sexta-feira, 24 de maio de 2013

Deus é Brasileiro

O tornado que passou, esta semana, por Oklahoma (Estados Unidos) foi devastador. Sinto arrepios vendo as imagens na TV. Naquela região norte-americana já existe uma área identificada como sendo um corredor desses fenômenos. Fico pensando o terror que é viver por ali. Este último imprimiu uma velocidade de aproximadamente 300 km. por hora. Ocorre em poucos minutos ou mesmo segundos. Devasta, passa e desaparece tão rápido, quanto chegou. Num abrir e fechar de olhos, o mundo vem abaixo. Não resta pedra sobre pedra. Veja só esta imagem abaixo.
Os fenômenos da natureza sempre chamam muito minha atenção. Furacões, tufões, tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, enchentes, avalanches e similares são coisas do dia-a-dia planetário, com os quais o homem é forçado a viver e buscar formas de escapar.
Ocorre-me, porém, pensar que viver no Brasil equivale a viver numa região abençoada por Deus.  ¨Neste pedaço do planeta não se fala em tragédias gigantescas provocadas pela mãe-natureza. Somos um povo abençoado.¨  Fui enfático e, acredito que provocativo, numa dessas rodas de jogar conversa fora e molhar palavras. Não demorou muito e um dos companheiros, baixou o copo e saltou de lá, rápido com um furacão, falando mais ou menos assim: ¨Fico pasmo! Logo você fazer um discurso desses... e a seca que arrasa o sertão do Nordeste brasileiro com freqüência?   Parece até que nunca ouviu falar da Sudene¨.  Provocando porque ele sabia que eu fui dessa agencia regional de desenvolvimento. Era esperado que houvesse uma reação dessas.
A seca do Nordeste é também devastadora, concordo. Mas nada comparável com as destruições causadas por um terremoto, que, sobretudo, não dá rota, nem chance de fuga para quem quer que seja. O mesmo ocorre quando um tsunami ou um tornado, pela suas características arrasadoras. Nada para se comparar.
Uma estiagem chega aos poucos. É de ataque lento. Oferece condições de serem adotadas providencias de mitigá-la. Há sofrimentos, perdas e prejuízos, é claro. Mas, nada comparado com as destruições provocadas pelos fenômenos acima enumerados.
Por outro lado, há sim condições de convivências saudáveis com as estiagens e isto já foi provado em muitas outras regiões do planeta. De Israel e do México, por exemplos, vêm os melhores informes sobre boas experiências. ¨Conviver com a seca é a solução mais inteligente¨, afirmei ao meu amigo assustado com minha manifestação anterior. ¨Mas, é preciso vontade política para enfrentá-la¨, acrescentei.
Livre das grandes catástrofes que se registram mundo afora, o Nordeste seria um paraíso, houvesse vontade e decisão política dos governos. Estou cansado de afirmar isto, inclusive aqui no Blog. Prova disso é o que se pode observar nos belos oásis de produção de fruticultura irrigada, existente no extremo oeste de Pernambuco. Em pleno sertão brabo e seco, nos municípios de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, além do vizinho município de Juazeiro, na Bahia, colhem-se as melhores uvas de mesa (vide foto a seguir), melões e mangas de qualidade comprovadas internacionalmente e lá...  lá não se morre de fome, nem se padece pela estiagem longa. Ela chega, sim! Mas, o sertanejo daquelas bandas já sabe como driblar. E ainda brinda o sucesso com os vinhos produzidos pelas bodegas do Paralelo 8, que se notabilizam pela alta qualidade dentro e fora do Brasil. O espumante é o carro-chefe. É tim-tim a toda hora saudando o Sol abrasador, que paradoxalmente se tornou o melhor amigo daquela gente. Graças a ele, ao solo arenoso e as águas do rio São Francisco, são tiradas entre duas e três colheitas de uva por ano. Lugar nenhum do globo registra essa produção. Isso tudo, graças a iniciativas locais que mobilizaram os atores sociais, incluindo pesquisadores, criadores, agricultores, o povo, as igrejas e os políticos bem intencionados. Deram-se as mãos, decidiram, montaram um especial esquema tecnológico e de financiamento e hoje estão ¨pulando na carne seca¨. Acho que de bode, que é farto na região. Dão exemplo de que o Nordeste brasileiro pode ser um paraíso, embora que os governos irresponsáveis que se sucedem sejam míopes e não enxergam essa realidade.
Então, lembrando o inicio da nossa conversa, acho, mesmo, que Deus é brasileiro, sim.  Meus amigos  – os da roda de bate-papo – ficaram calados, molhando palavras e pensativos. Eu? Pedi licença e fui prá casa. Fui...
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mosaico Desajustado

