao longo da minha recente viagem à Europa, tive oportunidade de conferir, por onde passei, alguns detalhes comportamentais do europeu em geral, quanto às preocupações com a preservação do meio-ambiente. Não sou especialista nessa área, mas, como cidadão responsável, sinto-me comprometido com qualquer movimento que venha contribuir para a melhoria e preservação do planeta. Aliás, minha curiosidade tomou corpo a partir do momento em que observei a expressiva quantidade de veículos, inclusive coletivos, movidos à eletricidade. Nessa crescente curiosidade, e a caminho de Paris, lembrei-me e tive o cuidado de refrescar a memória revendo as razões e os propósitos do famoso Acordo de Paris, celebrado em 2015, durante a 21ª Conferência sobre a Mudança do Clima (COP 21). Anotei que a ideia e os propósitos visam enfrentar os impactos das mudanças climáticas, como o aquecimento global e recentes eventos extremos, promovendo um esforço das nações signatárias de adotarem medidas que contribuam para limitar o aumento da temperatura media global a menos de 2ºC (Meta de 1,5ºC), zerar as emissões de carbono na segunda metade do século, gerar programas nacionais de adaptação dos países vulneráveis e mobilizar financiamentos climáticos a partir de países mais ricos. Muito bem... Desprovido de métodos científicos, não pude e nem era possível na ocasião conferir providencias adotadas do referido Acordo, nas minhas andanças turísticas. Lembrei, de pronto, das oposições de Donald Trump e alguns outros parceiros. Contudo, vários aspectos saltavam aos olhos e fui anotando. Antes, porém, vi que a Europa talvez nunca antes haja recebido tantos turistas e isso implica no crescente aumento da produção de dejetos e queima de gás carbônico. Tenho pra mim que a Pandemia reteve as populações em rigoroso regime de reclusão e, ao recobrarem o poder de circulação, decidiram por correr o mundo. A Europa, por seus atrativos, vem tendo que suportar levas extraordinárias de visitantes que, na prática, impõem desafios de ordens das mais diversas, muitos dos quais de ordem ambiental, difíceis de serem cumpridos. Surpreendeu-me, por exemplo, deparar-me, no centro de Madrid, com uma montanha de lixo, em pleno meio-dia de primavera, aguardando a coleta sem que houvesse seletividade e jogada, naquele ponto, pelas casas de negócios da Praça Puerta Del Sol. (Vide foto abaixo). Conversando com o taxista que me conduziu de volta ao Hotel fui informado das dificuldades locais para coleta a tempo, assim como para o processamento. Não quero dizer que a cidade estivesse suja e mal tratada. Pelo contrário, no geral, havia limpeza e a beleza comum da capital espanhola.
Outro detalhe que me chamou atenção foi o quanto, aos poucos, o plástico vem sendo sumariamente abolido da produção de utensílios domésticos e utilitários corriqueiros tão comuns noutros lados. No Brasil, por exemplo. Percebi que nos supermercados europeus quase não existem sacolas plásticas, estas substituídas pelas de papel Kraft, que são cobradas no ato de check-out. É tanto que já se tornou comum fregueses que levam suas sacolas duráveis ou carinhos domésticos para transportar suas compras. Cheguei a sentir acanhamento ao pedir uma sacola para conduzir pequenas compras que realizei. Recebi, mediante alguns centavos de Euros. Ou seja, além de servir de hábito educativo para preservação do meio ambiente, pesa no bolso. Nas prateleiras dos supermercados, por sua vez, o plástico tende, também, a desaparecer. Copinhos de agua e café, garfinhos e faquinhas, pratinhos descartáveis são rigorosamente de cartolina folhados de madeira. Descartáveis biodegradáveis, portanto. Vide fotos.
