segunda-feira, 13 de abril de 2015

Combater a corrupção deve ser o foco

O povo foi outra vez às ruas. Em menor afluência é verdade. Mas, não deixou passar. É a democracia sendo exercitada. Ocorreram, como previsto, manifestações menores. O brasileiro é bem acomodado para essas coisas e gosta mesmo é de novidade sem muito compromisso. Muitos vão por pura gandaia, outros sequer sabem, por certo, o que defender. Há de tudo: protestos e demandas certas, misturadas com as coisas sem sentido.  Pedir o impeachment da presidente e a intervenção militar, por exemplos, é pura sandice. Coisa de quem não sabe focar no certo. Em sendo cometida uma dessas duas opções, ter-se-á um tremendo retrocesso na ordem política e no domínio  econômico do País. O preço a pagar pode ser muito mais alto do que já se paga. É preferível pensar que o povo pedindo mais do que o adequado, ganhe o que lhe seja devido. E que sirva de experiência. Esta, aliás, pode ser uma forma de educar politicamente o povo comum. E com isto, não se defende este governo que está aí. Ao invés disso, manifesta-se o descontentamento com tudo quanto tem provocado todo esse transtorno sócio-poliltico-econômico que vem ocorrendo.
Mas, na tentativa de tirar lições dos clamores das ruas, o que seria bem oportuno é que houvesse uma reflexão nacional sobre o tema da corrupção, já que muitos são os cartazes e as demandas pedindo o fim dessa praga que assola o país. Neste caso o povo tem razão porque, afinal de contas, o Brasil está consagrado mundialmente como sendo “o paraíso dos corruptos”. E não se trata, apenas, desses corruptos agora presos pela Lava a Jato ou pelo Mensalão. Aqui se dá guarida a ladrões e escroques internacionais, entre os quais o mafioso italiano Tomasso Buscetta, o inglês Ronald Biggs e o também italiano, ativista e criminoso, Cesare Batistti, que se refugiaram no Brasil, numa boa e em segurança, fugindo da lei dos seus respectivos países. Ora gente, assim já é demais. A corrupção e a (des)governança, que são “amigas íntimas” neste cenário, grassam de modo descarado no continente brasileiro.
Bom, verdade se diga: tudo isso começa no seio das famílias brasileiras. É uma coisa de berço. Tudo de forma tranquila e  como se nada fosse errado. O brasileiro comum é corrupto, até por esporte: gosta de furar uma fila no banco ou noutro lugar qualquer, suborna um guarda de trânsito para se livrar de uma justa multa aplicada, forja recibos falsos para burlar a Receita Federal na hora do ajuste de contas com o leão, estaciona numa vaga destinada a especiais, rasura documentos pessoais para enganar os tolos, entre outras peripécias.  A meninada cresce nesse clima de blefar e se tornam adultos corruptos de carteirinha.
Essa é a “meninada” que  tempos depois ocupa cargos públicos, muitos dos quais se elegem parlamentares ou executivos de governos, viram magistrados e, com a maior tranquilidade, passam a mão no dinheiro público, mentem descaradamente para os eleitores, “comem bola” para livrar delinquentes da cadeia ou se apropriam de bens apreendidos, produzindo, por fim, uma sociedade de estúpidos ladrões e assassinos cruéis.
Dois casos recentes: quem diria que o Programa de Financiamento Estudantil no Ensino Superior – FIES fosse ser plataforma de sustentação financeira para centenas de escolas mal estruturadas e formadoras de profissionais desqualificados como vem acontecendo em todo país?  E quem diria que o Seguro por Danos Pessoais causados por Veículos Automotores – DPVAT tivesse por trás uma quadrilha de falsificadores, espalhada pelo país, que forja falsos sinistros, atestados médicos mentirosos e registros de ocorrências inexistentes, para receber indenizações, sem que o verdadeiro segurado tome conhecimento?
O que resta, neste clima desolador e diante dos clamores populares, é desejar que um dia – um dia! – surja um Brasil livre de corruptos e ladrões, inclusive estrangeiros, e que o país goze de limpo prestigio internacional. Isto, certamente, não será logo mais. Mas, uma coisa é certa: serão necessárias algumas gerações bem orientadas, com forte esquema de Educação (sempre ela!) com lições e práticas de moral e cidadania, qualidades inexistentes na maioria dos brasileiros comuns dos tempos de hoje. Combater a corrupção (pela base) deve ser o foco.

domingo, 5 de abril de 2015

Antigamente era muito diferente...

