terça-feira, 28 de junho de 2016

Uma Viagem Inesquecível

Tenho sempre em mente que uma viagem periódica é a melhor forma de arejar a mente, adquirir novos conhecimentos e sair da rotina muitas vezes cansativa do dia-a-dia. Não importa o destino. Perto ou longe qualquer deslocamento gera benefícios ao corpo e à alma. E sair um pouco do Brasil, nesses tempos de crise político-econômica, nem se fala. Foi o que fiz nas duas últimas semanas, quando andei pela Europa, visitando Holanda e Portugal. Senti especial vibração porque, após haver sido submetido a uma cirurgia de grande porte no coração e há pouco mais de seis meses, experimentei a alegria de rever e reviver dias no Velho Mundo e com saúde. Esta foi então o que posso chamar de Viagem Inesquecível.
Foi minha quarta visita à Holanda e esforcei-me para vê-la como sendo numa primeira visita. Trata-se, na verdade, de um país de paisagem singular, caracterizada por uma grande planície, no norte da Europa, conquistada, com muita engenharia, por avanços no mar e dotada de canais e moinhos reguladores dos fluxos d´água. Além disso, ornada de grandes campos de cultivo de flores – principalmente tulipas – e hortaliças, além de muitos parques. Em meio a todo esse imenso “jardim”, um patrimônio arquitetônico invejável, infraestrutura de alto nível e notável parque industrial. Um mix econômico-cultural que provoca ao visitante uma especial vontade de voltar. Mesmo revendo locais já conhecidos deixei brotar modos de melhor observar e conferir com mais amadurecimento como só a idade confere. Estive na Holanda pela primeira vez aos 26 anos de idade. Faz tempo...


Por outro lado, impossível esquecer que, de algum modo, este país escreveu uma página da história de Pernambuco, porquanto durante vinte e cinco anos (meados do século 17) os batavos estiveram por aqui com a invasora Companhia das Índias Ocidentais, implantando um enclave econômico denominado de Nova Holanda e tendo o Recife como sua cidade capital. Como esquecer a figura de Mauricio de Nassau que comandou esse Brasil Holandês, legando notáveis avanços sociais e econômicos a Pernambuco? Há algumas controvérsias a respeito dessa história, mas, ela sempre vem à cabeça na forma como nos contaram na escola primária. História longa sobre a qual já falei noutra oportunidade.
Fui à Holanda, dessa vez, com minha esposa e nosso filho caçula, fazendo ponto fixo em Amsterdam e naturalmente visitando outras localidades. Posso lembrar três destaques dessas visitas. O primeiro foi a localidade de Zaandam onde uma série de Moinhos de Vento (windmills) se alinham em meio a lagos, canais e aldeias tipicamente holandesas. É um deslumbre para quem chega pela primeira vez, ou mesmo quem revê como foi o meu caso. Caminhar pela região foi uma bela experiência turística. Fotografar aquilo lá é quase um dilema para o profissional ou amador mais cuidadoso em enquadrar e focar a melhor imagem. Vide fotos a seguir.




De Zaandam partimos a caminho da cidadezinha de Marken, uma antiga colônia de pescadores que vive hoje do turismo. Casinhas coloridas, flores em profusão nesta época do ano (primavera-verão) e aprazível brisa do lago de Marken curiosamente salgado no passado e doce atualmente. Nesse lugar fomos apresentados a uma marcenaria especializada a produzir os famosos tamancos holandeses de madeira, que são ícones da imagem turística do país. É divertido assistir ao feitio de um exemplar e após isto experimentar um deles prontos e decorados à venda na lojinha anexa. Fotos a seguir.




Deixamos Marken para trás a bordo de um confortável barco, navegando sobre o citado lago por 30 minutos, com destino a Voledam, outra cidade dedicada ao turismo. Lugar imperdível para quem visita a Holanda. A chegada ao píer da cidade já é impactante. A imagem de beleza do local vai se “chegando” aos olhos do visitante de maneira atrativa e conquistadora. Bate uma vontade extrema de desembarcar e sair a explorar o espaço. São ruas coloridas de comércio, restaurantes e bares pululando de visitantes, gente bonita e hospitaleira. 