O curioso é que ainda é possível encontrar descartáveis jogados em pontos das grandes cidades que, segundo aquele mesmo taxista (cidadão diferenciado) são devidos a turistas que invadem as cidades, oriundos de países pouco preparados e sem programas educativos quanto à preservação do meio-ambiente. É inegável que há sinais de conscientização da sociedade, embora haja forças mais fortes contrárias e que se opõem aos esforços defendidos pelo Acordo de Paris. É inadmissível e mesmo indecente o posicionamento do atual presidente dos Estados Unidos. Justo num dos países que mais poluem a atmosfera e contribuem para o aquecimento global. Sinto algum desânimo quanto essa melhoria sonhada. No Brasil, por exemplo, será preciso um esforço politico-social para enfrentarmos tanta poluição. Admirando o Lago Leman (Genebra) fiquei deslumbrado com a limpidez. Translucido. Peixes a vista! Tristemente, lembrei-me do nosso rio Capibaribe (Recife) poluído e fétido. Apenas um exemplo, entre muitos outros, mundo afora. Esperemos a COP-30 programada para se realizar em Belém do Pará, de olho na Amazônia, que não para de arder em chamas. Quem sabe haja um novo pacto e que, ao menos, sensibilize o Brasil. NOTA: Imagens ilustartivas da autoria do Blogueiro.
sexta-feira, 2 de maio de 2025
Europa Maravilhosa
Acabo de retornar de mais uma viagem à Europa. É sempre prazeroso visitar o Velho Continente. Um prazer que se renova a cada vez e como sempre ocorreu nas várias oportunidades que a experimentei. Como simples turista, em missões oficiais e assessorando comitivas empresariais, terminei multiplicando essas minhas idas para aqueles lados. Por sorte, conheço toda a Europa Ocidental e parte do Leste. Não posso esquecer que foi em 1969, recém-formado, que desembarquei pela primeira vez por lá, entrando por Portugal. Foi uma viagem de turismo, por iniciativa própria. Entrei numa excursão denominada de Europa Maravilhosa, operacionalizada por uma grande agencia turística portuguesa, que levava um grupo grande de brasileiros, num tour terrestre, a bordo de um ônibus, durante 35 dias. Uma jornada nada comum atualmente. Era uma época em que fazer uma coisa dessas era um verdadeiro luxo. Recordo, inclusive, que entrar num avião ainda se constituía num programa para muito poucos. Poucos, aliás, se aventuravam em visitar a Europa. Nada do que hoje virou coisa comum. Era um destino reservado somente para pessoas muito ricas, por vezes com filhos estudando na Suíça ou na Inglaterra e, finalmente, um programa seleto. Nada disso, porém, me intimidou, formei um grupo mais intimo de amigos, juntei minhas economias, fiz uma mala e me mandei. Como prometiam os agentes de viagem foi mesmo uma Europa Maravilhosa. Perdi as contas de países, cidades importantes e regiões deslumbrantes por onde passamos. Eu diria que não faltou nada de importante para percorrer. Londres, Paris, Roma e Madrid foram esquadrinhadas pelo nosso grupo. Todos muito jovens, razão pela qual estávamos sempre dispostos e ávidos por descobrir o mundo que se abria.
Mas, de lá para cá, tenho dificuldade para precisar o número de vezes que desembarquei no Velho Mundo. Uma coisa, contudo, que posso afirmar é que, nesses 53 anos, a Europa vem mudando muito. Ditaduras perversas, como as de Franco (Espanha) e Salazar (Portugal) caíram, reinados se modernizaram, democracias floresceram, papados se sucederam, países se agruparam numa União de Estados, com vistas à proteção conjunta e ao progresso. É uma Europa diferente, sem dúvidas, embora resiliente nos seus costumes e tradições, o que é formidável. Na prática, o progresso transformou aquele mundo, antes muito austero, sombrio e de nacionalismos radicais, num espaço geopolítico melhor estruturado e mais moderno. Não. Não me esqueci das renitentes disputas do Leste e, particularmente, da Guerra da Ucrânia. Mas, é tema para outra hora.