Por motivo de ordem técnica o Blog do GB não saiu, semana passada. Nessas horas fico me perguntando como chegamos a este tempo de intensa tecnologia da informação. Sem essas ferramentas o mundo pára. Quando enveredei pelo projeto do meu Blog do GB e ele virou minha “cachaça” logo percebi que sem ela sinto-me incompleto.
O tema da semana seria ainda sobre uma Argentina mergulhada em novos episódios preocupantes, que de algum modo refletem na economia do Brasil. Mas, deixei prá lá... Quem lê jornais e semanárias fica inteirado de tudo.
Ainda no plano internacional, pergunto: tem coisa mais prosaica e ridícula do que a ampla divulgação jornalística que estão dando sobre a falta de papel higiênico, na Venezuela? Coitados! Virou assunto de Estado. O Presidente Maduro, preocupado com a situação, vai comprar seis milhões de rolos, no Brasil. Urgentemente! Vide foto abaixo. A que ponto chegaram! Eu já tinha ouvido noticias da falta de outros itens mais notáveis, da cesta básica bolivariana, mas, até o utilíssimo papel higiênico? Imagino como esteja este pobre povo já tão sofrido. Li um comentário hilário sobre a situação: “se antes os jornais venezuelanos não serviam nem para limpar o @#%s, agora tem destino certo. Por sorte, porque tem sido a valia da população venezuelana”. Ri muito e, ao mesmo tempo, lamentei pensando nos amigos que tenho por lá. Lembrei de uma amiga chamada Flor, esposa do famoso guitarista Lucho Quintero. O que será dessa flor, nas atuais circunstâncias?

Chocante, mesmo, é a história daquele monstro que manteve três jovens em cativeiro, durante dez anos, numa casa aparentemente frágil, Vide foto, em Cleveland, nos Estados Unidos. Que horror! Que falha elementar do FBI.

Por outro lado, fico impressionado com episódios absurdos do cotidiano brasileiro, como, por exemplo, o fato do menor que assumiu a autoria do crime de queimar viva, num assalto, a dentista Cinthya de Souza, no ABC paulista. Foto a seguir. Um crime hediondo. O motivo: ter somente R$ 30,00 na bolsa! É espantoso! Absurdo maior é concluir que estão terceirizando o crime! Estamos cada vez mais afundando moralmente falando, neste Brasil velho. A coisa parece funcionar assim: um menor assume o assassinato, recebe uma “recompensa” qualquer do verdadeiro criminoso, cumpre uma pena de passar dois anos numa casa de ressocialização, enquanto o verdadeiro criminoso, em liberdade, sai repetindo a atrocidade, sem medo, com prazer e certo de que nunca vai ser condenado de verdade.
Da mesma região paulista, veio a noticia do caso da garota pernambucana, que de tão estressada pelo bulling que sofria na Escola, “perdeu a cabeça” e terminou agredindo com uma arma branca o colega de classe? O garoto não suportava o sotaque nordestino da menina. Francamente. Preconceito e revolta mixados.
Como ninguém está livre das atrocidades sociais, deste mundo informatizado, tive o maior trabalho para corrigir três ataques que me fizeram em poucos dias: clonaram dois dos meus cartões de crédito e um talão de cheque, inteiro! Três episódios independentes, bom regsitrar. Gastaram adoidado, pelo Brasil afora. Num dos cartões, compraram uma passagem na executiva da TAM, trecho São Paulo/Nova York/São Paulo.
É duro dizer, mas, nosso mosaico social está todo desajustado.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Metrópole do Fim do Mundo