Além de almoçar num bom restaurante de frutos do mar, visitamos uma fabrica de queijos para guardar na memória o resto da vida. O processo de fabricação desde a matéria prima até a embalagem e comercialização mundo afora. (Foto logo acima, com pose especial da minha esposa). E, o melhor de tudo, uma degustação sem fim. Até hoje estamos comendo queijos holandeses que trouxemos metidos na bagagem.
Eu ainda tenho muito que dizer sobre a Holanda. Mas, será na próxima postagem. Até breve! Venha comigo nessa Viagem.

Notas: A primeira foto foi colhida no Google Imagens e as demais do arquivo pessoal e autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quem não chora não mama.

Montar um Ministério após uma eleição tem sido quase sempre um problema delicado para um presidente eleito. Imagine o que seja fazer isto a “queima roupa” de uma emergência, como ocorreu recentemente aqui no Brasil. Creio que o Michel Temer deve ter passado por apuros para formar sua equipe de Governo. Primeiro devia esperar o resultado da votação no Senado para trabalhar com a certeza de que assumiria e, em seguida, administrar as manhas dos políticos e respectivos Partidos que “viabilizaram” sua ascensão, num típico estilo de “quem não chora não mama”. Fora tudo isto, o fato de que, rigorosamente, se trata de um governo transitório e, pior que isto, mergulhado num imenso buraco negro deixado pelo PT, não estimulou alguns potenciais candidatos a ministro ou outro cargo de destaque qualquer. O PSDB, por exemplo, vacilou antes de aderir.
O resultado desse açodamento é que foi montada uma equipe com alguns integrantes pouco recomendáveis. Eu soube que teve ministro convidado meia hora antes de assumir. Imagino esse sujeito dizendo: O que é isto?! Como assim? E quem disse isto? E entrou no Palácio do Planalto esbaforido e perguntando Onde estou? O que sou eu? O que foi que eu fiz? Ou algo parecido. Eita Brasil, zil,zil ! O resultado é que se formou um gabinete de nomes elogiáveis – o lado econômico, sobretudo – misturado e junto com outros, tipo “ficha suja”, citados ou envolvidos nas tramoias que estão sendo lavadas, enxaguadas e passadas na Lavanderia de Sérgio Moro. Dois Ministros já voaram nos paus. E a expectativa agora é saber quem será o próximo.
Mas, por outro lado, ao tempo que aplaudi (aplaudimos) a estratégica redução dos ministérios, assisti lamentando o retrocesso do Temer ao ceder com a recriação do Ministério da Cultura. Acho que ali ele abriu um flanco de fraqueza. Ser presidente não é ditar tudo com rigidez, é verdade. Mas, foi um ato lamentável esse retrocesso. Temer temeu uma repercussão negativa e deu, no meu ver, um “cala-boca”, sobretudo, para uma classe de produtores culturais e artistas engalanados cheios de ares e pretensos “donos” da cultura nacional, que não querem largar as tetas da Lei Rouanet. Vide fotomontagem a seguir e outra que viralizou nas redes sociais.


Desde que me entendo de gente a Cultura – setor importantíssimo da vida nacional, ressalte-se – esteve sempre conjugada com a Educação. E tem uma lógica explicita nisto porque Cultura tem tudo a ver com Educação! O MEC foi, historicamente, uma das mais importantes siglas da Administração Federal. Por que tanta estranheza e reações contrárias, quando nada impediria que as ações desta área não fossem desenvolvidas por uma Secretaria Ministerial no MEC recriado? Foi sempre assim no passado! Acho inclusive que a classe artística, a grande protestante, “deu um tiro no pé” na medida em que provocou na mídia e nas redes sociais uma avalanche de denuncias sobre as estratosféricas vantagens que recebem ou receberam do Governo, através dos instrumentos de incentivos, administrados pelo ex-Ministério em tela. Poucos foram honestos, como Antonio Fagundes que sem cerimônia fez sua critica: "Sinto-me decepcionado com alguns artistas, que mesmo sabendo das falcatruas deste governo, ainda apoia por puro interesse próprio". Ele nunca recorreu à Lei Rouanet
As cifras que foram divulgadas das concessões aos cantores e artistas globais, aos escritores e produtores teatrais de fama, escandalizaram os brasileiros. Sobretudo pelo fato de que uma imensa legião de cidadãos e cidadãs dedicados(as) às atividades culturais ficaram sem qualquer chance de “fazer parte dessa festa”. Ora, ora! É indiscutível que cantores e atores que arrastam multidões aos seus auditórios não precisam desse apoio governamental! O Fagundes é bom exemplo. Muito mais precisam aqueles que buscam, em vão, um lugar sob as luzes das ribaltas brasileiras para os quais o MinC sempre deu as costas.    
Essa turma de apaniguados de “Mamãe” Dilma e do PT chorou, chorou e ganhou. E Temer, temendo uma onda maior, cedeu. Tolice... Lamentavelmente, neste Brasil, “quem não chora não mama”. Pouco interessa a essa gente a situação de crise do país, a necessidade de reduzir a máquina e os gastos do Governo e, ao invés disso, investir maciçamente na Saúde, na Educação e na Segurança. O que eles querem é mamar.