Apesar do progresso e das mudanças registradas, obviamente, nem tudo são flores e, como qualquer outro lugar deste mundo e o Estado Europeu moderno carrega uma série de problemas sérios a resolver. Nesse domínio, por exemplo, um grande destaque é para a questão das correntes migratórias formadas por levas de africanos e mulçumanos. Acredito que a proximidade das regiões em conflitos, as dificuldades de sobrevivências nas origens, o desejo coletivo de viver, e viver dignamente, leva a que esse problema ocorra com severa gravidade em inúmeras regiões do Continente. As variáveis emprego, segurança, alimentação, habitação, educação, saúde, meio-ambiente, entre outros, são itens que formam a lista de preocupações dos lideres locais e regionais. Na minha visão atual e mediante o que pude observar, nos vinte dias que circulei, no findo mês de abril, por Lisboa, Madrid, Roma e Paris, nada pode ser mais complexo e problemático do que administrar essas correntes de imigrantes que não param de desembarcar nas costas no Continente, via os mais diversos meios de transporte, inclusive os barcos rústicos e improvisados que atravessam o Mediterrâneo sem cessar. Essa gente chega, sem noção exata do destino que desejam, perambulam pelas grandes cidades, muitos vivem ao relento, pedem esmola, roubam, assustam nativos e visitantes e, quando muito e após muito penar, arranjam um subemprego para suprir suas necessidades básicas. Vide fotos a seguir. A da tenda foi em pleno Vaticano. O individuo ao relento foi em Paris, proximo a Notre Dame e a pedinte ajoelhada em plena Av. dos Champs Elisées (Paris).
Ora, meu Deus, esses imigrantes não buscam ver a tal Europa Maravilhosa que eu busquei no passado e sim a forma de sobreviver, visto que nas suas origens a paz sumiu, a fome impera, as lutas tribais e étnicas se multiplicam expulsando-os sem destino certo. Muitos desembarcam sem saber aonde chegaram. Homens, mulheres e crianças. Doloroso.
Seja como for, e apesar dos senões acima considerados, a Europa será sempre Maravilhosa para mim. Dessa vez, então, tive o prazer dobrado ao contar com a companhia da maior parte do meu núcleo familiar, incluindo um netinho de cinco anos de idade. É da Europa Maravilhosa que pretendo falar nas próximas postagens e conto com sua visita ao Blog.
NOTA: as ilustrções fotograficas são da autoria do Blogueiro.
quarta-feira, 31 de julho de 2024
TRÊS EM UM
A semana passada foi indiscutivelmente movimentada e, como sempre, ditando a pauta do Blog.
CARACAS - A primeira pauta despontou com a tensa expectativa das eleições na Venezuela, no domingo (28/7). O pleito resultou no que meio mundo considera um desastre politico sul-americano, com flagrantes distúrbios sociais no país vizinho em contestação ao resultado proclamado pelo órgão eleitoral superior do país, preso às mãos do Ditador renitente. O povo venezuelano e as pessoas de bom-senso politico mundo afora estão certos de que ocorreu a maior fraude de todos os tempos. Nicolás Maduro tentando, à base de processo fraudulento, permanecer no Poder vive momentos de pressão debaixo de protestos populares nos quatro cantos do País. Lamentável. Conheço a Venezuela, relativamente bem, onde prestei consultoria técnica através de Acordo de Cooperação Internacional entre OEA e Itamaraty, nos anos 80, época em que Hugo Chávez estava trancafiado depois de liderar uma tentativa de golpe de Estado. Livre se elegeu presidente em 1999, investiu pesado em relações comerciais no Brasil e recebeu Comitiva Empresarial de Pernambuco, da qual participei. Pude então avaliar o antes e o depois, com facilidade, e não foi difícil antever o caos que hoje reina praquelas bandas. Não vou tecer considerações a respeito dessa atual situação visto que a imprensa mundial se encarrega de modo taxativo. Resta-nos, tão somente, desejar boa sorte aos irmãos venezolanos na luta pela democratização! Mas, o doloroso memso é ver que o PT de Lula ja recinheceu a vitória do Ditador, antecipando o que o Presidente da Republica ditará em breve. Certamente. Vergonhoso. A palavra foi da Gleisi Hofmman (Foto a seguir) mas quem manda no Partido todo mundo sabe quem é.
