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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Rivalidades Infelizes

A Copa Mundial de Futebol-2026 terminou e, para multidões, deixou saudades. O certame encerrado no último fim de semana, envolvendo 48 representantes de países dos cinco continentes, foi recheado de muitas emoções, além de gratas revelações de novos valores no mundo da bola. De cara, lembro-me do sucesso de um neófito, Cabo Verde, que conseguiu conquistar torcedores entre “gregos! e “troianos”. Indiscutivelmente, poucos espetáculos esportivos despertam tanta paixão quanto uma Copa e um confronto futebolístico entre duas seleções de países. Até porque não se trata apenas de um festival de partidas de futebol, mas, também, um encontro de histórias, culturas, estilos de jogo e identidades nacionais que, ao longo de quase um século, construíram o maior espetáculo do esporte mundial. Porém, e como me referi na última postagem, é também oportunidade para manifestações de ferrenhas rivalidades entre nações que, ao final das contas. pouco contribuem para o espírito referencial de uma disputa esportiva. Nessas horas, fico chocado, por exemplo, com a rivalidade extrema que há entre argentinos e brasileiros. Nada mais curioso do que presenciar a vibração eloquente dos brasileiros diante da vitória dos espanhóis, no domingo passado. Após uma eletrizante partida decisiva entre argentinos e espanhóis, os europeus levaram a melhor e levantaram um retumbante OLÉ! dos brasileiros, de norte a sul do país. Dizem que existem razões de ambas as partes e que a coisa tem fortes raízes. Meu neto de seis anos já se tomou de fervorosa torcida contra os portenhos. Segundo ele todos os coleguinhas “odeiam” a seleção argentina. É até engraçado para um guri da idade que tem. Mas, acho que começou cedo. Nunca mais vai tolerar perder para os argentinos. E pensar que essa rivalidade produziu momentos inesquecíveis. De um lado, Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldo e tantos outros talentos que fizeram do futebol brasileiro uma referência universal. Do outro, Di Stéfano, Maradona, Messi e uma sucessão de craques que marcaram profundamente a história do futebol argentino. São duas escolas que, sem dúvidas, contribuíram para transformar esse esporte em uma linguagem melhor compreendida em todos os continentes. Rivalidades podem mesmo soar como saudáveis. Alimentam o interesse do público, elevam o nível das competições e criam histórias que atravessam gerações. O problema, contudo, surge quando a rivalidade deixa de ser uma disputa esportiva e passa a alimentar sentimentos de hostilidade, desprezo e até ódio pelo adversário. Nos últimos anos, infelizmente, temos assistido ao crescimento desse fenômeno mundo afora e episódios maléficos se multiplicam com episódios de provocações que ultrapassam os limites do bom fair-play. Cânticos ofensivos, manifestações xenófobas, atitudes racistas, agressões entre torcedores e uma permanente tentativa de humilhar o adversário parecem, para alguns, fazer parte do espetáculo. Nada mais degradante do que o espetáculo insano cometido pelo selecionado argentino, ao final da partida na qual foram derrotados pelo espanhol, dando as costas ao palco da solenidade de entrega da Taça Mundial e das medalhas de campões aos europeus. (Foto a segiur) Fico imaginando como seria caso o Brasil estivesse no lugar da Espanha. Fora esse comportamento abominável há de se registrar as agressões que deflagraram, depois do apito final, contra atletas espanhóis e sem motivos concretos. As criticas internacionais rolaram na imprensa do mundo e não condiz com a tradição e os costumes portenhos.
Conheço relativamente bem a Argentina e os argentinos e considero importante fazer uma distinção fundamental. Esses comportamentos não representam o povo argentino. Da mesma forma, quando brasileiros protagonizam episódios lamentáveis, eles também não representam o Brasil. Generalizações quase sempre são injustas e impedem uma análise equilibrada dos fatos. Entretanto, seria igualmente um erro fingir que o problema não existe. Em diferentes ocasiões, atitudes de intolerância ganharam espaço dentro e fora dos estádios, comprometendo aquilo que o esporte tem de mais valioso: sua capacidade de aproximar pessoas. A Copa do Mundo talvez seja o maior exemplo dessa vocação integradora. Durante algumas semanas, bilhões de pessoas acompanham os mesmos jogos, vibram pelas suas seleções, conhecem culturas diferentes e compartilham emoções comuns. É justamente por isso que entristece ver manifestações que transformam o adversário em inimigo. Ora, meu Deus, o adversário existe para ser respeitado. Sem ele, não há competição. Sem competição, não há vitória digna de celebração. A grandeza de um selecionado não está apenas em vencer, mas em reconhecer o valor de quem enfrentou. Infelizmente, parte das torcidas parece ter substituído o prazer da vitória pelo prazer de humilhar. Em vez de celebrar os próprios méritos, muitos preferem medir sua felicidade pelo sofrimento do outro. Essa inversão de valores empobrece o esporte e revela algo mais profundo sobre o tempo em que vivemos. No caso do domingo passado, los hermanos não souberam valorizar o titulo de vice-campeões e nem souberam respeitar os campeões espanhóis. Resta-nos agora esperar por 2030 quando teremos uma nova Copa, que promete ser maior, mais vibrante e quiçá sem infelizes rivalidades. NOTA: Fotos ilustração colhidas no Google Imagens.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Além da bola e dos gramados