Desde que o Cardeal Bergogli se tornou Papa Francisco e, na sua primeira saudação ao mundo cristão, se referiu ao seu país de origem como um lugar no fim do mundo, a Argentina vem adotando esse novo clichê para tudo que vier e couber. Foi isto que observei no final de semana passado (1 a 5 de maio de 2013), quando estive circulando em Buenos Aires. Aliás, o Papa Francisco é motivo de tudo por lá. Santinhos, bandeirinhas, postais, broches, marcador de livro e toda sorte se sourvenirs. (Foto a seguir).
A cidade além das habituais bandeiras nacionais nas cores branca e celeste tem também as brancas e amarelas, cores do Vaticano. (vide Foto a seguir)
Outra figura igualmente festejada é a nova Rainha Consorte da Holanda, Máxima Zorreguieta, também argentina de nascimento. Ah! O Jogador Messi também. Os argentinos, muito nacionalistas, que sempre cultuam com muito orgulho seus personagens famosos estão, atualmente, em estado de graça com essas figuras de destaques no cenário internacional. “Pelo menos isso, já que aqui dentro, nos campos econômico e político estamos destroçados”, me afirmou um sisudo taxista. Cidadão na casa dos 50 anos de idade, aparentemente culto e de conversa muito bem articulada, fez severas criticas ao estado atual do país. Com tom de revolta meu interlocutor saiu-se com uma inacreditável: “isto aqui se transformou numa Venezuela e ultimamente a capital da Argentina é Caracas”. Não apenas no taxi, mas por onde andei verifiquei, facilmente, que a Presidente Cristina Fernández é alvo das mais duras reações. A inflação está campeando e os movimentos de protestos se multiplicam a cada dia. Vi alguns. Os argentinos são bem chegadinhos a esses protestos. Passeatas, panelaços e grandes comícios são as formas mais populares. (vide fotos a seguir) Já no Brasil, isso quase nunca acontece. Nosso povo não vai às ruas. Mobilizá-lo é coisa quase impossível.
Habituado a visitar e gostar muito do país hermano, confesso que não fiquei surpreso. Acompanho atentamente o noticiário e as análises político-economicas, através do que posso perceber o desgaste sócio-politico que vem ocorrendo.
Recordo que já estive na Argentina em situações das mais distintas. Quando jovem assisti o retorno triunfante de Juan Domingo Perón ao país, após longo exílio. Logo a seguir vi este velho caudilho assumir, com sua segunda esposa, Isabelita, na Vice Presidência, o comando da Nação, em meados dos anos 70. Vi a queda de Isabelita, com o golpe militar. Estive por lá após a Guerra das Malvinas e encontrei um país destroçado. Voltei durante a redemocratização, no Governo Alfonsín e conferi sem acreditar o drama da hiperinflação. Depois experimentei o clima da paridade dólar/peso no Governo de Carlos Menem, acompanhei a crise de governança do inicio dos anos 2000 e, por fim, já estive por lá na Era K (Kirchners), inclusive por três vezes com Cristina no poder. Por tudo isso, acho que conheço bem essas agruras argentinas. Aquele mesmo taxista acima citado, sem que eu perguntasse, asseverou que “lamentavelmente nosso país está condenado a viver uma crise político-econômica, a cada dez anos”. Lamentei junto com ele, paguei a corrida e desci no meu destino, desejando boa sorte.
Atualmente, nas principais vias da capital (Florida, Corrientes, Lavalle entre outras) é insuportável o assédio dos cambistas oferecendo a vantajosa troca de Dólar por Pesos com uma taxa inacreditável: o dobro do câmbio oficial. Nas lojas os comerciantes, sem cerimônia, dizem logo que recebem pagamentos em Dólar. Se a cédula for de 100 o cambio melhora ainda mais. Isso me remete à época da hiperinflação que todo argentino, até os mais pobres, acumulavam o quanto podiam a moeda norte-americana debaixo do colchão. Quando Menem assumiu acabou com o Austral, resgatou o Peso e equiparou-o ao Dólar. Os dólares acumulados saíram de debaixo do colchão e, com autorização legal, circulavam como o meio de troca aceito em qualquer transação comercial. Até uma corrida de taxi podia ser paga com Dólar. Atualmente, não sei o que pode acontecer, mas, alguns garantem que algo está por vir. E, por isso, melhor se garantir com uma moeda forte.
Apesar de tudo, continuo gostando muito de visitar a Argentina. Ali, sinto-me meio que em casa. Tenho amigos, curto o clima cultural buenairense, os cafés nas calçadas com ar parisiense, a gastronomia, o tango, a flegma do povo – eles sofrem, mas jamais perdem a pose – a beleza dos parques, as largas avenidas, o alfajor, as media-lunas!, as empanadas! O doce de leite!, o Tortoni, o bairro antigo de San Telmo (Vide foto a seguir), os bairros da Recoleta e de Palermo, entre muitas outras coisas que me arrebatam e dão prazer, a cada retorno. Deixo a cidade sempre com vontade de ficar. Refazer a mala e enfrentar a autopista que leva ao aeroporto é quase um sacrifício.
Cristina passa, o Peso se recupera, a economia volta aos trilhos, outros dez anos de tranqüilidade transcorrem, novos governantes aparecem e essa Metrópole do Fim do Mundo (Vide foto panoramica abaixo) será sempre um destino favorito na minha cabeça.

