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sábado, 9 de março de 2013

Valha-me Deus!

Indiscutivelmente, a renúncia de Bento XVI foi a maior surpresa dos últimos tempos. Fui pego pela noticia estando em Nova York, onde o mundo parece pulsar mais forte, e a nova virou a grande manchete do ano. Fiquei atento às noticias e opiniões. Grandes jornais norte-americanos e a TV repercutiram a noticia com grande alarde. Como pode? E é possível? E agora, gente? O primeiro instante foi de pura perplexidade. O mundo católico, então, nem se fala. Fiquei surpreso com a presença do catolicismo na grande metrópole do Norte. Na quarta-feira de cinzas, inclusive, notei uma verdadeira romaria para receber benções com cinzas na Saint Patrick Catedral, na 5ª. Avenida. Entrei na fila.
De fato, não tinha como não se surpreender com aquela novidade. Acostumados a ver a figura de um Papa reinando até ser colhido pela morte, não houve um só católico, ou mesmo não o sendo, manifestar estranheza com aquela atitude extrema de Ratzinger. Logo ele, que sempre inspirou segurança, autoridade, inteligência e cultura, além de habilidade em administrar as coisas da Igreja Católica Romana, para qual dedicou grande parte da vida dentro dos gabinetes e corredores do Vaticano.
Mas, o fato é que o Homem se despojou das vestes que o fazia Chefe Supremo e, com certa pressa, tirou o anel papal, entregou-o à destruição e incentivou, com pressa também, a convocação do Conclave para que escolham seu substituto. Retirou-se. Temos, portanto, um Papa por trás da cena central e, em breve, outro de fato e de direito. Muito insólita, mas muito real.
No zum-zum das buscas por explicações lógicas – indiferentes às razões oficiais – inúmeras teses foram debulhadas. Um relatório sigiloso guarda as reais explicações e que será entregue ao novo Pontífice. “Que seja mais jovem, que tenha boa saúde e mais força para comandar a barca de Pedro”, teria dito Bento XVI. Fala-se em traições ao próprio Santo Padre, oposições políticas, fraudes, corrupção, roubo ao Banco do Vaticano e aberrações sexuais. Absurdo em face dos preceitos da Igreja, mas, coisas muito humanas. São ou não são?
A coragem do Papa e as proezas que são atribuídas aos rebeldes cardeais expõe uma Igreja – de modo escancarado – ao julgamento dos pobres mortais católicos. Fui educado e formado católico e como tal me decepciono com certos episódios. Mas, por outro lado, entendo como são frágeis os soldados de Cristo, ao longo da história. São humanos, coitados. Ao renunciar ao Papado, Bento XVI se revelou mais humano e humilde do que qualquer outro, abandonando o poder, a aura de Santo e tudo quanto constitui o protocolo histórico. Faço idéia do drama pessoal que atravessou até revelar ao mundo a sua decisão. Mesmo sem termos claros conhecimentos das razões pessoais – salvo as dificuldades de saúde – é óbvio de que o homem, de carne e osso, sofreu pressões que somente o mundo dos humanos exerce. Nessas horas o Homem deixa de lado ou esquece a Santidade, o Divino que lhe atribuído e cai numa dura realidade. É o mesmo que deve ocorrer com aqueles que se dizem sujeitos aos comportamentos pouco recomendáveis para um sacerdote que prometeu e jurou castidade e caiu no pecado da carne, sem pensar e sempre de modo espúrio. Molestar menores, subjugar sexualmente seminaristas indefesos, homossexualismo no armário, estuprar mulheres carentes ou ir ás últimas conseqüências com as libertinas – lembro-me do caso do Bispo paraguaio, Dom Lugo, depois eleito presidente da Republica – parecem ser coisas bem comuns nos aparentes austeros conventos, seminários e sacristias desse mundo de meu Deus.

Nessas horas em que candidatos a santo ou santa são postos à prova e mais do que nunca são mostrados como gente de carne, osso, olho e dente, nariz prá frente, me sinto à vontade para defender o fim do celibato. Por que insistir nessa ordem? Padre deve ter a liberdade de namorar, casar e constituir família. Digamos que os que aspirem altos cargos – Bispo, Cardeal, Papa – na hierarquia religiosa que optem por uma vida solitária, se for esta necessária ao seu melhor desempenho pastoral. Caso contrário, que tenham liberdade de viver uma vida mais humana, num mundo de humanos e tão cheio de provocações mundanas. Não é mole o cara se abster dos seus naturais instintos. Haja exercício... Valha-me Deus!
Tem nada mais indigno do que a idéia de que homossexuais se dedicam à vida monástica ou de seminário certos de que lá dentro poderão dar vazão aos seus instintos pervertidos. Fora o fato de que encontram sempre superiores com hormônios à flor da pele e desejos reprimidos para acatá-los e refestelarem-se. A Igreja Católica, cedo ou tarde, terá que rever esses princípios e se modernizar. Isto, além de ser humano e salutar, contribuirá para a sustentabilidade da Instituição de Cristo. Casar é humano, assim como dissolver um casamento mal sucedido é humano! Que o Espírito Santo reine no Conclave que começa Terça-Feira.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens


Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...