quinta-feira, 19 de março de 2015

Depois das Ruas

Confesso que fiquei aliviado diante do resultado das manifestações populares de domingo passado (15.03.15). Após uma expectativa duvidosa e lembrando-me de algumas objetivas ameaças, anunciadas por organizações pró-governo, vi um belo exercício de democracia. Comparável aos que ocorrem em países político e socialmente desenvolvidos, particularmente nos da Europa. Naturalmente que houve algum excesso, aqui ou acolá, mas isso é natural e fica por conta da heterogeneidade sócio-educativa brasileira. Aquilo que digo sempre: falta Educação neste país. De todo modo, os objetivos foram alcançados e acredito que o Governo ouviu e prestou muita atenção aos reclamos da Nação. Prova disso foi ver os imediatos pronunciamentos de representantes do Gabinete de Crise que Dona Dilma montou no Palácio do Planalto. Gabinete este que foi obrigado a levar em conta os recados dados desde a Sexta-Feira (13/03/15), pelas centrais sindicais, que não pouparam o Governo devido às reformas trabalhistas, e pelas multidões que em massa acorreram às ruas e avenidas das principais cidades brasileiras. Finalmente, milhões de brasileiros acordaram de uma “anestesia geral” e disseram alto das suas insatisfações.  
Já na segunda feira, a própria Presidente concedeu uma entrevista, transmitida para todo o Brasil, no qual reconheceu que erros foram cometidos pelo seu Governo. Indiscutivelmente, um ato de humildade inesperado para quem, por natureza pessoal, é orgulhosa e intransigente em tudo. Só que foi uma reação tardia. Ela não atinou no antes. Perdeu o time e agora vai ter que penar para colocar o “trem nos trilhos” outra vez, o que é claramente uma interrogação dolorosa.
Na verdade, o reconhecimento dos erros cometidos deve remontar aos que já vêm sendo cometidos pelo PT, desde o governo de Luis Inácio. Ao considerar que a crise de 2008, chegaria ao Brasil na forma de uma "marolinha" foi, sem dúvida, o erro inicial desse enorme bolodório no qual o país se meteu. Acho que Lula nunca ouviu dizer que “quando a economia dos Estados Unidos dá um espirro, a do Brasil cai numa tremenda gripe”. Imagine que o que aconteceu com Tio Sam foi mais do que um espirro. Sim, porque aquilo lá, em 2008, – o estouro da bolha imobiliária e suas desastradas consequências – foi uma “pneumonia das brabas” que até hoje os gringos estão tratando. Quanta inocência, meu Deus! Seria uma maravilha que o Brasil tivesse a autonomia econômica que essa gente imaginava.  
Na esteira da tal "marolinha", Luis Inácio empurrou nos peitos dos brasileiros um programa econômico arriscado, com uma bateria de incentivos fiscais, para ampliar o consumo das famílias e alavancar a produção industrial. Insustentável, simplesmente, por uma razão de ordem técnica. Desde cedo essa estratégia apontava para um momento em que o Governo viria buscar o perdido nos bolsos dos que inocentemente se entregaram ao instinto perdulário. Financiamentos de veículos em 75 meses, redução drástica das alíquotas de IPI desses mesmos veículos, além da linha branca, dos móveis e dos eletrodomésticos e, enfim, para tudo quanto rolava nos sonhos de consumo das camadas de renda C e D. Euforia ilimitada. Ora, minha gente, por que não cair nessa vibe?  Isso, sem falar nos preços represados dos combustíveis, na inadequada manobra eleitoral da redução das tarifas de energia, na sustentação de uma taxa de cambio irreal e, num sem número de outras medidas ousadas e mal estudadas. No dia em que “a casa caiu de vez”, logo após as eleições presidenciais do ano passado, os sinais mais evidentes da crise se ampliaram e o brasileiro mais desavisado acordou, enxergando, por fim, a roubada na qual foi metido. Mentiram desmedidamente, prometeram o impossível, para ganhar nas urnas de outubro passado e agora não sabem responder pela irresponsabilidade.
Resumo da ópera: o Brasil está numa tremenda recessão. A inadimplência das famílias é como nunca antes na história deste país e o que tem de devolução de imóveis, automóveis e artigos do lar não está no gibi. A economia tende a murchar, a indústria está sucateada e sofrendo a concorrência estrangeira, empresas estão fechando as portas, o desemprego está crescendo a taxas assustadoras e o comércio está às moscas. O medo do consumidor é a mais dura realidade de 2015. A inflação vem com toda força – já ultrapassou a meta dos 6,5% – e quem vai pagar caro pelos erros confessados por Dona Dilma é a população, sobretudo aqueles das camadas menos favorecidas. A bolsa do Bolsa Família vai ser insignificante no bolso do beneficiário. É um desalento geral. Bom, nem precisa lembrar que economia em crise provoca crise politica. 
O circo já pegou fogo na 4a. feira, em plena Praça dos Três Poderes, com o despautério e imaturidade política de Cid Gomes, Ministro da Educação.
Resta ver se Dona Dilma – com a popularidade lá em baixo, 13%! – vai conseguir virar esta mesa e restaurar o ânimo da população. Como? Não se sabe! Mas, é a única chance que ela e o PT têm agora. E que seja rápido, porque no dia 12 de Abril tem mais ruas e avenidas para o povo inundar o país de mais protestos.  

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens


Um comentário:

Jussara Monteiro disse...

A falta de credibilidade parece ser o pior ingrediente.
Jussara Monteiro