NOTA: As fotos são todas da autoria do Blogueiro, exceto a última obtida o Google Imagens.






domingo, 28 de abril de 2013

Acorda Brasil!

Em 2012 a Justiça brasileira foi celebrada e consagrada perante a Nação como sendo uma Instituição de respeito por conta do julgamento do Mensalão. Sim, porque, até então, o povo brasileiro tinha como referencia maior o fato de que pessoas instaladas no poder - executivo ou legislativo - estariam sempre imunes às malhas da Lei. Condenar vários desses elementos nocivos ao país imprimiu credibilidade ao Poder Judiciário nacional. Ainda que dependendo da atual fase dos recursos, o prazo está prestes a esgotar, o que todo brasileiro de sã consciência espera ansioso é ver todos os condenados atrás das grades.
Na esteira do processo, porém, existem casos esdrúxulos como o dos deputados condenados à prisão e exercendo tranqüilamente o mandato. Além disso, articulando estratégias espúrias para se livrarem do xilindró e continuar legislando, como se nada houvesse ocorrido. Entre essas estratégias, a mais surpreendente e absurda, o Brasil democrático conheceu na semana passada e foi apanhado de surpresa com a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça - CCJ, da Câmara Federal, de uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional, que submete o Supremo Tribunal Federal – STF às determinações da Câmara e do Senado. Isto é, uma decisão do Supremo não terá efeito algum se o Congresso Nacional achar por bem derrubar. Uma tremenda estupidez petista, porque uma proposta aprovada por uma Comissão presidida por um PTista, com maioria PTista, incluindo votos de dois parlamentares condenados à prisão, só pode ser uma manobra indecente para livrar os caras da cadeia. Ocorre que a aprovação de uma emenda dessa natureza representará uma desmoralização do que hoje representa o poder de maior confiabilidade no Brasil.
Não sei não, gente. Começo a ficar muito preocupado com o futuro da nossa Democracia, ainda em consolidação. Uma Emenda como esta, sugerindo dispositivos que na prática transformam a Justiça, ao invés de cega, numa muda, só se vê numa republiqueta ordinária, nas quais ditadores ou falsos ditadores manobram as casas do legislativo e “casam e batizam” ao seu bel prazer! Na minha humilde visão técnica, mas de cidadão, isso é o caminho mais curto para uma ditadura. Desconfio que os autores dessa excrescência legislativa andam tomando lições na "escola bolivariana" – coitado de Bolívar – criada pelo tal de Chávez na Venezuela e com tolos (?) seguidores pelas Américas da vida. Tenho dó desses seguidores e dos seus compatriotas.
Bom, ainda bem que no Brasil a coisa é diferente. Ainda existe esperança de salvação por conta de parlamentares de vergonha: o Presidente da Câmara Federal, Henrique Alves, do PMDB, que embora integrante da base aliada, cumpra a promessa de que não levará a emenda à votação do plenário. Tomara! Caso contrário, “estamos fritos”. É de lascar.
No fim desse imbróglio, o mais lastimável é que uma idéia absurda e indecente como esta provoque um tremor no relacionamento entre o Legislativo e o Judiciário.
Quem diria que um partido com referenciais democráticos e renovadores, fundado em 1980, prometendo um Brasil novo e justo, se transformaria numa quadrilha de malfeitores à Nação. Acorda Brasil!

