sábado, 28 de fevereiro de 2015

Chicago, onde o vento faz a curva

Tenho visitado os Estados Unidos com certa frequência esses últimos anos. A mais recente, neste mês, foi durante a semana do carnaval passado. Fujo da agitação local e aproveito para fazer uma “reciclagem” cultural. Venho mantendo este hábito salutar, enquanto o Dólar não assumir cotações estratosféricas...  Entrei por Chicago e terminei em Nova York.
Esta é a estação do frio no Hemisfério Norte, que este ano foi atípico. Fala-se que está sendo o mais rigoroso dos últimos setenta anos. Até que gosto do frio, mas, cá prá nós, suportar -13 com sensação de -23ºC é de lascar. Lascar os lábios, a pele do rosto, das mãos e por onde o frio coseguir penetrar. Por mais abrigado que o sujeito esteja a parada é dura. Fui com a família (esposa, filhos e nora) e logo no primeiro dia concluímos que entramos numa gelada. Mas, tiramos de letra porque voltamos a salvo e sem nem mesmo uma gripe.
O espetáculo da neve caindo é belíssimo. Encanta quem não está habituado, como no nosso caso. Difícil, porém, é se locomover quando ela se acumula nas vias públicas. Vimos isso a cores, isto é, a branco e ao vivo, inúmeras vezes durante dez dias. A solução para se aquecer era correr e se abrigar numa loja, num café ou restaurante, nos museus e no que oferecesse abrigo. Não, não foi ruim. A experiência foi boa. Meus jovens filhos e nora se esbaldaram. E eu esbaldei-me vendo-os se esbaldando. Coisa de pai. Veja foto abaixo.
Escolhemos Chicago como entrada. Não a conhecíamos, até porque não é uma cidade de grande apelo turístico. O que vimos por lá nada se compara com Nova York, Las Vegas ou Miami/Orlando. Situada bem ao Norte do país, às margens do Lago de Michigan, em Illinois, pareceu-nos uma cidade de algum modo austera, com uma gente elegante circulando (a roupa de frio impõe um tom elegante), magníficos hotéis, grandes magazines e shoppings, restaurantes de alta categoria e de variedade interminável, inclusive com preços bem cômodos, melhores que Nova York, por exemplo. Dando uma caminhada na elegante Avenida Michigan é o bastante para comprovar.
O ambiente cultural foi que nos chamou a atenção. Teatros, Galerias e Academia de Artes e Ciências, Museus e a conhecida internacionalmente Universidade de Chicago, na qual se encontra a famosa Escola de Sociologia de Chicago, fundada em 1910 pelo historiador e sociólogo Albion W. Small, com apoio financeiro substancial do empresário John Davisson Rockfeller.
Entre os museus da cidade um especial destaque para o The Field Museum, (www.thefieldmuseum.com) um dos mais completos museus de História Natural do planeta, tendo como seu ícone e “recepcionista” o esqueleto mais completo, que se tem conhecimento, de um Dinossauro T-Rex, carinhosamente chamado de Sue (Vide foto a seguir).
Somente uma visita a esse museu já vale a ida a Chicago. Enfrentar o vento frio e a neve, de uma manhã de domingo, numa imensa fila para entrar foi o maior desafio para nós paus-de-arara.
De quebra, bem ao lado e no mesmo parque, o visitante tem a oportunidade de visitar o Shedd Aquarium,  ( www.sheddaquarium.org ) um dos mais belos que já visitei. Fantástico e imperdível. São 32.000 animais de 1.500 espécies, vivos e bulindo, enchendo a vista do público visitante.  Dá vontade de não sair de lá... Tubarões, arraias gigantescas, tartarugas, peixes ornamentais do mundo inteiro, inclusive da Amazônia, crocodilos, serpentes, pinguins, golfinhos e belugas, entre muitas outras espécies de todos os portes. A sessão das algas marinhas é um poema da natureza. É um troço inesquecível. Indo por lá, não deixe de visitá-lo.
Venta muito naquela região e Chicago é denominada a Cidade dos Ventos (The Wind city). A coisa é de tal maneira que logo entendi que é lá, exatamente, o tal lugar onde o vento faz a curva. Sempre ouvi falar mas, somente agora o descobri.
Na passagem do milênio a cidade ganhou um sensacional espaço público, o agora já famoso Parque Millennium. Foi ali onde mais sentimos o vento fazendo a curva nas nossas costas. O ícone ali é uma imensa escultura metálica brilhante de uma semente de feijão (The giant bean) e que virou cartão postal da cidade. Pense num troço bem bolado (Veja a foto a seguir).
Pela beleza plástica e pelo efeito que gera nas imagens espelhadas, sobretudo as dos visitantes, o local está sempre repleto de curiosos. É o feijão mais fotografado do mundo. Além do feijão gigante, o parque está repleto de outras esculturas e construções de vanguarda assinadas por arquitetos de renome internacional (Vide a foto abaixo).
Um capítulo a parte é um passeio de barco pelo rio Chicago, que corta a cidade e oferece excelentes visões da metrópole. Não pudemos fazer devido ao tempo rigoroso e os barcos encalhados no rio congelado. Observe a foto a seguir.
No item gastronomia o visitante não se perde e passa muito bem. Sempre digo que se come bem nos Estados Unidos, ao contrário do que se comenta. Como uma sugestão, uma boa ideia é dar um giro na Old City, um bairro onde se originou a cidade, que oferece uma bela visão arquitetônica e uma série de excelentes restaurantes. Fomos andar por lá e nossa opção foi jantar num italiano, o Topo Gigio, bem recomendado e, segundo as fotos exibidas nas paredes, frequentado por estrelas de Hollywood e luminares da literatura e política norte-americana. Obama está entre os visitantes fotografados. Ambiente aconchegante, comida impecável (peça de entrada uma tortelline in brodo) e com preços accessíveis.
Também em Chicago a chance de se escutar um bom jazz e blues. Inúmeros são os bares e pubs onde se executa o melhor do gênero. Para quem gosta, como no meu caso, é “prato cheio”. Tivemos a oportunidade de curtir, por duas noites e no nosso mesmo hotel, as audições de voz e guitarra, com Elaine Dame e Andy Brown. Ela com uma extraordinária voz bem típica das cantoras norte-americanas e ele um exímio guitarrista e baixista, executando solos pouco comuns.
Dizem, e concordo, que Chicago é uma das mais cultas e genuínas cidades dos Estados Unidos. Dá para sentir ao visitá-la. Saímos de lá com o gostinho de quero mais. Quem sabe outro dia. Mas, no verão ou outono que, segundo descreveram, a cidade é deslumbrante e apaixonante.

