terça-feira, 9 de abril de 2013

Mercados Públicos

Fico muito satisfeito por ouvir falar que a nova prefeitura do Recife está disposta a requalificar os mercados públicos da cidade, o que já era tempo. A situação atual, de modo geral,  é de calamidade e, até mesmo, uma questão de saúde pública. Haja trabalho para dar ordem e limpeza nesses espaços municipais.
Quem estuda economia, sociologia e matérias correlatas sabe da importância que exerce o espaço de um mercado popular numa sociedade, seja qual for o porte do aglomerado social: metrópole, cidade grande ou pequeno povoado. Cada qual, ao seu modo e cultura, mantém sempre uma dessas áreas onde se realizam as transações comerciais locais, de compra e vendas de bens e serviços necessários à subsistência e bem estar das famílias. Então, é o local no qual a sociedade se reúne e interage revelando seu grau de civilização, expresso pela maneira de negociar, hábitos alimentares e produtos negociados. Isso ocorre desde os primórdios das civilizações.
Pessoalmente sempre me interesso e curto muito conhecendo esses locais, tanto nas grandes ou pequenas cidades brasileiras, quanto pelo mundo afora.  
Recentemente tive belas oportunidades de fazer esse tipo de programa. Lembro, por exemplo, do mercado popular e de pescados de Busan, cidade da Coréia do Sul, por onde andei em novembro passado,  organizado e limpíssimo, ao contrário dos nossos, e repleto de produtos exóticos para atender o gosto dos nativos e surpreender o visitante estrangeiro. Pense em comprar, para uma refeição, uma espécie de cobra d'água (enguia?) que é saboreada, após grelhada, ou um quilo de carne de cachorro, para preparar uma sopa muito apreciada e típica no país. Lá no final desta postagem tem um videoclipe mostrando essa curiosidade. Dê uma olhadela. É curtinho.
Outro exemplo que lembro é o da feira livre da cidade do Brejo da Madre de Deus, interior de Pernambuco. Acho admirável a forma daquela gente organizar seu ambiente de comercialização. Limpo, agradável de ser visitado, com olhar de turista, como no meu caso. As barracas de utensílios artesanais são testemunhos da tradicional cultura local. Vide fotos, a seguir.   

Mas, pensando no que pode ser feito nos mercados do Recife, particularmente, no tradicional Mercado de São José, visitei mais uma vez, no fim de semana passado, o Mercado Municipal de São Paulo, que se constitui numa das melhores atrações turísticas da grande metrópole nacional. Imponente, arquitetonicamente falando, e referencia na oferta de produtos de empórios de luxo, como queijos e ervas finas, frutas raras, amêndoas das mais diversas, carnes e pescados, expostos na mais perfeita ordem e asseio,  o mercado de São Paulo exerce um poder de atração a mais, ao oferecer ao visitante um polo gastronômico com itens típicos do cotidiano paulista. O pastel de bacalhau e o sanduiche de mortadela são as vedetes do cardápio do mercado. Saboreados com chope gelado é uma pedida ideal. Vide as fotos a seguir.


Vendo aquilo em São Paulo, imaginei o que poderia ser feito no Mercado de São José, aqui no Recife. A estrutura existente foi inaugurada em 1875, sendo, inclusive, o mais antigo mercado público do Brasil. Outro detalhe importante a registrar é o fato de haver sido o primeiro edifico pré-fabricado em ferro no país. Trazida da França, a estrutura é de estilo neo-clássica dos mercados europeus do século XIX e inspirada no mercado publico de Grenelle, em Paris. É, de fato, uma bela construção e deve ser aproveitada melhor para se tornar uma atração turística de primeira linha na cidade, incluindo um pólo gastronômico bem organizado, num mezanino, como foi feito em São Paulo e com um cardápio tipicamente pernambucano. Pensando bem, o São José tem uma grande e particular vantagem que é o setor das vendas de artesanato regional da melhor qualidade. Com a palavra a Prefeitura da cidade.


NOTA: Fotos e videoclip são da autoria do Blogueiro

7 comentários:

Fred Leal disse...

Excelente comentário Girley. Mercado público é a apropriação da cidade pelo cidadão. A cidade só vive, se as pessoas se encontrarem, nao dentro de um carro, mas na rua, nos parques, nas calçadas, nos mercados públicos, no Centro, nos espaços históricos. Vamos devolver Recife aos cidadãos!!!