PARIS - O outro assunto dominante desses últimos dias prendeu-se às Olimpíadas de Paris-2024. Os franceses quiseram inovar e transformaram a abertura dos jogos num megaespectáculo out-door. Paris foi “loteada” em diversos polos que serviram de palcos para funções das mais inusitadas quando comparadas a aberturas antecedentes. O que vimos foram imagens bem distintas das costumeiras solenidades até então conhecidas. O rio Sena ganhou destaque ao servir de via fluvial para ver desfilar as delegações representantes dos países participantes e, complementando, seja por via fluvial ou em pontos estratégicos do percurso estabelecido, esquetes teatrais rememorando cenas da História e da vida quotidiana da França. Sinceramente, pouco convincente dado o caráter debochado que predominou em cada cena apresentada. Dois momentos, porém, no Gran finale do espetáculo merecem destaque: o primeiro foi à interpretação do Hino Nacional francês (Marselhesa) a cargo da cantora lírica Axelle Saint-Cirel, postada no teto do Grand Palais e que cumpriu um belo e respeitoso papel e o segundo momento foi a surpreendente reaparição mundial de Celine Dion interpretando Hino ao Amor, de Edith Piaf, no alto da Torre Eiffel. Foto a seguir.
O mundo aclamou e vibrou ao ver a Diva canadense se apresentar firme e forte após longo período de convalescência devido a uma grave enfermidade degenerativa. O “porém” disso tudo veio no day after, quando o mundo, analisando melhor as tais debochadas encenações, concluiu quanto destoante e inteiramente desnecessários foram as teatralizações exibidas sob a justificativa de promover a inclusão social de classes tidas marginalizadas, no caso especifico a LGBT. Em se tratando de algo tão aceito pelo mundo atual não havia um porquê lógico de encenar, por exemplo, uma Santa Ceia (lembrando o famoso quadro de Leonardo da Vinci, 1495), protagonizada por figuras drague-queens e “convidar” a figura de Baco, desempenhada por uma figura, honestamente, asquerosa. Como católico praticante, não posso aprovar tanta violência social e cristã. Francamente. Duvido que ousassem em burlar de outras crenças tão comuns na própria França.
BEZERROS - Meu terceiro destaque de pauta, deste Três em Um, vai para registrar nossa tristeza pelo falecimento de um ícone da arte popular pernambucana que foi o talentoso artista J. Borges (Foto acima), considerado como o mais respeitado xilogravador brasileiro e de renome internacional. Afora o fato no qual se tornou famoso, ainda se destacou como cordelista e poeta, partindo placidamente para a eternidade ao alvorecer da sexta-feira, 26/7, deixando um vazio difícil de ser preenchido. Pela sua formidável obra, a arte de xilogravador ganhou destaque entre as artes populares nacionais. Seus trabalhos se espalharam por inúmeros pontos do mundo e ele próprio os levou a diversos países, entre os quais Estados Unidos, Suíça, Venezuela, França, Alemanha, México e Argentina. Personagens mundiais, como o Papa Francisco, têm exemplares especiais do artista. Vide Foto a seguir.
Mas, certamente, a popularidade da sua obra é o melhor sinal da sua consagração como artista. Hoje mesmo dei de cara com uma sacola de compras num varejista recifense, cuja ilustração é uma xilogravura de Borges. Foto a seguir.
Bem recentemente tive o prazer de visitar seu memorial, em Bezerros (PE), onde o encontrei animado, cheio de vida e assinando exemplares da sua produção. Pilotando uma cadeira de rodas circulava entre os visitantes e posando entusiasmado para fotos. Deus o receba na eternidade! Nosso meio artístico cultural fica mais pobre, mas a escola de J. Borges segue preservando sua arte e sua trajetória vitoriosa. NOTA: FOTOS obtidas no Google Imagens.
domingo, 12 de julho de 2020
Patrimônio Histórico
![]() |
| Rua do Bom Jesus, uma das mais bonitas do Mundo |
A propósito
do tema, confesso que sinto pontadas de revolta quando vejo iniciativas de
demolição, reformas e “modernização” de prédios seculares pelo Brasil afora.
