domingo, 14 de abril de 2013

Grandes Estiagens

 Quando ouço falar e confiro o atual episódio de uma nova estiagem no Nordeste encho-me de lamentos, questões e revoltas. Explico: Quando menino, passando boas temporadas na casa dos meus avós maternos (região agreste do estado), o que mais ouvi falar, durante uma seca, eram das invasões de flagelados saqueando as cidades e povoados na busca de alimentos. Principalmente nos dias de feira que eram sempre momentos de muita expectativa devido à escassez dos produtos alimentares e o risco de saques. Na minha criancice, pelava-me de medo. Meu avô era comerciante e vivia sempre às voltas com essa preocupação. Outra coisa que vi muitas vezes foram as levas de paus-de-arara, carregando a gente faminta, para os grandes centros urbanos, a procura de solução econômica para sobreviver. Em Caruaru, isso era corriqueiro. O Brasil todo conhece bem essa história, sobretudo depois que celebrizada por Luis Inácio da Silva, um ilustre flagelado da seca nordestina.
Homem feito e ensaiando a vida profissional, cai como funcionário, na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, entidade do Governo Federal criada justamente para, entre outras coisas, tratar de livrar a Região desse flagelo secular. Criada em 1959, a SUDENE não era bem uma novidade à época. Vinha se juntar ao Departamento Nacional das Obras Contra a Seca – DNOCS, criado no inicio do século 20 e ao Banco do Nordeste do Brasil – BNB, de 1954, igualmente preocupado em financiar projetos que pudessem livrar o nordestino das agruras das grandes estiagens. Todos idealizados em meio a essas crises, bom frisar, e com fortes componentes políticas. Desde o Imperador Pedro II, coitadinho, que chorou diante da desgraça dos seus súditos flagelados, lá pelos anos finais do Império, que os governos dizem... dizem se preocupar com o problema.
Na SUDENE, onde fiz minha carreira profissional, durante anos a fio, o que mais trabalhamos foi na busca de soluções de bem-estar e desenvolvimento sócio-econômico para o Nordeste e os nordestinos. A idéia força foi sempre a de criar condições dignas e adequadas ao meio para fixar o homem no seu habitat, mesmo que em tempos de estiagens. Muito se fez, embora que pudesse ter sido bem mais, não houvesse a variável política a atropelar a execução de muitos engenhosos projetos. Lá forjaram-se inteligentes soluções, com a ajuda de peritos internacionais e experimentados técnicos especialistas na área. É uma história longa e por demais conhecida. Não posso desdobrá-la, devido ao exíguo espaço.
Confiante que o leitor ou leitora sabe bem do que falo, vou apontar minha “metralhadora” para, em minha opinião, os alvos responsáveis pela desgraça que, em pleno século 21, ainda assola o Nordeste. Falo de alvos, embora que, no final das contas, é um só: o Governo Federal. Está aí o grande responsável pela situação. Não foi por falta de boas propostas e bons projetos! Sou suspeito para falar, mas, a SUDENE – minha grande escola – desenvolveu estudos preciosos, mapeando a região, selecionando áreas promissoras para desenvolvimento, implantando infra-estruturas, capacitando o pessoal, preparando as populações das zonas de risco e apontando formas para distribuir a água necessária nos tempos de crise. Paralelamente, devido sua ação universal na área nordestina, desenvolveu e executou projetos transformadores para os grandes e médios centros urbanos regionais, importantes pontos de apoio às famílias numa situação de crise. Lamentavelmente, nem tudo que o papel dos planos diretores suportou, foram dele tirados, devido à falta de responsabilidade e decisão política dos governos que se sucederam ao longo da história. Acabaram com a SUDENE e o problema, é claro, persiste.
Quando vejo o projeto da transposição do São Francisco – polêmico inclusive – se arrastando por anos, me revolta. Não se admite que na segunda década do século 21, este assunto ainda seja atual e longamente debatido.
Recordo-me de certa ocasião em que um técnico estrangeiro, homem sério e de grande experiência no mundo inteiro, a serviço da SUDENE, pelas Nações Unidas, me confidenciou que as crises da seca eram convenientes para o exercício da política clientelista. Grande novidade, pensei. Naturalmente que concordei com ele. O que mais se vê nesses interiores do Nordeste são os políticos irresponsáveis “faturando” votos à base de atendimento aos correligionários com caminhões-pipas e distribuição de comidas. Uma vergonha.
Aliás, vejam como D. Dilma tem visitado o Nordeste seco, nesses últimos meses. Louca para “faturar” também. Mas o buraco é mais em baixo! Sabe do que mais: já falei muito de uma velha e cansada história. Vai a provocação.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens





