sexta-feira, 19 de abril de 2013

Cidade Limpa


Esta semana tomei conhecimento de uma auspiciosa noticia: o Rio de Janeiro vai multar quem jogar lixo na via publica. Dependendo do descarte, a multa vai de R$ 157 a R$ 980. Somente no primeiro trimestre deste ano, a Prefeitura do Rio já gastou R$ 600 milhões para tirar lixo das ruas e praias. Cá pra nós, é uma grana preta que devia ter sido aplicada em projetos sociais, tão necessários ao cidadão local.
Fiquei animado com a iniciativa carioca e torcendo para que, além de dar certo, sirva de exemplo para outras cidades e metrópoles do País. Já é tempo dessa gente se civilizar. É uma vergonha e, naturalmente, uma questão de saúde pública, o que se vê neste Brasil afora.
Justificado a medida, as autoridades cariocas informaram que o Rio é considerado um dos dez pontos turísticos mais sujos do mundo. É de lascar. Tanta beleza e mergulhada na sujeira. Dolorosa, ainda mais, por saber que está incluída num grupo composto por cidades, onde a sujeira impera.  Na China e na Índia, por exemplo, há um hábito horrível de se cuspir e escarrar na  via pública sem qualquer cerimônia. O turista visitante tem que ficar muito atento para não ser atingido por um desses desagradáveis petardos. Por ocasião das Olimpíadas de Pequim, 2008, em face do grande contingente de visitantes, o Governo local desenvolveu uma campanha punindo os cuspidores e reprimindo esse péssimo habito. Cartazes e anúncios na TV tratavam do tema. Vide imagem abaixo. Foram dsitribuidos, inclusive, recipientes para que os necessitados urgentes de cuspir depositassem sua respectiva cusparada, guardasse na bolsa e dessem um destino que não a via pública. Parece que passado o evento, os chineses voltaram a praticar este abominável hábito, visto que pude constatar pessoalmente, numa recente visita que fiz àquele país, que a medida não foi de toda eficaz. Na própria Pequim deparei-me com esse tipo de sujeira.
Em Cingapura a lei é duríssima. Formada por uma população mesclada de chineses, indianos, malaios, filipinos, tailandeses, entre outros orientais amantes de cusparadas, o governo local (ditadura severa) teve que adotar medidas do tipo: jogar lixo na via publica, inclusive uma banal cinza de cigarro, recebe uma multa de, aproximadamente, US$ 650. O mesmo se impõe a quem cuspir no chão, der comidas a um pássaro, vender, mascar ou comprar chiclete (a galera colava o chiclete usado nas poltronas e paredes do metrô), usar o banheiro publico e não der descarga e roubar uma flor de um parque ou praça. Quem reincidir num desses erros paga em dobro e é obrigado a prestar serviços de limpeza publica. É paaaau! O resultado é que a Cidade-Estado é um primor de limpeza. Uma cidade perfeita (visite o site: www.lucianabveit.com/br/the-perfect-city/  e saiba mais).
Pois é: uma das coisas mais chocantes, para nós brasileiros, quando regressamos de uma viagem a um país ou cidade limpa do exterior é desembarcar numa brasileira suja e descuidada, como é o caso do Recife. O abandono que foi dado a nossa cidade ultrapassa ao próprio traço cultural da população, que é o de atirar todo tipo de detrito ou rejeito nas vias públicas, canais e rios. Nosso meio ambiente é deplorável. Nossas ruas e avenidas são de assustar. Nem Geraldo – o que faz tudo – está conseguindo limpar. Diminuiu, é verdade. Mas, ainda tem muita bagaceira. Os doze anos de administração do PT foi um desastre nesse item. Foram mestres em descuidar da cidade. Já tratei deste tema numa outra oportunidade. Quer lembrar? Leia clicando em:  http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/06/recife-uma-cidade-abandonada.html
Alguma coisa deve ser feita, urgente. Imagine o que vamos apresentar aos torcedores que vierem assistir aos jogos das copas das Confederações e Mundial. Não apenas no Recife. Falo das cidades sedes dos jogos e, sobretudo, do Rio de Janeiro que, por cima, terá ainda os desafios de receber as Olimpíadas de 2016 e, já já, dentro de dois meses, o encontro da Juventude Católica Mundial, com a presença do Papa Francisco, inclusive.
Aplausos para os gestores municipais  que venham  aplicar multas nos que confundem o ambiente publico com seus chiqueiros particulares. Queremos Cidades Limpas!
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 

7 comentários:

ALBERTO BITTENCOURT disse...

Caro Girley
O brasileiro é um mal educado por natureza. Ele acha que os pobres dos garis são para limpar as porcarias que joga nas ruas, sem falar no cocô dos cachorros.
Aliás, a palavra gari vem do nome de Pedro Aleixo Gari, que assinou no tempo do Império, o primeiro contrato de limpeza urbana no Brasil. Na década de 70 o serviço passou a incorporar mão de obra feminina. As mulheres da limpeza pública foram batizadas de margaridas.
Abraços.
Alberto

Corumbá disse...

Caro Girley:
Já pensei muito sobre esse assunto. Acho que, assim como as muitas leis que são criadas neste país, essa será mais uma a virar chacota. E sabe por quê? Porque nós não precisamos de leis - e nem temos quem as fiscalize -, nós precisamos é de educação! E é isso que vamos mostrar aos visitantes, seja de qualquer evento, que nos visitarem: a nossa educação, ou melhor, a nossa falta de educação. Meu pai dizia que a tendência do mundo era melhorar a educação e, para isso, seria necessário que cada geração fosse mais educada que a anterior. Mas, o que vemos hoje? Professores desrespeitados, pais desrespeitados que não dizem um não a seus filhos... Isso para falar o mínimo.
Nosso problema é educação. Se todos formos educados, não precisaremos de leis. Caso contrário, as leis não servirão para nada.
É uma pena!