Raros são casos de restauração que é sempre desejado. E é bem mais comum do que se
pensa. Aqui em Pernambuco acontece frequentemente. Ali mesmo, próximo a rua do
Bom Jesus, no Marco Zero da cidade, existe um prédio, pertencente a um grande
Grupo Empresarial, que foi “modernizado” e descaracterizado de modo estúpido
quebrando a harmonia neoclássica da grande Praça. Era de beleza pouco comum e
se transformou num monstrengo envidraçado que choca o cenário histórico. Aliás,
a própria Praça do Marco Zero foi “modernizada” na passagem do século passado
que, a meu ver, foi outro erro imperdoável. No mesmo bairro, outro prédio foi
“enjaulado” numa barreira de cobogós na
cor brick no intuito de esconder as linhas arquitetônicas originais. Seus
proprietários quiseram dar o toque de modernidade. Resultou noutro monstrengo. Esse
porém foi corrigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Estado, que numa sábia
decisão determinou a retirada dos cobogós e o prédio ressurgiu com sua antiga
beleza. Lamentavelmente, no interior do Brasil loucas ideias surgem, também,
com frequência. Casas e sobrados seculares são muitas vezes “remodeladas” e ressurgem com fachadas horrendas, quase sempre em azulejos ou peças de cerâmica de
gostos duvidosos, em substituição aos traçados originais sempre mais
elaborados. Os proprietários ignaros se enchem de orgulho com esses feitos, quase sempre à revelia dos administradores públicos e profissionais competentes.
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| Prédio modernizado, a esquerda da foto, destoando do cenário do Marco Zero do Recife. |
Curioso é
que, infelizmente, não se trata de um desvio de visão histórica reservada aos
brasileiros. É uma coisa que se reproduz no mundo inteiro. Mesmo na Europa,
onde há um especial cuidado com o patrimônio histórico, registram-se casos
dessa infeliz natureza. Um exemplo
recentíssimo de desprezo à preservação do patrimônio histórico foi o que tomei
conhecimento lendo matéria assinada por Jon Henley, correspondente do Jornal The Guardian
(Londres) na edição de Sexta-Feira passada (10.07.20). Refiro-me a uma discussão acirrada que tomou conta das autoridades e sociedade francesas quanto à restauração da torre
e do teto da Catedral de Notre Dame, consumida por um brutal incêndio, no dia
15 de Abril do ano passado. Imaginem que o próprio Presidente francês, Emmanuel
Macrón, teve a infeliz coragem de sugerir uma mudança radical no formato da torre
e do teto do templo. Com traços modernosos!
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| Esboço da infeliz ideia de Macrón para a Notre Dame. |
A ideia era construir uma torre, em vidro, incluindo um jardim suspenso. E acrescentou:
“vamos reconstruir a Notre Dame mais bela que antes”. Ora, meu Deus, trata-se
de uma construção icônica, símbolo de Paris, construída no Século 12! Interpretei
como sendo um surto de vaidade e ignorância. Penso que desejou entrar na
História como um modernizador. Com todo respeito, como
qualificar tamanha burrice?
Obviamente que gerou um duro debate envolvendo
historiadores, arquitetos e especialistas, à frente Philippe Villeneuve, chefe
da Comissão de Arquitetura e Patrimônio Nacional Francês. Caíram em cima do
vaidoso presidente e derrubaram a monstruosa ideia. Para alivio dos que
preservam o patrimônio histórico, o traçado original será mantido. Bom saber que existe verba
– pública e de doações – para tocar o projeto que deve ser entregue em 2024,
quando dos Jogos Olímpicos de Paris. Encerro lembrando que quem não
preserva sua História vive sem identidade..
| Outra imagem do sonho de Macrón |
Notas: As fotos do Recife foram obtidas no Google Imagens e as fotos da Notre Dame de Paris são reproduções das que ilustraram a reportagem do The Guardian (Edição Eletrônica) de 10/07/2020.
sábado, 21 de novembro de 2015
Para onde Vamos?