Dizer que não sofri com a derrota da seleção seria mentira. Faz parte de um jogo articulado globalmente e, sendo filho de Deus, não consigo desligar. Principalmente vindo de uma geração que viveu tempos áureos do futebol brasileiro. Vi o Brasil ser pentacampeão pelos pés gloriosos de Pelé, Garrincha, Romário, Bebeto, Rivaldo, Sócrates, Zico, Branco, Ronaldo e Ronaldinho, entre outros tão marcantes quanto... Vendo os jogadores de hoje não sinto o mesmo entusiasmo do passado. Triste mas verdadeiro é pensar que na realidade não se trata de atletas que chamo “puro sangue”. Na maioria são atuantes em times europeus e que, na pratica, só pensam no estrelato e no afã de fazer fortunas. Vestir a camisa da canarinha não passa de um acidente de percurso. Não existe espirito de equipe, numa modalidade de esporte em que isto é uma exigência sine qua non. Acontece qeu o brasileiro de agora sonha com um hexacampeonato difícil de ser viabilizado enquanto houver, além da bola e dos gramados, interesses individuais, monetarização das ações e as interferências politicas maléficas. Nada mais prejudicial, por exemplo, do que a “cachorrada” dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esta, ao invés de se ocupar nas ações visando ao sucesso de uma seleção brasileira, às vésperas de uma Copa Mundial, se ocupou numa treta interna, visando ao poder, que terminou judicializada, envolvendo, até, um magistrado da Suprema Corte, que sabidamente hoje é membro atuante no sistema da Confederação, conforme pude colher em informes de redes sociais. Não deu outra e o Brasil está fora da Super- Copa de 2026, para tristeza de uma nação que raramente se une em torno de uma ideia única.
Sofrendo as “dores” do torcedor frustrado e, por cima, tendo que consolar e explicar melhor a situação ao meu netinho, de seis anos, crente que o Brasil seria campeão, pus-me a analisar devagar - além da bola e dos gramados - o que explicava o sofrimento nacional desta segunda-feira, 6 de julho de 2026. Pudera! Não foi difícil fazer algumas inferências básicas: durante um mês, o planeta praticamente sincroniza seus relógios em torno de um único evento. Bilhões de pessoas acompanham os jogos, independentemente de idioma, religião ou ideologia. Acredito que seja o acontecimento de maior poder de mobilização social do mundo. Acho notável como a Copa desperta um sentimento raro de pertencimento coletivo. Pessoas de diferentes classes sociais, profissões e posições políticas vestem a mesma camisa. Ela fortalece identidades nacionais, aproxima famílias e amigos e cria memórias que atravessam gerações. Politicamente falando, os governos sabem que uma Copa é uma vitrine mundial. Sediar o torneio significa demonstrar capacidade de organização, infraestrutura, estabilidade e influência internacional. Não por acaso, muitos países utilizam grandes eventos esportivos para reforçar sua imagem externa. O Brasil não deixou por menos, promovendo uma Copa e Uma Olimpíada. Não foi fácil mas, aconteceu. Pensando na dimensão econômica, logo pensei que é indiscutível o fato de que poucos eventos movimentam tanto dinheiro, haja vistas às fabulosas vendas de ingressos, direitos de transmissão, patrocínios, transporte aéreo, turismo, hotelaria, restaurantes, transporte terrestre, publicidade, venda de produtos licenciados e apostas esportivas que, de modo quase articulado, geram uma cadeia econômica gigantesca, estimada (pela FIFA) em 80,0 Bilhões de Dólares. Outro dado expressivo é quanto à mobilização mundial. Segundo a FIFA, a audiência acumulada da Copa do Mundo alcança bilhões de espectadores ao redor do planeta, tornando-a um dos maiores produtos de entretenimento do mundo. Na Copa de 2022, por exemplo, os números publicados chegou a 5 Bilhões na grande parte do torneio. A partida final entre as seleções da Argentina e da França foi estimada em 1,5 Bilhão de pessoas em todo o mundo. Quase concluindo lembro que países, como o Brasil, ao atuarem como sedes do evento mundial amargam importantes questionamentos tais como os elevados custos nos investimentos públicos para sediar o torneio, a utilização futura dos estádios e o equilíbrio entre custos e benefícios para a população. Finalizando, ouso afirmar que uma Copa do Mundo de Futebol que dura apenas algumas semanas projeta efeitos que se rebatem muito além do apito final. Ela revela como os povos sonham, consomem, competem, cooperam e se enxergam. Não sou sociólogo, mas, vejo que a Copa não é apenas um campeonato de futebol, mas, também, um espelho da própria humanidade. NOTA: Foto ilustrativa colhida no Google Imagens