Antigamente, as celebrações da Semana Santa eram muito diferente... a gente já deixava de ir a escola na 4ª. Feira, ninguém trabalhava, o comércio fechava, porque a partir do meio dia, já começava o retiro espiritual da semana. Dali em diante, e até a sexta feira, outro sinal muito efetivo vinha pelas ondas dos rádios – então muito prestigiados – que só colocavam no ar músicas eruditas e que todo mundo chamava de música fúnebre. Fazia-se um silencio no meio do mundo, que chamava a atenção de nós, meninos irrequietos, loucos que passasse aquela ocasião tão monótona. Claro! Não se podia cantar, gritar ou fazer algazarras. Arengar com um irmão, seria um pecado mortal.
Paralelamente, a minha casa, por exemplo, era invadida pelo cheiro do pescado e do bacalhau que eram consumido durante três dias. A mesa era farta e nem condizia com a ocasião. Pecava-se pela gula!Para acompanhar o peixe havia o feijão e o arroz de coco, verdadeiras delícias, completados pelo bredo, ao molho de coco, também. Naquela época eu não era muito fã de peixe. Achava insuportável ter que fazer a abstinência de carnes vermelhas por três dias seguidos. Era um sacrifício.
No meio disso tudo, havia os momentos de ir à Igreja, inclusive para se confessar em preparação para a comunhão no domingo. Aff, aquilo era um terror. Qual será a minha penitencia? Lembro, ainda, da cerimônia do lava-pés, da instituição da eucaristia e da procissão do Senhor morto. Nesta, beatas choravam, com o terço na mão e beijavam a imagem do Senhor morto. Era um clima de puro féretro.Apesar da austeridade exigida, havia duas coisas bem profanas e divertidas, que terminavam quebrando o clima de pesado retiro: a noite do serra-velho, acho que na 4ª. Feira e a da malhação do Judas, na 6ª. Feira. Não estou muito seguro desses dias. A primeira, escolhiam um cidadão ou uma cidadã de muita idade e, de modo geral, antipatizado pela comunidade e simulavam seu funeral. Munidos de um serrote, roçando numa lata velha, produzindo um barulho desagradável, alta madrugada e, na porta da vitima, tratavam de fazer um inventário e “distribuição” dos bens do “morto” entre os promotores da provocação. Tinha "defunto" que ficava revoltado e reagia, muitas vezes, a bala! Geralmente uma espingarda. Quando a arma cuspia fogo, os “herdeiros” corriam com os pés nas costas. Quanto a história do Judas, lembro que escolhiam um cidadão, malquisto pela comunidade, para ser “julgado”, em praça publica, através da figura de um boneco em tamanho natural. Era a maior desfeita. Os promotores da malhação, muitas vezes, conseguiam, nunca se sabe como, algumas peças de roupas do cara, produziam um boneco recheado de trapos e folhas de bananeira (eu ajudei a fazer um) e penduravam num poste, bem debaixo da luz pública. O sujeito quando via aquele boneco com suas próprias roupas, era capaz de se suicidar. No fim da noite o boneco, digo o Judas, era derrubado e surrado aos gritos da cambada. Essas noites eram conhecidas como as da malhação de Judas, referindo-se à figura do Judas, o traidor de Cristo.
Quando, finalmente, chegava o sábado havia uma explosão de alegria. As rádios, em vez de musica "fúnebre", atacavam de frevos e marchinhas de sucesso do último carnaval. Os clubes sociais promoviam os chamados bailes de aleluia. Era o maior carnaval do mundo, numa única noite. Aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou!
Hoje, porém, é tudo muito diferente. Católico de nascença, fico meio desapontado, quando vejo a programação dos dias da semana santa dos jovens. Definitivamente, acabaram com o clima de retiro e respeito à Paixão e Morte de Cristo.
No lugar das chamadas músicas fúnebres, a programação das rádios não muda em nada e se ouvem as costumeiras batidas do rock, dos pagodes e sambas. Nas estâncias de férias, promovem-se monumentais festivais de músicas, nos quais a moçada se esbalda e extravasa seus instintos, inclusive os mais obscenos. Pra começar, as bandas, vejam só, levam nomes muito esquisitos, tais como Biquíni Cavadão, Garota Safada e Calcinha Preta, entre outros. Isto não casa com nada de bom senso, principalmente o religioso. Pense pular ao som da banda de Ivete Sangalo, em plena noite da 6ª. Feira Santa. E comer churrasco de picanha no meio da festa! Acontece, sim. Se minhas avós, por um milagre que fosse, voltassem ao mundo dos vivos, davam uma marcha à ré e, fazendo o sinal da cruz, deitavam e morriam, outra vez. Eu nem choraria. Conformado, entendia que não lhes restava outra coisa.
Não! Não é saudosismo, nem beatice, nem falso moralismo. É desconforto espiritual. Acho que um retirozinho, uma pausa para meditar, pode fazer muito bem a essa juventude inquieta de hoje.

