Fico muito
satisfeito por ouvir falar que a nova prefeitura do Recife está disposta a
requalificar os mercados públicos da cidade, o que já era tempo. A situação
atual, de modo geral, é de calamidade e,
até mesmo, uma questão de saúde pública. Haja trabalho para dar ordem e limpeza
nesses espaços municipais.
Quem estuda economia, sociologia e matérias correlatas sabe
da importância que exerce o espaço de um mercado popular numa sociedade, seja
qual for o porte do aglomerado social: metrópole, cidade grande ou pequeno
povoado. Cada qual, ao seu modo e cultura, mantém sempre uma dessas áreas onde
se realizam as transações comerciais locais, de compra e vendas de bens e
serviços necessários à subsistência e bem estar das famílias. Então, é o local
no qual a sociedade se reúne e interage revelando seu grau de civilização,
expresso pela maneira de negociar, hábitos alimentares e produtos negociados.
Isso ocorre desde os primórdios das civilizações.
Pessoalmente sempre me interesso e curto muito conhecendo
esses locais, tanto nas grandes ou pequenas cidades brasileiras, quanto pelo
mundo afora.
Recentemente tive belas oportunidades de fazer esse tipo de
programa. Lembro, por exemplo, do mercado popular e de pescados de Busan,
cidade da Coréia do Sul, por onde andei em novembro passado, organizado e limpíssimo, ao contrário dos nossos, e
repleto de produtos exóticos para atender o gosto dos nativos e surpreender o
visitante estrangeiro. Pense em comprar, para uma refeição, uma espécie de cobra d'água (enguia?) que é saboreada, após grelhada, ou um quilo de carne de cachorro,
para preparar uma sopa muito apreciada e típica no país. Lá no final desta postagem tem um videoclipe mostrando essa curiosidade. Dê uma olhadela. É curtinho.
Outro exemplo que lembro é o da feira livre da cidade do
Brejo da Madre de Deus, interior de Pernambuco. Acho admirável a forma daquela
gente organizar seu ambiente de comercialização. Limpo, agradável de ser
visitado, com olhar de turista, como no meu caso. As barracas de utensílios
artesanais são testemunhos da tradicional cultura local. Vide fotos, a seguir.
Mas, pensando no que pode ser feito nos mercados do Recife,
particularmente, no tradicional Mercado de São José, visitei mais uma vez, no
fim de semana passado, o Mercado Municipal de São Paulo, que se constitui numa
das melhores atrações turísticas da grande metrópole nacional. Imponente,
arquitetonicamente falando, e referencia na oferta de produtos de empórios de
luxo, como queijos e ervas finas, frutas raras, amêndoas das mais diversas,
carnes e pescados, expostos na mais perfeita ordem e asseio, o mercado de São Paulo exerce um poder de
atração a mais, ao oferecer ao visitante um polo gastronômico com itens típicos
do cotidiano paulista. O pastel de bacalhau e o sanduiche de mortadela são as
vedetes do cardápio do mercado. Saboreados com chope gelado é uma pedida ideal. Vide as fotos a seguir.
Vendo aquilo em São Paulo, imaginei o que poderia ser feito
no Mercado de São José, aqui no Recife. A estrutura existente foi inaugurada em
1875, sendo, inclusive, o mais antigo mercado público do Brasil. Outro detalhe
importante a registrar é o fato de haver sido o primeiro edifico pré-fabricado
em ferro no país. Trazida da França, a estrutura é de estilo neo-clássica dos
mercados europeus do século XIX e inspirada no mercado publico de Grenelle, em
Paris. É, de fato, uma bela construção e deve ser aproveitada melhor para se
tornar uma atração turística de primeira linha na cidade, incluindo um pólo
gastronômico bem organizado, num mezanino, como foi feito em São
Paulo e com um cardápio tipicamente pernambucano. Pensando bem, o São José tem uma grande e particular vantagem que é o setor das vendas de artesanato regional da
melhor qualidade. Com a palavra a Prefeitura da cidade.
NOTA: Fotos e videoclip são da autoria do Blogueiro