Como se não
bastasse toda essa parafernália político-econômica brasileira eis que somos
surpreendidos com catástrofes nos âmbitos domésticos e externos. Não tem sido
tranquilo acompanhar o noticiário dos meios de comunicação. E, se o meio for a
TV a sensação é mais cruel, pelas imagens reproduzidas, que só transmite
insegurança e medo. Muito medo.
É sabido que
acidentes acontecem. Mas muitos podem ser evitados, quando não existem a ganância
e irresponsabilidade dos gestores privados e públicos. É o caso dessa tragédia de
Mariana, em Minas Gerais. Ninguém de são juízo e responsável admite que essa Samarco
(braço da megaempresa Vale do Rio Doce) não tivesse condições técnicas de prevê
um desastre de tal monta. Com receitas astronômicas, tinha que ter equipes
competentes e vigilantes. Para isso é que existem engenheiros especialistas em
monitoramento desse tipo de barragens de rejeitos minerais e, inclusive, de profissionais
experientes em SMS – Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Embora pouco valorizados
estes últimos com competência e determinação podem evitar tamanha
irresponsabilidade. É inadmissível que essa Samarco tenha deixado passar de
investir nessas importantes frentes.
Bento
Rodrigues, um pequeno distrito do Município de Mariana, foi riscada do mapa. Acabou-se,
simplesmente. Com ele desaparece uma pagina da historia de Minas Gerais e do
Brasil, afinal um lugar com 317 anos de existência, estava sobre a rota da
Estrada Real, do século XVII. Igrejas e monumentos seculares de importância
cultural sumiram na avalanche de lama que desceu após os rompimentos dos reservatórios
de Fundão e Santarém. O mais grave, contudo, foram as perdas humanas. Dá
revolta saber que os 600 habitantes do vilarejo mineiro tiveram familiares
arrastados e tragicamente mortos, além de perdas totais dos seus bens materiais.
Casas, veículos, móveis e preciosos registros das respectivas histórias
familiares estão hoje misturados ao mar de lama que matou o mais importante rio
da região, o rio Doce, que desce até o estado do Espírito Santo devastando e
acabando com a vida de imensa região, importantes cidades, antes em pleno
apogeu econômico. Como recomeçar a vida que, afinal de contas, continua? Ninguém,
a distancia ou próximo, pode fazer ideia exata do que passa pela cabeça de cada
vitima. A (ir)responsável pela devastação – considerada como uma das mais graves
no mundo – promete ressarcir os prejudicados e
recuperar o meio ambiente. Foi condenada por aportar uma merreca de R$
1,0 Bilhão, como se isto fosse suficiente para devolver vida digna aos sobreviventes
e ao meio ambiente. Pra onde vamos? Que país é este?
A mesma
questão pode ser colocada no âmbito internacional. Pra onde ruma nosso mundo?
Enquanto um
pedaço do Brasil vem sendo devastado, estamos assistindo com perplexidade os
últimos atentados terroristas na África e em Paris que expõem de modo cruel uma
civilização deteriorada, tal qual um tecido esgarçado e prestes a se romper.
Não faz muito tempo que, noutro post, considerei que a Europa está pagando um
preço muito alto por todas as explorações e atrocidades que cometeram no
passado. Como colonizadores exploraram, até não mais poder, e esqueceram-se de
construir sociedades dignas e bem estruturadas, nas antigas colônias. Sem respeitar
os valores culturais, incluindo os religiosos, e, ao contrario disso, tentando destruí-los,
terminaram fomentando a formação de um mundo de ódio e vingança que agora se
manifesta de modo surpreendente e assustador. A paz tão desejada entre as
nações virou uma utopia.
Os
acontecimentos de Paris, na Sexta Feira 13, de novembro passado, repercute até
agora e dificilmente será esquecido, tal como sendo um ataque de guerra. Os
franceses estão sobressaltados e o mundo perde a confiança. Depois disso, quem
diria que um hotel no pouco conhecido Mali, um pequeno país perdido no meio do
continente africano seria alvo de outro atentado?