Nota: Fotos do Google Imagens

domingo, 29 de março de 2015

Longe da Confusão

O começo desta semana foi, para mim, aos pés da Cordilheira dos Andes, na bela e pujante cidade de Santiago do Chile. Oportuno compromisso familiar levou-me até lá e, novamente, pude gozar da hospitalidade chilena, bem como de ter a chance de reapreciar de perto o resultado do bem sucedido modelo econômico que, vem sendo aplicado àquele país latino-americano. Portanto, estive longe da confusão de Pindorama, ainda que por pouco tempo. Nada melhor para arejar minha mente perplexa e sacolejada pelos transtornos políticos e econômicos que vivemos no Brasil de hoje.
O Chile, ao contrário, é seguramente a mais equilibrada economia do continente, na atualidade. Por quatro dias respirei progresso e tranquilidade política em meio a uma sociedade bem assistida e visivelmente melhor educada e politicamente esclarecida. O chileno é um povo bem politizado. Vejo isto, há algum tempo, graças a experiências profissionais ali desenvolvidas e visitas relativamente frequentes que faço ao país.

Os chilenos souberam adotar – com boa antecipação – um esquema econômico compatível com a rápida consolidação da globalização econômica. Desde o governo militar optaram por forte programa de reformas do Estado e por uma privatização de empresas estatais, coisa de difícil manejo, preservando apenas a que cuida da mineração, beneficiamento, transformação e comercialização do cobre, principal riqueza natural do país. A Previdência Social do país, por exemplo, é tocada pela iniciativa privada e o sucesso é indiscutível.  No setor do agronegócio os resultados são notáveis e a vitivinicultura é de fama mundial. Haja competitividade!
O processo das privatizações foi iniciado, ainda, por Pinochet (dezessete anos como ditador sanguinário e odioso) e, inteligentemente, concluído pelos governos civis após a redemocratização. Nada de dúvidas como ocorre no Brasil. O resultado dessa política é ter um  Governo hoje exercendo funções do Estado e articulador e promotor da ordem e do progresso nacional.
Estou falando de um dos países mais estáveis, ou o mais estável, e próspero da América do Sul. É de longe o melhor no que tange ao desenvolvimento humano – alto IDH de 0,822 (2013) (41º do mundo) –, competitividade comercial e economia mais globalizada do continente, liberdade econômica, taxas de juros civilizadas, carga tributária justa, sistema educacional seguro, estabilidade política e índices comparativamente baixos de pobreza. Isso tudo tendo como pano de fundo um elevado nível de liberdade de imprensa e arraigado espírito democrático. É o país latino-americano com o melhor PIB per capita, US$ 23.165,00 (medido pelo Poder de Paridade de Compra - PCC) o que diz muito bem sobre o estado de espírito do chileno comum. Andando por Santiago não se vê, desocupados limpadores de para-brisas nos semáforos e pedintes são muito poucos. Estes poucos, aliás, segundo fui informado por um taxista, são na maioria imigrantes bolivianos e peruanos desempregados que ultimamente adentram pelo Chile na busca de soluções de sobrevivência. Pode ter sido uma desculpa. Mas... Conversei com uma peruana, empregada doméstica na casa de família amiga, que pode expressar suas esperanças em remontar a vida com o marido e filho “num país de mais futuro”, no caso, o Chile. Por falar em taxista, tomei outra gozação por conta do rombo na Petrobrás. Ao volante e com muito bom humor meu condutor perguntou se eu era empregado da petroleira brasileira. Diante da minha negativa, disse se sentir aliviado por não precisar esconder a carteira de seus míseros Pesos Chilenos, bem na minha frente, ao lado da alavanca de marchas do taxi. Tive que rir, para não chorar. É, o Petrolão virou piada internacional. Uma vergonha. Lembram do meu diálogo com o motorista em Nova York, mês passado?
O progresso chileno, descrito rapidamente acima, é mais visível quando circulando pela capital chilena e sua área metropolitana. Largas e longas avenidas, além de vias expressas por todo lado. Estrutura urbana invejável. Tudo muito limpo e com coleta seletiva de lixo por todo canto. Transporte público bem ordenado, incluindo uma importante rede de metrô. Zero de engarrafamentos. Nada comparável com o Brasil de cidades inchadas, mal urbanizadas e despreparadas para abrigar tão grandes contingentes populacionais  despreparados para viver no padrão desmantelo. Bateu-me uma inveja...
O tempo passou rápido e como voltar é necessário, desembarquei ouvindo “o som surdo” da queda do Real frente ao Dólar americano e o prenúncio de publicação do “crescimento” do PIB em 2014, finalmente publicado pelo IBGE na sexta-feira (27.03.15): 0,1%. Que horror! E dão-se ao desplante de falar em pequeno crescimento. Meu Professor de Econometria (Telmo Maciel) dava como certo que 0,1 é o mesmo que ZERO e que 99% é o mesmo que 100%. Se vivo estivesse, daria boas gozadas nessa turminha fajuta de Brasília e que subestima a inteligência do eleitor. Quem me dera estar longe dessa confusão, por mais tempo.