NOTA: Fotomontagem obtida no Google Imagens


sábado, 28 de maio de 2016

Desafiante Conjuntura

Já tentei fazer esta postagem semanal por três vezes e, desconcertadamente, retrocedi. O ambiente está muito confuso para um blogueiro da minha categoria, que não segue uma periodicidade rigorosa e que faz desse tipo de comunicação, antes de qualquer coisa, um hobby, ao mesmo tempo em que mantém uma forma de se comunicar com uma pequena legião de amigos/leitores. Resulta que termino administrando uma grande dificuldade de formar pauta, nesse ambiente político-econômico tão volátil nos dias de hoje aqui no Brasil.Cai governo, entra governo, ministério novo com cara de velho, ministro corrupto flagrado com a “boca na viola” e derrubado. Delações premiadas pipocantes... Coisa de louco, meu Deus!  Apressei-me neste sábado e aí está. 
Nessas horas recordo minha finada mãe, sempre antenada nos assuntos políticos e diante da televisão acompanhando essa “safadeza geral e endêmica” que assola o país. Se viva fosse e tivesse boa cabeça diria logo “o pau tá comendo lá em Brasília” ou “a volta agora é por dentro! Escreveu, não leu, o pau comeu”. E é isto mesmo. Eu concordaria na hora.
Que o governo de D. Dilma foi, por bom tempo, inviável é uma questão indiscutível. Não havia governabilidade, prestigio internacional ou confiança da sociedade. Tudo isto num cenário caótico de estagnação econômica, inflação acelerada, taxa altíssima de desemprego atingindo mais 11 milhões de brasileiros e o escandaloso buraco cavado pela generalizada corrupção, comandada pelos cardeais do partido da “presidenta”. O final não poderia ser outro.
Ocorre, contudo, que a fila das delatores anda rápida e outros salafrários vêm sendo denunciados, pondo por terra “santos” com os pés de barro. E o barro, pela própria natureza, não resiste aos fortes jatos de um lava-a-jato. 
Sou um grande entusiasta da Operação desse Juiz Sérgio Moro que está reescrevendo a História deste Brasil velho e vilipendiado por inúmeros canalhas que o administram ao longo dos anos, num verdadeiro e continuo flagelo. Quem tem a curiosidade de ler sobre a História da República (leia, por exemplo, Guia politicamente incorreta dos presidentes da República, de Paulo Schmidt, Ed. Leya, São Paulo, 2016) e poderá conferir o que digo. Aliás, o que todo mundo diz.
Os episódios da semana que finda (entre 23 e 27.05.16) expõem os que agora mandam em Brasília termina alimentando – e com razão – a turma petista que tenta fortalecer a tese do golpe.
E é a propósito desta tese que quero falar agora: fico observando alguns defensores da ideia querendo comparar o momento atual com o golpe de 1964. Já tive, inclusive, quem me perguntasse se o que ocorre agora não teria as mesmas características daquele ano. Fui enfático em dar minha opinião afirmando que não tem nada que seja comparável. O mundo era outro e o Brasil também. As forças exógenas que influenciaram a investida militar, à época, foram concretas, com a efetiva influência política norte-americana pontificando na America do Sul, diante do caso de Cuba. Tio Sam tremia com o avanço da União Soviética na parte Latina das Américas. Era o auge da Guerra Fria e o resto da História todo mundo conhece. Hoje, a coisa é diferente! A chamada Cortina de Ferro não existe mais, foi carcomida pela ferrugem e ruiu de podre e total inviabilidade. No nosso atual caso, as razões são essencialmente internas. Um Governo saudoso das ideias sócio-comunistas dos anos 60 e 70, administrativamente incompetente não conseguiu viabilizar seu projeto, se entregou ao banditismo da corrupção, deixando escapar uma bela oportunidade que teve de se tornar um ponto de inflexão na curva da velha condução política do país.
Os tempos de hoje são outros. Os países que passaram pelas experiências populistas já deram a “volta por cima” e atualizaram suas trajetórias. Os que se atrasaram no processo estão pagando caro pelo idealismo anacrônico que alimentam. A Venezuela é o melhor dos exemplos. Já os hermanos argentinos “viraram a mesa” com Macri e no Brasil tenta-se dar uma girada de 180° para colocar o trem de “volta aos trilhos”. Não é nada fácil com tanta instabilidade econômica e política. Na verdade é traumático, até porque falta uma liderança capaz. Melhor que nunca houvéssemos passado por essa conjuntura. O processo de impeachment, no formato que ficou desenhado, bem diferente da unanimidade do de Fernando Collor, ainda vai render muitos desencontros e dissabores à Nação. No meio disso tudo, a Lavajato vai continuar, a presidente fica no “limbo” e  poder central transitório se esforça para soprar sobre o país uma lufada de esperança. Mas, o Brasil continua dividido. É inútil pensar ao contrário. Isto pode perdurar por longo tempo cobrando do povo brasileiro um preço altíssimo.
De todo modo, como já passamos por muitas outras crises às quais sobrevivemos, cabe uma pergunta: por que não sairemos desta desafiante conjuntura? Tomara que seja mesmo conjuntural e que passe logo.  