terça-feira, 9 de abril de 2013

Mercados Públicos

Fico muito satisfeito por ouvir falar que a nova prefeitura do Recife está disposta a requalificar os mercados públicos da cidade, o que já era tempo. A situação atual, de modo geral,  é de calamidade e, até mesmo, uma questão de saúde pública. Haja trabalho para dar ordem e limpeza nesses espaços municipais.
Quem estuda economia, sociologia e matérias correlatas sabe da importância que exerce o espaço de um mercado popular numa sociedade, seja qual for o porte do aglomerado social: metrópole, cidade grande ou pequeno povoado. Cada qual, ao seu modo e cultura, mantém sempre uma dessas áreas onde se realizam as transações comerciais locais, de compra e vendas de bens e serviços necessários à subsistência e bem estar das famílias. Então, é o local no qual a sociedade se reúne e interage revelando seu grau de civilização, expresso pela maneira de negociar, hábitos alimentares e produtos negociados. Isso ocorre desde os primórdios das civilizações.
Pessoalmente sempre me interesso e curto muito conhecendo esses locais, tanto nas grandes ou pequenas cidades brasileiras, quanto pelo mundo afora.  
Recentemente tive belas oportunidades de fazer esse tipo de programa. Lembro, por exemplo, do mercado popular e de pescados de Busan, cidade da Coréia do Sul, por onde andei em novembro passado,  organizado e limpíssimo, ao contrário dos nossos, e repleto de produtos exóticos para atender o gosto dos nativos e surpreender o visitante estrangeiro. Pense em comprar, para uma refeição, uma espécie de cobra d'água (enguia?) que é saboreada, após grelhada, ou um quilo de carne de cachorro, para preparar uma sopa muito apreciada e típica no país. Lá no final desta postagem tem um videoclipe mostrando essa curiosidade. Dê uma olhadela. É curtinho.
Outro exemplo que lembro é o da feira livre da cidade do Brejo da Madre de Deus, interior de Pernambuco. Acho admirável a forma daquela gente organizar seu ambiente de comercialização. Limpo, agradável de ser visitado, com olhar de turista, como no meu caso. As barracas de utensílios artesanais são testemunhos da tradicional cultura local. Vide fotos, a seguir.   

Mas, pensando no que pode ser feito nos mercados do Recife, particularmente, no tradicional Mercado de São José, visitei mais uma vez, no fim de semana passado, o Mercado Municipal de São Paulo, que se constitui numa das melhores atrações turísticas da grande metrópole nacional. Imponente, arquitetonicamente falando, e referencia na oferta de produtos de empórios de luxo, como queijos e ervas finas, frutas raras, amêndoas das mais diversas, carnes e pescados, expostos na mais perfeita ordem e asseio,  o mercado de São Paulo exerce um poder de atração a mais, ao oferecer ao visitante um polo gastronômico com itens típicos do cotidiano paulista. O pastel de bacalhau e o sanduiche de mortadela são as vedetes do cardápio do mercado. Saboreados com chope gelado é uma pedida ideal. Vide as fotos a seguir.


Vendo aquilo em São Paulo, imaginei o que poderia ser feito no Mercado de São José, aqui no Recife. A estrutura existente foi inaugurada em 1875, sendo, inclusive, o mais antigo mercado público do Brasil. Outro detalhe importante a registrar é o fato de haver sido o primeiro edifico pré-fabricado em ferro no país. Trazida da França, a estrutura é de estilo neo-clássica dos mercados europeus do século XIX e inspirada no mercado publico de Grenelle, em Paris. É, de fato, uma bela construção e deve ser aproveitada melhor para se tornar uma atração turística de primeira linha na cidade, incluindo um pólo gastronômico bem organizado, num mezanino, como foi feito em São Paulo e com um cardápio tipicamente pernambucano. Pensando bem, o São José tem uma grande e particular vantagem que é o setor das vendas de artesanato regional da melhor qualidade. Com a palavra a Prefeitura da cidade.