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens

quinta-feira, 19 de março de 2015

Depois das Ruas

Confesso que fiquei aliviado diante do resultado das manifestações populares de domingo passado (15.03.15). Após uma expectativa duvidosa e lembrando-me de algumas objetivas ameaças, anunciadas por organizações pró-governo, vi um belo exercício de democracia. Comparável aos que ocorrem em países político e socialmente desenvolvidos, particularmente nos da Europa. Naturalmente que houve algum excesso, aqui ou acolá, mas isso é natural e fica por conta da heterogeneidade sócio-educativa brasileira. Aquilo que digo sempre: falta Educação neste país. De todo modo, os objetivos foram alcançados e acredito que o Governo ouviu e prestou muita atenção aos reclamos da Nação. Prova disso foi ver os imediatos pronunciamentos de representantes do Gabinete de Crise que Dona Dilma montou no Palácio do Planalto. Gabinete este que foi obrigado a levar em conta os recados dados desde a Sexta-Feira (13/03/15), pelas centrais sindicais, que não pouparam o Governo devido às reformas trabalhistas, e pelas multidões que em massa acorreram às ruas e avenidas das principais cidades brasileiras. Finalmente, milhões de brasileiros acordaram de uma “anestesia geral” e disseram alto das suas insatisfações.  
Já na segunda feira, a própria Presidente concedeu uma entrevista, transmitida para todo o Brasil, no qual reconheceu que erros foram cometidos pelo seu Governo. Indiscutivelmente, um ato de humildade inesperado para quem, por natureza pessoal, é orgulhosa e intransigente em tudo. Só que foi uma reação tardia. Ela não atinou no antes. Perdeu o time e agora vai ter que penar para colocar o “trem nos trilhos” outra vez, o que é claramente uma interrogação dolorosa.
Na verdade, o reconhecimento dos erros cometidos deve remontar aos que já vêm sendo cometidos pelo PT, desde o governo de Luis Inácio. Ao considerar que a crise de 2008, chegaria ao Brasil na forma de uma "marolinha" foi, sem dúvida, o erro inicial desse enorme bolodório no qual o país se meteu. Acho que Lula nunca ouviu dizer que “quando a economia dos Estados Unidos dá um espirro, a do Brasil cai numa tremenda gripe”. Imagine que o que aconteceu com Tio Sam foi mais do que um espirro. Sim, porque aquilo lá, em 2008, – o estouro da bolha imobiliária e suas desastradas consequências – foi uma “pneumonia das brabas” que até hoje os gringos estão tratando. Quanta inocência, meu Deus! Seria uma maravilha que o Brasil tivesse a autonomia econômica que essa gente imaginava.  
Na esteira da tal "marolinha", Luis Inácio empurrou nos peitos dos brasileiros um programa econômico arriscado, com uma bateria de incentivos fiscais, para ampliar o consumo das famílias e alavancar a produção industrial. Insustentável, simplesmente, por uma razão de ordem técnica. Desde cedo essa estratégia apontava para um momento em que o Governo viria buscar o perdido nos bolsos dos que inocentemente se entregaram ao instinto perdulário. Financiamentos de veículos em 75 meses, redução drástica das alíquotas de IPI desses mesmos veículos, além da linha branca, dos móveis e dos eletrodomésticos e, enfim, para tudo quanto rolava nos sonhos de consumo das camadas de renda C e D. Euforia ilimitada. Ora, minha gente, por que não cair nessa vibe?  Isso, sem falar nos preços represados dos combustíveis, na inadequada manobra eleitoral da redução das tarifas de energia, na sustentação de uma taxa de cambio irreal e, num sem número de outras medidas ousadas e mal estudadas. No dia em que “a casa caiu de vez”, logo após as eleições presidenciais do ano passado, os sinais mais evidentes da crise se ampliaram e o brasileiro mais desavisado acordou, enxergando, por fim, a roubada na qual foi metido. Mentiram desmedidamente, prometeram o impossível, para ganhar nas urnas de outubro passado e agora não sabem responder pela irresponsabilidade.
Resumo da ópera: o Brasil está numa tremenda recessão. A inadimplência das famílias é como nunca antes na história deste país e o que tem de devolução de imóveis, automóveis e artigos do lar não está no gibi. A economia tende a murchar, a indústria está sucateada e sofrendo a concorrência estrangeira, empresas estão fechando as portas, o desemprego está crescendo a taxas assustadoras e o comércio está às moscas. O medo do consumidor é a mais dura realidade de 2015. A inflação vem com toda força – já ultrapassou a meta dos 6,5% – e quem vai pagar caro pelos erros confessados por Dona Dilma é a população, sobretudo aqueles das camadas menos favorecidas. A bolsa do Bolsa Família vai ser insignificante no bolso do beneficiário. É um desalento geral. Bom, nem precisa lembrar que economia em crise provoca crise politica. 
O circo já pegou fogo na 4a. feira, em plena Praça dos Três Poderes, com o despautério e imaturidade política de Cid Gomes, Ministro da Educação.
Resta ver se Dona Dilma – com a popularidade lá em baixo, 13%! – vai conseguir virar esta mesa e restaurar o ânimo da população. Como? Não se sabe! Mas, é a única chance que ela e o PT têm agora. E que seja rápido, porque no dia 12 de Abril tem mais ruas e avenidas para o povo inundar o país de mais protestos.  