sábado, 23 de maio de 2026

Povão Patriota

Sou católico. Diria, mesmo, que praticante. Todo dia 22 de maio tenho a devoção de render louvores à Santa Rita de Cássia, da qual sou devoto, numa Igreja localizada no centro de comércio grossista e popular no bairro de São José, no Recife. A região é antiga, de ruas estreitas e históricas, tendo como coração pulsante o Mercado de São José, uma magnifica construção, inaugurado em 1875, sendo o primeiro edifício construído em ferro no Brasil. Suas linhas arquitetônicas foram inspiradas no Mercado de Grenelle, em Paris. É uma beleza arquitetônica formidável. Mas, é assunto para outra ocasião. Como falei no inicio dirigi-me à igreja de Santa Rita, caminhando por ruas estreitas, apinhadas de gente numa animação fora do comum. Ruas cobertas de verde-amarelo, lojas, barracas e ambulantes portando a bandeira nacional em todo tipo de vestimentas, sacolas, bonés, cintos e sandálias, além de adereços dos mais variados. Animação geral. A freguesia já volta pra casa fantasiada de Brasil. Clima de Copa do Mundo. É a explicação. Todo mundo desejando o hexa, colando figurinhas no Álbum da Copa e trocando as duplicatas disponíveis. Chegar à Igreja foi quase um périplo. Não precisa dizer dos cuidados com os donos do alheio. Fui de bermudas, camiseta, boné e óculos escuros. Calçando um tênis velho. Escondido? Não! Cuidando da vida e dos meus pertences.
Não há como negar, além da devoção um grande divertimento. Gosto, por vezes, meter-me no meio do povão para sentir o latejar da Nação. E, no caso de hoje, vi um expressivo Povão Patriota. Até a alma. Aliás, sempre me entusiasmo com o sentimento nacional, que aflora na população, toda ocasião de uma Copa do Mundo. Temos uma história bonita nesse âmbito desde 1958 até o ano do Penta Campeonato em 2002. Claro que há muito oportunismo comercial, mas, não deixa de ser formidável o engajamento da população no bloco da torcida pela Canarinha, nos gramados mundo afora. É de se destacar que hastear a bandeira nacional, em casa ou sair ostentando pelas ruas, não é um hábito do brasileiro. Muito longe da admiração do norte-americano. Em Tio Sam é muito comum avistarmos a bandeira nacional tremulando em edifícios comerciais das grandes avenidas ou em simples casa de bairro. É notável o amor daquela gente ao pavilhão nacional, sempre reverenciado com respeito e muita honra. Não sei até onde vai o amor e respeito do brasileiro ao pendão auriverde da Ordem e Progresso. Duvido muito. Lembro que, outro dia, recebi um vídeo no qual flagraram três garis usando um pavilhão nacional como acumulador de lixo colhido nas ruas do Rio de Janeiro após uma manifestação do dia do Trabalho. Foi motivo de revolta para um transeunte que, apressado, instalou um bate-boca de civilidade. Os garis queriam ter razão afirmando “quem jogou a bandeira no lixo é que deve ser culpado”.
Não voltei ao mercado popular no fim desta sexta-feira mas, desconfio que muito verde/amarelo restou na bagulheira das ruas do bairro de São José. Tudo isso é a falta que faz de um cuidado com a Educação moral e cívica neste país. A meninada deve aprender de novinho a cantar o hino e a respeitar a bandeira. Senão vão terminar varrendo a bandeira na boca do lixo Acorda Brasil. Como não dá para corrigir de repente vamos, pelo menos, torcer e esperar pelo Hexa. Ah! E pedir aa intercessão de Santa Rita de Cassia ao Deus Pai, que é brasileiro, pelo sucesso da nossa seleção. Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