  

terça-feira, 10 de maio de 2016

Quem disso cuida, disso usa.

Quando afirmo que vivemos um estado de perplexidade política não é sem reflexão ou tino. O episódio de ontem, com um irresponsável presidindo interinamente a Câmara Federal, um tal de Waldir Maranhão, sinto-me coberto de razão. Aquilo ali foi a expressão do caos e da máxima profundidade do poço da irrespo nsabilidade política que agride a Nação brasileira. Um verdadeiro escárnio. Esse sujeito zombou das nossas qualidades de país sério e assinou uma certidão de que vivemos numa legitima republiqueta de bananas. Expôs de forma mais negativa possível nosso país diante da comunidade internacional. Eu, que sou um pobre coitado cidadão que ousa em formar opinião, recebi de imediato ligações de leitores estrangeiros questionando o episódio e, naturalmente, criticando a insegurança institucional brasileira. Foi um verdadeiro assombro. Seguramente, a maior das vergonhas que passamos. Minha “desculpa” foi de que se tratava de um inepto e inexpressivo deputado federal buscando capitalizar seu momento fortuito de celebridade. Prova disto é que foi logo em seguida desmoralizado e bom seria que jamais voltasse ao cenário político. Vide, a seguir, foto da figura com D. Dilma.
A lição que tiro dessa palhaçada – tipo circo mambembe – é de que o povo brasileiro não sabe escolher seus representantes no parlamento nacional. Aliás, em nenhuma das nossas casas legislativas dos três níveis de administração.
Falta consciência política na nossa gente. O povão ignorante vota por trinta moedas, por um saco de cimento ou uma dentadura para corrigir a boca banguela. Ou, naturalmente, para retribuir ao Bolsa Família! Doloroso é saber que essa coisa está longe de ser corrigida. Falta educação para o povo aprender o que seja cidadania, responsabilidade eleitoral e visão critica da realidade que vive. Mas, como essa é a estratégia dos políticos – manter a ignorância para facilitar a tomada do poder – já sei que não terei tempo para viver o possível Brasil dos meus sonhos.
Esse cara que ontem tentou burlar a Democracia é o produto dessa ignorância nacional. Ele próprio revelou ser um ignorante como a grande maioria dos brasileiros e, sobretudo, dos eleitores que o elegeram. Tão ignorante que caiu na cilada da PTrálea que está se agarrando ao poder como quem está tentando se salvar de um naufrágio. Brincou de “manda-chuva” influenciado pelo também inepto Advogado Geral da União. 
Há um velho ditado popular que diz “quem disso cuida, disso usa”. O PT, Lula e D. Dilma não param de bradar que o atual legítimo processo de impeachment se constitui num golpe. Ora, golpe foi o que tentaram aplicar ontem. Mas, a Constituição Nacional foi respeitada, o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal, idem e o Senado ignorou a burrice do presidente interino da Câmara. Sinto certo alívio sabendo que amanhã (11.05.16) teremos o epílogo dessa doideira que vivemos no Brasil.
Pela minha família, pela Pátria deseducada, pela inocência dos eleitores ignorantes e pelo Brasil digo SIM à Democracia Brasileira. 

