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sexta-feira, 13 de março de 2015

Nação Dividida

Hoje ninguém duvida de que o Brasil enfrenta a sua maior crise político-institucional de todos os tempos. Agravada pela, também grave, crise econômica. Nunca antes, na história deste país, se ouviu falar em tantos escândalos no âmbito da administração pública, ameaçando a governabilidade, nem nunca se testemunhou tanta falta de decoro, ética e honestidade políticas.  Ao mesmo tempo, este governo conseguiu banalizar o exercício da corrupção a níveis inverossímeis. É asquerosa qualquer das confissões dos corruptos na CPI, em Brasília. Resultado é que nossas estruturas governamentais, de 39 ministérios, estão inchadas e administrativamente corroídas. Ninguém confia mais em nada. O Brasil não merecia passar por essa provação.
Embora quase todo mundo acreditasse, nunca me enganei com as promessas feitas pelo Partido dos Trabalhadores. Sobretudo na recente campanha presidencial. Nunca votei nos seus candidatos, simplesmente porque não confiei nas competências ou habilidades políticas desses. Pior, ainda, por conta dos pactos políticos que construíram ou foram obrigados a isto, formando uma base aliada de pouquíssima confiabilidade.  E, quando acrescentados a “esse caldo vergonhoso” os acordos políticos celebrados com governos populistas que se instalaram em vizinhos latino-americanos a situação se revelou mais grave e terminou remetendo nosso país a uma dimensão desfavorável no contexto internacional, justamente no momento em que a comunidade externa saudava o país como uma potencia emergente de muita pujança e potencialidade. Um blefe internacional! Após haver trilhado um caminho de progressos econômico e político favoráveis o Brasil de agora se vê numa desvantajosa posição, estacionado numa encruzilhada sem perspectivas imediatas.
É bem verdade que o país não vai se acabar porque é infinitamente maior do que o PT, mas, a Nação vai pagar caro – com muito suor e sacrifício – por não haver escolhido bem seus lideres. A conta vai chegar logo. Aliás, já começa a acontecer. Examine as que estão chegando e que são muito altas. Aumentos dos impostos, dos combustíveis, da energia elétrica, Real desvalorizado e em tudo que, como em cascata, se multiplica nas forças do mercado e vai arrancar aos pedaços o bolso do cidadão comum. A pobreza, foco da política petista, é que vai sentir mais duramente.

O povo vai às ruas neste final de semana. Acho ótimo que a nação se expresse e diga das suas insatisfações. Há os que vão defender a política do PT e os que vão condenar e exigir a queda da Presidente, através de uma renúncia ou de um impeachment. Sinceramente sou contra qualquer dessas duas coisas. Temo que haja uma ruptura do Estado Democrático. O caso agora é infinitamente mais delicado do que quando o Collor foi derrubado. A solução de continuidade não será tão tranquila quanto naquela época. Não se pode comparar a conta da compra irregular de uma FIAT Elba com o inacreditável rombo nos cofres da Petrobrás. Dona Dilma está sem saída e sendo “crucificada” por ser a figura de plantão no poder maior. Mas, é bom lembrar que ela não é a responsável única desse despautério reinante. Tem sido obrigada a responder por isto porque é a “porta-estandarte do Bloco”.   
Recentemente, assistindo ao trajeto desolador da Presidente, senti pena dela. Ora, minha gente, ela não tem o perfil exigido pelo cargo. Está claro. Não tem carisma, nem competência política necessária. É um projeto de liderança que não deu certo. Seu mentor, como na maioria das vezes, se enganou. Lula é o culpado! Não precisa ser uma técnica competente, como dizem ser, para assumir o papel que lhe foi confiado. Sou daqueles que admira e respeita as pessoas pelos ideais que defende, mesmo discordando das suas teses. Nossa Presidente é uma pessoa de opinião, formada com doutrinas rígidas e se tornou uma defensora imbatível de teorias políticas e modelos ultrapassadas de governar, comprovadamente equivocados no mundo inteiro. É uma dessas últimas pessoas românticas que sobrevivem, mundo afora, pensando que os regimes socialistas podem dar certo. E aqui no Brasil, por exemplo, nunca emplacou.
Com certa apreensão aguardo este próximo fim de semana (13 a 15/03), desejando que haja manifestações ordeiras – sou a favor das duas correntes – para que a Nação ainda que dividida  possa expressar seus descontentamentos, num legitimo exercício democrático.  

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...