BOAS FESTAS

O ano chega ao fim, mas, antes uma pausa a calhar para festejar o tempo do Advento culminando com o Natal de Jesus. Nada mais oportuna para que aproveitemos a chance de reflexões e dar um balanço no ano que termina. Não foi um tempo dos mais fáceis. A pandemia da Covid 19 dominou, com altos e baixos, indo, voltando e sempre assustando, durante os doze meses. Começou, inclusive, o ano provocando o cancelando do carnaval brasileiro e deixando o povão sem o lenitivo anual da folia. Muitos nomes importantes partiram para a eternidade deixando a cena artístico-teatral mais pobre, entre os quais lembramos do formidável Jô Soares, da corajosa Elza Soares e da magnífica cantora Gal Costa. Em paralelo algo inesperado eclode no leste europeu quando Vlademir Putin, tirano presidente russo, resolve invadir a Ucrânia e detona uma guerra sangrenta com justificativas ainda recheadas de controvérsias e até abalando o mundo com ameaças de ataques nucleares. Para completar, no âmbito doméstico, o ano foi dominado politicamente pela eleição presidencial mais disputada da História e no “apagar das luzes” uma Copa do Mundo que passou sem que o nosso sonhado Hexacampeonato fosse viabilizado. Paciência, porque o ano acabou. O Blog do GB procurou sempre estar atento e, quando oportuno, registrando cada momento, repercutindo cada fato e comentando os mais variados episódios geradores de noticias. Num post final, então, e aproveitando o oportuno momento do balanço anual, o mais importante que resta é agradecer aos amigos e amigas, bem como aqueles que por simples interesse ou curiosidade visitaram o Blog e prestigiando-nos com seus comentários. Foram muito brasileiros e inúmeros estrangeiros que acolheram nosso convite de visita e contribuíram de modo efetivo para que chegássemos a um número de acessos que, agora, se aproxima à casa dos 1.150.000. Efetivamente, não se trata de nenhuma coisa extraordinária quando comparando com similares. Contudo, em se tratando de um espaço planejado para algo mais intimista se torna uma marca a ser festejada. Por fim, é hora de desejarmos FELIZ NATAL e um venturoso Ano Novo de 2023. Que nosso Bom Deus e a figura do Menino Jesus ilumine cada momento dos nossos leitores e leitoras. Que tenhamos um Novo Tempo mais promissor, mais Humano e repleto de Paz, Generosidade com o Planeta e mais Solidariedade entre os povos. BOAS FESTAS! Por oportuno, anunciamos que o Blog entra em recesso, prometendo voltar em meados de janeiro ou a qualquer momento que algo sugira um comentário de destaque.