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nação Dividida

Hoje ninguém duvida de que o Brasil enfrenta a sua maior crise político-institucional de todos os tempos. Agravada pela, também grave, crise econômica. Nunca antes, na história deste país, se ouviu falar em tantos escândalos no âmbito da administração pública, ameaçando a governabilidade, nem nunca se testemunhou tanta falta de decoro, ética e honestidade políticas.  Ao mesmo tempo, este governo conseguiu banalizar o exercício da corrupção a níveis inverossímeis. É asquerosa qualquer das confissões dos corruptos na CPI, em Brasília. Resultado é que nossas estruturas governamentais, de 39 ministérios, estão inchadas e administrativamente corroídas. Ninguém confia mais em nada. O Brasil não merecia passar por essa provação.
Embora quase todo mundo acreditasse, nunca me enganei com as promessas feitas pelo Partido dos Trabalhadores. Sobretudo na recente campanha presidencial. Nunca votei nos seus candidatos, simplesmente porque não confiei nas competências ou habilidades políticas desses. Pior, ainda, por conta dos pactos políticos que construíram ou foram obrigados a isto, formando uma base aliada de pouquíssima confiabilidade.  E, quando acrescentados a “esse caldo vergonhoso” os acordos políticos celebrados com governos populistas que se instalaram em vizinhos latino-americanos a situação se revelou mais grave e terminou remetendo nosso país a uma dimensão desfavorável no contexto internacional, justamente no momento em que a comunidade externa saudava o país como uma potencia emergente de muita pujança e potencialidade. Um blefe internacional! Após haver trilhado um caminho de progressos econômico e político favoráveis o Brasil de agora se vê numa desvantajosa posição, estacionado numa encruzilhada sem perspectivas imediatas.
É bem verdade que o país não vai se acabar porque é infinitamente maior do que o PT, mas, a Nação vai pagar caro – com muito suor e sacrifício – por não haver escolhido bem seus lideres. A conta vai chegar logo. Aliás, já começa a acontecer. Examine as que estão chegando e que são muito altas. Aumentos dos impostos, dos combustíveis, da energia elétrica, Real desvalorizado e em tudo que, como em cascata, se multiplica nas forças do mercado e vai arrancar aos pedaços o bolso do cidadão comum. A pobreza, foco da política petista, é que vai sentir mais duramente.

O povo vai às ruas neste final de semana. Acho ótimo que a nação se expresse e diga das suas insatisfações. Há os que vão defender a política do PT e os que vão condenar e exigir a queda da Presidente, através de uma renúncia ou de um impeachment. Sinceramente sou contra qualquer dessas duas coisas. Temo que haja uma ruptura do Estado Democrático. O caso agora é infinitamente mais delicado do que quando o Collor foi derrubado. A solução de continuidade não será tão tranquila quanto naquela época. Não se pode comparar a conta da compra irregular de uma FIAT Elba com o inacreditável rombo nos cofres da Petrobrás. Dona Dilma está sem saída e sendo “crucificada” por ser a figura de plantão no poder maior. Mas, é bom lembrar que ela não é a responsável única desse despautério reinante. Tem sido obrigada a responder por isto porque é a “porta-estandarte do Bloco”.   
Recentemente, assistindo ao trajeto desolador da Presidente, senti pena dela. Ora, minha gente, ela não tem o perfil exigido pelo cargo. Está claro. Não tem carisma, nem competência política necessária. É um projeto de liderança que não deu certo. Seu mentor, como na maioria das vezes, se enganou. Lula é o culpado! Não precisa ser uma técnica competente, como dizem ser, para assumir o papel que lhe foi confiado. Sou daqueles que admira e respeita as pessoas pelos ideais que defende, mesmo discordando das suas teses. Nossa Presidente é uma pessoa de opinião, formada com doutrinas rígidas e se tornou uma defensora imbatível de teorias políticas e modelos ultrapassadas de governar, comprovadamente equivocados no mundo inteiro. É uma dessas últimas pessoas românticas que sobrevivem, mundo afora, pensando que os regimes socialistas podem dar certo. E aqui no Brasil, por exemplo, nunca emplacou.
Com certa apreensão aguardo este próximo fim de semana (13 a 15/03), desejando que haja manifestações ordeiras – sou a favor das duas correntes – para que a Nação ainda que dividida  possa expressar seus descontentamentos, num legitimo exercício democrático.  