NOTA: Fotos e videoclip são da autoria do Blogueiro

sábado, 30 de março de 2013

Perdoai Senhor, eles não sabem o que fazem

Mesmo sem querer, termino bancando um saudosista. Digo isto porque quando vejo as programações festivas para o curso da Semana Santa, aqui em Pernambuco e pelo Brasil afora, fico meio que sem entender essa nova ordem das coisas. Antigamente, digo, na minha vida de antes, quando criança ou adolescente, a história era outra. Já falei disso aqui no Blog, é verdade. Mas, com o passar dos tempos, percebo mudanças radicais no pensar da sociedade e dessa turma jovem.
A Semana Santa, como a própria denominação sugere, sempre me pareceu ser um tempo de recolhimento e reflexões. Não falo de retiro espiritual! Todo cristão devia respeitar a ocasião em que se recorda o sofrimento e a morte em cruz daquele que se respeita como o Messias e Salvador. Mas não... O feriadão, como se chama atualmente, serve de ocasião para os embalos e festivais de musica e dança. Que coisa! Em São Paulo, por exemplo, vai acontecer um tal de Festival Lollapalooza, que é um negocio importado dos Estados Unidos e promete abalar a Paulicéia, que já é desvairada por natureza. Serão onze horas diárias, durante três dias, de tremenda metaleira, num espaço de centos e centos metros quadrados, a pista de corridas do Jóquei Clube paulistano, para receber milhares de fãs do Rock da pesada. E sabe quando vai começar? Em plena Sexta Feira Santa. “Senhor perdoai, porque eles não sabem o que fazem”.
Aqui, em Pernambuco, ao mesmo tempo em que as paixões de Cristo são levadas teatralmente aos palcos de inúmeras cidades – incluindo o Recife e a Nova Jerusalém – o povo sai do teatro e cai na gandaia dos forrós e shows de axés e coisas parecidas. São bandas cujos nomes já predizem tudo: Calcinha Preta, Garota Safada e Saia Rodada, entre outros tão ousados quanto. Imagino o que fazem as safadas garotas, de calcinhas pretas e rodando as saias para mostrar seus dotes físicos, aos marmanjos ensandecidos e mamados de álcool, nas evoluções que as musicas de som estridente e letras indecentes produzem. Pelo amor de Deus!
Confesso que sou meio ortodoxo, nessas horas. Tenho dentro de mim certos valores inabaláveis. É quando me considero “um cabeça dura” e conservador. Para mim, Semana Santa continua sendo uma coisa sagrada e não feriadão. Vou honrar, até o fim, os ensinamentos da finada Margarida, minha mãe. Recordo que na casa dos meus pais, quando chegava o tempo da quaresma, o cardápio era peixe toda sexta-feira. Isso durante 40 dias. Na semana da paixão, a partir do meio-dia da 4ª. Feira, a regra era severa, peixe na mesa para todos, inclusive os pirralhas inapetentes. Era peixe ou nada! Somente no Sábado de Aleluia e no Domingo da Páscoa é que a carne vermelha voltava à mesa. São preceitos e tradições que marcam a vida de qualquer individuo. Acho, inclusive, que isto é também uma forma especial de educar. Aquela liturgia e a própria dieta mudava o tom do dia-a-dia e convidava a família para viver um pensar diferente, no qual amor, compaixão e solidariedade permeavam cada gesto, cada oração e todas as atitudes coletivas, preparando os espíritos para festejar o tempo da Páscoa.
O mais curioso é que, apesar de todo cuidado de pautar o cardápio, a base de pescados, considero que terminávamos pecando pela gula. Também, pudera... as comidas da época são, de modo geral, tão apetitosas e saborosas que poucos se contentam com pequenas porções. Sou louco por um feijão e um bredo de coco. Para os que não sabem o que é isto, veja a foto a seguir. Escaldado, cozido no molho de coco é uma tentação, na certa. E o bacalhau ao forno? Com um vinho adequado, cai bem demais. O que dizer da moqueca
de peixe (foto mais acima) do vatapá e do bóbó de camarão? Peraí, assim já estou pecando por pensamentos e palavras. Jesus Cristo que me perdoe! E me livre dessas novas ordens de hoje em dia. Feliz Páscoa, minha gente!
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens


domingo, 24 de março de 2013

Gestão Inteligente

Entre as muitas falhas imperdoáveis e cometidas pela administração petista – recém finda – à frente da Prefeitura do Recife, várias vezes destacada no espaço deste humilde Blog do GB, foi o desprezo dado ao diferenciado espaço de lazer do Bairro do Recife Antigo, enquanto ambiente de diversões, tanto para os recifenses, quanto para os turistas visitantes. O esforço desenvolvido pelas administrações anteriores, de recuperar os prédios e sobrados antigos, incentivar as instalações de bares e restaurantes, museus e lojas de artesanatos, assim como promover eventos naquele diferenciado espaço foi todo inútil e simplesmente apagado da cena recifense. Uma questão clara de cultura... e visão politica, também.
Lamentado por todos e, particularmente, pelos visitantes que antes haviam experimentado a sensação de visitar a Rua do Bom Jesus (antiga Rua dos Judeus), o movimentado Marco Zero e as ruas do entorno, no momento de apogeu, o Recife Antigo virou uma espécie de “cidade fantasma” sem luz e sem vida e entregue aos marginais que se aproveitaram para o que bem entendessem. (Clique no link a seguir http://gbrazileiro.blogspot.com/2012/01/recife-mala-pesada.html , para entender melhor sobre o que trato).
A nova administração da cidade, do PSB, reconhecendo a falha dos antecessores e consciente de que a recuperação urgente do antigo espaço é de fundamental importância para os nativos e para o futuro do grande projeto turística da cidade, sobretudo agora, às vésperas das Copas do Mundo das Confederações, pôs mãos à obra e vem mudando as feições da antiga urbe.
Este domingo (24.03.13), por exemplo, foi marcado pelo inicio da interdição de acessos aos veículos automotivos, nas principais artérias do Bairro do Recife, destinado aos pedestres e ciclistas que desejem curtir o histórico espaço, que, sem dúvida, apresenta um dos mais belos cenários da cidade dos rios das pontes. Foi um domingo de satisfação para os que entendem de bem-estar, qualidade de vida sadia e atração turística. Fui lá pessoalmente e sai feliz, ao ver minha cidade repaginada e com seu patrimônio histórico valorizado. Interessante que, entre muitos grafites, que foram deixados pelos artistas populares, fui atraído por um que disse muito da minha alegria naquele momento: “O tempo não quer parar”. Vide a foto
a seguir. É verdade que o tempo não quer e, simplesmente, não pára. Melhor assim, porque passa levando
para bem distante, por exemplo, os maus administradores, que souberam apenas maltratar a cidade e matar sua vida cultural. Aleluia, aleluia!
Foi gostoso fotografar famílias inteiras em bicicletas e em triciclos, (vide a seleção fotos abaixo) transeuntes, repórteres, o próprio Prefeito, Geraldo Júlio, no meio da multidão e colhendo com alegria os louros da sua vitória. Lembrei-me de cidades inteligentes, que conheço, como o Rio de Janeiro, Bogotá, Buenos Aires e Brasilia que dedicam espaços privilegiados aos seus habitantes, nos domingos.
Mais feliz, mesmo, fiquei ao passar pela Rua do Bom Jesus e conferir a recuperação das pinturas coloridas das fachadas dos sobrados antigos. Haja luz e cor naquela artéria. Espero com ansiedade a reabertura dos bares, restaurantes e lojinhas que tanta vida nos deu no passado pré-petista. Veja as fotos a seguir).