Nota: Foto obtida no Google Imagens 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Um país condenado à esperança

Cansei de refletir sobre a crise. A palavra impeachment e tudo que a esta se relacione já me causa fadiga. A frequência de novos e bombásticos episódios deixam-nos, pobres mortais, em completo clima de perplexidade. Nem bem faço uma reflexão sobre um lance e surge outro que suplanta os anteriores. No Brasil de hoje, cada amanhecer é precedido de expectativa. Fico desapontado com esse ambiente e resto tentando entender cada coisa e o conjunto da “obra”. Entre os muitos episódios, aquela votação na Câmara dos Deputados ainda não saiu da minha cabeça. Lembrando o humorista Sérgio Porto, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte-Preta, foi um verdadeiro FEBEAPÁ, isto é, um Festival de Besteira que Assolou o País. É bem verdade que teve muita gente que adorou e se divertiu muito. Fico me perguntando: seria cultural? Aliás, em meio aquilo tudo, lembrei também de outro mestre do humor que foi Millôr Fernandes quando disse acreditar que “quando o Criador criou o homem, os animais em volta não caíram na risada por uma questão de respeito” e para completar uma outra máxima dele e que gosto demais:  “a diferença entre a galinha e o político é que o político cacareja e não bota ovo”.
Como filho de Deus dei-me ao prazer, para desanuviar a mente e oxigenar o cérebro, de perambular, recentemente, por uma livraria, em São Paulo, onde passei o feriadão de Tiradentes, catando os lançamentos. Deparei-me com um livro que trata de esmiuçar biograficamente cada presidente que comandou a República do Brasil, desde Deodoro até Dilma. Pense numa coisa oportuna. Trata-se de uma obra interessante, embora que, em alguns trechos, o autor usa da liberdade literária com alguma dose de parcialidade. O livro denomina-se “Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da Republica” da autoria de Paulo Schmidt (Leya Editora, S. Paulo, 2015/16). É um trabalho de pesquisa interessante e serve inclusive como livro de consulta para aqueles que se interessam pela história republicana brasileira. O mais interessante é perceber logo nos primeiros capítulos – na verdade, primeiras biografias – que o Brasil ao longo da Historia foi dirigido por inacreditáveis “lapas de doidos”, com raras exceções intercaladas. Corruptos, ignorantes, pervertidos sexuais, sádicos, ladrões, carolas e desajustados mentais foi o que não faltou. Por outro lado, fica claro na obra, que todo(a) sujeito(a) que ocupa a cadeira da presidência acha que pode tudo. É certamente cultura política brazuca. O autor garante que os presidentes brasileiros acham-se com mais poder que imperadores romanos ou reis da Babilônia. E, desenhando o perfil de cada um, diz que Campos Sales e Nilo Peçanha tinham vergonha e escondiam a ascendência negra. Delfim Moreira era louco de pedra. Artur Bernandes criou um campo de concentração no Amapá para onde deportava seus oposicionistas. A vida sexual de Getúlio Vargas influenciou seu governo ditatorial. A renúncia de Jânio foi uma manobra política mal engendrada e terminou dando errada. Collor, já sabemos, praticava bruxaria contra os inimigos políticos. E Lula, vejam só, foi “dedo duro” na ditadura militar. Ainda não acabei de ler, mas imagino o que vem nos capítulos finais.   
O mais insólito de tudo é lembrar que, desde a tenra idade, sempre ouço falar do futuro promissor que se reserva para o Brasil. O país do futuro! Suas riquezas naturais, seu bravo e inteligente povo trabalhador e a vontade de crescer apontam para um tempo de fartura e continuo progresso. Mas, com essa cambada severgonha quando isto acontecerá? Ou somos uma Nação condenada à esperança?


NOTA: Foto da autoria do Blogueiro

quarta-feira, 20 de abril de 2016

E agora Brasil?