NOTA: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

9 comentários:

Susana González disse...

Lindo relato, como siempre me dá gusto que lo pasaran tan bien en esa hermosa ciudad, donde viven millones de mexicanos.
Susana Gonzalez (Mexico)

Korumbah disse...

Caro
Girley: Gostei muito de sua postagem.
Sua maneira prazerosa de descrever as coisas nos dá uma
enorme vontade de conhecer essas coisas, esses lugares. Mas
só vontade, amigo, detesto o frio. Já sofro quando aqui em
Belo Jardim a temperatura cai a 15°C! Vim para o nordeste
em busca de algo mais quente que o Rio de Janeiro
(imagina!). Uma curiosidade, pois já
perguntei a diversas fontes, inclusive repórteres e não
obtive resposta. Quando se fala em temperatura, mede-se com
o termômetro que é o aparelho criado para medir essa
sensação de calor, ou sensação térmica. Mas, está se
tornando muito comum - ouço isso muito na Globo ultimamente
– se falar em sensação térmica sendo coisa diferente de
temperatura – às vezes maior e às vezes menor.
Como você falou em sua
postagem de temperatura de -13°C e sensação térmica de
-23°C, eu não consigo imaginar qual seja a sensação de
-23°C! Como se mede essa sensação se o aparelho para
medi-la está marcando -13°C? Essa sempre foi minha
curiosidade. Eu, por exemplo, nunca vivenciei uma
temperatura de -13°C. Não saberia dizer nem qual
sensação seria essa. Mas, com o termômetro marcando
-13°C como sabemos que a sensação não é aquela que o
termômetro está marcando? Pura curiosidade. Nem recorrendo
ao meus tempos de estudo da calorimetria consigo imaginar
como se mede isso!
Um grande abraço e obrigado
pelo gostoso texto,
Korumbah

Girley Brazileiro disse...

Grande Corumbah, vc sempre muito arguto. Não fique na vontade. Vá lá diretamente. Mas, escolha o periodo entre o verão e o outono qunod o clima é mais ameno.
Gostei muito do seu questionamento que é também meu. Interpreto essa coisa de sensação termica como sendo propria da persistencia de determinada temperatura que termina agravando mais a sensibilidade dos atingidos. Quando ouço sensação associo a sensibilidade. Em Chicago, por exemplo, o frio já está tão insistente que ao baixara da temperatura as pessoas se ressentem mais. Pode ser isto. Mas, veja bem, é uma dedução "logica" no meu fraco entendimento. Posso estar errado. Mas, vou investigar e logo que me apareça alguma explicação logica te informarei,
Quem sabe, apareça alguém melhor informado que explique aqui no Blog o certo sobre a "sensação termica".
Aguardemos.
Um abraço e grato pela visita ao Blog. Volte sempre.
GB

Vera Lucia Lucena disse...

Que lindo relato Girley Brazileiro, acabei viajando e até mergulhei no rio congelado. As fotos estão maravilhosas, portanto, adorei a viagem, rsrsrs
Beijos primo.
Vera Lúcia Lucena

Ina Melo disse...

Oi amigo, Chicago ficou marcada para mim ao ler as "Cartas de Nelson Algreen" onde ele nos mostra uma cidade intelectuializada e com uma vida noturna muito quente!
Ina Melo

Ana Aragão disse...

Muito legal. Estive em Boston ano passado, um lugar que não é destaque como destino turístico, mas vale demais a visita. Conhece?
Ana Aragao

Girley Brazileiro disse...

Oi @Ana Aragão! Obrigado pela visita ao Blog do GB. Não conheço Boston, embora já tenha programado algumas vezes ir até lá. É pertinho de Nova York, inclusive. Qualquer hora farei isto.
Meu abraço,
GB

Fernanda Pires disse...

Caro companheiro Girley! Amei sua postagem. Através das suas palavras, curti a neve , e outras cousas mais.
Amanhã esperamos com carinho você no Rotary Espinheiro. Será uma honra te-lo no nosso
quadro!
Grande abraço.
Fernanda Pires.

Solange Lacava disse...

Que legal Girley Brazileiro, goste! As fotos ficaram maravilhosas!
Solange Lacava