NOTA: Sem ilustrações, desta vez. Do que serviriam? Causariam asco. As melhores estão na imprensa aberta e na TV.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Cidade Limpa


Esta semana tomei conhecimento de uma auspiciosa noticia: o Rio de Janeiro vai multar quem jogar lixo na via publica. Dependendo do descarte, a multa vai de R$ 157 a R$ 980. Somente no primeiro trimestre deste ano, a Prefeitura do Rio já gastou R$ 600 milhões para tirar lixo das ruas e praias. Cá pra nós, é uma grana preta que devia ter sido aplicada em projetos sociais, tão necessários ao cidadão local.
Fiquei animado com a iniciativa carioca e torcendo para que, além de dar certo, sirva de exemplo para outras cidades e metrópoles do País. Já é tempo dessa gente se civilizar. É uma vergonha e, naturalmente, uma questão de saúde pública, o que se vê neste Brasil afora.
Justificado a medida, as autoridades cariocas informaram que o Rio é considerado um dos dez pontos turísticos mais sujos do mundo. É de lascar. Tanta beleza e mergulhada na sujeira. Dolorosa, ainda mais, por saber que está incluída num grupo composto por cidades, onde a sujeira impera.  Na China e na Índia, por exemplo, há um hábito horrível de se cuspir e escarrar na  via pública sem qualquer cerimônia. O turista visitante tem que ficar muito atento para não ser atingido por um desses desagradáveis petardos. Por ocasião das Olimpíadas de Pequim, 2008, em face do grande contingente de visitantes, o Governo local desenvolveu uma campanha punindo os cuspidores e reprimindo esse péssimo habito. Cartazes e anúncios na TV tratavam do tema. Vide imagem abaixo. Foram dsitribuidos, inclusive, recipientes para que os necessitados urgentes de cuspir depositassem sua respectiva cusparada, guardasse na bolsa e dessem um destino que não a via pública. Parece que passado o evento, os chineses voltaram a praticar este abominável hábito, visto que pude constatar pessoalmente, numa recente visita que fiz àquele país, que a medida não foi de toda eficaz. Na própria Pequim deparei-me com esse tipo de sujeira.
Em Cingapura a lei é duríssima. Formada por uma população mesclada de chineses, indianos, malaios, filipinos, tailandeses, entre outros orientais amantes de cusparadas, o governo local (ditadura severa) teve que adotar medidas do tipo: jogar lixo na via publica, inclusive uma banal cinza de cigarro, recebe uma multa de, aproximadamente, US$ 650. O mesmo se impõe a quem cuspir no chão, der comidas a um pássaro, vender, mascar ou comprar chiclete (a galera colava o chiclete usado nas poltronas e paredes do metrô), usar o banheiro publico e não der descarga e roubar uma flor de um parque ou praça. Quem reincidir num desses erros paga em dobro e é obrigado a prestar serviços de limpeza publica. É paaaau! O resultado é que a Cidade-Estado é um primor de limpeza. Uma cidade perfeita (visite o site: www.lucianabveit.com/br/the-perfect-city/  e saiba mais).
Pois é: uma das coisas mais chocantes, para nós brasileiros, quando regressamos de uma viagem a um país ou cidade limpa do exterior é desembarcar numa brasileira suja e descuidada, como é o caso do Recife. O abandono que foi dado a nossa cidade ultrapassa ao próprio traço cultural da população, que é o de atirar todo tipo de detrito ou rejeito nas vias públicas, canais e rios. Nosso meio ambiente é deplorável. Nossas ruas e avenidas são de assustar. Nem Geraldo – o que faz tudo – está conseguindo limpar. Diminuiu, é verdade. Mas, ainda tem muita bagaceira. Os doze anos de administração do PT foi um desastre nesse item. Foram mestres em descuidar da cidade. Já tratei deste tema numa outra oportunidade. Quer lembrar? Leia clicando em:  http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/06/recife-uma-cidade-abandonada.html
Alguma coisa deve ser feita, urgente. Imagine o que vamos apresentar aos torcedores que vierem assistir aos jogos das copas das Confederações e Mundial. Não apenas no Recife. Falo das cidades sedes dos jogos e, sobretudo, do Rio de Janeiro que, por cima, terá ainda os desafios de receber as Olimpíadas de 2016 e, já já, dentro de dois meses, o encontro da Juventude Católica Mundial, com a presença do Papa Francisco, inclusive.
Aplausos para os gestores municipais  que venham  aplicar multas nos que confundem o ambiente publico com seus chiqueiros particulares. Queremos Cidades Limpas!
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 