O Recife amanheceu, na manhã deste domingo ensolarado, muito mais bonita e num execelente astral. O recifense está colhendo os frutos por haver acertado no voto que escolheu seu novo Burgomestre, em outubro passado. Vejo, neste inicio de administração, uma gestão inteligente. Espero que seja daí para melhor.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

domingo, 17 de março de 2013

Simplesmente Francisco

Acredito que algo de novo ocorre no seio da Igreja Católica Romana. O Vaticano já pode não ser o mesmo e poderá, inclusive, mudar bastante. Passado o fato da inesperada renúncia de Bento XVI, veio o Conclave para eleição de um novo Papa, que, por todas as circunstâncias registradas, inspirou muitas emoções entre os fiéis católicos, assim como muitas expectativas no mundo político ao redor do Globo. O Papa, além de ser o representante de Cristo e sucessor de São Pedro é também um chefe de Estado. As especulações se multiplicaram durante vários dias e, sobretudo, à medida que somente a fumaça negra se espalhava nos céus de Roma.
Encurtando a conversa, vimos, por fim, o surgimento de um novo nome. Foi uma surpresa, sim. Sinceramente, eu não esperava. Do mesmo modo que nunca alimentei a possibilidade do Cardeal brasileiro. Para mim os nomes que eram suscitados não teriam chances. Só ocorria-me a idéia de que poderia sair um Papa negro africano. Talvez um “efeito Obama”. Andei sonhando com uma guinada maior. Mas, honestamente, terminei gostando da escolha. E lembro que o Cardeal argentino sempre era lembrado no pré-conclave. Mereceu e estou apostando no sucesso. Não sei se ele promoverá as mudanças desejadas porque, segundo se diz, é um conservador. Mas, o fato de ser latino-americano já foi um passo adiante. O modelo dos papas ligados à velha cultura européia já se esgotou há muito tempo e não vem ajudando muito.
Além da surpresa da sua origem, vem o fato de ser um jesuíta – o primeiro no trono de São Pedro – e a escolha do nome de Francisco, homenageando os dois santos com este nome: Francisco de Assis (Úmbria – Itália, em 1182) e o jesuíta – vejam bem – Francisco Xavier. Ambos se notabilizaram na história católica e, com essa homenagem de Bergoglio, ressurgem no cenário católico como que para anunciar, de forma indelével, um novo tempo. Somente para lembrar: Francisco de Assis, embora pertencente a uma família rica, despojou-se das comodidades da casa paterna e, fazendo voto de pobreza, dedicou a curta vida (morreu com apenas 44 anos) pela opção de proteger os pobres e oprimidos. Causou uma verdadeira revolução no catolicismo da época, entregue ao fausto e ostentação da nobreza européia. Já o Francisco Xavier, se notabilizou como missionário no Oriente levando a mensagem de Cristo à possessão portuguesa de Gôa, na Índia, à China e ao Japão. Morreu na China em 1552. Sobre ele contam-se inúmeros milagres. Xavier era jesuíta como o Papa Francisco. Conclusão: combater a pobreza e promover a evangelização podem ser objetivos chaves no pontificado de Francisco. Nas suas mensagens pastorais insiste muito na ideia de que “a Igreja tem que ir ao povo e não o povo vir à Igreja”. Sendo um latino-americano e conhecendo de perto a pobreza da região e a precária evangelização destes tempos, muito se pode esperar do novo Pontífice.
Ouvindo os relatos sobre a vida do Cardeal Jorge Mario Bergoglio, vendo pela TV seu comportamento simples na hora da Urbi et Orbi e nos momentos que se seguiram à sua proclamação muito me impressionei com sua simplicidade e visível humildade. Voltar ao alojamento no mesmo ônibus dos companheiros cardeais foi somente uma primeira tirada de Francisco. No dia seguinte, ao se deslocar para a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde orou e pediu proteção para seu pontificado dispensou a limousine papal e usou um veiculo comum da gendarmeria vaticana.
Como era de se esperar, não tardou para que tomássemos conhecimentos sobre o Cardeal Jorge Mario Bergoglio. Como quem fez voto de pobreza, vivia solitário, em Buenos Aires, num apartamento acanhado, anexo a Catedral de Buenos Aires, cozinhando o que comia e se deslocando para sua missão pastoral nos transportes públicos, isto é, ônibus ou metro. Ao se tornar cardeal, por decisão de João Paulo II, preferiu não usar novos paramentos e usou os já usados pelo seu antecessor falecido. Rogou aos argentinos dispostos a ir ao Vaticano assistir a sua entronização (próxima 3ª. Feira -19.03.13) que empreguem o dinheiro que gastariam na viagem em obras das ações sociais.
Acredita-se que, um homem dessa formação e caráter, enfrentará imensas dificuldades para conviver no luxo e ostentação que os palácios do Vaticano oferecem e foram aceitos pelos Papas europeus até hoje. Fala-se que poderá retomar a idéia de João Paulo I que, surpreendendo a todos, teria manifestado a vontade de morar, distante do fausto e da riqueza palaciana, num subúrbio de Roma. Como morreu com 33 dias de pontificado não deu cabo do seu projeto. Quem sabe, Francisco o concretize, sobretudo, inspirado em Francisco de Assis. E aí, então, operará um verdadeiro tremor nas bases vaticanas, além de mandar um recado direto para os que fazem do dinheiro e do consumismo moderno a base das suas crenças.
A propósito, lembro que na história recente da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara, ao assumir seu posto, decidiu que não viveria no Palácio Arquiepiscopal dos Manguinhos e foi morar nos fundos da Igreja das Fronteiras, num compartimento simples e conforme seus ideais e voto de pobreza. Vide foto a seguir. O Palácio ficou em franco abandono, sendo restaurado quando da vinda de João Paulo II ao Recife e lá se hospedou, em 1980.
Por fim, é de se destacar que sendo um Jesuíta, de filosofia disciplinar rígida, fiel seguidor de Inácio de Loyola, um ex-soldado que fundou a Companhia de Jesus, Francisco terá, certamente, condições de tratar os problemas centrais do catolicismo com o rigor que exige, neste momento.
Tudo quanto ouvimos e vimos nesses últimos dias – desde a renúncia de Bento XVI – se constitui num rico momento de debates sobre a figura de um Papa, a infalibilidade deste, a aura de santidade, as questões morais que se exige de um prelado ou de um simples sacerdote, os preceitos religiosos, a questão desenfreada da pedofilia, os desfalques no Banco do Vaticano, celibato dos padres, o casamento gay, o aborto, o divórcio e, finalmente, o futuro da própria Igreja Católica.
Resta a esperança que deste momento repleto de colossais desafios saiam novas idéias e novos tempos para o mundo cristão, incluindo aí, a comunicação fraterna entre as várias igrejas cristãs. O Papa Francisco terá muito com que se preocupar.

N OTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 9 de março de 2013

Valha-me Deus!

Indiscutivelmente, a renúncia de Bento XVI foi a maior surpresa dos últimos tempos. Fui pego pela noticia estando em Nova York, onde o mundo parece pulsar mais forte, e a nova virou a grande manchete do ano. Fiquei atento às noticias e opiniões. Grandes jornais norte-americanos e a TV repercutiram a noticia com grande alarde. Como pode? E é possível? E agora, gente? O primeiro instante foi de pura perplexidade. O mundo católico, então, nem se fala. Fiquei surpreso com a presença do catolicismo na grande metrópole do Norte. Na quarta-feira de cinzas, inclusive, notei uma verdadeira romaria para receber benções com cinzas na Saint Patrick Catedral, na 5ª. Avenida. Entrei na fila.
De fato, não tinha como não se surpreender com aquela novidade. Acostumados a ver a figura de um Papa reinando até ser colhido pela morte, não houve um só católico, ou mesmo não o sendo, manifestar estranheza com aquela atitude extrema de Ratzinger. Logo ele, que sempre inspirou segurança, autoridade, inteligência e cultura, além de habilidade em administrar as coisas da Igreja Católica Romana, para qual dedicou grande parte da vida dentro dos gabinetes e corredores do Vaticano.
Mas, o fato é que o Homem se despojou das vestes que o fazia Chefe Supremo e, com certa pressa, tirou o anel papal, entregou-o à destruição e incentivou, com pressa também, a convocação do Conclave para que escolham seu substituto. Retirou-se. Temos, portanto, um Papa por trás da cena central e, em breve, outro de fato e de direito. Muito insólita, mas muito real.
No zum-zum das buscas por explicações lógicas – indiferentes às razões oficiais – inúmeras teses foram debulhadas. Um relatório sigiloso guarda as reais explicações e que será entregue ao novo Pontífice. “Que seja mais jovem, que tenha boa saúde e mais força para comandar a barca de Pedro”, teria dito Bento XVI. Fala-se em traições ao próprio Santo Padre, oposições políticas, fraudes, corrupção, roubo ao Banco do Vaticano e aberrações sexuais. Absurdo em face dos preceitos da Igreja, mas, coisas muito humanas. São ou não são?
A coragem do Papa e as proezas que são atribuídas aos rebeldes cardeais expõe uma Igreja – de modo escancarado – ao julgamento dos pobres mortais católicos. Fui educado e formado católico e como tal me decepciono com certos episódios. Mas, por outro lado, entendo como são frágeis os soldados de Cristo, ao longo da história. São humanos, coitados. Ao renunciar ao Papado, Bento XVI se revelou mais humano e humilde do que qualquer outro, abandonando o poder, a aura de Santo e tudo quanto constitui o protocolo histórico. Faço idéia do drama pessoal que atravessou até revelar ao mundo a sua decisão. Mesmo sem termos claros conhecimentos das razões pessoais – salvo as dificuldades de saúde – é óbvio de que o homem, de carne e osso, sofreu pressões que somente o mundo dos humanos exerce. Nessas horas o Homem deixa de lado ou esquece a Santidade, o Divino que lhe atribuído e cai numa dura realidade. É o mesmo que deve ocorrer com aqueles que se dizem sujeitos aos comportamentos pouco recomendáveis para um sacerdote que prometeu e jurou castidade e caiu no pecado da carne, sem pensar e sempre de modo espúrio. Molestar menores, subjugar sexualmente seminaristas indefesos, homossexualismo no armário, estuprar mulheres carentes ou ir ás últimas conseqüências com as libertinas – lembro-me do caso do Bispo paraguaio, Dom Lugo, depois eleito presidente da Republica – parecem ser coisas bem comuns nos aparentes austeros conventos, seminários e sacristias desse mundo de meu Deus.