J.Artur disse...

Amigo Girley, suas colocações são sempre oportunas e fundamentadas em experiência por esse mundo à fora. Eu estava em plena e enorme Praça Vermelha, onde não se vê um papel no chão - tenho fotos - um "cumpanheiro" de viagem jogou um e imediatamente abaixou-se e apanhou o papel. Eu disse: Puxa, amigo, parabéns. Lá no Brasil você também age assim? NÃO... LÁ É MAIS UM... Fazer o que??
Alea Jacta Est !!! Zé Artur

Regina Dubeux disse...

J. Artur disse o que penso: As colocações de Girley são sempre oportunas. Eu achei o texto acima, inclusive, bem engraçado. O "É de lascar" e o "É paaaau" me fizeram rir. Sim, não precisamos de leis nem fiscalização... em tese. Mau educados se abstém, um pouco, quando a dor é no seu bolso. Multa neles! (Tomara que não haja subornos). À falta de cascudos nessas cucas deseducadas quando na infância torna multa e fiscais obrigatórios em nossos dias. Mas, Girley, ouvi dizer que nosso Prefeito está seguindo o exemplo do RJ, só não sei se precisará de aprovação dos vereadores. Aliás, entre os edis que também não levaram cascudos quando crianças há os que defendem os sons altos de ambulantes, porque esses 'coitados são pais de família e precisam defendeu o pão de cada dia'. Eu ouvi isso no plenarinho da Câmara de Vereadores do Recife, dito por um conhecido vereador, e ouvi e vi ao vivo e a cores, isto é, numa dessas reuniões públicas ocorridas no tal Plenarinho, a que compareci. Vá, vá.... Esse seu texto, com fotos e tudo o mais, deveria ser publicado em todos os jornais desta bela, porém suja, fedida e cuspida cidade do Recife. Pronto. Falei.

Celso Cavalcanti disse...

Caro Girley,

Esta iniciativa da municipalidade carioca é louvável. Tomara que crie escola. É pena que seja de difícil aplicação para quem consome o lixo das drogas. A meu ver só mexendo na parte mais sensível do ser humano, o bolso, pode-se ter expectativas de sucesso. É só lembrar da questão do cinto de segurança. Foi necessário o Estado delegar a seus agentes o poder de nos multar para que absorvêssemos o óbvio ululante, o uso obrigatório do cinto de segurança era algo primordialmente em nosso favor e subsidiariamente, em favor da sociedade que arca com altos gastos com saúde pública e privada na recuperação dos acidentados e com outros custos econômicos gerados pela perda de produtividade decorrente das ausências ao trabalho e mortalidade.

Singapura é um exemplo a ser analisado. É um caso atípico do déspota esclarecido. Tem especificidades de difícil aplicação a uma democracia imperfeita como a nossa.

Um abraço,

Celso Cavalcanti

Danielle Monteiro disse...

Prezado professor Girley,
Eu também fiquei entusiasmada quando tomei conhecimento da novidade no RJ e logo associei com a possibilidade de importarmos a ideia para Recife, além de ter ficado satisfeita em saber que esse tipo de medida surtiu efeitos positivos em outras partes do mundo; porém, também fiquei preocupada com o planejamento e execução desse tipo de medida, visto que se não houver monitoramento mais uma vez ficaremos no campo das ideias.
A Lei 12.305 de 08/2010 que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos já está valendo e o prazo para que toda a sociedade se adeque vai até 2014. Essa mesma Lei diz que a responsabilidade é compartilhada, ou seja, dos produtores, fornecedores, comerciantes e dos consumidores também, ou seja, de todos, mas não estou percebendo que o governo e a sociedade estão se organizando para tal, sequer dispomos de coleta seletiva e de lixeiras suficientes e espalhadas nas ruas de maior circulação.
Então, como exigir da sociedade o que o governo estadual e municipal não estão fazendo?
Não vi nenhum gestor público fazer os cálculos do R$ perdido com as toneladas de resíduos que ainda são compactados, ao invés de seguirem separados para um centro de tratamento onde sejam limpos e tratados para voltarem ao processo produtivo de diversos tipos de indústrias e atividades.
Enquanto isso, seguimos iludidos com promessas que não saem do papel e circulamos numa cidade suja, fedida e totalmente poluída.
O custo disso tudo eles sabem e muito bem, mas não divulgam; certa vez peguei um trabalho de uma consultoria feito para o Governo do Estado de Pernambuco com uma estimativa de volume e preço pago por tipo de resíduo e fiquei abismada com as cifras, ou seja, tem gente ganhando muito dinheiro com essa sujeira toda.
Espero que a sociedade esteja atenta para não afundarmos cada vez mais num mar de lixo, porque no esgoto nós já estamos, basta acompanhar algumas pesquisas do IBGE.
Danyelle Monteiro

Anônimo disse...

Caro Girley:
A sua nova observação é fruto de quem realmente viaja para o exterior e constata que lei é para ser cumprida.
O que está sendo anunciado para o Rio de Janeiro se pegar já vem tarde, pois sendo uma cidade turística deveria ser mais cuidada. Quanto as demais cidades, levando em conta que nem as calçadas do centro são cuidadas, se encontram cheias de buracos, como exemplo a do edif. Limoeiro, não se pode nem pensar ou ter esperança de uma ação proibitiva, pois nem o grosso do lixo colocado sobre as calçadas é coletado com regularidade. Como seria ideal que um Prefeito eleito antes de tomar posse fosse obrigado a andar a por alguma cidade importante do exterior.
Um grande abraço: Almir Reis - advogado e jornalista