Cansei de
refletir sobre a crise. A palavra
impeachment e tudo que a esta se relacione já me causa fadiga. A frequência
de novos e bombásticos episódios deixam-nos, pobres mortais, em completo clima
de perplexidade. Nem bem faço uma reflexão sobre um lance e surge outro que
suplanta os anteriores. No Brasil de hoje, cada amanhecer é precedido de
expectativa. Fico desapontado com esse ambiente e resto tentando entender cada
coisa e o conjunto da “obra”. Entre os muitos episódios, aquela votação na
Câmara dos Deputados ainda não saiu da minha cabeça. Lembrando o humorista
Sérgio Porto, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte-Preta, foi um verdadeiro FEBEAPÁ,
isto é, um Festival de Besteira que Assolou
o País. É bem verdade que teve muita gente que adorou e se divertiu muito. Fico
me perguntando: seria cultural? Aliás, em meio aquilo tudo, lembrei também de
outro mestre do humor que foi Millôr Fernandes quando disse acreditar que
“quando o Criador criou o homem, os animais em volta não caíram na risada por
uma questão de respeito” e para completar uma outra máxima dele e que gosto
demais: “a diferença entre a galinha e o
político é que o político cacareja e não bota ovo”.

Como filho
de Deus dei-me ao prazer, para desanuviar a mente e oxigenar o cérebro, de perambular,
recentemente, por uma livraria, em São Paulo, onde passei o feriadão de
Tiradentes, catando os lançamentos. Deparei-me com um livro que trata de
esmiuçar biograficamente cada presidente que comandou a República do Brasil,
desde Deodoro até Dilma. Pense numa coisa oportuna. Trata-se de uma obra
interessante, embora que, em alguns trechos, o autor usa da liberdade literária
com alguma dose de parcialidade. O livro denomina-se
“Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da Republica” da
autoria de Paulo Schmidt (Leya Editora, S. Paulo, 2015/16). É um trabalho de
pesquisa interessante e serve inclusive como livro de consulta para aqueles que
se interessam pela história republicana brasileira. O mais interessante é
perceber logo nos primeiros capítulos – na verdade, primeiras biografias – que
o Brasil ao longo da Historia foi dirigido por inacreditáveis “lapas de
doidos”, com raras exceções intercaladas. Corruptos, ignorantes, pervertidos
sexuais, sádicos, ladrões, carolas e desajustados mentais foi o que não faltou. Por outro lado, fica claro na obra, que todo(a) sujeito(a) que ocupa a cadeira da presidência acha que pode tudo. É certamente cultura política
brazuca. O autor garante que os
presidentes brasileiros acham-se com mais poder que imperadores romanos ou reis
da Babilônia. E, desenhando o perfil de cada um, diz que Campos Sales e Nilo
Peçanha tinham vergonha e escondiam a ascendência negra. Delfim Moreira era
louco de pedra. Artur Bernandes criou um campo de concentração no Amapá para
onde deportava seus oposicionistas. A vida sexual de Getúlio Vargas influenciou
seu governo ditatorial. A renúncia de Jânio foi uma manobra política mal
engendrada e terminou dando errada. Collor, já sabemos, praticava bruxaria
contra os inimigos políticos. E Lula, vejam só, foi “dedo duro” na ditadura
militar. Ainda não acabei de ler, mas imagino o que vem nos capítulos finais.
O mais
insólito de tudo é lembrar que, desde a tenra idade, sempre ouço falar do
futuro promissor que se reserva para o Brasil. O país do futuro! Suas riquezas
naturais, seu bravo e inteligente povo trabalhador e a vontade de crescer
apontam para um tempo de fartura e continuo progresso. Mas, com essa cambada
severgonha quando isto acontecerá? Ou
somos uma Nação condenada à esperança?
NOTA: Foto da autoria do Blogueiro