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

sábado, 7 de março de 2015

Nova York 2015

Chegar à Nova York é sempre um prazer, ainda que gelada e coberta de neve, num final de fevereiro. Embora muitos não concordem, acho bonito ver o Central Park branco, branco  e o lago congelado. As árvores estão despidas, depois que o Outono passou e levou suas roupagens. A imagem dos troncos escuros e visíveis contrasta com o branco da neve e reflete um cenário de indiscutível beleza. Beleza sóbria em cinzento ou sépia, claro... Mas, o que seria do branco se não houvesse o preto? Acredito que para aqueles que costumam frequentar as pistas de Cooper e os gramados daquele espaço, este período do inverno se constitui numa passagem negativa do ano. By the way, este inverno de N. York tem sua beleza e a neve é responsável por ela. Um detalhe a registrar: é interessante o fato de que, ainda em fevereiro, muitas ruas e avenidas conservam a iluminação normalmente usada no período natalino brasileiro com iluminação popularmente chamada de pisca-pisca aqui em Pindorama. Pensando bem, nada mais adequado para uma época em que o Sol acorda mais tarde e logo cedo se recolhe.  Além do mais, as microlâmpadas parecem substituir folhas, flores e frutos daquelas árvores que falei acima. (Vie fotos a seguir)



Poesias à parte, vamos ao que interessa na prática. Como falei no princípio, chegar à Nova York é sempre um prazer, o que é verdade. A sensação é de que estamos chagando num lugar onde o mundo acontece. E agora, então, que passado o auge da crise econômica que eclodiu em 2008, aquela da bolha imobiliária, os americanos já começam a sentir os efeitos da retomada do crescimento. Taxas de reações positivas dão o tom da situação. A economia já cresce, os empregos idem e o FED (o Banco Central Americano) já se programa para aumentar a taxa de juros que nesses últimos anos beirou o Zero por Cento, como estimulo ao consumo. Os americanos já vão ao mercado e o “império do consumo” volta abertamente ao seu costumeiro apogeu. É incrível observar como as ruas de Nova York estão cheias de pessoas carregando enormes sacolas de compras. Muitos, por enquanto, são brasileiros! E nesse último dia do presidente (16.02), quando os preços são estrategicamente reduzidos, a coisa se revela mais avassaladora. É uma reedição do famoso Black Friday de novembro. Muitas são as lojas que anunciam “pague uma e leve duas”. Até eu, que fui sem qualquer interesse de comprar, terminei capitulando. Paguei por uma calça jeans e levei duas. Isto se repete nos mais variados estabelecimentos comerciais, com os mais distintos tipos de produtos. E olhe que os preços, comparados aos do Brasil, já são vantajosos mesmo para quem paga uma e leva somente uma. Imagine levando duas. Mais incrível ainda, foi que houve lojas, numa das quais minha esposa entrou, escolheu a mercadoria e na hora de pagar a caixa avisou: “ao comprar este artigo, a Senhora pode escolher mais duas peças iguais pelo valor de uma”. Ela não entendeu direito e ficou impressionada. Tive que repetir duas vezes e convencê-la da realidade. Difícil prá ela foi eleger as cores disponíveis: levo azul ou vermelha? Ah! Não, preta eu já escolhi antes... Coisa de “louco”. Posso garantir que foi numa loja de grife bem desejada pelas consumidoras brasileiras. Aqui, no Recife, esses mesmos produtos chegam com preços inimagináveis nas lojas de grife dos Shoppings de luxo.