domingo, 11 de dezembro de 2022

O Sonho Acabou

O que mais tenho ouvido e visto as redes sociais, nesses dias de ressaca da derrota do futebol brasileira, pela seleção da Croácia, na Copa do Catar/2022 é que “o sonho acabou”. Sonho da conquista do hexacampeonato mundial. Acho, inclusive, curioso como a coisa toma corpo e contagia negativamente a população, sobretudo a nova geração. Vi jovens garotos chorando revoltados, após as cobranças dos pênaltis fatais. Aliás, o mundo assistiu aos próprios jogadores canarinhos vertendo copiosas lágrimas ainda em campo. (Foto a seguir) Chega a ser inacreditável. Não entender que no esporte um dia se ganha e noutro se perde, parece ser coisa impossível para um brasileiro. Faz parte do jogo, meu Deus. Alguém tem que perder, para que outro ganhe.
“Ah! Mas perder em cobranças de pênaltis” é uma vergonha, ouvi de alguns após o jogo com a Croácia. São pessoas que esquecem que já fomos campeões depois de uma rodada nervosa de cobranças de penalidades máximas, em 17/07/1994. Depois de empate em zero a zero, no tempo normal e na prorrogação, com a Itália, o Brasil venceu por 3 x 2 e foi Tetracampeão Mundial. Foi um feito histórico no domínio do futebol. A equipe era fantástica sob o comando de Carlos Alberto Parreiras. Os meninos jogaram com corpo e alma. Dessa vez recente não deu. O sonho acabou ali mesmo na monumental cancha do Catar. Parecia mentira, como pareceu mentira o episódio dos 7 x 1 impostos, dentro de casa, pela seleção alemã, em 2014. Bom... o episódio recente se projetou quando, com a vitória faturada na prorrogação com um belo gol de Neymar, a moçada relaxou e deixou a Croácia empatar. Foi ali, que “a casa caiu”. Faltava pouco tempo e as cobranças de pênaltis era iminente. O resultado foi cruel, para quem esperava a grande vitória. Toró de lágrimas de norte a sul e de leste a oeste, em Pindorama. Reconheçamos que é impressionante como a cultura legada pelas gerações passadas criou essa reação, natural para muitos, mas que, no final das contas, enraizou-se no meio social criando uma espécie de síndrome da revolta coletiva do derrotado. Uma revolta que se expressa das mais diversas formas porque, uma coisa é certa, criticar e buscar os culpados é coisa rápida e simples. Fácil, fácil... e, no Brasil, ser oposição é até um bom passa-tempo. Foi o jogador tal, ou foi o treinador? Quem errou e onde errou? As criticas e os memes nas redes sociais não param de crescer e se multiplicar. O jogador Neymar Jr. e o treinador Tite estão sendo crucificados a toda hora. São criticas bem fundadas? Vale à pena avaliar. O brasileiro precisa aprender que em futebol, ou noutro esporte qualquer, saber disputar e ter competência é coisa fundamental. “Foi pra chuva, tem que se molhar”. Viver dos louros do passado pode ser inútil. Cada jogo é um jogo. E cada Copa do Mundo é uma nova oportunidade de provar a competência. Um coisa, porém, tem que ser ressaltada: vai ser cada vez mais difícil formar uma seleção brasileira como as do passado. Vamos e venhamos, há uma diferença brutal entre nossos jogadores de hoje quando comparados com os nossos craques dos anos 60, 70, 80 e 90. O que vemos atualmente são figuras vaidosas, bilionárias e repletas de interesses pessoais, incapazes de se integrar, de corpo e alma – como exige o futebol – numa equipe formada às pressas e de última hora sem os devidos treinos. O resultado é que sem espirito de equipe e dependente de um figurão, Neymar neste caso, ao qual se atribui a responsabilidade maior, a situação se complica e dá no que dá. Futebol é esporte de equipe! Como recordar é viver vale lembrar que felizes fomos como campeões, cinco vezes, graças às valorosas pernas de jovens talentos, alheios aos salários milionários que hoje são pagos e habituados a formar equipes maduras e responsáveis. Nenhum ostentava joias caras, penteados e tatuagens de gostos duvidosos, carros possantes e caros, mansões fabulosas, mulheres exuberantes, aviões particulares e nem exigiam mordomias extravagantes dos patrocinadores. Claro que existe exceções da parte de alguns, mas isto não justifica o exibicionismo aviltante de alguns. Vergonhoso. Esses dias de ressaca uma foto, exibida nas redes sociais, é emblemática (vide a seguir) que mostra a simplicidade de uma velha equipe campeã se preparando para uma Copa. Jamais, esses rapazes de hoje, se sujeitariam a isso.
Aí pergunto: como ser campeão com uma formação tão viciada em mordomias extravagantes e vaidades absurdas? Como ser campeão contando com jogadores que sequer vivem no Brasil e que pouco apego manifestam ter pela camisa verde-amarela? Está difícil. Não tem sonho que se realize. Pensando bem, não adianta sonhar. Nota: Fotos obtidas no Google Imagens e na rede social.