Nessas horas em que candidatos a santo ou santa são postos à prova e mais do que nunca são mostrados como gente de carne, osso, olho e dente, nariz prá frente, me sinto à vontade para defender o fim do celibato. Por que insistir nessa ordem? Padre deve ter a liberdade de namorar, casar e constituir família. Digamos que os que aspirem altos cargos – Bispo, Cardeal, Papa – na hierarquia religiosa que optem por uma vida solitária, se for esta necessária ao seu melhor desempenho pastoral. Caso contrário, que tenham liberdade de viver uma vida mais humana, num mundo de humanos e tão cheio de provocações mundanas. Não é mole o cara se abster dos seus naturais instintos. Haja exercício... Valha-me Deus!
Tem nada mais indigno do que a idéia de que homossexuais se dedicam à vida monástica ou de seminário certos de que lá dentro poderão dar vazão aos seus instintos pervertidos. Fora o fato de que encontram sempre superiores com hormônios à flor da pele e desejos reprimidos para acatá-los e refestelarem-se. A Igreja Católica, cedo ou tarde, terá que rever esses princípios e se modernizar. Isto, além de ser humano e salutar, contribuirá para a sustentabilidade da Instituição de Cristo. Casar é humano, assim como dissolver um casamento mal sucedido é humano! Que o Espírito Santo reine no Conclave que começa Terça-Feira.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens


sábado, 2 de março de 2013

Curtindo Nova York

Fui questionado pela forma como descrevi a cidade Nova York, no post da semana passada. Algumas pessoas concordaram. Outras, porém, acharam que me revelei indiferente à cidade que é listada entre os seus sonhos de consumo. Entendo muito bem as duas posições. Não foi minha intenção e nem me sinto com autoridade para borrar o mito da Big Apple. Quem sou eu? Pelo contrário, afirmei que gosto de ir até lá e curtir a cidade como ela é. É assim que faço em qualquer lugar do mundo. Curti Nova York, sim, nesse inverno de 2013, apesar da dureza do frio e da neve.
Nova York é privilegiada no item museus e sempre aproveito muito. A cidade tem vários e dos mais interessantes. O cinema, o teatro, a aviação, literatura, arte moderna, ciências naturais, arte antiga, desenho, matemática, arte bíblica, fotografia, religiões, perfumes, moda, além de um museu de cera da Madame Tussaud, famosa nessa arte, são temas dos muitos encravados naquela cidade. Tem para qualquer gosto. Naturalmente que não perdi a chance de visitar alguns, dando prioridade ao Museu de Arte Moderna, mais