Pois é, andar esses dias por N. York, para quem está antenado, dá para sentir o cheiro da retomada do crescimento de Tio Sam, das costuras políticas internacionais no “fumacê” da ONU, detectar os burburinhos causados pelo New York Times e, enfim, sentir que é dali donde a locomotiva da economia mundial parte, embora que muitos torçam a cara a este fato. Sabem de nada, inocentes... Isto, mesmo considerando que o presidente Obama não esteja com o balão de todo inflado. Ele enfrenta um Congresso de maioria opositora e tem adotado medidas que não agradam a considerável parcela da população norte-americana.
E, por falar em New York Times, é indiscutível que este respeitado jornal norte-americano tem aberto largo espaço para reportar a atual crise político-econômica brasileira. Nosso país antes – recordo os anos 2012, 13 e 14 – incensado pelos progressos alcançados e pela situação privilegiada no cenário internacional, aparece agora como sendo um fiasco econômico e um blefe sem tamanho. Com razão, porque o que estamos vivendo neste momento de crise política, corrupção endêmica e descrédito geral, não poderia ser relato de outra forma.
Duas coisas vêm deixando “agachados” e sem palavras a nós brasileiros, quando circulando ultimamente em Nova York: uma sem muita gravidade, que é a gozação que fazem quanto ao placar de 7 x 1 que tomamos dos alemães, dentro de casa, na Copa do Mundo. É uma coisa que sai no xixi, embora haja quem se sinta humilhado. A outra, bem mais grave, é quando se diz que Brasil quer dizer Corrupção. Nada me doeu mais do que isto. É impressionante como o caso do Petrolão repercute nos Estados Unidos. Com ações desvalorizadas, na bolsa de Wall Street e classificação rebaixada pelas agencias de risco, a Petrobrás é tida como o maior covil de ladrões do mundo. Ouvi alguém dizer que nunca, na história da civilização moderna, se teve notícia de tamanha roubalheira. Os montantes de devolução de dólares roubados, pelos que confessaram o roubo – aqueles das delações premiadas – escandalizam o mundo. Um taxista que nos conduziu, certa noite, a um restaurante, quando soube da nossa procedência, abriu do verbo de tal maneira que tive vontade de pedir para parar antes do destino final. O cara estava tão bem informado que me deixou mudo e perturbado. Dormi mal, naquela noite. Como quem pretende descontar uma indignação, o sujeito arrasou com a Petrobrás, com a PTrália, com a dupla Lula e Dilma, considerando-os serem dois embustes, e frisou que o Pré-Sal é uma grande mentira. Já pensou que “saia justa”? Lembrou-se dos fundos de pensão norte-americanos que acreditaram na solidez da petroleira brasileira, e terminaram perderam milhões de Dólares, “Estes, aliás, já foram à Justiça porque a coisa não pode ficar como está. Querem o dinheiro de volta” arrematou o motorista com tom irado. Paguei ligeirinho a corrida, antes que ele puxasse um revólver, e fui jantar com a família. Mas, confesso que fui desgostoso com esse meu Brasil petista indecoroso. E, para piorar, ainda mais, suportar o frio congelante que fazia, capaz de produzir a arte que a foto a seguir mostra.
Espero voltar à Nova York noutras condições. Pode demorar, porque o Brasil não vai sair fácil dessa, mas espero voltar lá.

Nota: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Chicago, onde o vento faz a curva