sábado, 13 de agosto de 2022

Seleção de Debochados

Além das futricas politicas rotineiras no nosso quotidiano, uma verdadeira piada de mau gosto ganhou luzes nas redes sociais, desta semana, dando conta de que a Comissão de Esporte da Câmara Federal aprovou um requerimento para criação de um grupo de trabalho destinado a acompanhar a preparação da seleção brasileira para Copa do Mundo de 2022, a se realizar no Catar entre os dias 21 de novembro e 18 de dezembro. Proposta de um certo Deputado baiano que atende pelo nome de José Rocha (União/BA). O parlamentar justificou sua ideia afirmando que “a imagem da seleção está em baixa e, por causa disso, o futebol brasileiro tem se afastado cada vez mais do público. Precisamos então recuperar esse esporte que, além da função social indiscutível que possui, é considerado paixão nacional”. Também pudera, depois do Mineraço de 7 x 1 impostos pela seleção alemã na Copa realizada dentro de casa! Para dar conta dessa nobre missão o grupo deve contar com o empenho de onze deputados. Um time de futebol! Me engana que eu gosto... Para reforçar sua justificativa o parlamentar arredondou que “a proposta desse Grupo de Trabalho é provocar discussões dentro deste colegiado e junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade máxima do futebol brasileiro, como parte de um conjunto de esforços para resgatar a imagem do Brasil como o país do futebol”. Nem precisava dizer, o texto da proposta foi aprovado por unanimidade. Posso imaginar, assim como qualquer brasileiro sério e honesto também, o entusiasmo dessa reunião e a disputa acirrada para a formação do Grupo. É preciso ser muito idiota para não acreditar que o objetivo do Grupo não é nada do que ficou assentado na proposta aprovada. Muito mais fácil, óbvio até, é entender que o objetivo precípuo é o de levar o Grupo ao Catar, para conferir o resulto de tão “grande esforço”, assistir de camarote aos jogos do torneio, com todas as despesas pagas por nós, os babacas contribuintes. Onze “engraçadinhos” formando uma Seleção de Debochados, nas Arábias. Imagino que aqueles que correm risco de derrota nas urnas de Outubro envidarão os maiores esforços para cumprir tão difícil missão e não perder a boquinha.
É lamentável e revoltante viver num país, pobre e lascado, onde tantas corrupções e tramoias parlamentares são cometidas impunemente e acobertadas legalmente, nas barbas do cidadão. Cidadão Eleitor que esquece tudo na hora de exercer seu papel de decisão do próprio futuro e o da Nação, nas urnas eleitorais. Por oportuno, e não querendo ser injusto nas minhas criticas, fui conferir na Legislação as atribuições da Comissão em tela e catar (desculpe o trocadilho!) uma relação entre estas e o que se desenhou para o Grupo recém-criado. Resultado é que nada me garante que haja relação entre as duas coisas, haja vistas que são atribuições da Comissão do Esporte: debater e votar os temas relativos à i) sistema desportivo nacional e sua organização; politica e plano nacional de educação física e desportiva; e ii) normas gerais sobre desporto; justiça desportiva. Não consegui identificar a rubrica orçamentária da Comissão do Esporte, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ou no Portal da Transparência (das aparências?), embora, creia que seja exígua como tem sido em casos de outras dotações e de outras comissões ou pasta administrativa. Curioso, entretanto, é ter a certeza de que comunidades situadas nos grotões do Brasil anseiam por incentivos financeiros e apoios governamentais para desenvolver atividades desportivas entre seus membros, muitos dos quais revelando potenciais habilidades e com concretas possibilidades de se tornarem estrelas nas diferentes modalidades esportivas. Infelizmente, ficam apenas no plano da ansiedade. Ao contrario disto, onze debochados parlamentares prestam-se para compor um “faz de conta” e, por fim, viajar em classe executiva, se hospedar em hotéis babilônicos de Doha, comer e beber do melhor, dispor de um carnê de ingressos à livre escolha para os jogos do troneio, fazer programas de “mil e uma noites” e, se brincar, voltar se mostrando exaustos da “farrinha” parlamentar. Haja verba para custear essa estupidez parlamentar. Tenha dó. Quisera poder votar contra todos esses debochados em outubro. Acorda Brasil! NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens / Charge da autoria de Gazo.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...