J.Artur disse...

Feliz com sua abordagem de hoje, pois, como sabes, estamos na reta de chegada para lançar o JORNAL MERCADOS DO RECIFE, possivelmente em maio. Conto sem dúvida com seu apoio e, desde já, autorização para reproduzirmos este seu artigo, já endossado pelo amigo de priscas eras, Fred Lal - a quem também vou pedir ajuda para o Jornal... Parabéns.

Girley Brazileiro disse...

Amigo José Artur,
Você está autorizado a publicar meu artigo no Jornal dos Mercados. Dupla satisfação: atender ao dileto amigo e ter minha opinião exposta ao publico dos mercados.
Meu abraço e obrigado pelas suas visitas ao Blog.
GB

Mauro Santos disse...

Muito Bom, Girley, gostei bastante. Parabéns. Sds, Mauro Santos

Jussara Monteiro disse...

Girley:
Muito Interessante sua matéria. Qdo comia um desses sanduiches de mortadelas em São Paulo, ao mesmo tempo sonhava em um dia admirar o Mercardo São Jose do Alto. Essa vontade que coincide com sua e de tantas outras pessoas, não me fez esquecer que há de fundo um problema de monopólio dos boxes ou espaços comerciais, de difícil resolução. Fiz uma pesquisa-cadastramento em 86 exatamente no São José, já que era do intuito da Gestão à época torná-lo o espaço que cidade merece, no entanto ao se deparar com questões como esta ficou adiada desde então qualquer ação transformadora e radical. Na verdade o Mercado São José, não saiu da era da Pedra, era assim aquele espaço e o seu entorno, chamado outrora, antes da existencia da CARE, hoje denominada de CEASA.
Sou uma daquelas pessoas que sempre frequentei o Mercado e sua vizinhança, tanto é que já ganhei certa vez um disco onde contém uma música que diz: ela é moça do mercado são jose, ela é de olinda...
Fico na torcida que o projeto saia do papel, prá se comer um sarapatel, num espaço limpo e lindo.
Abraço.
Jussara Monteiro
Recife.PE.Brasil

Regina Dubeux disse...

Que bom ler suas ideias, Girley! Que leveza! E quanto de informação boa de se conhecer! Pergunte ao J. Artur: Onde se compra esse JORNAL MERCADOS DO RECIFE? Muito boa a ideia de transcrever esse seu texto, por lá. Também me ocorre de publicar este texto sobre os mercados no grupo do Facebook: Economia Criativa. Posso?
Abraço. Regina Dubeux.

Danyelle Monteiro disse...

Prezado professor Girley,
Muito bem lembrada à temática, visto que nosso Mercado de São José pede socorro. Sua estrutura neoclássica é belíssima, além de sua riqueza cultural espalhada na diversidade de produtos da cultura pernambucana oferecida aos visitantes, porém, falta realmente investir em organização e segurança, pois atualmente ele está cercado por vários feirantes e ambulantes, que não se esquivam de jogar lixo na rua, além de uma infinidade de trombadinhas, bêbados e afins em seus arredores.
A sujeira é a primeira coisa que chama a atenção, porque antes da gente olhar já sentimos o mau cheiro e é nesses momentos que me vem à mente a organização do Mercadão paulista com sua limpeza e coleta seletiva.
De fato, em se tratando de beleza arquitetônica e porque não da culinária (desde que seja devidamente explorada), sou mais o nosso imponente São José, inclusive, chamo a atenção também sobre o percurso até chegarmos a ele, passando por várias casas de estilo colonial e até loja maçônica, dependo do caminho escolhido. Precisamos investir e já nos nossos mercados, em sua estrutura, acesso, limpeza e segurança, para podermos mostrar melhor o que nós pernambucanos temos.
No mais, ao invés de comer enguia ou carne de cachorro, convido a todos a comerem um bom arrumadinho no Mercado da Boa Vista, onde a “compra e a venda de bens e serviços” servem e bem à boemia local, mesclada por poetas marginais, artistas plásticos, músicos, jornalistas, professores e também economistas, reunida em muitos dos eventos que lá acontecem anualmente, como o Sarau da Independência, organizada pelo querido amigo Ednaldo Possas, o Bloco carnavalesco Lobo Mau da Boa Vista ou o São João do mercado; o senhor não sabe o que está perdendo, mas pode saber visitando o mesmo.
Grande abraço,
Danyelle Monteiro