Eu era bem
menino quando, num certo dia de inverno, vi meu pai dizer que teríamos um dia
plúmbeo. Curioso, pedi a explicação do que se tratava. Pacientemente meu pai me
explicou e guardei aquilo para o resto da vida. Nuvens pesadas e cor de chumbo
cobriam nosso mundo. Hoje, na minha madureza e, vez por outra, lembro-me do
falecido.
Neste momento de quarentena, pandemia e crise político-social, valho-me da imagem desenhada pelo meu pai, quando percebo as dificuldades que pairam sobre o mundo e sobre o Brasil particularmente. Costumo ser sempre otimista, mas, não sou alienado. Nuvens plúmbeas, sim, pairam sobre a humanidade. É certo que mudaremos muita coisa no modus-vivendi e isto já foi tema de outros posts. Difícil é acertar nesses modos. Principalmente nas nações menos desenvolvidas e em níveis educacionais tênues. A Educação como base, sempre.
Indiscutivelmente é preocupante, o caso brasileiro, onde os sinais cinzentos projetam tempos de dificuldades sem distinguir pobres dos ricos, resultante das dificuldades das administrações locais da pandemia. Num pais de dimensões continentais como o nosso, isso não seria de estranhar.
Mercê das frágeis estruturas sociais, os brasileiros enxergam – com uma cínica surpresa – a miséria agora realçada pelas intensas luzes emitidas pela crise sanitária. As coisas se tornaram bem mais nítidas e sem quaisquer cortinas de fumaça. Eis aí o desafio daqui pra frente. A verdade é que, historicamente, pandemias se repetem e a nação não pode esperar sentada.
Investimentos em infraestrutura social – moradias dignas, saneamento básico, assistência universal de saúde eficiente, educação de base, lições de civilidade e respeito ao próximo, emprego para a população economicamente ativa e justas remunerações, entre outras variáveis – produção dinâmica e muita vergonha e patriotismo na condução politica do país.
Nada de novo! Tudo muito batido e discutido. Principalmente nas campanhas eleitorais, embora esquecido no day after dos pleitos. Tanto pelos vencedores, quanto pelos derrotados.
Tive uma vida profissional dedicada à promoção do desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro, na velha SUDENE, e tendo como referencial a necessidade de uma integração e equilíbrio de renda entre as regiões brasileiras. Valeu o esforço. Fiz parte de uma equipe, da qual me orgulho, composta de profissionais patriotas e incansáveis batalhadores pela sua gente. Contudo, não foi o suficiente. Ainda é forte, nas cabeças que nos governam, a ideia e que o Brasil é um “arquipélago” e que cada ilha que se vire para sobreviver ainda persiste. Exemplo do abandono no qual vivemos, são as imagens de miséria que observamos a olho nu e nas áreas mais nobres das nossas metrópoles. No Recife, uma legião de pobres fazem das calçadas suas camas e amanhecem sempre sem condições dignas de sobreviver. Para esses, principalmente, as nuvens são sempre plúmbeas.
NOTA: Foto da autoria do Blogueiro.
Neste momento de quarentena, pandemia e crise político-social, valho-me da imagem desenhada pelo meu pai, quando percebo as dificuldades que pairam sobre o mundo e sobre o Brasil particularmente. Costumo ser sempre otimista, mas, não sou alienado. Nuvens plúmbeas, sim, pairam sobre a humanidade. É certo que mudaremos muita coisa no modus-vivendi e isto já foi tema de outros posts. Difícil é acertar nesses modos. Principalmente nas nações menos desenvolvidas e em níveis educacionais tênues. A Educação como base, sempre.
Indiscutivelmente é preocupante, o caso brasileiro, onde os sinais cinzentos projetam tempos de dificuldades sem distinguir pobres dos ricos, resultante das dificuldades das administrações locais da pandemia. Num pais de dimensões continentais como o nosso, isso não seria de estranhar.
Mercê das frágeis estruturas sociais, os brasileiros enxergam – com uma cínica surpresa – a miséria agora realçada pelas intensas luzes emitidas pela crise sanitária. As coisas se tornaram bem mais nítidas e sem quaisquer cortinas de fumaça. Eis aí o desafio daqui pra frente. A verdade é que, historicamente, pandemias se repetem e a nação não pode esperar sentada.
Investimentos em infraestrutura social – moradias dignas, saneamento básico, assistência universal de saúde eficiente, educação de base, lições de civilidade e respeito ao próximo, emprego para a população economicamente ativa e justas remunerações, entre outras variáveis – produção dinâmica e muita vergonha e patriotismo na condução politica do país.
Nada de novo! Tudo muito batido e discutido. Principalmente nas campanhas eleitorais, embora esquecido no day after dos pleitos. Tanto pelos vencedores, quanto pelos derrotados.
Tive uma vida profissional dedicada à promoção do desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro, na velha SUDENE, e tendo como referencial a necessidade de uma integração e equilíbrio de renda entre as regiões brasileiras. Valeu o esforço. Fiz parte de uma equipe, da qual me orgulho, composta de profissionais patriotas e incansáveis batalhadores pela sua gente. Contudo, não foi o suficiente. Ainda é forte, nas cabeças que nos governam, a ideia e que o Brasil é um “arquipélago” e que cada ilha que se vire para sobreviver ainda persiste. Exemplo do abandono no qual vivemos, são as imagens de miséria que observamos a olho nu e nas áreas mais nobres das nossas metrópoles. No Recife, uma legião de pobres fazem das calçadas suas camas e amanhecem sempre sem condições dignas de sobreviver. Para esses, principalmente, as nuvens são sempre plúmbeas.
![]() |
Família inteira dorme sempre ao relento, na Avenida Santos Dumont, Recife |
11 comentários:
Infelizmente o Brasil continua naquela de que um dia vai melhorar e pelo andar da carruagem fica cada vez pior!
Sua trajetória na SUDENE foi exemplar, amigo. Em tempo de sempre dizer parabéns.
Verdade primo.
Parabéns pelo artigo!! Girley, disse antes e repito: você é um orgulho para PE e para o BR. Abençoado o pais que produz um homem sério como você!! Peço permissão para repassar!
Meus parabéns amigo pelo post. As nuvens estão plúmbeas para todo o Brasil e também para o mundo. Mas é preciso ser otimista. Vamos sair dessa para melhor. O Brasil precisa do apoio de cada um de nós nesse momento. Não podemos perder a nossa fé e esperança. Acredite.
Wirson Bento de Santana
Ex-professor de economia aposentado
Girley, bom dia, você sempre foi um profissional exemplar e um patriota convicto, em você, podemos nos espelhar e tirar o exemplo de como todos devem agir com relação aos seus semelhantes, no Mundo no seu Estado e no seu País !
Que Deus lhe dê a graça de viver muitos e muitos anos, e para nós que o conhecemos, a oportunidade de te-lo sempre em nosso convivio. Forte abraço!
TFA
Girley, penso da mesma forma , enquanto pessoas não tiverem um endereço para morar e uma escola para os filhos estudarem não teremos uma nação digna.
Nos tempos plumbum como você diz, vale lembrar : Estados que construíram estádios de futebol para a copa estão mais plumbum que os outros . Seria mera coincidência?? Não , a saúde foi relegada e a educação esquecida . O resultado já se sabe .
Abraços
Edson
Continue, Girley. Gosto do que você vem produzindo e divulgando. Parabéns pela clareza das opiniões e pelo estilo direto e franco. Vá em frente.
Bom dia
Como sempre excelente e verdadeiro, mas vem a pergunta o que fazer???
Boa pergunta, Dra Vanja. Sugestão: saber escolher melhor os nossos representantes nas diversas instâncias governamentais. Eis aí o complexo desafio. Como instruir a população periférica? Falta educação, Doutora!
Plúmbeas nuvens
Verdadeiramente correto
Postar um comentário