Infelizmente,
o ir e vir, do mundo moderno, deixa de ser um ato corriqueiro e tornam os
viajantes e turistas comuns reféns de uma horda de fanáticos sanguinários e sem
noção de humanismo.
Triste mundo
que construímos para nossos descendentes. Para onde vamos, afinal?
NOTA: Este post dispensa fotos ilustrativas. As veiculadas pela mídia já são suficientes.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Ano Novo, Vida Velha.
É sempre assim: ano vai e ano novo vem, mas, as coisas
não mudam. O auê do réveillon passa e
quando janeiro amanhece tudo se repete e volta à rotina. Aqui no Brasil, nem o
governo, que já era tempo de mudar, mudou. Entramos em 2015, como se em 2014
estivéssemos.
Por falar em Governo, ando cada vez mais preocupado com o futuro do país. Está na cara que a situação econômica não é nada animadora, neste inicio de ano com a continuação do “velho” e superado governo. Nem mesmo a tão incensada nova equipe econômica e seus primeiros sinais de medidas supostamente saneadores foram suficientes para mitigar a situação. Antes, pelo contrário... Também, pudera, os indicadores trazidos de 2014 revelam uma situação preocupante: inflação em alta, Real desvalorizando, projeção de PIB insignificante e desemprego em alta dão o tom do descompasso. Pensando bem, o Brasil apresenta, hoje, índices dos mais pífios e, que na prática, representa um retrocesso a negros períodos do passado. Tudo por conta de uma política econômica equivocada e um quadro político conturbado devido à sucessão de escândalos de corrupção no setor público. Há um descrédito geral no seio da população.
Por falar em contribuinte, veja só! D. Dilma vetou esta semana a correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda, sob a alegação que isso resultaria numa renúncia fiscal de R$ 7,0 Bilhões, necessários para redução do déficit público. Olhe aí, o cidadão pagando pelos erros do Governo. Para completar o Ministro Levy, da Fazenda, deu-nos de presente o já denominado “pacote de maldades” aumentando PIS/Cofins (de 9,25 para 11,75%) para produtos importados; impôs IPI para fabricantes e distribuidores de cosméticos; voltou a cobrar a CIDE que será de R$0,22 sobre cada litro de gasolina vendido e R$0,15 no litro do diesel e, por fim, aumentou o IOF de 1,5% para 3,0%. Faça você mesmo uma ideia do que isso poderá significar para seu bolso. E, para completar a semana de pesadelos, o COPOM aumentou a taxa de juros em 0,5% (agora é de 12,5%). E pensar que Ela garantiu em campanha exatamente o contrário, é de lascar! Até quando vamos viver nesse desmantelo?
Por outro lado, no plano internacional o Brasil mais uma vez fez feio. A PresidentaA pediu clemência para um traficante brasileiro condenado à morte na Indonésia. Vamos que sejamos humanos em ser contra a pena de morte, mas, querer intervir na ordem legal de outro país é demais e, pior, a favor de um criminoso. Que vergonha. Pior, também, é que terminou dando “estimulo” aos traficantes que atuam criminosamente no Brasil, livres de penas capitais. Tenha dó!

NOTA: As ilustrações foram obtidas no Google Imagens.
Por falar em Governo, ando cada vez mais preocupado com o futuro do país. Está na cara que a situação econômica não é nada animadora, neste inicio de ano com a continuação do “velho” e superado governo. Nem mesmo a tão incensada nova equipe econômica e seus primeiros sinais de medidas supostamente saneadores foram suficientes para mitigar a situação. Antes, pelo contrário... Também, pudera, os indicadores trazidos de 2014 revelam uma situação preocupante: inflação em alta, Real desvalorizando, projeção de PIB insignificante e desemprego em alta dão o tom do descompasso. Pensando bem, o Brasil apresenta, hoje, índices dos mais pífios e, que na prática, representa um retrocesso a negros períodos do passado. Tudo por conta de uma política econômica equivocada e um quadro político conturbado devido à sucessão de escândalos de corrupção no setor público. Há um descrédito geral no seio da população.