conhecido por MoMa (11,West 53rd St.), fundado em 1929 e que é considerado o mais importante do mundo, nesse gênero. Dá gosto circular pelos seus salões e jardins para admirar seu acervo que tem mais de 100 mil peças. Isto sem falar nas exposições temporárias. Tive sorte, dessa vez, porque cheguei num momento em que a obra de Edvard Munch estava em exposição e seu consagrado quadro O Grito (The Scream) é a atração maior. Minha outra prioridade, e muito importante para mim, foi voltar ao monumental Metropolitan Museum of Art (no número 1000 da 5ª. Avenida e à margem do Central Park). Nem tanto pelo seu acervo que já vi noutras ocasiões, mas, sobretudo, pela exposição temporária que, dessa vez, era dedicada à obra do pintor francês, mestre do impressionismo, Henry Matisse (1869-1954). Uma beleza. Inesquecível. Fora esses dois, ainda passei pelo de Madame Tussaud, acompanhando meus familiares e pelo de aviação instalado sobre um antigo porta-aviões da 2ª. Guerra Mundial, ancorado num píer do Hudson. Esses dois últimos são interessantes, mas, não fazem minha cabeça.
Indo a Nova York não se pode deixar de assistir ao menos a um musical da Broadway. Muitos estão em cartaz há décadas – O Fantasma da Ópera, por exemplo – mas sempre tem alguma novidade para se conferir. É o caso do Homem Aranha (Spider Man) que vem fazendo o maior sucesso. Casa lotada e ingressos disputados. Assisti com meus familiares. Os efeitos especiais são magníficos. O sujeito voa sobre a platéia, em contorções mirabolantes, atirando teias, encantando a todos. Luz, som, cenários e imagens de impactar qualquer espectador. Não diria que seja imperdível. Mas, vale à pena assistir.
Quando a fome aperta, Nova York é uma praça imbátível. Até mesmo um Hot Dog emergencial tem sabor especial. E não falta prá quem quer. Os carrinhos de pão com salsicha e de espetinhos na brasa (haja fumaças gordurentas) estão por toda parte. Vide foto a seguir. Na outra ponta, estão os restaurantes bem
estabelecidos, nos quais se come muito bem. Fala-se muito que se come mal nos Estados Unidos, mas, em N. York só come mal quem não sabe escolher.Os cardápios são sempre muito bem montados, bem elaborados e os preços não assustam. Fazendo as contas pode-se se comparar com os preços do Brasil. Três destaques, dessa vez: o Niles – anexo ao Hotel Affinia, da 7ª. Avenida, altura do número 450. Outro que lembro é o restaurante/café no térreo do Rockfeller Center, diante da pista de patinação e o terceiro é o The View, no alto do Hotel Marriott Marquis, em plena Times Square. Este tem um serviço de Buffet que não convence muito, mas, por se situar numa plataforma giratória agrada ao cliente. Enquanto você janta vê a cidade desfilar diante dos seus olhos. Peça um bom vinho californiano. O giro se completa em 60 minutos. Para quem desejar ir até lá, sugiro o fim de tarde para um drinque a dois, por exemplo, e assistir o acender das

luzes da cidade lá em baixo. O restaurante fica no 48o. andar. Ah! já ia esquecendo de falar sobre outro restaurante, que é imperdível, o Central Park BoatHouse. Fica encravado no grande Parque por trás do Metropolitan Museum. Fomos lá, mesmo com muita neve e o lago congelado, valeu o almoço naquele dia. Nos domingos servem um brunch muito concorrido.
A mais recente atração de Nova York, porém, é o parque Memorial do 11 de Setembro, no mesmo local onde havia as torres gêmeas. Além da construção de novas torres, com destaque para a Freedom Tower, quase (foto abaixo)

pronta e maior do que as duas destruídas no atentado terrorista, há um belo parque com recordações da tragédia e das vitimas da destruição. Dois imensos tanques com águas correntes levadas a sumidouros marcam o local de cada torre destruída. Os nomes das pessoas mortas estão gravados na placa de aço que emoldura cada tanque.

Ver Nova York do alto das torres do Empire State e RockTower  ou num passeio da Circle Line pelo rios no entorno de Manhattan - acenando para a Estátua da Liberdade - completaram nossa programação curtindo Nova York.


NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro




Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...