“Pela minha mãe, pela minha mulher, pelo meu avô, pela minha netinha que está pra nascer, por titia que me criou, por...” Que ridículo! Era uma sessão de trabalho na Câmara Federal ou um circo de cavalinhos em dia de grande plateia? Menos mal que o esperado show de Tiririca não aconteceu. Vai ver que ele estava indisposto. Foi lacônico e rápido ao expressar seu voto pelo Sim. Isto sem falar no despautério de alguns que não pouparam palavras ofensivas ao Presidente da Casa. Não, alto lá. Não estou defendendo o individuo Deputado Eduardo Cunha, implicado até os dentes na Lavajato. Mas, estou me referindo ao cargo por ele exercido. Tudo na vida requer ritual próprio e respeitoso quando necessário. Se colocá-lo naquela cadeira foi uma escolha errada, paciência. Sendo culpado, que pague na forma da Lei pelos crimes cometidos.   
Aquilo de domingo (17.04.16), em Brasília, foi um puro testemunho do quanto o eleitor brasileiro é incapaz de escolher as pessoas certas como representantes. De todo modo, nunca é demais lembrar que aquilo é o retrato do Brasil. Aquele linguajar muitas vezes chulo combina como o nível cultural da Nação. E os parlamentares sabem disso. Agora, tem uma coisa: fico envergonhado por saber que aquela muvuca foi transmitida para o mundo inteiro. Que eu saiba, a CNN Internacional fez cobertura maciça. Um canal de TV argentino transmitiu, ao vivo, com alcance até o Chile. Às Globo e Band Internacionais muitos foram os expectadores. Que vexame.
Mas, deixando de lado o folclórico parlamento brasileiro, ocorre-me uma questão: e agora Brasil? Sim, e agora o que pode acontecer? Dolorosa interrogação.
Bom, acredito que ainda vamos atravessar um período bem difícil. Com Dilma no poder ou Temer no comando a coisa me parece bem tumultuada. E é no campo econômico onde vamos sentir as piores consequências. E Economia ruim é catastrófica para qualquer Governo. Vejamos: cenário de Dilma salva pelo processo final do impeachment no Senado. No Planalto tentando remontar seu governo, buscará saídas para finalmente mostrar que pode governar. Prevejo que não será uma missão fácil. Pelo contrário, será necessária uma força sobre-humana para quem foi sempre concentradora de poder, pouco afeita aos diálogos e experiência sofrível em política partidária. Contará a contragosto com oposições derrotadas que não perdoarão e, mais do que antes, farão de tudo pior para atropelar a mandatária. Imagino derrotas esmagadoras, como a do domingo passado. E nesse cenário quem pagará o pato seremos nós, os pobres coitados cidadãos comuns. Principalmente os mais pobres. O recém-prometido governo de conciliação – que poderia até ser a “salvação da barca” – se revela como um projeto inviável em face do clima que se estabeleceu. Pouco provável que os partidos opositores se dignem entrar nessa coalizão. 
Já o cenário oposto é o do impeachment efetivado e Michel Temer assumindo o Governo. Ao contrário do que muitos imaginam, também não será fácil. O programa de recuperação econômica, denominado Ponte para o Futuro proposto recentemente pelo PMDB, encontrará pela frente verdadeiros impeditivos para sair do papel. A situação degradada nas quais se encontram os quadros político e econômico requerem significativas estratégias, muitas das quais de difíceis desenhos e complexas construções. E o ponto mais delicado e desafiador será o resgate da credibilidade, nos níveis domésticos e internacional. Em apenas dois anos e meio de governo? Tenho dúvidas. A remontagem de um novo governo com a adoção de medidas necessariamente impopulares, como as reformas desejadas na estrutura de Governo (redução da máquina e dos gastos públicos), tributária, previdenciária e política vão ter de constar nas ordens do dia-a-dia. Junte tudo isto às reais possibilidades de enfrentar uma oposição desmedida que o PT vai desenvolver e sinta o tamanho do dilema no qual o país vai mergulhar.
Resultado prático: o país já parou de vez, instalou-se um vácuo de poder, a nação sofre como se vivesse um terremoto e, como só acontece depois de um tremor de terra, vem um tsunami. Vamos ter de arranjar forças e coragem para sobreviver a este tsunami político-econômico que nos “brindam” os governantes de plantão. Doloroso.