domingo, 14 de abril de 2013

Grandes Estiagens

 Quando ouço falar e confiro o atual episódio de uma nova estiagem no Nordeste encho-me de lamentos, questões e revoltas. Explico: Quando menino, passando boas temporadas na casa dos meus avós maternos (região agreste do estado), o que mais ouvi falar, durante uma seca, eram das invasões de flagelados saqueando as cidades e povoados na busca de alimentos. Principalmente nos dias de feira que eram sempre momentos de muita expectativa devido à escassez dos produtos alimentares e o risco de saques. Na minha criancice, pelava-me de medo. Meu avô era comerciante e vivia sempre às voltas com essa preocupação. Outra coisa que vi muitas vezes foram as levas de paus-de-arara, carregando a gente faminta, para os grandes centros urbanos, a procura de solução econômica para sobreviver. Em Caruaru, isso era corriqueiro. O Brasil todo conhece bem essa história, sobretudo depois que celebrizada por Luis Inácio da Silva, um ilustre flagelado da seca nordestina.
Homem feito e ensaiando a vida profissional, cai como funcionário, na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, entidade do Governo Federal criada justamente para, entre outras coisas, tratar de livrar a Região desse flagelo secular. Criada em 1959, a SUDENE não era bem uma novidade à época. Vinha se juntar ao Departamento Nacional das Obras Contra a Seca – DNOCS, criado no inicio do século 20 e ao Banco do Nordeste do Brasil – BNB, de 1954, igualmente preocupado em financiar projetos que pudessem livrar o nordestino das agruras das grandes estiagens. Todos idealizados em meio a essas crises, bom frisar, e com fortes componentes políticas. Desde o Imperador Pedro II, coitadinho, que chorou diante da desgraça dos seus súditos flagelados, lá pelos anos finais do Império, que os governos dizem... dizem se preocupar com o problema.
Na SUDENE, onde fiz minha carreira profissional, durante anos a fio, o que mais trabalhamos foi na busca de soluções de bem-estar e desenvolvimento sócio-econômico para o Nordeste e os nordestinos. A idéia força foi sempre a de criar condições dignas e adequadas ao meio para fixar o homem no seu habitat, mesmo que em tempos de estiagens. Muito se fez, embora que pudesse ter sido bem mais, não houvesse a variável política a atropelar a execução de muitos engenhosos projetos. Lá forjaram-se inteligentes soluções, com a ajuda de peritos internacionais e experimentados técnicos especialistas na área. É uma história longa e por demais conhecida. Não posso desdobrá-la, devido ao exíguo espaço.
Confiante que o leitor ou leitora sabe bem do que falo, vou apontar minha “metralhadora” para, em minha opinião, os alvos responsáveis pela desgraça que, em pleno século 21, ainda assola o Nordeste. Falo de alvos, embora que, no final das contas, é um só: o Governo Federal. Está aí o grande responsável pela situação. Não foi por falta de boas propostas e bons projetos! Sou suspeito para falar, mas, a SUDENE – minha grande escola – desenvolveu estudos preciosos, mapeando a região, selecionando áreas promissoras para desenvolvimento, implantando infra-estruturas, capacitando o pessoal, preparando as populações das zonas de risco e apontando formas para distribuir a água necessária nos tempos de crise. Paralelamente, devido sua ação universal na área nordestina, desenvolveu e executou projetos transformadores para os grandes e médios centros urbanos regionais, importantes pontos de apoio às famílias numa situação de crise. Lamentavelmente, nem tudo que o papel dos planos diretores suportou, foram dele tirados, devido à falta de responsabilidade e decisão política dos governos que se sucederam ao longo da história. Acabaram com a SUDENE e o problema, é claro, persiste.
Quando vejo o projeto da transposição do São Francisco – polêmico inclusive – se arrastando por anos, me revolta. Não se admite que na segunda década do século 21, este assunto ainda seja atual e longamente debatido.
Recordo-me de certa ocasião em que um técnico estrangeiro, homem sério e de grande experiência no mundo inteiro, a serviço da SUDENE, pelas Nações Unidas, me confidenciou que as crises da seca eram convenientes para o exercício da política clientelista. Grande novidade, pensei. Naturalmente que concordei com ele. O que mais se vê nesses interiores do Nordeste são os políticos irresponsáveis “faturando” votos à base de atendimento aos correligionários com caminhões-pipas e distribuição de comidas. Uma vergonha.
Aliás, vejam como D. Dilma tem visitado o Nordeste seco, nesses últimos meses. Louca para “faturar” também. Mas o buraco é mais em baixo! Sabe do que mais: já falei muito de uma velha e cansada história. Vai a provocação.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens





terça-feira, 9 de abril de 2013

Mercados Públicos

Fico muito satisfeito por ouvir falar que a nova prefeitura do Recife está disposta a requalificar os mercados públicos da cidade, o que já era tempo. A situação atual, de modo geral,  é de calamidade e, até mesmo, uma questão de saúde pública. Haja trabalho para dar ordem e limpeza nesses espaços municipais.
Quem estuda economia, sociologia e matérias correlatas sabe da importância que exerce o espaço de um mercado popular numa sociedade, seja qual for o porte do aglomerado social: metrópole, cidade grande ou pequeno povoado. Cada qual, ao seu modo e cultura, mantém sempre uma dessas áreas onde se realizam as transações comerciais locais, de compra e vendas de bens e serviços necessários à subsistência e bem estar das famílias. Então, é o local no qual a sociedade se reúne e interage revelando seu grau de civilização, expresso pela maneira de negociar, hábitos alimentares e produtos negociados. Isso ocorre desde os primórdios das civilizações.
Pessoalmente sempre me interesso e curto muito conhecendo esses locais, tanto nas grandes ou pequenas cidades brasileiras, quanto pelo mundo afora.  
Recentemente tive belas oportunidades de fazer esse tipo de programa. Lembro, por exemplo, do mercado popular e de pescados de Busan, cidade da Coréia do Sul, por onde andei em novembro passado,  organizado e limpíssimo, ao contrário dos nossos, e repleto de produtos exóticos para atender o gosto dos nativos e surpreender o visitante estrangeiro. Pense em comprar, para uma refeição, uma espécie de cobra d'água (enguia?) que é saboreada, após grelhada, ou um quilo de carne de cachorro, para preparar uma sopa muito apreciada e típica no país. Lá no final desta postagem tem um videoclipe mostrando essa curiosidade. Dê uma olhadela. É curtinho.
Outro exemplo que lembro é o da feira livre da cidade do Brejo da Madre de Deus, interior de Pernambuco. Acho admirável a forma daquela gente organizar seu ambiente de comercialização. Limpo, agradável de ser visitado, com olhar de turista, como no meu caso. As barracas de utensílios artesanais são testemunhos da tradicional cultura local. Vide fotos, a seguir.   

Mas, pensando no que pode ser feito nos mercados do Recife, particularmente, no tradicional Mercado de São José, visitei mais uma vez, no fim de semana passado, o Mercado Municipal de São Paulo, que se constitui numa das melhores atrações turísticas da grande metrópole nacional. Imponente, arquitetonicamente falando, e referencia na oferta de produtos de empórios de luxo, como queijos e ervas finas, frutas raras, amêndoas das mais diversas, carnes e pescados, expostos na mais perfeita ordem e asseio,  o mercado de São Paulo exerce um poder de atração a mais, ao oferecer ao visitante um polo gastronômico com itens típicos do cotidiano paulista. O pastel de bacalhau e o sanduiche de mortadela são as vedetes do cardápio do mercado. Saboreados com chope gelado é uma pedida ideal. Vide as fotos a seguir.


Vendo aquilo em São Paulo, imaginei o que poderia ser feito no Mercado de São José, aqui no Recife. A estrutura existente foi inaugurada em 1875, sendo, inclusive, o mais antigo mercado público do Brasil. Outro detalhe importante a registrar é o fato de haver sido o primeiro edifico pré-fabricado em ferro no país. Trazida da França, a estrutura é de estilo neo-clássica dos mercados europeus do século XIX e inspirada no mercado publico de Grenelle, em Paris. É, de fato, uma bela construção e deve ser aproveitada melhor para se tornar uma atração turística de primeira linha na cidade, incluindo um pólo gastronômico bem organizado, num mezanino, como foi feito em São Paulo e com um cardápio tipicamente pernambucano. Pensando bem, o São José tem uma grande e particular vantagem que é o setor das vendas de artesanato regional da melhor qualidade. Com a palavra a Prefeitura da cidade.


NOTA: Fotos e videoclip são da autoria do Blogueiro

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...