Tenho visitado os Estados Unidos com certa frequência esses últimos anos. A mais recente, neste mês, foi durante a semana do carnaval passado. Fujo da agitação local e aproveito para fazer uma “reciclagem” cultural. Venho mantendo este hábito salutar, enquanto o Dólar não assumir cotações estratosféricas...  Entrei por Chicago e terminei em Nova York.
Esta é a estação do frio no Hemisfério Norte, que este ano foi atípico. Fala-se que está sendo o mais rigoroso dos últimos setenta anos. Até que gosto do frio, mas, cá prá nós, suportar -13 com sensação de -23ºC é de lascar. Lascar os lábios, a pele do rosto, das mãos e por onde o frio coseguir penetrar. Por mais abrigado que o sujeito esteja a parada é dura. Fui com a família (esposa, filhos e nora) e logo no primeiro dia concluímos que entramos numa gelada. Mas, tiramos de letra porque voltamos a salvo e sem nem mesmo uma gripe.
O espetáculo da neve caindo é belíssimo. Encanta quem não está habituado, como no nosso caso. Difícil, porém, é se locomover quando ela se acumula nas vias públicas. Vimos isso a cores, isto é, a branco e ao vivo, inúmeras vezes durante dez dias. A solução para se aquecer era correr e se abrigar numa loja, num café ou restaurante, nos museus e no que oferecesse abrigo. Não, não foi ruim. A experiência foi boa. Meus jovens filhos e nora se esbaldaram. E eu esbaldei-me vendo-os se esbaldando. Coisa de pai. Veja foto abaixo.
Escolhemos Chicago como entrada. Não a conhecíamos, até porque não é uma cidade de grande apelo turístico. O que vimos por lá nada se compara com Nova York, Las Vegas ou Miami/Orlando. Situada bem ao Norte do país, às margens do Lago de Michigan, em Illinois, pareceu-nos uma cidade de algum modo austera, com uma gente elegante circulando (a roupa de frio impõe um tom elegante), magníficos hotéis, grandes magazines e shoppings, restaurantes de alta categoria e de variedade interminável, inclusive com preços bem cômodos, melhores que Nova York, por exemplo. Dando uma caminhada na elegante Avenida Michigan é o bastante para comprovar.
O ambiente cultural foi que nos chamou a atenção. Teatros, Galerias e Academia de Artes e Ciências, Museus e a conhecida internacionalmente Universidade de Chicago, na qual se encontra a famosa Escola de Sociologia de Chicago, fundada em 1910 pelo historiador e sociólogo Albion W. Small, com apoio financeiro substancial do empresário John Davisson Rockfeller.
Entre os museus da cidade um especial destaque para o The Field Museum, (www.thefieldmuseum.com) um dos mais completos museus de História Natural do planeta, tendo como seu ícone e “recepcionista” o esqueleto mais completo, que se tem conhecimento, de um Dinossauro T-Rex, carinhosamente chamado de Sue (Vide foto a seguir).
Somente uma visita a esse museu já vale a ida a Chicago. Enfrentar o vento frio e a neve, de uma manhã de domingo, numa imensa fila para entrar foi o maior desafio para nós paus-de-arara.
De quebra, bem ao lado e no mesmo parque, o visitante tem a oportunidade de visitar o Shedd Aquarium,  ( www.sheddaquarium.org ) um dos mais belos que já visitei. Fantástico e imperdível. São 32.000 animais de 1.500 espécies, vivos e bulindo, enchendo a vista do público visitante.  Dá vontade de não sair de lá... Tubarões, arraias gigantescas, tartarugas, peixes ornamentais do mundo inteiro, inclusive da Amazônia, crocodilos, serpentes, pinguins, golfinhos e belugas, entre muitas outras espécies de todos os portes. A sessão das algas marinhas é um poema da natureza. É um troço inesquecível. Indo por lá, não deixe de visitá-lo.
Venta muito naquela região e Chicago é denominada a Cidade dos Ventos (The Wind city). A coisa é de tal maneira que logo entendi que é lá, exatamente, o tal lugar onde o vento faz a curva. Sempre ouvi falar mas, somente agora o descobri.
Na passagem do milênio a cidade ganhou um sensacional espaço público, o agora já famoso Parque Millennium. Foi ali onde mais sentimos o vento fazendo a curva nas nossas costas. O ícone ali é uma imensa escultura metálica brilhante de uma semente de feijão (The giant bean) e que virou cartão postal da cidade. Pense num troço bem bolado (Veja a foto a seguir).
Pela beleza plástica e pelo efeito que gera nas imagens espelhadas, sobretudo as dos visitantes, o local está sempre repleto de curiosos. É o feijão mais fotografado do mundo. Além do feijão gigante, o parque está repleto de outras esculturas e construções de vanguarda assinadas por arquitetos de renome internacional (Vide a foto abaixo).
Um capítulo a parte é um passeio de barco pelo rio Chicago, que corta a cidade e oferece excelentes visões da metrópole. Não pudemos fazer devido ao tempo rigoroso e os barcos encalhados no rio congelado. Observe a foto a seguir.
No item gastronomia o visitante não se perde e passa muito bem. Sempre digo que se come bem nos Estados Unidos, ao contrário do que se comenta. Como uma sugestão, uma boa ideia é dar um giro na Old City, um bairro onde se originou a cidade, que oferece uma bela visão arquitetônica e uma série de excelentes restaurantes. Fomos andar por lá e nossa opção foi jantar num italiano, o Topo Gigio, bem recomendado e, segundo as fotos exibidas nas paredes, frequentado por estrelas de Hollywood e luminares da literatura e política norte-americana. Obama está entre os visitantes fotografados. Ambiente aconchegante, comida impecável (peça de entrada uma tortelline in brodo) e com preços accessíveis.
Também em Chicago a chance de se escutar um bom jazz e blues. Inúmeros são os bares e pubs onde se executa o melhor do gênero. Para quem gosta, como no meu caso, é “prato cheio”. Tivemos a oportunidade de curtir, por duas noites e no nosso mesmo hotel, as audições de voz e guitarra, com Elaine Dame e Andy Brown. Ela com uma extraordinária voz bem típica das cantoras norte-americanas e ele um exímio guitarrista e baixista, executando solos pouco comuns.
Dizem, e concordo, que Chicago é uma das mais cultas e genuínas cidades dos Estados Unidos. Dá para sentir ao visitá-la. Saímos de lá com o gostinho de quero mais. Quem sabe outro dia. Mas, no verão ou outono que, segundo descreveram, a cidade é deslumbrante e apaixonante.

NOTA: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

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