Os primeiros dias do ano têm sido difíceis em vários
setores e em diferentes pontos do país. Em São Paulo, demissões anunciadas são
crescentes em vários segmentos econômicos, particularmente no automobilístico, e
o apagão da segunda-feira (19/01) foi um concreto sinal de crise aguda. São Paulo
parou! E quando isso acontece, para o Brasil. Aqui em Pernambuco a situação é
também critica com crise severa no tradicional setor açucareiro – histórico esteio
da economia local – cujo quadro é desolador com as poucas usinas que restam
vislumbrando colapsos. No também tradicional setor Metal-Mecânico o que se registra são empresas paralisadas,
dando férias coletivas ou fazendo desligamentos em massa, na maioria a mercê do
imbróglio causado pelo Petrolão.
Consórcios contratados pela Petrobrás não pagam o que devem às fornecedoras
locais e o caos está rapidamente crescendo.
É difícil viver este quadro na medida em que, pelo menos no caso de
Pernambuco, o que mais se respirou na última década foi progresso e
crescimento econômico.
E as noticias ruins não param. Esta semana o Centro
Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), mostrou que o preço da gasolina nas
refinarias do Brasil está quase 70% acima do preço da referencia internacional
do combustível, embora a queda da cotação do petróleo no mercado internacional.
Onde vamos parar? A situação é complicada porque quem paga a conta é o
contribuinte e o cidadão comum. Por falar em contribuinte, veja só! D. Dilma vetou esta semana a correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda, sob a alegação que isso resultaria numa renúncia fiscal de R$ 7,0 Bilhões, necessários para redução do déficit público. Olhe aí, o cidadão pagando pelos erros do Governo. Para completar o Ministro Levy, da Fazenda, deu-nos de presente o já denominado “pacote de maldades” aumentando PIS/Cofins (de 9,25 para 11,75%) para produtos importados; impôs IPI para fabricantes e distribuidores de cosméticos; voltou a cobrar a CIDE que será de R$0,22 sobre cada litro de gasolina vendido e R$0,15 no litro do diesel e, por fim, aumentou o IOF de 1,5% para 3,0%. Faça você mesmo uma ideia do que isso poderá significar para seu bolso. E, para completar a semana de pesadelos, o COPOM aumentou a taxa de juros em 0,5% (agora é de 12,5%). E pensar que Ela garantiu em campanha exatamente o contrário, é de lascar! Até quando vamos viver nesse desmantelo?
Por outro lado, no plano internacional o Brasil mais uma vez fez feio. A PresidentaA pediu clemência para um traficante brasileiro condenado à morte na Indonésia. Vamos que sejamos humanos em ser contra a pena de morte, mas, querer intervir na ordem legal de outro país é demais e, pior, a favor de um criminoso. Que vergonha. Pior, também, é que terminou dando “estimulo” aos traficantes que atuam criminosamente no Brasil, livres de penas capitais. Tenha dó!

Como se tudo isso fosse pouco, lá fora o quadro não é
nada tranquilo. Particularmente na Europa em crise econômica renitente. O
atentado ao semanário, que se autointitula de irresponsável, Charlie Hebdo, em
Paris, (foto a esquerda) expôs de modo escancarado a guerrinha que vem sendo travada na França,
já faz tempo, entre os antigos colonizadores e seus ex-colonizados. Outros países
provam do mesmo sabor amargo. Paris está
em “chamas” e a França está pagando caro pelas atrocidades cometidas no passado
e pelo preconceito que alimenta contra os imigrantes e seus descendentes. Essa
coisa pode não ter fim. Respeito também tem limites e o Charlie Hebdo não
observou essa regrinha básica em qualquer sociedade. Sou contra qualquer tipo
de atentado, mas, sou a favor do respeito ao próximo. Sem mais comentários...
De todo modo, reitero: Feliz 2015! E, que Deus nos
proteja.
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