Quando ouço falar e confiro o atual episódio de uma nova estiagem no Nordeste encho-me de lamentos, questões e revoltas. Explico: Quando menino, passando boas temporadas na casa dos meus avós maternos (região agreste do estado), o que mais ouvi falar, durante uma seca, eram das invasões de flagelados saqueando as cidades e povoados na busca de alimentos. Principalmente nos dias de feira que eram sempre momentos de muita expectativa devido à escassez dos produtos alimentares e o risco de saques. Na minha criancice, pelava-me de medo. Meu avô era comerciante e vivia sempre às voltas com essa preocupação. Outra coisa que vi muitas vezes foram as levas de paus-de-arara, carregando a gente faminta, para os grandes centros urbanos, a procura de solução econômica para sobreviver. Em Caruaru, isso era corriqueiro. O Brasil todo conhece bem essa história, sobretudo depois que celebrizada por Luis Inácio da Silva, um ilustre flagelado da seca nordestina.
Homem feito e ensaiando a vida profissional, cai como funcionário, na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, entidade do Governo Federal criada justamente para, entre outras coisas, tratar de livrar a Região desse flagelo secular. Criada em 1959, a SUDENE não era bem uma novidade à época. Vinha se juntar ao Departamento Nacional das Obras Contra a Seca – DNOCS, criado no inicio do século 20 e ao Banco do Nordeste do Brasil – BNB, de 1954, igualmente preocupado em financiar projetos que pudessem livrar o nordestino das agruras das grandes estiagens. Todos idealizados em meio a essas crises, bom frisar, e com fortes componentes políticas. Desde o Imperador Pedro II, coitadinho, que chorou diante da desgraça dos seus súditos flagelados, lá pelos anos finais do Império, que os governos dizem... dizem se preocupar com o problema.
Na SUDENE, onde fiz minha carreira profissional, durante anos a fio, o que mais trabalhamos foi na busca de soluções de bem-estar e desenvolvimento sócio-econômico para o Nordeste e os nordestinos. A idéia força foi sempre a de criar condições dignas e adequadas ao meio para fixar o homem no seu habitat, mesmo que em tempos de estiagens. Muito se fez, embora que pudesse ter sido bem mais, não houvesse a variável política a atropelar a execução de muitos engenhosos projetos. Lá forjaram-se inteligentes soluções, com a ajuda de peritos internacionais e experimentados técnicos especialistas na área. É uma história longa e por demais conhecida. Não posso desdobrá-la, devido ao exíguo espaço.
Confiante que o leitor ou leitora sabe bem do que falo, vou apontar minha “metralhadora” para, em minha opinião, os alvos responsáveis pela desgraça que, em pleno século 21, ainda assola o Nordeste. Falo de alvos, embora que, no final das contas, é um só: o Governo Federal. Está aí o grande responsável pela situação. Não foi por falta de boas propostas e bons projetos! Sou suspeito para falar, mas, a SUDENE – minha grande escola – desenvolveu estudos preciosos, mapeando a região, selecionando áreas promissoras para desenvolvimento, implantando infra-estruturas, capacitando o pessoal, preparando as populações das zonas de risco e apontando formas para distribuir a água necessária nos tempos de crise. Paralelamente, devido sua ação universal na área nordestina, desenvolveu e executou projetos transformadores para os grandes e médios centros urbanos regionais, importantes pontos de apoio às famílias numa situação de crise. Lamentavelmente, nem tudo que o papel dos planos diretores suportou, foram dele tirados, devido à falta de responsabilidade e decisão política dos governos que se sucederam ao longo da história. Acabaram com a SUDENE e o problema, é claro, persiste.
Quando vejo o projeto da transposição do São Francisco – polêmico inclusive – se arrastando por anos, me revolta. Não se admite que na segunda década do século 21, este assunto ainda seja atual e longamente debatido.
Recordo-me de certa ocasião em que um técnico estrangeiro, homem sério e de grande experiência no mundo inteiro, a serviço da SUDENE, pelas Nações Unidas, me confidenciou que as crises da seca eram convenientes para o exercício da política clientelista. Grande novidade, pensei. Naturalmente que concordei com ele. O que mais se vê nesses interiores do Nordeste são os políticos irresponsáveis “faturando” votos à base de atendimento aos correligionários com caminhões-pipas e distribuição de comidas. Uma vergonha.