NOTA: Foto colhida no Google Imagens

terça-feira, 5 de abril de 2016

Turismo ameaçado

Esta semana vou deixar de lado minhas preocupações com os tropeços políticos reinantes no país e, ao mesmo tempo, poupar meus leitores desse tema recorrente e de certo modo esgotado amplamente pela imprensa aberta. Contudo, vou tratar de outro assunto também preocupante e que chama a atenção, de qualquer cidadão ou cidadã de são juízo. Refiro-me aos problemas que atingem e afugentam os turistas no Brasil.
Tenho sempre argumentado que, melhor do que qualquer campanha promocional de turismo, o chamado “boca-a-boca” emitindo opinião elogiosa a um país ou determinado local tem um efeito positivo e, muitas vezes, mais eficaz. Gosto muito de escutar referencias de pessoas que visitam lugares e me estimulam a visitá-los. Principalmente quando se trata de reconhecidos e experientes viajantes. Assim, receber bem um forasteiro visitante pode resultar num importante vetor de promoção turística.
Turista em geral é sempre muito exigente. Quer sempre ser rodeado de salamaleques, cortesias e bons tratos. Eu pessoalmente sou assim. E tem certa lógica. Ninguém se abala dos seus cômodos para padecer num lugar estranho. Salvo, obviamente, aqueles aventureiros que embarcam em viagens plenas de “emoções” e com muito estresse. Escalar o Everest, ver de perto regiões em conflito, dar uma de Amyr Klink e se perder em trilhas selvagens são bons exemplos. Tem muitos assim.  
Infelizmente tenho visto noticias de casos absurdos de agressões, alguns fatais, aos visitantes estrangeiros que tentam descobrir o Brasil. Chegam ávidos por entrar em contato com essa gente alegre e hospitaleira, curtir o sol e o mar constantes, tomar muita caipirinha, sambar e assistir uma partida de futebol. Tudo como propalada pelos agentes promotores. Para alguns, no entanto, nada disso é permitido por conta da insegurança e o despreparo da gente.  Outro dia vi na TV a reportagem da turista sul-coreana que foi assaltada no Rio de janeiro em pleno calçadão de Copacabana.  Perplexa, incrédula e sem dominar o idioma local passou por momentos de apuros inesperados. Outro caso foi do casal de namorados estrangeiros sequestrados por marginais, sujeitando-os a uma série de maltratos, incluindo estupros seguidos à jovem turista. Em Fortaleza(CE) outra jovem estrangeira foi assaltada e seviciada de modo cruel. Há os que são assassinados sem pena e sem dó. Não há nada mais negativo para um país que deseja desenvolver sua atividade econômica do Turismo – como é o caso do Brasil – quando registrados casos extremos desse tipo. Todos, diga-se de passagem, divulgados amplamente na mídia internacional.
O que me fez pautar este assunto foi o episódio vivido pela violinista sérvia, Vera Stefanovic, e a cantora lírica brasileira Thayana Azevedo, no último fim de semana, aqui no Recife. Passageiras de um cruzeiro marítimo, vindo de Buenos Aires, Rio de Janeiro e Salvador, tentaram aproveitar a parada de meio dia na dita Veneza Brasileira para ver sua gente, o artesanato regional e provar da culinária local. Nem bem desembarcaram, quando ainda diante do Terminal Marítimo do Recife, foram assaltadas por dois delinquentes armados. Tentando salvar a bolsa com documentos e dinheiro, a violinista reagiu e foi atingida por um golpe de arma branca, saindo com ferimento grave na cabeça. Essas moças jamais recomendarão uma visita ao Recife. Quiçá ao Brasil. Com razão! Essa reação tem uma lógica. Eu faria o mesmo. A propósito, lembro que certa vez fui ameaçado de morte por um taxista numa cidade do interior do Marrocos. A cidade se chama Tétouan. Não aconselho ninguém passar por ali.
Uma coisa é certa: o brasileiro precisa ser mais bem preparado para este novo tempo em que as pessoas, cada vez mais, mantêm, nas suas programações de vida, viagens através dos mais distintos, ágeis e provocativos meios de transportes modernos, que facilitam deslocamentos aos mais sedutores destinos nos quatro cantos do planeta. Naturalmente que para que isso ocorra de modo satisfatório e tranquilo por aqui é preciso que haja revolucionários programas governamentais de Educação e Segurança Pública que garantam condições dignas para receber o turista visitante.
Muito pouco são os brasileiros que percebem a importância econômica da atividade turística. Esses mesmos marginais, que hoje agridem, poderiam estar incluídos na força de trabalho direta ou indireta do setor.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...