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domingo, 29 de março de 2015

Longe da Confusão

O começo desta semana foi, para mim, aos pés da Cordilheira dos Andes, na bela e pujante cidade de Santiago do Chile. Oportuno compromisso familiar levou-me até lá e, novamente, pude gozar da hospitalidade chilena, bem como de ter a chance de reapreciar de perto o resultado do bem sucedido modelo econômico que, vem sendo aplicado àquele país latino-americano. Portanto, estive longe da confusão de Pindorama, ainda que por pouco tempo. Nada melhor para arejar minha mente perplexa e sacolejada pelos transtornos políticos e econômicos que vivemos no Brasil de hoje.
O Chile, ao contrário, é seguramente a mais equilibrada economia do continente, na atualidade. Por quatro dias respirei progresso e tranquilidade política em meio a uma sociedade bem assistida e visivelmente melhor educada e politicamente esclarecida. O chileno é um povo bem politizado. Vejo isto, há algum tempo, graças a experiências profissionais ali desenvolvidas e visitas relativamente frequentes que faço ao país.

Os chilenos souberam adotar – com boa antecipação – um esquema econômico compatível com a rápida consolidação da globalização econômica. Desde o governo militar optaram por forte programa de reformas do Estado e por uma privatização de empresas estatais, coisa de difícil manejo, preservando apenas a que cuida da mineração, beneficiamento, transformação e comercialização do cobre, principal riqueza natural do país. A Previdência Social do país, por exemplo, é tocada pela iniciativa privada e o sucesso é indiscutível.  No setor do agronegócio os resultados são notáveis e a vitivinicultura é de fama mundial. Haja competitividade!
O processo das privatizações foi iniciado, ainda, por Pinochet (dezessete anos como ditador sanguinário e odioso) e, inteligentemente, concluído pelos governos civis após a redemocratização. Nada de dúvidas como ocorre no Brasil. O resultado dessa política é ter um  Governo hoje exercendo funções do Estado e articulador e promotor da ordem e do progresso nacional.
Estou falando de um dos países mais estáveis, ou o mais estável, e próspero da América do Sul. É de longe o melhor no que tange ao desenvolvimento humano – alto IDH de 0,822 (2013) (41º do mundo) –, competitividade comercial e economia mais globalizada do continente, liberdade econômica, taxas de juros civilizadas, carga tributária justa, sistema educacional seguro, estabilidade política e índices comparativamente baixos de pobreza. Isso tudo tendo como pano de fundo um elevado nível de liberdade de imprensa e arraigado espírito democrático. É o país latino-americano com o melhor PIB per capita, US$ 23.165,00 (medido pelo Poder de Paridade de Compra - PCC) o que diz muito bem sobre o estado de espírito do chileno comum. Andando por Santiago não se vê, desocupados limpadores de para-brisas nos semáforos e pedintes são muito poucos. Estes poucos, aliás, segundo fui informado por um taxista, são na maioria imigrantes bolivianos e peruanos desempregados que ultimamente adentram pelo Chile na busca de soluções de sobrevivência. Pode ter sido uma desculpa. Mas... Conversei com uma peruana, empregada doméstica na casa de família amiga, que pode expressar suas esperanças em remontar a vida com o marido e filho “num país de mais futuro”, no caso, o Chile. Por falar em taxista, tomei outra gozação por conta do rombo na Petrobrás. Ao volante e com muito bom humor meu condutor perguntou se eu era empregado da petroleira brasileira. Diante da minha negativa, disse se sentir aliviado por não precisar esconder a carteira de seus míseros Pesos Chilenos, bem na minha frente, ao lado da alavanca de marchas do taxi. Tive que rir, para não chorar. É, o Petrolão virou piada internacional. Uma vergonha. Lembram do meu diálogo com o motorista em Nova York, mês passado?
O progresso chileno, descrito rapidamente acima, é mais visível quando circulando pela capital chilena e sua área metropolitana. Largas e longas avenidas, além de vias expressas por todo lado. Estrutura urbana invejável. Tudo muito limpo e com coleta seletiva de lixo por todo canto. Transporte público bem ordenado, incluindo uma importante rede de metrô. Zero de engarrafamentos. Nada comparável com o Brasil de cidades inchadas, mal urbanizadas e despreparadas para abrigar tão grandes contingentes populacionais  despreparados para viver no padrão desmantelo. Bateu-me uma inveja...
O tempo passou rápido e como voltar é necessário, desembarquei ouvindo “o som surdo” da queda do Real frente ao Dólar americano e o prenúncio de publicação do “crescimento” do PIB em 2014, finalmente publicado pelo IBGE na sexta-feira (27.03.15): 0,1%. Que horror! E dão-se ao desplante de falar em pequeno crescimento. Meu Professor de Econometria (Telmo Maciel) dava como certo que 0,1 é o mesmo que ZERO e que 99% é o mesmo que 100%. Se vivo estivesse, daria boas gozadas nessa turminha fajuta de Brasília e que subestima a inteligência do eleitor. Quem me dera estar longe dessa confusão, por mais tempo.