Aliás, vejam como D. Dilma tem visitado o Nordeste seco, nesses últimos meses. Louca para “faturar” também. Mas o buraco é mais em baixo! Sabe do que mais: já falei muito de uma velha e cansada história. Vai a provocação.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens
Homem feito e ensaiando a vida profissional, cai como funcionário, na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, entidade do Governo Federal criada justamente para, entre outras coisas, tratar de livrar a Região desse flagelo secular. Criada em 1959, a SUDENE não era bem uma novidade à época. Vinha se juntar ao Departamento Nacional das Obras Contra a Seca – DNOCS, criado no inicio do século 20 e ao Banco do Nordeste do Brasil – BNB, de 1954, igualmente preocupado em financiar projetos que pudessem livrar o nordestino das agruras das grandes estiagens. Todos idealizados em meio a essas crises, bom frisar, e com fortes componentes políticas. Desde o Imperador Pedro II, coitadinho, que chorou diante da desgraça dos seus súditos flagelados, lá pelos anos finais do Império, que os governos dizem... dizem se preocupar com o problema.
Na SUDENE, onde fiz minha carreira profissional, durante anos a fio, o que mais trabalhamos foi na busca de soluções de bem-estar e desenvolvimento sócio-econômico para o Nordeste e os nordestinos. A idéia força foi sempre a de criar condições dignas e adequadas ao meio para fixar o homem no seu habitat, mesmo que em tempos de estiagens. Muito se fez, embora que pudesse ter sido bem mais, não houvesse a variável política a atropelar a execução de muitos engenhosos projetos. Lá forjaram-se inteligentes soluções, com a ajuda de peritos internacionais e experimentados técnicos especialistas na área. É uma história longa e por demais conhecida. Não posso desdobrá-la, devido ao exíguo espaço.
Confiante que o leitor ou leitora sabe bem do que falo, vou apontar minha “metralhadora” para, em minha opinião, os alvos responsáveis pela desgraça que, em pleno século 21, ainda assola o Nordeste. Falo de alvos, embora que, no final das contas, é um só: o Governo Federal. Está aí o grande responsável pela situação. Não foi por falta de boas propostas e bons projetos! Sou suspeito para falar, mas, a SUDENE – minha grande escola – desenvolveu estudos preciosos, mapeando a região, selecionando áreas promissoras para desenvolvimento, implantando infra-estruturas, capacitando o pessoal, preparando as populações das zonas de risco e apontando formas para distribuir a água necessária nos tempos de crise. Paralelamente, devido sua ação universal na área nordestina, desenvolveu e executou projetos transformadores para os grandes e médios centros urbanos regionais, importantes pontos de apoio às famílias numa situação de crise. Lamentavelmente, nem tudo que o papel dos planos diretores suportou, foram dele tirados, devido à falta de responsabilidade e decisão política dos governos que se sucederam ao longo da história. Acabaram com a SUDENE e o problema, é claro, persiste.
Quando vejo o projeto da transposição do São Francisco – polêmico inclusive – se arrastando por anos, me revolta. Não se admite que na segunda década do século 21, este assunto ainda seja atual e longamente debatido.
Recordo-me de certa ocasião em que um técnico estrangeiro, homem sério e de grande experiência no mundo inteiro, a serviço da SUDENE, pelas Nações Unidas, me confidenciou que as crises da seca eram convenientes para o exercício da política clientelista. Grande novidade, pensei. Naturalmente que concordei com ele. O que mais se vê nesses interiores do Nordeste são os políticos irresponsáveis “faturando” votos à base de atendimento aos correligionários com caminhões-pipas e distribuição de comidas. Uma vergonha.
Aliás, vejam como D. Dilma tem visitado o Nordeste seco, nesses últimos meses. Louca para “faturar” também. Mas o buraco é mais em baixo! Sabe do que mais: já falei muito de uma velha e cansada história. Vai a provocação.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens