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens

domingo, 9 de março de 2014

Chile, uma varanda sobre o Pacífico

Estive no Chile, nesse recente período carnavalesco, fugindo da folia. É sempre muito prazeroso voltar àquele país. Desde os primeiros momentos dá para sentir a pujança econômica e a qualidade de vida superior que se experimenta por aquelas bandas. Santiago, a capital, está cada vez mais moderna e, sobretudo, acolhedora ao visitante. A infraestrutura é invejável. O cuidado com o cidadão é notável. Um exemplo são os banheiros públicos de primeiro mundo, disponíveis em pontos estratégicos da cidade. Vide a foto abaixo.  
Notável, também, o cuidado que se dá ao item mobilidade. É uma magnífica metrópole, sem dificuldades de trânsito. Transporte coletivo de primeiro mundo e artérias latejando de veículos e gente, muita gente, sem que se observem retenções ou estresses. Senti uma inveja...  Há estacionamentos subterrâneos por todo lado e quem quiser usar seu próprio veiculo, nunca “quebra a cabeça” procurado vagas. Tudo muito bem sinalizado. E, digo com a razão de quem locou um veiculo e saiu pelo país afora. 
Já andei pelo Chile em varias ocasiões, inclusive desde os tempos da ditadura de Pinochet. Percebo a evolução que ocorre e o quanto se avançou nesse país, no passado recente. Vê-se bem, e de cara, que não se trata de uma republica bolivariana populista. Podem existir descontentes, certamente. Mas, isso faz parte da democracia que reina por lá.
Revi Santiago em pouco tempo, porque meu foco dessa vez foi conhecer melhor a região dos lagos, no sul do país, Patagônia chilena, onde permaneci durante cinco dias. Dias inesquecíveis, tanto pela beleza natural, quanto pelos sabores e clima que se respira naquela porção chilena. De Santiago voei para Puerto Montt situada a, aproximadamente, 1.000 km ao sul. Lá centrei minha estada na região. O cenário é marcante. Um verdadeiro “planeta água”, devido ao mar, baias, enseadas, lagos e rios que predominam no ambiente.
É sabido que o Oceano Pacífico é famoso pela sua profícua fauna marinha e Puerto Montt está situada num ponto estratégico abrigando um importante porto, um sem número de pescadores reunidos em cooperativas e empresas pesqueiras, proporcionando uma base econômica sólida, internacional e propícia a oferecer ao visitante, como foi meu caso, uma verdadeira orgia gastronômica à base de frutos do mar. Com um especial detalhe: a diversidade dessa produção e as formas de degustação, que resultam na transformação do paladar e o conhecer do visitante. Como esquecer o sabor de uma centolla, de um chupe de jaiba, locos e côngrio (primeira foto a seguir), ou de um ouriço cru temperado com limão e azeite? Fotos abaixo. Isto sem falar que o salmão da região é o mais famoso de toda a produção local e é preparado das mais diversas e saborosas formas.


Próximo a Puerto Montt (16 km de distancia) está Puerto Varas, uma cidade de colonização alemã, super simpática e acolhedora, com excelentes hotéis, restaurantes, bares e cafés e estação de turismo famosa. Por lá circulam muitos europeus e norte-americanos. O Chile , aliás, está na rota dessas correntes turísticas e isso se nota no desembarque em Santiago, dadas as filas para o controle de imigração. Puerto Varas fica na beira do Lago de Todos Los Santos e bem defronte ao vulcão Osorno. O cenário é fantástico. O vulcão lembra o Monte Fuji no Japão e está sempre encimado de neve. O pôr de sol a beira do lago e diante do Osorno é um cartão postal para se guardar na memória, para o resto da vida. O lago é imenso, navegável no seu todo, repleto de barcos de turismo, num dos quais fiz um minicruzeiro que, no meu ver, “não pede homenagem” a qualquer outro, de qualquer lugar, inclusive os suíços, que já tive oportunidade de fazer. Meu barco, um grande catamarã, que partiu do ancoradouro de Petrohué, (60km após Varas) navegou até o pequeno porto da localidade de Peulla – um povoado com 125 habitantes, apenas. Um lugar que parece um cenário de produção teatral. Vide a foto a seguir – quase na fronteira com a
Argentina, próximo a Bariloche, levando os mais de cem passageiros por uma rota cinematográfica. Sim, houve momentos em que me senti num filme. Tem coisas assim, não é? As visões do Osorno, bem de próximo, e a passagem pelo ponto em que se pode vislumbrar a gigante Montanha Tronador (lado argentino) são momentos culminantes do passeio. Veja as fotos a seguir.

Mas, não foi apenas de lagos e montanhas que fiz meu passeio. De Puerto Montt fui (na verdade, fomos, porque estive acompanhado dos meus filhos e nora) até a cidade de Párgua, de onde atravessamos para a belíssima ilha de Chiloé.  A travessia é feita num ferry onde embarquei com meu próprio veiculo locado. Desembarcado em Chiloé  e depois de percorrer algo em torno de 60 km, de rara beleza natural, cheguei a uma praia, uma baia, com muitas ilhotas, onde os pinguins da Antártida se refugiam no verão, para o acasalamento, desova e consequente reprodução. Fui lá para vê-los de perto. Para se aproximar das ilhotas usam-se lanchas especiais que se são oferecidas aos visitantes. Não se desembarca nessas ilhotas. Fotos a seguir: a primeira com meus dois "marmanjos" e a segunda dos pinguins.
  

Acho que uma boa imagem que se pode fazer do Chile, e devido inclusive seu formato geográfico, é vê-lo como uma privilegiada varanda da América do Sul, sobre o Pacifico. É bonito demais. Fiz bem em fugir da famigerada folia multicultural/petista que transformaram o carnaval do Recife.

NOTA: O Blogueiro viajou com os filhos João Paulo e José Antonio e a nora Cleide. As fotos que ilustram a postagem são da sua própria autoria, a exceção, claro, a que aparece, feita por Cleide.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...